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quarta-feira, 30 de julho de 2008

Olmert marca renúncia para setembro

Depois de meses de pressão sob acusações de corrupção, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, anunciou hoje que deixa o cargo em setembro, depois da eleição de um novo líder para seu partido Kadima (Avante).

Olmert foi prefeito de Jerusalém. Era vice-primeiro-ministro de Ariel Sharon quando o primeiro-ministro teve um acidente vascular cerebral que o deixou em coma e inconsciente até hoje, vivendo ligado a aparelhos. Herdou de Sharon a chefia do partido Kadima e do governo.

O Kadima (Avante) foi a herança política de Sharon, um linha-dura que no final da vida, como comandante militar, percebeu que há um momento para conquistar a paz. Em 2005 rompeu com a coligação direitista Likud e formou um partido para avançar na direção da paz dentro da fórmula de criação de dois Estados Nacionais independentes, um árabe e um judaico, no território histórico da Palestina.

Sharon sonhava em morrer depois de consolidar as fronteiras de Israel. Para isso, é necessária a paz.

Seu sucessor, Olmert, se elegeu com uma bancada do Kadima aquém do esperado: 28 deputados na Knesset, de 120 cadeiras. Para formar o governo, aliou-se ao Partido Trabalhista, de esquerda. É o partido que fundou Israel, de David Ben Gurion, dos kibbutzim e da central sindical Histadrut.

Na época, o líder era Amir Peretz, um dirigente sindical sem experiência militar. Como grande aliado, foi nomeado ministro da Defesa. Teve atuação desastrosa durante a fracassada ofensiva de 34 dias no Líbano contra a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), que abalou o governo Olmert desde o início.

Os inimigos árabes ainda têm medo e respeitam Israel. Mas o Hesbolá se gaba de ter acabado com o mito de invencibilidade israelense. Morreram cerca de 150 israeleses e 1,2 mil libaneses, mas uma força irregular muito menor e bem infiltrada na sociedade conseguiu resistir à mais poderosa máquina militar do Oriente Médio.

Em 2007, Peretz perdeu a liderança trabalhista para o ex-primeiro-ministro Ehud Barak.

Depois, vieram os escândalos de corrupção. Olmert foi acusado de receber US$ 140 mil de um empresário americano, Morris Talansky. O primeiro-ministro demissionário alega que era dinheiro para a campanha, mas Talansky garante que foi usado para despesas pessoais de Olmert.

Com a impopularidade do governo, no momento, as pesquisas dão vantagem ao ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do partido Likud, cada vez mais à direita, refratário ao processo de paz. Mantém a tática usada durante muito tempo por Sharon e outros falcões israelenses: fingir que está negociando para ganhar tempo e consolidar a ocupação.

Isso não impede que o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa Ehud Barak tenha orientado os deputados trabalhistas a derrubar o governo e provocar a antecipação das eleições, que não precisam ser realizadas até 2010, se alguém conseguir articular uma coalizão capaz de ter maioria para governar.

A favorita no Kadima é a ministra do Exterior, Tzipi Livni. Também são candidatos em potencial e o ex-ministro da Defesa e atual ministro dos Transporte, Shaul Mofaz, um linha-dura; o ministro do Interior, Meir Shitreet; e o da Segurança Interna, Avi Dichter.

Alguns analistas suspeitam que Olmert, ao anunciar a renúncia com antecedência e data marcada, a eleição de um novo líder do Kadima, dando-se aviso prévio, estaria na verdade blefando.

Se o novo líder do partido não conseguir formar um governo, ele permanece como primeiro-ministro interino. Isto pode lhe garantir uma sobrevida política de muitos meses em que poderia se dedicar, por exemplo, à paz com os palestinos, algo capaz de deixar uma marca positiva de seu governo para a História.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Procurador-geral investiga primeiro-ministro de Israel

O procurador-geral de Israel ordendou a abertura de inquérito policial para investigar a compra de uma casa pelo primeiro-ministro Ehud Olmert. Ele é suspeito de ter conseguido um desconto substancial em troca de facilitar autorizações para construir.

Olmert, eleito como herdeiro do linha-dura Ariel Sharon, que no final da vida resolveu criar um partido mais ao centro para negociar a paz, perdeu prestígio com a desastrada guerra contra a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), em julho e agosto de 2006. Mas recuperou-se com o recente bombardeio à Síria, supostamente para destruir uma carga da Coréia do Norte suspeita de conter material nuclear.

quarta-feira, 29 de março de 2006

Kadima vence em Israel mas elege menos deputados do que esperava

O partido centrista Kadima (Avante), do primeiro-ministro interino Ehud Olmert, venceu as eleições de 28 de março em Israel terá apenas 28 deputados na Knesset, o parlamento israelense, de 120 cadeiras. Durante a campanha, a prevão era de que elegeria 40. Olmert chegou a declarar que menos de 36 seria considerado um resultado ruim. Isto o torna dependente de outros partidos para formar a coalizão de governo.

Diante da incerteza política gerada pelo resultado, a Bolsa de Tel-Aviv caiu 1% na manhã desta quarta-feira. Mas o jornal americano The New York Times observa que os eleitores preferiram partidos favoráveis à retirada parcial israelense dos territórios árabes ocupados.

O Partido Trabalhista, de centro-esquerda, que dominou a política israelense durante décadas, terá 20 deputados, e o esquerdista Meretz, quatro. Estes partidos devem apoiar a estratégia de paz de Olmert.

Em terceiro, ficou o Shass, um partido ortoxodo sefaradita, com 13 cadeiras. Em quarto, o partido linha-dura Beiteinu, apoiado sobretudo por imigrantes russos, com 12 deputados.

Isso deixou em quinto lugar o Likud, ao qual pertenciam tanto Olmert quanto seu padrinho político, o ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, que agoniza desde 4 de janeiro, quando sofreu um acidente vascular cerebral. Foi uma grande derrota para o ex-primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, contrário a qualquer devolução de territórios aos palestinos.

Para os analistas, o comparecimento às urnas de 63,2% dos eleitores inscritos, baixo para eleições israelenses, favoreceu os pequenos partidos.

A proposta de Olmert é levar adiante o plano de paz de Sharon. Se não houver acordo com os palestinos, ele pretende realizar uma separação unilateral, removendo parte das colônias judaicas na Cisjordânia.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, rejeita este "desengajamento" proposto por Israel. Mas terá dificuldades em reiniciar o processo de paz, já que o novo governo palestino é formado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), considerado um grupo terrorista pelos Estados Unidos, União Européia e Israel por se negar a abandonar a luta armada e a reconhecer o direito de existência de Israel.

Durante as negociações para formar o governo, os partidos ligados à Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de Abbas, exigiram que o Hamas aceitasse os acordos firmados com Israel. Mas os radicais do Hamas se negam a fazer isto, alegando que equivaleria a reconhecer Israel e aceitar a ocupação dos territórios palestinos.