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domingo, 19 de junho de 2022

Macron perde maioria absoluta na Assembleia Nacional da França

Numa derrota política sem precedentes para um presidente recém-reeleito, Emmanuel Macron não terá maioria absoluta na Assembleia Nacional da França, de 577 cadeiras, o que exige 289 deputados. Em 2017, o macronismo elegeu 350.

No segundo turno das eleições parlamentares, a aliança governista Juntos, liderada pela República em Marcha (LReM), de Macron, conquistou 245 cadeiras contra 131 da coligação de esquerda NUPES (Nova União Política Ecológica e Social), 89 da Reunião Nacional (RN), de extrema direita, e 75 da coalizão liderada pelo partido gaullista Os Republicanos (LR), de acordo com o jornal Le Monde. A abstenção, de 54%, ficou apenas abaixo do recorde de 57,36% registrado em 2017.

O desempenho do governo ficou abaixo do esperado depois do primeiro turno, quando se projetava a eleição de 255 a 295 deputados aliados do presidente. Depois do crescimento da extrema direita na eleição presidencial de abril, os dois extremos avançaram nas eleições legislativas.

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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Assembleia Nacional da França aprova lei antiterrorismo

Por 415 a 127 votos, a Assembleia Nacional da França aprovou em primeira votação o projeto de lei antiterrorismo, criticado pela oposição de esquerda sob o argumento de que incorpora à legislação ordinária os dispositivos do estado de emergência decretado depois dos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris, quando 130 pessoas foram mortas.

Ao encaminhar a votação, o primeiro-ministro Edouard Philippe afirmou que "a lei não é o único instrumento para lutar contra a ameaça terrorista". É necessário "um combate em todas as frentes, um combate cultural, um combate social e um combate de ordem pública".

A votação aconteceu sob o impacto dos atentados terroristas em Marselha, na França, e Las Vegas, nos Estados Unidos. Foi precedida por um minuto de silêncio. Foram a favor os partidos República em Marcha (ReM), do presidente Emmanuel Macron, Movimento Democrático (MoDem) e, com reservas, pela Nova Esquerda saída do Partido Socialista (PS).

O projeto foi rejeitado pela maioria do partido de centro-direita Os Republicanos e pela Frente Nacional, de extrema direita, que o consideraram "insuficiente", e pelos grupos de esquerda França Insubmissa, Esquerda Democrática e Republicana e o Partido Comunista Francês, que acusaram o texto de "ineficaz" e "liberticida".

Parte da direita alega que "a interferência de um juiz vai complicar o procedimento e impedir uma ação rápida". A esquerda exige a participação de um juiz de instrução e não apenas de um juiz de plantão para confirmar a legalidade de prisões e apreensões de documentos.

Sob o estado de emergência, até 1º de novembro, a polícia pode realizar batidas sem autorização judicial. Com a nova lei, essas operações de busca e apreensão foram rebatizadas como "visitas domiciliares" à procura de "documentos, objetos e dados" com o "fim exclusivo de prevenir o cometimento de atos de terrorismo e quando houver razões sérias para pensar que o lugar é frequentado por uma pessoa cujo comportamento constitua uma ameaça particularmente grave para a segurança e a ordem pública."

A diferença para o estado de emergência é que estas "visitas domiciliares" precisam ser autorizadas por um juiz depois de informada a Procuradoria-Geral da República. Estas autorizações podem ser objeto de recurso.

As operações de busca não poderão começar antes das 6h nem depois das 21h, a não ser com autorização expressa do juiz. Terão de ser feitas na presença do ocupante do imóvel ou, se nenhum responsável estiver lá, de duas testemunhas. Os suspeitos poderão ser detidos por até quatro horas no local, desde que avisado o juiz.

Para o Sindicato da Magistratura, o juiz não terá condições de exercer "um verdadeiro controle sobre a base das informações fornecidas pela polícia e os serviços secretos".

Já a União Sindical dos Magistrados entende que o projeto "parece conciliar os imperativos da segurança pública e do respeito aos direitos e liberdades", desde que "o juiz disponha dos meios necessários para exercer um controle efetivo de todas as etapas do procedimento".

Na opinião da professora de direito Vanessa Codaccioni, autora do livro Justiça de Exceção: o Estado face aos crimes políticos e terroristas, "esta nova lei antiterrorismo se inscreve em duas lógicas. Uma lógica própria do antiterrorismo francês que é empilhar e multiplicar as legislações de exceção. Deste ponto de vista, esta lei se inscreve num processo histórico de reforço contínuo do aparelho antiterrorista. Por outro lado, esta lei é inédita no sentido de que visa a sair de um regime de exceção preservando suas características graves e repressivas."

A lógica central é que "uma violência excepcional exige uma Justiça excepcional", acrescentou a professora em entrevista ao jornal francês Le Monde. Ela lembra que a França tem leis para tomar medidas preventivas contra o terrorismo desde os anos 1990s. O argumento para mudar é que o terrorismo islâmico é muito mais mortífero.

Isso não é novidade na 5ª República, comentou Vanessa Codaccioni, lembrando que medidas de exceção foram adotadas durante a Guerra de Independência da Argélia (1954-62). O risco é de uma Justiça de exceção, dominada pela polícia e os serviços secretos.

domingo, 18 de junho de 2017

Segundo turno confirma maioria de Macron na Assembleia Nacional

Com o fechamento total das urnas no segundo turno das eleições parlamentares na França, a aliança entre a República em Marcha (ReM) e Movimento Democrático (MoDem), liderada pelo presidente Emmanuel Macron, confirma sua maioria absoluta na Assembleia Nacional. Deve eleger 355 dos 577 deputados, indica a pesquisa Ipsos/Sopra Steria.

Sozinha, a ReM deve ter 311 deputados, o que lhe garantiria maioria absoluta sem alianças. A segunda maior bancada será da coalizão entre Os Republicanos, o tradicional partido conservador herdeiro da tradição do general Charles de Gaulle, e a União Democrática Independente (UDI), com cerca de 125 deputados, cem a menos.

A coalizão do Partido Socialista (PS), que estava no poder no governo François Hollande e tinha maioria no Parlamento antes da revolução de Macron, ex-ministro da Economia de Hollande, terá 49 deputados, dos quais 34 do PS.

Em entrevista coletiva neste momento, o primeiro-secretário do PS, Jean Christophe Cambdélis, defendeu a reaglutinação da esquerda em torno de um programa progressista para enfrentar o liberalismo de Macron e o ultranacionalismo da neofascista Frente Nacional (FN).

O PS perdeu votos à direita para a ReM e à esquerda para a aliança de ultraesquerda França Insubmissa, liderada por Jean-Luc Mélenchon, que terá 30 deputados, sendo 11 do Partido Comunista Francês (PCF).

Diante de uma abstenção estimada inicialmente em 56,8%, depois de registrar 52% no primeiro turno, Mélenchon deve insistir em que Macron não tem o apoio da maioria da França para promover as reformas econômicas liberalizantes que promete, por exemplo, na legislação trabalhistas.

Por sua vez, os comunistas terão mais deputados do que a FN, que deve conquistar ao menos oito cadeiras. Para formar um grupo parlamentar, pela lei francesa, são necessários ao menos 15 deputados. Mas, na sua quarta tentativa, sua líder, Marine Le Pen, derrotada por Macron na eleição presidencial, entrou na Assembleia Nacional.

domingo, 11 de junho de 2017

Macron terá ampla maioria na Assembleia Nacional na França

Com cerca de 32,2% dos votos no primeiro turno das eleições parlamentares na França, a aliança República em Marcha e Movimento Democrático (REM-MoDem) deve eleger entre 390 e 430 deputados, garantindo ampla maioria ao presidente Emmanuel Macron na Assembleia Nacional, de 577 cadeiras.

A Frente Nacional, de extrema direita, que chegou ao segundo na eleição presidencial, teve apenas 13,9% dos votos. Deve eleger entre 3 e 10 deputados, abaixo do mínimo de 15, necessário para formar um grupo parlamentar.

Em segundo lugar, com 21,5%, ficou o partido conservador Os Republicanos, herdeiro da tradição gaulista, das ideias políticas do general Charles de Gaulle, o grande herói da França na Segunda Guerra Mundial. Devem ter entre 85 e 125 deputados na Assembleia Nacional.

O grande derrotado foi o Partido Socialista, que estava no poder com o presidente François Hollande, mas foi destroçado pela saída de Macron e o sucesso de sua campanha presidencial. Com 13,3%, o pior resultado de sua história, os socialistas devem eleger de 20 a 35 deputados.

A frente de extrema esquerda França Insubmissa bateu o PS, conquistando 14,2% dos votos. Seu líder, Jean-Luc Mélenchon, tentou desqualificar a vitória de Macron, alegando que a abstenção recorde, estimada em 51,2%, "mostra que ele não tem maioria".

O segundo turno será realizado no próximo domingo, de 18 de junho de 2017.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Macron terá ampla maioria na Assembleia Nacional, prevê pesquisa

O novo partido Revolução em Marcha (ReM), criado há pouco mais de um ano pelo presidente Emmanuel Macron, pode ter uma ampla maioria na Assembleia Nacional da França, indicou uma pesquisa do instituto Ipsos/Sofra.

A aliança do ReM com o Movimento Democrático (MoDem) deve obter 29,5% dos votos no primeiro turno das eleições parlamentares, no domingo, e pode eleger uma bancada de 385 a 415 deputados na Assembleia Nacional, de 577 cadeiras.

Na mesma pesquisa, a coalizão do partido conservador Os Republicanos com a centrista União Democrática Independente (UDI) teve 23% das preferências Elegeria entre 105 e 125 deputados. Na atual legislatura, os gaulistas tem 199 deputados e a UDI, 27 cadeiras.

Em terceiro, ficou a ultradireitista Frente Nacional (17%). Como no segundo turno os outros partidos costumam se aliar contra a extrema direita, a expectativa é que a FN tenha de 5 a 15 cadeiras. De acordo com o regimento interno da Assembleia Nacional, são necessários pelo menos 15 deputados para formar um grupo parlamentar.

Com 12,5% das preferências, a frente de esquerda França Insubmissa (12,5%) deve eleger de 12 a 22 deputados. A aliança do Partido Socialista com o Partido Radical de Esquerda ficou em quinto lugar em intenções de voto, com 8,5%, mas deve eleger a terceira maior bancada, de 25 a 35 deputados.

A cinco dias do primeiro turno, cerca de 60% dos eleitores inscritos pretendem votar. O segundo turno será realizado em 18 de junho de 2017.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Aliança de Macron lidera pesquisa na França

A aliança centrista entre o movimento República em Marcha, do presidente Emmanuel Macron, e o Movimento Democrático (MoDem) está na frente nas pesquisas sobre as eleições parlamentares de 11 e 18 de junho de 2017. 

Os aliados de Macron tem 29,5% das preferências contra 22% da coalizão entre o partido de centro-direita Os Republicanos e a centrista União Democrática Independente (UDI), indica pesquisa do instituto Ipsos/Sopra Steria.

Na mesma sondagem, 58% declararam estar satisfeitos com a atuação de Macron e 65% com sua postura presidencial. Um terço admite mudar seu voto.

A Frente Nacional, de extrema direita, ficou em terceiro lugar com 18%. A França Insubmissa, de extrema esquerda, teve 11,5% das intenções de voto, na frente dos socialistas e radicais de esquerda (9%).

Cerca de 45% dos franceses não querem que o presidente tenha maioria absoluta na Assembleia Nacional, preferem um governo de coalizão, enquanto 28% querem uma ampla vitória de Macron.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Macron nomeia primeiro-ministro de centro-direita

Um dia depois de assumir a Presidência da França, Emmanuel Macron apontou hoje o deputado Édouard Philippe, do partido conservador Os Republicanos, para futuro primeiro-ministro. A indicação confirma a intenção de atrair deputados de centro-direita e de centro-esquerda para tentar conquistar maioria na Assembleia Nacional nas eleições parlamentares de 11 e 18 de junho.

Philippe, de 46 anos, é prefeito de Havre desde 2014 (na França, é possível acumular os cargos de deputados e prefeito). Estudou na Faculdade de Ciências Políticas de Paris (Science Po) e na Escola Nacional de Administração, duas instituições tradicionais de ensino superior do país.

De 2007 a 2010, Philippe foi diretor da companhia francesa de energia nuclear Areva. Desde 2016, era porta-voz do ex-primeiro-ministro Alain Juppé, de quem é aliado há 15 anos.

Macron, de 39 anos, é o mais jovem chefe de Estado da França desde Napoleão Bonaparte, coroado imperador em 1804, aos 34 anos. Durante a campanha, tentou quebrar a divisão direita-esquerda que marca a política do país desde a Revolução Francesa de 1789.

Eleito sem ter um grande partido, para ter maioria parlamentar, Macron precisa atrair deputados tanto dos Republicanos quanto do Partido Socialista, ambos duramente abalados por não conseguir chegar ao segundo turno da eleição presidencial.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Ex-presidente Sarkozy declara voto em Macron

Mais um líder do partido gaulista Os Republicanos, de centro-direita, adere à Frente Republicana antiextrema-direita e anuncia apoio à candidatura do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron à Presidência da França. O ex-presidente Nicolas Sarkozy declarou hoje que vai votar em Macron no segundo turno, em 7 de maio de 2017.

"É uma escolha de responsabilidade que não significa de modo algum apoio a seu projeto", escreveu Sarkozy no Facebook, deixando claro que o objetivo é barrar a ascensão ao poder de Marine Le Pen, da neonazista Frente Nacional.

Ao mesmo tempo, Sarkozy defendeu uma mobilização de seu partido para vencer as eleições parlamentares: "No próximo mês de junho, por ocasião das eleições legislativas, os franceses terão de novo a possibilidade de fazer a escolha de uma verdadeira alternância dando seus sufrágios aos candidatos indicados pelo centro e pela direita."

Como o favorito Emmanuel Macron não tem partido, lançou há menos de um ano seu movimento Em Marcha para sustentar sua candidatura, é improvável que consiga maioria parlamentar para governar. Se Os Republicanos tiverem maioria na Assembleia Nacional, será obrigado a nomear um primeiro-ministro do partido de Sarkozy.

Os Republicanos poderiam ter vencido e se firmado mais uma vez como o maior partido da França, se não tivessem insistido na candidatura do ex-primeiro-ministro François Fillon, abalada por denúncias de que empregou a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado.

Antes do escândalo, Fillon saiu da eleição primária republicana com 30% das preferências. Teria um caminho tranquilo até o Palácio do Eliseu. Mas o partido que dominou a política francesa durante a maior parte da 5ª República, fundada em 1958 pelo general Charles de Gaulle, deu um tiro no pé.

Assim, neste caso, não fazem sentido as análises sobre a decadência dos partidos tradicionais. Os gaulistas presidiram a França por 33 anos desde 1958, com De Gaulle, Georges Pompidou, Jacques Chirac e Sarkozy. Não há partido mais tradicional na política francesa e as eleições legislativas tendem a confirmá-lo como maior partido do país, a não ser que Macron surpreenda mais uma vez.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Marine Le Pen deixa presidência do partido para ampliar eleitorado

Em grande desvantagem nas primeiras pesquisas depois do segundo turno, a candidata de extrema direita à Presidência da França, Marine Le Pen, anunciou hoje que vai deixar a presidência da Frente Nacional. 

É uma jogada para vender uma imagem mais centrista e tentar captar os votos, por exemplo, dos eleitores de Jean-Luc Mélenchon, da ultraesquerda, descontentes com as políticas pró-mercado do favorito, Emmanuel Macron, a quem ela acusa de apoiar uma "globalização selvagem".

Candidato independente, o ex-ministro da Economia Macron venceu o primeiro turno com 8.657.326 ou 24% dos votos com propostas a favor da globalização, do internacionalismo liberal, da União Europeia e da economia de mercado.

Le Pen ficou em segundo com 21,3% com uma plataforma ultranacioanalista, prometendo combater o terrorismo islâmico, expulsar os imigrantes, deixar o euro, convocar um plebiscito para sair da UE, fechar as fronteiras e proteger a economia. Ela obteve 7.679.593 votos, batendo o recorde do pai, Jean-Marie Le Pen. Ele obteve 6,8 milhões em 2012, quando derrotou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e foi para o segundo turno.

Os candidatos conservador François Fillon (20%) e socialista Benoît Hamon (6,36%) deram apoio a Macron para vencer a ameaça da extrema direita. O presidente François Hollande, o mais impopular da história recente da França, também declarou apoio a seu ex-ministro da Economia.

As pesquisas dão 60% a 64% das preferências para Macron no segundo turno, marcado para 7 de maio de 2017.

Marine tenta reagir apresentando o adversário como "filho do hollandismo", liberal e pró-europeu. Na visão da ultradireita, isso significa que "as fronteiras continuaram abertas e a França e sua cultura continuarão sendo invadidas".

Macron é o grande vencedor. Há um ano, estava no governo. Saiu e criou o movimento Em Marcha para lançar a candidatura. Foi beneficiado pelo escândalo que abalou o favorito, o ex-primeiro-ministro conservador Fillon, acusado de empregar mulher e filhos como funcionários-fantasmas do Senado.

O grande derrotado é o Partido Socialista, que teve a pior votação de sua história, apenas 6,36% dos votos no primeiro turno. A ala mais moderada apoiou Macron e a mais radical votou em Mélenchon. Mas o partido gaulista Os Republicanos também perdeu muito ao insistir num candidato manchado pela corrupção e rejeitado pelo eleitoral.

A Europa e o mercado festejaram o resultado, com alta generalizada nas bolsas de valores. O fantasma da ascensão da extrema direita, alimentado pelo plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da UE e pela vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, não assombrou a eleição presidencial francesa.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Partido Socialista cai para 5º lugar na eleição presidencial da França

Com o avanço de Jean-Luc Mélenchon, candidato da frente de esquerda França Insubmissa, a um mês do primeiro turno da eleição presidencial na França, o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, candidato oficial do Partido Socialista, caiu para quinto lugar numa pesquisa de opinião realizada na terça-feira para a televisão BFMTV e a revista L'Express.

O líder na pesquisa sobre o primeiro turno, marcado para 23 de abril de 2017, é o ex-ministro da Economia do atual governo, Emmanuel Macron, considerado liberal demais dentro do PS, com avanço de 0,5 ponto percentual e 26% das preferências. 

Em segundo lugar, vem a chefe da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, com queda de meio ponto percentual e 24,5%. Ela promete acabar com a "imigração legal e ilegal", e tirar a França da União Europeia.

Marine Le Pen se inspira nas vitórias do plebiscito sobre a saída do Reino Unido do bloco europeu e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Tem o apoio do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Um banco russo emprestou 8 milhões de euros a seu partido de ultradireita. É a maior ameaça nesta eleição.

Todos os partidos devem se unir contra Le Pen no segundo turno. Foi que aconteceu com seu pai, Jean-Marie Le Pen, quando ele superou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, em 21 de abril de 2002, e foi para o segundo turno contra o presidente Jacques Chirac, vencedor no final por ampla margem.

De acordo com as pesquisas, Macron e Le Pen devem disputar o segundo turno, em 7 de maio, deixando de fora os grandes partidos que dominaram a 5ª República, o PS e o partido gaulista, herdeiro das ideias do general Charles de Gaulle, grande herói da Segunda Guerra Mundial e principal dirigente do país no pós-guerra, que hoje se chama Os Republicanos.

O candidato gaulista, o ex-primeiro-ministro François Fillon, era o favorito depois de ganhar a eleição primária do partido até a imprensa denunciar que ele empregou a mulher os filhos como funcionários-fantasmas do Senado. Apesar do escândalo e de estar sendo processado, Fillon se recusa a abandonar a candidatura. Está em queda e perdeu mais 0,5 ponto desde a pesquisa anterior. Tem 17%.

Mélenchon é o quarto, com um avanço de meio ponto e 13,5% do total, ultrapassando o socialista Hamon, que caiu 2 pontos para 11,5%, o pior resultado da história do PS.

Por causa de sua impopularidade, o presidente François Hollande desistiu de concorrer e o ex-primeiro-ministro Manuel Valls foi derrotado pela esquerda, que optou por Hamon. Mas cada vez mais os socialistas embarcam na candidatura Macron. O próprio presidente Hollande pediu outro dia a desistência de Fillon, numa clara jogada para beneficiar a candidatura de seu jovem ex-ministro.

sábado, 18 de março de 2017

França projeta crescimento de 1,1% em 2017

A França, segunda maior economia da Zona do Euro e sexta do mundo, deve crescer 0,3% no primeiro trimestre de 2017 e 1,1% no ano inteiro, a mesma taxa do ano passado, previu ontem o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos).

O crescimento previsto para o segundo trimestre foi revisado de 0,4% para 0,5%. A queda do desemprego iniciada no fim de 2016 deve continuar no primeiro semestre de 2017. O índice, ainda elevado, deve baixar de 9,7% para 9,5% na França metropolitana e de 10% para 9,8% incluindo as províncias ultramarinhas. São as menores taxas de desemprego desde o terceiro trimestre de 2012

Ao crescer 1,1% em 2016, a França saiu de um período de estagnação. Nos três anos anteriores, ficara abaixo da média da Eurozona. Agora, equipara-se aos países vizinhos. Mas o consumo das famílias, principal motor da economia francesa, continua fraco. Deve avançar 0,2% no primeiro trimestre e 0,4% no segundo.

A melhora relativa no crescimento e no emprego chega tarde demais para o presidente François Hollande e o Partido Socialista. Seu candidato, Benoît Hamon, está em quarto lugar nas pesquisas e deve ser eliminado no primeiro turno da eleição presidencial francesa em 23 de abril.

Por ironia, o favorito no momento é o ex-ministro da Economia do governo socialista, Emmanuel Macron, um jovem de 37 anos que trabalhou no mercardo financeiro, não é considerado suficientemente de esquerda pelo partido e nunca havia disputado uma eleição.

Com a resistência do candidato do partido gaulista Os Republicanos, François Fillon, acusado de contratar a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado, Macron é o favorito para enfrentar a neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, no segundo turno, em 7 de maio.

Como Marine Le Pen não deve passar de um terço dos votos, quem quer que a enfrente no segundo turno deve derrotar a extrema direita. O fracasso da ultradireita na Holanda deu novo ânimo aos franceses, mas as vitórias do não à União Europeia no Reino Unido e a eleição de Donald Trump animaram a Frente Nacional.

A exemplo de Trump, Le Pen tem o apoio do homem-forte da Rússia, Vladimir Putin. Bancos russos emprestaram pelo menos 8 milhões de euros. Em sua guerra cibernética contra o Ocidente e a UE, o alvo do Kremlin hoje deve ser Macron.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Desemprego na França caiu para 9,7% em 2016

A taxa de desemprego caiu 0,2 ponto percentual em 2016 na França. Ficou em 97% na França metropolitana e em 10% considerando-se as províncias ultramarinhas, revelou ontem a Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos).

Por causa do desemprego elevado, o presidente socialista François Hollande desistiu de concorrer à reeleição. O candidato escolhido na eleição primária do partido, o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, está em quarto lugar. Dificilmente chega ao segundo turno.

No quarto trimestre, o desemprego cedeu mais um ponto percentual. No fim do ano passado, cerca de 2,78 milhões de pessoas estavam procurando trabalho no Hexágono, como os franceses chamam a França europeia.

Entre os jovens, a queda anual foi de 1,7 ponto percentual, mas o índice de desemprego ainda é muito alto. Ficou em 23,3%.

Com o desgaste dos partidos tradicionais, a impopularidade do governo Hollande e a denúncia de que a mulher do candidato da direita republicana, François Fillon, foi sua funcionária-fantasma durante anos, a favorita hoje as pesquisas é a líder da extrema direita Marine Le Pen, da Frente Nacional, neofascista.

Se Marine Le Pen ganhar, promete convocar um plebiscito para retirar a França da União Europeia. Seria o fim do bloco. Defensora de um nacionalismo antiquado antiglobalização, ela tem apoio dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin. Ambos querem enfraquecer o bloco europeu, uma organização supranacional e pós-nacionalista que não se encaixa na visão de mundo autoritária dos atuais chefões do Kremlin e da Casa Branca.

Seu adversário mais provável no segundo turbo no momento é o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, um ex-funcionário do mercado financeiro. Liberal demais para ser o candidato socialista, criou seu própria movimento e se beneficia com o colapso da candidatura Fillon, que ainda ser substituída pelos Republicanos, o maior e mais tradicional partido de centro-direita da França, herdeiro da ideologia política do general Charles de Gaulle, o grande lider da reconstrução do país depois da ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial.

A Rússia já lançou contra Macron a mesma guerra cibernética que ajudou a derrotar Hillary Clinton.

O ex-ministro François Bayrou e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé são cotados para assumir a candidatura republicana.

A eleição presidencial francesa será realizada em 23 de abril e 7 de maio de 2017.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Ex-presidente Sarkozy será julgado por financiamento ilegal de campanha

Um juiz da França instaurou hoje um processo contra ex-presidente Nicolas Sarkozy e outras 13 pessoas por esconder US$ 20 milhões em gastos da sua campanha à reeleição, em 2012, noticiou a imprensa francesa.

Sarkozy rejeita a denúncia de que seu partido conspirou com a empresa de relações públicas Bygmalion para manipular as cifras e desrespeitar o limite legal de despesas numa campanha presidencial.

Na época, o partido Os Republicanos, de centro-direita, se chamava União por um Movimento Popular (UMP).

O ex-presidente tentou concorrer à eleição presidencial deste ano, mas ficou em terceiro lugar na eleição primária do partido. O vencedor foi o ex-primeiro-ministro François Fillon, que está sendo pressionado a desistir depois que o jornal semanal Canard Enchaîné revelou que sua mulher e seus filhos foram funcionários-fantasmas.

Este escândalo abala ainda mais a imagem dos partidos tradicionais e favorece a campanha da neofascista Marine Le Pen, que promete convocar um plebiscito para tirar a França da União Europeia e conta com o apoio dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin.

Extremamente impopular, o presidente socialista François Hollande decidiu não disputar a reeleição. Seu ex-primeiro-ministro Manuel Valls perdeu a eleição primária do PS para o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, da ala mais esquerdista do partido. Sem argumentos para defender o atual governo, o candidato socialista parece condenado à derrota.

Quem desponta como alternativa à extrema direita é o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, um ex-funcionário do mercado financeiro com uma visão econômica liberal. Sem chances de conquistar a candidatura socialista, Macron criou seu próprio movimento, Em Marcha, para levar adiante seu projeto. Sem um partido por trás, sua candidatura foi desprezada inicialmente.

No momento, as pesquisas apontam a vitória de Marine Le Pen no primeiro turno e sua derrota no segundo, seja qual for o rival. Com o escândalo envolvendo Fillon, que já liderou as pesquisas, Macron subiu para o segundo lugar.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Valls deixa governo para ser candidato na França

O primeiro-ministro Manuel Valls anunciou hoje que vai entregar o cargo de chefe do governo amanhã ao presidente François Hollande para se dedicar exclusivamente à sua candidatura à Presidência da França em 2017. É uma esperança de uma candidatura forte de esquerda capaz de chegar ao segundo turno.

Em pronunciamento de 20 minutos, Valls se apresentou como um candidato pronto para enfrentar o autoritarismo da direita e da extrema direita no país e no mundo: "Quero uma França independente, inflexível em seus valores diante da China de Xi Jinping, da Rússia de Vladimir Putin, dos Estados Unidos de Donald Trump e da Turquia de Recep Erdogan."

Dentro do Partido Socialista, Valls é considerado um centrista com tendências econômicas liberais. Ele apelou cinco vezes para o artigo 49, inciso 3, da Constituição da França, uma medida de exceção para aprovar projetos de interesse do governo sem a necessidade de voto na Assembleia Nacional, inclusive a reforma trabalhista repudiada pelas grandes centrais sindicais.

Valls deverá disputar a eleição primária do PS, em 22 e 29 de janeiro, com vários candidatos mais à esquerda, entre eles o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg.

No momento, com a impopularidade do presidente François Hollande, que desistiu da reeleição, as pesquisas indicam sério risco de que o PS seja eliminado no primeiro turno, em 23 de abril de 2017. O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, do partido Os Republicanos, enfrentaria e venceria Marine Le Pen, da neofascista Frente Nacional, no segundo turno, em 7 de maio.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Fillon lidera pesquisa sobre eleição presidencial na França

Depois de ganhar a eleição primária da centro-direita, o ex-primeiro-ministro conservador François Fillon desponta como favorito à eleição presidencial de 2017 na França. A seis meses da eleição, Fillon tem 32% das preferências contra 22% para a líder da neofascista Frente Nacional, Marina Le Pen, indica uma pesquisa divulgada pela televisão francesa.

Em terceiro lugar, aparece o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron (13%), que lançou uma candidatura independente, seguido pelo candidato de ultraesquerda, Jean-Luc Mélenchon (12%) e pelo presidente François Hollande (8%).

O presidente anunciou dia 1º de dezembro que não será candidato à reeleição, abrindo espaço para uma eleição primária competitiva da esquerda em 22 e 29 de janeiro..

No segundo turno, Fillon teria uma vitória esmagadora com 79% dos votos válidos contra 21% para Marine Le Pen. A pesquisa foi realizada via Internet em 25 de novembro, dois dias antes da eleição primária do partido Os Republicanos, de centro-direita, vencida por Fillon.

Diante de surpresa não detectadas nas pesquisas, como a vitória da saída do Reino Unido da União no referendo de 23 de junho e o triunfo de Donald Trump na eleição presidencial nos Estados Unidos, aumentou o temor de ascensão da extrema direita na Europa.

Há um risco de que o candidato neonazista seja eleito presidente da Áustria. Uma vitória da antieuropeia Marine seria um terremoto capaz de destruir a União Europeia.

domingo, 27 de novembro de 2016

Fillon será o candidato de centro-direita na França

O ex-primeiro-ministro François Fillon venceu hoje a eleição primária para escolher o candidato do partido Os Republicanos, de centro-direita, à Presidência da França por ampla vantagem. Com 90% das urnas apuradas, tinha 66,5% contra 33,5% para o ex-primeiro-ministro Alain Juppé.

Vitorioso em apenas dois departamentos, Juppé logo reconheceu a derrota. No primeiro turno, realizado no domingo passado, Fillon obteve 44,1% dos votos (1,89 milhão) contra 28,6% (1,22 milhão) para Juppé e 20,7% (880 mil) para o ex-presidente Nicolas Sarkozy, que apoiou Fillon no segundo turno.

"É uma vitória de fundo baseada nas minhas convicções depois de três anos apresentando meu projeto e meus valores", declarou Fillon, considerado moderado politicamente e ultraliberal em economia, a ponto de ser comparado com a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher (1979-90).

Fillon é desde já o candidato favorito à Presidência da França em 2017. Por causa da impopularidade do presidente François Hollande, as pesquisas indicam que o Partido Socialista não passe do primeiro turno, em 23 de abril. No segundo turno, em 7 de abril, o candidato republicano enfrentaria a líder da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen.

Se for eleito presidente, Fillon pretende dar um choque de liberalismo na economia francesa. O seguro-desemprego, por exemplo, deve se tornar regressivo, diminuindo depois de alguns meses de inatividade. Hoje o trabalhador tem direito pelo período em que esteve no último emprego até um limite de dois anos ou de três anos para maiores de 50 anos.

"A pobreza aumenta com o desemprego, então a chave para a recuperação da França é o pleno emprego", afirmou na campanha o candidato republicano.

Outra proposta de Fillon é acabar com os empregos subsidiados, contratos com ajuda para quem oferecer trabalho a jovens, especialmente o primeiro emprego. "Os ditos do contratos do futuro ou de geração custam 1,4 bilhão de euros por ano. Com que resultado?", questiona o ex-primeiro-ministro. "Eles não garantem a inserção no mercado de trabalho e distorcem a concorrência."

Para a diretora do Centro de Estudos do Emprego, Christine Erhel, a avaliação do candidato é "totalmente irrealista". Os contratos do futuro, criados em 2012 para combater o desemprego entre os jovens e dar oportunidade a quem não tem experiência, beneficiam hoje 300 mil pessoas.

O ex-primeiro-ministro considera o atual salário mínimo, de 1.173,43 euros, adequado, mas é contra reajustes automáticos, a não ser para compensar a inflação.

No setor público, Fillon quer aumentar a jornada semanal de trabalho de 35 para 39 horas, um aumento de 10% no tempo trabalhado, e cortar 500 mil empregos, duas vezes mais do que Juppé prometia.

No setor privado, o aumento da jornada semanal seria ainda maior, passando das atuais 35 horas para o limite estabelecido na legislação da União Europeia, 48 horas por semana.

A idade mínima para a aposentadoria vai mudar de 62 para 65 anos. Os regimes de aposentadoria de empregados públicos e privados será harmonizado.

O imposto sobre grandes fortunas será abolido. Fillon o acusa de "provocar fuga de capitais".

Além de cortes de impostos, o candidato republicano pretende "simplificar drasticamente" a Lei do Trabalho da França, mais longa do que a Bíblia, e "recentrá-la sobre as normais sociais fundamentais". Ele promete fazer 50% das compras governamentais de pequenas e médias empresas. Em 2013, foram apenas 27%.

domingo, 20 de novembro de 2016

Ex-primeiro-ministro Fillon já é considerado favorito na França

O ex-primeiro-ministro François Fillon venceu hoje o primeiro turno da eleição primária para escolher o candidato do partido conservador Os Republicanos à Presidência da França em 2017. É considerado favorito para ser o representante da centro-direita, que levaria os votos da esquerda num provável segundo turno contra a ultranacionalista Marine Le Pen, da neofascista Frente Nacional.

Num resultado surpreendente, a grande derrota foi do ex-presidente Nicolas Sarkozy (2007-12), que sonhava com uma volta ao Palácio do Eliseu. Dois ex-primeiros-ministros vão disputar a candidadura de centro-direita no próximo domingo. O adversário de Fillon será Alain Juppé.

Fillon obteve 44.1% dos votos e Juppé 28,6%. Com apenas 20,6%, Sarkozy está eliminado. O ex-presidente tinha o apoio da ala mais linha dura do partido político herdeiro das ideias do general Charles de Gaulle, que liderou a reconstrução da França depois da Segunda Guerra Mundial e fundou a 5ª República, em 1958.

Os dois ex-primeiros-ministros são considerados moderados politicamente. Em economia, Fillon é visto como ultraliberal e comparado à falecida primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Fugindo da tradição dirigista do gaullismo e da França, promete fazer reformas econômicas liberalizantes para desengessar a economia francesa e tornar o país mais competitivo na economia globalizada.

Juppé e Sarkozy eram os favoritos. Fillon ganhou o debate na televisão e levou o primeiro turno. Terá provavelmente a missão de barrar a ascensão da neofascista Frente Nacional e de sua líder e candidata Marine Le Pen, que festejou a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e a saída do Reino Unido da União Europeia.

Com o desgaste do Partido Socialista e a impopularidade do presidente François Hollande, as pesquisas indicam que a esquerda corre sério risco de ser eliminada no primeiro turno, em 23 de abril. Fillon é claramente o defensor de uma ordem internacional liberal e de uma economia mais aberta, em contraste direto com a pregação ultranacionalista da Frente Nacional.

O ressurgimento do ultranacionalismo é um sintoma da crise do processo de globalização. Com a queda nos padrões de vida da classe média e baixa na Europa e nos EUA, os trabalhadores brancos que um dia trabalharam na indústria e votavam nos partidos socialistas e comunistas agora votam na ultradireita, seduzidos por um discurso fácil de expulsar estrangeiros e repatriar empregos.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Sarkozy e Juppé estão empatados na luta pela candidatura republicana na França

O ex-presidente Nicolas Sarkozy e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé estão empatados em 37% na disputa pela candidatura à Presidência da França pelo partido de centro-direita Os Republicanos, indica uma pesquisa do instituto Harris Interactive para televisões da França divulgada hoje.

Num terceiro lugar distante, está o ex-primeiro-ministro François Fillon (10%), seguido por Bruno Le Maire (9%), Nathalie Kosciusko-Morizet (3%), Jean-François Copé (2%), Hervé Mariton (1%) e Jean-Frédéric Poisson (1%).

A eleição primária republicana será realizada em 20 e 27 de novembro de 2016. No segundo turno, Juppé lidera por 52% a 48%. O candidato republicano é o favorito para conquistar o Palácio do Eliseu no próximo ano.

Com a impopularidade do presidente socialista François Hollande, que tem aprovação de apenas 12%, é provável que o Partido Socialista seja derrotado no primeiro turno, em 23 de abril. Assim, o candidato de centro-direita enfrentaria no segundo turno, em 7 de maio, a líder da neofascista Frente Nacional, de extrema direita, Marine Le Pen, liderando um grande movimento de união nacional antifascista.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Procuradoria de Paris denuncia Sarkozy e mais 13 partidários

Em denúncia à Justiça da França, a Procuradoria de Paris acusa o ex-presidente Nicolas Sarkozy (2007-12), pré-candidato à eleição presidencial de 2017, de ter "pleno conhecimento do financiamento ilegal de sua campanha [de 2012] porque ficou demonstrado que ele deu, com conhecimento de causa, instruções para aumentar as despesas".

O advogado de Sarkozy, Thierry Herzog, protestou dizendo que é um "desrespeito ao Código de Processo Penal". Outros 13 partidários do ex-presidente também foram acusados formalmente no caso Bygmalion, nome da agência de propaganda envolvida na fraude.

A campanha de Sarkozy foi denunciada por criar um esquema de notas falsas para mascarar o estouro do limite das despesas de campanha autorizadas pela legislação eleitoral francesa, de 22,5 milhões de euros para campanhas presidenciais. Ele perdeu a eleição para o atual presidente, o socialista François Hollande.

É improvável que o caso seja julgado antes da eleição presidencial, marcada para 23 de abril e 7 de maio. O primeiro teste para Sarkozy será a eleição primária do partido Os Republicanos, fundado por ele mesmo para substituir à União por um Movimento Popular (UMP). É um partido de centro-direita, herdeiro do gaullismo, das ideias do general Charles de Gaulle, presidente da França Livre no exílio durante a ocupação nazista (1940-44), chefiou a reconstrução do pós-guerra e foi o principal líder do país na segunda metade do século 20.

Treze candidatos disputam a primária republica em 20 e 27 de novembro de 2016. Os favoritos são o próprio Sarkozy e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé.

terça-feira, 17 de maio de 2016

França cresceu 1,3% em 2015

A economia da França, a terceira maior da Europa e sexta do mundo, avançou 1,3% em 2015. O resultado de 2014 foi revisado para cima de 0,4% para 0,6% e o de 2013 para baixo, de 0,7% para 0,6%, anunciou hoje o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos).

O aumento do consumo das famílias cresceu de 0,7% em 2014 para 1,5% no ano passado, enquanto o investimento passou de uma contração de 0,3% para alta de 1%.

Em 2015, o déficit público foi de 3,6%, um pouco acima da estimativa anterior de 3,5% anunciada em 25 de março de 2016. A dívida pública ficou em 96,1% do produto interno bruto, um pouco acima dos 95,7% do cálculo anterior. Os gastos públicos consumiram 57% do PIB.

A retomada do crescimento e a queda no desemprego são fundamentais para a candidatura à reeleição em 2017 do presidente socialista François Hollande, no momento o mais impopular da história da França, com apoio de apenas 13% do eleitorado.

Dezenas de milhares de pessoas voltaram a sair hoje às ruas das principais cidades francesas para protestar contra a reforma trabalhista aprovada numa manobra do primeiro-ministro Manuel Valls sem votação na Assembleia Nacional. Novas manifestações serão realizadas amanhã.

Também hoje o presidente Hollande anunciou a intenção de cortar impostos. Mais detalhes devem ser revelados em julho, informou o jornal econômico Les Echos.

Por outro lado, o ex-presidente Nicolas Sarkozy, líder do partido de centro-direita Os Republicanos, declarou que o referendo sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia cria uma oportunidade para rediscutir o projeto de integração do continente. Ele propõe a criação de um conselho de ministros do interior e com um presidente estável e mais autoridade para controlar as fronteiras externas do bloco