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domingo, 26 de maio de 2019

Blocos tradicionais sofrem duras perdas nas eleições para o Parlamento Europeu

Os blocos tradicionais de centro-direita e centro-esquerda sofreram grandes perdas nas eleições para o Parlamento Europeu, de 751 cadeiras. O Partido Popular Europeu, uma aliança de partidos conservadores e democratas-cristãos, elegeu a maior bancada, com 175 eurodeputados, 46 a menos do que tinha, enquanto a coalizão de trabalhistas e sociais-democratas conquistou 149 cadeiras, 42 a menos do que tinha.

Em eleições onde o desemprego, a imigração e o aquecimento global foram temas importantes, a extrema direita ganhou no Reino Unido, na França, na Itália e na Hungria, elegendo ao todo 173 deputados. Seria a segunda maior bancada, mas é dividida em dois blocos e ganhou apenas 17 cadeiras. Os maiores avanços foram dos liberais-democratas (+40) e dos verdes (+20), a quarta e a quinta maiores bancadas.

Na França, a Reunião Nacional (RN), neofascista, liderada por Marine Le Pen, conquistou 23,3% dos votos, batendo a República em Marcha (ReM), do presidente Emmanuel Macron, com 22,4%. A aliança entre verdes e ecologistas ficou em terceiro, com 13,1%.

Os Republicanos, o partido conservador gaullista de direita, tiveram 8,4%, logo acima das duas listas de esquerda, da França Insubmissa e do Partido Socialista, com pouco mais de 6% cada. Na França, os partidos tradicionais naufragaram.

No Reino Unido, o Partido da Brexit (saída britânica), chefiado por Nigel Farage, antigo líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), foi o mais votado. Obteve 34,9% dos votos acusando os grandes partidos de trair o eleitorado ao não honrar o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016 para a saída do país da União Europeia.

Com 40% dos votos, a soma dos partidos favoráveis a ficar na UE bateu os eurocéticos. Os liberais-democratas (20,3%) ficaram em segundo, superando os trabalhistas (14%) e os conservadores (9%), os dois maiores partidos no Parlamento Britânico, massacrados pelo fracasso em resolver a Brexit.

O Partido Conservador teve o pior resultado da história em eleições europeias, uma das razões da queda da primeira-ministra Theresa May. Ficou atrás dos Verdes (12,2%), que costumam ter bom desempenho nas eleições europeias no Reino Unido.

O vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, Matteo Salvini, foi o grande vencedor na Itália. A Liga, de extrema direita, somou 33,6% dos votos, batendo o Partido Democrata, social-democrata, com 23,5%. O Movimento 5 Estrelas, parceiro da Liga na coalizão de governo, ficou com 16,6%, e a Força Itália, de direita, não passou de 7,8%, mas elegeu seu líder, o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi para o Parlamento Europeu pela primeira vez.

Esse resultado sugere que Salvini e a Liga poderiam liderar o próximo governo, se houver eleições gerais antecipadas na Itália. É uma tentação para um neofascista ávido pelo poder.

Mas o avanço da ultradireita nacionalista ficou abaixo da expectativa. Na Alemanha, a União Democrata-Cristã (CDU), da primeira-ministra Angela Merkel, ficou em primeiro com queda de 35% para 28,7% dos votos. Os Verdes chegaram em segundo com 20,7%, enquanto o Partido Social-Democrata amargou o terceiro lugar, com 15,6%. A Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, não passou de 10,8%.

Na Holanda, ganharam os trabalhistas (18%), seguidos por liberais-democratas (14,6%), democratas-cristãos (12,1%), com verdes (10,9%) e ultranacionalistas (10,9%) empatados em quarto lugar. No seu melhor resultado, em 2010, Partido pela Liberdade, liderado por Geert Wilders, foi o terceiro maior do país.

Na Espanha, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) foi o primeiro com 32,8%, seguido pelo conservador Partido Popular (20,1), os Cidadãos (12,2%), de centro-direita, e Podemos (10%). O partido Vox, de extrema direita, teve apenas 6% dos sufrágios.

Desde o Tratado de Lisboa, de 2009, o Parlamento Europeu ganhou mais poderes. Com a exceção de questões fiscais, o Parlamento é co-legislador em praticamente todas as leis, normas e diretivas da UE, inclusive no orçamento comunitário.

domingo, 23 de outubro de 2016

Conservadores devem formar governo de minoria na Espanha

Com a decisão do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) de se abster, o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy poderá formar um governo minoritário, evitando a realização de novas eleições depois que as duas anteriores não levaram à formação de uma maioria parlamentar.

Depois da queda do líder Pedro Sánchez, os socialistas decidiram não se opor a um novo governo Rajoy. Desde dezembro de 2015, a Espanha tem um Parlamento fragmentado e um governo provisório.

A profunda crise econômica, que deixou mais de 25% dos trabalhadores espanhóis sem emprego, minou o apoio aos partidos tradicionais e acabou com o bipartidarismo que vigorava na prática desde 1982, com o PSOE e o Partido Popular, de centro-direita, se revezando na chefia do governo. Surgiram um novo partido de esquerda, Podemos, e um liberal, Cidadãos.

Em dezembro, Sánchez tentou articular um governo de coalizão das oposições, mas Pablo Iglesias, líder do Podemos, se negou a fazer aliança com os Cidadãos e o então líder socialista rejeitou a formação de uma grande coalizão com o PP.

Apesar do impasse político, a economia espanhola está em recuperação, com crescimento acima de 2% ao ano, mas o déficit público continua acima da meta de 3% do produto interno bruto estabelecida pelo pacto de estabilidade para sustentar o euro. Sem um governo central que funcione plenamente, o problema fiscal não será resolvido.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Obama nomeia juiz para a Suprema Corte dos EUA

O presidente Barack Obama apresentou hoje nos jardins da Casa Branca o juiz Merrick Garland, do Tribunal Federal de Recursos do Distrito de Colúmbia, como indicado para a vaga aberta na Suprema Corte dos Estados Unidos pela morte do ministro ultraconservador Antonin Scalia. A oposição republicana no Senado se nega a convocar as audiências para examinar a indicação.

Em defesa da nomeação, Obama alegou que desde 1875 todos os juízes indicados para a Suprema Corte foram submetidos a uma sabatina e a uma votação no Senado, como prevê a Constituição dos EUA, e afirmou: "O juiz Garland tem um histórico de formar consensos."

Desde a morte de Scalia, o Partido Republicano deixou claro que só pretende dar a chance de indicar o novo ministro ao presidente eleito em novembro de 2016, na esperança de que seja do partido.

Com a Suprema Corte dividida entre quatro ministros conservadores e quatro liberais, um novo ministro indicado por um presidente democrata daria maioria aos liberais. Isso provoca pânico entre os republicanos.

Garland foi procurador federal encarregado dos processos sobre o atentado terrorista cometido em Oklahoma em 1995 pelo ultradireitista Timothy McVeigh, em que 168 pessoas morreram, e contra Theodore Kaczynski, o Unabomber ou terrorista universitário. Ele foi condenado à prisão perpétua por uma série de atentados terroristas que deixaram três mortos e 23 feridos.

Sua nomeação para o Tribunal Federal de Recursos de Washington foi aprovada pelo Senado por 76 a 23, com votos favoráveis dos dois partidos.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Morre um dos juízes mais conservadores da Suprema Corte dos EUA

O ministro Antonin Scalia, considerado o intelectual da ala conservadora da Suprema Corte dos Estados Unidos, morreu hoje aos 79 anos durante o sono de causas naturais, informou o governador Greg Abbott, do Texas, onde o juiz estava. Sua morte dá ao presidente Barack Obama a chance de nomear um juiz liberal e tirar a atual maioria dos conservadores.

Scalia, o primeiro ítalo-americano a chegar ao supremo tribunal americano, foi nomeado em 1986 pelo então presidente Ronald Reagan. Era contra o aborto e o casamento gay. Defendia uma interpretação estrita da Constituição e não a reinterpretação à luz dos valores da atualidade.

"Ele era um extraordinário indivíduo e jurista, admirado e apreciado por seus colegas", declarou o presidente da Suprema Corte, ministro John Roberts. "Sua passagem é uma grande perda para a Corte e o país que ele tão lealmente serviu. Damos nossas mais profundas condolências à sua mulher, Maureen, e à sua família.""

Era um grande amigo da ministra Ruth Bader Ginsburg, embora os dois discordassem quase sempre em suas decisões.

A expectativa agora é de uma batalha entre liberais e conservadores em plena campanha presidencial nos EUA, mas cabe ao presidente Obama, um liberal, nomear o próximo ministro, que precisa ser aprovado pelo Senado, onde a oposição tem maioria.

Em nota, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, declarou que o presidente não deve nomear novo ministro num ano eleitoral: "O povo americano deve ter uma voz na seleção do seu próximo ministro da Suprema Corte. Portanto, esta vaga não deve ser preenchida enquanto não tivermos um novo presidente."

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Terceiro homem-bomba do estádio entrou na Europa como refugiado

O terceiro terrorista suicida a se autodetonar do lado de fora do Estádio da França, em Saint-Denis, na Grande Paris, na sexta-feira, 13 de novembro, também entrou na Europa através da Grécia como refugiado em 3 de outubro, revelou hoje a Procuradoria da República em Paris.

Ele se explodiu às 21h30 na Rua Rimet, na frente do portão H. O primeiro homem-bomba, que se detonou às 21h20 depois de ser barrado ao tentar entrar no estádio pelo portão D, também chegou à União Europeia na Grécia em 3 de outubro de 2015. O segundo era o francês Bilal Hadfi.

A participação de refugiados na onda de terror que deixou 130 mortos em Paris fortalece o discurso da extrema direita em ascensão na Europa. Para a presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, líder da ultradireita na França, "o refugiado de hoje é o terrorismo de amanhã".

Com este discurso, o partido pretende avançar nas eleições regionais do início de dezembro na França. Os Republicanos, novo partido de centro-direita liderado pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé, também devem se beneficiar, com prejuízo do governante Partido Socialista, que está sendo acusado de não adotar o rigor necessário depois do atentado contra o jornal satírico Charlie Hebdo em 7 de janeiro deste anos.

O principal suspeito de ser o chefe de operações da onda de terror em Paris, Salah Abdeslam, foi visto saindo na quarta-feira de um hotel em Chimay, na Bélgica, informou a polícia federal da França.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dois estados americanos rejeitam propostas contra o aborto

Apesar da vitória do conservadorismo e do Partido Republicano nas eleições de 4 de novembro de 2014 nos Estados Unidos, dois estados rejeitaram em referendos duas propostas que reconheceriam os fetos como seres vivos para criminalizar o aborto.

No Colorado, por 63% a 37%, os eleitores rejeitaram a Emenda nº 67, que equiparava fetos a crianças no Código Penal estadual.

Em Dakota do Norte, um estado ainda mais conservador, por 64% a 36%, foi derrotado um projeto de emenda à Constituição Estadual para incluir esta frase: "O direito inalienável de todo ser humano à vida em todos os estágios de desenvolvimento deve ser reconhecido e protegido."

Se perderam para os conservadores as eleições para o Senado e a Câmara, os liberais ganharam alguns referendos, como os que legalizaram a maconha nos estados do Alasca e do Oregon, e no Distrito de Colúmbia, onde fica a capital dos EUA.

domingo, 7 de junho de 2009

Centro-direita vence eleições europeias

O bloco de centro-direita venceu as eleições para o Parlamento Europeu, de 736 deputados. Mas a abstenção recorde e o voto de protesto por causa da crise econômica ajudaram a extrema direita, que elegeu eurodeputados na Áustria, Holanda, Hungria e no Reino Unido.

As eleições europeias começaram na quinta-feira na Holanda e no Reino Unido e terminaram neste domingo, quando 19 dos 27 países da União Europeia foram às urnas.

Pelas projeções dos resultados iniciais, a bancada conservadora aumenta às custas do bloco socialista no parlamento da UE. O Partido Popular Europeu, bloco de centro-direita que reúne os países conservadores e democratas-cristãos, terá 264 deputados seguido pelos blocos socialista com 183, liberal com 84 e verde com 50.

Fazem parte do PPE a aliança União Democrata-Cristã-União Social-Cristã da primeira-ministra Angela Merkel, que venceu na Alemanha com 38,5% dos votos, e a União por um Movimento Popular, do presidente Nicolas Sarkozy, na França, também vitoriosa hoje.

O Parlamento Europeu não tem amplos poderes legislativos. É mais uma assembléia de debates. Se o Tratado de Lisboa, que substituiu o fracassado projeto de uma Constituição da Europa, for ratificado, passará a ter competência para revisar determinadas leis comunitárias.

domingo, 27 de abril de 2008

Conservadores vencem segundo turno no Irã

Os candidatos conservadores conquistaram pelo menos 53 das 82 cadeiras em jogo no segundo das elições para o Majlis, o Parlamento do Irã. Assim, os conservadores, que apóiam a república islâmica, terão cerca de 80% das 290 cadeiras.

No segundo turno, os reformistas elegeram até agora apenas 12 deputados. Dos 11 distritos em disputa na capital, Teerã, os conservadores ganharam em 10. Os reformistas se queixam que 70% dos seus candidatos, cerca de 1,7 mil pessoas, tiveram seus pedidos de inscrição de candidatura vetados pelo regime fundamentalista iraniano.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Conservadores ganham eleições no Irã

Com a maioria dos candidatos reformistas, liberais e independentes barrados, os conservadores venceram as eleições parlamentares de sexta-feira no Irã, com cerca de 70% dos votos.

Os conservadores, partidários da revolução islâmica, conquistaram 163 das 290 cadeiras do Majlis (Parlamento). Mas estão divididos entre a corrente mais radical, apoiada pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, e a ala mais pragmática, que discorda de sua gestão econômica e do isolamento a que levou o país com sua obstinação em manter o programa nuclear.

Sem oposição real, porque o Conselho dos Anciães vetou 2,4 mil dos 7,2 mil candidatos, os reformistas, liberais e independentes concorreram em apenas 81 distritos. A disputa ficou entre os aliados de Ahmadinejad e os conservadores mais pragmáticos.

Entre estes últimos, está Ari Larijani, ex-negociador internacional da questão nuclear iraniana. Ele obteve uma vitória esmagadora na cidade sagrada de Com e pode desafiar Ahmadinejad na eleição presidencial de 2009.

O índice de abstenção foi de 40% mas, na capital, chegou a 60%.

"Sua presença épica e poderosa superou os truques do inimigos e transformou a intensa guerra psicológica do inimigo destinada a encorajar uma participação fraca numa bolha inútil", declarou o aiatolá Ali Khamenei, Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica.