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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Rússia e Ucrânia anunciam acordo sobre trânsito do gás

Representantes da companhia russa de gás natural Gazprom e da empresa ucraniana de petróleo e gás natural Naftogaz se reuniram hoje em Viena, na Áustria, para discutir detalhes depois de um acordo preliminar sobre tarifas do trânsito de gás da Rússia pela Ucrânia, anunciado na semana passada.

Falta agora definir os detalhes operacionais para a assinatura de um contrato de trânsito entre as duas ex-repúblicas da União Soviética, envolvidas em conflito desde a anexação da Crimeia e do início de uma guerra fomentada pelo Kremlin no Leste da Ucrânia, em 2014.

O acordo preliminar não será implementado antes que todos os contratos sejam assinados, o que pode ocorrer nesta sexta-feira. Com base nesse acordo, a Rússia deve reduzir o uso dos gasodutos que passam pela Ucrânia nos próximos cinco anos. A Rússia quer fazer seu próprio gasoduto, mas vai depender da Ucrânia por mais alguns anos.

A União Europeia, destino final do gás, a Rússia e a Ucrânia têm interesse em evitar que a falta de um acordo paralise o negócio quando o atual acordo expirar, em 31 de dezembro.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Atentado contra empresa dos EUA deixa três mortos em Moçambique

Atiradores não identificados mataram pelo menos três pessoas em três ataques contra um comboio da companhia americana de petróleo e gás natural Andarko no Norte de Moçambique, noticiou hoje a agência de notícias Bloomberg.

O primeiro ataque a uma empresa de gás e petróleo é uma escalada nas ações armadas de rebeldes muçulmanos iniciadas no fim de 2017 na região de Cabo Delgado, onde foram registrados seis ataques recentemente.

Grandes empresas de energia planejam investir US$ 50 bilhões em projetos de gás natural no país africano. A insurgência muçulmana representa uma ameaça que o Exército de Moçambique não está conseguindo controlar.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

EUA isentam Iraque de sanções para geração de eletricidade

Os Estados Unidos deram isenção ao Iraque para importar gás natural do Irã para geração de energia elétrica, noticiou hoje a agência Bloomberg. 

Desde ontem, o governo Donald Trump reimpôs sanções econômicas à República Islâmica, seis meses depois de abandonar o acordo para congelar o programa nuclear militar iraniano por dez anos. Oito países receberam isenção para poder continuar importando petróleo iraniano, inclusive a China e a Índia.

Apesar dos fortes laços econômicos com o Irã, o Iraque não foi incluído entre os países isentos. Como depende do gás natural iraniano, os EUA abriram mais uma exceção, não se sabe durante quanto tempo.

O corte das importações de petróleo e gás natural do Irã no Sul do Iraque provocou uma onda de protestos e manifestações na província iraquiana de Bássora, rica em petróleo, mas muito pobre.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Catar amplia direitos de trabalhadores estrangeiros

Depois de muitas denúncias abusos, maus tratos e centenas de mortes nas obras para a Copa do Mundo de 2022, o emirado árabe do Catar anunciou hoje uma mudança na lei para permitir que trabalhadores estrangeiros possam sair do país sem autorização dos patrões, informou a hoje a televisão árabe Al Jazira, especializada em notícias.

Sob cerco diplomático da Arábia Saudita, do Egito e das outras monarquias petroleiras do Golfo Pérsico, o Catar tenta melhorar a imagem internacional para sair do isolamento e diversificar sua economia, reduzindo a dependência do petróleo e do gás natural.

O cerco foi uma iniciativa do príncipe herdeiro saudita, Mohamed ben Salman, que acusou o Catar de ser próximo do Irã, o arqui-inimigo da Arábia Saudita. Mas os Estados Unidos não apoiaram o boicote, permitindo que o Catar resistisse sem problemas. O príncipe pretende manter o embargo indefinidamente, como os EUA em relação a Cuba.

Com a neutralidade dos EUA, o Catar não cedeu. Ao mesmo tempo, procurou novos aliados, como a Turquia, a China e a Rússia. Isso pressiona os EUA a reforçar as relações com o Catar, a não ser que o emirado contrarie as posições de Washington, por exemplo, ampliando o apoio à Irmandade Muçulmana e ao Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Índia pode gerar 100% da energia elétrica de fontes renováveis

Alguns países em desenvolvimento, entre eles a Índia, têm abundância de fontes de energia renováveis e não precisam depender de carvão e petróleo como os países desenvolvidos para elevar o nível de vida. Até 2050, a Índia pode gerar toda sua energia elétrica de fontes renováveis, concluiu uma pesquisa da Universidade de Tecnologia de Lappeeranta, na Finlândia.

O estudo aponta a energia solar como principal alternativa. As células fotovoltaicas são a fonte mais barata e baterias garantiriam o suprimento durante a noite. As necessidades de energia incluem dessalinização de água.

"A possibilidade de que um país como a Índia possa se mover rumo a um sistema elétrico dentro de três décadas e que possa fazê-lo mais economicamente do que no sistema atual mostram que os países em desenvolvimento podem pular a fase de emissões intensivas. É uma vantagem competitiva", observou o coordenador do maior projeto de desenvolvimento de energia solar da Finlândia, Pasi Vainikka.

Só numa época do ano, durante as chuvas torrenciais da temporada das monções, o sol brilha menos na Índia. A insolação menor seria compensada pelo aumento da geração de energia hidrelétrica e energia do vento.

Com menos emissões de gases carbônicos, a Índia também reduziria a poluição do ar, responsável por milhares de mortes todos os anos. Quatro cidades indianas, inclusive a capital, Nova Déli, estão entre as dez cidades com ar mais poluído do mundo.

Pelas estimativas da pesquisa, o custo da energia renovável em 2050 seria de 52 euros (R$ 194,40) por megavate-hora se for computado apenas o setor de energia. Com a dessalinização e o uso industrial de gás natural, o custo cairia para 46 euros (R$ 172) por MWh. O custo atual é de 57 euros (R$ 213,09) por MWh.

O investimento necessário para tornar a energia elétrica indiana 100% renovável é de 3,38 trilhões de euros (R$ 12,636 trilhões), estimando-se um aumento da demanda de 1,72 bilhões de MWh em 2015 para 6,2 bilhões de MWh em 2050.

Com a mudança da matriz energética, a Índia teria plenas condições de atingir suas metas dentro do Acordo do Clima para conter o aquecimento global assinado em 2015 em Paris para limitar o aumento da temperatura da Terra em dois graus centígrados em relação à era pré-industrial.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Rússia divulga lista de sanções contra a Turquia

A Rússia anunciou hoje uma série de sanções econômicas a Turquia em retaliação pelo abate de um caça-bombardeiro russo Su-24 que teria invadido o espaço aéreo turco em 24 de novembro de 2015, noticiou o jornal The Moscow Times.

O maior impacto para a Turquia está na suspensão dos projetos de cooperação energética, a construção de uma usina nuclear de US$ 20 bilhões e do gasoduto TurkStream para levar gás natural da Rússia até o Mar Mediterrâneo.

A Turquia importa da Rússia uns 20% da energia que consome, mas, no momento, há um excesso de oferta de petróleo e gás natural. O Iraque aumenta sua produção. O Irã volta ao mercado com o fim das sanções a seu programa nuclear.

Entre outras medidas, Moscou também proibiu os voos fretados da Rússia para a Turquia e a importação de vários tipos de alimentos.

O comércio bilateral está em cerca de US$ 60 bilhões por ano. Pode chegar a US$ 100 bilhões até 2023, se a cooperação energética for reiniciada.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Rússia fortalece controle sobre a Armênia

Com o fim das sanções internacionais ao Irã, a ex-república soviética da Armênia pode se tornar um importante país de trânsito do petróleo e do gás natural iranianos para o Ocidente através de portos de ex-república soviética da Geórgia. Em sua obstinação de manter o controle sobre as repúblicas da antiga União Soviética, o presidente Vladimir Putin mobiliza recursos para garantir a influência da Rússia.

Além de aumentar sua participação econômica na Armênia, o governo russo pressiona armênios importantes residentes na Rússia a entrar na política em seu país de origem. O Kremlin visa a isolar a Armênia para afastá-la do Ocidente e mantê-la na sua esfera de influência. Ao lançar na política armênios que vivem na Rússia, quer defensores de seus interesses em Ierevã.

Desde o colapso da URSS, a Armênia vive isolada entre a ex-república soviética do Azerbaijão, com que disputa o território de Alto Karaback, e a Turquia, inimiga histórica desde o Genocídio Armênio (1915-16), que apoia os azerbaijanos. Sob pressão, a Armênia recorreu à Rússia. Os dois países têm em comum a cultura cristã ortodoxa.

Durante as negociações com as grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Irã se aproximou da Armênia como possível via de escoamento de suas exportações do setor de energia. Com a discórdia em relação à guerra civil na Síria, onde Irã apoia o ditador Bachar Assad e a Turquia quer derrubá-lo, a Turquia deixou de ser uma opção para o petróleo e o gás natural iranianos.

No momento, Armênia e Irã discutem a construção de uma estrada de ferro de US$ 3,7 bilhões ligando os dois países. A Rússia é contra o projeto. O Irã cogita então fazer uma ligação ferroviária com o Azerbaijão, inimigo da Armênia.

Não é a única manobra russa para sabotar a aproximação entre a Armênia e o Irã. Em 9 de agosto, os dois países firmaram um convênio para construir a terceira linha de transmissão de energia de alta voltagem entre si. A empresa estatal russa Gazprom já teria obtido o direito de usar a energia para suas exportações.

A Gazprom e outra companhia russa, o grupo Tachir, domina as redes de distribuição de energia elétrica e de gás na Armênia. Com uma fortuna estimada em US$ 4,8 bilhões, o dono do grupo Tachir, Samuel Karapetian, é um dos armênios residentes na Rússia que o Kremlin quer lançar na política.

Outro candidato em potencial é o atual presidente da União dos Armênios na Rússia, Ara Abrahamian. Em 14 de outubro, ele anunciou a fundação de um partido para disputar as eleições parlamentares armênias em 2017.

As relações bilaterais enfrentam problemas. Em janeiro, um soldado das forças russas estacionadas no país matou uma família armênia inteira. O Kremlin aceitou que ele fosse julgado pela Justiça da Armênia, mas o crime estimulou o sentimento antirrusso.

Um aumento no preço da eletricidade imposto por uma empresa russa deflagrou uma onda de protestos. Com a Rússia em crise por causa das sanções contra a intervenção militar na Ucrânia e a queda nos preços do petróleo, a economia da Armênia também sofre. Mas o domínio de empresas russas sobre o setor de energia de Armênia vai dificultar a negociação para se tornar um país de trânsito para as exportações iranianas.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Turquia ameaça cortar cooperação nuclear e energética com a Rússia

O presidente Recep Tayyip Erdogan advertiu hoje que a importação de gás natural e a construção da primeira usina nuclear da Turquia, com tecnologia russa, estão ameaçados por causa da intervenção militar do Kremlin na Síria e da invasão do espaço aéreo turco por caças-bombardeiros da Rússia, noticiou a Agência France Presse (AFP).

A Turquia é um dos maiores importadores de gás natural russo. Os dois países têm um projeto conjunto para construir o gasoduto TurkStream (Fluxo Turco). Para a Rússia, é uma alternativa ao gasoduto que passa pela ex-república soviética da Ucrânia, que também sofre uma intervenção militar russa.

A Rússia já investiu US$ 3 bilhões na construção da usina nuclear de Akkuyu, um projeto de US$ 20 bilhões. Erdogan alertou que a Turquia pode comprar gás natural de outro país e o mesmo vale para a usina atômica.

Ao intervir militarmente na Síria, o presidente Vladimir Putin estragou a intervenção de Erdogan, que desde junho, sob o pretexto de combater o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, bombardeia rebeldes curdos ligados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). O governo turco também pretendia criar uma zona de proibição de voo uma e "zona de segurança" em território sírio para instalar os 2,5 milhões de refugiados que vivem hoje na Turquia.

Com as violações do espaço aéreo turco por caças-bombardeiros russos que miraram agressivamente seus mísseis nos caças turcos que os interceptaram, Putin deixa claro que não aceita uma zona de exclusão aérea na Síria. Os Estados Unidos sempre foram contra a ideia.

A Turquia é um país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, criada durante a Guerra Fria sob o princípio de que um ataque contra qualquer país é um ataque contra todos. Se a Turquia quiser impor uma "zona de segurança" na Síria e a Rússia não aceitar, a OTAN é obrigada a defender o aliado.

Na visão de Erdogan, o ditador Bachar Assad é o maior responsável pela guerra civil na Síria e a expansão do Estado Islâmico. Mas a Turquia não conseguiu convencer os EUA a atacar também o regime sírio e um objetivo central da intervenção russa é manter o aliado Assad no poder.

Se Assad caísse, provavelmente ascenderia um regime dominado pela maioria sunita. Isso aumentaria a área de influência da Turquia, uma potência regional do Oriente Médio, ao lado de Israel, Arábia Saudita, Egito e Irã.

Ao mesmo tempo, Erdogan quer inviabilizar a fundação de um Curdistão independente unindo a região autônoma curda do Norte do Iraque com áreas da Síria tomadas do Estado Islâmico por guerrilheiros curdos. Os curdos são a maior nação do planeta sem um Estado nacional. A maioria vive no Sudeste da Turquia, que seria reivindicado pelo novo país.

A "zona de segurança" também serviria para manter distância do califado do Estado Islâmico.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Egito descobre grande jazida de gás natural

Um campo com 840 bilhões de metros cúbicos de gás natural foi descoberto na costa do Egito, anunciou ontem a companhia italiana ENI. É um pouco menos do que as reservas de gás natural do Irã e da Rússia, que são as maiores do mundo.

O campo de Zohr, de cerca de 100 quilômetros quadrados, vai revolucionar a produção de energia do Egito. A maioria deve ser usada no suprimento das necessidades domésticas do país, declarou o presidente da empresa, citado pelo jornal italiano La Repubblica.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Grécia anuncia construção de gasoduto de interesse da Rússia

O ministro da Energia e do Meio Ambiente da Grécia, Panagiotis Lazafanis, apresentou hoje planos para construir um gasoduto para levar gás natural da Rússia para a União Europeia, noticiou o jornal inglês Financial Times.

O Gasoduto do Sul da Europa pode aumentar a dependência da Europa da companhia estatal russa Gazprom no momento em que a UE tenta reduzir essa dependência por causa das sanções que impôs a Moscou por causa da intervenção militar da Rússia na Ucrânia.

Neste momento de crise em que a Grécia corre o risco de sair da Zona do Euro e talvez até da UE, se não houver acordo com os sócios europeus, a Rússia acena com a possibilidade de ajudar externa para dividir a UE e minar as sanções. Lazafanis declarou que o governo radical de esquerda da Grécia não vai permitir a que as instituições europeias ditem suas políticas.

Como a Grécia também faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), por razões geopolíticas, os Estados Unidos estão pressionando o Grupo do Euro a não expulsar a Grécia. O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, precisa apresentar ainda hoje um plano de ajuste fiscal para fechar um acordo até domingo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Hungria contraria UE para fazer acordo com a Rússia

O governo direitista da Hungria propôs uma emenda constitucional para permitir que o país construa um gasoduto até a Rússia sem consultar a União Europeia nem outras organizações internacionais. O. mercado comum europeu proíbe negociações unilaterais.

A negociação começou num encontro do primeiro-ministro Viktor Orban com o presidente da companhia estatal russa Gazprom.

Sob pressão das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e a UE em resposta à intervenção militar russa na Ucrânia, a Rússia tenta romper o consenso europeu. O presidente Vladimir Putin quer adiar a qualquer custo o acordo de associação da Ucrânia com a UE.

O Kremlin mantém a pressão para submeter a ex-república soviética da Ucrânia. O corte do fornecimento de gás natural sempre foi uma das principais armas. Talvez a UE tenha de pagar uma dívida ucraniana de US$ 3 bilhões.

No momento, a Rússia tenta impedir a reversão dos fluxos de gás usadas pelos países da UE para manter o suprimento de gás à Ucrânia. Subserviente a seus novos aliados em Moscou, a Hungria suspendeu indefinidamente todo fornecimento de gás natural à Ucrânia em 25 de setembro de 2014. O próximo passo do governo Putin é pressionar a Eslováquia.

domingo, 19 de outubro de 2014

Moody's rebaixa nota de crédito da Rússia

Por causa da baixa expectativa de crescimento, do conflito com a Ucrânia, das sanções internacionais e da fuga de capital, a agência de classificação de risco Moody's baixou na sexta-feira a nota de crédito da dívida pública da Rússia de Baa2 para Baa1.

 O acordo sobre fornecimento de gás natural da Rússia à Ucrânia, anunciado no mesmo dia, não foi suficiente para mudar a perspectiva de crédito. A Rússia tinha cortado o fornecimento de gás por causa de um pagamento atrasado de US$ 5 bilhões. O presidente ucraniano, Petro Porochenko, declarou ontem que pode usar um empréstimo de emergência negociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para salvar a dívida.

Com o rebaixamento, devem aumentar os juros pagos pelo governo e as empresas russas para tomar empréstimos no mercado financeiro internacional.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Rússia corta fornecimento de gás à Ucrânia

A empresa estatal russa Gazprom suspender hoje o fornecimento de gás natural para a Ucrânia nesta segunda-feira, ameaçando o suprimento para o resto da Europa depois do colapso de negociações em torno do preço. A Rússia acusou a Ucrânia de atrasar um pagamento de US$ 2 bilhões e ameaça pedir pagamento adiantado no futuro.

Embora o governo ucraniano afirme ter estoque suficiente até o mês de dezembro, há novo risco de problemas de suprimento a longo prazo. Os dois países negociam o preço há semanas. A Ucrânia paga uma tarifa subsidiada, inferior à de outros países europeus. Agora, a Rússia propõe um aumento de 44% no preço e uma redução do volume à metade

O corte acontece num momento crítico da tensão entre os dois países no Leste da Ucrânia, onde rebeldes separatistas apoiados pelo Kremlin derrubaram um avião militar ucraniano no fim de semana, matando 49 soldados. Foi o maior número de mortos num mesmo incidente desde o início da atual crise, em novembro de 2013, quando o então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, abandonou negociações de associação à União Europeia.

Quando Yanukovich caiu, em 22 de fevereiro de 2014, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, negou legitimidade ao governo revolucionário de Kiev e iniciou uma série de medidas para desestabilizar a ex-república soviética da Ucrânia, numa clássica atitude imperialista.

"Se a Europa quiser continuar sendo um polo num sistema internacional multipolar, precisa ser capaz de ter uma política externa e de segurança comum, especialmente em tempos de crise e conflito. Isso significa sair da crise da Ucrânia com um compromisso mais forte de defesa comum e de planejamento conjunto para contingências", adverte Volker Perthes, analista do Project Syndicate.

Em artigo na edição internacional do New York Times, um grupo de ex-embaixadores adverte que "o Ocidente não pode esquecer a Crimeia": "Quaisquer que sejam as reivindicações históricas da Rússia, a ocupação da Crimeia foi a mais flagrante tomada de terras à força na Europa desde 1945. A atenção do Ocidente logo se voltou para outros lados, enquanto separatistas armados começaram a ocupar prédios no Leste da Ucrânia com o apoio de mais homenzinhos verdes.

"Enquanto a luta naquela região se intensifica, a Crimeia merece cada vez menos atenção. A Europa e os EUA estão focados em evitar uma deterioração maior da situação na Ucrânia, o que é totalmente compreensível. Mas conseguir um cessar-fogo, restaurar o controle do governo ucraniano e reestabilizar o Leste - que vai levar tempo, na melhor das hipóteses - não pode ser considerado um retorno à normalidade", afirmam os ex-embaixadores William Taylor, Steven Pifer e John Herbst.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Putin não consegue vender gás da Rússia à China

Sob pressão internacional desde a anexação ilegal da Crimeia, o presidente Vladimir Putin tentou aproveitar a oportunidade para fortalecer as relações entre a Rússia e a China com a venda da energia, no caso, gás natural. Mas a negociação se arrasta há dez anos por causa do preço, e o regime comunista chinês viu na crise entre a Rússia e o Ocidente por causa da Ucrânia uma chance para barganhar.

Se sair da China hoje sem acordo, como parece mais provável, depois de uma visita de dois dias, Putin não rompe o isolamento internacional que os Estados Unidos e a União Europeia tentam impor em retaliação à intervenção militar russa na Ucrânia. Os chineses pelo jeito podem esperar. São negociadores implacáveis. Exigem queda nos preços.

Na Europa, a Rússia faz uma chantagem. Corta o gás para a Ucrânia, afetando vários países da UE que dependem ao menos parcialmente do suprimento russo. Para vender gás à China, teria de explorar reservas na Sibéria, na Rússia asiática, perto da China, para não ter de construir gasodutos muito mais longos. Seria necessário fazer um projeto conjunto com grandes investimentos. A China pode esperar.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Rússia ameaça cortar suprimento de gás à Ucrânia

A empresa estatal russa Gazprom vai suspender o fornecimento de gás natural à Ucrânia a partir de 2 de junho de 2014, se o governo de Kiev não pagar contas atrasadas, advertiu hoje seu diretor-presidente, Alexei Miller.

Depois de novos cálculos, Miller afirmou que a Ucrânia deve mais de US$ 3,5 bilhões à Rússia. Há poucas semanas, a dívida era de US$ 2,2 bilhões. A conta será apresentada amanhã.

O primeiro-ministro da Rússia, Dimitri Medvedev, declarou que não vê intenção do governo interino ucraniano de pagar a dívida.

sábado, 12 de abril de 2014

Ucrânia suspende pagamento de gás natural russo

A empresa estatal ucraniana Naftogaz suspendeu hoje os pagamentos devidos à estatal russa Gazprom, no total de US$ 2,2 bilhões, até a redefinição dos preços nas negociações entre os dois países.

No conflito que levou a Rússia a anexar a Crimeia, o presidente Vladimir Putin voltou a usar o gás como arma política, aumentou os preços e ameaçou cortar o fornecimento à Ucrânia, por onde passam 15% do gás natural importado pela União Europeia.

É uma maneira de pressionar a Europa a aceitar as intervenções de Putin na Ucrânia. Mas a UE não pode tolerar as maquinações do protoditador russo e aceitar qualquer status quo para a Ucrânia que não seja de plena independência nacional.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Rússia pede neutralidade à Ucrânia

O ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, pediu hoje garantias legais de que a Ucrânia será um país neutro e não se torne membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Ele acrescentou que a Rússia está pronta para negociações com os Estados Unidos, a União Europeia e a Ucrânia na próxima semana, e que a dívida ucraniana estará em pauta.

A Ucrânia deve US$ 2,2 bilhões à Gazprom, a empresa estatal russa de gás. Ontem, o presidente Vladimir Putin ameaçou cortar o fornecimento de gás através da Ucrânia. Isso afetaria 18 países da Europa.

Lavrov negou que a Rússia pretenda anexar novas regiões da Ucrânia, a exemplo do que aconteceu com a Crimeia depois de uma intervenção militar e de um referendo realizado às pressas em 16 de março de 2014 sem fiscalização internacional.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Ucrânia denuncia invasão de 30 mil russos

A Guarda de Fronteira da Ucrânia denunciou hoje que a Rússia já enviou 30 mil soldados à região ucraniana da Crimeia, onde a assembleia regional convocou um referendo para deixar a Ucrânia e se integrar à Rússia para 16 de março de 2014.

Hoje, pela segunda vez, milicianos armados, provavelmente ligados do Ministério do Interior da Rússia, impediram a entrada na Crimeia de uma missão da Organização sobre Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), criada para fiscalizar os acordos de Helsinque, de 1975.

Em resposta aos Estados Unidos, o presidente Vladimir Putin pediu ao presidente Barack Obama que "não sacrifique as relações russo-americanas" por causa da Ucrânia, mas alegou não poder ignorar os apelos dos russos da Crimeia. Obama declarou que o referendo viola o direito internacional.

O referendo dá como alternativas a integração à Federação Russa ao maior autonomia à Crimeia. Não há possibilidade de manutenção da Crimeia sob controle do governo central de Kiev.

Para aumentar a pressão sobre o novo governo de Kiev, nesta sexta-feira, o presidente da empresa estatal russa Gazprom, Alexei Miller, ameaçou cortar o suprimento de gás natural se a Ucrânia não pagar uma dívida de US$ 1,89 bilhão, cerca de R$ 4,4 bilhões. A Ucrânia depende do gás russo para geração de energia.

Num país autoritário e fascistoide como a Rússia, sem qualquer tradição democrática, a popularidade do ditadorzinho Putin aumentou para 67% com o conflito, embora o país não tenha nada a ganhar com isso. Se a meta de Putin é criar a União Eurasiana, quem vai querer se associar a uma potência arrogante, prepotente e militarista? 

O novo governo ucraniano ameaça abandonar a Paraolimpíada de Sóchi, que começa hoje. Sob pressão do Comitê Olímpico Internacional (COI), para não ser expulsa do movimento olímpico, a Ucrânia concordou em participar, mas só um atleta ucraniano desfilou na cerimônia de abertura, levando a bandeira ucraniana em sua cadeira de rodas.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Rússia adia ajuda de US$ 2 bilhões à Ucrânia

Com sangue nas ruas e o presidente aliado sitiado no palácio, a Rússia adiou para sexta-feira a liberação de uma parcela de US$ 2 bilhões de total de US$ 15 bilhões em créditos à ex-república soviética da Ucrânia.

Em dezembro, depois que a Ucrânia abandonou negociações para se associar à União Europeia, o presidente russo, Vladimir Putin, ofereceu-se para comprar US$ 15 bilhões em títulos da dívida pública ucraniana e deu um desconto de 33% no gás natural que a Ucrânia importa da Rússia.

Diante da revolta popular contra a manutenção da dependência histórica em relação à Rússia, o Kremlin congelou a ajuda no fim de janeiro. Quando a oposição ucraniana foi recebida em Berlim pela primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, Putin resolveu liberar o dinheiro. Agora, segurou de novo.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Xisto pode suprir o mundo por mais de uma década

As reservas de xisto betuminoso de 42 países estudados pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos são equivalentes a 345 bilhões de barris ou 10% da reservas de petróleo, quantidade suficiente para suprir as necessidades globais durante mais de uma década.

Até agora, o governo americano só tinha feito uma estimativa das reservas dos EUA, elevadas ontem de 32 para 58 bilhões de barris equivalentes.

Pelas novas estimativas do Departamento de Energia americano, a Rússia tem as maiores reservas, 78 bilhões de barris, seguida pelos EUA e pela China, com 32 bilhões, a Argentina com 27 bilhões e a Líbia com 26 bilhões. Com a exploração do xisto, as reservas mundiais de gás natural aumentam 47%.

O ritmo da produção de gás e óleo de xisto aumentou muito nos últimos dez anos, desde que os EUA desenvolveram a técnica de fratura hidráulica das rochas, duramente criticadas por ambientalistas. No momento, só os EUA e o Canadá produzem óleo e gás natural em escala comercial.