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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Trump tenta convencer norte-americanos de que a economia vai bem

Num momento de grande impopularidade, com a aprovação de apenas 36%, a menor de seu segundo governo, o presidente Donald Trump fez hoje o Discurso sobre o Estado da União, a prestação de contas anual do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, tentando convencer a nação de que vai tudo bem. Repete o erro de Joe Biden, ao ignorar as dificuldades econômicas da maioria da população.

Foi o mais longo Discurso sobre o Estado da União da história: uma hora e 47 minutos de insultos, mentiras, falsidades e autocongratulação com escassa relação com a verdade e uma postura mussolinesca de cabeça para trás e queixo empinado. 

"Nossa nação está de volta, maior, melhor e mais forte do que nunca", gabou-se Trump.

Como de costume, afirmou que recebeu o país em péssimas condições de Joe Biden e fez a maior reviravolta em apenas um ano. Mente que a inflação era a maior da história, que o país estava invadido por imigrantes ilegais e com dificuldade para recrutar militares.

"Agora, temos a fronteira mais segura da história dos EUA", afirmou, acrescentando que nos últimos 12 meses não entrou nenhum imigrante ilegal no país. "A entrada de fentanil caiu 56% e o índice de homicídios caiu como nunca, desde que meu pai nasceu. O governo Biden e seus aliados no Congresso nos legou a pior inflação da história", o que é mentira.

Em seguida, declarou que o país está recebendo investimentos de US$ 18 bilhões, o que ninguém acredita. "Recebemos de nossa nova aliada Venezuela 8 milhões de barris". Acrescentou que a produção dos EUA aumentou em 600 mil barris diários porque ele cumpriu a promessa de mandar "perfurar, perfurar e perfurar" novos poços de petróleo.

"Acabamos com [as políticas de] DEI (diversidade, equidade e inclusão) nos EUA", um sinal evidente de seu racismo e desprezo pelas minorias. Antes de Trump começar a falar, o deputado federal pelo Texas Al Green foi expulso do plenário por apresentar um cartaz com as palavras: "Negros não são macacos", uma referência ao vídeo divulgado pela Casa Branca em que o ex-presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle Obama, eram retratados como macacos.

"Estamos ganhando como nunca", falou ao convocar o time de hóquei sobre o gelo dos EUA, que conquistou a medalha de ouro na Olimpíada de Inverno de Milão e Cortina d'Ampezzo, na Itália. O time feminino de hóquei também ganhou ouro, mas se recusou a participar do evento de hoje no Congresso alegando problema de agenda.

Trump acusou os democratas de votar contra seu corte de impostos para ricos e grandes empresas como se beneficiasse o cidadão comum. Também criticou a Suprema Corte por ter derrubado o tarifaço de sua guerra comercial. Mentiu mais uma vez ao dizer que são os estrangeiros que pagam pelas tarifas de exportação. A delegacia do banco central em Nova York estimou que 90% das tarifas são pagas por consumidores e empresas norte-americanas.

O presidente culpou os democratas pelo alto custo de vida, um dos grandes problemas deste governo: "Os preços estão desabando. O preço dos ovos caiu 60%. Mesmo a carne, que estava muito cara, está caindo. A energia caiu a números que ninguém acredita." 

Ele responsabilizou o programa de saúde do governo Barack Obama de enriquecer as empresas de seguro-saúde. Mais uma falsidade. Até hoje, Trump não apresentou uma proposta para a saúde. Também alegou que está baixando os preços dos medicamentos como nunca. "Os outros presidentes prometeram, falaram, mas não agiram. Hoje, pagamos os menores preços do mundo por medicamentos." Falso. Falou em quedas de 400%, 500% e 600%, mas 100% seriam suficientes para zerar os preços.

Em mais um desafio à Constituição, citou a possibilidade de exercer um terceiro mandato.

Não há nenhum indício de fraude em massa em eleições nos EUA, mas Trump insiste que "a fraude é desenfreada em nossa eleições... Eles querem trapacear. Eles têm trapaceado. E suas políticas são tão ruins que a única maneira de serem eleitos é trapaceando e vamos acabar com isso." Mais um insulto à oposição.

Até hoje, Trump não reconheceu a derrota para Biden em 2020. Seus advogados e aliados fizeram 61 reclamações à Justiça. Em todos os casos, os juízes não viram elementos suficientes para abrir um processo.

Ele pede que todos os eleitores provem que não são imigrantes ilegais. Um estudo de seu Departamento de Segurança Interna, entre 49,5 milhões de eleitores, foram identificados cerca de 10 mil casos para maior investigação, 0,02% to total. Trump prepara maneiras de interferir nas eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, quando deve perder a maioria na Câmara e talvez também no Senado.

A seguir, inventou que um estado tentou mudar o sexo de uma menina na plateia. "Os democratas estavam destruindo nosso país, mas os paramos em cima da hora."

Trump se vangloriou de reduzir a violência nos EUA com sua política anti-imigrantes: "Deportamos imigrantes ilegais criminosos em número recorde", disse Trump. Na verdade, a maioria das pessoas detidas por agentes de imigração não têm condenação criminal. Seu governo deportou muito menos do que o governo Obama, com a diferença de que o democrata deportou criminosos.

Para defender a atuação de sua política de imigração fascistoide, apresenta família que perderam parentes em crimes cometidos por imigrantes. Mas a realidade é que imigrantes cometem muito menos crimes proporcionalmente do que cidadãos norte-americanos.

Quando Trump defendia sua política anti-imigração, a deputada federal por Minnesota Ilhan Omar, de origem somaliana, disparou: "Você matou norte-americanos", numa referência às mortes de Renne Good e Alex Pretti, baleados pela polícia de imigração em Mineápolis em janeiro.

O presidente se congratulou por acabar com oito guerras. Não acabou com nenhuma. No máximo, intermediou um acordo de paz entre Armênia e Azerbaijão sem resolver os problemas históricos entre os dois países.

Às vésperas de um possível bombardeio ao Irã, Trump acusou o regime dos aiatolás de terrorismo e de ter matado 32 mil iranianos na onda de protestos recentes. Insistiu na mentira de que erradicou o programa nuclear do Irã. Declarou que o Irã nunca poderá ter armas nucleares nem mísseis capazes de atingir a Europa e as bases dos EUA no Oriente Médio.

"Minha preferência é resolver o problema diplomaticamente. Mas não se enganem, o maior patrocinador de terrorismo jamais poderá ter armas nucleares", ameaçou, ao defender sua estratégia de "paz através da força". Não revelou qual o objetivo de um possível ataque: acabar com o programa nuclear? Derrubar o regime? Proteger os manifestantes?

Ao falar dos "aliados e amigos" da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), citou o compromisso assumido de que cada país gaste 5% do produtos interno bruto com defesa a partir de 2035, o que exigiu para não retirar as forças dos EUA da Europa. Também se vangloriou de não mandar mais dinheiro para a Ucrânia: "Tudo o que estamos enviando para a Ucrânia fazemos através da OTAN e eles nos pagam." Os europeus compram armas e munições dos EUA.

Não esqueceu de falar do Hemisfério Ocidental, nome que usa para se referir à América, dizendo que garantiu a segurança e acabou com o tráfico de drogas através do mar. Em seu tom hiperbólico, chamou a captura e o sequestro do ditador venezuelano Nicolás Maduro para levá-lo para julgamento nos EUA uma das operações militares mais espetaculares da história.

"Estamos trabalhando com a nova presidente Delcy Rodríguez para gerar ganhos extraordinários para os dois países". O futuro da Venezuela é incerto. Por enquanto, Trump conchava com o regime em troca de petróleo.

Em outro momento, convoca a primeira-dama Melanie Trump para condecorar um aviador que teria enfrentado aviões da União Soviética durante a Guerra da Coreia (1950-53).

A resposta democrata foi feita pela governadora da Virgínia, Abigail Spanberger. Ela declarou que Trump não se preocupa com a segurança e a situação econômica do cidadão comum, que nunca se viu tanta corrupção. Citou o enriquecimento de um presidente e sua família, inclusive com criptomoedas e outros negócios suspeitos, e o escândalo sexual de Jeffrey Epstein. 

A governadora lembrou sua eleição e outras que o Partido Republicano perdeu desde a posse de Trump e afirmou que o Partido Democrata vai ganhar as eleições intermediárias de 3 de novembro porque "nós trabalhamos para o povo."

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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Grande adversária de Trump não será candidata à reeleição

Uma das figuras políticas mais importantes dos Estados Unidos nas últimas décadas, a deputada federal democrata Nancy Pelosi anunciou nessa quinta-feira que não será candidata à reeleição. Ela foi a primeira e única mulher a presidir a Câmara dos Representantes.

Nancy Patricia D'Alessandro nasceu em Baltimore, se formou em ciência política no Trinity College, em Washington, e se mudou para São Francisco da Califórnia, onde fez carreira política, Ela foi eleita para a Câmara pela primeira vez em 1987, quando a pandemia da aids estava dizimando a comunidade gay da cidade, e lutou para mitigar o impacto da doença.

Em 2003, Pelosi foi eleita líder da bancada democrata na Câmara e da oposição ao governo George W. Bush, posição que a levou à Presidência da Câmara quando os democratas conquistaram a maioria. Ela presidiu a Câmara de 2007 a 2011 e de 2019 a 2023, quando liderou a oposição na segunda metade do primeiro governo Donald Trump.

Grande adversária de Trump, iniciou dois processos de impeachment contra o presidente, que chamou de "a pior pessoa na face da Terra". Ao saber da notícia, Trump declarou que ela é uma pessoa má que fez muito mal ao país. Mas Nancy Pelosi conquistou seu lugar na história, enquanto Trump ainda aguarda o julgamento da história.

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terça-feira, 4 de novembro de 2025

Trump é grande perdedor em eleições nos EUA

 Um ano depois de ser amplamente derrotado por Donald Trump, o Partido Democrata venceu várias eleições realizadas hoje nos Estados Unidos por causa do fracasso e da impopularidade do presidente. É um mau presságio para o Partido Republicano tendo em vista as eleições de meio de mandato, daqui a um ano, quando deve perder a maioria na Câmara dos Representantes.

A eleição com maior visibilidade e impacto foi para prefeito de Nova York, vencida pelo deputado estadual Zohran Mamdani, um imigrante muçulmano social-democrata, representante de tudo o que Trump mais detesta. Na sua rede social, Trump acusou Mamdani de ser comunista e ameaçou não dar dinheiro público federal à Cidade de Nova York durante seu governo.

Os democratas também venceram as eleições para governador nos estados de Nova Jérsei, tradicionalmente democrata, e da Virgínia, que era governada pelo Partido Republicano e tem um histórico de alternância entre os dois grandes partidos norte-americanos.

Mamdani, de 34 anos, será o prefeito mais jovem da cidade em 133 anos. Ele venceu pela segunda vez o ex-governador de Nova York Andrew Cuomo, que caiu em desgraça e renunciou em agosto de 2021 depois de ser acusado de assédio sexual por 12 mulheres. O socialista ganhou de Cuomo a eleição primária do Partido Democrata e bateu o mesmo adversário hoje. 

Cuomo concorreu como independente. Teve o apoio dos magnatas da cidade mais rica dos EUA porque o adversário é socialista e da maioria dos judeus porque Mamdani é muçulmano e crítico do Estado de Israel, que acusa de ser um projeto colonialista e etnonacionalista.

Mais de 2 milhões de nova-iorquinos votaram, a maior participação desde 1969. Com 90% dos votos apurados, Mamdani tem mais de 1 milhão de votos, pouco mais da metade, contra 41,6% para Cuomo. Na campanha, ele teve o apoio do senador Bernie Sanders e da deputada federal Alexandria Ocasio-Cortez, ambos socialistas, e prometeu reduzir o custo de vida na maior e mais rica cidade dos EUA.

Na Virgínia, Abigail Spanberger vence com 57% contra 43% da republicana Winsome Earle-Sears, uma vitória esmagadora num estado onde Trump venceu. Será a primeira mulher a governar o estado. No discurso da vitória, ela prometeu fazer um governo suprapartidário e atacar os problemas criados pelas políticas da Trump. 

A Virgínia faz divisa com o Distrito de Colúmbia. O Departamento da Defesa (Pentágono) fica na Virgínia. O estado tem muitos funcionários públicos federais que foram atingidos pelas demissões realizadas pelo Departamento de Eficiência Governamental (Doge).

Em Nova Jérsei, a deputada federal democrata Mikie Sherrill, ex-pilota de helicóptero da Marinha e ex-procuradora federal, será a segunda mulher a governar o estado. Com quase 90% dos votos apurados, ela tem 56% contra 43% para o republicano Jack Ciattarelli, ex-deputado da Assembleia Legislativa estadual. Durante a campanha, ele pediu o fim do casamento de pessoas do mesmo sexo.

Na Califórnia, mais de 60% votaram a favor de um redesenho dos distritos eleitorais do estado para dar mais cinco cadeiras de deputados federais aos democratas para neutralizar o que está sendo feito no Texas e em outros estados governados por republicanos.

Também contribuiu para a derrota republicana o fechamento há mais de um mês das atividades não essenciais do governo dos EUA porque os dois partidos não chegaram a um acordo sobre o orçamento. Cerca de 42 milhões de norte-americanos não receberam os cupons de alimentação de que dependem para nutrição.

Uma pesquisa do jornal The Washington Post, da rede de televisão ABC e do instituto Ipsos sobre a avaliação do governo Trump ajuda a explicar a derrota republicana.


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quarta-feira, 25 de junho de 2025

Deputado socialista ganha primária democrata em Nova York

O deputado estadual Zohran Mamdani, de 33 anos, socialista e muçulmano, venceu a eleição primária do Partido Democrata para ser candidato a prefeito de Nova York, derrotando o ex-governador Andrew Cuomo, o favorito dos caciques do partido, que renunciou em 2021 em meio a um escândalo de assédio sexual.

Mamdani, que começou a campanha com 1%, teve 44% dos votos contra 36% de Cuomo. 
É mais um sinal da insatisfação dos eleitores democratas com a cúpula do partido. É filho de imigrantes. O pai, Mahmood Mamdani, professor de antropologia, ciência política e estudos africanos na Universidade de Colúmbia, nasceu em Bombaim (hoje Mumbai), na Índia, e foi expulso de Uganda quando o ditador Idi Amin mandou embora os indianos. 

Na campanha, ele prometeu ônibus de graça, congelamento dos aluguéis e armazéns governamentais para baixar o preço da comida. Mas Cuomo ganhou nas áreas mais pobres e de maioria negra.

O atual prefeito, Eric Adams, foi denunciado na Justiça Federal em setembro de 2024 por aceitar propina, fraude, conspiração e duas acusações de pedir contribuições de campanha para estrangeiros. Sob pressão do presidente Donald Trump, em abril deste ano a procuradoria federal retirou as acusações em troca da ajuda à caçada aos imigrantes.

Adams e Cuomo ameaçam concorrer como candidatos independentes para tentar barrar a vitória de Mamdani. A eleição para prefeito de Nova York será em 4 de novembro.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Trump volta à Casa Branca prometendo vingança

 Com vitórias em todos os estados-chaves, o ex-presidente Donald Trump está eleito presidente dos Estados Unidos. Vence não só no Colégio Eleitoral, mas no voto popular, o que era totalmente inesperado. Trump melhorou sua votação entre negros e latinos, e conquistou votos em toda parte, inclusive nos cinco bairros de Nova York.

O grande derrotado é o presidente Joe Biden, que insistiu em ser candidato, apesar da idade avançada, ao contrário do que havia prometido na campanha de 2020. Nos primeiros anos de governo, ele escondeu a vice-presidente Kamala Harris.

Nenhum partido manteve o poder nos EUA com um presidente com apenas 41% de aprovação. A vitória de Trump dá um ânimo à extrema direita e à ascensão do neofascismo em escala global. O grande vencedor é o ditador da Rússia, Vladimir Putin.

As políticas ambientais de Biden também devem ser anuladas. Trump já disse que é preciso acabar com a mentira do aquecimento global. O negócio dele é gás e petróleo

O grande argumento da campanha de Trump foi a economia. Há uma semana, o jornal conservador The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York, que apoia Trump, afirmou que o próximo governo vai herdar uma economia formidável, mas 72% dos norte-americanos acreditam que o país estava indo na direção errada.

Trump vendeu a ideia de que é mais competente na economia, mas é um empresário que faliu seis vezes, declarou os maiores prejuízos de 1990 e 1991 em todo o país e ficou 10 anos sem pagar imposto de renda federal sob a alegação de que não ganhou dinheiro.

O ex-presidente é uma ameaça à mais antiga democracia do mundo. É o único presidente que não reconheceu a derrota e tentou dar um golpe de Estado para ficar no poder. Incentivou a invasão do Congresso para tentar impedir a certificação da vitória de Biden em 6 de janeiro de 2021.

Por mais inacreditável que pareça, um criminoso condenado será o próximo presidente dos EUA. Trump concorreu principalmente para não ir para a cadeia – e conseguiu. Serão quatro anos de caos, sangue, suor e lágrimas.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Kamala Harris sai da convenção como favorita à Casa Branca

 Com um discurso firme, corajoso e confiante, a vice-presidente Kamala Harris aceitou oficialmente esta noite a candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos em 5 de novembro. Nestes 74 dias, muito pode acontecer. A eleição está longe de estar ganha, mas as últimas pesquisas dão ligeira vantagem a Harris e, com o entusiasmo que sua candidatura gerou ao substituir o idoso presidente Joe Biden, Kamala sai da eletrizante convenção nacional do partido como favorita.

A primeira mulher negra e a primeira de origem asiática a ser vice-presidente e agora candidata à Casa Branca falou de sua vida pessoal de filha de uma biomédica indiana que foi para os EUA sonhando em descobrir a cura do câncer de seio e de um economista jamaicano, da vida difícil depois que os pais se separaram de um conselho da mãe: "Nunca reclame da injustiça. Faça alguma coisa a respeito."

Kamala disse que estudou direito para defender o povo. Como promotora e procuradora, enfrentou predadores sexuais, grandes bancos, cartéis do tráfico de armas e de drogas, e defendeu veteranos de guerra e trabalhadores demitidos.

Aos 58 anos, 20 a menos do que o ex-presidente Donald Trump, Kamala se apresentou como a renovação e o futuro, tentando captar o voto jovem e da maioria que não queria uma repetição da disputa entre Biden e Trump, e como a candidata que vai defender a democracia e trabalhar para todos. Foi também uma convenção família com casais fazendo gestos de afeto e carinho no palco.

Ao criticar o Projeto 2025, um plano para o segundo governo Trump feito pela ultraconservadora Heritage Foundation, ela acusou o ex-presidente de querer proibir o aborto nacionalmente, de propor um novo corte de impostos para os ricos, de vetar projeto bipartidário para aumentar a segurança na fronteira com o México e pelo ataque ao Congresso em 6 de janeiro de 2021 para impedir a certificação da vitória de Joe Biden, num golpe de Estado sem precedentes na história dos EUA.

Em política externa, Kamala prometeu manter a ajuda militar à Ucrânia e a Israel, defender o fim da guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), reconhecer os direitos nacionais do povo palestino e ser firme com ditaduras como o Irã e a Coreia do Norte, onde disse que "Kim Jong Un torce por Trump porque sabe que ele é manipulável e gostaria de ser um autocrata".

"Na luta entre democracia e tirania, sei onde os EUA devem estar", afirmou Kamala diante de uma plateia entusiasmada no fim de uma convenção com discursos importantes de Joe Biden, dos ex-presidentes Bill Clinton e Barack Obama, das ex-primeiras-damas Hillary Clinton e Michelle Obama, da jovem deputada Alexandria Ocasio Cortez, de republicanos dissidentes e da Oprah Winfrey, a maior apresentadora de televisão dos EUA. 

domingo, 21 de julho de 2024

Biden desiste da candidatura à reeleição e apoia Kamala

 Sob pressão do Partido Democrata depois de um debate desastroso e de gafes numa entrevista coletiva em que pretendia mostrar que tem condições de governar os Estados Unidos até os 86 anos, o presidente Joe Biden anunciou hoje que não vai disputar a reeleição em 5 de novembro. Em nota, ele destacou as principais realização de seu governo. Biden apoia a candidatura de sua vice-presidente, Kamala Harris.

Quando se candidatou em 2020 para barrar a reeleição do então presidente Donald Trump, Biden declarou que cumpriria um mandato e abriria caminho para novas lideranças democrata, especialmente para Kamala Harris, a primeira mulher vice-presidente e a primeira de origem africana ou asiática. Ela é filha de pai jamaicano e mãe indiana.

Biden pegou gosto pelo cargo e deu pouco espaço a Harris nesses três anos e meio. A idade avançada, a fragilidade física, o debate e as gafes enterraram a candidatura. Agora, Kamala Harris pode ser a primeira mulher presidente e a primeira de origem africana ou asiática.

Desde o início do primeiro debate presidencial, em 27 de junho, o desempenho calamitoso de Biden alarmou os caciques do Partido Democrata. A recuperação de um mau debate é possível, mas a percepção do eleitorado de que o presidente está velho demais não tem solução.

No fim da conferência de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 11 de julho, Biden deu uma entrevista de uma hora e meia para tentar desfazer as dúvidas a respeito de sua capacidade para governar. Mostrou um bom domínio dos temas em debate, mas apresentou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, como "presidente Putin" e chamou Trump de vice-presidente quando queria falar de Kamala Harris. Depois, deu duas entrevista à televisão sem dirimir as dúvidas sobre sua saúde.

A questão dominou o noticiário político nos EUA até a tentativa de assassinato do ex-presidente Donald Trump, em 13 de julho. O fracasso do atirador suscitou alegações de interferência divina por partidários do candidato republicano. Mas, em vez de fazer o discurso de aceitação pregando a conciliação e a união nacional, Trump foi o extremista de sempre, o único presidente dos EUA até hoje a não reconhecer a derrota e tentar dar um golpe de Estado para não entregar o poder.

O Partido Democrata precisa agora encontrar uma fórmula para escolher o candidato. Como vice-presidente, Harris tem a vantagem de poder usar o dinheiro arrecadado pela campanha de Biden. Mas há outros nomes fortes sendo citados, como a governadora de Michigan, Gretchen Withmer; os governadores da Califórnia, Gavin Newsom, da Pensilvânia, Josh Shapiro, de Maryland, Wes Moore, e de Illinois, Jay Robert Pritzker; o senador Sherrod Brown; e o deputado Dean Phillips.

Como o casal Bill e Hillary Clinton, os presidentes dos diretórios estaduais do Partido Democrata em todos os 50 estados apoiaram Harris, tudo indica que ela será a candidata, mas o ex-presidente Barack Obama, a ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi e os líderes no Senado e na Câmara ainda não endossaram a candidatura.

O comitê executivo da direção nacional do partido ficou de anunciar uma decisão na quarta-feira.

Pode haver uma eleição primária virtual ou deixar a decisão para a Convenção Nacional do Partido Democrata, a ser realizada de 19 a 22 de agosto em Chicago, mas uma mudança total de planos e o reinício da campanha a menos de três meses e meio da eleição seria um risco enorme. Mais importante será a unidade do partido para evitar a ameaça à democracia que representaria uma volta de Trump ao poder. Como observou um prefeito do partido, os democratas tem de decidir se se unem para ganhar ou brigam entre si para perder.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Democratas mantêm controle do Senado em derrota para Trump

 Apesar da impopularidade do presidente Joe Biden, que tem apenas 42% de aprovação, o Partido Democrata saiu relativamente bem nas eleições intermediárias, de meio de mandato, em 8 de novembro. Manteve o controle do Senado e ainda disputa, em desvantagem, a maioria na Câmara dos Representantes.

Com a derrota de quase todos os candidatos apoiados pelo presidente Donald Trump em eleições majoritárias, fica prejudica a candidatura à Casa Branca que ele pretende anunciar hoje. É a terceira derrota seguida do Partido Republicano sob a liderança de Trump.

O extremismo perdeu nas urnas. Ganhou a democracia norte-americana. Meu comentário:

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Hoje na História do Mundo: 12 de julho

    Em 1861, Wild Bill Hickok começa a criar fama como um dos pistoleiros mais rápidos do Oeste dos Estados Unidos ao balear três homens num tiroteio em Nebraska.

James Butler Hickok nasceu em Homer, no estado de Illinois. Aos 18 anos, em 1855, se mudou para o Kansas. Sua fama foi ampliada por um perfil publicado em 1867 na revista Harper's Monthly Magazine dizendo que ele havia matado nove homens sozinho, um evidente exagero.

Wild Bill morreu aos 39 anos, em 1876, com um tiro pelas costas. 

    Em 1957, Dwight Eisenhower é o primeiro presidente dos Estados Unidos a usar uma nova tecnologia da aviação: o helicóptero.

Os helicópteros começaram a ser testados em 1947. Foram necessários dez anos para começar a ser usado pelo presidente para pequenas viagens oficiais. Eisenhower sugeriu ao Serviço Secreto, que considerou o helicóptero mais seguro do que uma caravana de automóveis.

    Em 1984, a deputada federal Geraldine Ferraro é indicada candidata a vice-presidente de Walter Mondale, do Partido Democrata, torna-se a primeira mulher a fazer parte de uma chapa de um grande partido em uma  eleição presidencial nos Estados Unidos.

Quatro dias antes, ao abrir a Convenção Nacional Democrata, o governador de Nova York, Mario Cuomo, atacou a descrição que o presidente Ronald Reagan (1981-89) fazia dos EUA como "uma cidade brilhante no alto de uma colina", citando a pobreza e o conflito racial. Mas a candidatura feminina não salvou a chapa.

Mondale, vice-presidente no governo Jimmy Carter (1977-81), e Ferraro perderam a eleição para Reagan e George Bush em todos os estados, menos Minnesota, o estado natal do candidato.

Em 2021, a senadora Kamala Harris se tornou a primeira mulher vice-presidente. A ex-secretária de Estado e ex-senadora Hillary Clinton disputou a Casa Branca em 2016. Era favorita nas pesquisas, ganhou por 2,8 milhões no voto popular, mas perdeu para Donald Trump no Colégio Eleitoral.

domingo, 27 de dezembro de 2020

Trump sanciona plano de estímulo e orçamento dos EUA

 Depois de chamar de "desgraça" e de ameaçar vetar o plano de estímulo à recuperação econômica da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus e o orçamento federal dos Estados Unidos, exigindo mudanças no projeto aprovado no Congresso, o presidente Donald Trump sancionou a lei hoje à noite na sua mansão na Flórida. Evitou assim a paralisação do governo a partir do dia 29 de dezembro e autorizou a concessão de um auxílio-desemprego extra para 14 milhões de americanos.

Durante uma semana, o presidente segurou a sanção do projeto, que incluiu um orçamento de emergência de US$ 900 bilhões (R$ 4,662 trilhões) e mais US$ 1,4 trilhão (R$ 7,252 trilhões) para financiar o governo federal dos EUA até setembro de 2021, quando termina o atual ano fiscal. 

Trump chegou a exigir um aumento de US$ 600 (R$ 3.108) para US$ 2 mil (R$ 10.360) na ajuda direta a quem ganha até US$ 75 mil por ano. A oposição democrata tentou aprovar a mudança, mas não obteve o apoio do Partido Republicano, liderado por Trump. Agora, os cheques podem chegar nesta semana.

Em declaração divulgada depois de assinar a lei, o presidente afirmou que "muito mais dinheiro está vindo, eu nunca vou abandonar minha luta pelo povo americano". Trump ainda insiste em que venceu a eleição presidencial de 3 de novembro e tenta se articular com deputados e senadores fiéis para tumultuar o recebimento pelo Congresso, em 6 de janeiro, do resultado da votação no Colégio Eleitoral.

"O atraso sem sentido na aprovação da legislação de alívio custou a milhões de americanos uma semana de auxílio-desemprego relativo à pandemia de que eles precisam desesperadamente", declarou o presidente da Comissão de Finanças da Câmara, Richard Neal. "Sua obstrução só intensificou a ansiedade e a dureza para trabalhadores e famílias que sofrem com os danos colaterais de seu jogo político. Agora, as pessoas terão de esperar um pouco mais pela chegada da ajuda direita e de outros benefícios vitais."

A 23 dias da posse do presidente eleito, Joe Biden, o presidente em fim de mandato tem cada vez menos poder, mas ainda pode criar problemas para o futuro governo. Numa afronta à Justiça, deu indulto a 46 amigos, congressistas corruptos e criminosos de guerra.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Economia dos EUA teve saldo de 638 mil vagas em outubro

O mercado de trabalho dos Estados Unidos registrou melhora em outubro, abrindo 638 mil vagas de emprego a mais do que fechou, mas o ritmo de contratações diminuiu e há pelo menos 10 milhões de trabalhadores empregados a menos do que no início da pandemia do coronavírus de 2019. A taxa de desemprego, medida em outra pesquisa, caiu um ponto percentual para 6,9%. 

Com a covid-19 e a incerteza em torno do resultado das eleições, a expectativa é de desaceleração da retomada da economia e do emprego. O ex-vice-presidente Joe Biden está perto da vitória, mas o presidente Donald Trump se nega a aceitar o resultado e vai à Justiça para tentar anular os votos enviados pelo correio. E a pandemia bate recordes de contágio, com 107,7 mil casos novos na quarta-feira e 121,5 mil na quinta-feira, de acordo com o jornal The New York Times.

A maior economia do mundo precisa de um novo pacote de estímulo, como pede o presidente do Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central americano, Jerome Powell. Como o Partido Republicano deve manter o controle do Senado, não será um estímulo tão grande quanto aos US$ 2,4 trilhões, aprovados na Câmara, onde o Partido Democrata manteve a maioria.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Trump dobra a aposta na denúncia vazia de fraude

Em mais um pronunciamento patético na Casa Branca, sem apresentar qualquer prova, o presidente Donald Trump insistiu que a eleição presidencial lhe está sendo roubada por uma fraude maciça, enquanto sua vantagem diminui nos estados da Geórgia e da Pensilvânia. 

Na Geórgia, o ex-vice-presidente Joe Biden está apenas 1.709 votos atrás; na Pensilvânia, a vantagem do presidente caiu para 22,5 mil. Se Biden ganhar em um desses estados e mantiver a dianteira em Nevada, será o próximo presidente dos Estados Unidos.

Três emissoras de televisão, ABC, NBC e MSNBC interromperam o pronunciamento do presidente para avisar ao público que ele estava mentindo. Mais cedo, juízes da Geórgia e de Michigan rejeitaram recursos da campanha de Trump para parar a contagem. 

O presidente pretende contestar o resultado em todos os estados onde Biden obtiver uma vitória apertada. Seus partidários protestam nas ruas de várias cidades, mas dentro do próprio Partido Republicano vozes se levantam em defesa da democracia.

O resultado das eleições também foi decepcionante para o Partido Democrata. Não houve a esperada onda azul para varrer o trumpismo, apesar do fracasso total do presidente no combate à pandemia do novo coronavírus. Os democratas perderam cadeiras na Câmara e não conseguiram virar o Senado. Meu comentário:

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Trump rompe negociação de plano de estímulo

O presidente Donald Trump manda o Partido Republicano suspender as negociações no Congresso sobre um novo plano de estímulo para a economia dos Estados Unidos. A prioridade do presidente é aprovar a nomeação da desembargadora federal Amy Coney Barrett para a Suprema Corte. Enquanto isso, 140 mil pequenas empresas americanas faliram durante a pandemia e não abre mais.

A maioria do Partido Democrata na Câmara dos Representantes aprovou um pacote econômico de US$ 2,4 trilhões, quase R$ 13,42 trilhões, com ajuda a pessoas, pequenas empresas, o setor aéreo, estados e municípios. A maioria republicana no Senado apresentou uma proposta de US$ 1,6 trilhão, cerca de R$ 8,945 trilhões.

Trump alegou que a Câmara quer dar dinheiro para governos democratas incompetentes que já tinham problemas financeiros antes da pandemia e prometeu um grande plano de estímulo se ganhar a eleição presidencial de 3 de novembro. As bolsas de valores caíram no mundo inteiro. 

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, defensora dos programas de incentivo, advertiu que a covid-19 é uma "calamidade que está longe do fim". E o presidente do banco central dos EUA, Jay Powell, observou que "um estímulo pequeno é pior do que um grande demais".

O total de casos nos EUA está em quase 7,5 milhões de casos confirmados e 211 mil mortes. No mundo inteiro, já são 35,731 milhõescasos confirmados e 1,048 milhão de mortes.

Com 798 mortes e 30.454 casos novos, o Brasil chegou a 147.494 mortes e 4.970.953 casos confirmados. A média diária de mortes dos últimos sete dias está em 652. Meu comentário:

domingo, 30 de agosto de 2020

Joe Biden: um homem decente para acabar com "período de trevas"

Ex-vice-presidente é a esperança democrata para derrotar Donald Trump

Depois de 32 anos, na terceira tentativa, o ex-senador e ex-vice-presidente Joe Biden será o candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos na eleição de 3 de novembro. Ele promete acabar com o “período de trevas”. 

É alguém com quem um americano comum de qualquer origem tomaria cerveja e jogaria conversa fora no boteco da esquina. Contrasta com a arrogância elitista e a falsidade do presidente Donald Trump, que desde que chegou a Casa Branca até 13 de julho mentiu 20 mil vezes, de acordo com o jornal The Washington Post.

No melhor discurso da convenção partidária que homologou sua candidatura, na semana passada, a ex-primeira-dama Michelle Obama o apresentou como um “homem profundamente decente guiado pela fé. Ele foi um tremendo vice-presidente. Sabe o que é preciso para resgatar nossa economia, bater a pandemia e liderar o país. Ele ouve, vai dizer a verdade e confiar na ciência. Vai fazer planos inteligentes e dirigir uma boa equipe.”

Leia mais Quarentena News.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Brasil, Índia e África do Sul terão maior dificuldade de recuperação, prevê consultoria

O Brasil, a Índia e a Africa do Sul devem ser os países do Grupo dos Vinte com maior dificuldade de recuperação da pandemia do coronavírus de 2019. O G-20 reúne os 19 países mais ricos do mundo e a União Europeia. 

Para a empresa britânica de consultoria estratégica e risco global Verisk Maplecroft, Brasil, Índia e África do Sul terão problemas por ineficiência da máquina do Estado e corrupção sistêmica, com ameaça de agitação social e protestos. 

Brasil, índia e África do Sul têm 10 por cento do produto mundial bruto, estimado em 87 trilhões de dólares ou 481 trilhões de reais no ano passado pelo Fundo Monetário Internacional.

Nesta quarta-feira, o Brasil registrou 1.170 mortes e mais de 48,5 mil casos novos, totalizando 111.189 mortes e 2,615 milhões de casos confirmados. No mundo, já são 22,5 milhões de casos confirmados, 790 mil mortes e mais de 15 milhões de pacientes recuperados. 

Os Estados Unidos têm mais de 5,5 milhões de casos confirmados e 173 mil mortes.

A Índia está em terceiro lugar em número de casos (2,8 milhões) e em quarto no número de mortes (54 mil), logo atrás do México, onde a covid-19 matou quase 58,5 mil pessoas. Meu comentário:

sábado, 8 de agosto de 2020

Brasil ultrapassa 100 mil mortes e 3 milhões de casos de Covid-19

Com mais 841 mortes e 46.305 casos notificados hoje, o Brasil chegou a 100.543 óbitos e 3.013.100 casos confirmados da pandemia do coronavírus de 2020. Os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal declararam luto nacional. Indiferente à tragédia anunciada o presidente Jair Bolsonaro divulgou uma foto sorrindo para festejar a conquista pelo Palmeiras do Campeonato Paulista.

O governo federal se defendeu alegando que 2 milhões de pacientes se recuperaram, mas a perda de 100 mil vidas é inaceitável e o número só não é maior por causa das medidas de confinamento adotadas por governo estaduais e municipais e por dois ministros da Saúde demitidos por Bolsonaro.

Nos Estados Unidos do fracasso das negociações dos partidos Republicano e Democrata sobre um novo plano de sustentação da economia, o presidente Donald Trump baixou vários decretos cortando impostos sobre a folha de pagamento e prorrogando a ajuda aos desempregados.

O Partido Democrata alega que as medidas são inconstitucionais porque só o Congresso pode autorizar aumentos nos gastos públicos. É mais uma manobra eleitoreira de Trump.

Atrás mas pesquisas, o presidente luta desesperadamente para se recuperar e busca desculpas para justificar a derrota. Acusa a China, a oposição democrata e o voto pelo correio. Um acordo seria importante para os republicanos tentarem manter a maioria no Senado.

A oposição democrata aprovou na Câmara um programa de estímulo de US$ 3 trilhões prorrogando uma ajuda de US$ 600 por semana aos desempregados. O secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, alegou que a quantia seria maior do que o salário que os beneficiados ganhariam trabalhando e, assim, um desestímulo à produção.

O Partido Republicano queria limitar o plano a US$ 1 trilhão. Chegou a ser apresentada uma proposta intermediária, de US$ 2 trilhões, mas não houve acordo.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Sanders abandona disputa e Biden será candidato democrata contra Trump

Com a retirada hoje do senador socialista Bernie Sanders, o ex-vice-presidente Joe Biden é o virtual candidato do Partido Democrata para enfrentar o presidente Donald Trump na eleição presidencial de 3 de novembro nos Estados Unidos.

Pouco mais de um mês atrás, até a superterça-feira, 3 de março, o senador liderava as eleições primárias do partido. Biden reagiu com grandes vitórias na Carolina do Sul, onde pesou a força do voto negro para o vice do presidente Barack Obama, e na superterça-feira.

Sanders não esperou o resultado da eleição primária realizada ontem no estado de Wisconsin: "Quero expressar a cada um minha profunda gratidão por ajudarem a criar uma campanha política de base sem precedentes com um profundo impacto sobre a mudança em nossa nação."

O senador, que teria grandes dificuldades para derrotar Trump por se apresentar como socialista no maior país capitalista do mundo, também agradeceu a "centenas de milhares de voluntários que bateram em milhões de portas no inverno gelado de Iowa e Novo Hampshire e no calor de Nevada e da Carolina do Sul, e em todo o país."

Cerca de 2,1 milhões de americanos contribuíram para a campanha de Sanders fazendo 10 milhões de doações com a média de US$ 18,50 cada. "Juntos, transformamos a consciência americana sobre o tipo de país que podemos ser e demos um grande passo à frente na luta sem fim por justiça econômica, social, racial e ambiental."

Entre suas propostas, Sanders defendeu a criação de um sistema universal de saúde pública, universidade gratuita, salário mínimo de US$ 15 por hora e taxação das grandes fortunas. Uma das principais acusações a seus adversários na campanha democrata era que recebiam dinheiro de bilionários, bancos e grandes empresas.

Em nota distribuída via Internet, Sanders citou a atual pandemia do novo coronavírus como exemplo da necessidade de ter um sistema público de saúde robusto e cumprimentou o ex-vice-presidente, "um homem decente", pela vitória, destacando a necessidade de união para vender Trump, que descreveu como "o presidente mais perigoso da história dos EUA".

A grande dúvida é se o eleitorado jovem mobilizado pela pregação esquerdista do senador pelo estado de Vermont vai apoiar o moderado Joe Biden, mais identificado com o status quo. Sanders prometeu uma "revolução jovem", mas o eleitorado jovem é o que menos participa de eleições nos EUA, onde o voto não é obrigatório.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Biden vence mais três primárias e consolida candidatura à Casa Branca

Com mais três amplas vitórias em eleições primárias em estados importantes, Flórida, Illinois e Arizona, o ex-vice-presidente Joe Biden aumentou sua liderança na disputa pela candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos em 3 de novembro. 

A pressão para que o senador socialista Bernie Sanders desista e se una à campanha contra o presidente Donald Trump tende a aumentar. Na prática, ele não tem mais chance de provocar uma reviravolta.

Ao lado de Nova York, a Flórida é o terceiro estado que mais manda delegados ao Colégio Eleitoral que elege o presidente dos EUA (29), depois da Califórnia (55) e do Texas (38). É um estado com grande população de origem latino-americana que, ao contrário de outros estados, vota no Partido Republicano por causa da questão cubana.

Lá, Biden conquistou 61,9% dos votos e leva 130 delegados à Convenção Nacional Democrata, que vai indicar oficialmente o candidato, contra 22,8% e 48 delegados para Sanders.

Em Illinois, o estado onde o ex-presidente Barack Obama iniciou a carreira política, Biden venceu por 59,1% a 36,1%, conquistando 93 delegados contra 46 para Sanders.

É o estado onde fica Chicago, a terceira maior e mais importante cidade dos EUA, depois de Nova York e Los Angeles. Tem uma grande população negra que se identifica com Obama, é o quarto estado que mais envia delegados ao Colégio Eleitoral (20) e será decisivo na eleição presidencial.

No Arizona, um estado do Oeste com grande população de latinos e aposentados, por causa do calor, onde o Partido Republicano costuma vencer, a apuração ainda não terminou. Com 88% das urnas apuradas, Biden tem 43,6% contra 31,6% para Sanders.

Por enquanto, Biden leva 26 delegados e Sanders 22 à convenção democrata. Para o Colégio Eleitoral, o Arizona manda 11 delegados.

O estado de Ohio também deveria realizar eleições prévias hoje. As autoridades de saúde proibiram por causa da pandemia do novo coronavírus. A votação deve ser realizada pelo correio.

Por causa da pandemia, o Partido Democrata cogita não realizar sua convenção nacional. Se o candidato estiver definido, melhor. A campanha eleitoral migrou para a Internet. O fracasso da resposta inicial do governo Donald Trump ao coronavírus e a possível recessão ajudam a oposição.

terça-feira, 10 de março de 2020

Biden ganha primárias democratas em Michigan, Missouri e Mississípi

Com uma grande vitória no estado de Michigan, maior prêmio das eleições prévias de hoje, o ex-vice-presidente Joe Biden reafirma sua liderança na disputa pela candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos em 3 de novembro.

Apurados dois terços dos votos em Michigan, centro história da indústria automobilística americana, Biden lidera com 53% contra 39% para o senador socialista Bernie Sanders. No Mississípi, o estado mais pobre do país, onde o eleitorado democrata é sobretudo negro, o ex-vice-presidente venceu por 81% a 15%. No Missouri, a vitória foi de 60% a 34%.

Também realizam primárias hoje os estados de Dakota do Norte, Idaho e Washington. No fim da noite, Biden venceu em Idaho e Sanders em Dakota do Norte. No estado de Washington, a apuração ainda não acabou.

No discurso da vitória, na cidade da Filadélfia, onde cancelou um comício por causa da epidemia do coronavírus, depois de citar todos os ex-pré-candidatos democratas que aderiram à sua campanha, Biden se dirigiu aos partidários do adversário: "Quero agradecer a Bernie Sanders e seus partidários por sua energia inesgotável e sua paixão. Temos um objetivo comum. Juntos, vamos derrotar Donald Trump."

Em Michigan, Sanders obteve uma ampla vitória sobre Hillary Clinton nas eleições primárias de 2016. Na eleição presidencial, Hillary perdeu para o presidente Donald Trump por pouco mais de 10 mil votos. Fui um dos estados decisivos, ao lado de Ohio, Pensilvânia e Wisconsin, para a eleição de Trump.

Ao derrotar Sanders num estado onde o partido tem uma forte base operária, Biden se mostra capaz de vencer Trump num estado-chave em novembro.

Joe Biden tem o voto do eleitorado negro, em parte por ter sido vice-presidente de Obama, e a maioria do voto latino-americano por causa da perseguição de Trump a imigrantes. Seu desafio é reconquistar os eleitores das classes média e baixa branco sem curso superior que abandonaram o Partido Democrata e votaram no atual presidente.

Na disputa pelos delegados à Convenção Nacional do Partido Democrata que vai indicar o candidato da oposição de 13 a 16 de julho em Milwaukee, no estado de Wisconsin, Biden tem agora 812 contra 655 para Sanders.

Para garantir a indicação, um candidato preciso do apoio de no mínimo 1.991 delegados. Nesta noite, restam 129 delegados a serem alocados de acordo com os resultados das primárias ainda em apuração.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Senadora Elizabeth Warren abandona campanha à Presidência dos EUA

Depois de um desempenho medíocre na superterça-feira, a senadora Elizabeth Warren vai desistir da candidatura à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, anunciou hoje a mídia americana, citando como fonte funcionários da campanha. Ainda não está claro se ela vai apoiar outro candidato.

Warren faz parte da ala mais à esquerda do partido. Como o senador socialista Bernie Sanders, defende a taxação dos bilionários, a criação de um sistema de saúde pública e a universidade gratuita. Mas não há garantia de que seus eleitores passem automaticamente a apoiar Sanders.

Parte dos eleitores de Warren seria gente que votou em Hillary Clinton contra Sanders na campanha de 2016 na expectativa de ver uma mulher na Casa Branca.

Na superterça-feira, Warren não ganhou nem em seu estado, Massachusetts. Ficou em terceiro, atrás do ex-vice-presidente Joe Biden, líder da disputa entre os democratas, e de Sanders.

Ao anunciar oficialmente a retirada, Warren optou por não apoiar nenhum candidato, dando a seus eleitores total liberdade para escolher.