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sexta-feira, 20 de maio de 2022

Ex-primeiro-ministro francês é condenado à prisão por empregar mulher como funcionária-fantasma

 Criar emprego para uma funcionária-fantasma, que não trabalha, e ficar com o dinheiro são crimes? Na França, sim. No Brasil, a chamada rachadinha é prática comum. 

O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, de 68 anos, foi condenado em segunda instância pelo Tribunal de Recursos de Paris, em 9 de maio, a quatro anos de prisão, sendo um em regime, 375 mil euros (R$ 1,931 milhão) de multa e suspensão dos direitos políticos por 10 anos. 

Fillon foi denunciado por empregar a mulher como assessora parlamentar na Assembleia Nacional da França, onde ela ganhou 612 mil euros (R$ 3,152 milhões pela cotação de hoje) entre 1998 e 2013 sem trabalhar.

Penélope Fillon foi condenada a dois anos de prisão, com direito a suspensão da pena, por "cumplicidade no desvio de fundos públicos". As penas são inferiores às estabelecidas na primeira instância, que eram de cinco anos para para ele, sendo dois em regime fechado, e de três anos para ela, também com direito a sursis. Ainda cabem recursos.

O Penépolegate enterrou a candidatura de Fillon à Presidência da França em 2017, quando concorreu pelo partido gaullista, de centro-direita, abrindo caminho para a primeira eleição do presidente Emmanuel Macron. 

O partido gaullista, que governou a França por mais tempo durante a 5ª República, hoje chamado de Os Republicanos, teve 20% dos votos no primeiro turno com Fillon em 2017 e apenas 4,8% com Valérie Pécresse em 2022. O Penépolegate também foi coveiro do gaullismo, que sempre pode ressuscitar na era pós-Macron.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Marine Le Pen deixa presidência do partido para ampliar eleitorado

Em grande desvantagem nas primeiras pesquisas depois do segundo turno, a candidata de extrema direita à Presidência da França, Marine Le Pen, anunciou hoje que vai deixar a presidência da Frente Nacional. 

É uma jogada para vender uma imagem mais centrista e tentar captar os votos, por exemplo, dos eleitores de Jean-Luc Mélenchon, da ultraesquerda, descontentes com as políticas pró-mercado do favorito, Emmanuel Macron, a quem ela acusa de apoiar uma "globalização selvagem".

Candidato independente, o ex-ministro da Economia Macron venceu o primeiro turno com 8.657.326 ou 24% dos votos com propostas a favor da globalização, do internacionalismo liberal, da União Europeia e da economia de mercado.

Le Pen ficou em segundo com 21,3% com uma plataforma ultranacioanalista, prometendo combater o terrorismo islâmico, expulsar os imigrantes, deixar o euro, convocar um plebiscito para sair da UE, fechar as fronteiras e proteger a economia. Ela obteve 7.679.593 votos, batendo o recorde do pai, Jean-Marie Le Pen. Ele obteve 6,8 milhões em 2012, quando derrotou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e foi para o segundo turno.

Os candidatos conservador François Fillon (20%) e socialista Benoît Hamon (6,36%) deram apoio a Macron para vencer a ameaça da extrema direita. O presidente François Hollande, o mais impopular da história recente da França, também declarou apoio a seu ex-ministro da Economia.

As pesquisas dão 60% a 64% das preferências para Macron no segundo turno, marcado para 7 de maio de 2017.

Marine tenta reagir apresentando o adversário como "filho do hollandismo", liberal e pró-europeu. Na visão da ultradireita, isso significa que "as fronteiras continuaram abertas e a França e sua cultura continuarão sendo invadidas".

Macron é o grande vencedor. Há um ano, estava no governo. Saiu e criou o movimento Em Marcha para lançar a candidatura. Foi beneficiado pelo escândalo que abalou o favorito, o ex-primeiro-ministro conservador Fillon, acusado de empregar mulher e filhos como funcionários-fantasmas do Senado.

O grande derrotado é o Partido Socialista, que teve a pior votação de sua história, apenas 6,36% dos votos no primeiro turno. A ala mais moderada apoiou Macron e a mais radical votou em Mélenchon. Mas o partido gaulista Os Republicanos também perdeu muito ao insistir num candidato manchado pela corrupção e rejeitado pelo eleitoral.

A Europa e o mercado festejaram o resultado, com alta generalizada nas bolsas de valores. O fantasma da ascensão da extrema direita, alimentado pelo plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da UE e pela vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, não assombrou a eleição presidencial francesa.

domingo, 23 de abril de 2017

Macron vai para o segundo turno contra Le Pen

O ex-ministro da Economia e candidato independente Emmanuel Macron ficou em primeiro lugar na pesquisa de boca de urna divulgada há pouco pela televisão francesa France2 e venceu o primeiro turno da eleição presidencial. Ele recebeu 23,9% dos votos, à frente da neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, com 21,5%.

Em terceiro lugar, ficou o ex-primeiro-conservador François Fillon com 19,7% pouco à frente do candidato da ultraesquerda, Jean-Luc Mélenchon, com 19,2%.

Pela primeira vez desde que o general Charles de Gaulle fundou a 5ª República Francesa, em 1958, nenhum dos grandes partidos vai para o segundo turno. Mas isso se deve principalmente ao escândalo que envolveu Fillon, que empregou mulher e filhos como funcionários-fantasmas do Senado.

O candidato gaulista era o favorito e se negou a abandonar a campanha, abrindo espaço para a migração dos votos mais centristas para Macron. Em pronunciamento minutos atrás, Fillon reconheceu a derrota, declarou ser necessária uma união contra a extrema direita no segundo turno e anunciou o voto em Macron.

Marine Le Pen afirmou que "é hora de uma grande alternância libertar o povo francês das elites arrogantes. Eu sou a candidata do povo." Com 6,9 milhões de votos, ela bateu um novo recorde para a extrema direita francesa.

Todas as pesquisas dão a vitória a Macron no segundo turno, a ser disputado em 7 de maio de 2017. Numa sondagem divulgada pelo jornal Le Monde depois da divulgação do resultado do primeiro turno neste domingo, o candidato independente tem 62% das preferências contra 38% para a ultradireitista Le Pen.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Estado Islâmico reivindica ataque a policiais em Paris

A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria do atentado terrorista que matou um policial e deixou outros dois feridos em estado grave hoje na Avenida dos Campos Elísios, em Paris.

O terrorista foi morto pela polícia. Ele foi identificado como Karim C., de 29 anos. Ao assumir a responsabilidade, o Estado Islâmico o chamou de Abu Youssef al-Belgiki (o Belga), morador de Chelles, a 45 quilômetros a leste da capital francesa.

Ele tinha uma condenação de 15 anos de prisão por tentativa de assassinato e era considerado um terrorista em potencial pelos serviços secretos da França. Chegou a ser preso, mas não estava sob vigilância permanente, informou a televisão France2.

Eram cerca de 21 horas em Paris (16h em Brasília) quando o atirador saiu de um carro com um fuzil de guerra e disparou contra os três policiais, que faziam patrulha estática dentro de uma viatura numa esquina da avenida, considerada pelos franceses a "mais linda do mundo".

É uma avenida ampla, rodeada de bares, cafés e restaurantes que avançam sobre a calçada, lojas e o Palácio do Eliseu, sede da Presidência da França. Vai da Praça da Concórdia, onde ficava a principal guilhotina durante o período do terror da Revolução Francesa de 1789, até o Arco do Triunfo de Napoleão. Está sempre cheia de franceses e turistas. Hoje à noite, estava tomada por policiais.

Em pronunciamento pela TV, o presidente François Hollande confirmou se tratar de um caso de terrorismo.

As autoridades franceses estão em estado de alerta por medo de atentados terroristas no primeiro turno da eleição presidencial, a ser disputado no domingo, 23 de abril de 2017. A polícia conseguiu evitar um atentado terrorista que estava sendo planejado em Marselha, a segunda maior cidade da França, onde há uma grande população muçulmana de origem norte-africana.

O atentado em Paris será explorado pela candidata da Frente Nacional, de extrema direita, Marine Le Pen, que centra a campanha no discurso contra a imigração e contra o terrorismo.

Em pesquisa divulgada hoje, Marine aparece em segundo lugar, com 24% das preferências, logo abaixo e em empate técnico, dentro da margem de erro da pesquisa, com o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, que concorre como independente, com 25%.

Logo atrás, vem o ex-ministro e candidato da ultraesquerda Jean-Luc Mélenchon, com 20%, seguido pelo ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, do partido Os Republicanos, com 19%.

Mais de 80% dos eleitores de Marine afirmam que sua decisão de voto está tomada, mas apenas 36% dos eleitores de Macron têm a mesma segurança.

As pesquisas indicam que Macron venceria qualquer oponente no segundo turno. Mas, se o eleitorado flutuante se impressionar com o discurso linha dura da neonazista Marine Le Pen, há o risco de um segundo turno entre ultradireita e ultraesquerda, um fantasma para a União Europeia, já que ambas pretendem deixar o bloco.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Eleição presidencial da França embola na reta final

A oito dias do primeiro turno da eleição presidencial na França, quatro candidatos estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro e podem chegar ao segundo turno, indica pesquisa divulgada pelo jornal francês Le Monde.

Os dois favoritos até agora, o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, independente, e a líder da extrema direita, Marine Le Pen, lideravam com 24% das preferências.
Eles perderam dois pontos e caíram para 24%.

Ao mesmo tempo, Jean-Luc Mélenchon, da Aliança França Insubmissa, de ultraesquerda, subiu, 1,5 ponto percentual e chegou a 20%, enquanto o ex-primeiro-ministro François Fillon, ganhou um ponto e tem agora 19% das intenções de voto. O socialista Benoît Hamon caiu para 7,5%.

A pesquisa ouviu 1.509 eleitores inscritos em 12 e 13 de abril. Cerca de dois terços dos eleitores franceses pretendem votar. O segundo turno será realizado em 7 de maio.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Ex-primeiro-ministro Valls apoia Macron na França

Mais um líder do Partido Socialista anuncia que vai apoiar o ex-ministro da Economia e candidato independente Emmanuel Macron no primeiro turno da eleição presidencial da França, em 23 de abril de 2017. É o ex-primeiro-ministro Manuel Valls, derrotado na eleição prévia do PS pelo ex-ministro da Educação Benoît Hamon, que está em quinto lugar nas pesquisas.

Em entrevista na manhã de hoje à televisão BFMTV, Valls declarou estar na hora de "tomar uma posição responsável" e não de simples "alinhamento". "Não quero, na noite do primeiro turno, ficar diante de uma escolha entre François Fillon e Marine Le Pen. Não podemos correr esse risco."

Macron foi ministro do governo Valls, mas é considerado liberal demais pela velha guarda socialista. Ele lidera as pesquisas sobre o primeiro turno com 26,5% votos, um pouco acima da candidata neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, com 25%.

O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon era o favorito até ser revelado que empregou a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado. Só a mulher, Penelope Fillon, ganhou 800 mil euros. Ambos estão sendo processados. Seu marido caiu para 17%.

Enquanto Macron agradeceu, Hamon acusou Valls de "não manter a palavra empenhada" e "não respeitar o veredito das urnas". O deputado Patrick Mennucci disse ter "vergonha" de Valls.

"O que vale daqui para a frente um acordo assinado por um homem como Manuel Valls?", perguntou o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg, também derrotado na primária socialista. "Nada. É o que vale um homem sem honra."

Valls negou que esteja traindo o PS ao não apoiar o vencedor da prévia: "O interesse superior da França está acima das regras de um partido, de uma primária, de uma comissão." Outros líderes socialistas e o presidente François Holland apoiam Macron discretamente.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Partido Socialista cai para 5º lugar na eleição presidencial da França

Com o avanço de Jean-Luc Mélenchon, candidato da frente de esquerda França Insubmissa, a um mês do primeiro turno da eleição presidencial na França, o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, candidato oficial do Partido Socialista, caiu para quinto lugar numa pesquisa de opinião realizada na terça-feira para a televisão BFMTV e a revista L'Express.

O líder na pesquisa sobre o primeiro turno, marcado para 23 de abril de 2017, é o ex-ministro da Economia do atual governo, Emmanuel Macron, considerado liberal demais dentro do PS, com avanço de 0,5 ponto percentual e 26% das preferências. 

Em segundo lugar, vem a chefe da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, com queda de meio ponto percentual e 24,5%. Ela promete acabar com a "imigração legal e ilegal", e tirar a França da União Europeia.

Marine Le Pen se inspira nas vitórias do plebiscito sobre a saída do Reino Unido do bloco europeu e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Tem o apoio do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Um banco russo emprestou 8 milhões de euros a seu partido de ultradireita. É a maior ameaça nesta eleição.

Todos os partidos devem se unir contra Le Pen no segundo turno. Foi que aconteceu com seu pai, Jean-Marie Le Pen, quando ele superou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, em 21 de abril de 2002, e foi para o segundo turno contra o presidente Jacques Chirac, vencedor no final por ampla margem.

De acordo com as pesquisas, Macron e Le Pen devem disputar o segundo turno, em 7 de maio, deixando de fora os grandes partidos que dominaram a 5ª República, o PS e o partido gaulista, herdeiro das ideias do general Charles de Gaulle, grande herói da Segunda Guerra Mundial e principal dirigente do país no pós-guerra, que hoje se chama Os Republicanos.

O candidato gaulista, o ex-primeiro-ministro François Fillon, era o favorito depois de ganhar a eleição primária do partido até a imprensa denunciar que ele empregou a mulher os filhos como funcionários-fantasmas do Senado. Apesar do escândalo e de estar sendo processado, Fillon se recusa a abandonar a candidatura. Está em queda e perdeu mais 0,5 ponto desde a pesquisa anterior. Tem 17%.

Mélenchon é o quarto, com um avanço de meio ponto e 13,5% do total, ultrapassando o socialista Hamon, que caiu 2 pontos para 11,5%, o pior resultado da história do PS.

Por causa de sua impopularidade, o presidente François Hollande desistiu de concorrer e o ex-primeiro-ministro Manuel Valls foi derrotado pela esquerda, que optou por Hamon. Mas cada vez mais os socialistas embarcam na candidatura Macron. O próprio presidente Hollande pediu outro dia a desistência de Fillon, numa clara jogada para beneficiar a candidatura de seu jovem ex-ministro.

sábado, 18 de março de 2017

Terrorista é morto em aeroporto de Paris

Um francês de origem árabe foi morto hoje no Terminal Sul do Aeroporto de Orly, perto de Paris, depois de tentar tomar a arma de uma militar que participa da Operação Sentinela, deflagrada depois dos atentados de 13 de novembro de 2015 na capital da França. A procuradoria está tratando o caso como terrorismo.

Ziyed Ben Belgacem, de 39 anos, avançou contra um grupo de quatro militares que patrulhava o setor de embarque do aeroporto e atacou a mulher. Ele ameaçou-a com uma pistola e a pegou pelo pescoço enquanto gritava "Alá é grande" antes de ser abatido, por volta das 8h30 (4h30 em Brasília).

Imediatamente, o aeroporto foi evacuado e ficou fechado até o início da tarde. Vários voos foram transferidos para o Aeroporto Charles de Gaulle, em Roissy, o maior que serve Paris.

A caminho do Aeroporto de Orly, pouco antes das sete da manhã, ele tinha furado uma barreira de segurança e ferido um policial com um tiro de pistola em Val-d'Oise, onde vivia no bairro popular de Garges-lès-Gonesse. Era um homem solitário. Os vizinhos não sabiam de suas passagens pela prisão.

Ele tinha ficha criminal por pequenos delitos comuns, como roubo e tráfico de drogas. Em 2001, foi condenado a cinco anos de cadeia por assalto a mão armada. Em 2009 foi condenado duas vezes, a três e cinco anos, por tráfico de drogas. No seu apartamento, a polícia encontrou uma pequena quantidade de cocaína.

Os primeiros sinais de extremismo muçulmano surgiram em 2011 e 2012, declarou o procurador da República em Paris, François Molins. Belgacem não estava na lista dos principais suspeitos de terrorismo, mas sua ficha justificou uma operação de busca depois da decretação do estado de emergência, em novembro de 2015. Ele não foi encontrado.

Hoje, em Orly, acrescentou o procurador de Paris, o terrorista estava "pronto para morrer por Alá" e para "matar". Molins o descreveu como "um indivíduo extremamente violento" com a intenção de cometer atos terroristas, determinado a "ir até o fim" em seu "processo destruidor".

A candidata da neonazista Frente Nacional à Presidência da França, Marine Le Pen, tentou ganhar pontos em cima do novo ato terrorista. Criticou o primeiro-ministro Bernard Cazeneuve, que disse que o estado de emergência pode ser suspenso.

"Nosso governo está ultrapassado, exaurido, paralisado como um coelho diante dos faróis de um carro", vociferou Martine, prometendo "restaurar a ordem no país" com prioridade ao combate ao terrorismo e à delinquência.

Cazeneuve respondeu que não era o momento de fazer política em torno de um episódio tão grave: "Embora um acontecimento grave pudesse ter ocorrido hoje de manhã em Orly, a Srª Le Pen exagerou" num momento de "risco extremamente elevado" em que, na sua opinião, os dirigentes políticos "devem mais do que nunca manter sua dignidade".

O candidato de centro-direta acossado por denúncias de corrupção, François Fillon, também tentou faturar em cima do terrorismo, estimando que a França está "numa situação quase de guerra civil, segundo expressão empregada pelo diretor-geral da segurança interna diante da comissão que investigou os atentados de 13 de novembro."

Le Pen, Fillon e o ex-ministro da Economia do governo socialista Emmanuel Macron lideram as pesquisas sobre o primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 23 de abril. Com as acusações de que Fillon empregou mulher e filhos como funcionários-fantasmas do Senado, Macron é o favorito, já que todas as forças democráticas devem se unir contra a Frente Nacional no segundo turno, em 7 de maio.

França projeta crescimento de 1,1% em 2017

A França, segunda maior economia da Zona do Euro e sexta do mundo, deve crescer 0,3% no primeiro trimestre de 2017 e 1,1% no ano inteiro, a mesma taxa do ano passado, previu ontem o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos).

O crescimento previsto para o segundo trimestre foi revisado de 0,4% para 0,5%. A queda do desemprego iniciada no fim de 2016 deve continuar no primeiro semestre de 2017. O índice, ainda elevado, deve baixar de 9,7% para 9,5% na França metropolitana e de 10% para 9,8% incluindo as províncias ultramarinhas. São as menores taxas de desemprego desde o terceiro trimestre de 2012

Ao crescer 1,1% em 2016, a França saiu de um período de estagnação. Nos três anos anteriores, ficara abaixo da média da Eurozona. Agora, equipara-se aos países vizinhos. Mas o consumo das famílias, principal motor da economia francesa, continua fraco. Deve avançar 0,2% no primeiro trimestre e 0,4% no segundo.

A melhora relativa no crescimento e no emprego chega tarde demais para o presidente François Hollande e o Partido Socialista. Seu candidato, Benoît Hamon, está em quarto lugar nas pesquisas e deve ser eliminado no primeiro turno da eleição presidencial francesa em 23 de abril.

Por ironia, o favorito no momento é o ex-ministro da Economia do governo socialista, Emmanuel Macron, um jovem de 37 anos que trabalhou no mercardo financeiro, não é considerado suficientemente de esquerda pelo partido e nunca havia disputado uma eleição.

Com a resistência do candidato do partido gaulista Os Republicanos, François Fillon, acusado de contratar a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado, Macron é o favorito para enfrentar a neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, no segundo turno, em 7 de maio.

Como Marine Le Pen não deve passar de um terço dos votos, quem quer que a enfrente no segundo turno deve derrotar a extrema direita. O fracasso da ultradireita na Holanda deu novo ânimo aos franceses, mas as vitórias do não à União Europeia no Reino Unido e a eleição de Donald Trump animaram a Frente Nacional.

A exemplo de Trump, Le Pen tem o apoio do homem-forte da Rússia, Vladimir Putin. Bancos russos emprestaram pelo menos 8 milhões de euros. Em sua guerra cibernética contra o Ocidente e a UE, o alvo do Kremlin hoje deve ser Macron.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Desemprego na França caiu para 9,7% em 2016

A taxa de desemprego caiu 0,2 ponto percentual em 2016 na França. Ficou em 97% na França metropolitana e em 10% considerando-se as províncias ultramarinhas, revelou ontem a Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos).

Por causa do desemprego elevado, o presidente socialista François Hollande desistiu de concorrer à reeleição. O candidato escolhido na eleição primária do partido, o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, está em quarto lugar. Dificilmente chega ao segundo turno.

No quarto trimestre, o desemprego cedeu mais um ponto percentual. No fim do ano passado, cerca de 2,78 milhões de pessoas estavam procurando trabalho no Hexágono, como os franceses chamam a França europeia.

Entre os jovens, a queda anual foi de 1,7 ponto percentual, mas o índice de desemprego ainda é muito alto. Ficou em 23,3%.

Com o desgaste dos partidos tradicionais, a impopularidade do governo Hollande e a denúncia de que a mulher do candidato da direita republicana, François Fillon, foi sua funcionária-fantasma durante anos, a favorita hoje as pesquisas é a líder da extrema direita Marine Le Pen, da Frente Nacional, neofascista.

Se Marine Le Pen ganhar, promete convocar um plebiscito para retirar a França da União Europeia. Seria o fim do bloco. Defensora de um nacionalismo antiquado antiglobalização, ela tem apoio dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin. Ambos querem enfraquecer o bloco europeu, uma organização supranacional e pós-nacionalista que não se encaixa na visão de mundo autoritária dos atuais chefões do Kremlin e da Casa Branca.

Seu adversário mais provável no segundo turbo no momento é o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, um ex-funcionário do mercado financeiro. Liberal demais para ser o candidato socialista, criou seu própria movimento e se beneficia com o colapso da candidatura Fillon, que ainda ser substituída pelos Republicanos, o maior e mais tradicional partido de centro-direita da França, herdeiro da ideologia política do general Charles de Gaulle, o grande lider da reconstrução do país depois da ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial.

A Rússia já lançou contra Macron a mesma guerra cibernética que ajudou a derrotar Hillary Clinton.

O ex-ministro François Bayrou e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé são cotados para assumir a candidatura republicana.

A eleição presidencial francesa será realizada em 23 de abril e 7 de maio de 2017.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Ex-presidente Sarkozy será julgado por financiamento ilegal de campanha

Um juiz da França instaurou hoje um processo contra ex-presidente Nicolas Sarkozy e outras 13 pessoas por esconder US$ 20 milhões em gastos da sua campanha à reeleição, em 2012, noticiou a imprensa francesa.

Sarkozy rejeita a denúncia de que seu partido conspirou com a empresa de relações públicas Bygmalion para manipular as cifras e desrespeitar o limite legal de despesas numa campanha presidencial.

Na época, o partido Os Republicanos, de centro-direita, se chamava União por um Movimento Popular (UMP).

O ex-presidente tentou concorrer à eleição presidencial deste ano, mas ficou em terceiro lugar na eleição primária do partido. O vencedor foi o ex-primeiro-ministro François Fillon, que está sendo pressionado a desistir depois que o jornal semanal Canard Enchaîné revelou que sua mulher e seus filhos foram funcionários-fantasmas.

Este escândalo abala ainda mais a imagem dos partidos tradicionais e favorece a campanha da neofascista Marine Le Pen, que promete convocar um plebiscito para tirar a França da União Europeia e conta com o apoio dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin.

Extremamente impopular, o presidente socialista François Hollande decidiu não disputar a reeleição. Seu ex-primeiro-ministro Manuel Valls perdeu a eleição primária do PS para o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, da ala mais esquerdista do partido. Sem argumentos para defender o atual governo, o candidato socialista parece condenado à derrota.

Quem desponta como alternativa à extrema direita é o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, um ex-funcionário do mercado financeiro com uma visão econômica liberal. Sem chances de conquistar a candidatura socialista, Macron criou seu próprio movimento, Em Marcha, para levar adiante seu projeto. Sem um partido por trás, sua candidatura foi desprezada inicialmente.

No momento, as pesquisas apontam a vitória de Marine Le Pen no primeiro turno e sua derrota no segundo, seja qual for o rival. Com o escândalo envolvendo Fillon, que já liderou as pesquisas, Macron subiu para o segundo lugar.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Valls deixa governo para ser candidato na França

O primeiro-ministro Manuel Valls anunciou hoje que vai entregar o cargo de chefe do governo amanhã ao presidente François Hollande para se dedicar exclusivamente à sua candidatura à Presidência da França em 2017. É uma esperança de uma candidatura forte de esquerda capaz de chegar ao segundo turno.

Em pronunciamento de 20 minutos, Valls se apresentou como um candidato pronto para enfrentar o autoritarismo da direita e da extrema direita no país e no mundo: "Quero uma França independente, inflexível em seus valores diante da China de Xi Jinping, da Rússia de Vladimir Putin, dos Estados Unidos de Donald Trump e da Turquia de Recep Erdogan."

Dentro do Partido Socialista, Valls é considerado um centrista com tendências econômicas liberais. Ele apelou cinco vezes para o artigo 49, inciso 3, da Constituição da França, uma medida de exceção para aprovar projetos de interesse do governo sem a necessidade de voto na Assembleia Nacional, inclusive a reforma trabalhista repudiada pelas grandes centrais sindicais.

Valls deverá disputar a eleição primária do PS, em 22 e 29 de janeiro, com vários candidatos mais à esquerda, entre eles o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg.

No momento, com a impopularidade do presidente François Hollande, que desistiu da reeleição, as pesquisas indicam sério risco de que o PS seja eliminado no primeiro turno, em 23 de abril de 2017. O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, do partido Os Republicanos, enfrentaria e venceria Marine Le Pen, da neofascista Frente Nacional, no segundo turno, em 7 de maio.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Fillon lidera pesquisa sobre eleição presidencial na França

Depois de ganhar a eleição primária da centro-direita, o ex-primeiro-ministro conservador François Fillon desponta como favorito à eleição presidencial de 2017 na França. A seis meses da eleição, Fillon tem 32% das preferências contra 22% para a líder da neofascista Frente Nacional, Marina Le Pen, indica uma pesquisa divulgada pela televisão francesa.

Em terceiro lugar, aparece o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron (13%), que lançou uma candidatura independente, seguido pelo candidato de ultraesquerda, Jean-Luc Mélenchon (12%) e pelo presidente François Hollande (8%).

O presidente anunciou dia 1º de dezembro que não será candidato à reeleição, abrindo espaço para uma eleição primária competitiva da esquerda em 22 e 29 de janeiro..

No segundo turno, Fillon teria uma vitória esmagadora com 79% dos votos válidos contra 21% para Marine Le Pen. A pesquisa foi realizada via Internet em 25 de novembro, dois dias antes da eleição primária do partido Os Republicanos, de centro-direita, vencida por Fillon.

Diante de surpresa não detectadas nas pesquisas, como a vitória da saída do Reino Unido da União no referendo de 23 de junho e o triunfo de Donald Trump na eleição presidencial nos Estados Unidos, aumentou o temor de ascensão da extrema direita na Europa.

Há um risco de que o candidato neonazista seja eleito presidente da Áustria. Uma vitória da antieuropeia Marine seria um terremoto capaz de destruir a União Europeia.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Hollande desiste da reeleição à Presidência da França

Em uma decisão inesperada, o presidente François Hollande anunciou hoje que não será candidato à reeleição à Presidência da França na eleição de 23 de abril e 7 de maior de 2017. O primeiro-ministro Manuel Valls passa a ser o favorito para ser o candidato do Partido Socialista.

Com a queda da popularidade do presidente abaixo de 10%, até um mínimo de 4%, a esquerda francesa se inquieta com as pesquisas que apontam um segundo turno entre a ultradireita e a centro-direita no próximo ano.

Seria uma repetição do primeiro turno da eleição presidencial de 2002. Em 21 de abril daquele ano, o líder da neofascista Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, bateu o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que adotara medidas econômicas impopulares para enquadrar a França na união monetária que criou o euro, por menos de 200 mil votos (16,86% a 16,18%).

A ultraesquerda negou apoio a Jospin e teve 11%, abrindo caminho Le Pen, que perderia no segundo turno para o presidente Jacques Chirac, que teve 82% dos votos.

Se esse quadro se repetir em 2017, com derrota da esquerda no primeiro turno e união de todas as forçcas democráticas contra o neofascismo no segundo turno, o ex-primeiro-ministro François Fillon, do partido Os Republicanos, herdeiro de Chirac, será o próximo presidente da França.

Para ter uma chance, o PS propôs a realização de uma eleição primária da esquerda. De início, seria apenas uma manobra para legitimar a candidatura de Hollande, quando o presidente seria candidato natural à reeleição.

No fim de semana, o presidente da Assembleia Nacional, o deputado socialista Claude Bortolone, defendeu a ampliação da primária da esquerda e convidou Hollande, Valls, o ex-ministro liberal Emmanuel Macron e Jean-Luc Mélenchon, líder da Frente de Esquerda, que reúne grupos à esquerda do PS.

A primária está marcada para 22 e 29 de janeiro. É a última esperança da centro-esquerda de ter um candidato forte e competitivo em 2017 na França. O ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg manifestou a intenção de participar. Macron, por enquanto, mantém sua candidatura independente pelo movimento Em Marcha.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Fillon venceria primeiro turno hoje na França, indica pesquisa

O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, candidato do partido de centro-direita Os Republicanos venceria hoje o primeiro turno da eleição presidencial na França, batendo a líder da Frente Nacional, de ultradireita, Marine Le Pen, indicou uma pesquisa do instituto Harris Interactive divulgada ontem.

A vantagem é pequena, dentro da margem de erro da pesquisa. Fillon teve 26% das preferências contra 24% para Marine. Ambos ficaram muito à frente do candidato do Partido Socialista. Tanto o presidente François Hollande quanto o primeiro-ministro Manuel Valls ficaram com 9%.

Fillon foi escolhido ontem. Ele venceu o ex-primeiro-ministro Alain Juppé por ampla vantagem, de 66,5% a 33,5%, na eleição primária da centro-direita, que pela primeira vez foi aberta a todos os franceses e não apenas aos filiados ao partido gaulista, herdeiro da tradição política do general Charles de Gaulle, o governador da França no exílio durante a Segunda Guerra Mundial.

Com De Gaulle (1958-69), Georges Pompidou (1969-74), Jacques Chirac (1995-2007) e Nicolas Sarkozy (2007-12), é o partido que ficou mais tempo no poder na 5ª República.

O PS convocou uma eleição primária para legitimar a candidatura do presidente Hollande. Com sua popularidade abaixo de 10%, o presidente da Assembleia Nacional, Claude Bortolone, defendeu a ampliação da primária, com a participação do primeiro-ministro Valls, do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron e até mesmo do líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, que no fim de semana recebeu o apoio do Partido Comunista Francês (PCF).

A primária da esquerda será realizada em 22 e 29 de janeiro. A esperança é que produza uma candidatura competitiva para a esquerda não ficar fora do segundo turno da eleição presidencial, marcada para 23 de abril e 7 de maio de 2017.

No fim de semana, Valls manifestou a intenção de ser candidato e criticou Hollande. Como não foi demitido hoje, o presidente começa a aceitar a possibilidade de não ser candidato à reeleição.

domingo, 27 de novembro de 2016

Fillon será o candidato de centro-direita na França

O ex-primeiro-ministro François Fillon venceu hoje a eleição primária para escolher o candidato do partido Os Republicanos, de centro-direita, à Presidência da França por ampla vantagem. Com 90% das urnas apuradas, tinha 66,5% contra 33,5% para o ex-primeiro-ministro Alain Juppé.

Vitorioso em apenas dois departamentos, Juppé logo reconheceu a derrota. No primeiro turno, realizado no domingo passado, Fillon obteve 44,1% dos votos (1,89 milhão) contra 28,6% (1,22 milhão) para Juppé e 20,7% (880 mil) para o ex-presidente Nicolas Sarkozy, que apoiou Fillon no segundo turno.

"É uma vitória de fundo baseada nas minhas convicções depois de três anos apresentando meu projeto e meus valores", declarou Fillon, considerado moderado politicamente e ultraliberal em economia, a ponto de ser comparado com a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher (1979-90).

Fillon é desde já o candidato favorito à Presidência da França em 2017. Por causa da impopularidade do presidente François Hollande, as pesquisas indicam que o Partido Socialista não passe do primeiro turno, em 23 de abril. No segundo turno, em 7 de abril, o candidato republicano enfrentaria a líder da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen.

Se for eleito presidente, Fillon pretende dar um choque de liberalismo na economia francesa. O seguro-desemprego, por exemplo, deve se tornar regressivo, diminuindo depois de alguns meses de inatividade. Hoje o trabalhador tem direito pelo período em que esteve no último emprego até um limite de dois anos ou de três anos para maiores de 50 anos.

"A pobreza aumenta com o desemprego, então a chave para a recuperação da França é o pleno emprego", afirmou na campanha o candidato republicano.

Outra proposta de Fillon é acabar com os empregos subsidiados, contratos com ajuda para quem oferecer trabalho a jovens, especialmente o primeiro emprego. "Os ditos do contratos do futuro ou de geração custam 1,4 bilhão de euros por ano. Com que resultado?", questiona o ex-primeiro-ministro. "Eles não garantem a inserção no mercado de trabalho e distorcem a concorrência."

Para a diretora do Centro de Estudos do Emprego, Christine Erhel, a avaliação do candidato é "totalmente irrealista". Os contratos do futuro, criados em 2012 para combater o desemprego entre os jovens e dar oportunidade a quem não tem experiência, beneficiam hoje 300 mil pessoas.

O ex-primeiro-ministro considera o atual salário mínimo, de 1.173,43 euros, adequado, mas é contra reajustes automáticos, a não ser para compensar a inflação.

No setor público, Fillon quer aumentar a jornada semanal de trabalho de 35 para 39 horas, um aumento de 10% no tempo trabalhado, e cortar 500 mil empregos, duas vezes mais do que Juppé prometia.

No setor privado, o aumento da jornada semanal seria ainda maior, passando das atuais 35 horas para o limite estabelecido na legislação da União Europeia, 48 horas por semana.

A idade mínima para a aposentadoria vai mudar de 62 para 65 anos. Os regimes de aposentadoria de empregados públicos e privados será harmonizado.

O imposto sobre grandes fortunas será abolido. Fillon o acusa de "provocar fuga de capitais".

Além de cortes de impostos, o candidato republicano pretende "simplificar drasticamente" a Lei do Trabalho da França, mais longa do que a Bíblia, e "recentrá-la sobre as normais sociais fundamentais". Ele promete fazer 50% das compras governamentais de pequenas e médias empresas. Em 2013, foram apenas 27%.

domingo, 20 de novembro de 2016

Ex-primeiro-ministro Fillon já é considerado favorito na França

O ex-primeiro-ministro François Fillon venceu hoje o primeiro turno da eleição primária para escolher o candidato do partido conservador Os Republicanos à Presidência da França em 2017. É considerado favorito para ser o representante da centro-direita, que levaria os votos da esquerda num provável segundo turno contra a ultranacionalista Marine Le Pen, da neofascista Frente Nacional.

Num resultado surpreendente, a grande derrota foi do ex-presidente Nicolas Sarkozy (2007-12), que sonhava com uma volta ao Palácio do Eliseu. Dois ex-primeiros-ministros vão disputar a candidadura de centro-direita no próximo domingo. O adversário de Fillon será Alain Juppé.

Fillon obteve 44.1% dos votos e Juppé 28,6%. Com apenas 20,6%, Sarkozy está eliminado. O ex-presidente tinha o apoio da ala mais linha dura do partido político herdeiro das ideias do general Charles de Gaulle, que liderou a reconstrução da França depois da Segunda Guerra Mundial e fundou a 5ª República, em 1958.

Os dois ex-primeiros-ministros são considerados moderados politicamente. Em economia, Fillon é visto como ultraliberal e comparado à falecida primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Fugindo da tradição dirigista do gaullismo e da França, promete fazer reformas econômicas liberalizantes para desengessar a economia francesa e tornar o país mais competitivo na economia globalizada.

Juppé e Sarkozy eram os favoritos. Fillon ganhou o debate na televisão e levou o primeiro turno. Terá provavelmente a missão de barrar a ascensão da neofascista Frente Nacional e de sua líder e candidata Marine Le Pen, que festejou a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e a saída do Reino Unido da União Europeia.

Com o desgaste do Partido Socialista e a impopularidade do presidente François Hollande, as pesquisas indicam que a esquerda corre sério risco de ser eliminada no primeiro turno, em 23 de abril. Fillon é claramente o defensor de uma ordem internacional liberal e de uma economia mais aberta, em contraste direto com a pregação ultranacionalista da Frente Nacional.

O ressurgimento do ultranacionalismo é um sintoma da crise do processo de globalização. Com a queda nos padrões de vida da classe média e baixa na Europa e nos EUA, os trabalhadores brancos que um dia trabalharam na indústria e votavam nos partidos socialistas e comunistas agora votam na ultradireita, seduzidos por um discurso fácil de expulsar estrangeiros e repatriar empregos.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Sarkozy e Juppé estão empatados na luta pela candidatura republicana na França

O ex-presidente Nicolas Sarkozy e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé estão empatados em 37% na disputa pela candidatura à Presidência da França pelo partido de centro-direita Os Republicanos, indica uma pesquisa do instituto Harris Interactive para televisões da França divulgada hoje.

Num terceiro lugar distante, está o ex-primeiro-ministro François Fillon (10%), seguido por Bruno Le Maire (9%), Nathalie Kosciusko-Morizet (3%), Jean-François Copé (2%), Hervé Mariton (1%) e Jean-Frédéric Poisson (1%).

A eleição primária republicana será realizada em 20 e 27 de novembro de 2016. No segundo turno, Juppé lidera por 52% a 48%. O candidato republicano é o favorito para conquistar o Palácio do Eliseu no próximo ano.

Com a impopularidade do presidente socialista François Hollande, que tem aprovação de apenas 12%, é provável que o Partido Socialista seja derrotado no primeiro turno, em 23 de abril. Assim, o candidato de centro-direita enfrentaria no segundo turno, em 7 de maio, a líder da neofascista Frente Nacional, de extrema direita, Marine Le Pen, liderando um grande movimento de união nacional antifascista.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Extrema direita vence eleição cantonal na França

O candidato Laurent Lopez, da Frente Nacional, neofascista, ganhou ontem a eleição cantonal de Brignole com 53,9% dos votos no segundo turno contra Catherine Delzers, da centro-direitista União por um Movimento Popular (UMP), que só recebeu 46,1% dos votos, apesar do apoio de todos os chamados "partidos republicanos", que costumam se unir para barrar o acesso da ultradireita ao poder.

Sob o comando de Marine Le Pen, filha de seu líder histórico Jean-Marie Le Pen, a Frente Nacional reformulou sua imagem para se apresentar como um partido moderno e arejado, disfarçado seu caráter racista, anti-imigrantes e antimuçulmano.

Nas últimas pesquisas nacionais, a FN aparece com 25% das preferências. Diante do desgaste do Partido Socialista do presidente François Hollande e da luta interna da UMP para ver quem vai liderar a oposição - o ex-primeiro-ministro François Fillon, Jean-François Copé ou o ex-presidente Nicolas Sarkozy -, a Frente pode se tornar o maior partido da França.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

França cai na terceira recessão desde 2008

A economia da França, a segunda maior da Europa e a quinta do mundo, recuou 0,2% no primeiro trimestre de 2013, informou hoje o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos). Como o o cálculo da evolução do produto interno bruto no último trimestre foi revisado para uma queda de 0,2%, o país está em recessão, já que sua produção decresce há dois trimestres. É a terceira vez que isso acontece desde o agravamento da crise, em setembro de 2008.

O crescimento no ano passado como um todo ficou em praticamente zero, apesar da redução da alta do terceiro trimestre de 0,2% para 0,1% e da correção do crescimento do último trimestre de 2012 de nulo para negativo.

No início deste ano, o consumo doméstico baixou 0,1% e o investimento, 0,9%. As importações ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,1%, enquanto as exportações caíram 0,5%.

A má notícia chegou no primeiro aniversário da posse do presidente socialista François Hollande. Suas políticas têm se mostrado incapazes de superar a crise e retomar o crescimento.

Para o ministro da Economia, Pierre Moscovici, a recessão "não é uma surpresa" e "se deve principalmente ao ambiente na Zona do Euro". Já o ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, um dos líderes da oposição, entende que a recessão é responsabilidade do governo socialista.