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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Ministro da Defesa de Israel renuncia por "capitulação ao terror"

O ultralinha-dura Avigdor Lieberman, líder do partido ultranacionalista Yisrael Beitenu (Israel Nossa Casa), pediu demissão hoje do cargo de ministro da Defesa de Israel, noticiou a imprensa israelense. 

Lieberman afirmou que a resposta "drasticamente inadequada" aos ataques de mais de 460 foguetes disparados da Faixa de Gaza por facções extremistas palestinas é uma "capitulação ao terror" e pediu a convocação de eleições antecipadas.

Lieberman protestou contra a trégua negociada pelo Egito: "O que aconteceu ontem, junto com o acordo com o Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), é uma capitulação ao poder", denunciou, em entrevista coletiva na Knesset, o Parlamento de Israel.

"Estamos pagando um preço alto sem um plano de longo prazo para reduzir a violência contra nós", argumentou Lieberman. Num ataque direto ao primeiro-ministro linha-dura, ele declarou que "discorda fundamentalmente" de uma série de medidas, inclusive a permissão de que o emirado do Catar dê uma ajuda de US$ 15 milhões a Gaza.

Com a saída do Yisrael Beitenu, o governo liderado pelo partido Likud tem agora uma maioria mínima de 61 dos 120 deputados da Knesset. As próximas eleições devem ser realizadas dentro de 12 meses. Netanyahu não pensa em antecipá-las e deve acumular a chefia do governo com o Ministério da Defesa.

Outro partido linha-dura, Beit Yehudi (Lar Judaico), quer reivindicar o cargo para seu líder, Naftali Bennett, atual ministro da Educação. Lieberman e Bennett são rivais. Disputam o mesmo segmento do eleitorado. Nas últimas semanas, Bennett acusou Lieberman de ser frouxo na resposta ao Hamas.

Durante homenagem ao fundador e primeiro primeiro-ministro de Israel, David Ben Gurion, Netanyahu defendeu a decisão de aceitar a trégua negociada pelo Egito: "Em momentos de emergência, o público nem sempre pode saber de considerações que devem ser escondidas do inmigo. Nossos inimigos imploraram por um cessar-fogo e sabem bem por quê."

O Hamas festejou o cessar-fogo como uma vitória. Pelo menos 18 palestinos, inclusive um comandante do Hamas, e um soldado israelense morreram no confronto, o pior desde a última guerra na Faixa de Gaza, em 2014.

Bennett, Lieberman, o ministro da Justiça, Ayelet Shaked, e o ministro do Meio Ambiente, Zeev Elkin, queriam uma nova guerra. Foram derrotados ontem numa votação interna durante uma reunião de sete horas do gabinete israelense.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Israel ataca Faixa de Gaza em resposta a foguete e guerra é iminente

Depois que um foguete destruiu uma casa em Beersheba, Israel acusou o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e bombardeou 20 alvos na Faixa de Gaza, informou o jornal digital The Times of Israel. 

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reuniu o gabinete de guerra. O ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, afirmou nos últimos dias que não haveria trégua antes de dar uma resposta dura ao Hamas.

Para Israel, o ataque a Beersheba é uma escalada no conflito com o Hamas, que não para. Apesar dos esforços das Nações Unidas e do Egito, não há trégua.

Toda sexta-feria, desde 30 de março, há manifestações violentas na fronteira, além de ataques incendiários com balões. Foguetes palestinos atacam o Sul de Israel e bombardeios israelenses respondem em Gaza.

Com eleições municipais em 22 de outubro, o governo direitista israelense está sob pressão para agir. Em Gaza, uma faixa estreita de 41 quilômetros de comprimento por 6 a 12 de largura, a situação humanitária é catastrófica.

Por iniciativa da ONU, o Catar se dispôs a fornecer combustível a Gaza. As entregas foram suspensas por causa do clima de guerra.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Israel faz bombardeio pesado contra o Hamas na Faixa de Gaza

O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) anunciou um cessar-fogo depois de ser alvo de um intenso bombardeio da Força Aérea de Israel na Faixa de Gaza, em resposta a franco-atiradores palestinos que mataram um soldado israelense. Pelo menos quatro palestinos morreram.

“Neste momento, nossos aviões estão realizando amplos ataques contra alvos terroristas do Hamas na Faixa de Gaza”, anunciou a Força de Defesa de Israel no início da noite pela hora local, justificando o bombardeio como resposta a “um incidente sério de tiros contra nossas forças”.

Pelo menos 15 alvos foram atacados, inclusive “o quartel-general da brigada do Hamas em Zeiteon”, que os militares israelenses afirmam ter destruído junto com “depósitos de armas e munições, campos de treinamento, postos de observação, centros de controle e comando e os escritórios do comandante da brigada”.

Durante os ataques, o alarme antiaéreo soou em comunidades israelenses próximas à fronteira na Faixa de Gaza. Ao menos dois foguetes foram interceptados pelo sistema de defesa antiaérea Domo de Ferro. Outro caiu em campo aberto.

O bombardeio em grande escala do início da noite foi a segunda onda de ataques aéreos. No primeiro, a aviação israelense atingiu oito alvos e matou pelo menos quatro militantes do braço armado do Hamas.

Em meio à operação, o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu foi pessoalmente ao Ministério da Defesa, onde se reuniu com o ministro Avigdor Lieberman e o alto comando para avaliar a situação.

A morte do soldado israelense por um franco-atirador palestino na fronteira de Gaza em meio à Marcha do Retorno, convocada pelo Hamas para negar a legitimidade Israel, foi considerada pelo governo Netanyahu “o incidente mais sério” em Gaza desde a guerra de 2014 contra o próprio Hamas.

Desde então, o comandante da Força de Defesa de Israel, general Gadi Eizenkot, faz questão de manter a prontidão para dar “quaquer resposta que seja necessária”, declarou o porta-voz da FDI, Ronen Manelis, acrescentando que não há intenção de ir à guerra, mas não está descartada uma operação terrestre, uma invasão a Gaza.

Mesmo sem querer uma guerra aberta, Israel e o Hamas podem estar marchando para uma, adverte a empresa de consultoria e análise estratégica americana Stratfor. Afinal, o conflito com o Hamas é uma ameaça permanente a Israel. Já provocou guerras, batalhas e escaramuças. Deter o Hamas é um desafio permanente..

No fim de semana passado, houve uma batalha com bombardeios aéreos israelenses em resposta a foguetes do Hamas. O conflito é aguçado pela situação econômica catastrófica na Faixa de Gaza, onde vivem 2,2 milhões de palestinos, que ficou ainda pior com a redução da ajuda dos Estados Unidos e do Catar.

Essa situação explosiva incitou as milícias palestinas do Hamas, da Jihad Islâmica para a Libertação da Palestinos e de outros grupos a lançar foguetes e bombas incendiárias contra o território israelense.

As manifestações tentam atrair a atenção do resto do mundo para a miséria de Gaza, mas o controle to território pelo Hamas desde 2007, depois de uma guerra civil palestina contra a Fatah, partido dominante na Autoridade Nacional Palestina, só agravou a tragédia.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Israel intercepta foguete lançado da Síria nas Colinas do Golã

O alarme antiaéreo voltou a soar hoje nas Colinas do Golã. Israel interceptou mais um foguete vindo da Síria. O número crescente de ataques e contra-ataques indica uma escala da intervenção militar israelense na Síria, onde tenta impedir que o Irã instale bases militares permanentes perto de suas fronteiras.

Depois da morte de militares iranianos em bombardeios israelenses a bases sírias, em 10 de maio, o Irã e a Síria lançaram um ataque retaliatório contra Israel com pelo menos 20 foguetes. Em resposta, o governo israelense lançou forte contra-ataque. O ministro da Defesa ultradireitista, Avigdor Lieberman, declarou que "quase toda a infraestrutura iraniana na Síria" foi alvejada.

Israel e o Irã travam assim uma guerra limitada no meio da guerra civil síria. Em fevereiro, o sistema de defesa antiaérea israelense abateu um drone armado iraniano vindo da Síria. Foi a primeira vez que o regime fundamentalista iraniano atacou Israel diretamente. Fazia isso através de aliados como a milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) e o Movimento de Resistência Islâmica palestino (Hamas).

A Força Aérea de Israel contra-atacou a base de onde partiu o drone e lançou novos ataques a alvos iranianos. Em 29 de abril, um bombardeio a um quartel em Homs, no Centro da Síria, matou 26 militares sírios e iranianos. Em 8 de maio, foram pelo menos 15 mortes em ataques a bases situadas em Damasco e 42 no grande ataque da quinta-feira, 10 de maio.

Ao retirar os Estados Unidos do acordo nuclear negociado pelo Irã com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), de certa forma, o presidente Donald Trump endossou a política de confrontação com o Irã do primeiro-ministro linha-dura israelense, Benjamin Netanyahu.

O risco de uma guerra direta entre Israel e o Irã é de uma conflagração generalizada no Oriente Médio, já que o Irã tem forte presença entre os xiitas no Iraque, na Síria e no Líbano, além de aliados extremistas sunitas como o Hamas.

Em caso de guerra, Israel poderia ter de lutar em três frentes, contra as forças iranianas na Síria, contra o Hamas na Faixa de Gaza, no Sul do país, e contra o Hesbolá no Norte, na fronteira com o Líbano.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Israel desmantela célula que pretendia assassinar o ministro da Defesa

O Shin Bet, serviço secreto para segurança interna de Israel, revelou ontem ter preso um grupo de militantes palestinos que planejavam matar o ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, com uma bomba deixada à beira da estrada no caminho para sua casa em Nokdim, na colônia de Gush Etzio, na Cisjordânia ocupada.

A investigação descobriu que a milícia Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina pediu ajuda a milicianos palestinos da Faixa de Gaza, mas a própria segurança pessoal do ministro desarmou a trama.

Como não conseguiram ajuda, os conspiradores tentaram fabricar uma bomba caseira, apreendida quando foram detidos.

Seis suspeitos foram identificados e presos. Os líderes da célula terrorista eram Awad Mahmoud al-Assakra, de 25 anos, e Muhammad Ali Ibrahim al-Assakra, de 32 anos, ambos da cidade de Assakra, próxima à casa de Lieberman.

É pelo menos a segunda vez em que o Shin Bet evita um atentado contra Lieberman, um imigrante soviético convertido em político de ultradireita, contra a criação de um país palestino independente, a favor da anexação da Cisjordânia ocupada.

O Shin Bet também desmantelou outra célula da Jihad Islâmica, na cidade de Belém, que pretendia realizar ataques a tiros contra colonos e tropas israelenses.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Israel bombardeia Síria pela terceira vez em três dias

Na noite de domingo e na madrugada desta segunda-feira, a Força Aérea de Israel bombardeou a Síria pela segunda vez em 24 horas e pela terceira vez em dois dias. É o momento de maior tensão entre os dois países desde o início da guerra civil síria, há seis anos. O alvo seria um comboio com armas para a mílicia fundamentalista xiita Hesbolá.

Hoje da manhã, a imprensa síria admitiu que Israel atacou vários alvos perto da fronteira entre a Síria e o Líbano. Antes do último ataque, no domingo, o comandante de uma milícia aliada à ditadura de Bachar Assad, Yasser Hussein Assayed, foi morto num ataque de drones.

Na sexta-feira, quando Israel fez o primeiro bombardeio dos últimos dias, a defesa síria disparou mísseis contra os aviões. Foi uma mudança estratégica, levando o ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, a ameaçar com a destruição de todo o sistema de defesa antiaéreo da Síria, reforçado recentemente por equipamentos russos de última geração.

Um míssil sírio foi interceptado pelo sistema de defesa antimísseis Flecha, acionado pela primeira vez. Os destroços do míssil caíram em território da Jordânia.

Com a intervenção militar da Rússia na guerra civil síria, a partir de 30 de setembro de 2015, a ditadura de Bachar Assad recuperou a maior parte do território do país. Está perto da vitória ou ao menos de evitar a queda.

Como o ditador sírio é aliado do Irã e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), armada e financiada por Teerã, sua principal força terrestre, Israel teme o aumento da influência do Irã no país vizinho e o fortalecimento do Hesbolá, um inimigo histórico.

"Cada vez que descobrirmos transferências de armas da Síria para o Líbano vamos agir para impedi-las", afirmou o ministro da Defesa de Israel. "Neste ponto, não há negociação. Os sírios precisam entender que são considerados responsáveis por essas transferências de armas ao Hesbolá e, se continuarem a permiti-las, faremos o que temos de fazer."

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Israel bombardeia a Síria pela segunda vez em sete dias

Israel confirmou ontem ter bombardeado um aeroporto militar de Damasco próximo do palácio do ditador Bachar Assad. O ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, declarou que o objetivo é impedir que a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) obtenha armas de destruição em massa.

Foi o segundo ataque aéreo em sete dias. O Hesbolá é a principal força terrestre aliada ao Exército da Síria que guerra civil que matou mais de 400 mil pessoas nos últimos cinco anos e meio.

Durante um encontro com diplomatas da União Europeia para discutir a paz no Oriente Médio, Lieberman, um linha-dura, afirmou que "estamos, antes de mais nada, fazendo esforços para manter a segurança de nossos cidadãos, proteger nossa soberania e tentar impedir o contrabando de armas sofisticadas, equipamentos militares e armas de destruição em massa da Síria para o Hesbolá."

Lieberman reafirmou que Israel não pretende intervir na guerra civil síria. Desde o início do conflito, Israel respondeu a todos os ataques, intencionais ou não, vindos do outro lado da fronteira, e fez vários bombardeios aéreos, sempre com a intenção de destruir armas e equipamentos supostamente destinados à milícia xiita libanesa.

Quando a Rússia interveio na guerra civil, a partir de 30 de setembro de 2015, e instalou sistemas de defesa antiaérea de última geração na Síria, o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu foi a Moscou negociar uma acomodação com o presidente Vladimir Putin para que a Força Aérea de Israel não corra risco de ter aviões abatidos. Como a Rússia tenta se reafirmar como potência no Oriente Médio e Israel é a maior potência militar regional, algum acerto houve.

Na semana passada, aviões de guerra de Israel bombardearam a Zona Oeste da capital síria. A mídia árabe revelou que o alvo foi um comboio destinado ao Hesbolá.

Nesta semana, para proteger seus pilotos, Israel disparou mísseis terra-terra de dentro dos territórios palestinos ocupados contra o aeroporto militar Mezze, em Damasco. Houve várias explosões no alvo. A televisão árabe Al-Arabiya reportou vários incêndios.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Israel pressiona aliados a esvaziar o Tribunal Penal Internacional

Diante da abertura de inquérito sobre possíveis crimes de guerra cometidos durante a ofensiva contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza, o governo de Israel está pressionando seus aliados a cortar o financiamento do Tribunal Penal Internacional, noticiou hoje o jornal conservador The Times of Israel.

Em entrevista à Rádio Israel, o ministro do Exterior linha-dura, Avigdor Lieberman, revelou: "Vamos pedir a nossos amigos no Canadá, na Austrália e na Alemanha simplesmente para parar de financiar este órgão. É um órgão político que não representa ninguém. Vários países acreditam que não existe razão para sua existência."

O primeiro-ministro conservador canadense, Stephen Harper, declarou "lamentar profundamente" a abertura de inquérito sobre a Operação Margem Protetora, nome dado pelas Forças de Defesa de Israel para a ofensiva.

"É inconcebível que uma organização terrorista esteja entrando com uma ação criminal contra Israel", repudiou Harper. "O Hamas usou seus próprios civis como escudos humanos enquanto disparava foguete contra Israel. A Autoridade Palestina está zombando do direito internacional."

O TPI foi criado pelo Estatuto de Roma em 17 de julho de 1998 e foi instalado em 1º de julho de 2002 depois de ser ratificado por mais de 60 países-membros. Tem hoje 123 países, mas não grandes potências como os Estados Unidos, a China e a Rússia, que não aceitam submeter seus cidadãos a leis e tribunais que não sejam de seu próprio país.

Israel também não faz parte e não reconhece a jurisdição do tribunal, fundado para examinar casos de possíveis crimes de guerra e crimes contra a humanidade não processados pelas justiças nacionais.

Na sexta-feira, o TPI abriu uma investigação preliminar sobre a operação militar israelense. De 8 de julho a 26 de agosto de 2014, cerca de 2,2 mil palestinos foram mortos. Israel alega que pelo menos metade era de combatentes e o alto número de baixas civis é culpa do Hamas, que instalaria seus lançadores de foguetes em áreas residenciais, usando sua própria população como escudo. Também morreram 66 soldados e seis civis israelenses.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Chanceler de Israel quer controle da ONU em Gaza

O ministro do Exterior linha-dura de Israel, Avigdor Lieberman, defende a transferência do controle sobre a Faixa de Gaza para as Nações Unidas, a exemplo do que aconteceu na província do Kossovo depois da guerra de 1999.

Em reportagem do jornal conservador The Jerusalem Post, Lieberman declarou que só vê três opções para Gaza: a destruição do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), um acordo diplomático ou a manutenção da situação atual, que definiu como "um limbo sem fim" onde, na sua visão, de tempos em tempos, o Hamas inicia as hostilidades e Israel reage.

Nas duas primeiras hipóteses, a Faixa de Gaza seria governada pela ONU. Para defender sua proposta, Lieberman lembrou o que aconteceu depois da intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Sérvia para conter o massacre da maioria albanesa no Kossovo: "Vimos um mandato da ONU que funcionou", disse ele. "Um país não pode viver sob o humor de uma organização terrorista. A meta é evitar ataques de foguetes e impedir o fortalecimento do Hamas."

Em Jerusalém, um israelense morreu hoje num atentado terrorista em que um trator foi jogado contra um carro e um ônibus.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Israel apostou no conflito para atacar o Hamas

Em meio a mais uma guerra no Oriente Médio, a questão que se coloca é quem tem responsabilidade por mais uma matança entre israelenses e palestinos. Vamos aos fatos e a uma tentativa de interpretá-los:

1. Três adolescentes israelenses foram sequestrados e mortos em junho de 2014 na Cisjordânia ocupada por terroristas palestinos.

2. Por vingança, um adolescente palestino foi sequestrado e queimado vivo por colonos no setor oriental (árabe) de Jerusalém, progressivamente colonizado por Israel na política de tornar a ocupação um fato consumado e irreversível.

3. O governo linha-dura de Israel acusou coletivamente o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) sem apresentar provas concretas, alegando que o grupo aplaudiu os assassinatos. Punição coletiva é crime previsto no direito internacional. Os nomes de dois militantes foram citados como responsáveis. Mais de 500 membros do Hamas foram presos. Na minha visão, é evidente que o primeiro-ministro Netanyahu aproveitou o sequestro para atacar o Hamas, bombardear o acordo de reconciliação nacional entre a Fatah e o Hamas, e assim minar o processo de paz mediado pelos EUA, que ainda me parece a melhor solução para o fim do conflito, com a criação de um Estado nacional palestino convivendo pacificamente com Israel.

4. Sem outra arma para atingir Israel, o Hamas e aliados começaram a lançar foguetes de Gaza no início de julho. É óbvio que Israel tem o direito de se defender, mas essa estratégia de defesa em que a cada dois anos ou quatro anos Israel invade Gaza e massacra a população local evidentemente não funciona. Não garante a segurança de Israel a longo prazo. Mas o governo Benjamin Netanyahu não vê os palestinos como uma ameaça à existência de Israel. Afinal, eles não têm Estado nacional, Exército, Forças Armadas etc. Sua obsessão é com o programa nuclear do Irã. Tem razão ao temer a bomba iraniana, mas a paz com os palestinos tiraria um importante instrumento de propaganda dos terroristas interessados em destruir Israel.

5. Assim, parece evidente que este governo de Israel não quer a paz com os palestinos. Dois importantes ministros e líderes de partidos de extrema direita, o chanceler Avigdor Lieberman (Israel Nossa Casa) e o ministro da economia, Natali Bennett (Casa Judaica) defendem abertamente a reocupação de Gaza, que incorporaria mais 1,8 milhões de árabes à população israelense. Em futuro breve, os judeus seriam minoria em Israel.

6. Placar atual da mortandade: 545 palestinos e 27 israelenses mortos.

7. O risco para Israel, numa região em que proliferam grupos jihadistas como o Estado Islâmico, Jihad Islâmica e a Frente al-Nusra, é que a destruição do Hamas crie um vácuo político no movimento fundamentalista capaz de ser ocupado por jihadistas aliados da rede terrorista Al Caeda ainda mais radicais. A Jordânia já pediu ajuda militar a Israel, caso seja atacada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Dá para imaginar o Exército de Israel lutando ao lado de um Exército árabe contra extremistas muçulmanos? Se isso realmente acontecer algum dia, será melhor para Israel ter feito a paz com os palestinos antes.

8. O conflito foi sequestrado por extremistas dos dois lados sem interesse na paz. A atual guerra é um exemplo disso. Dois sequestros bárbaros e cruéis evoluíram para uma confrontação muito maior.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Hamas e Israel rejeitam cessar-fogo

O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) não tem planos para cessar fogo e espera uma longa guerra contra Israel, declarou um porta-voz do grupo, citado pela Agência de Notícias República Islâmica, do Irã.

Pouco antes, o ministro do Exterior israelense, Avigdor Lieberman, um dos expoentes da linha-dura o governo direitista de Israel, declarou que uma trégua agora só levaria a mais confrontos no futuro.

Pelo menos 170 palestinos foram mortos em bombardeios de Israel à Faixa de Gaza para punir o Hamas pela morte de três adolescentes palestinos sequestrados na Cisjordânia. Dezenas de civis israelenses foram feridos em mais de mil ataques de foguetes disparados de Gaza, mas a grande maioria foi neutralizada pelo sistema de defesa antimísseis israelense Domo de Ferro.

Hoje um drone palestino entrou em território israelense e foi abatido por um míssil Patriot em Ashood.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Lieberman: paz exige troca de territórios e populações

O ministro do Exterior linha-dura de Israel, Avigdor Lieberman, impõe condições para um acordo de paz com a criação de uma Palestina independente: o "triângulo" a sudeste de Haifa, onde a maioria da população é árabe, deve ser trocado pelas colônias israelenses na Cisjordânia ocupada.

Lieberman acredita que a proposta de paz dos Estados Unidos é a melhor possível, mas rejeita completamente o "direito de retorno" dos palestinos refugiados desde a criação do Estado de Israel, em 1948.

Entre as sugestões apresentadas pelo secretário de Estado americano, John Kerry, está o reconhecimento de Israel como um "Estado judaico". O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, é contra. Entende que seria a institucionalização da posição dos árabes israelenses como cidadãos de segunda classe.

Ao discursar na abertura da Conferência de Embaixadores do Ministério do Exterior de Israel, o chanceler de origem russa foi muito mais moderado do que antes, quando acusava Abbas de "terrorismo político" e considerava inaceitável a criação de um Estado palestino independente em futuro próximo, observou o jornal conservador The Times of Israel.

Em princípio, os palestinos exigem que a negociação tenha por base as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias (5-10 de junho de 1967), a retirada total das forças israelenses e o desmantelamento das colônias judaicas nos territórios árabes ocupados, o direito de retorno dos refugiados palestinos desde 1948 e a criação de uma Palestina independente com capital no setor árabe de Jerusalém.

Outro problema é a exigência de Israel de manter uma presença militar no vale do Rio Jordão, considerada desnecessária por Meir Dagan, ex-chefe do serviço de espionagem israelense Mossad: "Não tenho problema com quem alega que o vale do Jordão deva ser parte de Israel. O que me incomoda é apresentar isso como uma questão de segurança nacional".

Como "não há mais Exército do Iraque", argumentou Dagan, "não há mais uma frente oriental. Há paz com a Jordânia. Não vejo o vale do Jordão como crítico para a segurança de Israel".

O ex-chefe do Mossad atribui o empenho pessoal do secretário John Kerry à ambição de concorrer à Presidência dos EUA em 2016. A paz no Oriente Médio seria uma cartada importante na disputa com a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, cuja campanha já está nas redes sociais. Ele só acredita numa paz duradoura se for aprovada pela Liga Árabe.

Nos últimos anos, os governos de Israel tem ampliado a colonização do setor oriental de Jerusalém e da Cisjordânia para criar uma política de fato consumado. As colônias e a anexação de Jerusalém são hoje os maiores obstáculos a um acordo entre a ANP e Israel, com ou sem boicote do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), mais radical ainda na exigência de devolução dos territórios ocupados.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Corrupção derruba ministro do Exterior de Israel

Sob a pressão de uma denúncia por fraude, corrupção e abuso de poder, o ultradireitista Avigdor Lieberman deixou hoje de ser ministro do Exterior de Israel. Saiu na sexta-feira porque amanhã é o sabá, sábado, a folga religiosa semanal dos judeus. Assim supostamente a notícia terá menor impacto sobre as eleições parlamentares de 22 de janeiro de 2013.

Lieberman lidera o partido Yisrael Beitenu, fundado por imigrantes russos, e se opõe ferozmente a qualquer concessão aos palestinos no processo de paz. Seu objetivo claro é consolidar a ocupação de partes da Cisjordânia que Israel considera importantes para sua segurança.

Por acordo entre Lieberman e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, seus partidos, Yisrael Beitenu e Likud, vão disputar as eleições em chapa única. Marcha para a direita, isolando ainda mais Israel no novo Oriente Médio que nasce da Primavera Árabe, que na Síria virou um longo e tenebroso inverno.

O governo Netanyahu, agora sem Lieberman, está mais preocupado com o programa nuclear do Irã, que considera uma ameaça existencial a Israel.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Possível ataque ao Irã divide governo de Israel

O governo de Israel está dividido no debate em torno de um possível bombardeio para tentar destruir o programa nuclear do Irã. Enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa, Ehud Barak, acreditam que o tempo está se esgotando para impedir que o regime fundamentalista iraniano faça a bomba atômica, o ministro de Assuntos Estratégicos, Moshe Yaalon, só admite atacar ao lado dos Estados Unidos.

Cerca de 80% dos israelenses temem a retaliação do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), indica uma pesquisa divulgada hoje pelo jornal liberal Haaretz.

Ontem, os militares israelenses testaram um míssil balístico, mas alegaram que estava programado muito antes do noticiário atual sobre um ataque ao Irã. Na semana passada, a Força Aérea de Israel treinou ataques a longa distância numa base da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Itália.

Uma das vozes mais extremistas do governo, o ministro do Exterior, Avigdor Lieberman, acusou o Irã de ser a maior ameaça à paz mundial.

O comandante do Estado Maior das Forças Armadas do Irã, general Hassan Firouzabadi, advertiu Israel e os Estados Unidas das sérias consequências que um bombardeio traria para os dois países, que seriam contra-atacados pelo Irã e seus aliados.

domingo, 2 de agosto de 2009

Polícia indicia chanceler de Israel por corrupção

Depois de uma longa investigação de corrupção envolvendo o ministro do Exterior, Avigdor Lieberman, líder do partido de extrema direita Yisrael Beiteinu, a polícia de Israel "acredita ter colhido provas suficientes para indiciá-lo pelos delitos de suborno, fraude, obstrução de justiça, pressão sobre testeminhas, quebra de confiança e lavagem de dinheiro".

Os crimes teriam sido cometidos antes de Lieberman se tornar chanceler.

"Há 13 anos, a polícia vem me perseguindo", respondeu Lieberman através de nota. "Na medida em que meu poder político e o poder do Yisrael Beiteinu crescem, as tentativas de me afastar da vida pública aumentam. Não havia motivo real para recomeçar a investigação. Se as suspeitas tivessem fundamento, a investigação não teria demorado mais de uma década".

Lieberman nasceu na Moldávia, na antiga União Soviética, e emigrou para Israel em 1978. Ele é acusado de receber propina através da empresa de consultoria da filha.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Kadima vence mas Netanyahu pode formar governo

O partido de centro-direita Kadima (Avante) elegeu 28 deputados, a maior bancada da Knesset, o Parlamento de Israel. Mas tudo indica que o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do partido direitista Likud, que conquistou 27 cadeiras, terá mais facilidade para formar um governo.

Como o parlamento israelense tem 120 cadeiras, o primeiro-ministro precisa do apoio de pelo menos 61 deputados para ser confirmado no cargo. Nenhum partido conseguiu fazer um quarto dos deputados, quanto menos a maioria, por causa do sistema eleitoral do país, que é rigorosamente proporcional. Isso fortalece os pequenos partidos.

Cabe agora ao presidente Shimon Peres escolher um líder partidário para tentar articular uma coligação viável. O presidente pode dar uma chance à atual ministra do Exterior, Tzipi Livni. Ela não teve sucesso quando sucedeu ao atual primeiro-ministro Ehud Olmert, derrubado por corrupção, na liderança do Kadima, em setembro de 2008.

A grande vedete das eleições foi o partido ultranacionalista Israel Beiteinu, liderado pelo imigrante russo Avigdor Lieberman, que elegeu 15 deputados com um discurso racista anti-árabe. Lieberman se tornou o fiel da balança na formação de qualquer coligação. Isso entusiasma Netanyahu, que considera a extrema direita uma aliada natural.

Também existe a possibilidade de se formar um governo de união nacional, uma grande coalizão, mas isso depende das concessões que a direita estiver disposta a fazer para negociar a paz com os palestinos com a mediação dos Estados Unidos.

Afinal, o Kadima foi fundado há pouco mais de três anos pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon. Foi uma divisão do Likud feita por Sharon para criar um partido capaz de negociar a paz com os palestinos.

Como general, Sharon estava convencido de que a segurança de Israel depende do estabelecimento de fronteiras definitivas, o que exige a criação do Estado árabe prevista na partilha da Palestina ordenada pelas Nações Unidas em 1947.

O Partido Trabalhista, fundador de Israel, acaba de sofrer sua maior derrota eleitoral, mas também está comprometido com uma paz permanente. Isso exige uma negociação ampla que acabe com a estratégia gradual dos acordos de Oslo, nos anos 90.

Naquela época, surgiu a fórmula Gaza e Jericó primeiro. A Autoridade Nacional Palestina assumiria pouco a pouco o controle sobre os territórios árabes ocupados por Israel para que fosse criada confiança mútua ao longo do processo, na expectativa de se chegar a uma paz duradoura.

Funcionou, no início, com a implantação do governo semi-autônomo palestino na Faixa de Gaza e em parte da Cisjordânia. Mas o gradualismo deu aos extremistas dos dois lados uma espécie de direito de veto ao progresso das negociações.

Em 2000, no fim do governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA tentaram mediar um acordo entre Arafat e o então primeiro-ministro Ehud Barak, hoje ministro da Defesa e líder trabalhista. Na época, Barak já estava convencido de que o gradualismo era um beco sem saída.

O fracasso das negociações de Camp David levou o então líder da oposição israelense, Ariel Sharon, a visitar o Monte do Templo, no setor árabe de Jerusalém. Isso foi visto como uma ameaça de reconstrução do Templo, que fica junto à Esplanada das Mesquitas, e provocou a segunda intifada (revolta das pedras) contra a ocupação israelense, em que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que rejeita os acordos de Oslo, cometeu a maioria dos atentados terroristas contra Israel.

Desde antes, o Hamas e a extrema direita se nutrem mutuamente, garantindo a estagnação de um processo de paz iniciado em 1991, quando a guerra de libertação do Kuwait criou um clima mais favorável aos EUA no mundo árabe. Obama promete romper com esta injustiça histórica que alimenta o ódio e o anti-americanismo no mundo muçulmano, facilitando o recrutamento de terroristas suicidas por grupos como a rede terrorista Al Caeda.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

TVs de Israel projetam vitória do Kadima

O partido de centro-direita Kadima (Avante) deve eleger 30 dos 120 deputados da Knesset, o Parlamento de Israel, superando o oposicionista Likud, que conquistaria 28 cadeiras nas eleições realizadas hoje, informaram as televisões israelenses com base nos primeiros resultados.

A grande surpresa, o partido ultranacionalista Israel Beiteinu, liderado pelo imigrante russo Avigdor Lieberman, deve ter 14 ou 15 deputados, superando o Partido Trabalhista, que pelas projeções ficaria com 13 cadeiras.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Linha dura é favorita nas eleições israelenses

O ex-primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, líder do partido Likud, é o favorito para chefiar o novo governo a ser criado com base nas eleições de amanhã, em Israel.

Nos últimos dias, o partido Kadima (Avante), liderado pela ministra do Exterior, Tzipi Livni, aproximou-se do Likud. Mas nenhum partido deve conseguir nem 30 das 120 cadeiras da Knesset, o Parlamento de Israel.

Com o avanço da linha dura depois da recente guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), acredita-se que Netanyahu terá mais condições de formar um governo estável.

Pelas pesquisas, o Likud deve eleger 27 deputados, um a menos do que Kadima tem hoje. O partido do primeiro-ministro interino Ehud Olmert, derrubado por corrupção e da ministra Tzipi Livni, deve ficar um pouco abaixo.

A grande surpresa é o avanço do partido ultraconservador Israel Beiteinu (Israel Nossa Casa), liderado pelo imigrante russo Avigdor Lieberman, que questiona o direito à cidadania dos árabes israelenses. Tentou até impedir a participação de seus partidos nas eleições.

Com a expectativa de eleger 18 deputados, a bancada da Beiteinu terá um papel importante na formação e na instabilidade do futuro governo. Está na frente do Partido Trabalhista, que fundou Israel e governou o país durante a primeira metade de sua História.

Sob a liderança do atual ministro da Defesa, Ehud Barak, os trabalhistas devem ver sua bancada encolher para 14 deputados, apesar da atuação destacada e elogiada de Barak na luta contra o Hamas.

O grande tema da campanha é a segurança. Depois do fraco desempenho na guerra contra a milícia fundamentalista xiita Hesbolá, no Líbano, em 2006, os líderes israelenses acreditam que a campanha em Gaza restabeleceu a credibilidade militar de Israel como uma força capaz de dissuadir seus inimigos.

Enquanto os trabalhistas e o Kadima querem aproveitar o interesse do presidente Barack Obama para negociar a paz com a criação de um Estado palestino independente, Netanyahu e Lieberman atrapalham os planos de Obama.

Netanyahu fez campanha acusando o governo de ter terminando a guerra contra o Hamas antes da hora, desperdiçando a oportunidade de tirar do poder o grupo extremista palestino. O Hamas domina Gaza desde que venceu a Fatah do presidente palestino, Mahmoud Abbas, numa guerra civil palestina, em junho de 2007.

Mas a maior tormenta no horizonte é o programa nuclear do Irã, que está desenvolvendo a bomba atômica.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Olmert faz aliança com linha dura em Israel

Na luta pela sobrevivência política depois da guerra no Líbano, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, fez uma aliança com um político da linha dura que propôs a cassação da cidadania israelense dos árabes, a execução de deputados que conversam com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e o bombardeio de centros populacionais palestinos.

De imediato, a presença do partido Yisrael Beiteinu (Israel Nossa Casa), liderado por Avigdor Lieberman, ex-Likud, reduz as chances de uma retirada unilateral de parte da Cisjordânia, como Olmert prometia fazer quando eleito, em março deste ano. É um partido pró-imigração. Tenta captar os votos dos imigrantes russos a favor da linha dura em relação a árabes em geral e palestinos, alegando que eles são a favor da destruição de Israel.

Nas eleições de março de 2006, Yisrael Beiteinu elegeu 11 dos 120 deputados da Knesset. O partido Kadima (Avante), de Olmert, conquistou 28 cadeiras. Agora, a bancada do governo passa a contar com 78 deputados.

Lieberman, de 52 anos, é um antigo segurança de bar da ex-república soviética da Moldova que emigrou para Israel em 1978. Entrou na política como assessor do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (1996-99), tornando-se famoso pela agressividade nas manobras nos bastidores da política.

Assessores do governo alegam que o discurso radical de Lieberman não passa de retórica. Mas as pombas da esquerda israelense, como o ex-ministro Yossi Beilin, líder do partido Meretz, acusam Olmert de "trair e fraudar o eleitorado".

"Um governo precisa de uma maioria estável e de uma base ampla para garanti-la", defende-se o primeiro-ministro.

O negociador palestino moderado Saeb Erekat, assessor do presidente Mahmoud Abbas, disse que trata-se de uma questão interna de Israel: "No final das contas, o que esperamos é um parceiro disposto a retomar o processo de paz e a acabar com esta situação terrível entre nossos dois povos".

Para o analista Yossi Alpher, é preocupante. Olmert está levando para dentro do governo israelense "um míssil desgovernado, um livre atirador".

Até agora, acreditava-se que a Beiteinu não entraria no governo porque seria vetado pelo Partido Trabalhista, segundo maior parceiro da coalizão governista. Os trabalhistas ficaram de tomar uma decisão oficial esta semana. A expectativa é que fiquem no governo. Olmert não trocaria seu apoio pela Beiteinu. Deve ter dado seu passo na certeza do apoio do resto da coligação.

Mas parte da esquerda israelense apela para que Peretz deixe o cargo de ministro da Defesa, onde divide a responsabilidade pelo relativo fracasso na guerra contra o Hesbolá no Líbano de 12 de julho a 14 de agosto, e torne-se líder da oposição. Entende que Lieberman é uma ameaça à democracia israelense e que não faz sentido participar de um governo com Yisrael Beiteinu.