O Congresso do Haiti elegeu hoje o presidente do Senado, Jocelerme Privert, como presidente de um governo interino destinado a evitar um vácuo de poder depois do fim do mandato do presidente Michel Martelly, informou a agência Associated Press (AP).
Privert terá como principal missão organizar o segundo turno da eleição presidencial, adiado para 24 de abril de 2016 diante das denúncias de fraude de Jude Célestin, o oposição mais votado, que ameaça abandonar a segunda votação.
Um novo conselho eleitoral será formado para preparar o segundo turno. No primeiro, ganhou o governista Jovenel Moïse com 33% dos votos, seguido por Célestin com 25%. Em 20 de janeiro, o oposicionista declarou que quem participasse do segundo turno marcado para 24 de janeiro seria "um traidor da pátria".
Por enquanto, o primeiro-ministro Paul Evans continua na chefia do governo.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 14 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Haiti terá governo de transição para evitar vácuo de poder
Com o adiamento do segundo turno da eleição presidencial de 27 de dezembro de 2015 para 24 de abril de 2016, o Haiti terá um governo de transição para substituir o presidente Michel Martelly, que deixou o cargo em 6 de fevereiro, informa o boletim de notícias da TV France24.
Num acordo de última hora de Martelly com os presidentes da Câmara e do Senado, foi acertado que um presidente interino será eleito pelo Congresso em cinco dias. O chefe de Estado interino terá a missão de escolher um primeiro-ministro de consenso e assegurar a continuidade do processo eleitoral, que já custou US$ 100 milhões.
O Haiti é o país mais pobre da América. Cerca de 78% dos seus 10,5 milhões de habitantes sobrevivem com menos de US$ 2 por dia. Há mais de dez anos, o Brasil lidera uma força de paz das Nações Unidas para pacificar o país. Em 12 de janeiro de 2012, a capital do país, Porto Príncipe, foi arrasada por um violento terremoto que deixou mais de 200 mil mortos.
Proibido de se candidatar pela Constituição de 1987, aprovada depois da queda da ditadura da família Duvalier no ano anterior, Martelly apoiou Jovenel Moïse, vencedor no primeiro turno. O segundo colocado, Jude Célestin, acusa o governo de parcialidade e fraude eleitoral, e ameaça boicotar o segundo turno.
O novo presidente haitiano eleito pelo voto popular deve tomar posse em 14 de maio. A eleição indireta do interino já causa problemas. A oposição alega que o chefe de Estado provisório deveria ser o presidente do Supremo Tribunal e não um parlamentar.
Num acordo de última hora de Martelly com os presidentes da Câmara e do Senado, foi acertado que um presidente interino será eleito pelo Congresso em cinco dias. O chefe de Estado interino terá a missão de escolher um primeiro-ministro de consenso e assegurar a continuidade do processo eleitoral, que já custou US$ 100 milhões.
O Haiti é o país mais pobre da América. Cerca de 78% dos seus 10,5 milhões de habitantes sobrevivem com menos de US$ 2 por dia. Há mais de dez anos, o Brasil lidera uma força de paz das Nações Unidas para pacificar o país. Em 12 de janeiro de 2012, a capital do país, Porto Príncipe, foi arrasada por um violento terremoto que deixou mais de 200 mil mortos.
Proibido de se candidatar pela Constituição de 1987, aprovada depois da queda da ditadura da família Duvalier no ano anterior, Martelly apoiou Jovenel Moïse, vencedor no primeiro turno. O segundo colocado, Jude Célestin, acusa o governo de parcialidade e fraude eleitoral, e ameaça boicotar o segundo turno.
O novo presidente haitiano eleito pelo voto popular deve tomar posse em 14 de maio. A eleição indireta do interino já causa problemas. A oposição alega que o chefe de Estado provisório deveria ser o presidente do Supremo Tribunal e não um parlamentar.
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domingo, 21 de dezembro de 2014
Ministra da Saúde é nomeada primeira-ministra do Haiti
A atual ministra da Saúde, Florence Duperval Guillaume foi nomeada primeira-ministra do Haiti, anunciou hoje a agência Reuters. Ela substitui Laurent Lamothe, que pediu demissão em 14 de dezembro de 2014, sob pressão de uma onda de protestos populares.
Os manifestantes também exigiam a renúncia do presidente Michel Martelly, um cantor pop que conseguiu reconstruir parcialmente o país depois do terremoto que arrasou a capital, Porto Príncipe, em 12 de janeiro de 2010. Cerca de 80% dos desabrigados já tem casa para morar.
domingo, 14 de dezembro de 2014
Cai o primeiro-ministro do Haiti
Sob pressão de semanas de manifestações de protesto, o primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe, pediu demissão hoje, seguindo o conselho de uma comissão formada pelo governo para administrar a crise.
Os manifestantes também exigem a renúncia do presidente Michel Martelly, acusando-o de violar os princípios da democracia, mas a situação do país melhorou bastante em seu governo, iniciado em maio de 2011, na primeira transição democrática para um membro da oposição na história haitiana.
Martelly, um músico e popstar, governa com o apoio da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), liderada por militares brasileiros. Ele assumiu com o país arrasado pelo Terremoto de Porto Príncipe, de 12 de janeiro de 2010, em que 100 a 200 mil haitianos foram mortos.
Depois do terremoto, a sociedade internacional prometeu dar uma ajuda de US$ 10 bilhões para a reconstrução do Haiti.
Os manifestantes também exigem a renúncia do presidente Michel Martelly, acusando-o de violar os princípios da democracia, mas a situação do país melhorou bastante em seu governo, iniciado em maio de 2011, na primeira transição democrática para um membro da oposição na história haitiana.
Martelly, um músico e popstar, governa com o apoio da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), liderada por militares brasileiros. Ele assumiu com o país arrasado pelo Terremoto de Porto Príncipe, de 12 de janeiro de 2010, em que 100 a 200 mil haitianos foram mortos.
Depois do terremoto, a sociedade internacional prometeu dar uma ajuda de US$ 10 bilhões para a reconstrução do Haiti.
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Dois anos depois Haiti aguarda reconstrução
Dois anos depois do terremoto de 7 graus na escala Richter que matou cerca de 220 mil pessoas e arrasou a capital do Haiti, Porto Príncipe, meio milhão de pessoas ainda vivem em acampamentos improvisados. Pouco resultado se vê dos US$ 10 bilhões de dólares prometidos pelas Nações Unidas para reconstruir o país mais pobre da América.
Em entrevista à TV americana CNN, o presidente Michel Martelly garantiu que até o fim do ano terá removido todos os desalojados das ruas da capital, colocando-os em residências seguras. Mas os problemas começam no desgoverno do Haiti.
Martelly tomou posse em maio de 2011, depois de meses de recursos e impugnações ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial, realizado em novembro de 2010. Ele declarou na época que "o país está aberto para negócios".
Mas, com um sistema político inoperante e a infraestrutura arrasada, o interesse dos investidores é escasso.
Para o presidente da Federação dos Arquitetos de Emergências, Patrick Coulombel, "estamos a caminho de reconstruir as favelas do Haiti". Em entrevista ao jornal francês Libération para marcar o aniversário do terremoto de 12 de janeiro de 2010, ele critica a lentidão em reconstruir o país e a incompetência das organizações internacionais.
Quando entrevistei o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, para a TV Brasil, perguntei se mais uma vez a sociedade internacional iria abandonar o Haiti. Ele sorriu com descrença e assegurou que desta vez o dinheiro seria realmente empregado e o país teria uma chance de se integrar ao mundo moderno.
O Haiti ainda está longe de romper o ciclio de violência e miséria que o atormenta ao longo de sua história.
Em entrevista à TV americana CNN, o presidente Michel Martelly garantiu que até o fim do ano terá removido todos os desalojados das ruas da capital, colocando-os em residências seguras. Mas os problemas começam no desgoverno do Haiti.
Martelly tomou posse em maio de 2011, depois de meses de recursos e impugnações ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial, realizado em novembro de 2010. Ele declarou na época que "o país está aberto para negócios".
Mas, com um sistema político inoperante e a infraestrutura arrasada, o interesse dos investidores é escasso.
Para o presidente da Federação dos Arquitetos de Emergências, Patrick Coulombel, "estamos a caminho de reconstruir as favelas do Haiti". Em entrevista ao jornal francês Libération para marcar o aniversário do terremoto de 12 de janeiro de 2010, ele critica a lentidão em reconstruir o país e a incompetência das organizações internacionais.
Quando entrevistei o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, para a TV Brasil, perguntei se mais uma vez a sociedade internacional iria abandonar o Haiti. Ele sorriu com descrença e assegurou que desta vez o dinheiro seria realmente empregado e o país teria uma chance de se integrar ao mundo moderno.
O Haiti ainda está longe de romper o ciclio de violência e miséria que o atormenta ao longo de sua história.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Martelly recria Exército do Haiti
O novo presidente do Haiti, Michel Martelly, anunciou um plano para
recriar o Exército do país, dissolvido em 1995 pelo então presidente
Jean-Bertrand Aristide depois de uma longa história de golpes de Estado e
violações dos direitos humanos, informa a agência de notícias Associated
Press.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Martelly realiza pouco em cem dias
O presidente e popstar Michel Martelly completou cem dias no poder no Haiti sem mostrar avanços na reconstrução do país, arrasado por um terremoto em 12 de janeiro de 2010.
Nos seus primeiros meses de governo, Martelly lançou um programa habitacional e um fundo para financiar a educação gratuita, e reinaugurou escolas. Mas diplomatas estrangeiros comentam que o governo haitiano precisa transformar seu discurso em realizações, observa o jornal The Miami Herald.
Um ano e meio depois do terremoto, cerca de 600 mil pessoas continuam vivendo em acampamentos improvisados, sem saneamento básico.
Depois do terremoto, a sociedade internacional prometeu US$ 10 bilhões de ajuda ao Haiti. Resta ver se desta vez o país não seria abandonado como aconteceu historicamente.
Depois do terremoto, a sociedade internacional prometeu US$ 10 bilhões de ajuda ao Haiti. Resta ver se desta vez o país não seria abandonado como aconteceu historicamente.
sábado, 14 de maio de 2011
Martelly toma posse no Haiti
O cantor pop Michel Martelly tomou posse hoje como novo presidente do Haiti. Depois de ficar fora do segundo de uma eleição presidencial marcada por denúncias de fraude, ele ficou com a vaga que seria do candidato governista Jude Célestin e se elegeu.
Seu maior desafio será reconstruir a região ao redor da capital, Porto Príncipe, destruída por um terremoto que matou mais de 200 mil pessoas, em 12 de janeiro de 2009.
Martelly é ligado a setores conservadores da sociedade haitiana que querem recriar o Exército, dissolvido depois de uma longa história de golpes de Estado, para substituir a missão de paz da ONU liderada pelo Brasil.
Seu maior desafio será reconstruir a região ao redor da capital, Porto Príncipe, destruída por um terremoto que matou mais de 200 mil pessoas, em 12 de janeiro de 2009.
Martelly é ligado a setores conservadores da sociedade haitiana que querem recriar o Exército, dissolvido depois de uma longa história de golpes de Estado, para substituir a missão de paz da ONU liderada pelo Brasil.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Martelly quer recriar Exército do Haiti
O novo presidente do Haiti, o cantor pop Michel Martelly, apoiado pela elite conservadora do país, quer recriar o Exército, historicamente ligado a ditaduras, golpes de Estado e tráfico de drogas.
O Exército foi extinto em 1995 pelo primeiro presidente eleito democraticamente da História do Haiti. Jean-Bertrand Aristide venceu a eleição presidencial de 1990. tomou posse em fevereiro do ano seguinte e foi deposto sete meses depois pelo general Raoul Cédras.
Uma intervenção militar dos Estados Unidos, em 1994, levou à queda de Cédras e à reinstauração de Aristide, que decidiu acabar com o Exército.
Reeleito no ano 2000, Aristide governou de 7 de fevereiro de 2001 a 29 de fevereiro de 2004, quando deixou o cargo, sob pressão dos EUA e da França, a antiga potência colonial, em meio a uma revolta no Oeste do país em que estariam envolvidos elementos das antigas Forças Armadas.
Desde então, a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil, tenta manter a paz no país mais pobre da América. O novo presidente quer a saída da força da ONU. Sua missão ficaria a cargo do Exército.
Se isso será capaz de pacificar o Haiti, é extremamente duvidoso.
O Exército foi extinto em 1995 pelo primeiro presidente eleito democraticamente da História do Haiti. Jean-Bertrand Aristide venceu a eleição presidencial de 1990. tomou posse em fevereiro do ano seguinte e foi deposto sete meses depois pelo general Raoul Cédras.
Uma intervenção militar dos Estados Unidos, em 1994, levou à queda de Cédras e à reinstauração de Aristide, que decidiu acabar com o Exército.
Reeleito no ano 2000, Aristide governou de 7 de fevereiro de 2001 a 29 de fevereiro de 2004, quando deixou o cargo, sob pressão dos EUA e da França, a antiga potência colonial, em meio a uma revolta no Oeste do país em que estariam envolvidos elementos das antigas Forças Armadas.
Desde então, a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil, tenta manter a paz no país mais pobre da América. O novo presidente quer a saída da força da ONU. Sua missão ficaria a cargo do Exército.
Se isso será capaz de pacificar o Haiti, é extremamente duvidoso.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Candidato do governo abandona eleição no Haiti
Sob forte pressão internacional, o partido do governo do Haiti à presidência anunciou hoje a retirada da candidatura de Jude Célestin do segundo turno da eleição presidencial, que estava previsto para 16 de janeiro.
A disputa vai ser entre Mirlande Manigat, viúva do ex-presidente Leslie Manigat, que ganhou o primeiro turno com 36% dos votos, e o cantor pop Michel Martelly, que oficialmente teve 21%, 7 mil votos a menos do que Célestin, que teria obtido 22% dos votos.
Diante dos protestos e denúncias de fraude, uma investigação da Organização dos Estados Americanos (OEA) concluiu que houve realmente uma série de irregularidades que justificariam o afastamento do candidato do presidente René Préval.
A disputa vai ser entre Mirlande Manigat, viúva do ex-presidente Leslie Manigat, que ganhou o primeiro turno com 36% dos votos, e o cantor pop Michel Martelly, que oficialmente teve 21%, 7 mil votos a menos do que Célestin, que teria obtido 22% dos votos.
Diante dos protestos e denúncias de fraude, uma investigação da Organização dos Estados Americanos (OEA) concluiu que houve realmente uma série de irregularidades que justificariam o afastamento do candidato do presidente René Préval.
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