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sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Ex-primeiro-ministro de Israel ordenou ataques diretos ao Irã

Em artigo no jornal conservador norte-americano The Wall Street Journal, o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett revelou que duas vezes pediu aos militares que atacassem diretamente o Irã, que está por trás de todas as milícias que atacam Israel e os Estados Unidos nesta guerra.  

Israel bombardeou intensamente o Sul da Faixa de Gaza por terra, mar e ar na sexta-feira, inclusive as cidades de Khan Yunes, a maior cidade de Gaza, Khirbath Ikhza e Rafá, na fronteira com o Egito, onde muitos civis procuravam um refúgio seguro. O total de palestinos mortos na guerra em Gaza chegou a 21.507.

O Ministério da Defesa de Israel afirmou ter destruído um túnel e esconderijo no porão de uma das casas do líder do grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) em Gaza, Yahya Sinwar, o homem mais caçado nesta guerra. Sinwar rejeitou contatos da liderança política do Hamas com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Seria uma maneira de envolver o grupo em negociações de paz, o que marginalizaria as Brigadas al-Qassem, o braço armado do grupo.

A milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) voltou a atacar Israel com drones e foguetes. Israel contra-atacou posições do grupo no Sul do Líbano. Dois bombardeios de Israel em Damasco, a capital da Síria, mataram 11 milicianos do Hesbolá, noticiou a televisão saudita Al Arabiya.

A África do Sul denunciou Israel ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por cometer "atos de genocídio". O governo israelense chamou a acusação de difamatória, "sem base factual e legal", "uma exploração desprezível e execrável do tribunal", do qual Israel não faz parte.

Qual o papel do Hamas no futuro de Gaza e do movimento nacional palestino?

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Coalizão frágil derruba Netanyahu em Israel

 O primeiro-ministro que governou Israel por mais tempo, 15 anos, superando o fundador do país, David ben Gurion, caiu. Depois de dois anos de paralisia política e quatro eleições em que nenhuma aliança conseguiu formar um governo estável, uma coalizão frágil de oito partidos que vai da extrema direita à esquerda e inclui um partido árabe afastou Benjamin Netanyahu. No domingo, por 60 a 59 votos, com uma abstenção, o ultradireitista Naftali Bennett se tornou primeiro-ministro.

Netanyahu se tornou chefe de governo de Israel pela primeira vez em junho de 1996, depois de eleições realizadas sob o impacto do assassinato, em 5 de novembro de 1995, do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, que assinara os acordos de paz de Oslo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP). 

Conservador e linha-dura, Bibi, como é chamado pelo povo, sempre relutou em fazer as concessões necessárias à paz. Como governos anteriores do partido Likud, negociou por negociar enquanto ampliava as colônias israelenses nos territórios para fazer da anexação um fato consumado. 

Na sua visão, a grande ameaça à segurança de Israel é o Irã, que tem um programa nuclear. Ele voltou ao poder em março de 2009, e ficou até o último domingo e jura que vai voltar. Enfrta quatro processos por corrupção.

Sua queda é fruto das articulações do centrista Yair Lapid, um ex-apresentador de televisão que entrou na política. Principal responsável por formar a aliança governista, ele dividiu a chefia do governo com Bennett. Cada um deve governar durante dois anos. A dúvida é se a coalizão vai resistir até chegar a vez d Lapid, o político de maior prestígio hoje em Israel.

Filho de imigrantes americanos, Bennett serviu nas Forças Armadas como oficial de inteligência que se infiltra em território inimigo para coletar informações e apontar alvos. Antes de entrar na política em 2006 como chefe de gabinete de Netanyahu, fez fortuna com empresas de informática voltadas para a segurança. É a favor da anexação da Cisjordânia, mas não tocou no assunto desde que virou chefe de governo. 

A coalizão inclui partidos pacifistas e de esquerda e um partido árabe. É a primeira vez que um partido árabe participa do governo de Israel. O partido de Bennett, Yamina (Nova Direita), é o quinto dos oito da coalizão de governo, que tem em comum dois objetivos: afastar Netanyahu e evitar a realização de novas eleições antecipadas.

Será difícil adotar posições conjuntas, sobretudo em questões de segurança como o conflito com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) ou o crescente conflito interno entre árabes e judeus. A Marcha da Bandeira, nesta-feira, organizada por ultranacionalistas na Cidada Velha de Jerusalém, será um primeiro teste.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Conflito em Gaza ameaça deflagar nova guerra no Oriente Médio

A morte de um comandante do grupo terrorista Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina, Baha Abu al-Hata, deflagra uma nova onda de foguetes contra o Sul de Israel e aumenta o risco de uma nova guerra na Faixa de Gaza.

Um bombardeio aéreo israelense matou ontem Baha Abu al-Ata em sua em Gaza. Em resposta, os grupos armados palestinos baseados no território dispararam pelo menos 360 foguetes contra o território israelense, ferindo pelo menos 63 pessoas, quase todas levemente. 
Pela primeira vez desde a guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica, o Hamas, na Faixa de Gaza, em 2014, lojas foram fechadas em Telavive, a capital econômica de Israel. A Força Aérea de Israel contra-atacou. 

Nos últimos dois dias, Israel lançou 11 ondas de ataque. Pelo menos 24 palestinos foram mortos. As autoridades israelenses devem restringir temporariamente as viagens, os transportes públicos, as escolas e o comércio na região. 

Amanhã, todas as escolas numa distância de até 40 quilômetros da Faixa de Gaza vão ficar fechadas. Meu comentário:

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Vaticano reconhece a independência da Palestina

Em uma nova iniciativa surpreendente do papa Francisco, o Vaticano anunciou hoje ter chegado a um acordo com o "Estado da Palestina", reconhecendo assim sua independência, o que irritou Israel. O tratado deve ser assinado "num futuro próximo".

A primeira oportunidade será na visita do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, ao Vaticano no sábado, véspera da canonização de duas freiras palestinas. O tratado sobre as atividades da Igreja Católica nos territórios palestinos será o primeiro documento escrito em que a Santa Sé reconhece a Palestina como um país independente.

O Vaticano já tratava a Palestina como um Estado Nacional independente desde novembro de 2012, quando a Palestina foi aceita como observadora nas Nações Unidas, disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.

"Há uma continuidade coerente", afirmou Lombardi em entrevista à televisão americana CNN. "Obviamente, este é um acordo internacional com o Estado da Palestina, então reafirma o reconhecimento."

É um momento crítico para a causa nacional palestina. Israel acaba de formar um novo governo direitista. Sob pressão do partido de ultradireita Casa Judaica, que não aceita a criação de uma Palestina independente, o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu prometeu ceder aos colonos israelenses o direito de construir e ampliar novas colônias na Cisjordânia ocupada.

Seu líder, Naftali Bennett, é contra a solução com dois países, Israel e a Palestina, convivendo lado a lado. Hoje, 135 dos 193 países-membros da ONU reconhecem a independência da Palestina, que na pratica fica mais distante.

Desde que foi eleito papa em março de 2003, Francisco pressionou as potências ocidentais a não bombardear a Síria, acolheu os homossexuais na Igreja, irritou a Turquia ao reconhecer como genocídio a matança de 1,5 milhão armênios em 1915-16, durante a Primeira Guerra Mundial e ajudou nas negociações de bastidores que levaram ao reatamento entre os EUA e Cuba.

Em junho de 2004, o papa recebeu Abbas e o ex-presidente de Israel Shimon Peres para um momento de oração em Roma. Recentemente, Francisco protestou contra a perseguição aos cristãos pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Para Candida Moss, professora de história do cristianismo na Universidade de Notre Dame, nos EUA, o reconhecimento da Palestina ajuda a chamar a atenção para a ameaça aos cristãos no Oriente Médio: "A defesa de grupos marginalizados é uma parte central deste papado, então é totalmente esperado que Francisco aproveitasse esta oportunidade para expressar solidariedade aos marginalizados do Oriente Médio."

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Netanyahu demite ministros e antecipa eleições em Israel

Em meio à crise provocada pelo projeto para declarar Israel oficialmente um "Estado judaico", o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu demitiu hoje os ministros das Finanças, Yair Lapid, e da Justiça, Tzipi Livni, contrários à proposta, e dissolveu o Parlamento. Cabe agora ao presidente convocar eleições antecipadas.

O projeto faz parte de uma ampla ofensiva da ultradireita israelense para enterrar definitivamente as negociações de paz para criar um Estado palestino e anexar a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, negando à população árabe, hoje cerca de 20% do total, os mesmos direitos dados aos judeus israelenses.

Tanto o ex-presidente Shimon Peres e de líderes de partidos moderados como Lapid e Livni são contra a ideia. Por 16 a 5, os ministros do governo Netanyahu aprovaram a proposta, encaminhando-a para votação na Knesset, o Parlamento de Israel. Seus maiores defensores são os ultradireitistas Avigdor Lieberman, ministro do Exterior, e da Economia, Natali Bennett, contrários a qualquer concessão aos palestinos.

"Nas últimas semanas e especialmente nos últimos dias, os ministros atacaram intensamente o governo que lidero", afirmou Netanyahu. "Não vou tolerar ministros atacando a política do governo e seu líder dentro do próprio governo. É impossível governar um país dessa maneira."

Lapid, um ex-apresentador de televisão que fundou um partido de centro com a clara ambição de governar Israel, é candidatíssimo à vaga de Netanyahu, que tentará mais vender a imagem de que é o único líder capaz de administrar o país num momento de grandes riscos, do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e do Estado Islâmico ao programa nuclear do Irã.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Israel apostou no conflito para atacar o Hamas

Em meio a mais uma guerra no Oriente Médio, a questão que se coloca é quem tem responsabilidade por mais uma matança entre israelenses e palestinos. Vamos aos fatos e a uma tentativa de interpretá-los:

1. Três adolescentes israelenses foram sequestrados e mortos em junho de 2014 na Cisjordânia ocupada por terroristas palestinos.

2. Por vingança, um adolescente palestino foi sequestrado e queimado vivo por colonos no setor oriental (árabe) de Jerusalém, progressivamente colonizado por Israel na política de tornar a ocupação um fato consumado e irreversível.

3. O governo linha-dura de Israel acusou coletivamente o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) sem apresentar provas concretas, alegando que o grupo aplaudiu os assassinatos. Punição coletiva é crime previsto no direito internacional. Os nomes de dois militantes foram citados como responsáveis. Mais de 500 membros do Hamas foram presos. Na minha visão, é evidente que o primeiro-ministro Netanyahu aproveitou o sequestro para atacar o Hamas, bombardear o acordo de reconciliação nacional entre a Fatah e o Hamas, e assim minar o processo de paz mediado pelos EUA, que ainda me parece a melhor solução para o fim do conflito, com a criação de um Estado nacional palestino convivendo pacificamente com Israel.

4. Sem outra arma para atingir Israel, o Hamas e aliados começaram a lançar foguetes de Gaza no início de julho. É óbvio que Israel tem o direito de se defender, mas essa estratégia de defesa em que a cada dois anos ou quatro anos Israel invade Gaza e massacra a população local evidentemente não funciona. Não garante a segurança de Israel a longo prazo. Mas o governo Benjamin Netanyahu não vê os palestinos como uma ameaça à existência de Israel. Afinal, eles não têm Estado nacional, Exército, Forças Armadas etc. Sua obsessão é com o programa nuclear do Irã. Tem razão ao temer a bomba iraniana, mas a paz com os palestinos tiraria um importante instrumento de propaganda dos terroristas interessados em destruir Israel.

5. Assim, parece evidente que este governo de Israel não quer a paz com os palestinos. Dois importantes ministros e líderes de partidos de extrema direita, o chanceler Avigdor Lieberman (Israel Nossa Casa) e o ministro da economia, Natali Bennett (Casa Judaica) defendem abertamente a reocupação de Gaza, que incorporaria mais 1,8 milhões de árabes à população israelense. Em futuro breve, os judeus seriam minoria em Israel.

6. Placar atual da mortandade: 545 palestinos e 27 israelenses mortos.

7. O risco para Israel, numa região em que proliferam grupos jihadistas como o Estado Islâmico, Jihad Islâmica e a Frente al-Nusra, é que a destruição do Hamas crie um vácuo político no movimento fundamentalista capaz de ser ocupado por jihadistas aliados da rede terrorista Al Caeda ainda mais radicais. A Jordânia já pediu ajuda militar a Israel, caso seja atacada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Dá para imaginar o Exército de Israel lutando ao lado de um Exército árabe contra extremistas muçulmanos? Se isso realmente acontecer algum dia, será melhor para Israel ter feito a paz com os palestinos antes.

8. O conflito foi sequestrado por extremistas dos dois lados sem interesse na paz. A atual guerra é um exemplo disso. Dois sequestros bárbaros e cruéis evoluíram para uma confrontação muito maior.