terça-feira, 6 de outubro de 2026

Nobel de Física premia astronomia dos neutrinos

O cientista belga Francis Halzen, de 82 anos, professor da Universidade de Wisconsin em Madison, nos Estados Unidos, ganhou hoje o Prêmio Nobel de Física de 2026 por criar um telescópio pioneiro que detecta neutrinos de alta energia e abre caminho para um novo tipo de astronomia. 

Esse telescópio instalado num cubo de gelo no Polo Sul registra a presença dos neutrinos, conhecidos como partículas-fantasma, voando com muita energia desde os confins do Universo.

"É uma maneira de trazer informações sobre fontes cósmicas distantes que éramos incapazes de obter de outras forma", declarou o presidente do Comitê do Nobel de Física, Mark Pearce. É "um instrumento fantástico".

Os neutrinos são partículas subatômicas minúsculas sem carga elétrica. Têm a capacidade de atravessar até mesmo objetos sólidos, inclusive o corpo humano.

Halen formulou o conceito do Observatório de Neutrinos Cubo de Gelo no fim dos anos 1980 para observar aceleradores naturais de partículas do cosmos como os grandes buracos negros, que geram neutrinos com energia muito superior aos produzidos na Terra.

A equipe do Cubo de Gelo tem hoje mais de 400 cientistas. Em 2011, concluiu a construção do telescópio, que tem filas de 60 módulos com milhares de sensores e está instalado entre 1.450 e 2.450 metros de profundidade. Dois anos depois, revelou a descoberta de neutrinos de alta energia vindo de muito além do sistema solar da Terra.

O telescópio oferece uma nova lente para observar o Universo. Cria a astronomia dos neutrinos. Desde então, foram fabricados muitos outros telescópios de neutrinos.

O Dr. Halzen, um físico teórico, é o primeiro a ganhar o Nobel de Física sozinho desde 1992. Nasceu em Tienen, na Bélgica. Leva um prêmio de 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6 milhões.

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