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segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Trump volta à Casa Branca com sede de vingança

Com um discurso rancoroso, vingativo e fascistoide, Donald Trump tomou posse hoje como o 47º presidente da história dos Estados Unidos depois de tentar um golpe de Estado sem precedentes na história do país para não entregar o poder em 2021. É o segundo a cumprir dois mandatos não consecutivos, depois de Grover Cleveland (1885-89 e 1893-97). 

Depois de escapar por pouco da cadeia e sobreviver a duas tentativas de assassinato, Trump está de volta para se vingar de supostos inimigos, mudar políticas históricas que os EUA adotam desde a Segunda Guerra Mundial, negar o aquecimento global, acabar com a proteção às minorias e testar os limites da democracia num momento de ascensão do neofascismo em escala global.

Diante de todos os ex-presidentes dos norte-americanos vivos – Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Joe Biden –, Trump acusou o governo dos EUA de persegui-lo por razões politicas e prometeu acabar com isso. Mas é exatamente o que pretende fazer, usar o Departamento da Justiça contra adversários políticos enquanto perdoa aliados como os mais de 1,5 mil vândalos e terroristas condenados pelo ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 para impedir a certificação da vitória de Joe Biden, o que causou sete mortes.

Do lado de fora de uma prisão em Washington, as milícias aliadas Proud Boys e Oath Keepers fazem vigília à espera da libertação de seus condenados pelo assalto ao Congresso. Trump quer que saiam ainda nesta noite. O líder dos Proud Boys estava condenado a 22 anos de prisão. É conivência com a violência de extrema direita.

No primeiro dia de governo, o plano é assinar cerca de 200 decretos para fechar a fronteira com o México para barrar imigrantes ilegais, iniciar seu programa de deportação em massa, acabar com restrições à exploração de gás e petróleo e outras medidas ambientais de Biden, retirar os EUA do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e da Organização Mundial da Saúde, acabar com as políticas federais de inclusão social e perdoar a malta que atacou o Congresso.

Também prometeu mandar astronautas para fincar a bandeira dos EUA em Marte, sob aplausos do bilionário Elon Musk, cliente do programa espacial norte-americano, e ignorou a Constituição ao decretar que filhos de imigrantes ilegais nascidos nos EUA não têm direito a cidadania. Este direito está na 14ª Emenda à Constituição do país, aprovada depois da Guerra da Secessão (1861-65), que acabou com a escravidão.

Para mudar a Constituição dos EUA, são necessários dois terços dos votos na Câmara e no Senado e a ratificação por pelo menos 75% dos estados. Por isso, é tão difícil de mudar. Os procuradores de 22 estados recorreram da medida. Mesmo se perder, Trump ganha pontos junto a seu eleitorado extremista. 

Sob o pretexto de proteger os trabalhadores norte-americanos e reindustrializar o país, Trump aposta em energia barata de combustíveis fósseis e tarifas de importação. Abandona assim a política de livre comércio que os EUA adotam desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Trump reiterou a ameaça de impor tarifas de importação de 100% se os países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia) pararem de usar o dólar nas transações entre si.

Com o lema "os EUA, primeiro", Trump também abandona uma política externa de 80 anos iniciada pelo presidente Franklin Roosevelt (1933-45) de agir no plano internacional em conjunto com aliados. 

Ao sugerir que o Canadá deve ser o 51º estado dos EUA, em tomar a Groenlândia e o Canal do Panamá, além de revelar mais um traço de seu caráter fascista, Trump manifesta desprezo pelos aliados. Ao enquadrar os cartéis do tráfico de drogas como organizações terroristas, deixa no ar a ameaça de intervenção militar no México.

Aliás, o bilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, ministro nomeado por Trump para tornar o Estado mais eficiente, fez uma saudação nazista num dos palcos da posse.

Serão quatro anos de incerteza e imprevisibilidade na Casa Branca e no mundo. O primeiro teste será a promessa de acabar com a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Trump vai capitular diante do ditador russo, Vladimir Putin? A Europa aguarda com ansiedade.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Economia derrotou Kamala Harris

 A grande razão da vitória do ex-presidente Donald Trump foi o descontentamento do eleitor dos Estados Unidos com o governo Joe Biden e especialmente com a economia. Sob o impacto da pandemia, a inflação subiu a 9,1% ao ano, o maior nível em 41 anos. Agora, está em 2,4%. Os preços pararam de subir tanto, mas não caíram. O custo de vida subiu cerca de 20% e a vice-presidente Kamala Harris foi punida por isso e o Partido Democrata por abraçar o neoliberalismo desde o governo Bill Clinton (1993-2001).

Nesta quarta-feira, Kamala telefonou para cumprimentar Trump e prometeu uma transição de poder pacífica, ao contrário do que o ex-presidente fez em 2021, quando mandou seus partidários atacar o Congresso para impedir a certificação da vitória de Biden. Os dois prometeram trabalhar juntos para unir o país. Biden também ligou para Trump e o convidou a ir à Casa Branca para negociar a transição.

Mais tarde, Kamala fez um discurso para os militantes democratas e insistou na mensagem: "Quando a gente luta, nós ganhamos, mas a luta pode levar tempo. (...) O importante é não desistir de tentar criar um mundo melhor."

Foi também uma vitória do fascismo, do racismo, do machismo e da ignorância. A grande clivagem foi entre os com e sem diploma de curso superior. É um sintoma do declínio relativo dos EUA, onde as eleições sempre foram vencidas pelo centro, atraindo os votos de eleitores independentes, que não votam sempre no mesmo.

Trump conseguiu convencer a maioria do eleitorado de que é um defensor da classe trabalhadora, quando toda sua vida empresarial e política indica exatamente o contrário. É um bilionário. Vai governar para bilionários como Elon Musk.

Suas propostas econômicas de cortar impostos para os ricos e grandes empresas vão aumentar a dívida pública e, se aplicar o tarifaço prometido na campanha, certamente vai gerar inflação.

Em política externa, Trump deve ser isolacionista, o que assusta os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e cortar a ajudar militar à Ucrânia, talvez por força de seu relacionamento com o ditador da Rússia, Vladimir Putin. O jornalista Bob Woodward, um dos que descobriu o Escândalo de Watergate, acredita que Putin deve saber se segredos de Trump e vai continuar manobrando para manipular o ex-presidente.

Este é o maior ano eleitoral da história. Cerca de 4 bilhões de pessoas foram ou vão às urnas. A grande maioria tem punido os governos do dia.

Para o Brasil, a grande lição é que, se Trump tivesse sido condenado pela tentativa de golpe de 6 de janeiro de 2021, estaria inelegível. Assim é preciso processar o ex-presidente Jair Bolsonaro e os militares golpistas que o apoiam para impedir que voltem.

Trump volta à Casa Branca prometendo vingança

 Com vitórias em todos os estados-chaves, o ex-presidente Donald Trump está eleito presidente dos Estados Unidos. Vence não só no Colégio Eleitoral, mas no voto popular, o que era totalmente inesperado. Trump melhorou sua votação entre negros e latinos, e conquistou votos em toda parte, inclusive nos cinco bairros de Nova York.

O grande derrotado é o presidente Joe Biden, que insistiu em ser candidato, apesar da idade avançada, ao contrário do que havia prometido na campanha de 2020. Nos primeiros anos de governo, ele escondeu a vice-presidente Kamala Harris.

Nenhum partido manteve o poder nos EUA com um presidente com apenas 41% de aprovação. A vitória de Trump dá um ânimo à extrema direita e à ascensão do neofascismo em escala global. O grande vencedor é o ditador da Rússia, Vladimir Putin.

As políticas ambientais de Biden também devem ser anuladas. Trump já disse que é preciso acabar com a mentira do aquecimento global. O negócio dele é gás e petróleo

O grande argumento da campanha de Trump foi a economia. Há uma semana, o jornal conservador The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York, que apoia Trump, afirmou que o próximo governo vai herdar uma economia formidável, mas 72% dos norte-americanos acreditam que o país estava indo na direção errada.

Trump vendeu a ideia de que é mais competente na economia, mas é um empresário que faliu seis vezes, declarou os maiores prejuízos de 1990 e 1991 em todo o país e ficou 10 anos sem pagar imposto de renda federal sob a alegação de que não ganhou dinheiro.

O ex-presidente é uma ameaça à mais antiga democracia do mundo. É o único presidente que não reconheceu a derrota e tentou dar um golpe de Estado para ficar no poder. Incentivou a invasão do Congresso para tentar impedir a certificação da vitória de Biden em 6 de janeiro de 2021.

Por mais inacreditável que pareça, um criminoso condenado será o próximo presidente dos EUA. Trump concorreu principalmente para não ir para a cadeia – e conseguiu. Serão quatro anos de caos, sangue, suor e lágrimas.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Kamala vence debate e ganha apoio de Taylor Swift

 No primeiro e talvez único debate entre os dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos em 5 de novembro, a vice-presidente Kamala Harris conseguiu colocar o ex-presidente Donald Trump na defensiva, acusando-o de racismo e extremismo, apresentando-se como mais presidencial. Uma pesquisa da rede de televisão CNN lhe deu a vitória por 63% a 37%.

Assim que o debate acabou, a cantora e compositora Taylor Swift, que tem 200 milhões de seguidores nas redes sociais, anunciou o apoio a Kamala, importante na era em que a campanha se faz na rede mundial de computadores.

O debate começou com o tema que mais preocupa os eleitores, a economia. Desde o início, Trump colocou o problema da imigração ilegal, mas derrapou na questão do aborto. Perdeu a compostura quando Kamala disse que as pessoas estavam saindo mais cedo dos comícios do candidato republicano.

Trump começou a gritar e mentir. Falou, por exemplo, que o vice-presidente de Kamala, Tim Walz, é a favor não só de aborto até o nono mês da gravidez como o assassinato de recém-nascidos. Os mediadores deixaram claro que isso é proibido em todos os EUA. Trump também disse que imigrantes haitianos estão roubando e matando cães e gatos de estimação para comer em Springfield, na Pensilvânia, o estado mais decisivo nesta eleição.

Até como comandante em chefe, Kamala foi melhor do que Trump, que parecia velho e cansado. Ela o acusou de ser leniente com ditadores e desrespeitoso com os aliados. Talvez o melhor momento de Trump tenha sido no final, quando perguntou: se tem tantos planos, por que não fez durante os três anos e meio em que é vice-presidente.

A estratégia do ex-presidente é atacar o governo Joe Biden na economia, imigração ilegal e de ser um líder fraco por causa das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, e associar Kamala a um presidente impopular. Ela afirmou que "claramente não sou Biden" para se apresentar como novidade e não como a continuação de um governo mal avaliado, principalmente por causa da inflação e da alta no custo de vida.

Depois da discussão feroz, a campanha democrata propôs a realização de mais um debate. Trump alegou ser uma manobra de quem perdeu, mas foi ele que foi à sala de imprensa dar explicações aos jornalistas. Normalmente isso é feito por assessores.

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Kamala Harris não comete erros mas é vaga na primeira entrevista

 A pouco mais de dois meses da eleição presidencial nos Estados Unidos, a vice-presidente Kamala Harris não cometeu erros, mostrou confiança, firmeza e um tom presidencial ontem na primeira entrevista como candidata oficial do Partido Democrata. Sobre as mudanças de posição, afirmou que "meus valores não mudaram". Ela prometeu convidar membros do Partido Republicano para seu ministério numa tentativa de acabar com a brutal divisão do país estimulada pelo ex-presidente Donald Trump.

Em 27 minutos, ao lado do candidato a vice-presidente, o governador de Minnesota, Tim Walz, Kamala respondeu a todas as perguntas com seriedade, acusou Trump de pressionar a bancada republicana no Congresso para derrubar um projeto bipartidário para aumentar a segurança na fronteira e criar uma economia com oportunidades para todos. Não explicou como pretende fazer isso.

Os dois candidatos à Casa Branca devem se enfrentar num debate na rede de televisão ABC em 10 de setembro.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Kamala Harris sai da convenção como favorita à Casa Branca

 Com um discurso firme, corajoso e confiante, a vice-presidente Kamala Harris aceitou oficialmente esta noite a candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos em 5 de novembro. Nestes 74 dias, muito pode acontecer. A eleição está longe de estar ganha, mas as últimas pesquisas dão ligeira vantagem a Harris e, com o entusiasmo que sua candidatura gerou ao substituir o idoso presidente Joe Biden, Kamala sai da eletrizante convenção nacional do partido como favorita.

A primeira mulher negra e a primeira de origem asiática a ser vice-presidente e agora candidata à Casa Branca falou de sua vida pessoal de filha de uma biomédica indiana que foi para os EUA sonhando em descobrir a cura do câncer de seio e de um economista jamaicano, da vida difícil depois que os pais se separaram de um conselho da mãe: "Nunca reclame da injustiça. Faça alguma coisa a respeito."

Kamala disse que estudou direito para defender o povo. Como promotora e procuradora, enfrentou predadores sexuais, grandes bancos, cartéis do tráfico de armas e de drogas, e defendeu veteranos de guerra e trabalhadores demitidos.

Aos 58 anos, 20 a menos do que o ex-presidente Donald Trump, Kamala se apresentou como a renovação e o futuro, tentando captar o voto jovem e da maioria que não queria uma repetição da disputa entre Biden e Trump, e como a candidata que vai defender a democracia e trabalhar para todos. Foi também uma convenção família com casais fazendo gestos de afeto e carinho no palco.

Ao criticar o Projeto 2025, um plano para o segundo governo Trump feito pela ultraconservadora Heritage Foundation, ela acusou o ex-presidente de querer proibir o aborto nacionalmente, de propor um novo corte de impostos para os ricos, de vetar projeto bipartidário para aumentar a segurança na fronteira com o México e pelo ataque ao Congresso em 6 de janeiro de 2021 para impedir a certificação da vitória de Joe Biden, num golpe de Estado sem precedentes na história dos EUA.

Em política externa, Kamala prometeu manter a ajuda militar à Ucrânia e a Israel, defender o fim da guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), reconhecer os direitos nacionais do povo palestino e ser firme com ditaduras como o Irã e a Coreia do Norte, onde disse que "Kim Jong Un torce por Trump porque sabe que ele é manipulável e gostaria de ser um autocrata".

"Na luta entre democracia e tirania, sei onde os EUA devem estar", afirmou Kamala diante de uma plateia entusiasmada no fim de uma convenção com discursos importantes de Joe Biden, dos ex-presidentes Bill Clinton e Barack Obama, das ex-primeiras-damas Hillary Clinton e Michelle Obama, da jovem deputada Alexandria Ocasio Cortez, de republicanos dissidentes e da Oprah Winfrey, a maior apresentadora de televisão dos EUA. 

domingo, 21 de julho de 2024

Biden desiste da candidatura à reeleição e apoia Kamala

 Sob pressão do Partido Democrata depois de um debate desastroso e de gafes numa entrevista coletiva em que pretendia mostrar que tem condições de governar os Estados Unidos até os 86 anos, o presidente Joe Biden anunciou hoje que não vai disputar a reeleição em 5 de novembro. Em nota, ele destacou as principais realização de seu governo. Biden apoia a candidatura de sua vice-presidente, Kamala Harris.

Quando se candidatou em 2020 para barrar a reeleição do então presidente Donald Trump, Biden declarou que cumpriria um mandato e abriria caminho para novas lideranças democrata, especialmente para Kamala Harris, a primeira mulher vice-presidente e a primeira de origem africana ou asiática. Ela é filha de pai jamaicano e mãe indiana.

Biden pegou gosto pelo cargo e deu pouco espaço a Harris nesses três anos e meio. A idade avançada, a fragilidade física, o debate e as gafes enterraram a candidatura. Agora, Kamala Harris pode ser a primeira mulher presidente e a primeira de origem africana ou asiática.

Desde o início do primeiro debate presidencial, em 27 de junho, o desempenho calamitoso de Biden alarmou os caciques do Partido Democrata. A recuperação de um mau debate é possível, mas a percepção do eleitorado de que o presidente está velho demais não tem solução.

No fim da conferência de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 11 de julho, Biden deu uma entrevista de uma hora e meia para tentar desfazer as dúvidas a respeito de sua capacidade para governar. Mostrou um bom domínio dos temas em debate, mas apresentou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, como "presidente Putin" e chamou Trump de vice-presidente quando queria falar de Kamala Harris. Depois, deu duas entrevista à televisão sem dirimir as dúvidas sobre sua saúde.

A questão dominou o noticiário político nos EUA até a tentativa de assassinato do ex-presidente Donald Trump, em 13 de julho. O fracasso do atirador suscitou alegações de interferência divina por partidários do candidato republicano. Mas, em vez de fazer o discurso de aceitação pregando a conciliação e a união nacional, Trump foi o extremista de sempre, o único presidente dos EUA até hoje a não reconhecer a derrota e tentar dar um golpe de Estado para não entregar o poder.

O Partido Democrata precisa agora encontrar uma fórmula para escolher o candidato. Como vice-presidente, Harris tem a vantagem de poder usar o dinheiro arrecadado pela campanha de Biden. Mas há outros nomes fortes sendo citados, como a governadora de Michigan, Gretchen Withmer; os governadores da Califórnia, Gavin Newsom, da Pensilvânia, Josh Shapiro, de Maryland, Wes Moore, e de Illinois, Jay Robert Pritzker; o senador Sherrod Brown; e o deputado Dean Phillips.

Como o casal Bill e Hillary Clinton, os presidentes dos diretórios estaduais do Partido Democrata em todos os 50 estados apoiaram Harris, tudo indica que ela será a candidata, mas o ex-presidente Barack Obama, a ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi e os líderes no Senado e na Câmara ainda não endossaram a candidatura.

O comitê executivo da direção nacional do partido ficou de anunciar uma decisão na quarta-feira.

Pode haver uma eleição primária virtual ou deixar a decisão para a Convenção Nacional do Partido Democrata, a ser realizada de 19 a 22 de agosto em Chicago, mas uma mudança total de planos e o reinício da campanha a menos de três meses e meio da eleição seria um risco enorme. Mais importante será a unidade do partido para evitar a ameaça à democracia que representaria uma volta de Trump ao poder. Como observou um prefeito do partido, os democratas tem de decidir se se unem para ganhar ou brigam entre si para perder.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Partido Republicano se entrega ao extremismo de Trump

Num discurso longo e desonesto, o ex-presidente Donald Trump aceitou na quinta-feira à noite a nomeação do Partido Republicano para ser candidato à Presidência dos Estados Unidos na eleição de 5 de novembro. O ex-presidente começou num tom emocional, lembrando o atentado de que foi alvo no sábado passado, mas a promessa de um novo Trump, conciliador, pregando a união nacional contra a violência política durou pouco.

Logo Trump acusou o governo Joe Biden de instrumentalizar o Departamento da Justiça para persegui-lo nos processos criminais que enfrenta, de destruir a economia do país, de permitir uma invasão dos EUA por imigrantes ilegais e de ser responsável pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

Trump, que lidera as pesquisas eleitorais, prometeu fechar a fronteira sul e iniciar perfurações para descobrir petróleo no primeiro dia de governo. Atacou o Novo Pacto Verde dos democratas para promover a transição para uma economia mais verde, com menor consumo de combustíveis fósseis, para combater o aquecimento global. Aliado da indústria do petróleo, o Partido Republicano nega a responsabilidade humana pela mudança do clima.

sábado, 13 de julho de 2024

Trump é alvo de tentativa de assassinato

Houve vários estampidos, uma rápida intervenção do Serviço Secreto dos Estados Unidos e mais uma série de tiros. Com uma orelha sangrando, o ex-presidente Donald Trump foi retirado do palanque onde fazia um comício, em Butler, no estado de Pensilvânia. A campanha de Trump declarou que ele está bem.

O sangue escorria pela bochecha do ex-presidente, que deu socos no ar antes de ser colocado dentro de um carro para sair do local. O atirador matou uma pessoa que assistia o comício e foi morto. Outras duas pessoas estão em estado grave. A polícia trata o caso como tentativa de assassinato e terrorismo.

Uma testemunha ouvida pela televisão britânica BBC disse ter visto o atirador com um fuzil em cima de um telhado e avisado a polícia. A investigação está a cargo do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, que confirmou que o atirador estava numa posição superior. O lugar deveria estar sob controle da segurança de Trump.

De madrugada, o FBI identificou o atirador como Thomas Matthew Crooks, um jovem de 20 anos de Bethel Park, na Pensilvânia. Os investigadores acreditam que ele agiu sozinho e ainda não descobriram a motivos. Crooks foi filiado ao Partido Republicano. Não há nenhum registro de problema mental do atirador.

O presidente Joe Biden, os ex-presidentes Barack Obama e George W. Bush, o presidente da Câmara, deputado republicano Mike Johnson, o líder democrata na Câmara, deputado Hakeem Jeffries, e vários outros líderes políticos norte-americanos repudiaram o atentado e manifestaram solidariedade a Trump. "Não há lugar para este tipo violência nos EUA. É doentio. É doentio. É uma das razões pelas quais temos de unir este país", declarou Biden.

Na verdade, a violência política é uma marca da história do país. A maior guerra dos EUA, em que morreu mais gente, cerca de 620 mil pessoas, foi a Guerra da Secessão ou Guerra Civil (1861-65), quando 11 estados do Sul quiseram se separar para manter a escravidão e o Norte do país, sob a liderança do presidente Abraham Lincoln (1861-65), reagiu para manter a União.

PRESIDENTES ASSASSINADOS

Cinco dias depois do fim da guerra, Lincoln foi baleado pelas costas por John Wilkes Booth num teatro de Washington e morreu na manha seguinte, em 15 de abril de 1865. Outros três presidentes foram mortos no exercício do cargo: James Garfield (1881), William McKinley (1901) e John Kennedy (1963).

James Garfield tomou posse em 4 de março, foi baleado por um assassino, Charles Guiteau. quatro meses depois, em 2 de julho na estação de trem de Baltimore & Potomac, em Washington. Morreu dois meses e meio depois de uma infecção causada pelo ferimento, em 19 de setembro de 1881. Guiteau foi executado pelo homicídio.

William McKinley (1897-1901) foi presidente na Guerra Hispano-Americana (1898), que promoveu a independência de Cuba e tornou Porto Rico e as Filipinas em colônias dos EUA. É o fim do Império Espanhol e o início do imperialismo norte-americano. Em 1898, os EUA também anexam o Havaí.

Seu governo é uma época de grande crescimento econômico. No fim do século 19, os EUA ultrapassam o Reino Unido e se tornam a maior economia do mundo, posição que ocupam até hoje. Ele é assassinado pelo anarquista Leon Czolgosz quando visitava a Exposição Pan-Americana em Buffalo, no estado de Nova York, em 6 de setembro de 1901, no primeiro ano do segundo mandato, e morreu oito dias depois.

Desde a morte de McKinsey, o Serviço Secreto é encarregado da segurança dos presidentes e ex-presidentes dos EUA.

John Kennedy foi o presidente mais jovem da história dos EUA e o primeiro católico. Joe Biden é o segundo. Kennedy tomou posse aos 43 anos. Foi presidente durante a fracassada Invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, em abril de 1961, a construção do Muro de Berlim, em agosto de 1961, e a Crise dos Mísseis Soviéticos em Cuba, em outubro de 1962, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear.

Kennedy mandou forças federais para garantir o acesso de estudantes negros a educação, defendeu as leis de direitos civis que seriam aprovadas no governo de seu vice e sucessor Lyndon Johnson (1963-69) e lançou o programa para enviar um homem à Lua. Mas aumentou a presença militar dos EUA na Guerra do Vietnã com um total de 2,8 mil assessores militares para o governo do Vietnã do Sul, alguns entrando em combate.

Durante um desfile em carro aberto em visita a Dallas, no Texas, em 22 de novembro de 1963, Kennedy foi baleado na cabeça e no pescoço às 12h30 e declarado morto meia hora depois. As investigações oficiais concluíram que Lee Harvey Oswald agiu sozinho. Como ele foi morto dois dias depois por Jack Ruby, dono de um clube noturno ligado à máfia, as dúvidas e teses conspiratórias persistem até hoje.

ATAQUES NÃO FATAIS A PRESIDENTES

Treze presidentes dos EUA foram alvos de tentativas de assassinato, reporta a revista eletrônica Business Insider. Andrew Jackson (1929-37), um fazendeiro sulista que foi o primeiro presidente que não era da elite dos Pais Fundadores do país, foi atacado em 1835 por Richard Lawrence, um pintor inglês desempregado que acreditava ser o rei Ricardo III, mas a arma não disparou.

O últiimo ex-presidente que se recandidatou antes de Trump, Theodore Roosevelt (1901-9) foi alvo de um tiro durante um comício em 1912. A bala atingiu o peito depois de ser amortecida pela caixa de óculos metálica de Roosevelt e uma cópia do discurso que está fazendo, com 50 páginas.

Em 1928, anarquistas argentinos planejaram atacar o trem onde viajava Herbert Hoover (1929-33), o presidente no início da Grande Depressão (1929-39), mas o assassino foi preso antes de colocar a bomba nos trilhos.

Franklin Delano Roosevelt (1933-45), o presidente que governou os EUA durante mais tempo, durante quatro mandatos, o último incompleto, durante a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial (1939-45) sobreviveu a um atentado em Miami em 1933, 17 dias depois da posse para o primeiro mandato. FDR não foi atingido, mas o prefeito de Chicago, Anton Cermak, morreu.

Na biografia do pai, Margaret Truman Daniel, filha do presidente Harry Truman (1945-53), revelou que em 1947 sionistas extremistas enviaram cartas-bomba para a Casa Branca desarmadas pelo Serviço Secreto. Em 1º de novembro de 1950, nacionalistas portorriquenhos tentaram invadir a Blair House, onde Trump estava morando enquanto a Casa Branca era reformada.  

O senador Robert Kennedy, irmão e ministro da Justiça do presidente Kennedy, foi baleado em 1968 no dia em que venceu a eleição primária da Califórnia, o que garantia a candidatura à Casa Branca. No mesmo ano, foi morto o líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros, reverendo Martin Luther King Jr. 

Em 1972, o governador do Alabama, George Wallace, um segregacionista que disputava a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca, foi baleado e ficou paraplégico. Arthur Bremer, que atirou em Wallace, cogitou atacar o presidente Richard Nixon.

Uma tentativa mais ousada a espetacular fez Samuel Byck. Em 22 de fevereiro de 1974, ele invadiu o Aeroporto Internacional de Baltimore e tentou sequestrar um voo da Delta Airlines para jogá-lo sobre a Casa Branca para matar Nixon. Quando os pilotos disseram que não podiam decolar, ele matou dois e logo foi morto pela polícia.

Em setembro de 1975, o presidente Gerald Ford (1974-77) foi alvo de duas tentativas de assassinato fracassadas. No primeiro, a arma de Lynette Fromm enão funcionou. No segundo, Sara Jane Moore errou o primeiro tiro e foi dominada por um fuzileiro naval à paisana.

Em 5 de maio de 1979, a polícia prendeu Raymond Lee Harvey com uma pistola diante do Centro Cívico de Los Angeles poucos minutos antes de um pronunciamento do presidente Jimmy Carter (1977-81). Ele declarou ser parte de uma célula que queria matar Carter, mas foi considerado desequilibrado mental e os co-conspiradores suspeitos foram soltos. 

Em março de 1981, no início de seu primeiro mandato, o presidente Ronald Reagan e outras três pessoas foram baleadas por William Hinckley Jr. Reagan foi atingido no peito, fez uma cirurgia de emergência e ficou semanas internado no Hospital da Universidade George Washington.

O presidente Bill Clinton (1993-2001) foi alvo de várias tentativa de assassinato, três no ano de 1994. Ronald Gene Barbour quis matar Clinton quando ele corria no National Mall, em Washington. Frank Engene Corder jogou um avião monomotor nos jardins da Casa Branca para matar o presidente. Francisco Martin Duran disparou vários tiros na direção do gramado norte da Casa Branca até ser detido por um grupo de turistas. No seu bolso, foi encontrada uma nota de suicídio revelando suas intenções.

A maior ameaça a Clinton foi durante uma visita a Manila, a capital das Filipinas. A polícia descobriu uma bomba embaixo de uma ponte por onde passaria o presidente dos EUA. A conspiração foi atribuída à rede terrorista Al Caeda.

Em fevereiro de 2001, Robert Pickett, um ex-funcionário da receita federal dos EUA com problemas mentais, disparou vários tiros contra a Casa Branca quando o presidente George Walker Bush se exercitava na área residencial até ser morto pelo Serviço Secreto.

A maior ameaça a Bush foi em 2006, quando ele participava de um comício em Tíflis, na ex-república soviética da Geórgia, ao lado do presidente Mikheil Saakashvili, quando Vladimir Arutyanian jogou em direção ao palanque uma granada que não explodiu.

Quando Barack Obama (2009-17) ainda era candidato em 2008, dois supremacistas brancos, Paul Schlesselman e Daniel Cowart, planejam matar 102 negros, inclusive Obama. Em 2011. Óscar Ramiro Ortega Hernández atira contra a Casa Branca alegando que Obama é um anticristo. O casal Obama não estava na hora do ataque.

Em abril de 2013, James Everett Dutschke enviou uma carta com ricina para Obama e pegou 25 anos de prisão por isso. Em 2015, Aboror Abibov, Abdurassul Juraboev e Akhror Saidakhmetov foram presos sob a acusação de conspirar para matar Obama em Ilha Coney para serem admitidos no grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Agora, foi a vez de Trump, que logo disse que foi atingido de raspão na orelha. O ex-presidente amaldiçoava a imigração e tinha gráficos para apresentar em telões instalados ao lado do palanque. Ao se virar para a direita para olhar um telão, Trump se esquivou de um tiro possivelmente fatal.

O ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 para tentar impedir a certificação da vitória de Biden, incitado por Trump numa tentativa de golpe de Estado, também foi um ato de violência poítica.

EXPLORAÇÃO POLÍTICA

Com certeza, Trump vai explorar o atentado politicamente, a exemplo do que fez o ex-presidente Jair Bolsonaro quando levou uma facada em Juiz de Fora durante campanha eleitoral, em 6 de setembro de 2018. Vai posar de vítima e de mártir para seus seguidores mais fanáticos, com risco de aumento da violência política se algum deles resolver revidar de alguma forma e especialmente se perder a eleição presidencial de 5 de novembro.

Outra tentativa de matar Clinton ocorreu durante uma viagem a Manila, a capital das Filipinas, em 1996. Uma bomba foi descoberta sob uma ponte onde o presidente dos EUA passaria. A rede terrorista Al Caeda seria responsável.

Na segunda-feira, começa em Milwaukee, no estado de Wisconsin, a convenção nacional do Partido Republicano que vai confirmar a candidatura de Donald Trump à Presidência dos EUA na eleição de 5 de novembro. Depois do atentado, ele promete fazer um discurso conciliador, de união nacional, talvez pelo choque da ameaça de morte ou por mero oportunismo político. É difícil acreditar numa conversão mais profunda para um espírito pacifista.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Biden mostra fraqueza e levanta dúvida sobre candidatura

 O fraco desempenho do presidente Joe Biden no primeiro debate antes da eleição presidencial de 5 de novembro nos Estados Unidos acendeu uma luz vermelha no Partido Democrata. Altos líderes do partido cogitam ir à Casa Branca para convencer Biden a abandonar a disputa.

O ex-presidente Donald Trump (2017-21) mentiu pelo menos 30 vezes, mas olhou para a câmera e insistiu nas mentiras para dar aparência de verdade, de acordo com o manual de propaganda nazista. Biden foi inseguro, incompetente e mentiu nove vezes. Hesitou e gaguejou, falou mecanicamente sem olhar para a câmera.

A economia foi o tema inicial. É o grande argumento de concorrência de Trump, que compara seu governo antes da pandemia com o governo Biden. Os indicadores econômicos são bons. A inflação caiu e o desemprego é baixo, mas o custo de vida não voltou ao período pré-pandemia.

Outra questão importante foi a imigração ilegal. Trump mentiu que entraram 18 milhões de pessoas no país e Biden não contestou, disse que havia um projeto bipartidário no Congresso que Trump matou para usar o tema na campanha.

O ex-presidente afirmou que "o mundo inteiro está explodindo sob Biden", que a guerra da Ucrânia não teria começado e que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) não teria atacado Israel se ele estivesse na Casa Branca. Prometeu acabar com a guerra na Ucrânia antes de tomar posse.

Como Trump é aliado de Putin, a Ucrânia teme que corte a ajuda financeira para forçar o país a aceitar um acordo nos termos impostos pela Rússia. Biden perdeu a oportunidade de lembrar que os encontros de cúpula com Kim Jong Un legitimaram o ditador da Coreia do Norte sem trazer qualquer progresso às relações bilaterais e ao desarmamento nuclear.

Trump negou qualquer responsabilidade pelo ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Atribuiu a culpa à então presidente da Câmara, deputada democrata Nancy Pelosi, que teria rejeitado uma ajuda de 10 mil soldados da Guarda Nacional que só Trump poderia ter convocado.

Além de contar vantagem, o ex-presidente não nenhuma resposta decisiva sobre os temas em debate. Praticamente não houve discussão de propostas políticas. Mas Trump ganhou a batalha da comunicação. E Biden mostrou debilidade física e mental para ocupar um cargo de tamanha responsabilidade. Se o debate era para dirimir as dúvidas sobre a saúde de Biden, que tem 81 anos, o resultado foi o contrário.

Na história recente, o único presidente que não concorreu à reeleição foi Lyndon Johnson (1993-69), impopular por causa da Guerra do Vietnã. 

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Biden é o primeiro presidente dos EUA a ir a um piquete de greve

 A próxima eleição presidencial nos Estados Unidos será disputada em 5 de novembro de 2024, mas os principais candidatos, os mesmos da eleição de 2020, estão em plena campanha. Enquanto Joe Biden se tornou o primeiro presidente norte-americano a ir a um piquete de greve, Donald Trump é processado por "fraudes repetidas e persistentes" ao inflar o valor de suas propriedades em negócios com bancos e seguradores.

Ao apoiar os grevistas da indústria automobilística, Biden, que na semana passada firmou uma parceria com o presidente Lula para defender os direitos dos trabalhadores em escala global, tenta recuperar os votos dos trabalhadores conquistados por Trump com a promessa de reindustrializar o país.

O programa de reindustrialização de Biden, Investindo na América, é de US$ 516 bilhões, quase R$ 2,6 trilhões. Só para o carro elétrico e desenvolvimento de baterias, destina US$ 139 bilhões, pouco menos de R$ 700 bilhões.

Trump e seus dois filhos adultos são acusados de aumentar o valor de suas propriedades em pelo menos US$ 2,2 bilhões, talvez US$ 3,6 bilhões, quase R$ 18 bilhões, dependendo do cálculo contábil. O ex-presidente foi criticado por um desembargador por aumentar o tamanho de seu apartamento na Trump Tover, na 5ª Avenida, em Nova York, em 200%. O julgamento está marcado para segunda-feira. Meu comentário:

sábado, 10 de junho de 2023

Departamento da Justiça dos EUA divulga denúncia contra Trump

Num texto de 44 páginas, o procurador especial Jack Smith faz 38 acusações com detalhes dos crimes cometidos pelo ex-presidente Donald Trump ao levar para casa cerca de 300 documentos confidenciais, secretos e ultrassecretos capazes de comprometer a segurança nacional dos Estados Unidos. As penas para cada acusação variam de 5 a 20 anos de cadeia.

Para não ser preso, o ex-presidente precisa se apresentar na terça-feira numa vara da Justiça Federal em Miami a uma juíza nomeada por ele, Aileen Connan, que tentou impedir o FBI, a polícia federal norte-americana, de examinar os documentos apreendidos na mansão de Mar-a-Lago, em West Palm Beach. Essa decisão foi anulada pelo Tribunal Federal de Recursos da Flórida.

Mesmo condenado, Trump poderá disputar a Presidência dos EUA em 2024, se a sentença não o proibir de exercer qualquer cargo público federal. É uma situação bizarra: Trump pode ser proibido de votar, mas não de concorrer à Casa Branca. A lei também não prevê se, como presidente, ele poderia indultar a si mesmo. Meu comentário:

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Biden lança candidatura à reeleição com 80 anos

Apesar da idade avançada, o presidente Joe Biden anunciou ontem que vai concorrer à reeleição nos Estados Unidos em 2024. Se vencer, sairá da Casa Branca com 86 anos. Biden é o favorito contra o ex-presidente Donald Trump. As pesquisas indicam que perderia para candidatos mais jovens do Partido Republicano. Mas o Partido Democrata acredita que o mapa eleitoral o favorece.

A Guerra da Ucrânia deflagrou uma nova corrida armamentista, mas os gastos como porcentagem do produto interno bruto está quase nos níveis da Guerra Fria. A Estônia, a Letônia e a Lituânia protestam contra o embaixador chinês que negou à independência de ex-repúblicas da União Soviética, em linha com o que o ditador Vladimir Putin diz sobre a Ucrânia.

Durante visita à Espanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma reforma das Nações Unidas sem a participação das cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança. Elas vetariam. Uma nova ordem mundial surge depois de uma grande guerra que esperamos que não aconteça porque seria uma guerra nuclear.

O ex-presidente peruano Alejandro Toledo chegou a Lima depois de ser extraditado pelos EUA para responder a processo por corrupção, sob a acusação de receber propina da construtora brasileira Odebrecht. Todos os ex-presidentes do Peru neste século, menos os interirnos, estão sendo processados.

A nova guerra civil no Sudão já tem cerca de 500 mortes e escassa perspectiva de paz por causa dos interesses econômicos, dos negócios dos generais que disputam o poder em Cartum.

A Índia é o país do futuro. Ultrapassou a China em população. É a grande economia que mais cresce, hoje a quinta maior do mundo. Foram 7% no ano fiscal que terminou em 31 de março e deve avançar 6% neste ano fiscal. No ano passado, superou a ex-potência colonial, o Reino Unido. Em 2022, instalou 120 gigavates de energia de fontes renováveis. A meta é 450 gigavates até 2030. Meu comentário:

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Trump relança candidatura à Casa Branca em tom cauteloso

Mesmo depois de liderar o Partido Republicano em três derrotas eleitorais consecutivas, o ex-presidente Donald Trump lançou hoje à noite na Flórida sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos em 2024. 

Com o festival de mentiras habitual e se autoelogiando o tempo todo, mas com cautela diante dos processos e das derrotas nas urnas, Trump afirmou que não haveria guerra na Ucrânia nem ameaça de uso de armas nucleares nem inflação alta se ele ainda estivesse na Casa Branca.

Trump descreveu os EUA como um país catastrófico em decadência depois de ter atingido o auge da glória em seu governo. Destacou os cortes de impostos e o crescimento pré-pandemia. Falou em aumento da criminalidade e da violência, da imigração ilegal como se a fronteira do México estivesse aberta para homens e drogas. Mas evitou falar em questões polêmicas, especialmente seus problemas com a Justiça. Não insistiu na mentira de que a eleição de 2020 foi roubada.

A candidatura faz parte da estratégia de defesa. Na Geórgia, há uma investigação em Atlanta sobre sua tentativa de fraudar o resultado da eleição no estado em 2020, a partir de uma gravação em que Trump pressiona o secretário de Estado, Brad Raffensperger, a conseguir o número de votos que precisava para vencer Joe Biden.

Aliás, Trump acusou a China de interferir na eleição de 2020 para favorecer Joe Biden, que se reuniu na segunda-feira com o ditador Xi Jinping em Báli, na Indonésia, antes de uma conferência de cúpula do Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia). O diálogo entre os dois países mais poderosos do mundo é essencial do combate ao aquecimento global à paz mundial.

A procuradora-geral do estado de Nova York, Letitia James, cobra US$ 250 milhões de Trump, dos filhos e das Organizações Trump por fraude fiscal ao fornecer informações falsas a bancos e seguradoras sobre o valor dos bens das empresas do grupo. Eles também enfrentam uma investigação criminal sobre a fraude fiscal.

O Departamento da Justiça faz um inquérito sobre os documentos da Presidência, inclusive ultrassecretos, que Trump levou ilegalmente para sua mansão no clube de golfe Mar-a-Lago, na Flórida, seu atual domicílio. Ele alega que os documentos foram desclassificados por decisão dele quando estava na Casa Branca.

Talvez mais graves sejam as investigações da Câmara dos Representantes e do Departamento da Justiça sobre o ataque ao Capitólio, sede do Congresso, em 6 de Janeiro de 2021, uma tentativa de golpe de Estado ao querer impedir a certificação da vitória de Biden.

A comissão da Câmara que investiga a insurreição intimou Trump a depor e a entregar documentos. Ele se negou e recorreu à Justiça.

Pela tentativa de golpe sem precedentes na história do país, Trump pode ser processado por tentar impedir um procedimento oficial, tentativa de fraudar a eleição presidencial e por sedição, por tentar derrubar o governo legitimamente eleito dos EUA.

Com apenas 39% de popularidade, Trump consegue mobilizar as bases mais radicais do Partido Republicano e ganhar as eleições primárias. Mas o partido sofreu em 8 de novembro sua terceira derrota consecutiva em eleições nacionais. Não houve a esperada "onda vermelha", cor dos republicanos.

A cúpula do partido já percebeu o peso negativo do ex-presidente. A grande vitória nas eleições de meio de mandato foi a democracia. Os candidatos que insistiram no discurso de que houve fraude em 2020 perderam quase todas as eleições competitivas. Só em distritos onde os republicanos ganham sempre os candidatos apoiados por Trump venceram.

O Partido Republicano precisa se livrar de Trump. Como possível candidato em 2024 desponta o governador da Flórida, Ron DeSantis, reeleito com uma vantagem de quatro 20 pontos percentuais sobre o candidato democrata.

DeSantis foi apoiado por Trump nas primárias das eleições de 2018 e foi um negacionista na pandemia, contra a obrigatoriedade das vacinas e do uso de máscaras. Chegou a convidar policiais que perderam emprego em outros estados por não se vacinar a se mudar para a Flórida.

De certa forma, DeSantis é o trumpismo sem Trump, seus filhos e seus processos.