Com a economia mundial em crescimento, o aumento do consumo e a queda na produção por causa das sanções dos Estados Unidos ao Irã e do colapso da Venezuela, o preço do barril de petróleo do tipo Brent, padrão da Bolsa de Mercadorias de Londres, passou ontem de US$ 80, a maior cotação em quase quatro anos.
Desde o início do ano, os preços do petróleo cresceram mais de 40%. Só em maio, o barril aumentou US$ 5.
Em junho de 2014, o barril de petróleo custava US$ 110, depois de atingir o recorde de US$147,50 em julho de 2008, antes da crise financeira internacional deflagrada pela falência do banco Lehman Brothers, em 15 de setembro daquele ano.
Aí o preço começou a cair até ficar abaixo de US$ 30 no início de 2016, com uma demanda fraca e o aumento da oferta com a produção de óleo de xisto betuminoso nos Estados Unidos, que devem voltar a ser os maiores produtores mundiais, superando a Rússia e a Arábia Saudita, a volta do Irã ao mercado depois do acordo nuclear de 2015 e o aumento da produção do Iraque.
Sob pressão dos preços baixos danosos a suas economias, os grandes produtores de petróleo, liderados pela Arábia Saudita dentro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e pela Rússia, decidir diminuir a produção para forçar uma alta nos preços.
Se na Arábia Saudita o governo ficou em déficit, Rússia, Argélia, Nigéria e Venezuela caíram em recessão nos últimos anos. O Irã fechou o acordo nuclear na expectativa de resgatar sua economia sufocada por sanções internacionais.
A República Islâmica precisa de mais de US$ 100 bilhões para desenvolver os setores de petróleo e gás. Uma grande investidora era a companhia de petróleo francesa Total, que explorava no Irã uma das maiores jazidas de gás natural do mundo. Acaba de anunciar o abandono do projeto.
O projeto foi abandonado por causa das sanções dos EUA. Elas não visam apenas o Irã. Toda empresa estrangeira que fizer negócios com o Irã corre o risco de ser proibida de operar no sistema financeiro dos EUA. Nenhuma grande empresa transnacional quer perder o acesso ao dólar e ao mercado americano.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 18 de maio de 2018
sexta-feira, 25 de março de 2016
Venda de casas novas aumentou 2% nos EUA em fevereiro
A venda de unidades residenciais novas subiu 2% em fevereiro de 2016 nos Estados Unidos, projetando um total de 512 mil novas casas e apartamentos num ano, ligeiramente acima da expectativa dos analistas, anunciou na quarta-feira o Departamento de Comércio.
Em janeiro, o ritmo de vendas projetava a construção de 502 mil casas por ano. Os economistas previam 510 mil em fevereiro.
Apesar do ganho mensal, na comparação anual, a venda de casas novas ficou 6% abaixo do nível de fevereiro de 2015. Os imóveis novos representam 7% do setor habitacional do mercado imobiliário americano.
O preço médio de uma casa nova subiu 6,2% para US$ 301 mil. O estoque de imóveis residenciais novos a venda em fevereiro aumentou 1,7% para 240 mil unidades. É o maior desde outubro de 2009, em plena crise.
Como a Grande Recessão (2008-9) começou no setor habitacional do mercado imobiliário, ele tem sido observado de perto como indicador da recuperação econômica dos EUA.
Em janeiro, o ritmo de vendas projetava a construção de 502 mil casas por ano. Os economistas previam 510 mil em fevereiro.
Apesar do ganho mensal, na comparação anual, a venda de casas novas ficou 6% abaixo do nível de fevereiro de 2015. Os imóveis novos representam 7% do setor habitacional do mercado imobiliário americano.
O preço médio de uma casa nova subiu 6,2% para US$ 301 mil. O estoque de imóveis residenciais novos a venda em fevereiro aumentou 1,7% para 240 mil unidades. É o maior desde outubro de 2009, em plena crise.
Como a Grande Recessão (2008-9) começou no setor habitacional do mercado imobiliário, ele tem sido observado de perto como indicador da recuperação econômica dos EUA.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Preço do barril de petróleo cai para US$ 30
Em um mês, a cotação do barril de petróleo do tipo West Texas Intermediate, padrão para o mercado dos Estados Unidos, caiu de US$ 40 para US$ 30. Hoje, chegou a US$ 29,93, mas teve uma leve recuperação, fechando em US$ 30,21.
Os preços do petróleo caem há 19 meses. Em junho de 2014, estavam acima de US$ 100, depois de atingirem o recorde de US$ 147,50 em julho de 2008, antes da crise financeira internacional deflagrada pela falência do banco Lehman Brothers. Já acumulam uma queda de 70%.
A queda agrava ainda mais a crise da Petrobrás, que tem custo de produção elevado para explorar a camada pré-sal.
Os preços do petróleo caem há 19 meses. Em junho de 2014, estavam acima de US$ 100, depois de atingirem o recorde de US$ 147,50 em julho de 2008, antes da crise financeira internacional deflagrada pela falência do banco Lehman Brothers. Já acumulam uma queda de 70%.
A queda agrava ainda mais a crise da Petrobrás, que tem custo de produção elevado para explorar a camada pré-sal.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Putin não consegue vender gás da Rússia à China
Sob pressão internacional desde a anexação ilegal da Crimeia, o presidente Vladimir Putin tentou aproveitar a oportunidade para fortalecer as relações entre a Rússia e a China com a venda da energia, no caso, gás natural. Mas a negociação se arrasta há dez anos por causa do preço, e o regime comunista chinês viu na crise entre a Rússia e o Ocidente por causa da Ucrânia uma chance para barganhar.
Se sair da China hoje sem acordo, como parece mais provável, depois de uma visita de dois dias, Putin não rompe o isolamento internacional que os Estados Unidos e a União Europeia tentam impor em retaliação à intervenção militar russa na Ucrânia. Os chineses pelo jeito podem esperar. São negociadores implacáveis. Exigem queda nos preços.
Na Europa, a Rússia faz uma chantagem. Corta o gás para a Ucrânia, afetando vários países da UE que dependem ao menos parcialmente do suprimento russo. Para vender gás à China, teria de explorar reservas na Sibéria, na Rússia asiática, perto da China, para não ter de construir gasodutos muito mais longos. Seria necessário fazer um projeto conjunto com grandes investimentos. A China pode esperar.
Se sair da China hoje sem acordo, como parece mais provável, depois de uma visita de dois dias, Putin não rompe o isolamento internacional que os Estados Unidos e a União Europeia tentam impor em retaliação à intervenção militar russa na Ucrânia. Os chineses pelo jeito podem esperar. São negociadores implacáveis. Exigem queda nos preços.
Na Europa, a Rússia faz uma chantagem. Corta o gás para a Ucrânia, afetando vários países da UE que dependem ao menos parcialmente do suprimento russo. Para vender gás à China, teria de explorar reservas na Sibéria, na Rússia asiática, perto da China, para não ter de construir gasodutos muito mais longos. Seria necessário fazer um projeto conjunto com grandes investimentos. A China pode esperar.
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