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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Pobreza atinge mais de 40% da população urbana na Argentina

Com a brutal crise econômica legada pelo governo Mauricio Macri, a pobreza aumentou na Argentina. Atinge hoje 40,8% da população urbana, cerca de 16 milhões de pessoas. Ao todo, são 18 milhões os argentinos pobres, noticiou o jornal Clarín

Os indigentes são 8,9% dos moradores de cidade, cerca de 3,6 milhões. Somando aos miseráveis do campo, 4 milhões de argentinos sobrevivem na pobreza absoluta. Os dados são do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA).

Quase 60% dos menores de 17 anos vivem em lares pobres. Em dezembro de 2015, quando Macri se tornou presidente, a pobreza atingia 30% dos argentinos. Cresceu 10,8 pontos percentuais em seu governo. São 4,5 milhões os novos pobres urbanos. Na Grande Buenos Aires, a pobreza chega a 51,1%.

O relatório da pesquisa concluiu que "há uma persistente pobreza estrutural que atinge 10 milhões de pessoas", um quarto da população argentina. Mais de 30% dos lares recebem ajuda de algum programa social.

A UCA propõe transferência direta de renda, no modelo do Bolsa-Família, e ajuda alimentar para combater a pobreza aguda, mas ressalva que estas medidas de emergência não vão resolver os problemas estruturais.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Volta do peronismo renova dúvidas sobre a economia da Argentina

O peronismo volta ao poder na Argentina num momento de crise econômica e turbulência política na América Latina, com protestos violentos no Chile, no Equador, no Haiti, na Nicarágua e na Venezuela. Em princípio, o governo terá de ser mais pragmático do que ideológico. A grande dúvida é como a esquerda vai enfrentar a situação econômica.

A vitória da chapa peronista, formada por Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner, que não são parentes, era mais do que esperada desde as eleições primárias de 11 de agosto. A vantagem de apenas sete pontos percentuais ficou muito abaixo dos 15 pontos da primária.

O presidente Mauricio Macri conseguiu reduzir a dimensão da derrota. Sua aliança elegeu apenas um deputado a menor do que a coalizão vencedora, a Frente para Todos. Isso o qualifica como líder da oposição. 

Mas Macri foi o grande perdedor no último domingo. As reformas que propôs para, nas suas palavras, transformar a Argentina num país normal, fracassaram. O atual presidente entrega o país, em 10 de dezembro, em situação muito pior do que recebeu.

A inflação anual ronda os 60%, a economia recuou 3,8% em 12 meses, a taxa básica de juros está em 70% ao ano, o peso argentino caiu 80% durante o governo Macri, o desemprego passa de 10% ao ano, 35,4% dos argentinos vivem na miséria e agora ainda têm mais uma dívida de 57 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional, o FMI. Com estes números, nenhum governo se reelege em país democrático.

Alberto Fernández recebe uma das piores heranças econômicas do mundo. Em situação pior, só consigo pensar na Venezuela e no Zimbábue. Meu comentário:

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Iraque e Líbano se rebelam contra sectarismo religioso

Além da estagnação econômica, da miséria e do desemprego, as manifestações de protestos das últimas semanas em países árabes querem mudar sistemas constitucionais que institucionalizam o sectarismo religioso.

No Iraque, as manifestações de massa das últimas semanas partiram principalmente da classe operária num país onde um quarto da população vive na miséria. No Líbano, os protestos começaram pela classe média alta. No centro de Beirute na semana passada, havia mulheres com óculos e roupas de grife. 

Apesar deste contraste evidente, há algo em comum além da questão econômica. O Iraque e o Líbano enfrentam a paralisia, a corrupção e a incompetência de sistemas políticos que dividem o poder entre os principais grupos étnico-religiosos, observa um artigo de Anchal Vohra na revista Foreign Policy.

Os protestos no Líbano começaram em dezembro do ano passado. Com a paralisia do sistema político, o país estava sem governo enquanto as condições de vida da população pioravam. Faltam empregos, faltam 100 milhões de empregos nos países árabes, os cortes de energia elétrica são frequentes e a dívida pública chegou a 150% do produto interno bruto. Proporcionalmente, é a terceira maior do mundo. O Líbano está falido.

Desde que tomou posse, o atual primeiro-ministro, o sunita Saad Hariri, tentou cortar gastos, mas recuou diante de greves. Quando o governo anunciou a cobrança de impostos pelo uso do WhatsApp, uma multidão de até 1 milhão de pessoas, um sexto da população total do Líbano, saiu às ruas.Meu comentário:

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Revoltas populares contra desigualdade atingem quatro continentes

Uma onda de manifestações de protestos que por fundo o aumento da desigualdade de renda, a miséria e o desemprego, abala governos em quatro continentes. É mais um reflexo da Grande Recessão mundial de 2008 e 2009.

Talvez a situação mais grave no momento seja no Chile, onde pelo menos 11 pessoas morreram, mais de 150 saíram feridas e mil e 500 foram presas desde sexta-feira, quando começou uma violenta onda de protestos contra um aumento de 17 centavos de real no preço do metrô. 

Pela primeira vez desde o fim da ditadura do general Augusto Pinochet, em 1990, o Exército está nas ruas. Sob intensa pressão popular, o presidente conservador Sebastián Piñera cancelou o aumento, decretou estado de emergência e toque de recolher noturno na região metropolitana de Santiago e em mais de dez outras cidades. 

Também houve protestos recentemente no Equador, no Peru, na Nicarágua, na América Central, no Egito, no Iraque, no Líbano, na Catalunha e em Hong Kong. Meu comentário:

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Trio ganha Prêmio Nobel de Economia por luta contra a pobreza

Os professores Abhijit Banerjee, um indiano naturalizado americano, sua mulher, Esther Duflo, francesa, ambos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e Michael Kremer, americano, da Universidade de Harvard, ganharam hoje o Prêmio Nobel de Economia por seu trabalho sobre a economia do desenvolvimento e o combate à pobreza, anunciou hoje em Estocolmo a Academia Real de Ciências da Suécia.

"Em apenas duas décadas, sua nova abordagem baseada em experiências transformou a economia do desenvolvimento, que é hoje um campo de pesquisas florescente", destacou o comitê do Nobel.

Eles estudaram problemas como deficiências de saúde e aprendizagem em crianças, pesquisando que tipo de intervenções poderiam resolvê-los e buscaram maneiras de aplicá-las em larga escala. Aos 46 anos, Duflo é a mais jovem economista laureada até hoje e a segunda mulher agraciada com o Nobel de Economia até hoje.

Mais de 5 milhões de crianças indianas foram beneficiadas por seus trabalhos. Geralmente, o Nobel premia estudos teóricos. Neste ano, os agraciados foram contemplados pelo impacto de suas pesquisas no mundo real.

O casal Banerjee-Duflo ajudou a criar um 2003 o Laboratório de Ação contra a Pobreza Abdul Latif Jameel, uma rede global de pesquisadores sobre o combate à miséria. Ela identifica intervenções de sucesso, como combate a verminoses, e trabalha com governos e organizações não governamentais para implementá-los.

Duflo declarou que a premiação "reflete o fato de que se tornou um movimento, um movimento muito maior do que nós.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Protestos contra governo do Iraque resultam em 33 mortes

Pelo quarto dia seguido, milhares de iraquianos protestam contra a corrupção, a miséria, o desemprego e a falta de serviços públicos essenciais. O governo reage com gás lacrimogênio e munição real. Ao menos 33 pessoas foram mortas, 40 de acordo com grupos de defesa dos direitos humanos.

Dezesseis anos depois da invasão ordenada pelo presidente George W. Bush para derrubar o ditador Saddam Hussein, o Iraque ainda sofre as pesadas consequências da invasão americana, feita sob o falso pretexto de que o Iraque possuía armas de destruição em massa. 

Há quatro dias, milhares de pessoas, sobretudo jovens, protestam nas ruas de Bagdá e das principais cidades do Sul do país contra a corrupção, a miséria, que afeta a maioria dos 40 milhões de habitantes, o desemprego, que atinge 25% dos jovens, e a falta de serviços básicos como o fornecimento de água e energia elétrica. 

A infraestrutura já apresentava problemas por causa dos oitos anos da guerra contra o Irã nos anos 1980s e das sanções impostas pelas Nações Unidas depois da Guerra do Golfo de 1991, para expulsar os iraquianos do Kuwait. 

Desde que os bombardeios dos Estados Unidos arrasaram a infraestrutura do Iraque, o país com a quinta maior reserva mundial de petróleo não consegue fornecer energia regularmente nem para a capital. Meu comentário:
No quinto dia de protestos, o total de mortos chegou a 93 pessoas. Mais de 4 mil soldados americanos foram mortos desde a invasão de 2003. O sítio Iraq Body County estimou o total de mortos em 288 mil.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Ditadura de Maduro declara inelegibilidade de Guaidó por 15 anos

O controlador-geral da República Bolivarista da Venezuela, Elvis Amoroso, aliado do ditador Nicolás Maduro, decidiu hoje afastar o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó da Presidência da Assembleia Nacional e declará-lo inelegível por 15 anos, sob a acusação de corrupção.

De acordo com Amoroso, Guaidó não justificou em suas declarações de renda despesas realizadas na Venezuela e em outros países com dinheiro oriundo de outros países: "Ele fez mais de 24 viagens fora do território venezuelano a um custo superior a 310 milhões de bolívares [cerca de US$ 90 mil pelo câmbio do dia] sem justificar a origem destes fundos".

Como presidente da Assembleia Nacional eleita nas últimas eleições democráticas na Venezuela, em 6 de dezembro de 2015, Guaidó se declarou presidente interino em 23 de janeiro, sob a alegação de que o segundo mandato de Maduro é ilegítimo por ter resultado de uma eleição fraudulenta.

Mais de 50 países reconheceram Guaidó como presidente legítimo, inclusive o Brasil e outros 12 países da América Latina, os Estados Unidos, o Canadá e 16 das 28 nações da União Europeia. A China e a Rússia apoiam a ditadura de Maduro.

Nos últimos dias, a Rússia enviou aviões militares com cerca de soldados e equipamentos. Eles devem ajudar na segurança pessoal de Maduro e da cúpula do regime, tentando evitar um golpe dentro do chavismo. O presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu a retirada imediata dos russos.

Com a queda à metade do produto interno bruto desde a posse de Maduro, há seis anos, uma inflação de 1.000.000% ao ano em 2018 e desabastecimento generalizado, 94% dos venezuelanos vivem na miséria e 24% (7 milhões) precisam de ajuda humanitária, revelou hoje um relatório das Nações Unidas.

Cerca de 3,7 milhões sofrem de desnutrição. Há surtos de doenças como tuberculose, difteria, malária e hepatite A, principalmente por causa da escassez de água potável. Com quedas frequentes na energia elétrica, Caracas e outras cidades ficam no escuro seguidamente. Em média, 5 mil pessoas fogem da Venezuela a cada dia. Mais de 4 milhões deixaram o país nos últimos anos.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Primeiro-ministro do Kossovo ganha 300 gravatas de militantes

A antiga província sérvia do Kossovo é um dos países mais pobres da Europa, não reconhecido internacionalmente por muitos países. Quando o primeiro-ministro Ramush Haradinaj dobrou seu salário, ativistas promoveram uma campanha e arrecadaram 300 gravatas, noticiou o jornal esquerdista francês Libération.

Haradinaj está sob pressão por dobrar seu próprio salário de 1,5 mil para 3 mil euros por mês. Para se justificar, alegou que precisa andar bem vestido: "Devo estar à altura de minhas responsabilidades. Sou obrigado a ter uma gravata, não posso sair de qualquer maneira, devo ter uma camisa."

A reação da organização não governamental Atrás do Muro foi organizar uma campanha de doação de gravatas para o chefe de governo. "Ramush Haradinaj é primeiro-ministro de uma gente pobre que ganha 200 euros por mês", declarou Kaushtrim Mehmeti, um dos responsáveis pela ONG. "Ele não deve esquecer que representa gente que não tem problemas por falta de gravata, mas de pobreza."

O Kossovo tem uma taxa de desemprego que ronda os 30%. Cerca de 30% dos kossovares são pobres e 8% vivem na miséria.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Desigualdade prejudica redução da pobreza, adverte Banco Mundial

A miséria está diminuindo no mundo, mas o aumento da concentração da riqueza dificulta sua erradicação, alerta um relatório do Banco Mundial publicado no último domingo. Em 2013, 767 milhões de pessoas sobreviviam com menos de US$ 1,90 por dia (R$ 6,2 pela cotação de hoje). Quase metade dos miseráveis vive na África subsaariana.

Mesmo com a desaceleração do crescimento mundial, houve um recuo de 12% na pobreza extrema, beneficiando mais de cem milhões de pessoas naquele ano. Em 1990, eram quase 2 bilhões de miseráveis.

"A extrema pobreza continua a refluir no mundo, apesar da letargia da economia mundial", diz o relatório divulgado às vésperas da reunião anual do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O número de pessoas privadas de uma renda decente ainda é grande demais, observou o presidente do banco, Jim Yong Kim, citado no relatório.

A meta das Nações Unidas é erradicar a pobreza absoluta até 2030. Kim ressalva que este objetivo não será alcançado sem a redução da desigualdade: "A mensagem é clara. Não conseguiremos se não garantirmos que os mais pobres se beneficiem do crescimento. Para isso, é preciso atacar as grandes desigualdades, sobretudo nos países que concentram um grande número de pobres."

Entre 2008, quando a crise internacional estourou, e 2013, a renda dos 60% mais ricos cresceu mais depressa do que a dos 40% mais pobres em quase metade dos 84 países examinados na pesquisa do Banco Mundial.

Para atingir a meta, o banco apela aos países mais afetados pela miséria, como o Brasil, a investir nas crianças, garantir cobertura universal de saúde ou a oferecer benefícios sociais como o Bolsa-Família para os menos favorecidos.

"Não há receita milagrosa", concluiu o presidente do Banco Mundial. "Algumas medidas terão impacto rápido sobre a desigualdade de renda. Outras darão frutos gradualmente."

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Supremo tribunal da Itália admite pequenos furtos para comer

Por decisão da Suprema Corte de Cassação, o supremo tribunal da Itália, pequenos furtos de alimentos para matar a fome não são crimes, informa o jornal italiano Corriere della Sera.

O ucraniano Roman Ostriakov vivia nas ruas de Gênova cinco anos atrás, sem ter onde morar, quando foi preso roubando queijo e salsichas num valor inferior a US$ 5 (R$ 17,74). No ano passado, foi condenado a seis meses de prisão e multa de 100 euros (R$ 407,64), e recorreu da sentença.

Na segunda-feira, a Suprema Corte da Itália o absolveu: "A condição do acusado e as circunstâncias em que obteve as mercadorias mostram que ele pegou a pequena quantidade de comida que precisava para suprir sua necessidade essencial e imediata de nutrição", observa a sentença revisada.

E conclui: "As pessoas não devem ser punidas se, forçadas pela necessidade, furtarem pequenas quantidades de comida para atender à necessidade básica de alimentar a si mesmos."

A decisão foi elogiada em editorial de primeira página do jornal italiano La Stampa: "A decisão da corte lembra a todos nós que num país civilizado ninguém deve morrer de fome."

Com 615 italianos caindo na pobreza a cada dia, observa o jornal milanês Corriere della Sera, "é impensável que a Justiça não leve em conta a realidade".

Em realidade, os advogados de Ostriakov pediram apenas que sua pena fosse reduzida levando em conta que por ter sido preso dentro da loja ele deveria ser acusado de tentativa de furto e não de furto.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Haiti terá governo de transição para evitar vácuo de poder

Com o adiamento do segundo turno da eleição presidencial de 27 de dezembro de 2015 para 24 de abril de 2016, o Haiti terá um governo de transição para substituir o presidente Michel Martelly, que deixou o cargo em 6 de fevereiro, informa o boletim de notícias da TV France24.

Num acordo de última hora de Martelly com os presidentes da Câmara e do Senado, foi acertado que um presidente interino será eleito pelo Congresso em cinco dias. O chefe de Estado interino terá a missão de escolher um primeiro-ministro de consenso e assegurar a continuidade do processo eleitoral, que já custou US$ 100 milhões.

O Haiti é o país mais pobre da América. Cerca de 78% dos seus 10,5 milhões de habitantes sobrevivem com menos de US$ 2 por dia. Há mais de dez anos, o Brasil lidera uma força de paz das Nações Unidas para pacificar o país. Em 12 de janeiro de 2012, a capital do país, Porto Príncipe, foi arrasada por um violento terremoto que deixou mais de 200 mil mortos.

Proibido de se candidatar pela Constituição de 1987, aprovada depois da queda da ditadura da família Duvalier no ano anterior, Martelly apoiou Jovenel Moïse, vencedor no primeiro turno. O segundo colocado, Jude Célestin, acusa o governo de parcialidade e fraude eleitoral, e ameaça boicotar o segundo turno.

O novo presidente haitiano eleito pelo voto popular deve tomar posse em 14 de maio. A eleição indireta do interino já causa problemas. A oposição alega que o chefe de Estado provisório deveria ser o presidente do Supremo Tribunal e não um parlamentar.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Mais de um quarto dos argentinos vive na miséria, diz Igreja

De cada quatro argentinos, um é pobre, afirmou a cúpula da Igreja Católica dias depois que a presidente Cristina Kirchner declarou que o total de pobres está abaixo de 5% dos 42,5 milhões de habitantes do país.

Em entrevista de rádio, o arcebispo de Santa Fé, José María Arancedo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos da Argentina (CNBA) citou a mais recente pesquisa da Universidade Católica Argentina para dizer que o índice de pobreza está em 27,5%.

O arcebispo não contestou a alegação de Cristina numa conferência da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) realizada em Roma. A presidente disse que a entidade, no momento dirigida por um brasileiro indicado pelos governos petistas, reconheceu os esforços da Argentina para combater a fome.

Dom José María Arancedo foi direto: "Os pobres são seres humanos e isso torna a pobreza uma questão evangélica. Argumentar sobre números e detalhes é se afastar das pessoas em necessidade."

O engenheiro e economista José Graziano da Silva era coordenador do fracassado programa Fome Zero, substituído em 2004 pela Bolsa-Família, que garante uma renda mínima para famílias pobres que mandarem seus filhos para a escola, antes de ser indicado diretor-geral da FAO.

Ao premiar a Venezuela pelo combate à fome no momento em que o país enfrenta uma série crise de debastecimento de produtos básicos causada pelas políticas irresponsáveis do regime chavista e seu "socialismo do século 21", a FAO politiza e desmoraliza suas análises. Defende o indefensável fascismo venezuelano.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Presidente sul-africano mantém liderança do CNA

Com a promessa de lutar contra o desemprego, a desigualdade e a miséria, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, venceu o desafio posto por seu vice, Kgalema Motlanthe, e manteve a lideranca do Congresso Nacional Africano (CNA), o que praticamente garante sua reeleição para chefe de Estado.

Zuma usou o mesmo argumento para derrotar, em 2007, o então presidente Thabo Mbeki, assumindo a presidência do país antes de ser eleito para o cargo pelo voto popular. Isso levou um dos heróis na luta contra o regime supremacista branco do apartheid, o arcebispo Desmond Tutu, a chamar o país de "república de bananas".

No momento em que o grande herói da luta pela libertação da maioria negra, Nelson Mandela, enfrenta graves problemas de saúde aos 94 anos, a estrela do CNA também vai se apagando. Uma grande aliança dos grupos que lutavam contra o regime segregacionista branco, o CNA tem o monopólio de poder desde as eleições que levaram Mandela ao poder em 1994.

Esse monopólio já se mostra negativo para o país que sempre foi a grande esperança de redenção da África subsaariana. Diante da incapacidade da África do Sul de resolver crises regionais como a ditadura de Robert Mugabe no vizinho Zimbábue, muita gente diz que, se o outro país africano estivesse lutando hoje contra um regime racista feito o do apartheid, não teria o apoio do atual governo sul-africano.

Com seu harém e seus escândalos de corrupção, Zuma é um peso para a África do Sul, um atraso para o continente e uma liderança que não soma nos vários foruns internacionais de que o país participa ao lado do Brasil.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ajuste fiscal aumenta pobreza infantil no Reino Unido

O programa de cortes de gastos públicos e aumentos de impostos do governo David Cameron para reduzir o déficit público e equilibrar as contas do Reino Unido terá um forte impacto social, com reflexos sobre a miséria das crianças, advertiu ontem o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Toda a redução da pobreza infantil conseguida em treze anos de governos trabalhistas corre o risco de ser anulada, alerta o relatório, considerado chocante pelo jornal inglês The Independent.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Seis países recebem US$ 177 milhões contra fome

O Programa de Agricultura Global e Segurança Alimentar, um fundo de combate à fome e à miséria financiado por países ricos, vai dar US$ 177 milhões a seis países - Burúndi, Gâmbia, Maláui, Quirguistão,  Senegal e Tanzânia -, anunciou hoje o Banco Mundial.

No início de 2008, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas advertiu que uma inflação nos preços internacionais dos alimentos estava aumentando o total de famintos do mundo para cerca de 1 bilhão.

A crise econômico-financeira deflagrada pelo colapso do banco Lehman Brothers, em setembro daquele ano, aliviou as pressões inflacionárias, mas a combinação de comida cara com desemprego e a insensibilidade das autoridades está por trás da onda de revoltas da chamada Primavera Árabe.

Apesar de tímida, a recuperação levou a nova alta nos preços dos alimentos. Em 2011, a inflação foi de 24% em relação aos preços médios de 2010, informa o Banco Mundial.

Para o subsecretário para assuntos internacionais do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, Lael Brainard, depois do lançamento em abril de 2010, "o Programa de Agricultura Global e Segurança Alimentar provou rapidamente ser um dos programas mais inovativos e efetivos que a comunidade internacional criou. Vai aumentar a renda de 7,5 milhões de pequenos agricultores e suas famílias".

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mundo vive melhor e pior momento, diz ONU

O mundo vive hoje o melhor e o pior dos tempos, com uma prosperidade sem precedentes enquanto mais de 1 bilhão de pessoas vivem na miséria e a desigualdade entre ricos e pobres aumenta, concluiu o relatório do Painel de Alto Nível do Secretário-Geral das Nações Unidos sobre Sustentabilidade Global de 2012, lançado hoje no Rio de Janeiro, um mês antes da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

"A visão de longo prazo do Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global é erradicar a pobreza, reduzir a desigualdade e fazer com que o crescimento seja inclusivo e a produção e o consumo sejam mais sustentáveis, ao combater a mudança climática e respeitar outros limites planetários", diz o documento, distribuído na íntegra e num resumo executivo preparado pela ONU.

Vinte anos depois do Relatório Brundtland sobre Nosso Futuro Comum, reconhece o painel, "o conceito de desenvolvimento sustentável ainda não foi incorporado no fluxo do debate nacional e internacional sobre política econômica... Entretanto, integrar questões ambientais e sociais às decisões econômicas é vital para o sucesso".

Na ocasião, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu o fortalecimento do Programa das Nações Unidos para o Meio Ambiente (Pnuma), contrariando a posição da União Europeia, que gostaria de transformá-lo numa agência permanente da ONU, com mais poderes.

É mais um sinal de que o Brasil mantém uma posição atrasada, retrógrada e defensiva nas negociações internacionais sobre meio ambiente, sempre temeroso de ser cobrado pela calamitosa e irresponsável destruição da Floresta Amazônica, nosso maior patrimônio natural, avalizada pela aprovação do novo Código Florestal, que só interessa à agricultura predatória e aos desmatadores.

Confira aqui a gravação da entrevista coletiva distribuída pela ONU.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Cem milhões de nigerianos vivem na miséria

Cerca de cem milhões de nigerianos, 61% do país mais populoso e segundo mais rico da África, vivem na miséria com menos de um dólar por dia, apesar do crescimento econômico dos últimos anos.

O Escritório Nacional de Estatísticas revela que o percentual de nigerianos em "pobreza absoluta" subiu de 54,7% em 2004 para 60,9% em 2010 e prevê a manutenção desta tendência, informa a televisão estatal britânica BBC.

Maior produtor de petróleo do continente, o produto responde por 80% da arrecadação do governo da Nigéria, mas o país não tem capacidade de refino. Isso o obriga a importar combustíveis a um custo elevado.

No mês passado, uma greve geral abortou uma tentativa do governo de cortar os subsídios.

A miséria também divide o país entre o Sul rico e majoritariamente cristão e o Norte mais pobre e predominantemente muçulmano, com o surgimento de um violento grupo extremista muçulmano, Boko Haram, na região central.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pobreza volta a cair na América Latina

pobreza voltou a cair em 2010 no subcontinente, retomando a tendência anterior à Grande Recessão, revelou ontem a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão das Nações Unidas.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Causa da guerra no Afeganistão é miséria

A verdadeira causa da guerra civil sem fim no Afeganistão não é a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes), mas a miséria em que vive a imensa maioria da população do país, disseram 70% dos 704 afegãos numa pesquisa de opinião encomendada pela organização não governamental Oxfam (Comitê de Oxford para o Combate à Fome).

O presidente Hamid Karzai tomou posse hoje para um segundo mandato de cinco anos prometendo combater a corrupção. Mas depois de fraudar a eleição presidencial, sua credibilidade é mínima.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Violência mata 40 estrangeiros na África do Sul

O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, manda o Exército conter a violência contra imigrantes, que causou a morte de pelo menos 40 estrangeiros nos últimos dias. Da periferia de Joanesburgo, a maior cidade sul-africano, o conflito se propagou, chegando até a província de Kwazulu-Natal, onde um bar de um nigeriano foi atacado.

Na favela Ramaphosa, nos arredores da capital econômica do país, o dia foi mais calmo. Lixeiros e moradores procuravam objetos de valor entre os casebres incendiados pela turba. Diversos veículos da polícia patrulhavam a área.

A África do Sul vive uma crise econômica, e os estrangeiros são acusados de crimes e de tirar empregos dos sul-africanos. Os principais alvos são zimbabueanos e moçambicanos.

Centenas de moçambicanos aterrorizados voltaram para seu país.