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quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Kansas vota para manter direito ao aborto

Quarenta dias depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos revogou o direito constitucional ao aborto, quase 60% dos eleitores do Kansas, um estado conservador, decidiram em plebiscito realizado ontem manter o direito ao aborto previsto na Constituição estadual. 

O resultado estimula o Partido Democrata a usar a questão do aborto na campanha para as eleições de 8 de novembro. No momento, a pesquisa das pesquisas, feita por FiveThirtyEight.com, dá favoritismo aos republicanos na Câmara e uma pequena vantagem aos democratas no Senado. 

Hoje os democratas controlam as duas casas do Congresso dos EUA. Se perderem a maioria, fica difícil a aprovação de projetos do governo Joe Biden.

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Suprema Corte dos EUA revoga direito constitucional ao aborto

Por 5 a 4, a maioria conservadora da Suprema Corte dos Estados Unidos acabou com o direito constitucional ao aborto, um dia depois de proibir o estado de Nova York de limitar o porte de armas, na mesma semana em resolveu que o estado do Maine precisa financiar escolas religiosas. 

As decisões mostram um supremo tribunal mais partidário que, nos casos do aborto e das escolas, atinge a separação entre Igreja e Estado. O presidente, John Roberts, tentou manter a jurisprudência e o prestígio da corte. Foi voto vencido.

Leia mais em Quarentena News e veja meu canal no YouTube.

terça-feira, 3 de maio de 2022

Suprema Corte dos EUA revoga decisão que dá direito ao aborto

É um abalo sísmico na política dos Estados Unidos esperado desde que o presidente Donald Trump (2017-21) nomeou três juízes conservadores, criando uma supermaioria reacionária de 6-3 na Suprema Corte dos Estados Unidos. 

Um documento de 98 páginas vazado pelo site Politico antecipou ontem à noite uma decisão que revoga o direito constitucional ao aborto, estabelecido em 1973 por decisão do supremo tribunal com base no direito à privacidade da mulher garantido pela Emenda nº 14 à Constituição dos EUA. 

 O rascunho do voto do ministro Samuel Alito representa a posição de cinco juízes conservadores: o próprio Alito, Clarence Thomas, Neil Gorsuch, Brett Kavanagh e Amy Coney Barrett, os três últimos indicados por Trump. Alito afirma que a decisão de 1973, por 7-2, foi "flagrantemente errada" e causou grandes danos. 

A maioria conservadora segue o chamado constitucionalismo estrito: se um direito não está claramente expresso na Constituição, não existe. Como a carta magna nada diz a respeito, o direito ao aborto passa a ser uma questão a ser decidida pelos estados. 

Pelo menos 22 estados onde o Partido Republicano têm maioria nos legislativos estaduais preparam leis para limitar o aborto, a exemplo do que fez o Texas, onde a interrupção só é permitida até 6 semanas de gravidez, quando muitas mulheres nem sabem que estão grávidas. 

Estas leis criminalizam ajudar uma mulher a abortar e qualquer pessoa pode tomar a iniciativa de abrir um processo e exigir reparações financeiras. 

Milhares de pessoas saíram às ruas imediatamente para protestar. A maior manifestação foi diante da Suprema Corte, em Washington. A direita religiosa festejou a vitória. Proibir o aborto é uma aspiração desde que o presidente Ronald Reagan (1981-89) atraiu a direita cristã para o Partido Conservador.

O presidente Joe Biden, a vice-presidente Kamala Harris e os líderes do Partido Democrata criticaram a decisão, que ainda não é oficial porque não foi publicada. Mas ninguém acredita que mude.

Leia mais em Quarentena News.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Vice de Biden acusa governo Trump "pelo maior fracasso na história dos EUA"

Senadora Kamala Harris e vice-presidente Mike Pence fazem debate civilizado, sem nocaute

A morte de mais de 210 mil americanos na pandemia do novo coronavírus é "o maior da história do governo dos Estados Unidos", afirmou hoje a senadora Kamala Harris, do Partido Democrata. Foi o primeiro ataque ao vice-presidente Mike Pence no único debate dos candidatos a vice na eleição de 3 de novembro. Pence alegou que poderia ser muito pior, não fossem as medidas tomadas pelo governo Donald Trump.

Afinal, um debate civilizado, depois do primeiro de três debates previstos entre os candidatos à Presidência, em 29 de setembro, um fiasco. Trump interrompeu o vice-presidente 77 vezes. Foi chamado de palhaço, mentiroso, racista e pior presidente da história. Há mais dois debates programa entre eles, em 15 e 22 de outubro, dependendo da recuperação do presidente da covid-19.

Kamala Harris mostrou-se capaz de ser presidente, mas apostou na segurança. Sua chapa leva uma vantagem de 10 pontos percentuais na média das pesquisas. Primeira mulher negra, de origem africana e indiana, a disputar a eleição presidencial dos EUA por um grande partido, tentou não parecer uma mulher raivosa como Trump a descreveu quando foi indicada.

Pence deu o recado de Trump, a favor da polícia em defesa da lei e da ordem diante das acusações de racismo. Alertou que revogar impostos pode prejudicar a economia, que a pandemia poderia ser muito pior e que a recuperação está a caminho. Não respondeu se proibiria o aborto no estado de Indiana, onde foi governador, nem como pretende garantir a cobertura de pessoas com doenças preexistentes, uma das bases do programa de saúde do governo Barack Obama, que Trump tenta destruir desde que chegou à Casa Branca.

Harris não revelou se a chapa democrata pretende amplicar a Suprema Corte para neutralizar as nomeações de juízes conservadores pelo governo atual. Seus focos foram atacar o governo em relação à pandemia, à economia e ao desemprego.

Leia mais em Quarentena News.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Ministra mais liberal da Suprema Corte dos EUA morre aos 87 anos

O presidente Donald Trump terá uma nova chance de nomear um juiz conservador para a Suprema Corte dos Estados Unidos, acabando com o frágil equilíbrio. Morreu aos 87 anos Ruth Bader Ginsburg, a ministra mais liberal do supremo tribunal americano.

Ícone feminista e liberal, foi a segunda mulher a assumir o cargo, nomeada pelo presidente Bill Clinton em 1993. Ginsburg perdeu uma longa batalha contra cânceres no fígado, pulmão, pâncreas e intestino grosso. Sua morte ameaça o direito ao aborto, garantido por uma decisão da Suprema Corte de 1973.

Quando morreu o ultraconservador Antonin Scalia, em fevereiro de 2016, de quem Ginsburg era grande amiga pessoal, apesar da divergência de ideias, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, se negou a examinar a indicação do então presidente Barack Obama, Merrick Garland, alegando que estava no fim do mandato. 

Contra quase todas as expectativas, Trump derrotou Hillary Clinton e indicou dois ministros conservadores, Neil Gorsuch e Brett Kavanagh. Agora, é altamente improvável que McConnell adote a mesma posição. 

O último pedido da juíza Ginsburg foi que seu substituto só fosse indicado pelo próximo presidente. Só será atendida se alguns senadores republicanos resolverem honrar sua memória e bloquear uma nomeação ainda neste governo.

Pela Constituição dos EUA, cabe ao Senado aprovar a nomeação. No momento, o Partido Republicano tem uma maioria de 53 a 47. Como o vice-presidente acumula a Presidência do Senado, será necessário que quatro republicanos votem contra uma indicação de Trump. Se a votação empatar, o vice Mike Pence daria o voto de Minerva.

Com as nomeações de Gorsuch e Kavanagh, o presidente da Suprema Corte, o conservador John Roberts, nomeado pelo presidente George W. Bush, passou a ser o fiel da balança, votando várias vezes com os ministros liberais em defesa do equilíbrio do tribunal, que tinha cinco ministros conservadores e quatro liberais. Um novo indicado por Trump mudaria esta divisão para 6-3. Roberts não conseguiria mais manter o equilíbrio entre as duas correntes.

Leia mais no jornal The New York Times e na revista Rolling Stone.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Trump nomeia juiz conservador para a Suprema Corte dos EUA

O presidente Donald Trump anunciou hoje a indicação do juiz conservador Brett Kavanaugh para a vaga aberta na Suprema Corte dos Estados Unidos pela aposentadoria do ministro Anthony Kennedy, um conservador moderado que muitas vezes foi o fiel da balança em decisões por 5-4. É o início de uma batalha épica para levar o supremo tribunal americano mais para a direita pelas próximas décadas, noticiou o jornal The New York Times.

Trump apresentou Kavanaugh hoje à noite na Casa Branca como "uma das melhores e mais agudas mentes jurídicas do nosso tempo" e o descreveu como um jurista que vai deixar de lado suas visões políticas e interpretar a Constituição como "está escrita".

Aos 53 anos, ele é juiz do Tribunal Federal de Recursos do Distrito de Colúmbia, onde fica a capital dos EUA. Republicano, foi assessor especial do procurador especial Kenneth Star, que investigou o casal Bill e Hillary Clinton no caso Whitewater e trabalhou na Casa Branca no governo George W. Bush (2001-9).

O constitucionalismo estrito é a visão legal dos conservadores que acreditam que a Constituição deve ser aplicada como escrita e não ser reinterpretada de acordo com a realidade atual, o que levou à abolição da escravatura, ao voto feminino, ao aborto e ao casamento gay.

A oposição imediatamente iniciou uma mobilização de protesto, com manifestação diante da Casa Branca, temendo que as posições conservadoras de Kavanaugh sejam decisivas para acabar com o aborto legal e com o programa de saúde do governo Barack Obama para garantir cobertura universal de saúde aos americanos.

Desde o anúncio da aposentadoria de Kennedy, o ex-procurador federal e analista jurídico Jeffrey Toobin prevê na rede de televisão americana CNN que dentro de um ano e meio o aborto será ilegal em pelo menos metade dos estados do país.

Kavanaugh precisa ser aprovado pelo Senado dos EUA. O líder da maioria republicana, senador Mitch McConnell, promete realizar as audiências para interrogatório e as votações antes das eleições de novembro, em que o Partido Democrata pode retomar o controle da Câmara e do Senado.

Além de questões como aborto e cobertura universal de saúde, a confirmação será uma batalha porque no fim do governo Obama o mesmo McConnell se negou a realizar as audiências com o juiz Merrick Garland, nomeado por Obama para a vaga aberta com a morte do ultraconservador Antonin Scalia.

Com a manobra republicana, Trump acabou indicando o ultraconservador Neil Gorsuch. Como era para substituir outro ultraconservador, o equilíbrio foi mantido. Agora, a tendência é de uma guinada maior à direita. Foi o juiz Kennedy, por exemplo, que deu votos decisivos para manter o direito ao aborto e legalizar o casamento gay.

sábado, 26 de maio de 2018

Irlanda aprova o aborto por ampla margem

Um dos países mais católicos do mundo, a República da Irlanda, aprovou em plebiscito realizado ontem o fim da proibição constitucional de interromper intencionalmente a gravidez com 68% de votos a favor, de acordo com pesquisa de boca de urna publicada pelo jornal The Irish Times. No fim, o sim venceu com 66,4%.

"Parece que fizemos história", comemorou o primeiro-ministro Leo Varadkar, que fez campanha pelo sim, antes do fim da apuração. "É a culminância de uma revolução silenciosa que acontece na Irlanda há 10 ou 20 anos."

Varadkar prometeu que o Parlamento vai aprovar a lei do aborto até o fim do ano. A interrupção da gravidez será permitida até 12 semanas de gravidez.

Apesar da tradição católica, a Irlanda aprovara em 2015 o casamento gay, tornando-se o primeiro país a fazer isso através de consulta popular. Agora, cerca de 70% das mulheres e 65% dos homens aprovaram o aborto. Outra pesquisa previu uma vitória do sim com 69,4%.

Cerca de 3,5 milhões de irlandeses estavam aptos a votar. Até agora, quando queriam fazer um aborto, as irlandesas tinham de ir para a Grã-Bretanha ou a Irlanda do Norte.

A vitória do aborto é um sinal de modernização da Irlanda, um dos países mais prósperos da Europa depois da adesão à então Comunidade Econômica Européia, hoje União Europeia, em 1973. Com impostos baixos, atraiu várias empresas americanas de informática, transformando-se num polo de alta tecnologia.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Trump nomeia juiz conservador para a Suprema Corte

O presidente Donald Trump nomeou agora à noite o juiz conservador Neil Gorsuch para a vaga na Suprema Corte dos Estados Unidos aberta com a morte, no ano passado, do ministro Antonin Scalia, um dos expoentes do tribunal.

Gorsuch, de 49 anos, estudou nas famosas universidades de Harvard, nos EUA, e de Oxford, na Inglaterra. Seu nome de ser aprovado pelo Senado, onde a maioria do Partido Republicano se negou a examinar o juiz indicado pelo presidente Barack Obama, Meredith Garland.

Ele é defensor do chamado constitucionalismo estrito, a interpretação literal da Constituição, contra interpretações modernas e criativas e contra a prerrogativa do juiz ficar legislando em vez de se limitar à aplicação estrita da lei.

Com a nomeação de Gorsuch, Trump desloca o equilíbrio do supremo tribunal de nove juízes para os conservadores, embora o juiz Anthony Kennedy, normalmente conservador, às vezes vote com os liberais.

O ministro nomeado é adversário ferrenho do aborto. Em junho de 2014, decidiu a favor de uma empresa que por motivos religiosos não queria pagar pílulas anticoncepcionais para suas empregadas.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

EUA tomam medidas contra microcefalia causada pelo vírus zika

Depois de advertir as mulheres grávidas na sexta-feira a não viajar a 14 países atingidos pelo vírus zika, o Centro de Controle de Doenças (CDC, do inglês) dos Estados Unidos anunciou ontem uma série de medidas para evitar a propagação da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que provoca microcefalia, o subdesenvolvimento e má formação do cérebro, noticiou a agência Reuters.

Não há vacina para impedir o contágio pelo vírus zika e 80% das pessoas contaminadas não têm sintoma algum, dificultando o controle. O alerta sobre o surto de microcefalia começou no Nordeste do Brasil, onde a incidência do problema aumentou 24 vezes.

O CDC aconselha os médicos a perguntarem para as mulheres grávidas se viajaram ao exterior. Quem esteve em países infectados e apresentou sintomas deve fazer um teste para infecção pelo zika. Quem tiver resultado positivo será encaminhada para fazer uma ultrassonografia para examinar o tamanho do cérebro e um exame para conferir a presença de cálcio na caixa craniana do feto, dois indicadores de microencefalia.

Se as suspeitas persistirem, as grávidas devem fazer uma amniocentese, uma punção do líquido amniótico para confirmar a presença do vírus. A ultrassonografia deve ser repetida a cada três ou quatro semanas para monitorar a evolução da caixa craniana.

Como não há tratamento para microcefalia e os EUA permitem o aborto, quem detectar o problema nos estágios iniciais da gestação tem a opção de interromper a gravidez, observou a médica Laura Riley, presidente da Sociedade para a Medicina Maternal e Fetal.

domingo, 29 de novembro de 2015

Atirador em clínica de aborto nos EUA tinha motivação política

O atirador que ocupou uma clínica do grupo Planned Parenthood e matou três pessoas em Colorado Springs, nos Estados Unidos, identificado ontem como Robert Lewis Dear, de 57 anos, é um desequilibrado mental, mas tinha objetivos políticos. À polícia, ele declarou que "não haveria mais pedaços de bebês", noticiou o jornal The Washington Post.

No sábado à noite, a Planned Parenthood revelou que testemunhas haviam tido que Dear decidiu atacar a clínica por ser contra o aborto. A clínica também entregava tecidos de fetos para pesquisas científicas.

O policial que confirmou a notícia pediu anonimato. Ele disse que "definitivamente foi politicamente motivado". Não poderia falar abertamente enquanto a investigação do caso está em andamento.

A televisão NBC, a primeira a dar a notícia, acrescentou que acrescentou que Dear mencionou negativamente o presidente Barack Obama numa série de declarações confusas que suscitaram dúvidas sobre seus motivos e seu estado mental.

Dear era conhecido da polícia desde 1997, quando sua mulher na época o acusou de agressão, mas preferiu não levar o caso adiante. Ele se mudou para o estado da Carolina do Sul, onde houve sete episódios de conflito com vizinhos. Em maio de 2002, uma vizinha o denunciou por assédio sexual.

"Ele reclamava de tudo", contou um vizinho em Colorado Springs, no estado do Colorado. "Dizia que trabalhava para o governo e que todo o mundo o perseguia, mas que ele sabia de segredos dos EUA. Ele dizia: 'Ninguém mexe comigo porque tenho informações suficientes para por todos os EUA em perigo.' Era muita loucura."

Há pouco mais de um ano, Dear se mudou de um trêiler na Carolina do Norte para uma casinha de madeira por ele construída, mas acabou voltando para o Colorado, onde se registrou como eleitor em outubro de 2014.

O grupo Planned Parenthood tem sido um dos alvos preferenciais dos aspirantes à candidatura do Partido Republicano à Presidência dos EUA em 2016. Em nota, chamou o caso de "terrorismo doméstico" e denunciou a linguagem radical de ativistas antiaborto pelo ataque.

Desde 1977, pelo menos dez pessoas foram mortas em ataques a clínicas de aborto nos EUA, que foram mais de mais de cem ataques incendiários.

sábado, 28 de novembro de 2015

Atirador ataca clínica de aborto e mata três pessoas nos EUA

Um atirador invadiu hoje uma clínica de aborto em Colorado Springs, nos Estados Unidos, armado com explosivos e ameaçou explodir o prédio. Antes de se entregar, ele matou um policial e dois civis. Nove pessoas saíram feridas e estão hospitalizadas, inclusive quatro policiais.

A clínica Planned Parenthood tem sido alvo frequente de acusações de realizar abortos durante a campanha dos aspirantes à candidatura do Partido Republicano à Casa Branca em 2016. Ativistas antiaborto fizeram várias manifestações de protesto nesta e em outras clínicas do grupo.

Ainda não está claro se é um desequilibrado mental ou um terrorista com objetivos políticos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dois estados americanos rejeitam propostas contra o aborto

Apesar da vitória do conservadorismo e do Partido Republicano nas eleições de 4 de novembro de 2014 nos Estados Unidos, dois estados rejeitaram em referendos duas propostas que reconheceriam os fetos como seres vivos para criminalizar o aborto.

No Colorado, por 63% a 37%, os eleitores rejeitaram a Emenda nº 67, que equiparava fetos a crianças no Código Penal estadual.

Em Dakota do Norte, um estado ainda mais conservador, por 64% a 36%, foi derrotado um projeto de emenda à Constituição Estadual para incluir esta frase: "O direito inalienável de todo ser humano à vida em todos os estágios de desenvolvimento deve ser reconhecido e protegido."

Se perderam para os conservadores as eleições para o Senado e a Câmara, os liberais ganharam alguns referendos, como os que legalizaram a maconha nos estados do Alasca e do Oregon, e no Distrito de Colúmbia, onde fica a capital dos EUA.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Irlanda aprova aborto em caso de risco para mãe

Um dos países mais católicos do mundo, a Irlanda aprovou hoje sua primeira lei de aborto. Por 127 a 31, a Câmara (Dáil) do Parlamento decidiu que a gravidez pode ser interrompida se houver risco de vida para a mãe, inclusive de suicídio.

A Lei de Proteção da Vida Durante a Gravidez teve amplo apoio da maioria governista. Líderes religiosos criticaram o artigo que autoriza o aborto por causa de risco de suicídio, considerando-o um furo na lei capaz de permitir abusos. Bastam atestados de dois médicos psiquiatras e um ginecologista e obstreta, informa o jornal irlandês The Irish Times.

Quando não houver risco para a vida da mãe, continua sendo crime "destruir a vida de um ser humano que ainda não nasceu". A pena vai até 14 anos de prisão.

Como a Irlanda faz parte da União Europeia, as irlandesas costumavam ir ao Reino Unido quando querem fazer aborto. Só em 2012, foram cerca de 4 mil.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Republicano diz que filho de estupro é desígnio de Deus

Mais uma gafe de um republicano apoiado pelo movimento radical de direita Festa do Chá atinge dá munição ao presidente Barack Obama para caracterizar o ex-governador Mitt Romney como um extremista em questões sociais. Durante um debate ontem à noite, o candidato republicano ao Senado pelo estado de Indiana, Richard Mourdock, declarou ser contra o aborto de feto concebido durante estupro porque é um "desígnio de Deus".

A campanha de Romney imediatamente esclareceu que o governador rejeita esta posição, aceitando a interrupção da gravidez em casos de estupro, incesto ou risco de vida para a mãe: "O governador Romney discorda dos comentários de Richard Mourdock, que não refletem suas visões", declarou a porta-voz da campanha da oposição, Andrea Saul.

Enquanto os outros dois debatedores concordaram com essa visão, Mourdock alegou que só aceita o aborto em caso de risco para a mãe: "Travo uma luta comigo mesmo há muito tempo, mas acredito que a vida é um dom de Deus. Penso que mesmo quando a vida começa numa situação horrível como um estupro é algo que Deus queria que acontecesse".

Em maio, Mourdock venceu o senador moderado Richard Lugar, uma das estrelas do Congresso em política externa e defesa, com o apoio dos extremistas da Festa do Chá, noticia o jornal online The Huffington Post, o sítio jornalístico mais visitado dos EUA.

sábado, 19 de maio de 2012

Dissidente chinês cego está prestes a ir para os EUA

O dissidente chinês cego Chen Guangcheng deixou o hospital e está no aeroporto de Beijim, prestes a embarcar para os Estados Unidos.

Chen criou um incidente diplomático entre as duas maiores potências mundiais ao fugir da prisão domiciliar e se refugiar na embaixada americana dias antes de uma delegação de alto nível, formada pela secretária de Estado, Hillary Clinton, e o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, chegarem à cidade para mais uma rodada do diálogo estratégia EUA-China.

Chen Guangcheng
Em princípio, o dissidente - um advogado autodidata que lutava contra abortos forçados e outros excessos da política do filho único, entre outras causas em defesa dos direitos humanos -, queria permanecer na China para continuar lutando pelos cidadãos comuns oprimidos pelo regime comunista. Em 2 de maio de 2012, teria saído espontaneamente da embaixada.

Ao chegar no hospital e saber da tortura e das ameaças a que sua mulher tinha sido submetida, Chen pediu ajuda para sair do país. Tentou embarcar no avião da secretária de Estado. As autoridades chinesas disseram que ele poderia sair do país, se fizesse todos os trâmites burocráticos necessários.

Com convites para estudar em universidades americanas, Chen pode até viver nos EUA com visto de estudante. Na verdade, é um exilado. De um jeito ou de outro, o regime comunista chinês acaba se livrando de mais um dissidente.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Senado do Uruguai aprova descriminalização do aborto

Por 17 a 14, o Senado do Uruguai aprovou ontem um projeto de lei que deixa de considerar o aborto nas primeiras 12 semanas de gravidez um crime um crime.

O projeto vai agora para a Câmara, onde a coalizão de governo tem maioria e deve aprová-lo.

Uma proposta anterior foi vetada em 2008 pelo então presidente Tabaré Vázquez, mas o atual presidente, José Mujica, pretende sancionar a lei, informa o sítio da rádio e televisão estatal britânica BBC.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Justiça europeia condena lei antiaborto da Irlanda

A Corte Europeia de Direitos Humanos decidiu hoje que a Irlanda precisa permitir a interrupção da gravidez de uma mulher doente, condenando a rigorosa legislação contra o aborto do país, um dos mais católicos do mundo. 

quinta-feira, 6 de março de 2008

Bush apóia candidatura de McCain

Oito anos depois de disputar a candidatura do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos com o senador John McCain, o presidente George Walker Bush teve a oportunidade de endossar a pretensão de seu antigo rival. Na terça-feira, 4 de março de 2008, McCain superou o número de 1.191 delegados, necessário para garantir a investidura republicana.

Na Casa Branca, Bush chegou a dançar de alegria para fotógrafos e cinegrafistas ao receber o senador pelo Arizona, um veterano de guerra que ficou quase seis anos preso no Vietnã do Norte.

McCain agradeceu e afirmou que gostaria de ver o atual presidente em eventos da sua campanha. Ninguém acredito nisso por causa da enorme impopularidade de Bush, considerado um dos três piores presidentes da História dos EUA.

Bush deu o tom da campanha republicana, apresentando McCain como um especialista em segurança nacional que conhece os "perigos do mundo", com a coragem e a determinação necessárias para enfrentar os inimigos do país.

O medo será um dos argumentos centrais dos republicanos. McCain apoiou a invasão do Iraque. Foi um dos principais críticos da fracassada estratégia do ex-secretário da Defesa Donald Rumsfeld e um dos principais defendores do reforço de tropas ordenado pelo presidente em janeiro do ano passado. A partir de junho, a nova estratégia passou a dar resultado, com uma redução sensível do número de mortes no Iraque.

A Guerra do Iraque é um dos pontos fracos de McCain que o senador Barack Obama pretende explorar, se for o candidato do Partido Democrata. Hillary não pode fazer isso porque votou a favor da autorização para uso da força contra Saddam Hussein.

Outro ponto fraco de Mc Cain é o corte de impostos do governo Bush, inicialmente rejeitado por ele mas agora apoiado porque o senador pelo Arizona quer se apresentar ao eleitorado republicano como um verdadeiro conservador.

John McCain é a favor do aborto. Como representa um estado da fronteira com o México, é mais liberal em questões de imigração do que o eleitor padrão do partido.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

McCain ganha primária republicana na Flórida

Ao vencer a eleição primária na Flórida, o senador pelo Arizona John McCain, um veterano de guerra que ficou mais de cinco anos preso pelos vietcongues durante a Guerra do Vietnã, deu um passo importante para conquistar a candidatura do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em novembro.

Com mais de 90% dos votos apurados, McCain obteve 36% do total, batendo seu maior rival, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, com 31%. Com apenas 15%, o ex-prefeito de Nova Iorque Rudolph Giuliani pode anunciar nesta quarta-feira sua retirada e o apoio a McCain. O ex-governador do Arkansas Mike Huckabee ficou com 13%.

McCain é considerado um moderado e é a favor do aborto, um problema para os setores mais conservadores do partido. Mas é o mais preparado dos candidatos em questões de defesa e de segurança nacional, um dos pontos fortes dos republicanos, no momento em que os EUA estão em guerra contra os fundamentalistas muçulmanos liderados por Ossama ben Laden.