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terça-feira, 8 de maio de 2012

Kadima adere e adia eleições em Israel

Quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se preparava para convocar eleições antecipadas, o novo líder do partido Kadima (Avante), o ex-ministro da Defesa e ex-comandante das Forças Armadas Shaul Mofaz, resolveu aderir ao governo.

Sua principal exigência teria sido a retomada das negociações de paz com os palestinos. Ao mesmo tempo, com mais um general no poder, aumenta a possibilidade de um ataque para tentar destruir o programa nuclear do Irã, suspeito de desenvolver armas atômicas.

O Kadima foi criado em 2005 pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon como uma dissidência do Likud, o partido direitista liderado pelo atual chefe de governo. Depois de fazer fama como o general mais linha dura da História de Israel, Sharon se convenceu de que a segurança do país a longo prazo depende da paz e de fronteiras definidas. Estava disposto a fazer uma retirada total da Cisjordânia.

Pouco depois de fundar o Kadima, atraindo o antigo líder trabalhista e ex-primeiro-ministro Shimon Peres, hoje presidente de Israel, Sharon sofreu um acidente vascular cerebral e está em coma até hoje, em estado vegetativo.

Seu sucessor, o ex-prefeito de Jerusalém Ehud Olmert, foi abatido por um escândalo de corrupção. Sob a liderança da ministra do Exterior Tzipi Livni, o Kadima acabou sendo derrotado nas últimas eleições parlamentares em Israel. Livni não conseguiu formar uma coalizão pela paz e passou o encargo para Netanyahu.

Agora, ela promete abandonar a vida pública, enquanto o governo Netanyahu se fortalece.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Tzipi Livni perde liderança do Kadima em Israel

A ex-ministra do Exterior e ex-candidata a chefe de governo de Israel Tzipi Livni perdeu ontem a liderança do partido Kadima (Avante) para o ex-ministro da Defesa Shaul Mofaz, considerado muito mais linha dura. Ele obteve 62% dos votos contra 38% para a ex-chanceler.

Mofaz, de 63 anos, tem melhores condições de desafiar o atual primeiro-ministro, o conservador Benjamin Netanyahu, no momento em que Israel discute a conveniência de atacar preventivamente as instalações nucleares do Irã para impedir que a república islâmica fabrique armas nucleares.

Diante do aumento da desigualdade social entre os israelenses e de uma onda de manifestações de protestos, no discurso da vitória, Mofaz preferiu falar desse problema: "Não há segurança nacional sem segurança social", advertiu. "Pretendo criar uma nova ordem social em Israel", noticia o sítio da companhia jornalística americana McClatchy Newspapers.

O Kadima foi criado em 2005 pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon, o general mais linha dura da História de Israel, que deixou o Likud para criar um partido centrista capaz de negociar a paz com os palestinos. Sharon sofreu um acidente vascular cerebral em 4 de janeiro de 2006 e está até hoje em coma.

Com a doença de Sharon, seu vice Ehud Olmert ascendeu à liderança do partido e do governo, que caiu em 2009 em um escândalo de corrupção. Sob a liderança de Livni, o Kadima conquistou 29 cadeiras nas eleições parlamentares de 2009, uma a mais do que o Likud, mas ela não conseguiu o apoio de 61 deputados, necessário para formar o governo.

Agora, a expectativa de uma derrota esmagadora nas próximas eleições levou o Kadima a buscar um novo líder. Depois do afastamento de Olmert, Mofaz tinha perdido a disputa pela liderança por apenas 1%. Acaba de receber um amplo mandato.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Netanyahu é convidado a formar governo em Israel

O presidente Shimon Peres indicou hoje o ex-primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, do partido direitista Likud, para formar o próximo governo de Israel.

Netanyahu propõe a formação de um governo de união nacional, mas a ministra do Exterior, Tzipi Livni, condiciona a participação do partido Kadima a um compromisso com o processo de paz baseado na fórmula de dois Estados convivendo no território histórico da Palestina. Isso implica a criação de um país palestino independente.

O futuro primeiro-ministro aponta o Irã como seu maior desafio. Ontem, ele recebeu o apoio do ultraconservador Avigdor Lieberman, que não considera o diálogo com os palestinos uma prioridade.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Kadima vence mas Netanyahu pode formar governo

O partido de centro-direita Kadima (Avante) elegeu 28 deputados, a maior bancada da Knesset, o Parlamento de Israel. Mas tudo indica que o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do partido direitista Likud, que conquistou 27 cadeiras, terá mais facilidade para formar um governo.

Como o parlamento israelense tem 120 cadeiras, o primeiro-ministro precisa do apoio de pelo menos 61 deputados para ser confirmado no cargo. Nenhum partido conseguiu fazer um quarto dos deputados, quanto menos a maioria, por causa do sistema eleitoral do país, que é rigorosamente proporcional. Isso fortalece os pequenos partidos.

Cabe agora ao presidente Shimon Peres escolher um líder partidário para tentar articular uma coligação viável. O presidente pode dar uma chance à atual ministra do Exterior, Tzipi Livni. Ela não teve sucesso quando sucedeu ao atual primeiro-ministro Ehud Olmert, derrubado por corrupção, na liderança do Kadima, em setembro de 2008.

A grande vedete das eleições foi o partido ultranacionalista Israel Beiteinu, liderado pelo imigrante russo Avigdor Lieberman, que elegeu 15 deputados com um discurso racista anti-árabe. Lieberman se tornou o fiel da balança na formação de qualquer coligação. Isso entusiasma Netanyahu, que considera a extrema direita uma aliada natural.

Também existe a possibilidade de se formar um governo de união nacional, uma grande coalizão, mas isso depende das concessões que a direita estiver disposta a fazer para negociar a paz com os palestinos com a mediação dos Estados Unidos.

Afinal, o Kadima foi fundado há pouco mais de três anos pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon. Foi uma divisão do Likud feita por Sharon para criar um partido capaz de negociar a paz com os palestinos.

Como general, Sharon estava convencido de que a segurança de Israel depende do estabelecimento de fronteiras definitivas, o que exige a criação do Estado árabe prevista na partilha da Palestina ordenada pelas Nações Unidas em 1947.

O Partido Trabalhista, fundador de Israel, acaba de sofrer sua maior derrota eleitoral, mas também está comprometido com uma paz permanente. Isso exige uma negociação ampla que acabe com a estratégia gradual dos acordos de Oslo, nos anos 90.

Naquela época, surgiu a fórmula Gaza e Jericó primeiro. A Autoridade Nacional Palestina assumiria pouco a pouco o controle sobre os territórios árabes ocupados por Israel para que fosse criada confiança mútua ao longo do processo, na expectativa de se chegar a uma paz duradoura.

Funcionou, no início, com a implantação do governo semi-autônomo palestino na Faixa de Gaza e em parte da Cisjordânia. Mas o gradualismo deu aos extremistas dos dois lados uma espécie de direito de veto ao progresso das negociações.

Em 2000, no fim do governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA tentaram mediar um acordo entre Arafat e o então primeiro-ministro Ehud Barak, hoje ministro da Defesa e líder trabalhista. Na época, Barak já estava convencido de que o gradualismo era um beco sem saída.

O fracasso das negociações de Camp David levou o então líder da oposição israelense, Ariel Sharon, a visitar o Monte do Templo, no setor árabe de Jerusalém. Isso foi visto como uma ameaça de reconstrução do Templo, que fica junto à Esplanada das Mesquitas, e provocou a segunda intifada (revolta das pedras) contra a ocupação israelense, em que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que rejeita os acordos de Oslo, cometeu a maioria dos atentados terroristas contra Israel.

Desde antes, o Hamas e a extrema direita se nutrem mutuamente, garantindo a estagnação de um processo de paz iniciado em 1991, quando a guerra de libertação do Kuwait criou um clima mais favorável aos EUA no mundo árabe. Obama promete romper com esta injustiça histórica que alimenta o ódio e o anti-americanismo no mundo muçulmano, facilitando o recrutamento de terroristas suicidas por grupos como a rede terrorista Al Caeda.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

TVs de Israel projetam vitória do Kadima

O partido de centro-direita Kadima (Avante) deve eleger 30 dos 120 deputados da Knesset, o Parlamento de Israel, superando o oposicionista Likud, que conquistaria 28 cadeiras nas eleições realizadas hoje, informaram as televisões israelenses com base nos primeiros resultados.

A grande surpresa, o partido ultranacionalista Israel Beiteinu, liderado pelo imigrante russo Avigdor Lieberman, deve ter 14 ou 15 deputados, superando o Partido Trabalhista, que pelas projeções ficaria com 13 cadeiras.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Exército de Israel divide Gaza em duas

O Exército de Israel dividiu hoje a Faixa de Gaza em duas, cercou a Cidade de Gaza e matou pelo menos mais três líderes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

Em Teerã, o presidente do parlamento do Irã, Ari Larijani, repetiu a ameaça feita ontem por líderes do grupo extremista palestino de "transformar Gaza num cemitério" para os soldados de Israel.

Há vários conflitos: o primeiro é o conflito árabe-israelense, a questão palestina, um povo sem pátria porque até hoje não foi criado o Estado árabe previsto na decisão das Nações Unidas. Isso criou uma guerra sim e um problema de refugiados desde a fundação de Israel, em 1948.

Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupou a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, assumindo o controle de todo o território histórico da Palestina, entregue pela Liga das Nações ao Império Britânico no final da Primeira Guerra Mundial, que os extremistas israelenses consideram o território sagrado da Grande Israel.

Além deste conflito, há o conflito ou a guerra civil interna do Islã sobre qual é a verdadeira interpretação do Corão, contrapondo fundamentalistas e secularistas. Isso alinha a guerra Israel x Hamas na luta dos EUA e seus aliados contra o jihadismo, a guerra de George W. Bush contra o terrorismo.

O Hamas é um partido de orientação religiosa que se opõe à Fatah do presidente palestino, Mahmoud Abbas, e boicota as negociações de paz da Autoridade Nacional Palestina com Israel e os Estados Unidos. Mas suas diferenças com a Organização para a Libertação da Palestina, que é laica, não são religiosas, são políticas.

Em algum momento, será necessário negociar com o Hamas. A viagem que o presidente da França, Nicolas Sarkozy inicia nesta segunda-feira ao Oriente Médio, passando por Israel, a Cisjordânia, a Jordânia, o Líbano e a Síria mostra a intenção de buscar um acordo amplo para tornar a paz entre árabes e israelenses. É evidente a intenção de atrair a Síria e isolar o Irã.

Israel, por sua vez, realiza eleições gerais em fevereiro. O líder da oposição direitista, o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, liderava as pesquisas pregando uma invasão a Gaza para acabar com os ataques do Hamas.

Desde que Israel deixou a Faixa de Gaza e retirou os 8 mil colonos instalados no território palestino, em 2005, mais de 3 mil foguetes disparados de lá atingiram o território israelense. Mesmo durante os últimos seis meses de trégua encerrada em 19 de dezembro, um a dois foguetes caíam diariamente no Sul de Israel.

O ministro da Defesa, Ehud Barak, também ex-primeiro-ministro, é candidato a voltar à chefia do governo como líder do Partido Trabalhista. A ministra do Exterior, Tzipi Livni, é candidata pelo partido Kadima (Avante), do atual primeiro-ministro Ehud Olmert, que renunciou em meio a um escândalo de corrupção envolvendo financiadores de campanhas eleitorais.

A maioria da população israelense (52%) é a favor da continuação da ofensiva até o fim dos ataques de foguetes da Faixa de Gaza.

Há ainda a disputa pela liderança regional entre EUA e Irã, que se manifesta no apoio iraniano a grupos como o Hamas e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).

O Irã foi o maior beneficiário da invasão americana ao Iraque, que derrubou seu inimigo e levou ao poder um governo da maioria xiita, que tem uma afinidade histórica, política e cultural com o país vizinho. É uma potência regional e está desenvolvendo armas nucleares.

Ao desafiar Israel e resistir a uma ofensiva israelense de 12 de julho a 14 de agosto de 2006, o Hesbolá quebrou o mito da invencibilidade israelense e se fortaleceu como líder da oposição libanesa. Tanto para o Hesbolá como para o Hamas, tudo é feito em nome de uma resistência que iguala seus adversários políticos a lacaios de Israel e dos EUA.

Esta invasão israelense à Faixa de Gaza, iniciada no sábado, 3 de janeiro de 2009, visa também a restaurar a credibilidade das Forças Armadas de Israel, abalada pela desastrosa campanha no Líbano, já sob o governo Olmert.

O primeiro-ministro demissionário, à espera apenas das próximas eleições para entregar o cargo com desonra ao sucessor, tenta melhorar sua imagem na História. Mas mesmo que obtenha uma vitória militar, o ganho moral e político pode ir para o inimigo, como aconteceu com o Hesbolá há dois anos e meio.

domingo, 21 de setembro de 2008

Primeiro-ministro de Israel renuncia

O primeiro-ministro Ehud Olmert, indiciado por corrupção, apresentou hoje sua renúncia ao presidente de Israel, Shimon Peres. Ele tinha prometido fazer isso assim que seu partido Kadima escolhesse um novo líder. Na semana passada, o Kadima elegeu a ministra do Exterior, Tzipi Livni, para substituí-lo.

Olmert fica no cargo interinamente até Livni conseguir formar um novo governo. Se não conseguir, haverá eleições antecipadas.

No momento, o favorito é o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, líder do partido linha-dura Likud, de onde saiu o Kadima, em 2005, por iniciativa do então primeiro-ministro Ariel Sharon, preocupado em criar um partido para negociar um acordo de paz definitivo com os palestinos.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Olmert marca renúncia para setembro

Depois de meses de pressão sob acusações de corrupção, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, anunciou hoje que deixa o cargo em setembro, depois da eleição de um novo líder para seu partido Kadima (Avante).

Olmert foi prefeito de Jerusalém. Era vice-primeiro-ministro de Ariel Sharon quando o primeiro-ministro teve um acidente vascular cerebral que o deixou em coma e inconsciente até hoje, vivendo ligado a aparelhos. Herdou de Sharon a chefia do partido Kadima e do governo.

O Kadima (Avante) foi a herança política de Sharon, um linha-dura que no final da vida, como comandante militar, percebeu que há um momento para conquistar a paz. Em 2005 rompeu com a coligação direitista Likud e formou um partido para avançar na direção da paz dentro da fórmula de criação de dois Estados Nacionais independentes, um árabe e um judaico, no território histórico da Palestina.

Sharon sonhava em morrer depois de consolidar as fronteiras de Israel. Para isso, é necessária a paz.

Seu sucessor, Olmert, se elegeu com uma bancada do Kadima aquém do esperado: 28 deputados na Knesset, de 120 cadeiras. Para formar o governo, aliou-se ao Partido Trabalhista, de esquerda. É o partido que fundou Israel, de David Ben Gurion, dos kibbutzim e da central sindical Histadrut.

Na época, o líder era Amir Peretz, um dirigente sindical sem experiência militar. Como grande aliado, foi nomeado ministro da Defesa. Teve atuação desastrosa durante a fracassada ofensiva de 34 dias no Líbano contra a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), que abalou o governo Olmert desde o início.

Os inimigos árabes ainda têm medo e respeitam Israel. Mas o Hesbolá se gaba de ter acabado com o mito de invencibilidade israelense. Morreram cerca de 150 israeleses e 1,2 mil libaneses, mas uma força irregular muito menor e bem infiltrada na sociedade conseguiu resistir à mais poderosa máquina militar do Oriente Médio.

Em 2007, Peretz perdeu a liderança trabalhista para o ex-primeiro-ministro Ehud Barak.

Depois, vieram os escândalos de corrupção. Olmert foi acusado de receber US$ 140 mil de um empresário americano, Morris Talansky. O primeiro-ministro demissionário alega que era dinheiro para a campanha, mas Talansky garante que foi usado para despesas pessoais de Olmert.

Com a impopularidade do governo, no momento, as pesquisas dão vantagem ao ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do partido Likud, cada vez mais à direita, refratário ao processo de paz. Mantém a tática usada durante muito tempo por Sharon e outros falcões israelenses: fingir que está negociando para ganhar tempo e consolidar a ocupação.

Isso não impede que o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa Ehud Barak tenha orientado os deputados trabalhistas a derrubar o governo e provocar a antecipação das eleições, que não precisam ser realizadas até 2010, se alguém conseguir articular uma coalizão capaz de ter maioria para governar.

A favorita no Kadima é a ministra do Exterior, Tzipi Livni. Também são candidatos em potencial e o ex-ministro da Defesa e atual ministro dos Transporte, Shaul Mofaz, um linha-dura; o ministro do Interior, Meir Shitreet; e o da Segurança Interna, Avi Dichter.

Alguns analistas suspeitam que Olmert, ao anunciar a renúncia com antecedência e data marcada, a eleição de um novo líder do Kadima, dando-se aviso prévio, estaria na verdade blefando.

Se o novo líder do partido não conseguir formar um governo, ele permanece como primeiro-ministro interino. Isto pode lhe garantir uma sobrevida política de muitos meses em que poderia se dedicar, por exemplo, à paz com os palestinos, algo capaz de deixar uma marca positiva de seu governo para a História.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Barak é o novo líder trabalhista israelense

O ex-primeiro-ministro Ehud Barak venceu a eleição interna pela liderança do Partido Trabalhista de Israel.

Com a vitória de Barak, o partido da paz ganha mais um peso-pesado. Só que ele quer a renúncia do primeiro-ministro Ehud Olmert, do partido Kadima (Avante) para disputar o poder. Mesmo assim, será nomeado ministro da Defesa do governo da coalizão que quer derrubar.

Se Olmert foi obrigado a antecipar as eleições, a vitória pode ser do partido direitista Likud, hoje liderado pelo ex-primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, que rejeita a criação de um Estado palestino independente, ou seja, que não tem sequer uma proposta para negociar a paz.

quarta-feira, 29 de março de 2006

Kadima vence em Israel mas elege menos deputados do que esperava

O partido centrista Kadima (Avante), do primeiro-ministro interino Ehud Olmert, venceu as eleições de 28 de março em Israel terá apenas 28 deputados na Knesset, o parlamento israelense, de 120 cadeiras. Durante a campanha, a prevão era de que elegeria 40. Olmert chegou a declarar que menos de 36 seria considerado um resultado ruim. Isto o torna dependente de outros partidos para formar a coalizão de governo.

Diante da incerteza política gerada pelo resultado, a Bolsa de Tel-Aviv caiu 1% na manhã desta quarta-feira. Mas o jornal americano The New York Times observa que os eleitores preferiram partidos favoráveis à retirada parcial israelense dos territórios árabes ocupados.

O Partido Trabalhista, de centro-esquerda, que dominou a política israelense durante décadas, terá 20 deputados, e o esquerdista Meretz, quatro. Estes partidos devem apoiar a estratégia de paz de Olmert.

Em terceiro, ficou o Shass, um partido ortoxodo sefaradita, com 13 cadeiras. Em quarto, o partido linha-dura Beiteinu, apoiado sobretudo por imigrantes russos, com 12 deputados.

Isso deixou em quinto lugar o Likud, ao qual pertenciam tanto Olmert quanto seu padrinho político, o ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, que agoniza desde 4 de janeiro, quando sofreu um acidente vascular cerebral. Foi uma grande derrota para o ex-primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, contrário a qualquer devolução de territórios aos palestinos.

Para os analistas, o comparecimento às urnas de 63,2% dos eleitores inscritos, baixo para eleições israelenses, favoreceu os pequenos partidos.

A proposta de Olmert é levar adiante o plano de paz de Sharon. Se não houver acordo com os palestinos, ele pretende realizar uma separação unilateral, removendo parte das colônias judaicas na Cisjordânia.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, rejeita este "desengajamento" proposto por Israel. Mas terá dificuldades em reiniciar o processo de paz, já que o novo governo palestino é formado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), considerado um grupo terrorista pelos Estados Unidos, União Européia e Israel por se negar a abandonar a luta armada e a reconhecer o direito de existência de Israel.

Durante as negociações para formar o governo, os partidos ligados à Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de Abbas, exigiram que o Hamas aceitasse os acordos firmados com Israel. Mas os radicais do Hamas se negam a fazer isto, alegando que equivaleria a reconhecer Israel e aceitar a ocupação dos territórios palestinos.

terça-feira, 28 de março de 2006

Boca-de-urna dá vitória ao Kadima em Israel

As pesquisas de boca-de-urna e as projeções dos primeiros resultados das eleições israelenses de 28 de março indicam a vitória do partido Kadima (Avante), do primeiro-ministro interino Ehud Olmert.

O Kadima deve eleger de 29 a 32 dos 120 deputados da Knesset, o parlamento de Israel. Em segundo, ficou o Partido Trabalhista, de centro-esquerda. A surpresa foi o partido de extrema direita Beiteinu, que deve fazer 13 ou 14 deputados, batendo a coligação direitista Likud, numa grande derrota para o ex-primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu.

Para Olmert, herdeiro político do ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, em coma desde 4 de janeiro, quando sofreu um acidente vascular cerebral, a vitória "consolida" o projeto de paz de Sharon. Se for impossível negociar com os palestinos, cujo governo desde ontem é formado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Olmert pretende promover uma retirada unilateral de parte da Cisjordânia até 2010.

Esta fórmula de "desengajamento" é rejeitada pelos palestinos. A Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas considera ilegais todos as 145 colônias israelenses construídas nos territórios árabes ocupados.

Se resolver desmantelar parcialmente as colônias, Olmert terá de enfrentar cerca de 60 mil colonos, bem mais do que os 8,5 mil que tiveram de ser expulsos da Faixa de Gaza no ano passado, depois que Sharon decidiu devolvê-la aos palestinos.

É provável que o Kadima se alie aos trabalhistas e a outros partidos de esquerda para avançar no processo de paz e aos partidos de direita em questões econômicas.