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quarta-feira, 26 de abril de 2023

Biden lança candidatura à reeleição com 80 anos

Apesar da idade avançada, o presidente Joe Biden anunciou ontem que vai concorrer à reeleição nos Estados Unidos em 2024. Se vencer, sairá da Casa Branca com 86 anos. Biden é o favorito contra o ex-presidente Donald Trump. As pesquisas indicam que perderia para candidatos mais jovens do Partido Republicano. Mas o Partido Democrata acredita que o mapa eleitoral o favorece.

A Guerra da Ucrânia deflagrou uma nova corrida armamentista, mas os gastos como porcentagem do produto interno bruto está quase nos níveis da Guerra Fria. A Estônia, a Letônia e a Lituânia protestam contra o embaixador chinês que negou à independência de ex-repúblicas da União Soviética, em linha com o que o ditador Vladimir Putin diz sobre a Ucrânia.

Durante visita à Espanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma reforma das Nações Unidas sem a participação das cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança. Elas vetariam. Uma nova ordem mundial surge depois de uma grande guerra que esperamos que não aconteça porque seria uma guerra nuclear.

O ex-presidente peruano Alejandro Toledo chegou a Lima depois de ser extraditado pelos EUA para responder a processo por corrupção, sob a acusação de receber propina da construtora brasileira Odebrecht. Todos os ex-presidentes do Peru neste século, menos os interirnos, estão sendo processados.

A nova guerra civil no Sudão já tem cerca de 500 mortes e escassa perspectiva de paz por causa dos interesses econômicos, dos negócios dos generais que disputam o poder em Cartum.

A Índia é o país do futuro. Ultrapassou a China em população. É a grande economia que mais cresce, hoje a quinta maior do mundo. Foram 7% no ano fiscal que terminou em 31 de março e deve avançar 6% neste ano fiscal. No ano passado, superou a ex-potência colonial, o Reino Unido. Em 2022, instalou 120 gigavates de energia de fontes renováveis. A meta é 450 gigavates até 2030. Meu comentário:

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Presidente do Peru tenta dar golpe, é destituído e preso

Para tentar escapar do terceiro processo de impeachment, com seis inquéritos sobre corrupção no governo, o presidente do Peru, Pedro Castillo, dissolveu hoje o Congresso, mas foi ignorado. Sem apoio nem de seu próprio partido, Peru Livre, foi destituído "por incapacidade moral permanente" e preso. 

A vice-presidente Dina Boluarte assumiu a Presidência. É a primeira mulher a ocupar o cargo e a sétima pessoa a presidir o país nos últimos seis anos.

Na sua tentativa de golpe, Castillo anunciou a dissolução do Congresso, decretou estado de emergência e toque de recolher noturno, convocou eleições parlamentares antecipadas, prometeu uma nova Constituição e admitiu estar impondo um "regime de exceção" sob o pretexto de "restabelecer o Estado democrático de direito e a democracia".

Nenhum partido, nem o esquerdista Peru Livre, pelo qual se elegeu, o apoiou, nem as Forças Armadas. Por 101 a 6 votos, com 10 abstenções, o Congresso unicameral de 130 cadeiras destituiu Castillo. A Corte Constitucional (supremo tribunal) chamou a manobra do presidente de golpe de Estado e chancelou a posse da vice-presidente Boluarte, rompida com Castillo há semanas.

O presidente deposto foi preso ao sair do palácio por delito de rebelião ao atentar contra a ordem constitucional e levado para a Prefeitura de Lima. Havia boatos de que buscaria refúgio nas embaixadas da Bolívia, do México ou da Venezuela. Tentou ir para a Embaixada do México. Foi preso por sua própria escolta. O ministro do Exterior mexicano, Marcelo Ebrard, ofereceu asilo político.

A nova presidente revogou o estado de emergência e o toque de recolher, e prometeu "um amplo diálogo com todas as forças políticas, representadas no Congresso ou não." 

Dina Boluarte não está filiada a nenhum partido político. Foi expulsa do Peru Livre em janeiro. Na sua primeira declaração como presidente, considerou imprescindível "retomar o crescimento econômico com inclusão" e "emprego digno".

Para isso, Boluarte pediu ao Congresso "uma trégua política para instalar um governo de unidade nacional", definiu como "impostergável" uma reforma política e prometeu apoio ao Ministério Público "para ingressar sem meias tintas nas estruturas corrompidas pelas máfias no interior do Estado."

O Peru foi o país com a maior taxa de mortalidade do mundo na pandemia. Com 80% da população na economia informal, foi impossível manter o distanciamento social. A economia peruana caiu 11% em 2020 e se recuperou, com alta de 13,3% em 2021. A taxa de crescimento em 12 meses ficou em 1,7% no fim do terceiro trimestre de 2022.

CORRUPÇÃO ENDÊMICA

Todos os presidentes do Peru desde 1990 foram ou estão sendo processados. Alberto Fujimori (1990-2000), que fechou o Congresso e a Corte Suprema num golpe em 1992, foi condenado por corrupção e violações dos direitos humanos. Outros quatro foram envolvidos em escândalos de corrupção da construtora brasileira Odebrecht.

Alejandro Toledo (2001-6) fugiu para os Estados Unidos, onde está em prisão domiciliar aguardando um processo de extradição. É acusado de receber US$ 20 milhões da Odebrecht. Seu sucessor, Alan García (2006-11), que havia governado o Peru de 1985 a 1990, antes de Fujimori, se matou para não ser preso em 17 de abril de 2019.

Durante a campanha eleitoral de 2016, a Polícia Federal do Brasil revelou que o então presidente Ollanta Humala (2011-16) recebera US$ 3 milhões da Odebrecht para a campanha eleitoral de 2011. Ele e a mulher foram presos.

Outro alvo da Operação Lava Jato e da Odebrecht, Pedro Pablo Kuczynski (2016-18), ex-primeiro-ministro, caiu com um ano e sete meses de governo. Renunciou um mês antes de receber a ordem de prisão. 

Seu vice-presidente, Martín Vizcarra (2018-20), durou um pouco mais, dois anos e sete meses. Caiu no segundo impeachment por "incapacidade moral" em virtude de um escândalo de suborno quando era governador do Departamento de Moquegua.

Em seu lugar, assumiu o presidente do Congresso, Manuel Merino, que durou apenas cinco dias. Caiu sob pressão de protestos populares contra o impeachment que tiveram duas mortes. Outro presidente do Congresso, Francisco Sagasti (2020-21) governou por oito meses para completar o mandato.

Esquerdista radical, mas conservador na política de costumes, contra o aborto e o casamento gay, José Pedro Castillo Terrones liderou uma greve de professores em 2017 para exigir aumento salarial, pagamento da dívida social, revogação da Lei da Carreira Pública do Magistério e mais dinheiro para a educação. 

Castillo prometeu na campanha anular todos os contratos com mineradoras, estatizar o setor e alterar a Constituição para permitir maior intervenção estatal na economia. Os setores empresariais temiam uma chavistização do Peru, mas ele era mais comparado ao ex-presidente boliviano Evo Morales.

Em 2021, Castillo, que foi votar a cavalo, era o candidato antissistema, do Centro e do Sul, do interior pobre. Era o azarão que veio de trás, atropelou, teve pouco mais de 15% no primeiro turno e bateu Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Fujimori, derrotada pela terceira vez no segundo turno, desta vez por 44 mil votos (50,13% a 49,87%). Tomou posse em 28 de julho de 2021.

Durante um ano e quatro meses, Castillo teve cinco primeiros-ministros. Sem maioria parlamentar, sempre foi um governo instável. O rompimento com o líder do Peru Livre, Vladimir Cerrón, tirou a base parlamentar do governo, que já era minoritária. Condenado por corrupção, Cerrón não podia se candidatar. Lançou Castillo. Hoje o partido votou pelo impeachment.

As acusações se agravaram há dois meses, quando a procuradora Patricia Benavides denunciou o presidente como líder de uma "organização criminosa", de uma trama criminosa "enquistada no Palácio do Governo" para "a obtenção de benefícios econômicos através da nomeação para postos-chaves, da cobrança de porcentagens de licitações realizadas ilicitamente e do uso ilícito da prerrogativas presidenciais." A procuradora também denúncia ter recebido "ameaças contra ela e sua família".

Foi o primeiro presidente peruano a não sair da elite limenha. Nas palavras do jornal espanhol El País, Castillo "é o Peru que não mora em Lima, que não está no Twitter e a quem ninguém prestou atenção durante a campanha eleitoral."

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Peru tem dois presidentes em nova crise política

Em luta contra a corrupção, o presidente Martín Vizcarra dissolveu hoje o Congresso do Peru, que rejeitou a medida, destituiu o presidente e deu posse à vice-presidente Mercedes Aráoz, deixando o país com dois presidentes e Executivo e Legislativo que não se reconhecem. 

Vizcarra declarou em pronunciamento na televisão que convocou novas eleições legislativas depois que o Congresso resolveu substituir quase todos os membros do Supremo Tribunal de Justiça, numa manobra da maioria fujimorista.

"Estamos fazendo história e seremos lembrados pelas futuras gerações", afirmou o presidente. "Quando fizerem isso, espero que entendam a magnitude desta luta em que estamos hoje contra um mal endêmico que causa muito prejuízo ao país."

Depois do Brasil, o Peru foi o país mais atingido pelos escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato. Todos os últimos presidentes estão sendo presos ou processados. O ex-ditador Alberto Fujimori foi condenado a 25 anos de prisão por corrupção e violações dos direitos humanos.

Os mais recentes foram vítimas dos escândalos da construtora brasileira Odebrecht. Alan García se suicidou para não ser preso. Alejandro Toledo está com prisão decretada. Escapou por viver nos Estados Unidos. Ollanta Humala e a mulher foram presos e agora aguardam julgamento em liberdade. Pedro Pablo Kuczynski foi pressionado a renunciar no ano passado e está em prisão domiciliar.

A ex-deputada Keiko Fujimori, filha do ex-ditador, candidata derrotada nas duas últimas eleições presidenciais, está presa preventivamente sob a acusação de lavagem de dinheiro. Ao mudar a composição do Supremo, a oposição visava a beneficiá-la.

Agora à noite, Aráoz renunciou ao cargo. Por enquanto, Vizcarra está ganhando, mas a batalha entre a Presidência, o Congresso e o Supremo Tribunal de Justiça do Peru está longe de terminar.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Ex-presidente do Peru se mata para não ser preso por corrupção

O ex-presidente peruano Alan García Pérez se suicidou com um tiro na cabeça hoje para não ser preso por corrupção num desdobramento da Operação Lava Jato no país vizinho. 

Outros dois ex-presidentes do Peru, Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski, foram presos por receber suborno da construtora Odebrecht. Alejandro Toledo está refugiado nos Estados Unidos. 

Uma candidata derrotada, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por corrupção e violação dos direitos humanos, está em prisão preventiva por receber dinheiro sujo da Odebrecht para a campanha eleitoral de 2011.

Ao ser interpelado pela polícia em sua casa, no aristocrático bairro de Miraflores, em Lima, hoje de manhã, García pediu para ir até o quarto telefonar para seu advogado e se deu um tiro na cabeça, contou o ministro do Interior do Peru, Carlos Morán, citado pelo jornal La República.

García foi levado para o Hospital Casimiro Ulloa. Horas depois, a ministra da Saúde, Zulema Tomás Gonzáles, anunciou a morte depois de três paradas cardíacas.

A Odebrecht depositou o dinheiro sujo na conta de Miguel Atala e de lá foi para Chalán, apelido de Luis Nava, ex-secretário particular de García. O ex-presidente negava ter conhecimento do depósito e da ilegalidade das transações.

Alan García era da Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA), o principal partido populista da esquerda do Peru, fundado por Víctor Raúl Haya de la Torre. Do ponto de vista político e ideológico, era uma espécie de Leonel Brizola peruano.

García governou o Peru duas vezes. Na primeira, de 1985 a 1990, fez uma administração desastrosa, marcada pela hiperinflação de 7.694% em 1990 e a rebelião armada do grupo terrorista de esquerda Sendero Luminoso.

A crise profunda levou à eleição em 1990 de Alberto Fujimori, de origem japonesa, que deu um golpe de Estado em 1992, fechando o Congresso e a Corte Suprema. Mesmo assim, García, convertido à economia de mercado, foi reeleito em 2006 para um segundo mandato. Nessa campanha, teria recebido dinheiro ilícito da Odebrecht.

Seu ex-secretário Luis Nava e o ex-ministro Enrique Cornejo foram presos nas atuais diligências. Depois do Brasil, o Peru foi o país mais atingido pela Lava Jato. García tentou pedir asilo político ao Uruguai, mas foi rejeitado.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Keiko Fujimori é favorita no Peru mas só no primeiro turno

O Peru vota para presidente neste domingo sob críticas dos observadores internacionais porque o Juizado Nacional Eleitoral (JNE) cassou as candidaturas de dois candidatos com chances de vitória. A favorita é a ex-deputada Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, cond por corrupção e violação dos direitos humanos. No segundo turno, em 5 de junho, ela deve enfrentar uma aliança antifujimorista.

As últimas pesquisas de oito institutos colocam Keiko em primeiro lugar, com 28,3% a 37,3% das preferências, seguida pelo ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuszynski, considerado bom administrador mas impopular, com 14,1% a 20%.

Em terceiro lugar, está a deputada Verónika Mendoza, da Frente Ampla, uma aliança de grupos de esquerda e movimentos sociais, com 10,2% a 17%. O quarto é Alfredo Barnachea, da Ação Popular, de direita, com 7,4% a 13,6%.

Com o desgaste universal da democracia representativa, dois ex-presidentes estão mais para o fim da fila. Entre dez candidatos, Alan García, da Aliança Popular, é o quinto, com 3,4% a 15,9%. Alejandro Toledo está em sétimo com 0,9% a 7,8%.

O problema é que no mês passado o JNE cassou as candidaturas do economista Julio Guzmán, que estava em segundo nas pesquisas, e do milionário César Acuña, acusado de distribuir dinheiro a eleitores, o que é proibido pela legislação peruana.

A candidatura Guzmán foi rejeitada por 3 a 2 por uma suposta violação das normas internas de seleção de candidatos do partido Todos pelo Peru. Com as duas decisões, a Justiça Eleitoral minou a legitimidade do futuro presidente.

Sob pressão dos antifujimoristas, Keiko, de 40 anos, proclamou durante toda a campanha seu "respeito incondicional pela ordem democrática e os direitos humanos", prometeu combater a corrupção, uma praga do governo do pai, e negou que vá usar o poder político para beneficiar qualquer pessoa da família, no caso para dar indulto ao pai.

domingo, 5 de junho de 2011

Humala é eleito presidente do Peru

O coronel da reserva Ollanta Humala, um nacionalista de esquerda implicado em duas tentativas de golpe de Estado, foi eleito hoje em segundo turno para a Presidência do Peru, com 51,4% dos votos contra 48,6% para a deputada direitista Keiko Fujimori na contagem não oficial do instituto Ipsos. Ele promete crescimento econômico com inclusão social.

Keiko ainda tem esperança. Prefere esperar o resultado oficial. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão por crimes contra os direitos humanos e corrupção. Durante a campanha, a principal acusação contra ela foi que Keiko indultaria o pai e que na prática ele governaria o país.

Humala esteve envolvido numa tentativa de golpe contra Fujimori e foi implicado em outra, liderada por seu irmão, contra o ex-presidente Alejandro Toledo. Também foi acusado de envolvimento em casos de sequestro, tortura e assassinato durante a campanha do governo Fujimori (1990-2000) contra o grupo guerrilheiro Sendero Luminoso.

Apesar desta ficha, Humala foi o candidato da esquerda na eleição de 2005, quando perdeu no segundo turno para o atual presidente, Alan García, em parte por causa do apoio explícito do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no que foi considerado uma intervenção indevida na política interna peruana. Há poucos dias, foi acusado de receber US$ 12 milhões de Chávez pelo ex-subsecretário de Estado americano para a América Latina Roger Noriega, que não apresentou nenhuma prova.

Desta vez, Humala adotou uma posição mais moderada, tentando associar sua imagem ao ex-presidente Lula, com a ajuda de assessores do Partido dos Trabalhadores (PT). Jurou perante a Bíblia que não vai convocar uma Assembleia Constituinte para refundar o país, no modelo chavista, adotado nos vizinhos Equador e Bolívia. E prometeu manter a economia de mercado.

A ameaça de volta do fujimorismo levou os intelectuais de esquerda e até mesmo liberais como o escritor Mario Vargas Llosa a apoiar Humala, visto como um mal menor num segundo turno que o Nobel de Literatura comparou "uma escolha entre a aids e o câncer". Vargas Llosa perdeu o segundo turno para Fujimori em 1990.

Outro inimigo feroz do fujimorismo, o ex-presidente Alejandro Toledo, também apoiou Humala. Se houver um acordo formal entre os dois, Humala pode governar com maioria. Teria de moderar suas posições adotando políticas que estimulem a economia de mercado.

O Peru é o país que mais cresce na América do Sul, com uma média anual de 7%. Keiko e Humala representam os deserdados por este crescimento.

Humala tem agora o desafio de fazer as alianças necessárias para manter o crescimento e poder fazer políticas de distribuição da riqueza. A pobreza no Peru caiu de 49% para 31% da população. Esta é a clientela das políticas sociais que podem mudar a face do país.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Toledo apoia Humala no Peru


O ex-presidente Alejando Toledo resolvou hoje se aliar ao escritor Mario Vargas Llosa e apoiar o candidato nacionalista de esquerda Ollanda Humala no segundo turno da eleição presidencial no Peru, a ser realizado em 5 de junho, contra a deputada Keiko Fujimori.

“Decidimos apoiar sem ambiguidades a candidatura de Ollanta Humala”, declarou Toledo, citado pela agência de notícias Efe. “O país está numa encruzilhada, e a aliança Peru Possível tinha de assumir suas responsabilidades perante o país e a História.”

Depois de admitir que “existem dúvidas sobre a candidatura Humala”, por causa do apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o ex-presidente afirmou que “há dados e provas contundentes de corrupção, violações dos direitos humanos e de desrespeito à dignidade peruana no caso da outra candidata.

Toledo foi um dos candidatos de centro-direita derrotados no primeiro turno, em 10 de abril. Isso deixou a disputa entre a direitista Keiko e o chavista Humala, que contratou assessores petistas para melhorar sua imagem, os dois candidatos mais radicais.

Pela última pesquisa, divulgada hoje pelo instituto Datum, Keiko teria 46,9% dos votos contra 41,8% para Humala, enquanto 11,3% seriam brancos ou nulos.

Se forem somados só os votos válidos, Keiko venceria por 52,9% a 47,1%.

sábado, 9 de abril de 2011

Peru vota amanhã e chavista é favorito

O candidato nacionalista Ollanta Humala, um ex-oficial envolvido numa tentativa de golpe contra o então presidente Alberto Fujimori, é o favorito para vencer o primeiro turno da eleição presidencial no Peru, com quase 30% das preferências.

Humala tem o apoio velado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Há cinco anos, isso provocou uma forte rejeição e o levou à derrota diante do presidente Alan García, que fez um governo com forte crescimento econômico, na média de 7% ao ano, mas não resolveu os problemas sociais do país.

Agora, Humala cita o Brasil e o ex-presidente Lula como exemplos do que gostaria de fazer no Peru.

Em segundo lugar nas pesquisas, com 21%, aparece a deputada Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Fujimori. Sua campanha tenta resgatar o governo do pai, preso e condenado por corrupção e violações dos direitos humanos, dizendo que ele derrotou o terrorismo dos grupos guerrilheiros de esquerda e lançou as bases do crescimento econômico.

Um segundo turno entre Humala e Keiko é o pesadelo da classe média peruana. É um resultado possível, na medida em que há três candidatos de centro-direita que apoiam a atual política econômica, mas não conseguiram se unir para evitar a divisão de suas votações.

O ex-presidente Alejandro Toledo fez um apelo ao ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski e ao prefeito de Lima, Luis Castañeda, para que desistissem, mas ninguém quer abrir mão da candidatura.