Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
sexta-feira, 29 de dezembro de 2023
Ex-primeiro-ministro de Israel ordenou ataques diretos ao Irã
segunda-feira, 14 de junho de 2021
Coalizão frágil derruba Netanyahu em Israel
O primeiro-ministro que governou Israel por mais tempo, 15 anos, superando o fundador do país, David ben Gurion, caiu. Depois de dois anos de paralisia política e quatro eleições em que nenhuma aliança conseguiu formar um governo estável, uma coalizão frágil de oito partidos que vai da extrema direita à esquerda e inclui um partido árabe afastou Benjamin Netanyahu. No domingo, por 60 a 59 votos, com uma abstenção, o ultradireitista Naftali Bennett se tornou primeiro-ministro.
Netanyahu se tornou chefe de governo de Israel pela primeira vez em junho de 1996, depois de eleições realizadas sob o impacto do assassinato, em 5 de novembro de 1995, do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, que assinara os acordos de paz de Oslo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
Conservador e linha-dura, Bibi, como é chamado pelo povo, sempre relutou em fazer as concessões necessárias à paz. Como governos anteriores do partido Likud, negociou por negociar enquanto ampliava as colônias israelenses nos territórios para fazer da anexação um fato consumado.
Na sua visão, a grande ameaça à segurança de Israel é o Irã, que tem um programa nuclear. Ele voltou ao poder em março de 2009, e ficou até o último domingo e jura que vai voltar. Enfrta quatro processos por corrupção.
Sua queda é fruto das articulações do centrista Yair Lapid, um ex-apresentador de televisão que entrou na política. Principal responsável por formar a aliança governista, ele dividiu a chefia do governo com Bennett. Cada um deve governar durante dois anos. A dúvida é se a coalizão vai resistir até chegar a vez d Lapid, o político de maior prestígio hoje em Israel.
Filho de imigrantes americanos, Bennett serviu nas Forças Armadas como oficial de inteligência que se infiltra em território inimigo para coletar informações e apontar alvos. Antes de entrar na política em 2006 como chefe de gabinete de Netanyahu, fez fortuna com empresas de informática voltadas para a segurança. É a favor da anexação da Cisjordânia, mas não tocou no assunto desde que virou chefe de governo.
A coalizão inclui partidos pacifistas e de esquerda e um partido árabe. É a primeira vez que um partido árabe participa do governo de Israel. O partido de Bennett, Yamina (Nova Direita), é o quinto dos oito da coalizão de governo, que tem em comum dois objetivos: afastar Netanyahu e evitar a realização de novas eleições antecipadas.
Será difícil adotar posições conjuntas, sobretudo em questões de segurança como o conflito com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) ou o crescente conflito interno entre árabes e judeus. A Marcha da Bandeira, nesta-feira, organizada por ultranacionalistas na Cidada Velha de Jerusalém, será um primeiro teste.
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
Conflito em Gaza ameaça deflagar nova guerra no Oriente Médio
Um bombardeio aéreo israelense matou ontem Baha Abu al-Ata em sua em Gaza. Em resposta, os grupos armados palestinos baseados no território dispararam pelo menos 360 foguetes contra o território israelense, ferindo pelo menos 63 pessoas, quase todas levemente.
Pela primeira vez desde a guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica, o Hamas, na Faixa de Gaza, em 2014, lojas foram fechadas em Telavive, a capital econômica de Israel. A Força Aérea de Israel contra-atacou.
Nos últimos dois dias, Israel lançou 11 ondas de ataque. Pelo menos 24 palestinos foram mortos. As autoridades israelenses devem restringir temporariamente as viagens, os transportes públicos, as escolas e o comércio na região.
Amanhã, todas as escolas numa distância de até 40 quilômetros da Faixa de Gaza vão ficar fechadas. Meu comentário:
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Vaticano reconhece a independência da Palestina
A primeira oportunidade será na visita do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, ao Vaticano no sábado, véspera da canonização de duas freiras palestinas. O tratado sobre as atividades da Igreja Católica nos territórios palestinos será o primeiro documento escrito em que a Santa Sé reconhece a Palestina como um país independente.
O Vaticano já tratava a Palestina como um Estado Nacional independente desde novembro de 2012, quando a Palestina foi aceita como observadora nas Nações Unidas, disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.
"Há uma continuidade coerente", afirmou Lombardi em entrevista à televisão americana CNN. "Obviamente, este é um acordo internacional com o Estado da Palestina, então reafirma o reconhecimento."
É um momento crítico para a causa nacional palestina. Israel acaba de formar um novo governo direitista. Sob pressão do partido de ultradireita Casa Judaica, que não aceita a criação de uma Palestina independente, o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu prometeu ceder aos colonos israelenses o direito de construir e ampliar novas colônias na Cisjordânia ocupada.
Seu líder, Naftali Bennett, é contra a solução com dois países, Israel e a Palestina, convivendo lado a lado. Hoje, 135 dos 193 países-membros da ONU reconhecem a independência da Palestina, que na pratica fica mais distante.
Desde que foi eleito papa em março de 2003, Francisco pressionou as potências ocidentais a não bombardear a Síria, acolheu os homossexuais na Igreja, irritou a Turquia ao reconhecer como genocídio a matança de 1,5 milhão armênios em 1915-16, durante a Primeira Guerra Mundial e ajudou nas negociações de bastidores que levaram ao reatamento entre os EUA e Cuba.
Em junho de 2004, o papa recebeu Abbas e o ex-presidente de Israel Shimon Peres para um momento de oração em Roma. Recentemente, Francisco protestou contra a perseguição aos cristãos pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
Para Candida Moss, professora de história do cristianismo na Universidade de Notre Dame, nos EUA, o reconhecimento da Palestina ajuda a chamar a atenção para a ameaça aos cristãos no Oriente Médio: "A defesa de grupos marginalizados é uma parte central deste papado, então é totalmente esperado que Francisco aproveitasse esta oportunidade para expressar solidariedade aos marginalizados do Oriente Médio."
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Netanyahu demite ministros e antecipa eleições em Israel
O projeto faz parte de uma ampla ofensiva da ultradireita israelense para enterrar definitivamente as negociações de paz para criar um Estado palestino e anexar a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, negando à população árabe, hoje cerca de 20% do total, os mesmos direitos dados aos judeus israelenses.
Tanto o ex-presidente Shimon Peres e de líderes de partidos moderados como Lapid e Livni são contra a ideia. Por 16 a 5, os ministros do governo Netanyahu aprovaram a proposta, encaminhando-a para votação na Knesset, o Parlamento de Israel. Seus maiores defensores são os ultradireitistas Avigdor Lieberman, ministro do Exterior, e da Economia, Natali Bennett, contrários a qualquer concessão aos palestinos.
"Nas últimas semanas e especialmente nos últimos dias, os ministros atacaram intensamente o governo que lidero", afirmou Netanyahu. "Não vou tolerar ministros atacando a política do governo e seu líder dentro do próprio governo. É impossível governar um país dessa maneira."
Lapid, um ex-apresentador de televisão que fundou um partido de centro com a clara ambição de governar Israel, é candidatíssimo à vaga de Netanyahu, que tentará mais vender a imagem de que é o único líder capaz de administrar o país num momento de grandes riscos, do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e do Estado Islâmico ao programa nuclear do Irã.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Israel apostou no conflito para atacar o Hamas
8. O conflito foi sequestrado por extremistas dos dois lados sem interesse na paz. A atual guerra é um exemplo disso. Dois sequestros bárbaros e cruéis evoluíram para uma confrontação muito maior.