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sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Novo presidente da Argélia carece de legitimidade

Com 58% dos votos pela contagem oficial, o ex-primeiro-ministro Abdelmajid Tebboune foi eleito ontem presidente da Argélia numa eleição com participação de apenas 41% dos eleitores, a menor da história do maior país da África. Milhares de pessoas saíram às ruas para protestar por desconfiar do resultado oficial.

A Argélia é o país mais rico do Norte da África em renda média por habitante. Rica em petróleo, tem um sistema político controlado até hoje pela Frente de Libertação Nacional (FLN), que liderou a guerra da independência, de 1954 a 1962.

Esta eleição presidencial, realizada sob a pressão das ruas, não muda o equilíbrio de forças dentro do regime nem resolve os problemas econômicos. A Argélia enfrenta uma insatisfação sem precedentes dos jovens, oposicionistas e ativistas, que vão se unir para desafiar o novo governo.

Qualquer dos cinco candidatos autorizados a concorrer seria rejeitado pelo movimento de protesto Hirak, criado em 16 de fevereiro deste ano para lutar contra um quinto mandato para o presidente Abdelaziz Bouteflika, por causa de suas ligações com o regime. O movimento exige um novo processo eleitoral e medidas concretas de combate à corrupção.

Se os argelianos continuarem saindo às ruas, os militares e o governo interino terão de decidir se usam a força para dispersar as manifestações, o que evitaram nos últimos dez meses.

Tebboune cita a prisão de seu filho meses atrás para se apresentar como adversário do sistema político, mas é considerado próximo do comandante das Forças Armadas e homem-forte do regime, general Ahmed Gaid Salah.

Outro desafio do novo governo será recuperar a economia, abalada desde a forte baixa nos preços do petróleo a partir de junho de 2014. As exportações de gás e petróleo caíram 12,5% neste ano.

O presidente eleito prometeu na campanha aumentar os salários baixos e diminuir a carga de impostos para os mais pobres. Para recuperar a economia, vai precisar atrair investimentos e reformar o setor de energia. A abertura ao capital estrangeiro e a promessa de cortar 9% dos gastos públicos em 2020 devem provocar reações negativas.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Queda na produção de petróleo agrava crise na Venezuela

A produção de petróleo da Venezuela caiu dois terços em um ano e meio. Caiu de 1,5 milhão para 500 mil barris diários, informou na terça-feira, 14 de maio, o boletim de notícias Argus, especializado em matérias-primas. O país extrai hoje apenas 500 mil barris por dia de suas imensas reservas, as maiores do mundo.

Em abril, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) estimou a produção venezuelana em 770 mil barris por dia. Uma redução desta ordem, se confirmada, será mais uma péssima notícia para a ditadura de Nicolás Maduro.

A forte queda é atribuída ao aumento das sanções impostas pelos Estados Unidos, que incluem a importação de petróleo venezuelano e a exportação dos diluentes que a companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA) usada para misturar ao óleo pesado que produz e torná-lo próprio para a exportação.

A primeira rodada de sanções dos EUA pressionou uma produção de petróleo abalada por problemas estruturais generalizados, com fuga de mão de obra especializada, falhas de manutenção e a corrupção endêmica do regime chavista.

Um declínio ainda maior na indústria petrolífera da Venezuela é esperada quando as sanções secundárias começarem a ser sentidas. Os EUA proibiram empresas e indivíduos que não moram no país de fazer negócios com a PdVSA, sob pena de não poderem atuar no mercado americano.

Até o final de 2020, a produção pode baixar para 375 mil barris por dia. No pico, em 1998, a Venezuela chegou a produzir mais de 3 milhões de barris por dia.

Como o principal é o único produto de exportação importante da Venezuela e a principal fonte de arrecadação do governo, o virtual colapso do setor agrava ainda mais a situação.

O país vive a pior crise de sua história, com inflação 1.300.000% no ano passado, previsão de 10.000.000% neste ano, queda do produto interno bruto pela metade em cinco anos e desabastecimento generalizado.

Com a crise política, dois governos, a pressão internacional sobre Maduro e a piora da economia, a Venezuela afunda cada vez mais no caos.

domingo, 23 de setembro de 2018

Crise do multilateralismo abre espaço para ascensão da China

Com o sistema multilateral sob ataque do presidente dos Estados Unidos, país que o criou no fim da Segunda Guerra Mundial para garantir a paz através de uma gestão coletiva, fica mais difícil a gestão de crises internacionais e abre-se espaço para aumento da influência da China. 

O tema foi discutido na sexta-feira na 15ª Conferência do Forte de Copacabana, realizada no Hotel Sheraton, no Rio de Janeiro, pela Fundação Konrad Adenauer, o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Delegação da União Europeia no Brasil.

Na abertura do evento, o embaixador da UE em Brasília, o português João Gomes Cravinho destacou a importância do multilateralismo para enfrentar crises internacionais como as ondas de refugiados e a mudança do clima.

Há uma cisão da aliança atlântica entre a Europa e a América do Norte, que foi a base da ordem internacional liberal do pós-guerra, fruto de "mudanças de longo prazo na sociedade europeia" e do "realinhamento dos EUA", falou o deputado federal democrata-cristão alemão Andreas Nick.

"A coordenação da sociedade internacional é fundamental" para a gestão de crises, declarou a professora Monica Herz, do Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (IRI-PUC-RJ).

Monica identifica uma "crise profunda do multilateralismo", uma "crise da democracia liberal, com eleitos distantes do povo", e "a crise de pós-verdade", o mundo maravilhoso ou enganoso em que cada um constrói seu próprio discurso e sua própria realidade, com "fatos alternativos", como disse Kellyane Conway, assessora de comunicação do presidente Trump.

"Precisamos fortalecer a cooperação multilateral. Precisamos fazer mais por um sistema baseado em normas e regras", observou o moderador do painel, o embaixador da Áustria no Brasil, Georg Witschel.

"Há uma necessidade de ter ideias comuns, construir confiança, mobilizar recursos e ideias", acrescentou Monica Herz, "a construção de uma narrativa comum baseada na confiança e no humanismo, inclusiva, para criar legitimidade."

"É preciso buscar valores comuns", argumentou o professor Raúl Benítez Manaut, do Centro de Pesquisas sobre a América do Norte da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). "Preocupa-me o renascimento do nacionalismo, o ódio a Trump no México."

Com os Estados Unidos introvertidos com o nacionalismo de Trump e a Europa voltada para a África e o Oriente Médio, raciocinou Benítez, "a China é a única grande potência emergente na América Latina".

A região enfrenta o "colapso do Estado na Venezuela", uma crise econômica na Argentina e uma tragédia na Nicarágua com a repressão do governo Daniel Ortega contra uma onda de manifestações, com mais de 500 mortes. Em comparação, "se fosse no Brasil, seriam 15 mil mortos".

O pesquisador mexicano defendeu um esforço diplomático, político, econômico e ecológico pela ordem internacional liberal. Em meio a uma guerra comercial de consequências imprevisíveis para o sistema internacional deflagrada por Trump, Benítez propõe isolar os "perturbadores".

O recuo estratégico dos EUA, concluiu Monica Herz, "abre espaço para a China".

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Desemprego na Coreia do Sul sobe ao maior nível desde auge da crise

O índice de desemprego da Coreia do Sul subiu de 3,8% em julho para 4,2% em agosto, o maior nível desde o pico de 4,7% em janeiro de 2010, no auge da Grande Recessão mundial deflagrada pela falência do banco Lehman Brothers, em 14 de setembro de 2008.

É mais um golpe no presidente Moon Jae In, que prometeu impulsionar o mercado de trabalho com um orçamento multibilionário. A população economicamente ativada da Coreia do Sul cresceu 0,5% nos últimos 12 meses, enquanto a população inativa aumentou 0,7%.

Em maio, o Parlamento sul-coreano aprovou um orçamento suplementar de US$ 3,5 bilhões para tentar atacar o problema crônico do desemprego entre os jovens. Com uma renda média por habitante de US$ 39,3 mil por ano, duas vezes e meia maior do que a do Brasil, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Coreia do Sul enfrenta problemas do crescimento.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Puigdemont exige diálogo da Espanha com separatistas da Catalunha

Sem acenar com qualquer tipo de reconciliação, o ex-governador regional da Catalunha Carles Puigdemont, em mensagem de Ano Novo, feita na Bélgica, onde está refugiado, exigiu do governo da Espanha a abertura de negociações sobre a independência da Catalunha, noticiou o jornal catalão La Vanguardia.

"Fracassada a receita da violência, da repressão e do artigo 155, há de começar a era do diálogo e da negociação. É o momento de aceitar o mandato de 21 de dezembro, de retificar, restaurar tudo aquilo que destituíram sem permissão dos catalãoes", declarou Puigdemont, do alto de sua arrogância e incompetência, que muito contribuíram para a crise atual.

O movimento pela independência conquistou maioria absoluta de 70 das 135 cadeiras no Parlament nas eleições antecipadas pela intervenção do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy. Madri suspendeu a autonomia regional da Catalunha com base no artigo 155 da Constituição da Espanha.

Sob acusação de sedição, rebelião e traição à pátria, por convocar um plebiscito ilegal e impedir a ação da Guarda Civil,os ex-governantes catalães estão sendo processados. Puigdemont saiu da Espanha para não ser preso, enquanto o vice-governador Oriol Junqueras está detido em Madri.

A lista Juntos pela Catalunha, liderada por Puigdemont, foi o partido mais votado do bloco separatista. Por isso, ele se considera no direito de voltar à chefia do governo.

Do outro lado, o primeiro-ministro conservador Rajoy não mostra intenção de ceder nem um milímetro do território espanhol ao movimento nacionalista catalão. O governo usa a Constituição de 1978, que democratizou a Espanha depois da ditadura do generalíssimo Francisco Franco (1936-75). Ela exige que todo o país vote em plebiscitos sobre a independência.

Depois de denunciar a repressão ao plebiscito e a prisão de dirigentes políticos nacionalistas, Puigdemont desafiou Rajoy: "O governo espanhol tem uma nova oportunidade de se comportar como uma democracia europeia que diz ser" e "comece a negociar politicamente com o governo legítimo da Catalunha."

O governador deposto destacou o "êxito democrático histórico" das últimas eleições, onde a participação beirou 82%. Puigdemont não revelou se pretende voltar da Bélgica para assumir sua cadeira no novo Parlament, mas prometeu que no próximo Ano Novo vai falar do Palau de la Generalitat, a sede do governo catalão.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Déficit público de Portugal caiu para 1,9% do PIB no primeiro semestre

Com aumento de 4,3% na arrecadação e de apenas 0,4% nas despesas públicas, o déficit público de Portugal de janeiro e agosto de 2017 ficou em 2,034 bilhões de euros, 1,9 bilhão a menos do que no mesmo período do ano passado, informou o jornal Diário de Notícias. O Ministério das Finanças já aposta no cumprimento da meta do programa de estabilização, de um déficit 1,5% do produto interno bruto.

De acordo com o ministério, o superávit primário, descontado o pagamento de juros, foi de 3,734 bilhões de euros. A receita com impostos subiu 6%, o dobro do previsto no orçamento português, com alta de 7,2% na receita do imposto sobre valor agregado (IVA), de 24,7% no imposto de renda e de 6,2% nas contribuições previdenciárias.

O déficit público de 2016 foi ligeiramente reduzido, de 2% para 1,98% e a previsão de crescimento para este ano elevada para 3%. Mas a dívida pública ainda é elevada. Caiu de 130% do PIB no ano passado para 127,7%.

No ano passado, o PIB de Portugal foi equivalente a US$ 204,6 bilhões, com renda média de US$ 19,8 mil para seus 10,32 milhões de habitantes.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Venezuela deu calote de US$ 1 bilhão na Rússia

Enquanto se esforça para cumprir os compromissos com o sistema financeiro internacional, o president Nicolás Maduro dá calote nos aliados. A Venezuela deixou de pagar à Rússia US$ 1 bilhão, forçando o governo Vladimir Putin a revisar o orçamento para 2017, noticiou hoje o jornal Latin American Herald Tribune.

O Comitê de Auditoria da Rússia confirmou o calote a jornalistas russos. A emenda ao orçamento cita a queda de 53,9 bilhões de rublos, cerca de US$ 950 milhões, no ingresso de divisas "associada ao fracasso da República Bolivarista da Venezuela de honrar os termos do protocolo intergovernamental russo-venezuelano nº 23/26, de setembro de 2016."

Por este acordo, a Rússia concordou em renegociar uma dívida de US$ 2,84 bilhões, com o reescalonamento de US$ 530 milhões de 2019 a 2021. Os outros US$ 2,2 bilhões seriam pagos em cinco anos. A primeira parcela, de US$ 362 milhões, era devida em 31 de março de 2017. Não foi paga.

O empréstimo original, de US$ 4 bilhões, foi concedido pela Rússia ao então presidente Hugo Chávez, em 2011, principalmente para a compra de armas e equipamentos militares. O governo russo aceitar renegociar em setembro do ano passado por causa de uma "crise de liquidez" na Venezuela e das "relações de amizade" entre os dois países.

A Venezuela vive a pior crise de sua história independente, com inflação de 900% ao ano, queda de mais de 20% no produto interno bruto nos últimos dois anos e desabastecimento de 80% dos produtos básicos, inclusive remédios e alimentos.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Mortalidade materno-infantil dá um salto na Venezuela

Com a profunda crise econômica e a escassez de 85% dos medicamentos, a mortalidade infantil cresceu 30% e a a materna 66% no ano passado na Venezuela. Os casos de malária subiram 76%. Os dados são do Ministério da Saúde e não eram divulgados há dois anos.

A queda nos preços do petróleo e o fracasso da políticas de controle de preços e câmbio do "socialismo do século 21" causaram a pior crise econômica da história da república na Venezuela. Além da inflação de 800% ao ano e da queda de mais de 20% do produto interno bruto nos últimos anos, há um desabastecimento generalizado, de papel higiênico, arroz e óleo de cozinha até medicamentos. O impacto sobre a saúde pública é devastador.

No ano passado, a morte de crianças com até um ano de idade subiu 30% para 11.466 bebês, enquanto o total de mãe que morreram até 42 dias depois do parto aumentou em 66% para 756 mortes.

Desde o início da abril, depois que o Tribunal Supremo de Justiça, dominado pelo regime chavista, tentou fechar a Assembleia Nacional, controlada pela oposição, manifestantes protestam diariamente nas ruas de Caracas e outras cidades venezuelanas exigindo a saída do presidente Nicolás Maduro e a realização de uma nova eleição presidencial. Pelo menos 39 pessoas foram mortas nos protestos.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Taxa de desemprego nod EUA cai para 4,6%

A economia dos Estados Unidos gerou 178 mil vagas de emprego a mais do que fechou em novembro de 2016, anunciou hoje o Departamento do Trabalho. A taxa de desemprego caiu de 4,9% para 4,6%. É a menor em nove anos, desde agosto de 2007, antes do início da Grande Recessão (2008-9).

Os analistas esperavam 180 mil empregos e 4,9%. Em outubro, o saldo foi de 142 mil postos de trabalho. Houve uma pequena queda de 0,1% na média dos salários, que cresceu 2,5% na comparação anual.

A queda na taxa de desemprego indica ao mesmo tempo avanço no emprego e que cerca de 400 mil desempregados desistiram de procurar emprego, saindo da força de trabalho. O índice de desemprego amplo, incluindo o subemprego (trabalho temporário e bicos), caiu de 9,5% para 9,3%. Nos dois anos anteriores à crise, 2006 e 2007, ficou na média de 8,3%.

A participação das pessoas em idade de trabalhar no mercado de trabalho baixou de 62,8% para 62,7%. Na faixa etária mais produtiva, de 25 a 54 anos, a queda foi de 81,6% para 81,4%.

O setor com maior aumento de empregos nos últimos 12 meses foi o de serviços profissionais e empresariais, com 571 mil vagas, seguido de saúde, com 407 mil. A indústria manufatureira fechou 54 mil postos de trabalho e a mineração, 87,3 mil. O presidente eleito, Donald Trump, promete restaurar o emprego na indístria.

"Este relatório de emprego abre caminho para aumento nas taxas de juros", comentou Jason Schenker, diretor-presidente da consultoria Prestige Economics. "É a coroação de uma série contínua de dados econômicos positivos."

Para o jornal inglês Financial Times, a aposta do mercado financeiro numa alta de juros na próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto da Reserva Federal (Fed), o comitê de política monetária do banco central dos EUA, em 13 e 14 de dezembro, se aproxima dos 100%.

Seria o segundo aumento em uma década, desde junho de 2006. Em dezembro de 2008, o Fed praticamente zerou sua taxa básica para 0-0,25% ao ano. Há um ano, fez um pequeno aumento para uma faixa de 0,25%-0,5% ao ano.

No início do ano, a expectativa era de até quatro altas de juros nos EUA em 2016. Os problemas da China e outros sinais de fraqueza da economia mundial reduziram a aposta para duas altas. Esta agora é dada como certa.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Globalização recua com a crise no Ocidente

Diante da aprovação da saída do Reino Unido na União Europeia no plebiscito de 23 de junho de 2016 e da vitória do nacionalismo de Donald Trump na eleição presidencial nos Estados Unidos, fica evidente a reação negativa das classes média e baixa com as perdas sofridas pelo processo de globalização econômica.

Enquanto a renda dos ricos que vendem para o mercado mundial cresce exponencialmente, a renda dos trabalhadores não registra aumentos significativos há décadas nos países ocidentais, fomentando reações nacionalistas e protecionistas que ameaçam a ordem internacional liberal construída sob a liderança dos EUA desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Desde a Grande Recessão, o crescimento do comércio internacional caiu sensivelmente. O valor das transações de bens e serviços subiu cerca de 60% de 2005 a 2015, mas sofreu uma forte queda no ano passado, depois de avanços medíocres de 2011, quando se agrava a crise da UE, a 2014, indicam dados da OMC (Organização Mundial do Comércio).

A principal causa da queda no ano passado foi a redução de 45% nos preços de energia. O comércio exterior sofreu uma baixa de quase 20% em 2009, no auge da crise econômica e financeira internacional. Recuperou-se nos anos seguintes, com avanços de 20% em 2010 e de mais de 15% em 2011. Ficou praticamente estagnado em 2012 e cresceu em média 2,2% em 2013 e 2014.

No ano passado, o valor das exportações caiu em mais de 10% e as importações um pouco abaixo disso.

A América do Norte, a Ásia e a Europa foram responsáveis por mais de 88% do comércio de bens entre os agora 164 países-membros da OMC nos últimos dez anos. As dez maiores potências comerciais são responsáveis por 52% do comércio internacional.

Mesmo assim, a participação dos países em desenvolvimento subiu de 33% em 2005 para 42% em 2015. O comércio entre países em desenvolvimento passou de 41% para 52% de seu comércio total. E a participação das economias em desenvolvimento chegou a 42% do comércio internacional de bens em 2015.

No setor de serviços, as dez maiores potências fizeram 53% das transações internacionais e os países em desenvolvimento 36%. A exportação de serviços somou US$ 4,68 trilhões em 2015.

Por ironia da história, com o sucesso da campanha nacionalista e protecionista do presidente eleito Donald Trump nos EUA, coube ao líder da China comunista, Xi Jinping, a defesa do livre comércio durante a reunião de cúpula anual do fórum Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC), realizada no fim de semana em Lima, no Peru.

As reuniões de cúpula da APEC começaram no governo Bill Clinton, em 1993, marcando uma virada dos EUA para o Oceano Pacífico, onde estão hoje as economias mais dinâmicas do mundo. O presidente Barack Obama tentou institucionalizar as regras do comércio na região com a Parceria Transpacífica (TTP). Diante da rejeição de Trump, o atual governo parou o processo de ratificação no Congresso dos EUA.

Trump promete renegociar os acordos comerciais dos EUA, que considera lesivos, e ameaça impor tarifas pesadas às importações da China, responsáveis pela maior parte do déficit comercial americano, que no ano passado foi de US$ 532 bilhões. Corre o risco de deflagrar uma guerra comercial de consequências negativas e imprevisíveis.

O presidente eleito ignora as lições da história. Ao mesmo tempo, a integração europeia, um projeto para suplantar os nacionalismos culpados por duas guerras mundiais, um modelo para uma globalização social-democrata em que os ricos financiem o desenvolvimento das regiões mais pobres, enfrenta sua pior crise.

No fim da Segunda Guerra Mundial, o presidente Franklin Delano Roosevelt lançou as bases da ordem internacional econômica liberal do pós-guerra na Conferência de Bretton Woods, em 1944, criando o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e o sistema multilateral de comércio.

Roosevelt sabia que o esforço de guerra havia sido decisivo para acabar com a Grande Depressão (1929-39), a maior crise da história do capitalismo. Temia a volta da depressão e conflitos comerciais capazes de deflagrar uma nova guerra mundial.

Assim, o FMI socorreria países em dificuldades com o balanço de pagamentos para que não abandonassem o comércio internacional. O Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, hoje mais conhecido como Banco Mundial, financiou a recuperação no pós-guerra e depois passou a financiar o desenvolvimento.

A globalização não vai acabar porque é consequência do desenvolvimento das tecnologias de comunicações e de transportes. Só pode ser destruída por uma guerra nuclear de grandes proporções. Na era da Internet, o mundo está cada vez mais conectado.

Mas a volta do nacionalismo nos EUA de Trump, na China de Xi, na Rússia de Vladimir Putin, na Índia de Narendra Modi, no Reino Unido de saída da UE e a ascensão da extrema direita na Europa criam um mundo menos solidário, mais instável e perigoso.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Fed mantém taxas de juros mas indica aumento em breve

O Comitê de Mercado Aberto da Reserva Federal (Fed), o comitê de política monetária do banco central dos Estados Unidos, decidiu hoje manter inalterada sua taxa básica de juros numa faixa de 0,25% a 0,5% ao ano, mas sinalizou um provável aumento ainda neste ano.

Nove dos 10 membros do comitê votaram a favor da manutenção da taxa atual, mas o Fed apontou uma redução dos riscos de curto prazo para a economia americana e a retomada na recuperação do mercado de trabalho depois da geração de apenas 87 mil empregos em maio.

A taxa básica foi elevada em dezembro do ano passado. Estava congelada desde dezembro de 2008 em 0-0,25% para combater a Grande Recessão de 2008-9.

No início do ano, a expectativa dos economistas era de quatro altas rumo à normalização da política monetária. Com a desaceleração da China, o Fed preferiu adotar a cautela. O mercado passou a apostar em duas altas.

Depois do plebiscito que aprovou a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), outro choque na economia internacional, a expectativa passou a ser de uma alta. Agora, os analistas acreditam que possa vir em setembro, um sinal de que o Fed confia na estabilidade da recuperação dos EUA, apesar das turbulências externas.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Presidente do parlamento da Venezuela denuncia ameaça de golpe

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, deputado Henry Ramos Allup, alertou ontem que uma parte das Forças Armadas está tramando um golpe contra o presidente Nicolás Maduro, noticiou o jornal venezuelano El Nacional.

Ramos Allup acusou o governo de tentar adiar a convocação de um referendo revogatório do mandato presidencial de Maduro e as eleições para governadores estaduais.

Com a economia em recessão profunda, inflação acima de 200% ao ano e desabastecimento generalizado, há fissuras na sociedade, no partido e no governo.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Venda de casas novas aumentou 2% nos EUA em fevereiro

A venda de unidades residenciais novas subiu 2% em fevereiro de 2016 nos Estados Unidos, projetando um total de 512 mil novas casas e apartamentos num ano, ligeiramente acima da expectativa dos analistas, anunciou na quarta-feira o Departamento de Comércio.

Em janeiro, o ritmo de vendas projetava a construção de 502 mil casas por ano. Os economistas previam 510 mil em fevereiro.

Apesar do ganho mensal, na comparação anual, a venda de casas novas ficou 6% abaixo do nível de fevereiro de 2015. Os imóveis novos representam 7% do setor habitacional do mercado imobiliário americano.

O preço médio de uma casa nova subiu 6,2% para US$ 301 mil. O estoque de imóveis residenciais novos a venda em fevereiro aumentou 1,7% para 240 mil unidades. É o maior desde outubro de 2009, em plena crise.

Como a Grande Recessão (2008-9) começou no setor habitacional do mercado imobiliário, ele tem sido observado de perto como indicador da recuperação econômica dos EUA.

quinta-feira, 10 de março de 2016

BCE anuncia novos estímulos na Zona do Euro

Para combater a deflação e a estagnação nos 19 países da União Europeia que usam o euro como moeda, o Banco Central Europeu (BCE) reduziu a zero hoje sua taxa básica de juros e aumentou para 80 bilhões por mês a compra de títulos no mercado financeiro para colocar mais dinheiro em circulação.

A taxa de depósito, que os bancos pagam para guardar suas reservas no BCE, passou da 0,3% para 0,4% ao ano. Normalmente, os bancos centrais pagam por isso. No momento, o BCE adota uma taxa de depósito negativa, que foi de -0,3% para -0,4%.

Assim, os bancos pagam para depositar o dinheiro no banco central. O objetivo é que ofereçam mais crédito no mercado. A taxa básica estava em 0,05%, praticamente zerada.

Depois de cair para US$ 1,08, o euro se recuperou, quando o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, declarou os juros ficarão baixos por longo prazo e podem cair ainda mais. Fechou acima de US$ 1,12, a maior cotação em três semanas. A Bolsa de Frankfurt chegou a subir 3%. Fechou em alta de 2,3%. A Bolsa de Paris avançou 2,57%.

Sob pressão da disciplina fiscal imposta pela Alemanha, o BCE foi o último dos grandes bancos centrais do mundo a comprar papéis no mercado financeiro para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação. É um incentivo monetário possível quando as taxas de juros estão perto de zero.

O produto interno bruto da Zona do Euro ainda não superou o nível anterior à Grande Depressão de 2008-9. Seu baixo crescimento é atribuído aos juros baixíssimos e à queda nos preços do petróleo, já que seus países são importadores.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Comércio internacional sofre maior queda desde auge da crise

Com a queda na demanda nos países emergentes, abalados pela queda nos preços dos produtos primários, o comércio internacional sofreu em 2015 sua maior queda desde o auge da Grande Recessão, em 2009. O valor dos bens negociados no ano passado caiu 13,8% em dólares, informou o Monitor do Comércio Mundial do Escritório de Análises de Política Econômica da Holanda.

Os dados divulgados ontem são a primeira radiografia do comércio em 2015. A maior parte da queda se deve à desaceleração na China e à crise em outros países emergentes, como o Brasil. Ao mesmo tempo, os números são um alerta para riscos da economia mundial em 2016, quando a situação está se deteriorando ainda mais.

As exportações da China para o Brasil em contêineres caíram 60% em janeiro de 2016 em relação a janeiro de 2015, enquanto o volume total de importações chinesas do Brasil foi reduzido à metade, pelos cálculos da empresa Maersk Line, maior empresa de transporte marítimo de cargas do mundo.

Em volume, o comércio internacional cresceu 2,5% no ano passado. Mesmo assim, ficou abaixo do crescimento mundial, de 3,1%. Antes da crise de 2008, o comércio avançava num ritmo duas vezes mais forte do que o crescimento.

Essas preocupações estão no centro da reunião de dois dias de ministros das Finanças e diretores de bancos centrais dos países do Grupo dos Vinte (G-20), que reúne os 19 países mais ricos do mundo e a União Europeia (UE). O presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, adverte para o risco da economia mundial "ficar presa numa armadilha de baixo crescimento, inflação baixa e taxas de juros baixas".

Há um consenso de que a ação dos bancos centrais não basta para superar a crise. Isso depende de uma ação mais decidida das autoridades políticas para mobilizar recursos para estimular o crescimento.

A boa notícia para o Brasil é o aumento das exportações para a Ásia, beneficiadas pela baixa de 40% na cotação do real em relação ao dólar nos últimos 12 meses.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Fed sinaliza que pode aumentar juros em dezembro

O Comitê de Mercado Aberto da Reserva Federal (Fed) decidiu hoje manter inalteradas suas taxas básicas de juros, praticamente zeradas desde dezembro de 2008 para combater a Grande Recessão, mas admitiu a possibilidade de um aumento na última reunião de 2015, em dezembro.

No final de um encontro de dois dias, o comitê de política monetária do banco central dos Estados Unidos declarou que nas últimas semanas ficou menos preocupado com a turbulência nos mercados financeiros e na incerteza econômica no exterior.

O Fed reconhece uma desaceleração no ritmo de contratações no mercado de trabalho americano, mas observou ganhos sólidos no investimento e no consumo doméstico.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Governo Maduro é rejeitado por 82,7% dos venezuelanos

Sob o impacto de uma inflação que se aproxima de 200% ao ano e desabastecimento generalizado, 82,7% dos venezuelanos consideram ruim ou péssimo o governo de Nicolás Maduro e apenas 16,7% têm uma imagem positiva, indica uma pesquisa realizada pela empresa Hercon Consultores.

Na pesquisa, realizada com 1,2 mil eleitores de 5 a 20 de setembro, 51,2% dos que se declaram partidários do chavismo avaliaram negativamente o presidente Maduro, responsabilizando o sucessor de Hugo Chávez pela crise econômica e social.

Em geral, 63% responsabilizam o governo pela crise; 12,1% culpam o "socialismo do século 21"; 10,1%, a oposição; 8,5%, a corrupção; e 3,3%, o setor privado.

O desabastecimento e a escassez (38,1%) e a insegurança (30,9%) foram apontados como os dois maiores problemas da Venezuela, acrescenta a pesquisa citada no boletim digital Dolar Today, que informa a cotação do mercado paralelo: 829,02 bolívares.

As pesquisas para as eleições parlamentares de 6 de dezembro dão uma vantagem de 20 pontos percentuais à oposição. Como o governo não está preparado para entregar o poder, Maduro deve tentar alguma manobra para adiar o pleito ou impor estado de emergência, como fez em dois estados na fronteira com a Colômbia. Também está alimentando uma disputa territorial com a República da Guiana na região de Essequibo. A Venezuela reivindica 74% do território da Guiana.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Bolsa de Nova York fecha no menor nível em um ano e meio

NOVA YORK - Depois de cair mil pontos na abertura das negociações, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, terminou hoje em baixa de 588 pontos (3,57%), acumulando queda de 1.447 pontos ou 9% em três dias para fechar no menor nível em um ano e meio em 15.871,35.

Desde o pico, em maio, o Índice Dow Jones recuou 10%. Mais de 13,9 milhões de ações foram vendidas nesta segunda-feira, o maior volume desde agosto de 2011. Todas as ações caíram. A bolsa Nasdaq, de ações de empresas de alta tecnologia, sofreu desvalorização de 10% nos últimos três dias.

A principal causa do pânico nos mercados do mundo inteiro foi a perda de 8,49% na Bolsa de Valores de Xangai, na China, que caiu 37% nas últimas semanas. Há o temor de problemas mais sérios na segunda maior economia do mundo do que o regime comunista chinês admitiu até agora.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Maduro manda fechar fronteira com a Colômbia

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, mandou fechar a fronteira com a Colômbia por 72 horas a partir de hoje, sob a alegação de que grupos paramilitares colombianos emboscaram três soldados venezuelanos em Santo Antônio, no estado de Táchira, na Venezuela, reportou o jornal colombiano El Espectador.

O governador de Táchira, José Gregorio Vielma Mora, declarou que os soldados foram feridos numa operação contra o contrabando. A Venezuela já fechou sua fronteira em outras ocasiões, geralmente por apenas algumas horas.

A escassez de alimentos é um problema na Venezuela há anos. Com a queda nos preços do petróleo desde 2014, a crise se agravou. A inflação ronda os 100% e pode chegar a 200% ao ano. O desabastecimento atinge uma grande quantidade de alimentos, medicamentos e outros produtos básicos.

Há três meses e meio das eleições parlamentares, o regime chavista luta desesperadamente para aumentar sua popularidade nas pesquisas, que indicam a vitória da oposição em 6 de dezembro. Os inimigos externos são fantasmas de que o arqui-incompetente usa para acusar a oposição de traição à pátria.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

EUA devem aumentar juros neste ano, diz presidente do Fed

Com a recuperação da economia, apesar das ameaças externas com a China e a Grécia, os Estados Unidos devem aumentar ainda neste as taxas básicas de curto prazo, previu hoje a presidente da Reserva Federal (Fed), o banco central do país, Janet Yellen. A expectativa do mercado é de uma alta em setembro.

"Se a economia evoluir como esperamos, é provável que as condições econômicas tornem apropriado em algum momento deste ano aumentar a taxa dos fundos federais, começando a normalizar a política monetária", declarou Yellen em depoimento ao Congresso dos EUA para fazer sua prestação de contas semestral.

As taxas básicas de juros da economia americana estão praticamente zeradas desde dezembro de 2008 para combater a Grande Recessão deflagrada pela falência do banco Lehman Brothers em 14 de setembro daquele ano.

Em depoimento na Comissão de Finanças da Câmara, Yellen observou que "a China continha a enfrentar os desafios colocados pela dívida elevada, mercado imobiliário fraco e condições financeiras voláteis". A desaceleração da economia chinesa preocupa as autoridades monetárias dos EUA.

Mesmo assim, "as perspectivas são favoráveis a uma melhoria ainda maior no mercado de trabalho e da economia num sentido mais amplo".

O Fed estabeleceu dois parâmetros para aumentar os juros: o fortalecimento do mercado de trabalho, onde os salários continuam estagnados; e sinais de que a inflação está se aproximando da meta informal seguida pelo banco, de 2% ao ano.

Amanhã, Janet Yellen fala no Comitê de Bancos do Senado dos EUA.