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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Fevereiro

 TUMBA DO FARAÓ MENINO

    Em 1923, o arqueólogo britânico Howard Carter tira o lacre no Vale dos Reis da câmara mortuária de Tutancâmon, o faraó menino, que governa o Egito de 1333-23 antes de Cristo e morre aos 19 anos.

Durante seu reinado, Tutancâmon restaura a arte e a religião tradicionais do Egito Antigo, marginalizadas por seu antecessor, Akhenaton, que venera o deus Aton. Mas Tutancâmon é conhecido pela preservação de sua tumba, que não é saqueada. Sua descoberta é uma grande contribuição à egiptologia.

PRIMEIRA KNESSET

    Em 1949, a Knesset (Assembleia, em hebraico), o parlamento unicameral de Israel, eleito em 25 de janeiro, realiza sua primeira sessão, em Jerusalém.

Israel não tem Constituição. A Knesset ratifica a Lei de Transição. Depois, aprova leis básicas sobre a própria Knesset (1958), sobre as terras de Israel (1960), sobre o presidente (1964), eleito indiretamente pelo parlamento para um mandato de cinco anos podendo ser reeleito uma vez, e sobre o governo (1968).

Antes do início da guerra contra o grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenta aprovar uma reforma judiciária para dar à Knesset o direito de anular decisões da Suprema Corte. Quer se livrar de três processos por corrupção que podem levá-lo para a cadeia. A Suprema Corte derruba a reforma em 1º de janeiro de 2024.

PRIMEIRO-MINISTRO FIDEL CASTRO

    Em 1959, um mês e meio depois da fuga do ditador Fulgencio Batista e da vitória da Revolução Cubana, o comandante Fidel Castro toma posse como primeiro-ministro, se torna presidente em 1976 e fica no poder em Havana até 2006, quando sofre uma hemorragia intestinal.

Fidel Alejandro Castro Ruz nasce em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro, vira um esquerdista e anti-imperialista quando estuda direito na Universidade de Havana. Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República, Fidel lança sua revolução no assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953.

No julgamento, Fidel diz talvez sua frase mais célebre: "A história me absolverá." Preso durante um ano, ele sai e vai para o México onde forma o Movimento 26 de Julho com o irmão Raúl Castro e o médico e revolucionário argentino Ernesto Che Guevara.

Em 1956, um grupo de 82 guerrilheiros sai do México no navio Granma para desembarcar na Praya das Coloradas. Depois de fortes perdas nos primeiros combates, 21 guerrilheiros conseguem se refugiar na Sierra Maestra. Em fevereiro de 1958, já são 400 homens acantonados nas montanhas.

As forças do ditador Fulgencio Batista têm 50 mil, mas o governo cubano só consegue mobilizar 10 mil homens e lança uma ofensiva aérea e terrestre contra os guerrilheiros de abril a agosto de 1958. O fracasso desta ação militar é decisivo para a vitória da Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959.

No poder, sob pressão dos Estados Unidos, Fidel adota um regime socialista autoritário de caráter stalinista e se alia à União Soviética durante a Guerra Fria. Depois da fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, Cuba se aproxima ainda mais de Moscou. Isto leva à tentativa de instalar mísseis nucleares soviéticos na ilha, causa da Crise dos Mísseis, em outubro de 1962, no momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. 

Ao transferir oficialmente por motivos de saúde os cargos de presidente e primeiro-ministro de Cuba ao irmão Raúl Castro, em 2008, 49 anos depois da posse, Fidel comenta que não pode se apegar a cargos. Ele morre aos 90 anos em 25 de novembro de 2016, em Havana.

PROTOCOLO DE QUIOTO

    Em 2005, entra em vigor o Protocolo de Quioto, um documento adicional à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima para combater o aquecimento global diminuindo as emissões de 41 países desenvolvidos e da União Europeia. O objetivo é reduzir as emissões de seis gases que agravam o efeito estufa em 5,2% em relação a 1990. 

O acordo é fechado em Quioto, o antiga capital imperial do Japão, em 11 de dezembro de 1997. Um dos grandes negociadores é o então vice-presidente Al Gore, mas o Senado dos Estados Unidos, na época o maior poluidor mundial (hoje é a China), não ratifica o Protocolo de Quioto sob o argumento de que daria uma vantagem competitiva a países em desenvolvimento, não submetidos à mesma regra, no caso, a China.

O Protocolo de Quioto caduca em 2012. Para substituí-lo, as Conferências da ONU sobre Mudança do Clima aprovam o Acordo de Paris, em 2015. É o primeiro acordo em que todos os países se comprometem a estabelecer metas voluntárias de redução de emissões. O grande problema é que não existe nenhuma penalidade pelo não cumprimento das metas.

LÍDER DA OPOSIÇÃO RUSSA MORRE

    Em 2024, Alexei Navalny, o principal líder da oposição à ditadura de Vladimir Putin, morre aos 47 anos numa prisão do Arquipélago Gulag da era soviética situada ao norte do Círculo Polar Ártico, onde a temperatura nesta época do ano está abaixo de menos 20 graus. Agora, uma investigação de vários países europeus conclui que ele morre envenenado por um veveno de sapo que é considerado arma biológica e só pode ser manipulado por serviços secretos sofisticados.

Navalny nasce em Butin, na Rússia, em 4 de junho de 1976. Em 1998, se forma na Faculdade de Direito da Universidade Russa da Amizade entre os povos. Advogado, Ganha prestígio com um blogue em que denuncia a corrupção e a vida de luxo e riqueza da oligarquia que orbita ao redor do Kremlin. Um vídeo sobre um palacete de US$ 1 bilhão no Mar Negro que seria de Putin tem mais de 130 milhões de visualizações. 

Em 2010, Navalny consegue reunir 150 mil pessoas em Moscou na maior manifestação contra Putin. Essa mobilização ameaça Putin, na época primeiro-ministro.

O ano seguinte, 2011, é o ano da Primavera Árabe, uma onda de revoltas por democracia e liberdade no mundo árabe contra governos corruptos e ditatoriais. Com sua visão conspiratória do mundo, Putin vê a mão invisível do Ocidente por trás das revoltas, assim como havia visto nas "revoluções coloridas" nas ex-repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia. 

Putin aumenta a repressão às manifestações antes das eleições parlamentares de 2011 e volta à Presidência em 2012 para não mais sair. 

Navalny é candidato a prefeito de Moscou em 2013, fica em segundo lugar, mas não pôde concorrer à Presidência da Rússia por força de condenação em 2014 por "fraude" e "desvio de recursos" num processo forjado em que pegou três anos e meio de prisão, mas teve direito a suspensão da pena. 

Em 20 de agosto de 2020, é envenado quando faz campanha eleitoral no interior da Rússia. Seu voo de Tomsk para Moscou é obrigado a fazer um pouso de emergência em Omsk para salvá-lo.

Sob pressão da Alemanha, dois dias depois a ditadura de Putin autoriza que ele seja levado para tratamento em Berlim. Os médicos alemães identificam a droga novichok, um agente nervoso, uma arma química desenvolvida pela União Soviética nos anos 1970. 

Ao voltar à Rússia, Navalny é preso sob a acusação de violar os termos de sua liberdade condicional, embora tenha saído da Rússia desacordado. A suspensão da pena é revogada e a sentença é de nove anos em regime fechado por "fraude" e "desacato ao tribunal".

Em agosto de 2023, Navalny é condenado de novo, desta vez a 19 anos de prisão por "extremismo" por criar sua fundação anticorrupção, na verdade, por fazer oposição à invasão da Ucrânia.

Em dezembro de 2023, Navalny desaparece por quase três semanas e reaparece numa nova prisão a 2 mil quilômetros de Moscou, ao norte do Círculo Polar Ártico, a Colônia Penal nº 3, mais conhecida como Lobo Polar, parte do Arquipélago Gulag, as prisões e campos de trabalhos forçados do stalinismo.

Como Navalny é silenciado, no fim do comentário, gravado há dois anos, cito suas propostas para o fim da guerra na Ucrânia.

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 16 de Fevereiro

 TUMBA DO FARAÓ MENINO

    Em 1923, o arqueólogo britânico Howard Carter tira o lacre no Vale dos Reis da câmara mortuária de Tutancâmon, o faraó menino, que governa o Egito de 1333-23 antes de Cristo e morre aos 19 anos.

Durante seu reinado, Tutancâmon restaura a arte e a religião tradicionais do Egito Antigo, marginalizadas por seu antecessor, Akhenaton, que venera o deus Aton. Mas Tutancâmon é conhecido pela preservação de sua tumba, que não é saqueada. Sua descoberta é uma grande contribuição à egiptologia.

PRIMEIRA KNESSET

    Em 1949, a Knesset (Assembleia, em hebraico), o parlamento unicameral de Israel, eleito em 25 de janeiro, realiza sua primeira sessão, em Jerusalém.

Israel não tem Constituição. A Knesset ratifica a Lei de Transição. Depois, aprova leis básicas sobre a própria Knesset (1958), sobre as terras de Israel (1960), sobre o presidente (1964), eleito indiretamente pelo parlamento para um mandato de cinco anos podendo ser reeleito uma vez, e sobre o governo (1968).

Antes do início da guerra contra o grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tentou aprovar uma reforma judiciária para dar à Knesset o direito de anular decisões da Suprema Corte. Quer se livrar de três processos por corrupção que podem levá-lo para a cadeia. A Suprema Corte derruba a reforma em 1º de janeiro de 2024.

PRIMEIRO-MINISTRO FIDEL CASTRO

    Em 1959, um mês e meio depois da fuga do ditador Fulgencio Batista e da vitória da Revolução Cubana, o comandante Fidel Castro toma posse como primeiro-ministro, se torna presidente em 1976 e fica no poder até 2006 em Havana, quando sofre uma hemorragia intestinal.

Fidel Alejandro Castro Ruz nasce em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro, vira um esquerdista e anti-imperialista quando estuda direito na Universidade de Havana. Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República, Fidel lança sua revolução no assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953.

No julgamento, Fidel diz talvez sua frase mais célebre: "A história me absolverá." Preso durante um ano, ele sai e vai para o México onde forma o Movimento 26 de Julho com o irmão Raúl Castro e o médico e revolucionário argentino Ernesto Che Guevara.

Em 1956, um grupo de 82 guerrilheiros sai do México no navio Granma para desembarcar na Praya das Coloradas. Depois de fortes perdas nos primeiros combates, 21 guerrilheiros conseguem se refugiar na Sierra Maestra. Em fevereiro de 1958, já são 400 homens acantonados nas montanhas.

As forças do ditador Fulgencio Batista têm 50 mil, mas o governo cubano só consegue mobilizar 10 mil homens e lança uma ofensiva aérea e terrestre contra os guerrilheiros de abril a agosto de 1958. O fracasso desta ação militar é decisivo para a vitória da Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959.

No poder, sob pressão dos Estados Unidos, Fidel adota um regime socialista autoritário de caráter stalinista e se alia à União Soviética durante a Guerra Fria. Depois da fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, Cuba se aproxima ainda mais de Moscou. Isto leva à tentativa de instalar mísseis nucleares soviéticos na ilha, causa da Crise dos Mísseis, em outubro de 1962, no momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. 

Ao transferir oficialmente por motivos de saúde os cargos de presidente e primeiro-ministro de Cuba ao irmão Raúl Castro, em 2008, 49 anos depois da posse, Fidel comenta que não pode se apegar a cargos. Ele morre aos 90 anos em 25 de novembro de 2016, em Havana.

PROTOCOLO DE QUIOTO

    Em 2005, entra em vigor o Protocolo de Quioto, um documento adicional à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima para combater o aquecimento global diminuindo as emissões de 41 países desenvolvidos e da União Europeia. O objetivo é reduzir as emissões de seis gases que agravam o efeito estufa em 5,2% em relação a 1990. 

O acordo é fechado em Quioto, o antiga capital imperial do Japão, em 11 de dezembro de 1997. Um dos grandes negociadores é o então vice-presidente Al Gore, mas o Senado dos Estados Unidos, na época o maior poluidor mundial (hoje é a China), não ratifica o Protocolo de Quioto sob o argumento de que daria uma vantagem competitiva a países em desenvolvimento, não submetidos à mesma regra, no caso, a China.

O Protocolo de Quioto caduca em 2012. Para substituí-lo, as Conferências da ONU sobre Mudança do Clima aprovam o Acordo de Paris, em 2015. É o primeiro acordo em que todos os países se comprometem a estabelecer metas voluntárias de redução de emissões. O grande problema é que não existe nenhuma penalidade pelo não cumprimento das metas.

LÍDER DA OPOSIÇÃO RUSSA MORRE

    Em 2024, Alexei Navalny, o principal líder da oposição à ditadura de Vladimir Putin, morre aos 47 anos numa prisão do Arquipélago Gulag da era soviética situada ao norte do Círculo Polar Ártico, onde a temperatura nesta época do ano está abaixo de menos 20 graus

Navalny nasce em Butin, na Rússia, em 4 de junho de 1976. Em 1998, se forma na Faculdade de Direito da Universidade da Russa da Amizade entre os povos. Advogado, Ganha prestígio com um blogue em que denuncia a corrupção e a vida de luxo e riqueza da oligarquia que orbita ao redor do Kremlin. Um vídeo sobre um palacete de US$ 1 bilhão no Mar Negro que seria de Putin tem mais de 130 milhões de visualizações. 

Em 2010, Navalny consegue reunir 150 mil pessoas em Moscou na maior manifestação contra Putin. Essa mobilização ameaça Putin, na época primeiro-ministro.

O ano seguinte, 2011, é o ano da Primavera Árabe, uma onda de revoltas por democracia e liberdade no mundo árabe contra governos corruptos e ditatoriais. Com sua visão conspiratória do mundo, Putin vê a mão invisível do Ocidente por trás das revoltas, assim como havia visto nas "revoluções coloridas" nas ex-repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia. 

Putin aumenta a repressão às manifestações antes das eleições parlamentares de 2011 e volta à Presidência em 2012 para não mais sair. 

Navalny é candidato a prefeito de Moscou em 2013, fica em segundo lugar, mas não pôde concorrer à Presidência da Rússia por força de condenação em 2014 por "fraude" e "desvio de recursos" num processo forjado em que pegou três anos e meio de prisão, mas teve direito a suspensão da pena. 

Em 20 de agosto de 2020, é envenado quando faz campanha eleitoral no interior da Rússia. Seu voo de Tomsk para Moscou é obrigado a fazer um pouso de emergência em Omsk para salvá-lo.

Sob pressão da Alemanha, dois dias depois a ditadura de Putin autoriza que ele seja levado para tratamento em Berlim. Os médicos alemães identificam a droga novichok, um agente nervoso, uma arma química desenvolvida pela União Soviética nos anos 1970. 

Ao voltar à Rússia, Navalny é preso sob a acusação de violar os termos de sua liberdade condicional, embora tenha saído da Rússia desacordado. A suspensão da pena é revogada e a sentença é de nove anos em regime fechado por "fraude" e "desacato ao tribunal".

Em agosto de 2023, Navalny é condenado de novo, desta vez a 19 anos de prisão por "extremismo" por criar sua fundação anticorrupção, na verdade, por fazer oposição à invasão da Ucrânia.

Em dezembro de 2023, Navalny desaparece por quase três semanas e reaparece numa nova prisão a 2 mil quilômetros de Moscou, ao norte do Círculo Polar Ártico, a Colônia Penal nº 3, mais conhecida como Lobo Polar, parte do Arquipélago Gulag, as prisões e campos de trabalhos forçados do stalinismo.

Como Navalny foi silenciado, no fim do comentário cito suas propostas para o fim da guerra na Ucrânia.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Extrema direita leva Netanyahu de volta ao poder em Israel

 Nas quintas eleições gerais em quatro anos, o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o chefe de governo com mais tempo no poder na história de Israel, prepara sua volta, mas a grande vencedora é extrema direita, que deve pular de 6 para 14 cadeiras e ter a terceira maior bancada na Knesset, o Parlamento de Israel. Será o governo mais à direita de história do país.

Líder do partido direitista Likud, Netanyahu governou Israel de 1996-97 e de 2009-21, superando o fundador de Israel, David Ben-Gurion. É o principal responsável pela estagnação e o fracasso do processo de paz com os palestinos.

No ano passado, caiu diante de uma coalizão ampla e frágil articulada pelo primeiro-ministro derrotado hoje, o centrista Yair Lapid, que reunia partidos de direita, centro, esquerda e árabes. Lapid defendia a paz com a criação de um Estado palestino. 

O novo governo fará o que puder para consolidar a ocupação e enterrar a solução com dois países, um árabe e um judeu, divindido o território histórico da Palestina, nos termos da decisão da ONU que criou o Estado de Israel, em 1947.

Para formar um governo, é necessária uma aliança com pelo menos 61 dos 120 deputados da Knesset. O Likud é o partido mais votado. Conquistou 32 cadeiras. Em segundo, ficou Yesh Atid (Há Futuro), de Lapid, com 24, seguido pela aliança Sionismo Religioso-Poder Judaico, com 14.

A Unidade Nacional, do ministro da Defesa Benny Gantz, aliado de Lapid, elegeu 12 deputados. Logo atrás, vem dois partidos religiosos da coligação de Netanyahu, Shas (11 cadeiras) e Judaísmo Unido da Torá (8). 

Yisrael Beiteinu (Israel Nossa Casa), do ex-ministro da Defesa linha-dura Avigor Lieberman, fundado por imigrantes da antiga União Soviética. Perdeu dois deputados e agora tem cinco.

A Lista Árabe Unida deve eleger cinco deputados, assim como a coalizão Hadash-Ta'al (Frente Democrática pela Paz e Igualdade, que inclui o Partido Comunista, e Movimento de Renovação Árabe), um a mais do que o Partido Trabalhista.

O partido que fundou e governou Israel nos primeiros 29 anos de sua história, e foi o grande responsável pelo processo de paz com os palestinos, perdeu três cadeiras e pode ter apenas quatro representantes no parlamento. O social-democrata Meretz não venceu a cláusula de barreira de 3,25% dos votos. Teve apenas 3,14% e ficou fora da Knesset.

Com 32 deputados do Likud, 14 da aliança Sionismo Religioso-Poder Judeu, 11 do Shas e 8 do Judaísmo Unido da Torá, Netanyahu pode formar um governo com uma maioria de 65 cadeira. Mas corre o risco de ficar refém de uma extrema direita supremacista, racista, xenófoba, misógina e homofóbica que defende a anexação da Cisjordânia ocupada e a expulsão de todos os árabes, que são cerca de 21% dos 9,6 milhões de israelenses.

O líder do Poder Judeu, Itamar Ben-Gvir, é discípulo de Meir Kahane, um rabino ultradireitista e deputado cujo partido Kach (Assim) foi banido por ser antidemocrático e racista. Os EUA o consideravam uma organização terrorista. Kahane foi assassinado em Nova York em 1990. Na sua sala, há uma foto do terrorista israelense Baruch Goldstein, que matou 29 palestinos num ataque à Tumba do Patriarca (Abraão), em Hebron, na Cisjordânia, em 1994.

Ben-Gvir defende a pena de morte para terroristas, pediu para as forças de segurança atirarem em palestinos que jogavam pedras e chegou a dizer que o resto da humanidade existe para "servir os judeus". É um discurso tão extremista que um deputado, respeitosamente, alegando não querer comparar com o supremacismo ariano do Nazismo, acabou comparando.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Aliança de Netanyahu fica três cadeiras abaixo da maioria na Knesset

Com o fim da apuração dos votos da eleição de 2 de março, o partido conservador Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ficou com 36 deputados contra 33 do partido Azul e Branco, de centro-direita. 


A aliança liderada por Netanyahu conquistou 58 cadeiras na Knesset, o Parlamento de Israel, de 120 cadeiras. Terá três deputados a menos do que o necessário para ter maioria absoluta e formar um governo.


Talvez o primeiro-ministro tenha festejado a vitória antes do tempo. Essas foram as terceiras eleições em menos de um ano em Israel. Mais uma vez, o resultado foi inconclusivo. Nenhum dos blocos parece em condições de formar um governo de maioria.

Netanyahu deve ser o primeiro líder a ser convidado pelo presidente Reuven Rivlin para tentar articular um governo. Se não conseguir, o general da reserva Benny Gantz, ex-comandante das Forças de Defesa de Israel, terá mais uma chance, como nas duas eleições anteriores.

A saída para este impasse seria a formação de um governo de união nacional do Likud como Azul e Branco, como antes da Guerra dos Seis, em 1967, e depois das eleições de 1984 e de 2009. Mas Gantz se nega a formar governo com o Likud enquanto Netanyahu for o líder porque o primeiro-ministro foi denunciado criminalmente por quatro escândalos de corrupção.

Chefe de governo que ficou mais tempo no poder em Israel, superando no ano passado o fundador do país, David ben Gurion, Netanyahu luta não só por sua carreira política, mas para não ir para a cadeia.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Direita vence eleições em Israel mas pode não ter maioria

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e sua aliança direitista conquistou o maior número de cadeira na Knesset, o Parlamento de Israel, nas eleições de hoje. Mas, mais uma vez, pode não ter maioria absoluta, indicam as pesquisas de boca de urna divulgadas há pouco pelas televisões israelenses.

Estas foram as terceiras eleições gerais em Israel em um ano. Tiveram a participação de 80% do eleitorado, a maior desde 1999. Talvez ainda não sejam capazes de romper o impasse, a exemplo do que ocorreu nas eleições de 9 de abril e 17 de setembro de 2019.

De acordo com as pesquisas, que erraram em eleições anteriores, o partido Likud, de Netanyahu, teria 37 deputados e sua coalizão chegaria a 60, uma abaixo da maioria na Knesset, de 120 cadeiras.

O partido Azul e Branco, liderado pelo general Benny Gantz, levaria 33 cadeiras e sua coalizão um total de 56 deputados.

Réu em quatro processos por corrupção, Netanyahu luta não só para manter o poder, mas para escapar da prisão. Ele espera conseguir o apoio necessário na Knesset para aprovar uma lei tornando o chefe de governo inimputável enquanto estiver no cargo.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Derrota de Netanyahu pode marcar fim de uma era em Israel

A derrota do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu nas eleições de 17 de setembro pode marcar o fim de uma era, salvar a democracia israelense e dar uma chance à paz com os palestinos.

O resultado ainda está indefinido. Apurados 97% nas segundas eleições deste ano em Israel, o partido Azul e Branco, liderado pelo ex-comandante do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, general Benny Gantz, está na frente com 33 deputados, enquanto o partido Likud, de Netanyahu, elegeu 32 deputados na Knesset, o Parlamento israelense.

Como a Knesset tem 120 cadeiras, ambos ainda estão longe da maioria absoluta de 61 deputados necessária para formar um novo governo. 

Hoje, Netanyahu propôs a Gantz a formação de uma grande aliança dos dois grandes partidos, com revezamento dos dois na chefia de governo. O general rejeitou. Com mais deputados, tem prioridade. Declarou que pretende formar uma coalizão ampla e liderar um governo de união nacional politicamente liberal. 

Esta aliança ampla pode incluir o Likud, desde que Netanyahu não seja mais líder. As negociações podem durar semanas e até meses. Se Gantz fracassar, Netanyahu terá mais uma chance. Meu comentário:

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Knesset declara Israel “lar nacional do povo judeu”

Por 62 a 55 votos, o Parlamento de Israel aprovou na madrugada de hoje uma lei que, pela primeira vez, estabelece que o país é o “lar nacional do povo judeu” nas Leis Básicas, que exercem o papel de Constituição, noticiou o jornal The Times of Israel.

O árabe deixa de ser uma língua oficial. A Autoridade Nacional Palestina e a população árabe, cerca de 20% dos 9 milhões de israelenses, denunciam um regime de apartheid que os tornaria cidadãos de segunda classe.

“É um momento histórico nos anais do sionismo e do Estado de Israel”, proclamou o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu. “A Israel que você conhece acabou”, reagiu o jornal liberal israelense Haaretz.

A lei também declara que Jerusalém é a capital de Israel, reconhece o calendário hebraico como oficial, em que inclui o Dia da Independência, 14 de maio, e os feriados religiosos judaicos.

“Consagramos na lei o princípio básico de nossa existência. Israel é o Estado nacional do povo judeu, que respeita os direitos individuais de todos os seus cidadãos. Este é o nosso Estado, o Estado judaico”, declarou Netanyahu.

Os críticos, inclusive os israelenses do movimento Paz Agora, o acusam de mudar um princípio da declaração de independência de Israel de que todos os cidadãos seriam iguais, independentemente do seu povo.

Na tribuna da Knesset, o deputado árabe Jamal Zahalka rasgou uma cópia do texto aprovado. “Com surpresa e tristeza, declaro a morte da democracia. O funeral será hoje aqui neste plenário”, protestou o deputado Ahmad Tibi.

O texto final foi acertado no domingo entre Netanyahu e o ministro da Educação, Naftali Bennett, que está à direita do primeiro-ministro e gostaria de anexar toda a Cisjordânia ocupada. A parte que “autoriza uma comunidade composta de pessoas da mesma fé e nacionalidade manter o caráter exclusivo daquela comunidade” foi substituída por uma cláusula celebrando os “assentamentos judaicos” de modo geral.

No Parlamento, o projeto foi emendado para excluir a discriminação habitacional. Mas vários aspectos farão de Israel mais uma vez alvo de críticas internacionais. O próprio presidente Reuven Rivlin, que exerce funções protocolares, numa rara intervenção política, advertiu que a lei “poderá causar danos ao povo judeu em Israel e no mundo inteiro - e pode inclusive ser usada como arma por nossos inimigos.”

A lei foi proposta pela primeira vez em 2011 pelo deputado Avi Dichter, na época no partido Kadima, hoje no Likud, liderado pelo primeiro-ministro. Netanyahu deu apoio ao projeto. Foram necessários anos para obter a aprovação.

Israel mudou antes disso. Com a imigração de 1 milhão de judeus da extinta União Soviética, a composição foi alterada. O Estado de Israel foi fundado por judeus da Europa Oriental, pelo Partido Trabalhista, com uma visão social-democrata europeia.

Os kibbutzim, as comunidades agrícolas, eram o exemplo dessa sociedade modelo. Em 2010, havia 270 kibbutzim, onde viviam 100 mil pessoas.

Com sua aversão ao socialismo, os imigrantes soviéticos mudaram o perfil político de Israel. O país nunca teve um governo tão à direita, com tantos ultranacionalistas no ministério.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Apuração confirma vitória de Netanyahu em Israel

Com 99% das urnas apuradas, o partido Likud, do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, venceu as eleições em Israel, elegendo 30 dos 120 deputados da Knesset, o Parlamento israelense, contra 24 da União Sionista, liderada por Isaac Herzog, do Partido Trabalhista, noticiou o jornal Haaretz. Em terceiro lugar, ficou a Lista Conjunta, uma aliança de partidos árabes, com 14 cadeiras.

As eleições convocadas pelo chefe de governo no segundo ano de um mandato de quatro anos quase entregaram o poder à oposição. Nas últimas pesquisas pré-eleitorais, a US liderava com quatro deputados de vantagem.

Netanyahu fez um apelo desesperado no último momento, canibalizando os votos de seus aliados à direita com a promessa de não permitir a criação de um país para o povo palestino. Isso agrada aos colonos assentados na Cisjordânia ocupada, mas isola Israel internacionalmente ao enterrar o processo de paz mediado pelos Estados Unidos. As colônias em territórios ocupados violam o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, que proíbe a guerra de conquista.

No discurso da vitória, o primeiro-ministro prometeu procurar os partidos religiosos e de direita para negociar a formação do novo "governo forte para proteger a segurança e o bem-estar". Deve ser mais de direita e mais isolado internacionalmente.

Depois de mais esta vitória, que lhe dá um quarto mandato, Netanyahu se prepara para superar o fundador de Israel, David ben Gurion, como chefe de governo que ficou mais tempo no poder no país.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) deve procurar o reconhecimento de um Estado Nacional palestino através de organizações internacional. Já aderiu ao Tribunal Penal Internacional (TPI). Diante do colapso total do processo de paz, vai denunciar Israel por crimes de guerra acirrando ainda mais o conflito.

terça-feira, 17 de março de 2015

Netanyahu vence eleições em Israel, indica pesquisa de boca de urna

O partido Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, venceu as eleições parlamentares de hoje em Israel, indicou uma pesquisa de boca de urna do Canal 2 da televisão israelense, que dá 28 deputados ao partido, batendo a União Sionista, liderada por Isaac Herzog, que conquistaria 27 cadeiras. Outras duas pesquisas indicam empate em 27 deputados.

Netanyahu agradeceu aos militantes do partido por "uma grande vitória", mas Herzog não se deu por vencido. O líder trabalhista declarou que os "partidos de centro" estão prontos para governar Israel.

Nos últimos dias, as pesquisas davam vantagem à US com quatro deputados de vantagem, o que levou Netanyahu a fazer apelos desesperados, inclusive de não permitir a criação de uma pátria para o povo palestino.

Quando forem conhecidos os resultados definitivos, o presidente deve convidar o líder do partido com mais deputados para formar um governo. Como a maioria na Knesset, o Parlamento de Israel, é de 61 deputados, haverá um período para formação de um governo de coalizão.

Além do maior número de deputados, se a pesquisa de boca de urna se confirmar, Netanyahu ainda teria mais parceiros em potencial para formar uma coligação de governo que poderia se situar ainda mais à direita.

Com medo de perder as eleições, nos últimos dias, o primeiro-ministro radicalizou, canibalizando os votos de suas aliados à direita com a promessa de impedir o surgimento de uma Palestina independente.

terça-feira, 10 de março de 2015

Oposição lidera pesquisas a uma semana das eleições em Israel

Uma semana antes das eleições legislativas em Israel, a União Sionista, coalizão liderada pelo Partido Trabalhista, desponta como favorita. Em pesquisa divulgada hoje pelo Canal 2 da televisão israelense, a US elegeria 25 deputados contra 21 do partido direitista Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que ainda é considerado o melhor nome para chefiar o governo por 49% dos entrevistados.

Até agora, a US e o Likud estavam tecnicamente empatados. A Lista Conjunta, de partidos árabes, e a Casa Judaica, do ultradireitista Naftali Bennett, que rejeita a criação de um Estado palestino, dividem o terceiro lugar com 13 deputados cada. Em quarto, com 12 cadeiras, está o partido Existe Futuro, chefiado por Yair Lapid, um ex-apresentador de TV que foi uma das estrelas das últimas eleições.

Outra pesquisa, da TV Knesset, do Parlamento de Israel, deu 24 cadeiras para a União Sionista, liderada por Isaac Herzog, e 21 para o Likud, informa o jornal The Times of Israel.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Pesquisa dá vitória a Netanyahu em Israel

O partido Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, é o favorito para ganhar as eleições parlamentares de 17 de março de 2015 em Israel, conquistando 25 das 120 cadeiras da Knesset, a Câmara dos Deputados do país, indicou hoje uma pesquisa do jornal liberal Haaretz.

São três cadeiras a mais do que na pesquisa anterior. Assim, o Likud ultrapassa o Campo Sionista, a coligação liderada pelo Partido Trabalhista, em que o candidato a chefe de governo é Isaac Herzog, que elegeria 23 deputados.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Parlamento convoca eleições para 17 de março em Israel

A Knesset, o Parlamento de Israel, aprovou hoje sua autodissolução e marcou eleições antecipadas para 17 de março de 2015. O governo linha-dura israelense caiu ontem, quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu demitiu dois ministros contrários ao projeto que declara oficialmente que o país é um "Estado Judaico", com implicações sérias sobre a democracia e a discriminação às minorias árabe e drusa.

Diante do aumento das ameaças à segurança de Israel, do extremismo muçulmano ao programa nuclear do Irã, Netanyahu confia em obter um quarto mandato apresentando-se como o único líder capaz os novos e antigos desafios.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Israel deve elevar barreira para partidos para 4%

Diante da fragmentação política da Knesset, o Parlamento de Israel, a coligação Likud-Beiteinu e os partidos Yesh Atid (Há Futuro) e Casa Judaica teriam chegado a um acordo para aumentar de 2% para 4% a votação mínima para eleger deputados, informa o jornal The Times of Israel.

A mudança é exigida pelo grande vitorioso nas últimas eleições parlamentares, o ex-apresentador de televisão Yair Lapid, que luta para reduzir a influência dos partidos religiosos. Em 22 de janeiro de 2013, concorreram 34 partidos e 12 conquistaram cadeiras no Parlamento. Se a nova cláusula de barreira estivesse em vigor, apenas oito partidos teriam eleito deputados.

Qualquer reforma depende de um acerto entre os partidos secularistas para formar o novo governo. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teria dado um ultimato a Lapid: ou fecha o acordo ou o chefe de governo vai negociar com os partidos religiosos.

sábado, 2 de março de 2013

Presidente de Israel dá mais tempo para formar governo

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ganhou hoje do presidente Shimon Peres mais duas semanas para formar um novo governo em Israel. Sua tarefa foi complicada por uma aliança inusitada entre dois partidos que tiveram bons resultados nas eleições parlamentares de 22 de janeiro de 2013 e querem manter os partidos religiosos longe do governo.

Grande surpresa das últimas eleições, o partido Yesh Atid (Existe Futuro), liderado pelo ex-apresentador de televisão Yair Lapid, elegeu 19 dos 120 deputados da Knesset, o parlamento israelense, e fez uma aliança supreendente com a Casa Judaica, direitista, que conquistou 12 cadeiras sob a liderança de Naftali Bennett.

Ambos seriam parceiros em potencial para a coligação linha-dura Likud-Beiteinu, de Netanyahu, que conta hoje com 31 deputados. Diante da resistência dos dois, o chefe de governo pode manter sua aliança com os partidos religiosos ultraortodoxos.

As novas estrelas da política de Israel querem acabar com os privilégios dos judeus ultraortodoxos. Por exemplo, como se dedicam a estudos religiosos, eles têm direito a isenção do serviço militar, obrigatório para todos os outros israelenses, e também não precisam prestar serviço civil.

O maior partido ultraortodoxo, Shas, que representa os judeus sefarditas, participa de quase todos os governos, de direita ou de esquerda, desde 1984. Sem seu apoio, Netanyahu ficaria mais fraco.

"Uma parcela inteira da população está sendo excluída", declarou David Shimron, um advogado do Likud nas negociações, citado pelo jornal The New York Times. "Não aceitamos boicotes e não vemos como será possível formar um governo nestas circunstâncias".

Até agora, a coligação Likud-Beiteinu só conseguiu o apoio do pequeno partido Hatnua (Movimento), liderado pela ex-ministra do Exterior Tzipi Livni, que exige a retomada das negociações de paz com os palestinos. Deve ser nomeada ministra da Justiça e negociadora oficial no processo de paz. Mas seu partido só tem seis votos na Knesset.

Logo depois das eleições, Netanyahu e Lapid tiveram uma breve aproximação que acabou quando o ex-apresentador de TV manifestou a intenção de substituir o atual chefe de governo daqui a um ano e meio.

Sem Lapid e a Casa Judaica, o primeiro-ministro precisaria do apoio dos 15 deputados do Partido Trabalhista, dos 11 do Shas e dos sete do partido religioso Judaísmo Unido da Torá, que representa os judeus ultraortodoxos askenazis, de origem europeia, para formar uma maioria de 70, comenta o jornal The Times of Israel.

Se Netanyahu não conseguir formar um novo governo até 16 de março, o presidente de Israel pode indicar outro político ou convocar novas eleições.

Uma pesquisa indica que Lapid seria o maior beneficiário da realização de novas eleições. Seu partido cresceria para 25 deputados e a coligação Likud-Beiteinu cairia para 31, deixando o ex-apresentador de TV mais perto do poder.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Direita só elege metade do Parlamento em Israel

Com 99% dos votos apurados, faltando apenas contar os de soldados e prisioneiros, as eleições parlamentares realizadas ontem em Israel resultaram num virtual empate entre direita e esquerda. Os partidos conservadores e religiosos terão 60 deputados na Knesset (Parlamento), enquanto o centro-esquerda e os partidos árabes terão a outra metade.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que pretende liderar o próximo governo apesar da perda de espaco, declarou que a prioridade deve ser a ameaça do programa nuclear do Irã, suspeito de desenvolver armas atômicas.

Confira o resultado no jornal liberal israelense Haaretz.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Boca de urna aponta resultado apertado em Israel

Ao contrário do previsto, as pesquisas de boca de urna indicam uma disputa apertada em Israel. Os partidos de direita teriam conquistado 61 cadeiras e a esquerda, 59. A coalizão Likud-Yisrael Beitenu, liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, elegeria 31 deputados. Ele fica no poder, mas sai enfraquecido. Talvez tenha de formar uma ampla coalizão com partidos favoráveis à paz com os palestinos.

Em seguida, ficou um novo partido centrista favorável ao processo de paz, Yesh Atid (Existe Futuro), com 19 deputados, seguido do Partido Trabalhista com 17 e do ultranacionalista Habayit Hayehudi (Lar Judaico), com 12. Os partidos religiosos ultraortodoxos devem eleger 18 deputados. Confira a apuração no jornal liberal israelense Haaretz.

De certa forma, o resultado significa uma rejeição das políticas de ultradireita de Netanyahu e de seu boicote sistemático ao processo de paz com os palestinos, um tema praticamente ausente da campanha. A esquerda concentrou suas críticas ao governo em problemas sociais como desemprego, desigualdade social, falta de moradia popular.

Mais fraco, o primeiro-ministro não recebeu carta branca para atacar o programa nuclear do Irã sozinho e quando quiser, uma decisão que pretendia tomar neste ano. A maioria do Estado-Maior  e dos serviços secretos israelenses não quer ir à guerra se os Estados Unidos não forem junto.

A nomeação do senador John Kerry para secretário de Estado do segundo governo Barack Obama indica a decisão de optar pela diplomacia, recorrendo ao uso da força apenas em última instância, em contraste com o neoconservadorismo dos governos George W. Bush.

Ontem, em seu discurso de posse, Obama descreveu uns EUA como um país de possibilidades ilimitadas quando se livrar das guerras e da crise econômica herdadas do governo anterior. Não tem a intenção de entrar em novas guerras, como mostrou na Líbia, na Síria e agora no Máli.

O eleitorado israelense marchou para o centro em busca da paz.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Knesset critica despreparo de Israel para declaração de independência da Palestina

O governo conservador do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu "não preveniu o que poderia ser prevenido e depois não se preparou adequadamente", critica um relatório da Knesset, o Parlamento de Israel, referindo-se à declaração de independência da Palestina, que deve ser feita ainda neste mês, durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Nos últimos meses, a Comissão de Relações Exteriores do parlamento, presidida pelo ex-ministro linha-dura Shaul Mofaz, ouviu uma grande quantidade de depoimentos sobre o significado da declaração palestina, inclusive do primeiro-ministro, do ministro da Defesa, do comandante das Forças de Defesa de Israel, e dos comandantes dos serviços secretos militar, do Mossad e do Shin Bet.

A conclusão básica, noticia hoje o jornal liberal Haaretz, é que o reconhecimento internacional da independência da Palestina vai apoiar a luta pelos direitos nacionais do povo palestino e reduzir a margem de manobra de Israel, criando um problema de longo prazo para o país.

O maior risco é de uma deterioração do conflito árabe-israelense com uma escalada em todo o Oriente Médio, adverte o relatório, assinado apenas por Mofaz, porque Netanyahu pressionou os outros membros da comissão.

Se o governo conservador tivesse aceitado a proposta dos Estados Unidos para reiniciar negociações diretas com os palestinos para chegar a um acordo de paz definitivo, observa o relatório, poderia ter neutralizado a iniciativa palestina.

terça-feira, 31 de março de 2009

Netanyahu assume sem apoio popular

Por 69 a 45, a Knesset, o Parlamento de Israel, aprovou agora há pouco o novo governo formado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Mas a nova administração já começa sem apoio popular.

Uma pesquisa publicada pelo jornal liberal israelense Haaretz indica que 54% dos israelenses não confiam que o novo governo seja capaz de resolver os problemas do país.

Em discurso no parlamento, Netanyahu disse que Israel tem dois grandes desafios: a crise econômica global e o programa nuclear do Irã, que estaria desenvolvendo armas atômicas. Na sua opinião, a questão iraniana é muito mais grave.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

TVs de Israel projetam vitória do Kadima

O partido de centro-direita Kadima (Avante) deve eleger 30 dos 120 deputados da Knesset, o Parlamento de Israel, superando o oposicionista Likud, que conquistaria 28 cadeiras nas eleições realizadas hoje, informaram as televisões israelenses com base nos primeiros resultados.

A grande surpresa, o partido ultranacionalista Israel Beiteinu, liderado pelo imigrante russo Avigdor Lieberman, deve ter 14 ou 15 deputados, superando o Partido Trabalhista, que pelas projeções ficaria com 13 cadeiras.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Tzipi Livni lidera partido do governo de Israel

A ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, pode ser a segunda mulher a governar Israel, depois da primeira-ministra Golda Meir (1969-74).

Tzipi Livni ganhou hoje a eleição interna do partido Kadima (Avante) para suceder o primeiro-ministro Ehud Olmert, indiciado por corrupção. Para ser primeira-ministra, precisa formar uma coligação que aprove seu nome na Knesset, o parlamento israelense.

O atual governo tem como líderes o Kadima e o Partido Trabalhista, liderado pelo ex-primeiro-ministro Ehud Barak, que não esconde seu desejo de voltar ao poder.

Quando o escândalo envolvendo Olmert se tornou incontrolável, Barak ameaçou retirar o apoio dos trabalhistas ao governo. Isso forçaria a realização de uma nova eleição.

No momento, o favorito nas pesquisas é o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do partido linha-dura Likud, que é contra a criação de um Estado palestino independente nos territórios ocupados por Israel.

Tzipi Livni está comprometida com o processo de paz com base na fórmula de dois países independentes, Israel e a Palestina, dividindo o território histórico da Palestina.

Seu maior rival no Kadima, o ex-ministro da Defesa e dos Transportes Shaul Mofaz, é um linha dura. Está mais preocupado com o desenvolvimento de armas atômicas pelo Irã.

Olmert fica no cargo até o parlamento aprovar a formação de um novo governo. Ele foi acusado de receber US$ 140 mil de um empresário americano, além de passagens aéreas usadas em seu próprio benefício. Ainda tenta negociar a paz com os palestinos para melhorar sua posição na História.