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domingo, 24 de abril de 2022

Macron é reeleito com vantagem maior do que prevista

 Mais uma vez, a ameaça da extrema direita na França não passou de ameaça. O presidente Emmanuel Macron foi reeleito com 58,5% dos votos válidos contra 41,5% da candidata neofascista Marine Le Pen, que avançou sete pontos percentuais em relação ao segundo turno da eleição presidencial de 2017. A abstenção, de 28,2%, ficou abaixo da expectativa, mas é a maior desde 1969.

Ao reconhecer a derrota, Marine Le Pen, da Reunião Nacional (RN) se felicitou pelo resultado que, nas suas palavras, "representa uma vitória estrondosa". Mas seu adversário na disputa pelos votos da ultradireita no primeiro turno, Eric Zemmour, declarou que é "a oitava vez que a derrota atinge o nome Le Pen", numa referência que inclui Jean-Marie Le Pen, pai de Marine, fundador da Frente Nacional (FN).

O terceiro colocado no primeiro turno, com surpreendentes 21,95% dos votos, o esquerdista radical Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, afirmou que "Emmanuel Macron é o presidente mais mal eleito da 5ª República". Ele fez um apelo aos eleitores para votar na esquerda nas eleições parlamentares de 12 e 19 de junho e assim torná-lo primeiro-ministro.

Leia mais em Quarentena News.

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Pedro Castillo é o presidente eleito do Peru

A apuração ainda não terminou, mas o professor e sindicalista José Pedro Castillo, que nunca ocupou um cargo eletivo, já é matematicamente o presidente eleito do Peru. Com 99,998% das urnas apuradas, Castillo, do partido de extrema esquerda Peru Livre, tem 8.787.891 votos (50,2% dos votos válidos) contra 8.714.822 (49,8%) da ex-deputada de extrema direita Keiko Fujimori, da Força Popular. É uma diferença de 73.069.

Diante da derrota iminente, há dois dias Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, preso por corrupção e violações de direitos humanos, fala em "fraude maciça" sem apresentar qualquer prova. Ela ganhou na Grande Lima e no litoral, as regiões mais ricas do Peru e saiu na frente no início da apuração.

Castillo passou à frente na manhã de segunda-feira, quando entraram os resultados das zonas eleitorais mais distantes da Cordilheira dos Andes e da Floresta Amazônia, do Peru profundo, de maioria indígena e mestiça. Será o primeiro presidente que não veio da elite limenha.

A esperança de Keiko era um milhão de votos do exterior, onde ela venceu por 66% a 34%. Com o fim da apuração dos votos do exterior hoje de manhã, Castillo se declarou vencedor.

O presidente eleito é conservador nos costumes. É contra o casamento gay e o ensino de questões de gênero nas escolas. Em economia, está claramente à esquerda. Quer renegociar os contratos com as mineradoras e convocar uma Assembleia Constituinte para mudar a ordem econômica e aumentar a presença do Estado.

Sua vitória pode significar o fim das ambições presidenciais do fujimorismo. Será mais um teste para o pensamento econômico de esquerda na América Latina. Castillo recebeu um país que tem a maior taxa de mortalidade por covid-19 e sofreu uma queda de 11% no produto interno bruto no ano passado, com aumento da pobreza de 20% para 30%.

É a segunda eleição na América Latina em que se expressa uma revolta popular contra o fracasso do governo, do sistema político e do Estado no combate à pandemia, a exemplo da derrota da aliança de direita liderada pelo presidente Sebastián Piñera nas eleições para a Assembleia Constituinte no Chile. 

No caso peruano, as elites fracassaram. Os partidos tradicionais, que haviam sido destruídos pela ditadura de Fujimori, e os que surgiram depois foram repudiados. Houve um colapso do centro, Castillo foi uma surpresa no primeiro turno e dois extremistas disputaram o segundo turno.

As alegações de fraude de Keiko Fujimori indicam que a elite peruana não vai aceitar facilmente a vitória de Castillo. Keiko vai à Justiça e pedir a impugnação de urnas para tentar mudar o resultado. Sem maioria no Congresso unicameral, o novo presidente terá de negociar e de abrir mão de suas posições mais radicais. É fácil destituir um presidente no Peru. Foram quatro nos últimos quatro anos.

terça-feira, 8 de junho de 2021

Castillo passa à frente e Keiko denuncia fraude no Peru

 Com 96,34% das urnas escrutinadas, o candidato de extrema esquerda Pedro Castillo, do partido Peru Livre, lidera a apuração do segundo da eleição presidencial no Peru com uma vantagem de menos de 100 mil sobre a ultradireitista Keiko Fujimori, da Força Popular. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), preso por corrupção e violações dos direitos humanos.

Na última atualização, pouco depois de meia noite em Lima, duas da madrugada em Brasília, o professor Castillo tinha 50,287% dos votos válidos contra 49,713% para a ex-deputada Fujimori, que perdeu as duas eleições presidenciais anteriores, para Ollanta Humala (2011-16) em 2011 e Pedro Pablo Kuczynski (2016-18) em 2016.

Como tantas vezes na América Latina, observa a revista inglesa The Economist, é uma eleição da direita contra a esquerda, da cidade contra o campo.

Keiko recebeu a maioria dos votos na região metropolitana de Lima e no litoral, onde a apuração manual dos votos impressos foi mais rápida. Com a entrada dos votos da Cordilheira dos Andes e da Floresta Amazônica, Castillo, um professor e sindicalista, tomou a dianteira no fim da manhã de segunda-feira e ampliou a vantagem desde então.

A esperança de Keiko está nos votos no exterior, onde ela lidera com 63%, mas ainda faltam votos e regiões onde Castillo tem ampla maioria. Diante da derrota iminente, ela alegou que houve uma fraude maciça, sem qualquer prova concreta.

A se confirmar a vitória de Castillo, será a primeira de um representante do interior, do Peru profundo, sobre a elite limenha. Alberto Fujimori, pai de Keiko, não é de origem europeia, mas também saiu do extrato superior da sociedade peruana e percorreu o interior vestido de índio para derrotar em 1990 o escritor Mario Vargas Llosa, representante da elite urbana europeizada.

O Peru foi um dos países latino-americanos que mais cresceram neste século, principalmente por causa das exportações para a China. A pobreza diminuiu, mas a riqueza continuou concentrada na elite limenha. No momento, além da crise política crônica que levou todos os presidentes deste século a serem investigados por corrupção, por receber propina da construtora brasileira Odebrecht, o Peru tem a maior taxa de mortalidade da covid-19 no mundo.

A economia peruana recuou 11% com a pandemia. O desemprego atinge 15% da população economicamente ativa. A informalidade é enorme. Isto agravou a pandemia, porque as pessoas tinham de trabalhar. A pobreza subiu de 20% para 30%. 

Se Castillo vencer, a política econômica deve sofrer uma guinada do neoliberalismo para uma maior intervenção estatal, o que pode provocar fuga de capital. Com o país literalmente dividido, também há risco de violência política.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Keiko Fujimori lidera apuração do segundo turno no Peru

 Com pouco mais de 83% das urnas apuradas, a candidata direitista Keiko Fujimori, da aliança Força Popular, lidera a contagem dos votos no segundo turno da eleição presidencial no Peru com 51,2% contra 48,8% para o professor Pedro Castillo, de extrema esquerda, da aliança Peru Livre. São dois candidatos autoritários. Deve ganhar quem tiver menor rejeição. Falta contar os votos de zonas rurais e da selva, onde Castillo deve levar vantagem, e do exterior, onde Keiko vence com 63% até agora.

Ex-deputada pela região metropolitana de Lima, Keiko Sofía Fujimori Higuchi, de 45 anos, é filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), preso por corrupção e violações dos direitos humanos, a quem deve conceder indulto se for eleita. 

Em 2011 e 2016, Keiko Fujimori perdeu as eleições presidenciais no segundo turno por margens estreitas para Ollanta Humala (2011-16) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-18). Já esteve presa e está sendo processada por desdobramentos da Operação Lava Jato no Peru, em que todos os presidentes do século foram acusados de receber propina da construtora brasileira Odebrecht.

José Pedro Castillo, de 51 anos, um sindicalista e professor de origem indígena foi a grande surpresa do primeiro turno, superando os candidatos mais cotados. Ficou famoso por liderar uma greve nacional de professores em 2017. 

Conservador nos costumes, é contra a legalização do aborto, o casamento gay e o ensino da igualdade de gênero nas escolas. Na economia, Castillo tem uma plataforma radical de esquerda com propostas de convocar uma Assembleia Constituinte para superar a Constituição de 1993, do governo Alberto Fujimori, e renegociar os contratos com as mineradoras.

O duelo é visto como um sintoma das diferenças e desigualdades entre a capital, Lima, e o litoral, as regiões mais ricas, e o interior pobre do Peru, as regiões da Cordilheira dos Andes e da Floresta Amazônica.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Esquerdista surpreende e vai ao 2º turno no Peru com Keiko Fujimori

O professor e sindicalista Pedro Castillo, grande surpresa nestas eleições, deve disputar o segundo turno no Peru, em 6 de junho, provavelmente contra Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, condenado e preso por corrupção e violação dos direitos humanos.

Nas pesquisas de boca de urna, parecia que o adversário de Castillo seria Keiko ou o economista Hernando de Soto, que foi assessor do governo Alberto Fujimori (1990-2000) e defende um "capitalismo popular", dando títulos de propriedade para moradores de favela e pequenos agricultores.

As projeções do instituto Ipsos dão 18,1% para Castillo, 14,4% para Keiko, 12,4% para o ultradireitista Rafael López Aliaga, que rejeita comparação com o presidente Jair Bolsonaro, 10,8% para Hernando de Soto, 9,7 para Yohny Lescano e 7,9% para a deputado esquerdista Verónika Mendoza, que foi a surpresa em 2016, ficando em terceiro lugar com 18% dos votos.

Desta vez, ao que parece, Castillo, que foi votar a cavalo, é o candidato antissistema, do Centro e do Sul, do interior pobre, o azarão que veio de trás, atropelou e já é considerado favorito no segundo turno. Nas palavras do jornal espanhol El País, "é o Peru que não mora em Lima, que não está no Twitter e a quem ninguém prestou atenção durante a campanha eleitoral."

Esquerdista considerado radical, José Pedro Castillo Terrones liderou uma greve de professores em 2017 para exigir aumento salarial, pagamento da dívida social, revolução da Lei da Carreira Pública do Magistério e mais dinheiro para a educação.

Castillo promete anular todos os contratos com mineradoras, estatizar o setor e alterar a Constituição para permitir maior intervenção estatal na economia. Os setores empresarias temem uma chavistização do Peru, mas ele é mais comparado ao ex-presidente boliviano Evo Morales.

Cerca de 25 milhões de peruanos estavam aptos para votar a eleger um novo presidente, dois vice-presidentes, 130 deputados do Congresso Nacional, o parlamento unicameral, e cinco deputados do Parlamento da Comunidade Andina.

Na contagem oficial, apurados 37% dos votos, Castillo lidera com 15,9%, seguido por De Soto com 14%, López Aliaga com 13,1%, Keiko com 12,6% e Lescano com 9%.

Quem tomar posse em 28 de julho vai receber um Peru destroçado pela pandemia do coronavírus de 2019, com a segunda maior taxa de mortes por habitante, atrás do Brasil, e uma queda de 11% no produto interno bruto do ano passado, sem falar na crise política permanente e nos sucessivos escândalos de corrupção.

O Peru começou bem na pandemia, com um confinamento rigoroso imposto pelo então presidente Martín Vizcarra. Numa economia com 80% de informalidade, foi impossível manter o distanciamento físico e a situação saiu de controle. O Peru chegou a ser um dos países com um dos maiores números de mortes por habitante.

Dos presidentes do Peru no século 21, Fujimori está preso depois de renunciar e fugir para o Japão. Alejandro Toledo (2001-6) está refugiado nos Estados Unidos. Alan García (1985-90 e 2006-11) se matou para não ser preso. 

Ollanta Humala (2011-16) foi preso e hoje aguarda julgamento em prisão domiciliar. A procuradoria pediu 20 anos de cadeia para ele e 26 para sua mulher, Nadine Heredia, num escândalo de suborno recebido da Construtora Norberto Odebrecht revelado pela Operação Lava Jato. 

Pedro Pablo Kuczynski (2016-18) renunciou diante do segundo processo de impeachment por comprar votos no primeiro, quando era acusado de receber propina da Odebrecht. Está em prisão domiciliar desde abril de 2019, aguardando o julgamento.

Martín Vizcarra (2018-20) era o vice de Kuczynski. Governou até ser afastado em processo de impeachment por "incapacidade moral" em virtude de um escândalo de suborno quando era governador do Departamento de Moquegua. Foi substituído pelo presidente do Congresso, Manuel Merino, que durou cinco dias no cargo, de 10 a 15 de novembro de 2020. Assumiu, então, Francisco Sagasti, como presidente interino para completar o mandato até a posse de um novo presidente eleito pelo povo.

Keiko Fujimori, a provável desafiante de Castillo no segundo turno, também esteve presa por receber contribuições ilegais para a campanha da Odebrecht. Parece que o maior impacto da Lava Jato foi no Peru. Pegou todos os presidentes peruanos do século, menos Vizcarra.

domingo, 17 de junho de 2018

Conservador Iván Duque é eleito presidente da Colômbia

Com 99,93% dos votos apurados, o candidato conservador Iván Duque foi eleito presidente da Colômbia no segundo turno com 10,37 milhões (54%) contra 8,031 milhões (41,8%) para o ex-prefeito esquerdista de Bogotá Gustavo Petro. Houve 808 mil votos (4,2%) em branco e. 266  mil (1,36%) nulos, informou o jornal colombiano El Espectador.

Duque, do Centro Democrático, faz 42 anos em 1º de agosto. Será o presidente mais jovem da história moderna da Colômbia. Discípulo do ex-presidente Álvaro Uribe, sua vitória instala no Palácio de Nariño a direita contrária ao acordo de paz do atual presidente, Juan Manuel Santos, ministro da Defesa de Uribe, com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Advogado e mestre em economia, Duque representa os "indignados" com as concessões feitas à guerrilha esquerda para lograr o acordo de paz, especialmente a anistia a quem cometeu crimes violentos. Promete "mudanças estruturais".

"Queremos que quem cometeu crimes de lesa humanidade recebe sanções proporcionais que sejam incompatíveis coma representação política", declarou Duque.

Pelo acordo negociado em Havana, assinado em 24 de novembro de 2016 em Bogotá, os guerrilheiros que confessaram seus crimes e oferecerem reparações têm direito à anistia e inclusive a concorrer em eleições em que a guerrilha teve uma reserva de vagas. O uribismo rejeita tanto a anistia quanto a reserva de vagas no Congresso para ex-rebeldes. 

domingo, 27 de maio de 2018

Conservador e ex-prefeito verde disputam segundo turno na Colômbia

O advogado conservador Iván Duque, apoiado pelo ex-presidente linha-dura Álvaro Uribe, e o ex-guerrilheiro e ex-prefeito ecologista de Bogotá, Gustavo Petro, disputam em 17 de junho de 2018 o segundo turno da eleição presidencial na Colômbia.

Com 99,76% dos votos apurados no primeiro turno, realizado hoje, Duque lidera com 7.558.413 (39%) contra 4.846.088 (25%) para Petro; seguidos pelo esquerdista Sergio Fajardo com 4.586.016 (24%), apenas 200 mil menos que Petro; pelo ex-vice-presidente Germán Vargas, com 1.404.624 (7,3%); informou o jornal colombiano El Espectador.

A primeira eleição presidencial depois dos acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) transcorreu sem problemas. Petro foi guerrilheiro do M-19, grupo que se desmobilizon nos anos 1990s.

A vitória parcial de Duque indica que boa parte dos colombianos concordam com a posição de Uribe contra o acordo. Ao mesmo tempo, os 25% de Petro e os 24% de Fajardo apontam o fim do tabu contra o voto na esquerda, outra consequência da paz.

"O acordo de paz abriu as portas à consolidação da votação de esquerda no país", comentou Laura Wills, professora da Universidad de Los Andes. Acabou o estigma que associava a esquerda à luta armada. A união da esquerda pode vencer o uribismo.

Se ganhar no segundo turno, Duque promete manter o acordo com as FARC, mas pretende reformar alguns aspectos, como anistia para guerrilheiros condenados por delitos graves. Conservador, é contra o aborto, mas não vai mudar a lei que autoriza o casamento gay.

domingo, 18 de junho de 2017

Segundo turno confirma maioria de Macron na Assembleia Nacional

Com o fechamento total das urnas no segundo turno das eleições parlamentares na França, a aliança entre a República em Marcha (ReM) e Movimento Democrático (MoDem), liderada pelo presidente Emmanuel Macron, confirma sua maioria absoluta na Assembleia Nacional. Deve eleger 355 dos 577 deputados, indica a pesquisa Ipsos/Sopra Steria.

Sozinha, a ReM deve ter 311 deputados, o que lhe garantiria maioria absoluta sem alianças. A segunda maior bancada será da coalizão entre Os Republicanos, o tradicional partido conservador herdeiro da tradição do general Charles de Gaulle, e a União Democrática Independente (UDI), com cerca de 125 deputados, cem a menos.

A coalizão do Partido Socialista (PS), que estava no poder no governo François Hollande e tinha maioria no Parlamento antes da revolução de Macron, ex-ministro da Economia de Hollande, terá 49 deputados, dos quais 34 do PS.

Em entrevista coletiva neste momento, o primeiro-secretário do PS, Jean Christophe Cambdélis, defendeu a reaglutinação da esquerda em torno de um programa progressista para enfrentar o liberalismo de Macron e o ultranacionalismo da neofascista Frente Nacional (FN).

O PS perdeu votos à direita para a ReM e à esquerda para a aliança de ultraesquerda França Insubmissa, liderada por Jean-Luc Mélenchon, que terá 30 deputados, sendo 11 do Partido Comunista Francês (PCF).

Diante de uma abstenção estimada inicialmente em 56,8%, depois de registrar 52% no primeiro turno, Mélenchon deve insistir em que Macron não tem o apoio da maioria da França para promover as reformas econômicas liberalizantes que promete, por exemplo, na legislação trabalhistas.

Por sua vez, os comunistas terão mais deputados do que a FN, que deve conquistar ao menos oito cadeiras. Para formar um grupo parlamentar, pela lei francesa, são necessários ao menos 15 deputados. Mas, na sua quarta tentativa, sua líder, Marine Le Pen, derrotada por Macron na eleição presidencial, entrou na Assembleia Nacional.

sábado, 29 de abril de 2017

Zidane e Thuram defendem voto em Macron contra a Frente Nacional

Dois símbolos da seleção multiétnica que deu à França seu único título de campeã mundial de futebol, Zinédine Zidane e Lilian Thuram, declararam voto no candidato independente Emmanuel Macron no segundo turno da eleição presidencial, em 7 de maio, anunciou a televisão francesa.

Quando a França foi eliminada da Euro 1996, o então líder da extrema direita e pai da atual candidata, Jean-Marie Le Pen, declarou: "Não tem nenhum francês nesse time." Dois anos depois, a mesma equipe seria consagrada e desfilaria em glória na Avenida dos Campos Elísios, em Paris.

Zidane, de origem árabe e argelina, é o maior jogador da história do futebol francês, capitão e autor de dois gols na vitória de 3-0 sobre o Brasil na final da Copa do Mundo de 1998 e vice-campeão do mundo em 2006. Hoje é treinador do Real Madrid.

"A mensagem hoje é a mesma de 2002", falou Zidane ontem em entrevista coletiva em Madri, lembrando a única vez anterior em que a extrema direita chegou ao segundo turno da eleição presidencial francesa. "Sou distante de todas essas ideias da Frente Nacional. Então, é preciso evitar isso ao máximo. Os extremos jamais são bons."

Lilian Thuram, de origem africana, nasceu em Guadalupe, uma colônia francesa no Mar do Caribe. Autor dos dois gols na vitória sobre a Croácia na semifinal da Copa de 1998, é o jogador que mais atuou pela seleção francesa: 142 vezes. Hoje dirige a Fundação Educação contra o Racismo.

"É preciso entender que a Frente Nacional é um partido de extrema direita. A partir do momento em que Marine Le Pen tenta explicar que é legítimo que haja uma hierarquia entre as pessoas na França e que os estrangeiros não tenham os mesmos direitos que os franceses... Isto é extremamente perigoso", afirmou Thuram na TV francesa.

Assim, ele acredita que "deve haver uma mobilização em massa para votar em Emmanuel Macron". O ex-jogador acusou quem pretende votar em branco ou anular o voto porque considera o candidato independente liberal demais em economia de "fazer o jogo da Frente Nacional".

Suas críticas se dirigiram principalmente ao candidato da frente França Insubmissa, de ultraesquerda, Jean-Luc Mélenchon, que teve mais de 7 milhões de votos (19,58%) em 23 de abril e se nega a apoiar Macron no segundo turno. Thuram aconselha seus eleitores a "deixar a emoção a decepção e a cólera para ir a caminho da razão".

As pesquisas dão vantagem a Macron por 60% a 40%.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Marine Le Pen deixa presidência do partido para ampliar eleitorado

Em grande desvantagem nas primeiras pesquisas depois do segundo turno, a candidata de extrema direita à Presidência da França, Marine Le Pen, anunciou hoje que vai deixar a presidência da Frente Nacional. 

É uma jogada para vender uma imagem mais centrista e tentar captar os votos, por exemplo, dos eleitores de Jean-Luc Mélenchon, da ultraesquerda, descontentes com as políticas pró-mercado do favorito, Emmanuel Macron, a quem ela acusa de apoiar uma "globalização selvagem".

Candidato independente, o ex-ministro da Economia Macron venceu o primeiro turno com 8.657.326 ou 24% dos votos com propostas a favor da globalização, do internacionalismo liberal, da União Europeia e da economia de mercado.

Le Pen ficou em segundo com 21,3% com uma plataforma ultranacioanalista, prometendo combater o terrorismo islâmico, expulsar os imigrantes, deixar o euro, convocar um plebiscito para sair da UE, fechar as fronteiras e proteger a economia. Ela obteve 7.679.593 votos, batendo o recorde do pai, Jean-Marie Le Pen. Ele obteve 6,8 milhões em 2012, quando derrotou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e foi para o segundo turno.

Os candidatos conservador François Fillon (20%) e socialista Benoît Hamon (6,36%) deram apoio a Macron para vencer a ameaça da extrema direita. O presidente François Hollande, o mais impopular da história recente da França, também declarou apoio a seu ex-ministro da Economia.

As pesquisas dão 60% a 64% das preferências para Macron no segundo turno, marcado para 7 de maio de 2017.

Marine tenta reagir apresentando o adversário como "filho do hollandismo", liberal e pró-europeu. Na visão da ultradireita, isso significa que "as fronteiras continuaram abertas e a França e sua cultura continuarão sendo invadidas".

Macron é o grande vencedor. Há um ano, estava no governo. Saiu e criou o movimento Em Marcha para lançar a candidatura. Foi beneficiado pelo escândalo que abalou o favorito, o ex-primeiro-ministro conservador Fillon, acusado de empregar mulher e filhos como funcionários-fantasmas do Senado.

O grande derrotado é o Partido Socialista, que teve a pior votação de sua história, apenas 6,36% dos votos no primeiro turno. A ala mais moderada apoiou Macron e a mais radical votou em Mélenchon. Mas o partido gaulista Os Republicanos também perdeu muito ao insistir num candidato manchado pela corrupção e rejeitado pelo eleitoral.

A Europa e o mercado festejaram o resultado, com alta generalizada nas bolsas de valores. O fantasma da ascensão da extrema direita, alimentado pelo plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da UE e pela vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, não assombrou a eleição presidencial francesa.

terça-feira, 7 de março de 2017

Correa muda comandante do Exército do Equador

A menos de um mês do segundo turno da eleição presidencial, o presidente Rafael Correa, trocou o comandante do Exército do Equador, substituindo o general Luis Castro pelo general Edison Narvaez 11 meses antes do prazo previsto, informou o jornal El Comercio. Em protesto, outros três generais se demitiram.

A tensão entre o presidente esquerdista e as Forças Armadas aumentou depois do primeiro turno da eleição presidencial, a primeira em dez anos em que Correa não participa. Seu candidato, Lenin Moreno, ficou um pouco abaixo dos 40% exigidos pela Constituição do Equador para vencer no primeiro turno.

O segundo turno será disputado em 2 de abril por Moreno e o milionário Guillermo Lasso. As Forças Armadas equatorianas desempenham um papel importante nas eleições. Os militares transportam e protejam as urnas.

Quem quer que seja o vencedor terá dificuldade para reativar a economia do país. A queda nos preços do petróleo é a principal causa da atual crise e a dolarização reduz a margem de manobra do governo.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Ultradireita reconhece derrota na eleição presidencial da Áustria

Apesar da Brexit e de Donald Trump, a Áustria não se rendeu ao ultranacionalismo de direita. Com a televisão projetando uma vitória do candidato verde e independente Alexander Van der Bellen com 53,6% dos votos, o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), neonazista, reconheceu há pouco a derrota no segundo turno da eleição presidencial, informou o jornal francês Le Monde.

"Eu gostaria de felicitar o Sr. Van der Bellen por seu sucesso", declarou o secretário-geral do FPÖ, Herbert Kickl, à televisão estatal ÖRF.

Uma vitória de Norbert Hofer seria a primeira de um neonazista para a presidência de um país da Europa desde 1945. O próprio Hofer cumprimentou o adversário nas redes sociais e pediu aos austríacos que "fiquem juntos e trabalhem juntos".

O primeiro turno da eleição presidencial austríaca, realizado em 24 de abril de 2016, sob o impacto da crise dos refugiados que tentavam desesperadamente asilo na União Europeia, tirou da disputa os partidos tradicionais liberal e social-democrata que dominaram a política austríaca no pós-guerra.

No segundo turno, em 22 de maio, Van der Vellen ganhou por 50,3% a 49,7% depois de dias de apuração. O Tribunal Constitucional da Áustria anulou o resultado por irregularidades em algumas secções eleitorais e nova votação foi realizada hoje.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Áustria marca para 2 de outubro segundo turno da eleição presidencial

A Áustria vai realizar em 2 de outubro de 2016 o segundo turno da eleição presidencial depois que o Tribunal Constitucional anulou o resultado da votação de 22 de maio, anunciou hoje o chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Christian Kern.

O candidato verde e independente Alexander Van der Bellen ganhou a eleição anulada, por 50,3% a 49,7%, com uma vantagem de apenas 30.863 votos. O candidato derrotado, Norbert Hofer, do Partido da Liberdade, de extrema direita, recorreu alegando irregularidades na apuração.

Mesmo sem detectar nenhuma fraude ou manipulação de votos, o supremo tribunal austríaco concluiu que houve negligência em algumas zonas eleitorais e na contagem dos votos depositados no correio. Para não deixar dúvidas sobre as eleições, "a pedra fundamental da nossa democracia", a Justiça anulou o resultado há quatro dias.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Disputa na eleição presidencial do Peru se arrasta até os últimos votos

Com 99,561% das urnas escrutinadas, o segundo turno da eleição presidencial no Peru ainda está matematicamente indefinido, embora há 24 horas os analistas deem como certa a vitória do ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuzynski, da aliança Peruanos pela Mudança, sobre a ex-deputada Keiko Fujimori, da Força Popular. Faltando contar cerca de 64 mil votos, ele tem uma vantagem de 39 mil votos.

A diferença percentual permanece estável, depois de Keiko apertar na reta final da apuração, que se arrasta por conta as aldeias remotas da Cordilheira dos Andes, do "Peru profundo" onde ela esperava neutralizar a vantagem do adversário, e dos votos do exterior. Na última parcial, divulgada uma horas e meia atrás, Kuczynski tinha 50,11% dos votos válidos contra 49,89% para Keiko.

Liberal economicamente e conservador em política, PKK, de 77 anos, como é mais conhecido no Peru, será o presidente mais velho da história do país. Ele promete acelerar o crescimento econômico, que nos últimos dois anos caiu pela metade da média de 6% dos três anos anteriores.

Keiko é filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), que ainda tem grande popularidade por ter acabado com a hiperinflação e com o grupo terrorista Sendero Luminoso, um grupo guerrilheiro de orientação maoísta responsável por uma guerra civil que deixou mais de 70 mil mortos.

Alberto Fujimori deu um golpe, fechando o Congresso, intervindo no Judiciário e censurando a mídia, em 1992, e foi condenado a 25 anos de prisão por corrupção e violação dos direitos humanos. Mesmo assim, o fujimorismo ainda é a maior força política do Peru isoladamente. Todas as forças antifujimorismo se reuniram para dar esta vitória estreita a Kuczynski.

NOTA: horas depois, o Escritório Nacional de Processos Eleitorais anunciou o resultado final: 50,12% para PKK e 49,88% para Keiko, com uma diferença de 41 mil votos.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Emoção no segundo turno no Peru vai até último voto

Com 99,298% das urnas apuradas, o ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kucynski ainda não venceu matematicamente o segundo turno da eleição presidencial no Peru. Tem 50,11% dos votos válidos contra 49,89 para a ex-deputada Keiko Fujimori, uma diferença de apenas 38.195 votos num eleitorado de 23 milhões de peruanos.

Desde o meio-dia de ontem, os analistas peruanos consideram irreversível a vitória de Kuczynski, da aliança Peruanos pela Mudança, que no segundo turno reuniu todas as forças antifujimoristas. Mas esta é uma eleição disputada voto a voto até o final.

Será a segunda derrota consecutiva de Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, preso e condenado a 25 anos de cadeia por corrupção e violação dos direitos humanos. Como em 2011, ela venceu o primeiro turno mas perdeu no segundo, o que aliás é um padrão nas eleições presidenciais peruanas.

Ex-primeiro-ministro amplia vantagem no segundo turno no Peru

Com 99,115% dos votos apurados no segundo turno da eleição presidencial no Peru, o ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski ampliou um pouco sua pequena vantagem sobre a ex-deputada Keiko Fujimori, que passou para 0,34% ou 56.392 votos.

Matematicamente, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori ainda tem chance. Na prática, desde ontem ao meio-dia, analistas políticos peruanos consideram a vantagem de Kuczynski irreversível.

Keiko apostava nos votos de aldeias remotas do interior, especialmente da região dos Andes, do "Peru profundo", onde seu pai ainda é muito popular, que lhe permitiram diminuir a diferença. O pequeno aumento da vantagem de Kuczynski nas duas últimas parciais indicam a chegada dos votos do exterior, onde ele teria vencido.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Kuczynski está eleito presidente do Peru

Com 99% das urnas apuradas, o ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski está praticamente eleito presidente do Peru. Ele tem 50,164% dos votos contra 49,836% da ex-deputada Keiko Fujimori. A diferença aumentou em relação à parcial anterior.

Aos 77 anos, Kuczynski será o presidente mais velho da história peruana. É filho do médico judeu alemão Maxime Kuczynski, que fugiu com a ascensão do nazismo, com a professora de literatura franco-suíca Madeleine Godard, tia do cineasta Jean-Luc Godard. E casado com Nancy Ann Lange, prima da atriz Jessica Lange.

Conservador politicamente e liberal em economia, Kuczynski fez campanha prometendo acelerar o crescimento e defender a democracia contra uma suposta ameaça autoritária representada pela volta do fujimorismo. Teve o apoio do escritor Mario Vargas Llosa, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, derrotado por Alberto Fujimori, pai de Keiko, em 1990.

A economia do Peru foi a que mais cresceu nos últimos anos na América do Sul. Em 2008, chegou ao pico de 9,1%. Apesar da crise mundial, evitou a recessão em 2009, avançando 1% para se expandir 8,5% em 2010, 6,5% em 2011, 6% em 2012, 5,8% em 2013, 2,4% em 2014 e 3,3% em 2015.

Keiko Fujimori, de 41 anos, perde pela segunda vez. Em 2011, foi derrotada no segundo turno pelo atual presidente Ollanta Humala. É herdeira política do pai, que está preso e condenado a 25 anos de cadeia por corrupção e crimes contra os direitos humanos, inclusive sequestro, tortura e assassinatos políticos.

Como acabou com a hiperinflação e com o terrorismo do grupo guerrilheiro maoísta Sendero Luminoso, Alberto Fujimori ainda tem popularidade, especialmente nas aldeias indígenas do interior. Keiko confiava no "Peru profundo" para uma virada na reta final da contagem. O aumento da vantagem de Kuczynski indica que entraram os votos do exterior, onde o ex-primeiro-ministro teria ganho.

Analistas consideram irreversível vantagem de Kuczynski no Peru

Com 97,1% das urnas apuradas, o segundo turno da eleição presidencial do Peru permanece indefinido, mas analistas já consideram irreversível a vantagem do ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski sobre a ex-deputada Keiko Fujimori.

Na última contagem parcial do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Kuczynski, um economista liberal em economia e conservador politicamente, soma 50,14% dos votos válidos. A ex-deputada e filha do ex-ditador Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra os direitos humanos, tem 49,86%.

A vantagem caiu para apenas 0,28%. Na madrugada, com 95,86% das urnas escrutinadas, a diferença era de 0,36%. Mas analistas citados pelo jornal peruano La República consideram o resultado irreversível, como Jorge Nieto: "Teriam de haver coisas muito incomuns, e não estou falando de manipulação de votos, mas de mesas com 200 votos em que Keiko Fujimori tenha todos, e isso é muito improvável."

Keiko contava com os votos do interior, do "Peru profundo", para reverter a vantagem de Kuczynski. Não devem ser suficientes, raciocinou Nieto: "Faltam chegar os votos do exterior, que são os últimos que chegam e, pelo que se antecipou, a vitória de Kuczynski foi folgada. De modo que não vejo nenhum indício de que seja superado por Fujimori."

Na sua opinião, a esperança dos fujimoristas é "um ato de fé": "No horizonte da razão, a eleição já está definida."

O ex-vice-ministro da Interculturalidade, Iván Lanegra, também não vê possibilidade de mudança da tendência atual. A reação de Keiko seria resultado da entrada das atas eleitorais do Norte do Peru, onde ela ganhou. "Todo o Norte, onde a vantagem é maior, já está praticamente em 100%."

Em regiões onde o ex-primeiro-ministro ganha bem, como na província de Huancavelica, a contagem ainda está em 75%. "Também falta o voto do exterior, em que até onde sabemos Kuczynski tem uma pequena vantagem. Finalmente, Lima e Callao, que têm grandes bolsões de votos [fujimoristas], já estão em 100%", observou o ex-ministro.

Com tão poucos votos a contar, a vitória do líder da aliança Peruanos pela Mudança (PKK, as iniciais do candidato) estaria assegurada.

Kuczynski lidera no Peru por apenas 0,36%

Com 95,36% das urnas escrutinadas, a eleição presidencial do Peru ainda está indefinida. O ex-primeiro-ministro conservador Pedro Pablo Kucynski, de 77 anos, lidera com 50,18% dos votos válidos contra 49,82% para a ex-deputada Keiko Fujimori, de 41 anos, filha do ex-ditador Alberto Fujimori.

Filho do médico judeu Maxime Kuckynski, que fugiu da Alemanha, e da professora de literatura franco-suíça Madeleine Godard, tia do cineasta Jean-Luc Godard, o ex-primeiro-ministro tinha cidadania americana. É casado com a americana Nancy Lange, prima da atriz Jessica Lange.

Economista, Kuczynski fez campanha prometendo acelerar o crescimento, que caiu nos últimos anos de uma média de 6% ao ano para 3,3% no ano passado.

Keiko é a herdeira política do pai, Alberto Fujimori (1990-2000), um populista de direita que derrotou a hiperinflação e o grupo terrorista Sendero Luminoso, mas deu um golpe em 1992, fechou o Congresso e interveio no Poder Judiciário. Ainda é popular no interior, onde inaugurou escolas rurais e distribuía sapatos pessoalmente.

Por isso, Keiko conta com os votos do "Peru profundo" para virar o jogo na reta final. Sua campanha teve como tema central a segurança pública. Ela venceu o primeiro turno e liderava as pesquisas até uma semana antes da eleição, quando ficou em empate técnico. Foi prejudicada por um escândalo de corrupção envolvendo o deputado Joaquín Ramírez, ex-secretário-geral do partido Força Popular, de Keiko.

Sua derrota manteria o padrão de que o vencedor do primeiro turno perde no segundo turno nas eleições presidenciais peruanas.

Vantagem de ex-primeiro-ministro do Peru cai para 0,45%

Numa disputa apertadíssima, com 94,86% das urnas apuradas, o ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski lidera o segundo turno da eleição presidencial no Peru com 50,22% dos votos válidos contra 49,77% para a ex-deputada Keiko Fujimori. É uma diferença de 74.266 votos.