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domingo, 30 de agosto de 2020

Mais de 60 universidades registram contágios nos EUA

Com o reinício das aulas presenciais, mais de 60 universidades de 36 estados americanos registraram casos da doença do coronavírus de 2019. Em escolas primárias e secundárias, houve pelo menos 7,9 mil casos novos em alunos e funcionários. Em todo o país, sindicatos de professres vão à Justiça contra o reinício das aulas.

O total de casos confirmados da covid-19 ultrapassou hoje os 25 milhões, com 845 mil mortes e 17,7 milhões de pacientes curados. Os Estados Unidos estão perto de 6 milhões de casos e passaram de 183 mil mortes.

No Brasil, houve 15.151 casos novos e mais 398 mortes notificadas nas últimas 24 horas, de acordo com dados das secretarias estaduais da Saúde compilados por um consórcio de empresas jornalísticas. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu para 875. É a menor desde 21 de maio.

Os prefeitos das duas maiores cidades da Turquia, Istambul e Ancara, acusaram o governo central do ditador Recep Tayyip Erdogan de esconder a verdadeira escala da pandemia no país. Oficialmente, o país tem 267 mil casos confirmados e 6,3 mil mortes.

A China fez acordos com 20 países de baixa renda interessados em renegociar suas dívidas, entre eles Angola e Moçambique, duas ex-colônias de Portugal.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Brasil tem o maior número de mortes num dia em três semanas

O Brasil teve 1.341 mortes em 24 horas, 51 por cento na região Sudeste, e 42.245 casos novos, elevando o total para 74.262 mortes e 1,931 milhão de casos confirmados. A média dos últimos sete dias, 1.056 mortes, foi a maior desde o início da pandemia. 

Depois que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que o Exército é corresponsável pelas atitudes de militar como o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, há uma pressão nas Forças Armadas para que ele passe para a reserva. 

O Brasil está sem ministro da Saúde há 60 dias. Parlamentares reclamam que não atendidos pelo ministro quando ligam pedindo ajuda para suas bases eleitorais.

No mundo inteiro, já são mais de 13,4 milhões de casos confirmados, 581 mil mortes e 7,847 milhões de pacientes curados. Dos casos encerrados, 7% terminaram em morte, um ponto percentual a menos do que na semana passada.

Os Estados Unidos registraram um recorde de 67 mil infecções em 24 horas, um dia depois da notificação de 61.492 casos novos, o terceiro maior número até hoje, sendo 30 mil na Califórnia, na Flórida e no Texas. Chegaram a um total de 3,545 milhões de casos confirmados e 139 mil mortes.

O diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Robert Redfield, alerta que o outono e o inverno serão um dos períodos mais difíceis para a saúde nos EUA.

A Academia de Ciências Médicas do Reino Unido adverte para o risco de uma nova onda de contaminação no inverno no Hemisfério Norte.

De Melbourne, segunda maior cidade da Austrália, a Manila, a capital das Filipinas, Hong Kong e Bangalore, o centro da indústria de informática da Índia, várias regiões da Ásia e do Pacífico recuam na reabertura da economia e voltam a adotar medidas rigorosas de confinamento.

A dívida total da China, somando as dívidas de governos, empresas e pessoas, é estimada em 317% do produto interno bruto, que no ano passado passou de US$ 14 trilhões, quase R$ 75 trilhões.

O produto interno bruto dos EUA, de mais de US$ 21,4 trilhões em 2019, mais de R$ 114 trilhões, deve cair 6,89% neste ano. O déficit público dos Estados Unidos nos últimos 12 meses ficou em US$ 3 trilhões, pouco mais de R$ 16 trilhões.

As vendas no varejo subiram 18 por cento em maio nos 19 países da Zona do Euro.

Com os preços do petróleo em torno de 40 dólares, quase 214 reais, por barril, os países do Oriente Médio vão deixar de ganhar 270 bilhões de dólares, cerca de 1 trilhão 444 bilhões de reais neste ano. O produto regional bruto deve cair 7,3 por cento.

A primeira vacina testada nos Estados Unidos, do laboratório Moderna, apresentou bons resultados em 45 voluntários. Agora, será testada em 30 mil pessoas. Meu comentário:

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Fernández assume pedindo unidade e mais prazo para pagar dívida

Ao tomar posse hoje como presidente de uma Argentina profundamente abalada por mais uma crise econômica, o peronista Alberto Fernández fez um apelo à união nacional e pediu mais prazo aos credores para saldar as dívidas do país, alegando não ter condições de fazê-lo sem a retomada do crescimento.

"Venho convocar à unidade de toda a Argentina em prol da construção de um novo contrato social cidadão", declarou o novo presidente no início do discurso de posse, esclarecendo que este contrato social deve ser "fraterno e solidário": "Fraterno porque chegou a hora de abraçar o diferente. Solidário porque nessa emergência social é tempo de começar pelos últimos para depois chegar a todos. Este é o espírito do tempo que hoje inauguramos...para pôr a Argentina de pé."

Para isto, acrescentou, é preciso "recuperar uma série de equilíbrios sociais, econômicos e produtivos que hoje não temos."

Uma prioridade será um programa de combate à fome. "Sem pão, na vida só se padece. Sem pão, não há democracia nem liberdade." Outra será recuperar as economias familiares, as pequenas empresas e as fábricas endividadas.

A inflação de mais de 50% ao ano é a maior desde 1991. O índice de desemprego passa de 10%. É o maior desde 2006. Há mais de 1,2 milhão de jovens que não estudam nem trabalham. O desemprego entre os jovens é de 30%. O dólar passou de 9,60 a 63 pesos nos quatro anos do governo Mauricio Macri. E a economia não para de encolher e 40,8% dos moradores de cidades estão na pobreza.

"Vamos encarar o problema da dívida externa. Não há pagamentos de dívida sustentáveis se o país não cresce, é simples assim. Para poder pagar, é preciso crescer primeiro", discursou Fernández. Durante a campanha, o ministro da Economia, Daniel Martínez, acenou com a expectativa de pedir uma moratória de dois anos para pagar a dívida.

"Buscaremos uma relação construtiva e cooperativa com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e com nossos credores. Resolver o problema da dívida insustentável que a Argentina tem hoje não é uma questão de ganhar uma disputa. O país tem vontade de pagar, mas carece de capacidade para fazê-lo. O governo que sai tomou uma enorme dívida sem gerar mais produção para obter os dólares para pagá-la", criticou o novo líder argentino.

Fernández também prometeu uma ação de emergência na saúde pública.

O Índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, terminou o dia em queda de 4,81%.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Presidente argentino aposta em diálogo com credores sem abandonar política social

O peronista de esquerda toma posse amanhã, 10 de dezembro, como presidente da Argentina para um mandato de quatro anos com a ex-presidente Cristina Kirchner como vice. Assim, as duas perguntas que os argentinos, os economistas e os analistas internacionais se fizeram nos últimos meses foram: quem vai mandar e qual será a política econômica?


A Argentina vai voltar ao populismo demagógico e fiscal de Cristina ou Fernández será mais pragmático? Terá de ser para enfrentar a crise econômica legada pelo governo Maurício Macri, quando o índice de pobreza entre os argentinos urbanos subiu de 30 para 40,8 por cento. 

O país está em recessão, a inflação anual ronda 70% e os juros, a pedido de Fernández foram reduzidos para 68% ao ano. Meu comentário:

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Volta do peronismo renova dúvidas sobre a economia da Argentina

O peronismo volta ao poder na Argentina num momento de crise econômica e turbulência política na América Latina, com protestos violentos no Chile, no Equador, no Haiti, na Nicarágua e na Venezuela. Em princípio, o governo terá de ser mais pragmático do que ideológico. A grande dúvida é como a esquerda vai enfrentar a situação econômica.

A vitória da chapa peronista, formada por Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner, que não são parentes, era mais do que esperada desde as eleições primárias de 11 de agosto. A vantagem de apenas sete pontos percentuais ficou muito abaixo dos 15 pontos da primária.

O presidente Mauricio Macri conseguiu reduzir a dimensão da derrota. Sua aliança elegeu apenas um deputado a menor do que a coalizão vencedora, a Frente para Todos. Isso o qualifica como líder da oposição. 

Mas Macri foi o grande perdedor no último domingo. As reformas que propôs para, nas suas palavras, transformar a Argentina num país normal, fracassaram. O atual presidente entrega o país, em 10 de dezembro, em situação muito pior do que recebeu.

A inflação anual ronda os 60%, a economia recuou 3,8% em 12 meses, a taxa básica de juros está em 70% ao ano, o peso argentino caiu 80% durante o governo Macri, o desemprego passa de 10% ao ano, 35,4% dos argentinos vivem na miséria e agora ainda têm mais uma dívida de 57 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional, o FMI. Com estes números, nenhum governo se reelege em país democrático.

Alberto Fernández recebe uma das piores heranças econômicas do mundo. Em situação pior, só consigo pensar na Venezuela e no Zimbábue. Meu comentário:

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Oposição apresenta planos para renegociar dívidas da Venezuela

Em uma nova proposta política, os assessores do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido pelo Brasil, os Estados Unidos e outros 50 países, revelaram planos para renegociar reclamações de empresas estatizadas, compras não pagas e bônus caloteados, sem abrir mão de revisar tudo para corrigir preços inflacionados e queixas fraudulentas, e denúncias de corrupção.

A grande promessa da oposição é tratar todos os credores da mesma maneira, independentemente do tipo de dívida e de que órgão a contratou, noticiou hoje o jornal inglês Financial Times. Meu comentário:

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

China cresceu 6,6% no ano passado

Sob o impacto da guerra comercial do presidente Donald Trump, a economia da China se desacelerou no quarto trimestre de 2018 para um ritmo anual de 6,4% ao ano, o menor desde a crise financeira internacional de 2008. 

Apesar da queda de confiança do consumidor, a segunda maior economia do mundo avançou 6,6% no ano passado, acima de meta de 6,5%. Mas foi a menor expansão desde 1990. Em 2017, a alta havia sido de 6,8%.

A queda no ritmo de crescimento nos três últimos trimestres preocupa os investidores. O temor é que a desaceleração chinesa puxe para baixo o desempenho da economia mundial.

O aumento das vendas no varejo ficou em 8,2% ao ano em dezembro, pouco acima dos 8,1% de novembro, a menor alta em 18 anos.

De acordo com os dados, o tarifaço dos Estados Unidos não teve grande impacto até agora. O saldo comercial chinês ficou em US$ 334,5 bilhões no ano passado, abaixo dos US$ 375 bilhões de 2017.

Desde julho, o governo chinês adotou uma séria de medidas de estímulo monetário e fiscal para amortecer o impacto social da desaceleração. Afinal, é o crescimento econômico que legitima a ditadura do Partido Comunista.

Na semana passada, o Ministério das Finanças anunciou planos para novos cortes de impostos. A reforma das estatais foi adiada para tentar garantir um pouso suave, mas a soma das dívidas do governo, das empresas e das famílias passa de 260% do produto interno bruto.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

China anuncia investimentos de US$ 60 bilhões na África

No fim de uma reunião de cúpula de dois dias com dirigentes africanos, o ditador Xi Kinping anunciou investimentos de US$ 60 bilhões da China na África, sendo US$ 20 bilhões como empréstimos. Eles se somam a dezenas de bilhões de dólares que a China empresta anualmente a países do continente para financiar obras de infraestrutura e desenvolvimento industrial. Com a "diplomacia da dívida", a China é a nova potência imperial a explorar a África.

Todos os 53 países africanos participaram do 7º Fórum de Cooperação Sino-Africano, realizado em Beijim. A China é hoje a grande investidora na África, na frente da Europa, dos Estados Unidos e do Banco Mundial.

Enquanto Xi acena com a possibilidade de "anular" parte da dívida externa dos países pobres, o que incluiria vários países africanos, o Chade, a República Democrática do Congo, o Sudão do Sul e o Zimbábue estão na lista dos superendividados.

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa rejeitou a acusação de que há um "neocolonialismo" chinês no continente.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Venezuela anuncia calote e pede renegociação da dívida

Com o país falido pelas políticas desastrosas do "socialismo do século 21", o presidente Nicolás Maduro anunciou hoje à noite na televisão que a Venezuela vai honrar o pagamento de US$ 1,1 bilhão a investidores em bônus da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) com vencimento hoje. Mas daqui para a frente pretende renegociar a dívida venezuelana.

Numa economia com inflação de 1.200% ao ano e queda de 15% a 20% no produto interno bruto nos últimos anos, o calote era esperando. A dúvida era quando. O país não tem dinheiro para importar papel higiênico, remédios e alimentos, mas Maduro continuava pagando as dívidas no mercado internacional.

O regime chavista pagou o principal, mas os juros atrasados já somam US$ 826 milhões, de acordo com uma estimativa da corretora Nomura Securities International citada pelo jornal americano The Wall Street Journal.

Sem declarar moratória, o ditador venezuelano avisou que buscar uma "reestruturação voluntária" da dívida do país, estimada em US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões, o que o coloca em conflito direto com os credores num momento em que a Venezuela enfrenta sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos em agosto para a emissão novos títulos que teriam de substituir os atuais.

Maduro nomeou como principal negociador o vice-presidente Tareck El-Aissami. Desde fevereiro, ele está numa lista de pessoas atingidas por sanções, no seu caso, por supostas ligações com o tráfico internacional de drogas.

O presidente da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, deputado Julio Borges, declarou no Twitter ser impossível renegociar a dívida porque "ninguém confia no governo".

Borges culpou o ditador e foi citado pelo jornal venezuelano El Nacional: "Maduro é um traidor que endividou a Venezuela e estamos morrendo de fome. Devemos US$ 120 bilhões aproximadamente. Onde está esse dinheiro? Alguém viu? O que se vê é fome, miséria, morte e destruição da indústria nacional."

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

EUA e Israel abandonam a Unesco citando viés anti-israelense

O governo Donald Trump anunciou hoje a decisão de retirar os Estados Unidos da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) por causa de seu suposto "contínuo viés anti-israelense". Israel vai seguir o exemplo.

"Não foi uma decisão tomada facilmente", declarou o Departamento de Estado, citando, além da questão israelense, "a necessidade de reformas profundas" e "as dívidas crescentes" da Unesco.

A retirada será no fim de 2018. Como observador não membro, os EUA poderão dar ajuda e assistência técnica à organização.

"É uma decisão moral corajosa", afirmou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aplaudindo e aderindo à decisão americana. "A Unesco virou um teatro do absurdo. Em vez de preservar a história, a distorce."

Mais conhecida por designar os lugares considerados patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade, a Unesco fez campanhas para erradicar o analfabetismo e promover a educação, a educação sexual e a igualdade da mulher, informa a revista americana National Geographic.

Em declaração escrita, a diretora-geral da Unesco, a ex-ministra búlgura Irina Bokova, lamentou a saída dos EUA: "A universalidade é crítica para a missão da Unesco de fortalecer a paz e a segurança internacionais em face do ódio e da violência, defender os direitos e a dignidade humanas."

Não é a primeira vez que os EUA deixam a Unesco. Em dezembro de 1984, o então presidente Ronald Reagan retirou o país sob a alegação de que a entidade era contra Israel e contra o capitalismo liberal. Os EUA voltaram em 2002, depois da comoção internacional e das manifestações de solidariedade por causa dos atentados terroristas de 11 de setembro e 2001.

Desde 2011, em protesto contra a admissão da Palestina, os EUA não dão sua contribuição financeira à Unesco. A dívida está em US$ 600 milhões.

A saída da Unesco é parte de uma visão de mundo isolacionista da ultradireita americana. O governo Trump trabalha ativamente para minar o sistema multilateral criado pelos EUA sob a inspiração do presidente Franklin Roosevelt e as organizações, vistas sob como empecilhos à atuação do país no mundo.

Outro exemplo é a Organização Mundial do Comércio (OMC), onde os EUA bloqueiam a indicação de juízes para o painel de solução de conflitos, o tribunal do sistema multilateral de comércio, porque não poder vetar suas decisões.

O mecanismo de solução de conflitos foi o grande avanço da OMC, criada em 1994. Era uma reivindicação de longo prazo dos EUA.

Trump vai contra as organizações internacionais partindo do pressuposto de que os EUA têm mais a ganhar em negociações bilaterais diretas com cada país. É uma visão estreita das relações internacionais como se fosse o mundo dos negócios.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Venezuela deu calote de US$ 1 bilhão na Rússia

Enquanto se esforça para cumprir os compromissos com o sistema financeiro internacional, o president Nicolás Maduro dá calote nos aliados. A Venezuela deixou de pagar à Rússia US$ 1 bilhão, forçando o governo Vladimir Putin a revisar o orçamento para 2017, noticiou hoje o jornal Latin American Herald Tribune.

O Comitê de Auditoria da Rússia confirmou o calote a jornalistas russos. A emenda ao orçamento cita a queda de 53,9 bilhões de rublos, cerca de US$ 950 milhões, no ingresso de divisas "associada ao fracasso da República Bolivarista da Venezuela de honrar os termos do protocolo intergovernamental russo-venezuelano nº 23/26, de setembro de 2016."

Por este acordo, a Rússia concordou em renegociar uma dívida de US$ 2,84 bilhões, com o reescalonamento de US$ 530 milhões de 2019 a 2021. Os outros US$ 2,2 bilhões seriam pagos em cinco anos. A primeira parcela, de US$ 362 milhões, era devida em 31 de março de 2017. Não foi paga.

O empréstimo original, de US$ 4 bilhões, foi concedido pela Rússia ao então presidente Hugo Chávez, em 2011, principalmente para a compra de armas e equipamentos militares. O governo russo aceitar renegociar em setembro do ano passado por causa de uma "crise de liquidez" na Venezuela e das "relações de amizade" entre os dois países.

A Venezuela vive a pior crise de sua história independente, com inflação de 900% ao ano, queda de mais de 20% no produto interno bruto nos últimos dois anos e desabastecimento de 80% dos produtos básicos, inclusive remédios e alimentos.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Justiça dos EUA levanta restrições financeiras à Argentina

A Justiça Federal dos Estados Unidos suspendeu as restrições financeiras impostas à Argentina para que o país possa pagar os últimos credores que ainda não haviam renegociado os títulos caloteados na moratória de dezembro de 2001, informou o jornal El Cronista.

O ministro das Finanças, Alfonso Prat-Gay, anunciou que o pagamento será feito em 22 de abril de 2016.

É o fim da moratória de dívidas de US$ 93 bilhões, decretada quando entrou em colapso a dolarização introduzida pelo presidente Carlos Menem (1989-99). Depois de quase 15 anos, a Argentina volta plenamente ao mercado financeiro internacional.

"É um passo a mais em direção à normalidade e ao desenvolvimento que a Argentina merece", declarou o ministro das Finanças. "A Argentina já pode pensar no futuro, em criar empregos e oferecer bem-estar a seus cidadãos."

Prat-Gay anunciou um lançamento de bônus no valor de US$ 15 bilhões na segunda-feira, 18 de abril. Assim, o país terá dinheiro para honrar o novo acordo para acabar com a moratória.

Em duas rodadas de renegociação concluídas em 2005 e 2010, 93% das títulos caloteados foram trocados por outros com prazos mais longos e uma redução do valor nominal de 25% a 35%.

Uma minoria nunca aceitou a queda no valor da face e títulos no valor de US$ 1,3 bilhão foram comprados por fundos especulativos que entraram na Justiça dos EUA para impedir a Argentina de cumprir os compromissos de sua nova dívida enquanto não honrasse as dívidas em poder dos fundos abutres.

Como o governo Cristina Kirchner se negou a pagar, a Argentina voltou a entrar em moratória. Com a decisão de hoje, a Argentina volta a ser um país normal.

domingo, 10 de maio de 2015

China reduz taxas básicas de juros para estimular economia

Em mais uma tentativa de conter a desaceleração da segunda maior economia do mundo, o Banco Popular da China (BPC) anunciou hoje a terceira redução em suas taxas básicas de juros em seis meses. A medida entra em vigor nesta segunda-feira, noticiou o jornal The New York Times

A taxa que o banco central chinês cobra por empréstimos de um ano para financiar os bancos caiu 0,25 ponto percentual para 5,1% ao ano. A taxa que o banco central paga pelo dinheiro depositado pelos bancos no BPC baixou 0,25 ponto percentual para 2,25% ao ano.

Além da desaceleração, as autoridades monetárias chinesas estão preocupadas com o volume de dívidas do sistema financeiro por causa da rápida expansão do crédito nos últimos anos para enfrentar a crise financeira internacional. A explosão de uma bolha financeira ou imobiliária agravaria a situação econômica do país.

"O tamanho crescente da dívida está forçando a China a usar uma grande quantidade de recursos para pagar e refinanciar as dívidas", declarou na sexta-feira o relatório de política monetária do BPC, indicando que haveria menos espaço para aumentos nos gastos públicos.

A economia chinesa cresceu 7,4% em 2014, seu pior resultado desde 1990. No primeiro trimestre, avançou em ritmo de 7% ao ano, invejado pela imensa maioria do resto do mundo. Ainda assim, é o ritmo mais fraco em 25 anos e o desenvolvimento legitima o regime comunista.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Tsipras: Grécia quer pagar mas não tem como

Em seu discurso de posse hoje como chefe de governo no Parlamento da Grécia, o primeiro-ministro Alexis Tsipras, da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) reafirmou que o país quer pagar sua dívida pública, mas não nas condições negociadas pelos governos anteriores com a União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a chamada troika.

Ao eleitorado mais pobre, duramente atingido pela depressão econômica que encolheu a economia grega em 25% nos últimos seis anos, deixando um quarto da população ativa e a metade dos jovens sem emprego, Tsipras prometeu casa, comida, energia e saúde, noticia o jornal espanhol El País. Sua proposta é aumentar progressivamente o salário mínimo, reduzido, assim como as aposentadorias e pensões, pelos acordos com a troika.

Nos últimos seis anos, a dívida grega pulou de 120% para 175% do produto interno bruto, diminuído pela depressão. A maioria do dinheiro recebido nos empréstimos de emergência de 240 bilhões foi usada para pagar a dívida e não para investir na recuperação econômica do país.

Cerca de 72% dos gregos apoiam a postura afirmativa de Tsipras diante das sócios europeus, especialmente da Alemanha, que tem a chave do cofre, indica uma pesquisa divulgada no último sábado. Mas a Grécia precisa de dinheiro. Caso contrário, o governo vai frustrar seu eleitorado mais uma vez.

Diante da exigência do ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, de que a Grécia cumpra os acordos assumidos, seu colega grego, Yanis Varoufakis, declarou na sexta-feira passada em Frankfurt que seu país precisa de um empréstimo-ponte de três meses para apresentar, em maio de 2015, uma nova proposta de renegociação da dívida.

A Alemanha, por princípio, é contra a renegociação porque abriria um precedente para outros países em dificuldades para honrar suas dívidas e desestimularia as reformas que Berlim e Frankfurt consideram essenciais para a estabilidade financeira da Zona do Euro, inclusive em grandes economia como a França e a Itália.

Por outro lado, a saída da Grécia da união monetária também abriria um precedente perigoso, enfraquecendo a moeda única. Hoje o ex-presidente do banco central dos Estados Unidos Alan Greenspan, que já foi considerado um oráculo para o mercado, mas ficou um tanto desmoralizado pelo colapso do sistema financeiro americano em setembro de 2008, previu que a Grécia vai abandonar o euro.

O mais provável é um acordo provisório. A Grécia pode levar seu empréstimo-ponte, mas terá de reciclar suas ambições a médio prazo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Moody's rebaixa nota de crédito da Venezuela

A agência de classificação de risco Moody's rebaixou ontem a nota de crédito da dívida soberana da Venezuela em dois níveis, de Caa1 para Caa3, com perspectiva estável, por causa das dificuldades econômicas enfrentadas pelo país, agravada pela queda de 57% nos preços internacionais do petróleo nos últimos seis meses.

Para a Moody's, há um risco crescente de calote e o regime chavista não parece inclinado a fazer as reformas necessárias para normalizar a situação da economia, onde o dólar vale 6,30 bolívares fortes no câmbio oficial e até 180 bolívares (fraquíssimos) no mercado paralelo.

Com este distorção no câmbio, a Venezuela, que tem uma das maiores reservas mundiais de petróleo e exportou mais de US$ 1 trilhão desde a primeira posse de Hugo Chávez, em 1999, não tem dinheiro para importar produtos básicos. Os venezuelanos ficam oito horas na fila para comprar arroz, leite, farinha, óleo de cozinha e papel higiênico. A inflação passa de 60% ao anos.

Diante do caos econômicos, empresas de consultoria e análise estratégica prevêem um ano muito difícil e temem um golpe de Estado dentro do próprio regime chavista, onde o descontentamento com o presidente Nicolás Maduro é cada vez maior.

No momento, o regime chavista tenta apresentar o giro internacional de Maduro para pedir dinheiro à China e à Rússia, e implorar sem sucesso aos países árabes que reduzam a produzam menos para aumentar os preços do petróleo. Diante do excesso de oferta, de 2 milhões barris acima da demanda atual, os preços continuam em queda.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Rússia ameaça cortar suprimento de gás à Ucrânia

A empresa estatal russa Gazprom vai suspender o fornecimento de gás natural à Ucrânia a partir de 2 de junho de 2014, se o governo de Kiev não pagar contas atrasadas, advertiu hoje seu diretor-presidente, Alexei Miller.

Depois de novos cálculos, Miller afirmou que a Ucrânia deve mais de US$ 3,5 bilhões à Rússia. Há poucas semanas, a dívida era de US$ 2,2 bilhões. A conta será apresentada amanhã.

O primeiro-ministro da Rússia, Dimitri Medvedev, declarou que não vê intenção do governo interino ucraniano de pagar a dívida.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Argentina vai à Suprema Corte dos EUA para manter calote

A Argentina entrou com recurso hoje na Suprema Corte dos Estados Unidos para anular uma decisão que a obriga a pagar a dívida caloteada em 2001 a fundos que não aceitaram os termos das renegociações realizadas em 2005 e 2010, noticiaram as agências de notícias Bloomberg e Reuters.

Nos grandes centros financeiros, este é considerado o julgamento do século sobre a reestruturação de dívidas soberanas, a renegociação feita quando um país fica sem condições de pagar, decreta a moratória e tenta renegociar com os credores exigindo descontos. Uma decisão negativa na Justiça pode levar a Argentina a novo calote.

Em 14 de janeiro de 2005, no governo Néstor Kirchner, o ministro da Economia argentina, embaixador Roberto Lavagna, renegociou com sucesso 75% dos US$ 82 bilhões de dólares em títulos caloteados na moratória de 26 de dezembro de 2001.

Naquele ano, diante do colapso da dolarização da era Carlos Menem (1989-99), o presidente Fernando de la Rúa caiu e a Argentina deixou de pagar US$ 93 bilhões em dívidas. O desconto obtido por Lavagna foi de 25% a 35% do valor nominal dos papéis.

Numa segunda etapa, já sob Cristina Kirchner, em 11 de agosto de 2010, o total renegociado chegou a 93%. Até hoje o resto não foi acertado, impedindo a Argentina de voltar plenamente ao mercado internacional para vender títulos de sua dívida pública, uma das razões da atual crise econômica do país.

Desde 2005, os fundos de hedge administrados pela empresa Elliott Management Associates tentam cobrar a dívida argentina na Justiça.

No fim de 2012, um tribunal federal de recursos de Nova York aceitou o argumento de que o país não poderia continuar pagando os juros devidos pelos bônus lançados na reestruturação da dívida sem pagar também os credores que não aceitaram o desconto imposto na renegociação. É o caso dos fundos de hegde e de fundos de pensão italianos.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Moody's muda viés da nota de crédito do Brasil

A agência de classificação de risco Moody's manteve hoje a nota de crédito da dívida pública do Brasil, mas mudou a perspectiva de positiva para estável. Isso significa uma tendência a não melhorar a nota.

Para justificar sua decisão, a Moody's citou o baixo crescimento, o excesso de gastos públicos, a deterioração da dívida pública, que se aproxima de 60% do produto interno bruto, capazes de desequilibrar as contas do governo em médio e longo prazos.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Tribunal suspende decisão sobre dívida da Argentina

Um tribunal federal de recursos dos Estados Unidos suspendeu temporariamente uma decisão de um juiz federal da primeira instância de Nova York que obrigava a Argentina a pagar US$ 1,33 bilhão em 15 de dezembro a credores que rejeitaram as renegociações da dívida do país impostas por Buenos Aires, informa o jornal inglês Financial Times.

Em 2005 e 2010, 93% dos donos de títulos da dívida argentina caloteada em 2001, de cerca de US$ 100 bilhões, aceitaram trocá-los por bônus com desconto de até 30%, juros menores e prazos mais longos, aliviando a pressão sobre o Tesouro. Os 7% que rejeitaram as perdas acionaram a Justiça para recuperar o dinheiro investido.

Na semana passada, o juiz federal americano Thomas Griesa decidiu que a Argentina não pode discriminar seus credores, pagando apenas os que concordaram com a renegociação.

O governo Cristina Kirchner seria obrigado a saldar a dívida com antigos credores antes de remunerar os novos com US$ 3,1 bilhões. Como a Argentina se nega a pagar quem não aceitou seus termos, o país poderia ficar tecnicamente em calote mais uma vez.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Fitch rebaixa dívida da Argentina em cinco níveis

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou hoje a nota de crédito da dívida pública da Argentina em cinco níveis, de B a CC, alegando que o país está à beira de novo calote. Um juiz federal de Nova York mandou o governo argentino pagar US$ 1,3 bilhão a credores que rejeitaram a renegociação proposta por Buenos Aires no início do século antes de remunerar os títulos emitidos depois da reestruturação da dívida.

Em 15 de dezembro, a Argentina deve pagar US$ 3,1 bilhões aos novos credores e aos que aceitaram os termos da renegociação impostos por Buenos Aires. Este será o dia decisivo.

Como o governo Cristina Kirchner se nega a pagar os credores que se negaram a aceitar um desconto, a expectativa é que o país volte a não pagá-los. Se fizer isso, será impedido pela Justiça Federal dos Estados Unidos de honrar o compromisso assumidos com os novos títulos, entrando tecnicamente em nova moratória ou calote.