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terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 16 de Dezembro

 LORDE PROTETOR

Em 1653, o militar e político Oliver Cromwell assume o poder no curto período republicano da história britânica como Lorde Protetor da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda. Governa como um ditador até a morte, em 3 de setembro de 1658, talvez envenenado.

Cromwell nasce em Huntingdon, na Inglaterra, em 25 de abril de 1599. É o único filho de Robert Crowmell e Elizabeth Steward. Por parte de pai, é descendente indireto de Thomas Cromwell, primeiro-ministro do rei Henrique VIII. Seu pai é latifundiário, juiz de paz e membro do Parlamento durante o reinado de Elizabeth I.

Calvinista convicto, acredita que é "o maior dos pecadores" até se considerar um "eleito de Deus". Nos seus 30 anos, vende suas terras e vira arrendatário de Henry Lawrence, que planeja emigrar para a Nova Inglaterra, mas desiste. Provavelmente, Cromwell iria junto.

Quando entra para a Câmara dos Comuns, ataca em 1628-29 os bispos de Carlos I. Protestante, não confia na hierarquia da Igreja Anglicana. Entende que todo cristão pode estabelecer contato direto com Deus através de orações e da Bíblia, sem necessidade de intermediários.

Reeleito em 1640 com o apoio de puritanos radicais do Condado de Cambridge, critica os aumentos de impostos e os monopólios da Coroa, mas sua principal oposição ao rei tem motivos religiosos. 

Em novembro de 1641, John Pym e aliados apresentam a Grande Remonstrância. É uma lista de mais de 200 demandas e reclamações, da censura aos bispos à corrupção do clero e à tirania e usurpação eclesiásticas. Exige o fim da imposição de impostos sem o consentimento do Parlamento. Repudia a promoção de reformas religiosas indesejadas, a injustiça dos tribunais e a não punição dos católicos.

A Grande Remonstrância é aprovada na Câmara dos Comuns em 22 de novembro de 1641 e não é enviada à Câmara dos Lordes antes de ser entregue ao rei, que a rejeita. Cromwell diz que, se não fosse aprovada pelos Comuns, deixaria a Inglaterra para sempre "no dia seguinte". Sua rejeição pelo rei é uma das causas da Revolução Puritana (1642-49) e da Guerra Civil Inglesa (1642-51) .

Durante a guerra civil, em 1643, Cromwell conquista reputação de ser um grande líder militar, capaz de organizar forças de combate. Nomeado coronel, organiza um regimento de cavalaria de primeira classe com uma disciplina rígida. Passa a ser conhecido como Velho Braços de Ferro.

Como um dos generais das forças protestantes do Parlamento, luta contra o rei Carlos I (1625-49), da Dinastia Stuart, católica e escocesa, decapitado em 30 de janeiro de 1649, e governa como um ditador absolutista até a morte. É sucedido pelo filho Ricardo, que não tem o mesmo carisma.

A monarquia é restaurada em 1660, quando o Parlamento convida o rei Carlos II (1660-85), filho mais velho de Carlos I, a voltar do exílio na França e ocupar o trono.

Em 1661, por ordem da Câmara dos Comuns, o cadáver de Cromwell é desenterrado, exumado e enforcado. O corpo é reenterrado sob a forca em Tyburn, hoje Marble Arch. A cabeça fica exposta publicamente no Palácio de Westminster até 1685.

Carlos II é sucedido pelo irmão Jaime II, derrotado pelo protestante holandês Guilherme de Orange na Revolução Gloriosa (1688-89), que o coroa como Guilherme II, estabelece a supremacia do Parlamento e aprova a Lei ou Carta de Direitos, sob a influência do filósofo John Locke, pai do liberalismo político.

A Carta de Direitos proíbe o rei de ascender ao trono, exercer o poder, criar impostos, aplicar a lei, impor multas excessivas, infligir punições cruéis e ilegais, e convocar e manter um exército permanente sem o consentimento do Parlamento. 

FESTA DO CHÁ EM BOSTON

    Em 1773, milhares de colonos norte-americanos invadem o porto de Boston e um grupo de 50 a 70, disfarçados de índios mohawk, entra em três navios britânicos e joga no mar 342 caixas de uma carga de chá da Companhia das Índias Orientais, uma das pontas de lança do Império Britânico, num episódio marcante da luta pela independência dos Estados Unidos.

A Lei do Chá, aprovada naquele ano, reduz os impostos e dá à empresa o virtual monopólio do comércio de chá no que viriam a ser os EUA. O valor da carga de chá é de US$ 1,7 milhão pela cotação da época. Pela cotação de 2022, é estimado em US$ 18,6 milhões. 

O governo britânico está exaurido financeiramente pelos gastos na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando toma as possessões da França na Índia e na maior parte do que hoje é Canadá. A revolta dos colonos norte-americanos começa em protesto contra a Lei do Selo, de 1765, que tenta restaurar as finanças do Reino Unido.

Por sua vez, os colonos tinham colaborado para o esforço de guerra com homens e impostos. Não querem pagar mais por impostos aprovados pelo Parlamento Britânico, onde não têm representação. Daí, nasce um dos lemas da luta pela independência: "Não à taxação sem representação."

Em 1774, a Lei Coercitiva fecha o porto de Boston a navios mercantes, impõe um governo militar à colônia, torna militares britânicos inimputáveis e obriga os colonos a alojar as tropas do rei George III. Está aceso o estopim da rebelião.

Na Guerra da Independência (1775-83), os colonos têm o apoio da França. Em 1783, no Tratado de Paris, o Reino Unido e a França reconhecem a independência dos EUA.

AFRICÂNERES MASSACRAM ZULUS

    Em 1838, sob o comando de Andries Pistorius, 464 voortrekkers (pioneiros em holandês) matam mais de 3 mil zulus na Batalha do Rio do Sangue, hoje parte da província de KwaZulu-Natal, na África do Sul.

A Grande Jornada é uma migração de colonos de origem holandesa (africâneres) da Colônia do Cabo para o interior do que hoje é a África do Sul iniciada em 1836. Leva à criação de várias repúblicas autônomas bôeres (do holandês boer, agricultor) como a República da África do Sul (Transvaal), o Estado Livre de Orange e a República de Natália.

Os voortrekkers, liderados por Piet Retief, migram para a Zululândia em 1837 e negociam um acordo com o rei Dingane para ocupar terras entre o Rio Tugela e Port Saint Johns. Em 6 de fevereiro de 1838, Dingane trai os pioneiros e mata a delegação, inclusive Retief, mas o tratado é encontrado entre seus restos mortais.

A Batalha do Rio do Sangue acontece porque o rei zulu Dingane desrespeita mais uma vez o acordo para conviver pacificamente com os voortrekkers. Com uma força muito maior numericamente, de 25 a 30 mil homens, o rei Dingane acredita que pode expulsar os pioneiros. Eles veem a vitória como um triunfo do cristianismo sobre a barbárie. O rio ganha este nome supostamente por ficar vermelho com o sangue zulu.

Em janeiro de 1840, com o apoio de Pistorius, o príncipe Mpande vence o rei Dingane na Batalha de Maqongpe e é coroado novo rei zulu. O Império Britânico conquista e anexa a República de Natália em 1843.

Na Guerra Anglo-Zulu, em 22 de janeiro de 1879, um exército de cerca de 20 mil africanos sem armas de fogo sob o comando de Ntshingwayo Khosa derrota uma força do Império Britânico de 1,8 mil homens na Batalha de Isandlwana. Depois de uma série de confrontos, os britânicos ganham a guerra na Batalha de Ulundi, derrotando o rei zulu Cetshwayo.

Em 1877, o Império Britânico anexa a República do Transvaal, onde há uma grande descoberta de ouro em 1886. A revolta dos colonos de origem holandesa causa a Guerra dos Bôeres (1899-1902), quando os britânicos consolidam o domínio sobre a região ao vencer o que chamam de "tribo branca da África", alegando que os bôeres haviam se tornado primitivos e inferiores, na visão imperialista, como os africanos negros.

INÍCIO DA BATALHA DE ARDENAS

    Em 1944, a Alemanha Nazista lança sua última grande ofensiva na frente ocidental durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Começa numa floresta da região da Valônia, na Bélgica, a Batalha de Ardenas, que se estende para o Norte da França e Luxemburgo.


Depois da invasão da Normandia, no Norte da França, em 6 de junho de 1944, os aliados libertam a França, em agosto, e avançam rumo à Alemanha. Quase toda a cúpula militar alemã entende que deve concentrar suas tropas na frente oriental para deter a ofensiva do Exército Vermelho da União Soviética em direção a Berlim, menos o ditador Adolf Hitler.

Os objetivos dos nazistas são impedir que os aliados usem o porto de Antuérpia e dividir as linhas inimigas para tentar cercar e destruir quatro forças inimigas. Hitler, que assume o comando militar da Alemanha em dezembro de 1941, acredita que ainda pode forçar os aliados ocidentais a negociar a paz com as potências do Eixo. Assim, poderia se concentrar na guerra contra a URSS.

A Alemanha lança a Operação Vigília sobre o Vale do Rio Reno com um ataque de surpresa em 16 de dezembro, aproveitando o excesso de confiança dos aliados e a dificuldade de reconhecimento aéreo por causa do mau tempo no fim do outono.

Com o reforço do 3º Exército dos EUA, sob o comando do general George Patton, e uma enorme superioridade aérea, os aliados retomam Bastogne em 26 de dezembro de 1944. Em 3 de janeiro de 1945, começam a contraofensiva. A vitória vem em 28 de janeiro. Para os alemães, fica evidente que a derrota é inevitável. 

A União Soviética toma Berlim, em 8 de maio de 1945, Dia da Vitória na Europa.

TALEBÃ DO PAQUISTÃO ATACAM ESCOLA

    Em 2014, a Milícia dos Estudantes (Talebã) do Paquistão ataca uma escola pública do Exército na cidade de Peshawar, matando 150 pessoas, sendo 134 crianças.

Sob a orientação do serviço secreto militar do Paquistão, a Milícia dos Talebã (Estudantes) nasce em 1994 no Afeganistão em reação à anarquia que toma conta do país depois do fim de 10 anos de invasão pela União Soviética, em 1989. As milícias extremistas muçulmanas que expulsam os soviéticos com o apoio dos Estados Unidos, da Arábia Saudita, da China e do Paquistão começam a brigar entre si.

A situação é tão caótica que inviabiliza as rotas de comércio entre Irã e Paquistão passando pelo Afeganistão. O serviço secreto militar do Paquistão cria a milícia extremista, formada por estudantes das madrassas, as escolas religiosas que só ensinam a língua árabe; os hádices, ditos do profeta Maomé; o Corão, o livro sagrado do islamismo; e a História do Islã. São os talebã, plural de taleb, estudante em árabe.

Sua ideologia mistura a tradição deobandista, o puritanismo wahabista (versão saudita do islamismo) e a cultura pastó, do povo que vive naquela região, que sempre ignorou a Linha Durand, traçada pelo Império Britânico em 1893 dividindo Afeganistão e Paquistão.

Dois anos depois da fundação, em 1996, os talebã tomam o poder em Cabul e impõe o integrismo muçulmano. Discriminam mulheres, proibidas de estudar e andar sem um parente masculino, obrigadas a sair na rua de burca, aquela roupa que cobre da cabeça aos pés e deixa seus olhos verem o mundo por um tecido rendado, homossexuais e homens que não se submetem ao rigoroso código de costumes do Ministério da Propagação da Virtude e Combate ao Vício, inspirado na polícia religiosa da Arábia Saudita.

Só a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Paquistão reconhecem o governo dos Talebã, que abriga a rede terrorista Al Caeda, fundada por Ayman al-Zawahiri e Ossama ben Laden em 1988 para, depois de combater a URSS, lutar contra os EUA.

Washington apoia veladamente o novo governo afegão e chega a dar dinheiro para o regime talebânico combater a produção de papoula e opioides. Em 1998, depois de atentados contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, o presidente Bill Clinton manda bombardear os acampamentos e centros de treinamento d'al Caeda no Afeganistão.

A resposta do terror vem nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Pouco menos de um mês depois, os EUA invadem o Afeganistão, em três semanas derrubam o governo dos talebã. A maior parte da liderança d'al Caeda, inclusive Ben Laden, sobrevive à Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, e foge para o Paquistão. Os EUA ocupam o Afeganistão durante 20 anos sem conseguir estabelecer um governo estável.

Os Talebã do Paquistão surgem como um braço dos Talebã do Afeganistão em 2007 em resposta a um ataque do Exército paquistanês contra Al Caeda em áreas tribais do país. No ano seguinte, o Paquistão declara a ilegalidade do grupo. Mais tarde, o acusa pelo atentado terrorista que mata a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto em dezembro de 2007, quando ela fazia campanha eleitoral para voltar ao poder.

No ataque à escola, homens armados vestidos com uniformes da polícia de fronteiras entram no colégio, situado numa área de classe média, por volta das 10h00 e atiram indiscriminadamente para todos os lados. 

Em 2019, o grupo tem 3 e 4 mil milicianos. Quando os talebã retomam o poder no Afeganistão, em agosto de 2021, o Paquistão tem a expectativa de que vão ajudar a combater a milícia paquistanesa, mas os afegãos preferem mediar negociações.

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 16 de Dezembro

LORDE PROTETOR

Em 1653, o militar e político Oliver Cromwell assume o poder no curto período republicano da história britânica como Lorde Protetor da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda. Governa como um ditador até a morte, em 3 de setembro de 1658, talvez envenenado.

Cromwell nasce em Huntingdon, na Inglaterra, em 25 de abril de 1599. É o único filho de Robert Crowmell e Elizabeth Steward. Por parte de pai, é descendente indireto de Thomas Cromwell, primeiro-ministro do rei Henrique VIII. Seu pai é latifundiário, juiz de paz e membro do Parlamento durante o reinado de Elizabeth I.

Calvinista convicto, acredita que é "o maior dos pecadores" até se considerar um "eleito de Deus". Nos seus 30 anos, vende suas terras e vira arrendatário de Henry Lawrence, que planeja emigrar para a Nova Inglaterra, mas desiste. Provavelmente, Cromwell iria junto.

Quando entra para a Câmara dos Comuns, ataca em 1628-29 os bispos de Carlos I. Protestante, não confia na hierarquia da Igreja Anglicana. Entende que todo cristão pode estabelecer contato direto com Deus através de orações e da Bíblia, sem necessidade de intermediários.

Reeleito em 1640 com o apoio de puritanos radicais do Condado de Cambridge, critica os aumentos de impostos e os monopólios da Coroa, mas sua principal oposição ao rei tem motivos religiosos. 

Em novembro de 1641, John Pym e aliados apresentação a Grande Remonstrância. É uma lista de mais de 200 demandas e reclamações, da censura aos bispos à corrupção do clero e à tirania e usurpação eclesiásticas. Exige o fim da imposição de impostos sem o consentimento do Parlamento. Repudia a promoção de reformas religiosas indesejadas, a injustiça dos tribunais e a não punição dos católicos.

A Grande Remonstrância é aprovada na Câmara dos Comuns em 22 de novembro de 1641 e não é enviada à Câmara dos Lordes antes de ser entregue ao rei, que a rejeita. Cromwell diz que, se não fosse aprovada pelos Comuns, deixaria a Inglaterra para sempre "no dia seguinte". Sua rejeição pelo rei é uma das causas da Revolução Puritana (1642-49) e da Guerra Civil Inglesa (1642-51) .

Durante a guerra civil, em 1643, Cromwell conquista reputação de ser um grande líder e militar, capaz de organizar forças de combate. Nomeado coronel, organiza um regimento de cavalaria de primeira classe com uma disciplina rígida. Passa a ser conhecido como Velho Braços de Ferro.

Como um dos generais das forças protestantes do Parlamento, luta contra o rei Carlos I (1625-49), da Dinastia Stuart, católica e escocesa, decapitado em 30 de janeiro de 1649, e governa como um ditador absolutista até a morte. É sucedido pelo filho Ricardo, que não tem o mesmo carisma.

A monarquia é restaurada em 1660, quando o Parlamento convida o rei Carlos II (1660-85), filho mais velho de Carlos I, a voltar do exílio na França e ocupar o trono.

Em 1661, por ordem da Câmara dos Comuns, o cadáver de Cromwell é desenterrado, exumado e enforcado. O corpo é reenterrado sob a forca em Tyburn, hoje Marble Arch. A cabeça fica exposta publicamente no Palácio de Westminster até 1685.

Carlos II é sucedido pelo irmão Jaime II, derrotado pelo protestante holandês Guilherme de Orange na Revolução Gloriosa (1688-89), que o coroa como Guilherme II, estabelece a supremacia do Parlamento e aprova a Lei ou Carta de Direitos, sob a influência do filósofo John Locke, pai do liberalismo político.

A Carta de Direitos proíbe o rei de ascender ao trono, exercer o poder, criar impostos, aplicar a lei, impor multas excessivas, infligir punições cruéis e ilegais, e convocar e manter um exército permanente sem o consentimento do Parlamento. 

FESTA DO CHÁ EM BOSTON

    Em 1773, milhares de colonos norte-americanos invadem o porto de Boston e um grupo de 50 a 70, disfarçados de índios mohawk, entram em três navios britânicos e jogam no mar 342 caixas de uma carga de chá da Companhia das Índias Orientais, uma das pontas de lança do Império Britânico, num episódio marcante da luta pela independência dos Estados Unidos.

A Lei do Chá, aprovada naquele ano, reduz os impostos e dá à empresa o virtual monopólio do comércio de chá no que viriam a ser os EUA. O valor da carga de chá é de US$ 1,7 milhão pela cotação da época. Pela cotação de 2022, é estimado em US$ 18,6 milhões. 

O governo britânico está exaurido financeiramente pelos gastos na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando toma as possessões da França na Índia e na maior parte do que hoje é Canadá. A revolta dos colonos norte-americanos começa em protesto contra a Lei do Selo, de 1765, que tenta restaurar as finanças do Reino Unido.

Por sua vez, os colonos tinham colaborado para o esforço de guerra com homens e impostos. Não querem pagar mais por impostos aprovados pelo Parlamento Britânico, onde não têm representação. Daí, nasce um dos lemas da luta pela independência: "Não à taxação sem representação."

Em 1774, a Lei Coercitiva fecha o porto de Boston a navios mercantes, impõe um governo militar à colônia, torna militares britânicos inimputáveis e obriga os colonos a alojar as tropas do rei George III. Está aceso o estopim da rebelião.

Na Guerra da Independência (1775-83), os colonos têm o apoio da França. Em 1783, no Tratado de Paris, o Reino Unido e a França reconhecem a independência dos EUA.

AFRICÂNERES MASSACRAM ZULUS

    Em 1838, sob o comando de Andries Pistorius, 464 voortrekkers (pioneiros em holandês) matam mais de 3 mil zulus na Batalha do Rio do Sangue, hoje parte da província de KwaZulu-Natal, na África do Sul.

A Grande Jornada é uma migração de colonos de origem holandesa (africâneres) da Colônia do Cabo para o interior do que hoje é a África do Sul iniciada em 1836. Leva à criação de várias repúblicas autônomas bôeres (do holandês boer, agricultor) como a República da África do Sul (Transvaal), o Estado Livre de Orange e a República de Natália.

Os voortrekkers, liderados por Piet Retief, migram para a Zululândia em 1837 e negociam um acordo com o rei Dingane para ocupar terras entre o Rio Tugela e Port Saint Johns. Em 6 de fevereiro de 1838, Dingane trai os pioneiros e mata a delegação, inclusive Retief, mas o tratado é encontrado entre seus restos mortais.

A Batalha do Rio do Sangue acontece porque o rei zulu Dingane desrespeita mais uma vez o acordo para conviver pacificamente com os voortrekkers. Com uma força muito maior numericamente, de 25 a 30 mil homens, o rei Dingane acredita que pode expulsar os pioneiros. Eles veem a vitória como um triunfo do cristianismo sobre a barbárie. O rio ganha este nome supostamente por ficar vermelho com o sangue zulu.

Em janeiro de 1840, com o apoio de Pistorius, o príncipe Mpande vence o rei Dingane na Batalha de Maqongpe e é coroado novo rei zulu. O Império Britânico conquista e anexa a República de Natália em 1843.

Na Guerra Anglo-Zulu, em 22 de janeiro de 1879, um exército de cerca de 20 mil africanos sem armas de fogo sob o comando de Ntshingwayo Khosa derrota uma força do Império Britânico de 1,8 mil homens na Batalha de Isandlwana. Depois de uma série de confrontos, os britânicos ganham a guerra na Batalha de Ulundi, derrotando o rei zulu Cetshwayo.

Em 1877, o Império Britânico anexa a República do Transvaal, onde há uma grande descoberta de ouro em 1886. A revolta dos colonos de origem holandesa causa a Guerra dos Bôeres (1899-1902), quando os britânicos consolidam o domínio sobre a região ao vencer o que chamam de "tribo branca da África", alegando que os bôeres haviam se tornado primitivos e inferiores, na visão imperialista, como os africanos negros.

INÍCIO DA BATALHA DE ARDENAS

    Em 1944, a Alemanha Nazista lança sua última grande ofensiva na frente ocidental durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Começa numa floresta da região da Valônia, na Bélgica, a Batalha de Ardenas, que se estende para o Norte da França e Luxemburgo.


Depois da invasão da Normanda, no Norte da França, em 6 de junho de 1944, os aliados libertam a França, em agosto, e avançam rumo à Alemanha. Quase toda a cúpula militar alemã entende que deve concentrar suas tropas na frente oriental para deter a ofensiva do Exército Vermelho da União Soviética em direção a Berlim, menos o ditador Adolf Hitler.

Os objetivos dos nazistas são impedir que os aliados usem o porto de Antuérpia e dividir as linhas inimigas para tentar cercar e destruir quatro forças inimigas. Hitler, que assume o comando militar da Alemanha desde dezembro de 1941, acredita que ainda pode forçar os aliados ocidentais a negociar a paz com as potências do Eixo. Assim, poderia se concentrar na guerra contra a URSS.

A Alemanha lança a Operação Vigília sobre o Vale do Rio Reno com um ataque de surpresa em 16 de dezembro, aproveitando o excesso de confiança dos aliados e a dificuldade de reconhecimento aéreo por causa do mau tempo no fim do outono.

Com o reforço do 3º Exército dos EUA, sob o comando do general George Patton, e uma enorme superioridade aérea, os aliados retomam Bastogne em 26 de dezembro de 1944. Em 3 de janeiro de 1945, começam a contraofensiva. A vitória vem em 28 de janeiro. Para os alemães, fica evidente que a derrota é inevitável. 

A União Soviética toma Berlim, em 8 de maio de 1945, Dia da Vitória na Europa.

TALEBÃ DO PAQUISTÃO ATACAM ESCOLA

    Em 2014, a Milícia dos Estudantes (Talebã) do Paquistão ataca uma escola pública do Exército na cidade de Peshawar, matando 150 pessoas, sendo 134 crianças.

Sob a orientação do serviço secreto militar do Paquistão, a Milícia dos Talebã (Estudantes) nasce em 1994 no Afeganistão em reação à anarquia que toma conta do país depois do fim de 10 anos de invasão pela União Soviética, em 1989. As milícias extremistas muçulmanas que expulsam os soviéticos com o apoio dos Estados Unidos, da Arábia Saudita, da China e do Paquistão começam a brigar entre si.

A situação é tão caótica que inviabiliza as rotas de comércio entre Irã e Paquistão passando pelo Afeganistão. O serviço secreto militar do Paquistão cria a milícia extremista, formada por estudantes das madrassas, as escolas religiosas que só ensinam a língua árabe; os hádices, ditos do profeta Maomé; o Corão, o livro sagrado do islamismo; e a História do Islã. São os talebã, plural de taleb, estudante em árabe.

Sua ideologia mistura a tradição deobandista, o puritanismo wahabista (versão saudita do islamismo) e a cultura pastó, do povo que vive naquela região, que sempre ignorou a Linha Durand, traçada pelo Império Britânico em 1893 dividindo Afeganistão e Paquistão.

Dois anos depois da fundação, em 1996, os talebã tomam o poder em Cabul e impõe o integrismo muçulmano. Discriminam mulheres, proibidas de estudar e andar sem um parente masculino, obrigadas a sair na rua de burca, aquela roupa que cobre da cabeça aos pés e deixa seus olhos verem o mundo por um tecido rendado, homossexuais e homens que não se submetem ao rigoroso código de costumes do Ministério da Propagação da Virtude e Combate ao Vício, inspirado na polícia religiosa da Arábia Saudita.

Só a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Paquistão reconhecem o governo dos Talebã, que abriga a rede terrorista Al Caeda, fundada por Ayman al-Zawahiri e Ossama ben Laden em 1988 para, depois de combater a URSS, lutar contra os EUA.

Washington apoia veladamente o novo governo afegão e chega a dar dinheiro para o regime talebânico combater a produção de papoula e opioides. Em 1998, depois de atentados contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, o presidente Bill Clinton manda bombardear os acampamentos e centros de treinamento d'al Caeda no Afeganistão.

A resposta do terror vem nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Pouco menos de um mês depois, os EUA invadem o Afeganistão, em três semanas derrubam o governo dos talebã. A maior parte da liderança d'al Caeda, inclusive Ben Laden, sobrevive à Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, e foge para o Paquistão. Os EUA ocupam o Afeganistão durante 20 anos sem conseguir estabelecer um governo estável.

Os Talebã do Paquistão surgem como um braço dos Talebã do Afeganistão em 2007 em resposta a um ataque do Exército paquistanês contra Al Caeda em áreas tribais do país. No ano seguinte, o Paquistão declara a ilegalidade do grupo. Mais tarde, o acusa pelo atentado terrorista que mata a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto em dezembro de 2007, quando ela fazia campanha eleitoral para voltar ao poder.

No ataque à escola, homens armados vestidos com uniformes da polícia de fronteiras entram no colégio, situado numa área de classe média, por volta das 10h00 e atiram indiscriminadamente para todos os lados. 

Em 2019, o grupo tem 3 e 4 mil milicianos. Quando os talebã retomam o poder no Afeganistão, em agosto de 2021, o Paquistão tem a expectativa de que vão ajudar a combater a milícia paquistanesa, mas os afegãos preferem mediar negociações. 

sábado, 16 de dezembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 16 de Dezembro

 FESTA DO CHÁ EM BOSTON

    Em 1773, milhares de colonos norte-americanos invadem o porto de Boston e um grupo de 50 a 70, disfarçados de índios mohawk, entram em três navios britânicos e jogam no mar 342 caixas de uma carga de chá da Companhia das Índias Orientais, uma das pontas de lança do Império Britânico, num episódio marcante da luta pela independência dos Estados Unidos.

A Lei do Chá, aprovada naquele ano, reduz os impostos e dá à empresa o virtual monopólio do comércio de chá no que viriam a ser os EUA.

O governo britânico está exaurido pelos gastos na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando toma as possessões da França na Índia e na maior parte do que hoje é Canadá. A revolta dos colonos norte-americanos começa em protesto contra a Lei do Selo, de 1765, que tenta restaurar as finanças do Reino Unido.

Por sua vez, os colonos tinham colaborado para o esforço de guerra com homens e impostos. Não querem pagar mais por impostos aprovados pelo Parlamento Britânico, onde não tem representação. Daí, nasce um dos lemas da luta pela independência: "Não à taxação sem representação."

Em 1774, a Lei Coercitiva fecha Boston a navios mercantes, impõe um governo militar à colônia, torna militares britânicos inimputáveis e obrigava os colonos a alojar as tropas do rei George III. Estava aceso o estopim da rebelião.

INÍCIO DA BATALHA DE ARDENAS

    Em 1944, a Alemanha Nazista lança sua última grande ofensiva na frente ocidental durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Começa numa floresta da região da Valônia, na Bélgica, a Batalha de Ardenas, que se estende para o Norte da França e Luxemburgo.


Depois da invasão da Normanda, no Norte da França, em 6 de junho de 1944, os aliados libertam a França, em agosto, e avançam rumo à Alemanha. Quase toda a cúpula militar alemã entende que deve concentrar suas tropas na frente oriental para deter a ofensiva do Exército Vermelho da União Soviética em direção a Berlim, menos o ditador Adolf Hitler.

Os objetivos dos nazistas são impedir que os aliados usem o porto de Antuérpia e dividir as linhas inimigas para tentar cercar e destruir quatro forças inimigas. Hitler, que assume o comando militar da Alemanha desde dezembro de 1941 acredita que assim pode forçar os aliados ocidentais a negociar a paz com as potências do Eixo. Assim, poderia se concentrar na guerra contra a URSS.

A Alemanha lança a Operação Vigília sobre o Reno com um ataque de surpresa em 16 de dezembro, aproveitando o excesso de confiança dos aliados e a dificuldade de reconhecimento aéreo por causa do mau tempo no fim do outono.

Com o reforço do 3º Exército dos EUA, sob o comando do general George Patton, e uma enorme superioridade aérea, os aliados retomam Bastogne em 26 de dezembro de 1944. Em 3 de janeiro de 1945, começam a contraofensiva. A vitória vem em 28 de janeiro. Para os alemães, fica evidente que a derrota é inevitável.

TALEBÃ DO PAQUISTÃO ATACAM ESCOLA

    Em 2014, a Milícia dos Estudantes (Talebã) do Paquistão ataca uma escola pública do Exército na cidade de Peshawar, matando 150 pessoas, sendo 134 crianças.

Sob a orientação do serviço secreto militar do Paquistão, a Milícia dos Talebã (Estudantes) nasce em 1994 no Afeganistão em reação à anarquia que toma conta do país depois do fim de 10 anos de invasão pela União Soviética, em 1989. As milícias extremistas muçulmanas que expulsam os soviéticos, com o apoio dos Estados Unidos, da Arábia Saudita, da China e do Paquistão, começam a brigar entre si.

A situação é tão caótica que inviabiliza as rotas de comércio entre Irã e Paquistão passando pelo Afeganistão. O serviço secreto militar do Paquistão cria a milícia extremista, formada por estudantes das escolas religiosas que só ensinam o Corão, o livro sagrado do islamismo. São os talebã, plural de taleb, estudante em árabe.

Sua ideologia mistura a tradição deobandista, o puritanismo wahabista (versão saudita do islamismo) e a cultura pastó, do povo que vive naquela região, que sempre ignorou a Linha Durand, traçada pelo imperialismo britânico em 1893.

Dois anos depois da fundação, em 1996, os talebã tomam o poder em Cabul e impõe o integrismo muçulmano. Discriminam mulheres, proibidas de estudar e andar sem um parente masculino, obrigadas a sair na rua de burca, aquela roupa que cobra da cabeça aos pés e deixa seus olhos verem o mundo por um tecido rendado, homossexuais e homens que não se submetem ao rigoroso código de costumes do Ministério da Propagação da Virtude e Combate ao Vício, inspirado pela polícia religiosa da Arábia Saudita.

Só a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Paquistão reconhecem o governo dos Talebã, que abriga a rede terrorista Al Caeda, fundada por Ayman al-Zawahiri e Ossama ben Laden em 1988 para, depois de combater a URSS, lutar contra os EUA.

Washington apoia veladamente o Afeganistão e chega a dar dinheiro para o regime talebânico combater a produção de papoula e opioides. Em 1998, depois de atentados contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, o presidente Bill Clinton manda bombardear os acampamentos e centros de treinamento d'al Caeda no Afeganistão.

A resposta do terror vem nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Pouco menos de um mês depois, os EUA invadem o Afeganistão, em três semanas derrubam o governo dos talebã. A maior parte da liderança d'al Caeda, inclusive Ben Laden, sobrevive à Batalha de Tora Bora e foge para o Paquistão. Os EUA ocupam o Afeganistão durante 20 anos sem conseguir estabelecer um governo estável.

Os Talebã do Paquistão surgem como um braço dos Talebã do Afeganistão em 2007 em resposta a um ataque do Exército paquistanês contra Al Caeda em áreas tribais do país. No ano seguinte, o Paquistão declara a ilegalidade do grupo. Mais tarde, o acusa pelo atentado terrorista que matou a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto em dezembro de 2007, quando ela fazia campanha eleitoral para voltar ao poder.

No ataque à escola, homens armados vestidos com uniformes da polícia de fronteiras entram no colégio, situado numa área de classe média, por volta das 10h00 e atiram indiscriminadamente para todos os lados. 

Em 2019, o grupo tem 3 e 4 mil milicianos. Quando os talebã retomam o poder no Afeganistão, em agosto de 2021, o Paquistão tem a expectativa de que vão ajudar a combater a milícia paquistanesa, mas os afegãos preferem mediar negociações.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 16 de Dezembro

FESTA DO CHÁ EM BOSTON

    Em 1773, milhares de colonos norte-americanos invadem o porto de Boston e um grupo de 50 a 70, disfarçados de índios mohawk, entram em três navios britânicos e jogam no mar 342 caixas de uma carga de chá da Companhia das Índias Orientais, uma das pontas de lança do Império Britânico, num episódio marcante da luta pela independência dos Estados Unidos.

A Lei do Chá, aprovada naquele ano, reduz os impostos e dá à empresa o virtual monopólio do comércio de chá no que viriam a ser os EUA.

O governo britânico está exaurido pelos gastos na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando toma as possessões da França na Índia e na maior parte do que hoje é Canadá. A revolta dos colonos norte-americanos começa em protesto contra a Lei do Selo, de 1765, que tenta restaurar as finanças do Reino Unido.

Por sua vez, os colonos tinham colaborado para o esforço de guerra com homens e impostos. Não querem pagar mais por impostos aprovados pelo Parlamento Britânico, onde não tem representação. Daí, nasce um dos lemas da luta pela independência: "Não à taxação sem representação."

Em 1774, a Lei Coercitiva fecha Boston a navios mercantes, impõe um governo militar à colônia, torna militares britânicos inimputáveis e obrigava os colonos a alojar as tropas do rei George III. Estava aceso o estopim da rebelião.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 16 de Dezembro

 FESTA DO CHÁ EM BOSTON

    Em 1773, milhares de colonos norte-americanos invadem o porto de Boston e um grupo de 50 a 70, disfarçados de índios mohawk, entram em três navios britânicos e jogam no mar 342 caixas de uma carga de chá da Companhia das Índias Orientais, uma das pontas de lança do Império Britânico, num episódio marcante da luta pela independência dos Estados Unidos.

A Lei do Chá, aprovada naquele ano, reduzia os impostos e dava à empresa o virtual monopólio do comércio de chá no que viriam a ser os EUA.

O governo britânico está exaurido pelos gastos na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando toma as possessões da França na Índia e na maior parte do que hoje é Canadá. A revolta dos colonos norte-americanos começa em protesto contra a Lei do Selo, de 1765, que tenta restaurar as finanças do Reino Unido.

Por sua vez, os colonos tinham colaborado para o esforço de guerra com homens e impostos. Não querem pagar mais por impostos aprovados pelo Parlamento Britânico, onde não tem representação. Daí, nasce um dos lemas da luta pela independência: "Não à taxação sem representação."

Em 1774, a Lei Coercitiva fecha Boston a navios mercantes, impõe um governo militar à colônia, torna militares britânicos inimputáveis e obrigava os colonos a alojar as tropas do rei George III. Estava aceso o estopim da rebelião.

domingo, 4 de julho de 2021

Hoje na História do Mundo: 4 de Julho

     Em 1776, o Congresso Continental aprova na Filadélfia a Declaração de Independência dos Estados Unidos, 442 dias depois do início da guerra contra o Império Britânico.

Assim como a Revolução Francesa de 1789, a independência dos EUA têm raízes na Guerra dos Sete Anos (1756-63), travada na América do Norte, na África, na Ásia na Europa entre a França, a Áustria, a Rússia, a Saxônia e a Suécia, de um lado; e o Reino Unido, Portugal, a Prússia e o reino de Hanôver, do outro. 

Na França, enfraquece a monarquia. No Império Britânico, leva a aumentos de impostos nas colônias americanas com a Lei do Selo de 1765. 

Os colonos americanos sustentaram o esforço de guerra do Império Britânico com sangue, suor, vidas e impostos. Tinham dado sua cota de sacrifício. Protestam com o lema: "Não à taxação sem representação". Se não tinham voto no Parlamento Britânico, não queriam pagar mais impostos aprovados em Londres. Além de boicote a produtos britânicos, há ataques a alfândegas e coletores de impostos.

A Lei do Chá, de 1773, feita sob medida para salvar a Companhia das Índias Orientais dá à empresa vantagens fiscais e o monopólio do comércio do chá na América. Em protesto, em 16 de dezembro de 1773, milhares de pessoas tomam o porto de Boston e cerca de 70, vestidas de índios, invadem um navio e jogam a carga de chá no mar. O episódio é conhecido como a Festa do Chá de Boston, que inspirou movimento de direita contra o governo Barack Obama (2009-17).

Em resposta, o Parlamento Britânico aprova a Lei Coercitiva e instala um governo militar britânico na colônia de Massachusetts, em 1774.  Dá imunidade aos funcionários britânicos. Para dar unidade à luta contra o Império Britânico. os colonos americanos convocam então o Congresso Continental, que se reúne pela primeira vez em 5 de setembro 1774.

A Guerra da Independência (1775-83) começa em abril de 1775, quando o governador britânico de Massachusetts manda atacar um arsenal dos rebeldes americanos em Concord. Em 19 de abril, soldados britânicos se defrontam com uma milícia rebeldes e os dois lados dão os primeiros tiros da guerra.

No início, o conflito é uma espécie de guerra civil dentro do Império Britânico. Para o rei George III, apenas mais uma revolta colonial. Já os colonos lutavam por direitos iguais como cidadãos britânicos. Mas o Parlamento de Westminster se negou a negociar com os rebeldes e contratou mercenários alemães para lutar ao lado das forças imperiais.

Em janeiro de 1776, o grande herói revolucionário inglês Thomas Paine, que mais tarde lutaria pela Revolução Francesa e seria eleito deputado da Assembleia Nacional da França, lança o livro Senso Comum, em que defende a independência dos EUA. O livro vendeu 500 mil cópias em meses. Paine foi o primeiro a falar em Revolução Americana.

Na primavera daquele ano no Hemisfério Norte, a independência conquista o apoio das colônias. Começa a redação da Declaração de Independência. O texto é principalmente obra de Thomas Jefferson. Ao justificar a independência, ele recorre ao filósofo liberal inglês John Locke e suas ideias de direitos naturais e que os governos devem ter o consentimento dos governados.

Um dos trechos mais famosos diz: "Nós acreditamos que estas verdades são autoevidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados por seu Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade."

Em 2 de julho de 1776, o Congresso Continental aprova uma moção da Virgínia pela independência. Dois dias depois, as outras 12 colônias aderem e a independência dos EUA é proclamada.

    Em 1826, morrem os ex-presidentes John Adams e Thomas Jefferson, os dois últimos sobreviventes dos pais da pátria que fundaram os Estados Unidos. De aliados na luta pela independência, eles viraram inimigos políticos.

Adams (1797-1801) é o segundo presidente dos EUA. Precede Jefferson (1801-9), que é seu vice-presidente o vence, impedindo a reeleição. O rompimento ocorre no governo Adams, favorável a um governo central forte, enquanto Jefferson queria dar mais poder aos estados. Eles só reatam as as relações em 1812 e aí trocam correspondências até o fim da vida.

    Em 1855, sai a primeira edição de Folhas das Folhas da Relva, de Walt Whitman, o maior clássico de dos maiores poetas da literatura americana. Ele revisou o livro várias vezes, acrescentando algo ou reescrevendo seus poemas.

Whitman nasceu em Long Island e foi criado no Brooklyn, em Nova York. Aos 14 anos, deixou a escola. Para sobreviver como autor, foi professor, jornalista, editor e carpinteiro. Durante a Guerra da Secessão (1861-65), o irmão dele foi ferido. Whitman foi cuidar do irmão e passou o resto da guerra confortando soldados do Norte e do Sul. Depois da guerra, trabalhou em vários departamentos do governo dos EUA.

    Em 1997, depois de 192 milhões de quilômetros em sete meses, o Pathfinder é a primeira nave espacial americana a pousar em Marte em mais de duas décadas. A espaçonave usou um sistema de paraquedas para suavizar a descida e o pouso.

No dia seguinte, saiu da nave o Soujourn, um equipamento controlado por controle remoto para passear pela superfície da marte, tirar 10 mil fotos e recolher amostras para descobrir quais os elementos químicos das rochas e do solo do Planeta Vermelho.

A missão de US$ 150 milhões foi considerada um sucesso.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Trump nomeia falcões para cargos-chaves

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, nomeou hoje três expoentes da linha dura para cargos importantes de seu governo. Todos são considerados dissidentes em relação ao pensamento tradicional do Partido Republicano.

O senador Jeff Sessions, um dos primeiros republicanos a aderir a Trump, será ministro da Justiça e procurador-geral. O deputado Mike Pompeo será o diretor-geral da CIA (Agência Central de Inteligência). E o general da reserva Michael Flynn será o assessor de segurança nacional da Casa Branca.

Sessions é um conservador do Alabama. Em 1986, a Comissão de Justiça do Senado barrou sua indicação para juiz federal por causa de declarações racistas. Ele será responsável pela repressão à imigração ilegal. Trump fala em deportar pelo menos 3 milhões de ilegais.

Pompeo, da Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes, criticou as decisões do presidente Barack Obama de fechar prisões clandestinas da CIA e de proibir a tortura em interrogatórios. Na campanha, Trump defendeu a tortura.

Um dos líderes do movimento radical de direita Festa do Chá, Pompeo comandou as investigações sobre o ataque ao Consulado dos EUA em Bengázi, na Líbia, tentando responsabilizar a então secretária de Estado, Hillary Clinton, pela morte do embaixador e de três outros americanos.

O general Flynn foi uma das vozes mais raivosas do setor de segurança e defesa durante a campanha. Ele afirma que o islamismo não é uma religião, é uma ideologia política sanguinária que chamou de câncer, desprezando a crença de 1,3 bilhão de seres humanos.

Amigo de protoditadores como Vladimir Putin, da Rússia, e Recep Tayyip Erdogan, da Turquia, defende uma aliança com eles para combater o extremismo muçulmano, ignorando as intervenções militares russas na Ucrânia e na Síria e o desprezo desses autocratas pela democracia e o respeito aos direitos humanos.

Para quem esperava um Trump mais moderado no poder do que na campanha, é um choque de realidade. Até agora, não há nenhum moderado nem centrista no futuro governo dos EUA.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Trump finalmente admite que Obama nasceu nos EUA

Depois de anos questionando se o presidente Barack Obama nasceu realmente nos Estados Unidos, numa declaração de 28 segundos, o candidato do Partido Republicano à Casa Branca, o magnata imobiliário Donald Trump, finalmente reconheceu que Obama é americano.

Obama nasceu em Honolulu, no Havaí, filho de pai queniano e mãe americana. Sua mãe se separou, casou de novo e foi morar na Indonésia, onde o atual presidente foi criado até 11 anos de idade.

Quando ele foi eleito, movimentos radicais de direita levantaram a suspeita de que o primeiro presidente negro, com visões políticas liberais e um nome muçulmano, Barack Hussein Obama, seria na verdade estrangeiro.

Em 2004, quando Obama disputava uma cadeira no Senado pelo estado de Illinois, seu oponente Andy Martin acusou-o de ser um muçulmano educado numa escola religiosa na Indonésia. Nem a apresentação da certidão de nascimento calou o boato, intensificado durante a campanha eleitoral de 2008.

Quando os republicanos conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes, deputados de mais de dez estados apresentaram projetos para exigir que candidatos à Presidência dos EUA apresentassem prova de nacionalidade.

Naquela época, Trump alimentou a suspeita afirmando que seus advogados estavam investigando no Havaí a validade da certidão de nascimento do presidente. Ao mesmo tempo, ascendia o movimento radical de direita Festa do Chá, que faz oposição sistemática ao presidente negro, numa atitude racista.

A questão ressurgiu na atual campanha eleitoral. Há poucos dias, em entrevista ao jornal The Washington Post, Trump se negou a responder uma pergunta sobre o nacionalidade de Obama. Ontem à noite, "para evitar o desvio de foco de temas centrais da campanha", partidários de Trump disseram que ele reconhece que o presidente nasceu nos EUA.

Faltava ouvir a declaração pela boca do próprio candidato. Em vários momentos da campanha, Trump deixou claro que só ele é porta-voz de si mesmo. A fala veio lacônica. Em apenas 28 segundos, o bilionário afirmou que o Obama nasceu nos EUA, acusou sua adversária Hillary Clinton de ter levantado a dúvida e disse que ele encerrou o assunto.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Mais um radical de direita se lança na corrida à Casa Branca

O senador Marco Rubio, filho de exilados cubanos da Flórida, anunciou hoje a intenção de disputar a candidadura do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em 2016. É o terceiro, depois dos senadores Rand Paul e Ted Cruz, também de origem cubana. Todos chegaram ao Congresso com o apoio do movimento radical de direita Festa do Chá, a favor de menos impostos e do Estado mínimo.

Num discurso na Torre da Liberdade, em Miami, local escolhido para lembrar sua origem, Rubio, de 43 anos, apresentou-se como um homem que veio de baixo e venceu na vida com suas próprias forças, um exemplo do sonho americano. Lá, eram recebidos os refugiados cubanos nos anos 1960s e 1970s.

"Esta é uma eleição sobre o futuro e não para voltar ao passado", afirmou o jovem senador sob aplausos, atacando os dois rivais mais bem cotados nas pesquisas hoje, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e o ex-governador da Flórida Jeb Bush.

Rubio é contra o restabelecimento de relações diplomáticas com Cuba, anunciado em 17 de dezembro de 2014 pelo presidente Barack Obama e o ditador cubano, Raúl Castro. Alega que vai dar uma sobrevida ao regime comunista. Também foi um dos senadores que assinaram uma carta enviada ao Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei advertindo que o acordo nuclear negociado por Obama pode ser rejeitado pelo Congresso.

No Senado, Rubio defende políticas para promoção social de famílias de baixa renda, como aumentar as deduções do imposto de renda por filhos dependentes, ampliar a educação técnica profissionalizante, uma reforma na educação universitária e maior flexibilidade para os estados lançarem seus próprios programas de combate à pobreza.

Seu maior adversário dentro do partido será o ex-governador da Flórida Jeb Bush, filho e irmão de ex-presidentes, que lidera as pesquisas e disputa o voto no estado.

Na última pesquisa da rede de televisão NBC e o jornal The Wall St. Journal, 56% dos prováveis votantes nas eleições primárias republicanas disseram que poderiam votar em Rubio. Jeb Bush enfrenta a rejeição de 42% e o governador de Nova Jérsei, Chris Christie, de 57%.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Outro ultradireitista entra na corrida para a Casa Branca

Depois do texano Ted Cruz, mais um senador de extrema direita anunciou hoje a intenção de disputar a candidatura do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em 2016. Rand Paul, do estado do Kentucky, filho do ex-deputado libertário Ron Paul, se lançou como um defensor da liberdade individual e do Estado mínimo, informou o jornal The Washington Post.

É mais um a disputar o apoio do movimento radical de direita Festa do Chá.

"Temos de tomar nosso país de volta", declarou o senador na cidade de Louisville, no Kentucky, seguindo a linha da ultradireita branca que considera o presidente Barack Obama um estranho no ninho, se não um estrangeiro.

De quem Paul quer livrar os EUA? "Dos interesses especiais que usam Washington como seu cofrinho, os interesses especiais mais interessados no seu bem-estar pessoal do que com o bem-estar geral", como se os republicanos não fossem os maiores defensores do centro financeiro de Wall Street e das grandes empresas americanas.

Cercado de bandeiras dos EUA, Paul tentou vender a imagem de um Partido Republicano diferente com uma mensagem de diversidade e inclusão social: "A mensagem de oportunidade, liberdade e justiça é para todos os americanos, use você um terno, uniforme ou avental, seja branco ou negro, rico ou pobre. Muitos americanos estão sendo deixados para trás. A recompensa pelo trabalho parece além de seu alcance. Sob ambos os partidos, os podres parecem ficar mais pobres e os ricos mais ricos."

Como terá de enfrentar as eleições primárias do partido, seus correligionários não foram poupados: "Com frequência, quando os republicanos ganham, desperdiçam a vitória se tornando parte da máquina de Washington. Eu não sou assim. Não é por isso que concorri a um cargo eletivo pela primeira vez anos atrás. Parece-me que ambos os partidos e todo o sistema político são culpados. O governo grande e a dívida dobraram sob um governo republicano. E agora estão triplicando sob Obama."

Paul apelou para o discurso clássico dos políticos americanos, criticar o governo central como se Washington ficasse em outro país e todos eles não quisessem chegar lá.

Em política externa, Rand Paul recuou um pouco das posições anti-intervencionistas adotadas pelo pai, duas vezes pré-candidato sem sucesso. Ele apoiou a participação americana na guerra contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Para atingir o eleitorado jovem e fazer uma campanha mais austera, Paul pretende usar a Internet e as redes sociais. Ele é contra a regulamentação da maconha e do casamento pelo governo federal, embora ultimamente tenha hesitado na questão do casamento gay, e promete fechar a Agência de Segurança Nacional, que anda espionando americanos e estrangeiros.

Médico oftalmologista que ainda faz cirurgias, Rand Paul tem uma visão de futuro que agrada à ultraidireita. Suas chances na próxima eleição presidencial são consideradas mínimas. Ele tende a empurrar o partido mais para a direita durante as primárias, alienando os eleitores de centro, essenciais para a vitória que interessa contra o candidato do Partido Democrata.

O favorito no partido até o momento é o ex-governador da Flórida Jeb Bush, filho e irmão dos ex-presidentes George Herbert Walker Bush (1989-93) e George Walker Bush (2001-9). A ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama Hillary Clinton, do Partido Democracta, lidera a corrida à Casa Branca.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Ultraconservador é o primeiro a lançar candidatura à Casa Branca

Em discurso na Universidade da Liberdade, uma instituição cristã do estado da Virgínia fundada pelo pregador fundamentalista Jerry Falwell, o senador ultradireitista Ted Cruz lançou hoje sua pré-candidatura à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano prometendo acabar com o programa de saúde pública do governo Barack Obama e até mesmo com a Receita Federal americana.

Cruz, de 44 anos, de origem cubana, nasceu em Calgary, no Canadá, o que pode complicar suas pretensões. A Constituição dos EUA exige que o presidente tenha nascido no país. Em 2013, ele renunciou à cidadania canadense.

Filho de de mãe americana e pai cubano, Cruz foi educado nas universidades de elite de Harvard e Princeton. Em 2012, foi eleito para o Senado pelo estado do Texas com o apoio do movimento radical de direita Festa do Chá.

Ted Cruz é contra a universalização da cobertura de saúde, contra o aborto, contra o casamento gay, contra as negociações nucleares com o Irã, contra causas ambientais, a favor do apoio incondicional a Israel e da guerra contra o terrorismo. Ele não acredita que o homem seja responsável pelo aquecimento global.

No seu discurso, Cruz conclamou a direita religiosa a se mobililizar para assumir o controle do partido e do país. Em 34 minutos, o senador texano usou 40 vezes o verbo "imaginem", mas num sentido completamente diferente da música de John Lennon.

"Imaginem uma nova América", declarou o senador. "Imaginem um presidente que honra a Constituição e que sob nenhuma circunstância deixe o Irã ter armas nucleares." E seguiu defendendo o fim da Receita Federal, a adoção de uma alíquota única e baixa para o imposto de renda, e uma guerra mais decidida contra o Estado Islâmico.

Para o jornal The Washington Post, sua pré-candidatura testa os limites do conservadorismo americano. Já o governador da Califórnia, o considerada "inapto" para ocupar a Casa Branca.

O lançamento de sua candidatura coloca uma pressão à direita sobre o governador da Wisconsin, Scott Walker, e o ex-governador da Flórida Jeb Bush, filho do ex-presidente George Herbert Walker Bush e irmão do ex-presidente George Walker Bush.

No momento, Cruz é o oitavo colocado nas pesquisas sobre os possíveis candidatos republicanos, lideradas por Jeb Bush. O descendente de imigrantes cubano mais bem-cotado é o senador Marco Rubio, da Flórida, outro favorito da ala mais direitista do partido.

Numa reação à candidatura do ultraconservador, Jeb apoiou na semana passada uma proposta indecorosa para dar aos comerciantes o direito de se recusar a atender clientes homossexuais por motivos religiosos.

Em visita a Atlanta, na Geórgia, Jeb não chegou a apoiar um projeto neste sentido tramitando no legislativo estadual, mas manifestou simpatia.

O problema das eleições primárias nos EUA é que os ativistas envolvidos costumam ser os mais radicais de seus partidos, empurrando-os muito à direita ou à esquerda. Isso acaba atrapalhando a campanha eleitoral quando chega a hora de conquistar o eleitorado de centro, sem filiação partidária.

A favorita à Casa Branca, com 44% das preferências, é a ex-primeira-dama e ex-secretária de Estado Hillary Clinton, do Partido Democrata. Enquanto Cruz discursava em Richmond, na Virgínia, Hillary falava no Centro para o Progresso Americano, em Washington, defendendo mais investimentos em infraestrutura urbana e formação profissional.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Jeb Bush lança pré-candidatura à Presidência dos EUA

O ex-governador da Flórida Jeb Bush, filho do ex-presidente George Herbert Walker Bush e irmão do ex-presidente George Walker Bush, anunciou hoje que está "explorando ativamente a possibilidade" de se candidatar à Casa Branca na eleição presidencial de 2016, noticiou hoje o jornal The New York Times.

De olho na Casa Branca, Jeb Bush vai abrir em janeiro um comitê de ação política. Em sua página no Facebook, ele disse ter tomado a decisão depois de conversar com a família no feriado do Dia Nacional de Ação de Graças. Jeb é considerado moderado dentro do Partido Republicano e deve enfrentar resistência do movimento de ultradireita Festa do Chá.

Como governador da Flórida, Jeb organizou as eleições no estado em 2000, quando George W. Bush venceu o vice-presidente Al Gore por apenas 500 votos, conquistando a Casa Branca depois de uma série de contestações do resultado na Justiça, com recontagem de votos, cédulas que induziram o eleitor a erro e problemas para votar em bairros de maioria negra.

Tudo isso levantou sérias suspeitas de fraude e manipulação. Quando a Suprema Corte vetou a recontagem total dos votos pedida pelo Tribunal de Justiça do Estado da Flórida, a vitória de Bush foi confirmada. Ficou a suspeita no ar de que a democracia americana não é a prova de fraude.

Com a ampla derrota do Partido Democrata nas eleições intermediárias de 4 de novembro de 2014, os republicanos estão de olho na reconquista da Casa Branca. Por enquanto, a favorita é a ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama Hillary Clinton. Os democratas apostam no desgaste de Congresso, que será dominado pelos republicanos na Câmara e no Senado a partir de janeiro de 2015, para manter a Presidência depois dos oito anos de governo de Barack Obama.

Entre os republicanos, o candidato derrotado em 2012 Mitt Romney pode tentar mais uma vez. Outro nome cogitado é o senador Rand Paul, ligado à ala mais à direita do partido, a Festa do Chá, que já tem um candidato em potencial na Flórida, o senador Marco Rubio. Ele já avisou que a candidatura de Jeb não o tira da corrida à Casa Branca.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Governo dos EUA fecha daqui a pouco mais de uma hora

Sem acordo entre a Casa Branca e a oposição republicana, que tem maioria na Câmara dos Estados Unidos, o governo da maior economia do mundo pode ficar sem dinheiro para funcionar daqui a pouco mais de uma hora, quando começa o novo ano fiscal, em 1º de outubro de 2013.

Sob pressão do movimento radical de direita Festa do Chá, os republicanos condicionam a aprovação de um orçamento de emergência para a máquina federal dos EUA não parar ao adiamento da entrada em vigor da reforma de saúde aprovada no primeiro governo Barack Obama.

O presidente fez um último apelo no início da noite. Ele acusou os republicanos de chegarem ao "cúmulo da irresponsabilidade", argumentando que só está pedindo dinheiro para pagar despesas já aprovadas pelo Congresso. Obama advertiu ainda para os riscos de um fechamento do governo e possível calote da dívida pública federal para a recuperação da economia, lembrando que o dólar é moeda de reserva para grande parte do resto do mundo.

Por 54-46, o Senado, dominado pelo Partido Democrata, aprovou uma proposta que mantém o governo funcionando e ignora a decisão da Câmara. Como assessores republicanos disseram que não haverá nova votação na Câmara hoje à noite, não haverá acordo.

Assim, 800 mil dos 3,3 milhões funcionários públicos devem ficar em casa sem receber até o impasse ser resolvido. Os museus federais, parques nacionais e monumentos como a Estátua da Liberdade não vão abrir. Há poucos minutos, o presidente Obama assinou um decreto para garantir o pagamento dos militares e de outros serviços essenciais durante o fechamento do governo federal dos EUA.

Cerca de 44% dos americanos culpam os republicanos pelo impasse e 56% são contra o fechamento do governo, enquanto 33% responsabilizam o presidente e os democratas.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Republicano diz que filho de estupro é desígnio de Deus

Mais uma gafe de um republicano apoiado pelo movimento radical de direita Festa do Chá atinge dá munição ao presidente Barack Obama para caracterizar o ex-governador Mitt Romney como um extremista em questões sociais. Durante um debate ontem à noite, o candidato republicano ao Senado pelo estado de Indiana, Richard Mourdock, declarou ser contra o aborto de feto concebido durante estupro porque é um "desígnio de Deus".

A campanha de Romney imediatamente esclareceu que o governador rejeita esta posição, aceitando a interrupção da gravidez em casos de estupro, incesto ou risco de vida para a mãe: "O governador Romney discorda dos comentários de Richard Mourdock, que não refletem suas visões", declarou a porta-voz da campanha da oposição, Andrea Saul.

Enquanto os outros dois debatedores concordaram com essa visão, Mourdock alegou que só aceita o aborto em caso de risco para a mãe: "Travo uma luta comigo mesmo há muito tempo, mas acredito que a vida é um dom de Deus. Penso que mesmo quando a vida começa numa situação horrível como um estupro é algo que Deus queria que acontecesse".

Em maio, Mourdock venceu o senador moderado Richard Lugar, uma das estrelas do Congresso em política externa e defesa, com o apoio dos extremistas da Festa do Chá, noticia o jornal online The Huffington Post, o sítio jornalístico mais visitado dos EUA.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Jeb Bush critica guinada republicana para a direita

Quando perguntaram ao ex-governador da Flórida Jeb Bush aceitaria ser candidato a vice-presidente dos Estados Unidos na chapa do ex-governador de Massachusetts Mitt Romney na eleição de 6 de novembro de 2012, ele respondeu que dificilmente seu nome seria considerado e manifestou seu desconforto com a guinada do Partido Republicano para a direita.

Nas últimas três decadas, os Bush foram a família de maior destaque entre os republicanos. O partido mudou tanto, afirmou Jeb, que os ex-presidentes Ronald Reagan e George Herbert Walker Bush teriam "dificuldades" para se encaixar numa agremiação dominada ideologicamente pelo movimento radical de direita Festa do Chá.

Durante um café da manhã com repórteres em Nova York, Jeb Bush criticou a postura do partido sobre imigração e a redução do déficit público federal, acusando-o de estar controlado por "uma ortodoxia que não aceita nenhum desacordo", reportou o jornal The New York Times.

Diante de sua obsessão de fazer de Barack Obama um presidente de um só mandato, os republicanos mais radicais estão sendo acusados de boicotar a recuperação da economia dos EUA. Eles ignoram a responsabilidade maior do governo George Walker Bush e acusam Obama pela fragilidade econômica e pelo desemprego de 8,2% da população ativa.

No pós-guerra, nenhum presidente americano se reelegeu com taxa de desemprego acima de 7,2% no dia da votação.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Suprema Corte decide futuro da reforma da saúde de Obama

A Suprema Corte dos Estados Unidos entrou hoje no último dia de debate sobre a reforma da saúde do presidente Barack Obama, contestada, entre outras razões, por obrigar todo americano a pagar um seguro-saúde privado. Os ministros liberais tentam defender a validade da lei e da reforma, mesmo se o supremo tribunal americano considerar a obrigatoriedade inconstitucional.

No debate desta manhã, a ministra Sonia Sotomayor rebateu o argumento do advogado Paul Clement, que representa 26 estados e defende a revogação total da lei. Ela alegou que legislar é competência do Congresso. Na sua visão, caberia à Suprema Corte apenas analisar a constitucionalidade da reforma da saúde de Obama e derrubar os artigos inconstitucionais.

Outra questão é se a extensão do programa de saúde Medicaid, para os pobres, viola a parceria entre os estados e a união federal, informa o jornal The Washington Post.

A reforma da saúde de Obama é um dos alvos favoritos da direita do Partido Republicano e do movimento Festa do Chá, que promete revogá-la se a atual oposição conquistar maioria absoluta na Câmara e no Senado nas eleições de 6 de novembro de 2012.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Economia em alta dá favoritismo a Obama

Com o crescimento econômico e a recuperação do mercado de trabalho, ainda que moderados, a popularidade do presidente Barack Obama passou de 50%, indica uma pesquisa do jornal The New York Times e da TV CBS. Diante de uma série de candidatos fracos na oposição republicana, já é o favorito para a eleição presidencial de 6 de novembro de 2012 nos Estados Unidos.

Obama entra na campanha com um retrospecto bastante positivo, se comparado a seu desastrado antecessor George Walker Bush. O atual presidente acabou com as duas guerras de Bush, matou o líder terrorista Ossama ben Laden, recuperou a economia depois de sua pior crise em 70 anos e ressuscitou a falida indústria automobilística americana.

O presidente mantém a cautela. Sabe que seu futuro depende sobretudo da queda do desemprego nos próximos meses. Desde a Grande Depressão, nenhum presidente se reelegeu com taxa de desemprego acima de 7,2% no dia da votação. Ela está hoje em 8,3%.

A oposição republicana esperava apresentá-lo como mau gestor da economia, mas o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney tem problemas para explicar por que foi contra a intervenção estatal para salvar a General Motors e a Chrysler na campanha para a eleição primária de 28 de fevereiro em Michigan.

Sem carisma e suspeito de ser liberal demais pela ala mais radical do Partido Republicano e por ser mórmon pelos evangelicos, Romney foi ultrapassado nas pesquisas nos últimos dias pelo ex-senador pela Pensilvânia Rick Santorum.

Católico conservador, Santorum logo conquistou o apoio do movimento radical de direita Festa do Chá, que resiste a qualquer tentativa de aumentar impostos e gastos públicos. Mas seu histórico nas votações no Senado indicam que ele não é nenhum linha-dura em questões fiscais. A direita ainda lamenta não ter um candidato à altura do presidente negro.