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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Socialista vence extrema direita em Portugal

O candidato socialista moderado António José Seguro obteve uma grande vitória no segundo turno da eleição presidencial em Portugal no domngo, com 30 pontos de vantagem sobre o candidato da extrema direita André Ventura graças ao apoio de uma aliança antifascista. Vai cumprir um mandato de 5 anos a partir de 9 de março.

Com quase 100% das urnas apuradas, Seguro, do Partido Socialista (PS), tem 66,6% dos votos válidos contra 33,4% para Ventura, do Chega. É a maior vitória numa eleição presidencial no país. No ano passado, o ultradireitista Chega fez a segunda maior bancada no parlamento.

"Os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia", declarou o presidente eleito no discurso da vitória. "A resposta que o povo português deu hoje, o seu compromisso com a liberdade, a democracia e o futuro do nosso país deixa-me naturalmente comovido e orgulhoso da nossa nação."

Seguro nasceu em Panamacor, uma vila da região de Castelo Branco, no Interior de Portugal, em 11 de março de 1962. Depois de anos de militância, ele fez licenciatura em relações internacionais na Universidade Autônoma de Lisboa e depois mestrado em ciência política. 

Foi presidente do Fórum da Juventude da União Europeia (1985-89), líder da Juventude Socialista (1990-94), presidente do Conselho Nacional da Juventude e vice-presidente da União Internacional das Juventudes Socialistas..

Como deputado (1991-95), é um dos articuladores do governo do primeiro-ministro António Guterres ma Assembleia da República. Como deputado do Parlamento Europeu (1999-2001), é vice-presidente do Grupo Parlamentar Socialista, o segundo maior.

Em 2002, volta à Assembleia da República, onde lidera a bancada socialista (2004-5). Depois da derrota do PS nas eleições de 2011, Seguro foi eleito secretário-geral, líder do partido. Nas eleições regionais de 2013, o PS obtém uma de suas maiores vitórias. No ano seguinte, vence a aliança de centro-direita nas eleições para o Parlamento Europeu. Mas a liderança de seguro é desafiada e António Costa vence a disputa em 2014.

Seguro renuncia à liderança do partido, ao cargo de conselheiro do Estado e de deputado na Assembleia da República.

Desde 2023, criticava o governo do então primeiro-ministro socialista António Costa. Em 2024, cogita uma candidatura à Presidência e passa a fazer um comentário chamado Liberdade na CNN em Portugal. Em 3 de junho do ano passado, anunciou a candidatura. Foi o mais votado no primeiro turno, com 31,1% dos votos.

Em Portugal, o presidente é o chefe de Estado, um cargo mais decorativo. Cabe a ele, por exemplo, sancionar as leis aprovadas pela Assembleia da República, apelar ao Tribunal Constitucional para declarar uma lei inconstitucional e dissolver o parlamento numa crise política grave. Mas quem governa de fato é o primeiro-ministro. Desde junho de 2025, é o conservador Luís Montenegro, líder do Partido Social-Democrático (PSD).

O cordão sanitário funcionou. Mais uma vez, os partidos republicanos e democráticos se uniram para barrar a ascensão da extrema direita, a exemplo do que era a regra na Europa. 

Esta regra foi contestada há um ano pelo vice-presidente dos Estados Unidos, James Vance, Na Conferência sobre Segurança de Munique, ele acusou os europeus de excluir parte do eleitorado do proesso político ao se negar a fazer alianças com a extrema direita. É uma tentativa de não naturalizar o extremismo político.

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segunda-feira, 11 de março de 2024

Direita vence eleições marcadas por avanço da ultradireita em Portugal

A Aliança Democrática (AD), de centro-direita, venceu as eleições parlamentares antecipadas realizadas no domingo em Portugal com uma pequena vantagem sobre o Partido Socialista (PS), que governava o país há nove anos, mas a grande novidade foi o crescimento do partido Chega, de extrema direita, anti-imigrantes. Como o líder da AD se nega a fazer aliança com a ultradireita, uma Assembleia da República mais fragmentada aponta para um aumento da instabilidade política. 

Com 99% das urnas apuradas, a Aliança Democrática teve 29,49% dos votos e elegeu 79 deputados, dois a mais do que o Partido Socialista, que teve 28,66% dos votos. O Chega conquistou pouco mais de 18% dos votos. Quadruplicou a bancada de 12 para 48 deputados. A extrema direita passou a ser a terceira maior força política do país.

Nos próximos dias, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa deve convidar o líder da Aliança Democrática, Luís Montenegro, para formar o próximo governo. Sem a extrema direita, será impossível formar um governo com maioria na Assembleia da República, de 230 deputados, a não ser que direita e esquerda se unem numa grande coalizão para barrar o neofascismo.

Se não houver acordo, os portugueses terão de voltar às urnas em breve.

A ascensão do neofascismo é um fenômeno global alimentado pela crise da democracia em garantir o bem-estar das classes médias na era da globalização. Portugal é apenas um entre tantos exemplos.

domingo, 6 de outubro de 2019

Primeiro-ministro socialista vence eleições em Portugal

Com 37% dos votos, o Partido Socialista (PS) venceu as eleições parlamentares deste domingo em Portugal. Falta definir o resultado de apenas quatro cadeiras, os socialistas terão pelo menos 106 dos 230 deputados  da Assembleia da República.

O primeiro-ministro António Costa quer ampliar a coalizão de governo, chamada popularmente de geringonça. A extrema direita entra no parlamento pela primeira vez desde a democratização do país, em 1974, com a eleição de um deputado do partido Chega.

Com 20 deputados a mais do que tinha, o PS precisa de apenas mais dez votos para ter maioria absoluta. Isto aumenta a margem de manobra de Costa para formar o futuro governo. O novo parlamento terá 10 partidos.

Em segundo lugar, ficou a aliança de centro-direita liderada pelo Partido Social-Democrata, com 28% dos votos e 77 deputados, seguido pelo Bloco de Esquerda, que ficou estagnado com pouco menos de 10% dos votos e 19 cadeiras, e pela Coligação Democrática Unitária (CDU), formada pelo Partido Comunista Português (PCP) e o Partido Ecologista os Verdes (PEV), com 6,5% e 12 deputados.

A aliança conservadora Centro Democrático Social-Partido Popular (CDS-PP) decepcionou. Com 4,25% e apenas cinco deputados, a líder Assunção Cristas renunciou. O PAN (Pessoas-Animais-Natureza) é um partido político dedicado a causas ecológicas e aos direitos humanos. Com 3,28% e quatro deputados, deve ser convidado pelo primeiro-ministro para integrar o novo governo.

O Chega, de extrema direita, teve 1,3% dos votos e elegeu um deputado, André Ventura, um acadêmico, comentarista de televisão e ex-vereador do PSD que defende um regime presidencialista. O partido se apresenta como "conservador nos costumes, liberal na economia e nacionalista".

A Iniciativa Liberal, que prega "menos Estado e mais liberdade", também ficou em 1,3% e um deputado. Com 1,1%, o Livre também elegeu apenas um deputado. É um partido que defende "o universalismo, a liberdade, a igualdade, a solidariedade, o socialismo, a ecologia e o europeísmo. Também deve ser convidado para participar do novo governo.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Piñera é eleito presidente do Chile pela segunda vez

O bilionário conservador Sebastián Piñera será presidente do Chile mais uma vez. Ele venceu hoje o jornalista, professor e senador Alejandro Guillier no segundo turno da eleição presidencial e voltará a governar a partir de março o país, que presidiu de 2010 a 2014, informou o jornal conservador chileno El Mercurio.

Mais uma vez, as pesquisas de opinião erraram. No primeiro turno, davam 45% a Piñera, que teve pouco menos de 37% e 10% a 15% à terceira colocada, Beatriz Sánchez, que teve 20%, dando uma esperança a Guillier, reforçada pelas pesquisas que apontavam vantagem de apenas 2% para Piñera, dentro da margem de erro.

Com 99% das urnas apuradas, Piñera lidera com 3.768.839 votos (54,57%), contra 3.137.712 (45,43%) de Guillier. A abstenção ficou em 51,33%. O candidato derrotado e a atual presidente, Michelle Bachelet, cumprimentaram o presidente eleito por seu "triunfo impecável e maciço".

Pela segunda vez, Bachelet, do Partido Socialista, membro da aliança que derrotou a ditadura militar do general Augusto Pinochet (1973-90) passará a faixa presidencial a Piñera. Eles se revezam no poder desde 2006.

Nesta eleição, pela primeira vez, a ampla aliança de mais de dez partidos que derrubou Pinochet, liderada por democratas-cristãos e socialistas, a Convergência Democrática, mais tarde rebatizada como Nova Maioria, se dividiu, permitindo uma segunda vitória democrática da direita, sempre com Piñera. O bilionário ganhou em 13 das 15 regiões do Chile; em dez, por mais de cinco pontos percentuais.

No discurso da vitória, o presidente eleito convocou à unidade para transformar o Chile num "país desenvolvido, sem abusos nem discriminações arbitrárias."

Com uma população de cerca de 18 milhões de habitantes e um produto interno bruto de US$ 247 bilhões, 27 anos depois do fim da ditadura, o Chile tem a terceira maior renda média por pessoa da América Latina (US$ 13.576). De acordo com os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) relativos ao ano passado, fica atrás apenas do Uruguai e do Panamá.

O Chile tem o menor índice de homicídios da América Latina, 3,1 mortes para cada 100 mil habitantes por ano, seguido por Cuba (4,2) e Argentina (5,5). Esses dados são de 2010, quando a taxa no Brasil era 25,2.

domingo, 11 de junho de 2017

Macron terá ampla maioria na Assembleia Nacional na França

Com cerca de 32,2% dos votos no primeiro turno das eleições parlamentares na França, a aliança República em Marcha e Movimento Democrático (REM-MoDem) deve eleger entre 390 e 430 deputados, garantindo ampla maioria ao presidente Emmanuel Macron na Assembleia Nacional, de 577 cadeiras.

A Frente Nacional, de extrema direita, que chegou ao segundo na eleição presidencial, teve apenas 13,9% dos votos. Deve eleger entre 3 e 10 deputados, abaixo do mínimo de 15, necessário para formar um grupo parlamentar.

Em segundo lugar, com 21,5%, ficou o partido conservador Os Republicanos, herdeiro da tradição gaulista, das ideias políticas do general Charles de Gaulle, o grande herói da França na Segunda Guerra Mundial. Devem ter entre 85 e 125 deputados na Assembleia Nacional.

O grande derrotado foi o Partido Socialista, que estava no poder com o presidente François Hollande, mas foi destroçado pela saída de Macron e o sucesso de sua campanha presidencial. Com 13,3%, o pior resultado de sua história, os socialistas devem eleger de 20 a 35 deputados.

A frente de extrema esquerda França Insubmissa bateu o PS, conquistando 14,2% dos votos. Seu líder, Jean-Luc Mélenchon, tentou desqualificar a vitória de Macron, alegando que a abstenção recorde, estimada em 51,2%, "mostra que ele não tem maioria".

O segundo turno será realizado no próximo domingo, de 18 de junho de 2017.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Aliança de Macron lidera pesquisa na França

A aliança centrista entre o movimento República em Marcha, do presidente Emmanuel Macron, e o Movimento Democrático (MoDem) está na frente nas pesquisas sobre as eleições parlamentares de 11 e 18 de junho de 2017. 

Os aliados de Macron tem 29,5% das preferências contra 22% da coalizão entre o partido de centro-direita Os Republicanos e a centrista União Democrática Independente (UDI), indica pesquisa do instituto Ipsos/Sopra Steria.

Na mesma sondagem, 58% declararam estar satisfeitos com a atuação de Macron e 65% com sua postura presidencial. Um terço admite mudar seu voto.

A Frente Nacional, de extrema direita, ficou em terceiro lugar com 18%. A França Insubmissa, de extrema esquerda, teve 11,5% das intenções de voto, na frente dos socialistas e radicais de esquerda (9%).

Cerca de 45% dos franceses não querem que o presidente tenha maioria absoluta na Assembleia Nacional, preferem um governo de coalizão, enquanto 28% querem uma ampla vitória de Macron.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Macron nomeia primeiro-ministro de centro-direita

Um dia depois de assumir a Presidência da França, Emmanuel Macron apontou hoje o deputado Édouard Philippe, do partido conservador Os Republicanos, para futuro primeiro-ministro. A indicação confirma a intenção de atrair deputados de centro-direita e de centro-esquerda para tentar conquistar maioria na Assembleia Nacional nas eleições parlamentares de 11 e 18 de junho.

Philippe, de 46 anos, é prefeito de Havre desde 2014 (na França, é possível acumular os cargos de deputados e prefeito). Estudou na Faculdade de Ciências Políticas de Paris (Science Po) e na Escola Nacional de Administração, duas instituições tradicionais de ensino superior do país.

De 2007 a 2010, Philippe foi diretor da companhia francesa de energia nuclear Areva. Desde 2016, era porta-voz do ex-primeiro-ministro Alain Juppé, de quem é aliado há 15 anos.

Macron, de 39 anos, é o mais jovem chefe de Estado da França desde Napoleão Bonaparte, coroado imperador em 1804, aos 34 anos. Durante a campanha, tentou quebrar a divisão direita-esquerda que marca a política do país desde a Revolução Francesa de 1789.

Eleito sem ter um grande partido, para ter maioria parlamentar, Macron precisa atrair deputados tanto dos Republicanos quanto do Partido Socialista, ambos duramente abalados por não conseguir chegar ao segundo turno da eleição presidencial.

domingo, 7 de maio de 2017

Emmanuel Macron é o presidente mais jovem da história da França

Com mais de 65% dos votos, o ex-ministro da Economia e candidato independente Emmanuel Macron foi eleito hoje aos 39 anos como o presidente mais jovem da história da França, anunciou a televisão francesa France 2 com base em pesquisas de boca de urna, derrotando a neofascista Marine Le Pen, da ultradireitista Frente Nacional. 

O general Napoleão Bonaparte coroou-se imperador em 1804 aos 34 anos, quando a Revolução Francesa de 1789 havia dizimado a classe dirigente. Desde então, a França não teve um chefe de Estado tão jovem.

No final da apuração, o centrista Macron teve 20.30.964 votos (66%) contra 10.637.120 (34%) para a ultranacionalista Marine. O índice de abstenção, de 25%, foi recorde para a 5ª República, fundada em 1958 pelo general Charles de Gaulle.

Macron é um presidente acidental. Há um ano, deixou o governo François Hollande, o mais impopular da 5ª República, e lançou seu movimento Em Marcha! de olho no Palácio do Eliseu. Mas tinha poucas chances. Jovem, preparava-se para o futuro.

Depois das eleições primárias de centro-direita e centro-esquerda, com 30% das preferências, o favorito era o ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, do partido gaulista Os Republicanos, o mais tradicional do país, que presidiu a França com De Gaulle, Georges Pompidou, Jacques Chirac e Nikolas Sarkozy.

Quando o jornal satírico Le Canard enchainé revelou que Fillon empregara a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado, sua candidatura desabou, mas ele se negou a sair. Ao aceitar mantê-lo, Os Republicanos deram um tiro no pé.

Fillon ainda teve 20% dos votos no primeiro turno, apenas 465 mil a menos do que Le Pen, mas boa parte do eleitorado de centro-direita migrou para o candidato independente e centrista. Macron pretende se equilibrar entre os moderados à direita e à esquerda. Seu desafio agora é conseguir maioria na Assembleia Nacional nas eleições legislativas de 11 e 18 de junho de 2017.

Uma pesquisa divulgada depois da eleição presidencial indica que 61% dos franceses não querem dar maioria absoluta ao novo presidente, que teria de formar uma coalizão entre centro, direita e esquerda moderada, um equilíbrio difícil e inédito na 5ª República.

Com a impopularidade do presidente Hollande, seu ex-primeiro-ministro Manuel Valls perdeu a eleição primária socialista para o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, que nunca teve chance. Dentro do partido, Macron era considerado liberal demais.

O eleitorado de esquerda também migrou para o ex-ministro da Economia ou para a candidatura de ultraesquerda de Jean-Luc Mélenchon, que teve 19,58% no primeiro turno, dando apenas 6,36% dos votos a Hamon no primeiro turno.

No segundo turno, Fillon e Hamon apoiaram Macron para barrar a ascensão da Frente Nacional. Mélenchon se negou a endossar Macron. Chegou a pedir que o candidato centrista desistisse da reforma trabalhista. Foi ironizado por um humorista:

- Onde você estava quando os fascistas chegaram ao poder?

- O outro candidato ia fazer uma reforma trabalhista.

O PS, dividido pela candidatura social liberal de Macron, é o partido que mais deve perder deputados para Em Marcha! nas eleições do próximo mês.

Neste momento, ao reconhecer a derrota, Marine Le Pen agradeceu aos "11 milhões de franceses" (na verdade, 10,6 milhões) que votaram na extrema direita e declarou que a Frente Nacional é hoje a maior força de oposição da França, em defesa da segurança, da identidade nacional e da luta contra a globalização e a imigração, as grandes bandeiras do partido.

"Este segundo turno faz uma grande recomposição política em torno da clivagem entre patriotas e mundialistas", afirmou Marine, marcando posição. Mas dificilmente seu partido terá uma bancada capaz de liderar a oposição na Assembleia Nacional.

O presidente eleito fez campanha em defesa da democracia liberal, da economia de mercado, da globalização e da União Europeia, em claro contraste com as propostas isolacionistas e protecionistas dos ultranacionalistas. Sua vitória é uma derrota do neopopulismo que levou à aprovação da saída britânica da União Europeia e o magnata imobiliário Donald Trump à Casa Branca, no ano passado.

No discurso da vitória, diante da pirâmide de vidro da entrada do Museu do Louvre, Macron prometeu trabalhar para que os extremismos voltem para a margem da política francesa. Em Paris, ele teve 90% dos votos, anunciou a prefeita socialista Anne Hidalgo.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Ex-primeiro-ministro Valls apoia Macron na França

Mais um líder do Partido Socialista anuncia que vai apoiar o ex-ministro da Economia e candidato independente Emmanuel Macron no primeiro turno da eleição presidencial da França, em 23 de abril de 2017. É o ex-primeiro-ministro Manuel Valls, derrotado na eleição prévia do PS pelo ex-ministro da Educação Benoît Hamon, que está em quinto lugar nas pesquisas.

Em entrevista na manhã de hoje à televisão BFMTV, Valls declarou estar na hora de "tomar uma posição responsável" e não de simples "alinhamento". "Não quero, na noite do primeiro turno, ficar diante de uma escolha entre François Fillon e Marine Le Pen. Não podemos correr esse risco."

Macron foi ministro do governo Valls, mas é considerado liberal demais pela velha guarda socialista. Ele lidera as pesquisas sobre o primeiro turno com 26,5% votos, um pouco acima da candidata neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, com 25%.

O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon era o favorito até ser revelado que empregou a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado. Só a mulher, Penelope Fillon, ganhou 800 mil euros. Ambos estão sendo processados. Seu marido caiu para 17%.

Enquanto Macron agradeceu, Hamon acusou Valls de "não manter a palavra empenhada" e "não respeitar o veredito das urnas". O deputado Patrick Mennucci disse ter "vergonha" de Valls.

"O que vale daqui para a frente um acordo assinado por um homem como Manuel Valls?", perguntou o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg, também derrotado na primária socialista. "Nada. É o que vale um homem sem honra."

Valls negou que esteja traindo o PS ao não apoiar o vencedor da prévia: "O interesse superior da França está acima das regras de um partido, de uma primária, de uma comissão." Outros líderes socialistas e o presidente François Holland apoiam Macron discretamente.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Partido Socialista cai para 5º lugar na eleição presidencial da França

Com o avanço de Jean-Luc Mélenchon, candidato da frente de esquerda França Insubmissa, a um mês do primeiro turno da eleição presidencial na França, o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, candidato oficial do Partido Socialista, caiu para quinto lugar numa pesquisa de opinião realizada na terça-feira para a televisão BFMTV e a revista L'Express.

O líder na pesquisa sobre o primeiro turno, marcado para 23 de abril de 2017, é o ex-ministro da Economia do atual governo, Emmanuel Macron, considerado liberal demais dentro do PS, com avanço de 0,5 ponto percentual e 26% das preferências. 

Em segundo lugar, vem a chefe da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, com queda de meio ponto percentual e 24,5%. Ela promete acabar com a "imigração legal e ilegal", e tirar a França da União Europeia.

Marine Le Pen se inspira nas vitórias do plebiscito sobre a saída do Reino Unido do bloco europeu e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Tem o apoio do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Um banco russo emprestou 8 milhões de euros a seu partido de ultradireita. É a maior ameaça nesta eleição.

Todos os partidos devem se unir contra Le Pen no segundo turno. Foi que aconteceu com seu pai, Jean-Marie Le Pen, quando ele superou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, em 21 de abril de 2002, e foi para o segundo turno contra o presidente Jacques Chirac, vencedor no final por ampla margem.

De acordo com as pesquisas, Macron e Le Pen devem disputar o segundo turno, em 7 de maio, deixando de fora os grandes partidos que dominaram a 5ª República, o PS e o partido gaulista, herdeiro das ideias do general Charles de Gaulle, grande herói da Segunda Guerra Mundial e principal dirigente do país no pós-guerra, que hoje se chama Os Republicanos.

O candidato gaulista, o ex-primeiro-ministro François Fillon, era o favorito depois de ganhar a eleição primária do partido até a imprensa denunciar que ele empregou a mulher os filhos como funcionários-fantasmas do Senado. Apesar do escândalo e de estar sendo processado, Fillon se recusa a abandonar a candidatura. Está em queda e perdeu mais 0,5 ponto desde a pesquisa anterior. Tem 17%.

Mélenchon é o quarto, com um avanço de meio ponto e 13,5% do total, ultrapassando o socialista Hamon, que caiu 2 pontos para 11,5%, o pior resultado da história do PS.

Por causa de sua impopularidade, o presidente François Hollande desistiu de concorrer e o ex-primeiro-ministro Manuel Valls foi derrotado pela esquerda, que optou por Hamon. Mas cada vez mais os socialistas embarcam na candidatura Macron. O próprio presidente Hollande pediu outro dia a desistência de Fillon, numa clara jogada para beneficiar a candidatura de seu jovem ex-ministro.

sábado, 18 de março de 2017

França projeta crescimento de 1,1% em 2017

A França, segunda maior economia da Zona do Euro e sexta do mundo, deve crescer 0,3% no primeiro trimestre de 2017 e 1,1% no ano inteiro, a mesma taxa do ano passado, previu ontem o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos).

O crescimento previsto para o segundo trimestre foi revisado de 0,4% para 0,5%. A queda do desemprego iniciada no fim de 2016 deve continuar no primeiro semestre de 2017. O índice, ainda elevado, deve baixar de 9,7% para 9,5% na França metropolitana e de 10% para 9,8% incluindo as províncias ultramarinhas. São as menores taxas de desemprego desde o terceiro trimestre de 2012

Ao crescer 1,1% em 2016, a França saiu de um período de estagnação. Nos três anos anteriores, ficara abaixo da média da Eurozona. Agora, equipara-se aos países vizinhos. Mas o consumo das famílias, principal motor da economia francesa, continua fraco. Deve avançar 0,2% no primeiro trimestre e 0,4% no segundo.

A melhora relativa no crescimento e no emprego chega tarde demais para o presidente François Hollande e o Partido Socialista. Seu candidato, Benoît Hamon, está em quarto lugar nas pesquisas e deve ser eliminado no primeiro turno da eleição presidencial francesa em 23 de abril.

Por ironia, o favorito no momento é o ex-ministro da Economia do governo socialista, Emmanuel Macron, um jovem de 37 anos que trabalhou no mercardo financeiro, não é considerado suficientemente de esquerda pelo partido e nunca havia disputado uma eleição.

Com a resistência do candidato do partido gaulista Os Republicanos, François Fillon, acusado de contratar a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado, Macron é o favorito para enfrentar a neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, no segundo turno, em 7 de maio.

Como Marine Le Pen não deve passar de um terço dos votos, quem quer que a enfrente no segundo turno deve derrotar a extrema direita. O fracasso da ultradireita na Holanda deu novo ânimo aos franceses, mas as vitórias do não à União Europeia no Reino Unido e a eleição de Donald Trump animaram a Frente Nacional.

A exemplo de Trump, Le Pen tem o apoio do homem-forte da Rússia, Vladimir Putin. Bancos russos emprestaram pelo menos 8 milhões de euros. Em sua guerra cibernética contra o Ocidente e a UE, o alvo do Kremlin hoje deve ser Macron.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Ministro liberal deixa governo socialista de olho na Presidência da França

Sob a alegação de se "dedicar inteiramente" a seu movimento político Em Marcha, o ministro da Economia, Emmanuel Macron, pediu demissão hoje ao presidente François Hollande de olho numa candidatura à Presidência da França em 2017. Será substituído por Michel Sapin, que vai acumular o cargo com o de ministro das Finanças.

Desde que lançou o movimento a favor da liberalização da economia, Macron era visto com suspeita, sobretudo pela ala mais à esquerda do Partido Socialista. Ele é considerado a "direita da esquerda", mas tem problemas para conseguir apoio eleitoral à esquerda.

Com aprovação popular de apenas 12%, o presidente Hollande é candidato à reeleição, mas corre sério risco de não chegar ao segundo turno, como aconteceu com o PS em 2002, por causa do avanço da Frente Nacional, de extrema direita, e da maior popularidade do partido de centro-direita Os Republicanos.

Nas pesquisas de opinião, Macron era o terceiro ministro mais popular do governo, depois dos ministros da Defesa, Jean-Yves Le Drian, e do Interior, Bernard Cazeneuve.

A Lei Macron ou Lei do Crescimento, da Atividade e da Igualdade de Oportunidades causou grande divisão interna no PS e foi aprovada por decreto no ano passado, sem votação na Assembleia Nacional. Entre outras medidas, ela facilitou o trabalho noturno e aos domingos, acabou com o monopólio da rede ferroviária estatal e autorizou privatizações parciais no valor de 10 bilhões de euros.

Um dos políticos mais populares da França, Macron dificilmente obteria a candidatura socialista. Se o presidente Hollande desistir por causa da impopularidade, o candidato natural será o primeiro-ministro Manuel Valls. Há uma eleição prévia talhada sob medida para validar a candidatura Hollande.

terça-feira, 17 de maio de 2016

França cresceu 1,3% em 2015

A economia da França, a terceira maior da Europa e sexta do mundo, avançou 1,3% em 2015. O resultado de 2014 foi revisado para cima de 0,4% para 0,6% e o de 2013 para baixo, de 0,7% para 0,6%, anunciou hoje o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos).

O aumento do consumo das famílias cresceu de 0,7% em 2014 para 1,5% no ano passado, enquanto o investimento passou de uma contração de 0,3% para alta de 1%.

Em 2015, o déficit público foi de 3,6%, um pouco acima da estimativa anterior de 3,5% anunciada em 25 de março de 2016. A dívida pública ficou em 96,1% do produto interno bruto, um pouco acima dos 95,7% do cálculo anterior. Os gastos públicos consumiram 57% do PIB.

A retomada do crescimento e a queda no desemprego são fundamentais para a candidatura à reeleição em 2017 do presidente socialista François Hollande, no momento o mais impopular da história da França, com apoio de apenas 13% do eleitorado.

Dezenas de milhares de pessoas voltaram a sair hoje às ruas das principais cidades francesas para protestar contra a reforma trabalhista aprovada numa manobra do primeiro-ministro Manuel Valls sem votação na Assembleia Nacional. Novas manifestações serão realizadas amanhã.

Também hoje o presidente Hollande anunciou a intenção de cortar impostos. Mais detalhes devem ser revelados em julho, informou o jornal econômico Les Echos.

Por outro lado, o ex-presidente Nicolas Sarkozy, líder do partido de centro-direita Os Republicanos, declarou que o referendo sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia cria uma oportunidade para rediscutir o projeto de integração do continente. Ele propõe a criação de um conselho de ministros do interior e com um presidente estável e mais autoridade para controlar as fronteiras externas do bloco

terça-feira, 19 de abril de 2016

Socialistas franceses querem renda mínima de 400 euros por mês

O primeiro-ministro socialista Manuel Valls recebeu ontem um relatório propondo que o governo da França garanta uma renda mínima mensal de 400 euros (R$ 1.612,53) para todos os cidadãos entre 18 e 65 anos. Os idosos teriam direito a mais 400 euros mensais.

A reforma custaria 6,6 bilhões de euros por ano. O relatório Repensar as mínimas sociais sugere a unificação de dez benefícios sociais distintos para pessoas de baixa renda. A idade mínima para receber a ajuda estatal seria baixada de 25 para 18 anos, de modo a combater o desemprego e a pobreza entre os jovens.

Para Os Republicanos, o principal partido de oposição, a medida, a ser implantada a partir de 1º de janeiro de 2017, seria um desincentivo aos jovens, que poderiam se acomodar no desemprego. Na opinião do deputado Christophe Sirugue, autor da proposta, a revisão seria o "começo de uma luta eficaz contra a probreza entre os jovens.

A taxa de pobreza entre os jovens de 18 a 29 anos era de 18,6% em 2013, último dado disponível, em contraste com 12,3% para a população francesa como um todo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Assembleia da França aprova cassação de nacionalidade de terroristas

Com 162 votos a favor, 148 contra e 22 abstenções, a Assembleia Nacional da França aprovou ontem uma reforma na Constituição para cassar a nacionalidade de condenados por terrorismo. A medida provocou uma grande discussão no país e no governo socialista, levando à demissão da ministra da Justiça Christiane Taubira.

A França ficou chocada ao perceber que a maioria dos terroristas responsáveis pelos atentados de 2016 em Paris eram franceses ou belgas de origem estrangeira. A revisão constitucional é uma tentativa de adaptar a lei máxima do país à nova realidade da guerra contra o terrorismo.

O Partido Socialista, do presidente François Hollande, se dividiu, com 119 votos a favor, 92 contra e 10 abstenções. Os comunistas e os ecologistas votaram em massa contra o cassação da nacionalidade.

Agora, o projeto segue para o Senado, onde o líder da maioria direitista, Bruno Retailleau, que ameaça "reescrever" o texto. Para emendar a Constituição da França, o mesmo projeto precisa ser aprovado nas duas Casas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Ministra da Justiça da França pede demissão

Em protesto contra a decisão do governo de cassar a nacionalidade de franceses com dupla cidadania condenados por terrorismo, a ministra da Justiça da França, Christiane Taubira, pediu demissão hoje. Ela será substituída pelo deputado Jean-Jacques Urvoas, que presidia a Comissão de Justiça da Assembleia Nacional, noticiou o jornal Le Monde.

"Escolhi ser fiel a mim mesma, a meus engajamentos, a meus combates e a minhas relações com os outros", declarou Taubira, alegando ter um "desacordo político maior" em relação ao projeto defendido pelo primeiro-ministro Manuel Valls.

Ao fazer um balanço de sua atuação como ministra, ele citou avanços como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, as reformas penal e da justiça, e o aumento do orçamento do Ministério da Justiça. "Às vezes, resistir é ficar; às vezes, resistir é partir. Por fidelidade a si e a nós. Pela última palavra à ética e ao direito", escreveu Taubira no Twitter.

Sua saída fortalece a posição do primeiro-ministro Valls, considerado liberal demais pela ala mais à esquerda do Partido Socialista, à qual pertence Taubira. É mais um sinal da marcha do governo socialista para o centro em busca dos votos dos independentes e de barrar o avanço da neofascista Frente Nacional.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Terceiro homem-bomba do estádio entrou na Europa como refugiado

O terceiro terrorista suicida a se autodetonar do lado de fora do Estádio da França, em Saint-Denis, na Grande Paris, na sexta-feira, 13 de novembro, também entrou na Europa através da Grécia como refugiado em 3 de outubro, revelou hoje a Procuradoria da República em Paris.

Ele se explodiu às 21h30 na Rua Rimet, na frente do portão H. O primeiro homem-bomba, que se detonou às 21h20 depois de ser barrado ao tentar entrar no estádio pelo portão D, também chegou à União Europeia na Grécia em 3 de outubro de 2015. O segundo era o francês Bilal Hadfi.

A participação de refugiados na onda de terror que deixou 130 mortos em Paris fortalece o discurso da extrema direita em ascensão na Europa. Para a presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, líder da ultradireita na França, "o refugiado de hoje é o terrorismo de amanhã".

Com este discurso, o partido pretende avançar nas eleições regionais do início de dezembro na França. Os Republicanos, novo partido de centro-direita liderado pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé, também devem se beneficiar, com prejuízo do governante Partido Socialista, que está sendo acusado de não adotar o rigor necessário depois do atentado contra o jornal satírico Charlie Hebdo em 7 de janeiro deste anos.

O principal suspeito de ser o chefe de operações da onda de terror em Paris, Salah Abdeslam, foi visto saindo na quarta-feira de um hotel em Chimay, na Bélgica, informou a polícia federal da França.

terça-feira, 5 de maio de 2015

França aprova lei controvertida de combate ao terrorismo

Por 438 votos a 86, com 46 abstenções, a Assembleia Nacional da França aprovou hoje o projeto da nova Lei da Informação, que dá amplos poderes aos serviços secretos para vigiar e espionar a vida dos cidadãos em nome do combate ao terrorismo, noticiou o jornal francês Le Monde.

Apesar dos protestos dos movimentos de defesa dos direitos civis, a maioria dos deputados do governante Partido Socialista e da União por um Movimento Popular (UMP), o maior partido de oposição, de centro-direita, votou a favor.

É a institucionalização da vigilância, do Estado como o Grande Irmão, personagem de George Orwell no livro 1984, quando governos todo-poderosos controlavam cada minuto da vida dos cidadãos comuns, o que inspirou o programa de TV Big Brother.

Os serviços secretos franceses estão autorizados a inspecionar a vida dos cidadãos não só para defender "a independência nacional e a integridade territorial" e "a prevenção do terrorismo", mas também em nome "dos grandes interesses da política externa", "da prevenção a atentados contra a forma republicana das instituições" e da "criminalidade e da delinquência organizada". É um mandato amplo e genérico demais para não dar margem a abusos.

Para controlar os serviços de informações, será criada a Comissão Nacional de Controle das Técnicas de Informação, formada por seis magistrados do Conselho de Estado e do Superior Tribunal de Justiça, três deputados e três senadores do governo e da oposição e um técnico. Ela substitui a Comissão Nacional de Controle de Interceptações de Segurança.

Com a exceção dos casos de "urgência absoluta", a comissão deverá ser avisada de toda grande operação focada em alvos específicos. Se autorizados, os agentes poderão instalar câmeras, equipamentos de espionagem em computadores e antenas para interceptar comunicações por telefone sem autorização judicial.

Outra crítica ao projeto é que as conversas de pessoas que não sejam alvo das investigações também serão ouvidas. O governo alega estar mais interessado nos metadados. Se for constatado um padrão de comunicações regulares entre suspeitos, só então haveria acesso ao conteúdo das telecomunicações.

A lei também cria um arquivo nacional judiciários dos autores de infrações enquadradas como terrorismo. Esses dados devem ser mantidos por 20 anos. O projeto ainda precisa passar pelo Senado e pela Corte Constitucional, o supremo tribunal da França, antes de virar lei.

O projeto já está sendo comparado à Lei Patriótica, aprovada nos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, com sérios prejuízos às liberdades civis. Se os atentados de 7 a 9 de janeiro de 2015, a começar pela chacina no jornal Charlie Hebdo, foram o 11 de setembro da França, o país tem agora sua lei para vigir os cidadãos como se todos fossem suspeitos.

domingo, 29 de março de 2015

Direita republicana tem ampla vitória eleitoral na França

A União por um Movimento Popular (UMP), de centro-direita, liderada pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy, e seus aliados foram os grandes vencedores do segundo turno das eleições departamentais, realizado hoje na França, derrotando não só o governo socialista mas também a ultradireitista Frente Nacional, que é fascista e contra a União Europeia.

Do controle dos conselhos gerais de 41 101 departamentos franceses, a direita republicana pulou para 67, enquanto a esquerda liderada pelo PS, do presidente François Hollande, caiu de 61 para 34 departamentos e a neofascista FN, que sonhava em ser o maior partido da França, não venceu em nenhum, informa o jornal francês Le Monde.

Em percentual de votação, a direita republicana recebeu hoje 45% dos votos válidos, as várias esquerdas, 32% e a FN, 23%. Entre as esquerda, desgastado pela crise econômica, o Partido Socialista ficou em 16%. A abstenção foi de 50,01%.

Mesmo sem ganhar, a FN passou de um para 60 conselheiros. Sua líder, Marine Le Pen, saudou o avanço como "um passo crucial do movimento patriótico rumo ao poder."

Seu partido ficou em segundo na votação geral no primeiro turno, com 26% do total, depois de levar 25% nas eleições do ano passado para o Parlamento Europeu. Isso garantiria sua presença no segundo turno de uma eleição presidencial, o que seu pai conseguiu em 2002 com apenas 17% dos votos.

Para o ex-presidente Sarkozy, candidatíssimo à próxima eleição presidencial, em 2017, "a transição está em marcha", mas o primeiro-ministro socialista Manuel Valls acredita que a derrota da esquerda é apenas uma "perturbação passageira".

A primeira mudança pós-eleitoral deve ser uma tentativa de atrair os verdes e os ecologistas para o governo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Governo da França sobrevive a moção de desconfiança

O governo do primeiro-ministro socialista Manuel Valls sobreviveu hoje a um voto de desconfiança da Assembleia Nacional da França por ter aprovado uma reforma trabalhista por decreto..

A moção precisava de 289 votos. Teve 234. Foi proposta porque o governo aprovou por decreto a chamada Lei Macron, que autoriza a abertura do comércio aos domingos em certas áreas e traz benefícios a empresa na expectativa de reduzir o desemprego.

Com a derrota da moção de desconfiança, a Lei do Crescimento, da Atividade e da Igualdade de Oportunidades está aprovada em primeira votação. É mais conhecida como Lei Macron, por ter sido apresentada pelo atual ministro da Economia, Emmanuel Macron, considerado liberal demais pela esquerda do Partido Socialista.

O projeto semeou a discórdia no PS entre centristas como o presidente François Hollande e o primeiro-ministro Valls e a esquerda. É uma amostra de como é difícil reformar o pesado Estado francês, especialmente as relações trabalhistas.

Durante o debate na Assembleia Nacional, Macron acusou a ala mais esquerdista de ser a favor da situação atual, em que o índice de desemprego está em 10% e, entre os jovens, em 25%. O projeto segue agora para o Senado.