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quarta-feira, 9 de junho de 2021

Pedro Castillo é o presidente eleito do Peru

A apuração ainda não terminou, mas o professor e sindicalista José Pedro Castillo, que nunca ocupou um cargo eletivo, já é matematicamente o presidente eleito do Peru. Com 99,998% das urnas apuradas, Castillo, do partido de extrema esquerda Peru Livre, tem 8.787.891 votos (50,2% dos votos válidos) contra 8.714.822 (49,8%) da ex-deputada de extrema direita Keiko Fujimori, da Força Popular. É uma diferença de 73.069.

Diante da derrota iminente, há dois dias Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, preso por corrupção e violações de direitos humanos, fala em "fraude maciça" sem apresentar qualquer prova. Ela ganhou na Grande Lima e no litoral, as regiões mais ricas do Peru e saiu na frente no início da apuração.

Castillo passou à frente na manhã de segunda-feira, quando entraram os resultados das zonas eleitorais mais distantes da Cordilheira dos Andes e da Floresta Amazônia, do Peru profundo, de maioria indígena e mestiça. Será o primeiro presidente que não veio da elite limenha.

A esperança de Keiko era um milhão de votos do exterior, onde ela venceu por 66% a 34%. Com o fim da apuração dos votos do exterior hoje de manhã, Castillo se declarou vencedor.

O presidente eleito é conservador nos costumes. É contra o casamento gay e o ensino de questões de gênero nas escolas. Em economia, está claramente à esquerda. Quer renegociar os contratos com as mineradoras e convocar uma Assembleia Constituinte para mudar a ordem econômica e aumentar a presença do Estado.

Sua vitória pode significar o fim das ambições presidenciais do fujimorismo. Será mais um teste para o pensamento econômico de esquerda na América Latina. Castillo recebeu um país que tem a maior taxa de mortalidade por covid-19 e sofreu uma queda de 11% no produto interno bruto no ano passado, com aumento da pobreza de 20% para 30%.

É a segunda eleição na América Latina em que se expressa uma revolta popular contra o fracasso do governo, do sistema político e do Estado no combate à pandemia, a exemplo da derrota da aliança de direita liderada pelo presidente Sebastián Piñera nas eleições para a Assembleia Constituinte no Chile. 

No caso peruano, as elites fracassaram. Os partidos tradicionais, que haviam sido destruídos pela ditadura de Fujimori, e os que surgiram depois foram repudiados. Houve um colapso do centro, Castillo foi uma surpresa no primeiro turno e dois extremistas disputaram o segundo turno.

As alegações de fraude de Keiko Fujimori indicam que a elite peruana não vai aceitar facilmente a vitória de Castillo. Keiko vai à Justiça e pedir a impugnação de urnas para tentar mudar o resultado. Sem maioria no Congresso unicameral, o novo presidente terá de negociar e de abrir mão de suas posições mais radicais. É fácil destituir um presidente no Peru. Foram quatro nos últimos quatro anos.

terça-feira, 8 de junho de 2021

Castillo passa à frente e Keiko denuncia fraude no Peru

 Com 96,34% das urnas escrutinadas, o candidato de extrema esquerda Pedro Castillo, do partido Peru Livre, lidera a apuração do segundo da eleição presidencial no Peru com uma vantagem de menos de 100 mil sobre a ultradireitista Keiko Fujimori, da Força Popular. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), preso por corrupção e violações dos direitos humanos.

Na última atualização, pouco depois de meia noite em Lima, duas da madrugada em Brasília, o professor Castillo tinha 50,287% dos votos válidos contra 49,713% para a ex-deputada Fujimori, que perdeu as duas eleições presidenciais anteriores, para Ollanta Humala (2011-16) em 2011 e Pedro Pablo Kuczynski (2016-18) em 2016.

Como tantas vezes na América Latina, observa a revista inglesa The Economist, é uma eleição da direita contra a esquerda, da cidade contra o campo.

Keiko recebeu a maioria dos votos na região metropolitana de Lima e no litoral, onde a apuração manual dos votos impressos foi mais rápida. Com a entrada dos votos da Cordilheira dos Andes e da Floresta Amazônica, Castillo, um professor e sindicalista, tomou a dianteira no fim da manhã de segunda-feira e ampliou a vantagem desde então.

A esperança de Keiko está nos votos no exterior, onde ela lidera com 63%, mas ainda faltam votos e regiões onde Castillo tem ampla maioria. Diante da derrota iminente, ela alegou que houve uma fraude maciça, sem qualquer prova concreta.

A se confirmar a vitória de Castillo, será a primeira de um representante do interior, do Peru profundo, sobre a elite limenha. Alberto Fujimori, pai de Keiko, não é de origem europeia, mas também saiu do extrato superior da sociedade peruana e percorreu o interior vestido de índio para derrotar em 1990 o escritor Mario Vargas Llosa, representante da elite urbana europeizada.

O Peru foi um dos países latino-americanos que mais cresceram neste século, principalmente por causa das exportações para a China. A pobreza diminuiu, mas a riqueza continuou concentrada na elite limenha. No momento, além da crise política crônica que levou todos os presidentes deste século a serem investigados por corrupção, por receber propina da construtora brasileira Odebrecht, o Peru tem a maior taxa de mortalidade da covid-19 no mundo.

A economia peruana recuou 11% com a pandemia. O desemprego atinge 15% da população economicamente ativa. A informalidade é enorme. Isto agravou a pandemia, porque as pessoas tinham de trabalhar. A pobreza subiu de 20% para 30%. 

Se Castillo vencer, a política econômica deve sofrer uma guinada do neoliberalismo para uma maior intervenção estatal, o que pode provocar fuga de capital. Com o país literalmente dividido, também há risco de violência política.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Keiko Fujimori lidera apuração do segundo turno no Peru

 Com pouco mais de 83% das urnas apuradas, a candidata direitista Keiko Fujimori, da aliança Força Popular, lidera a contagem dos votos no segundo turno da eleição presidencial no Peru com 51,2% contra 48,8% para o professor Pedro Castillo, de extrema esquerda, da aliança Peru Livre. São dois candidatos autoritários. Deve ganhar quem tiver menor rejeição. Falta contar os votos de zonas rurais e da selva, onde Castillo deve levar vantagem, e do exterior, onde Keiko vence com 63% até agora.

Ex-deputada pela região metropolitana de Lima, Keiko Sofía Fujimori Higuchi, de 45 anos, é filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), preso por corrupção e violações dos direitos humanos, a quem deve conceder indulto se for eleita. 

Em 2011 e 2016, Keiko Fujimori perdeu as eleições presidenciais no segundo turno por margens estreitas para Ollanta Humala (2011-16) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-18). Já esteve presa e está sendo processada por desdobramentos da Operação Lava Jato no Peru, em que todos os presidentes do século foram acusados de receber propina da construtora brasileira Odebrecht.

José Pedro Castillo, de 51 anos, um sindicalista e professor de origem indígena foi a grande surpresa do primeiro turno, superando os candidatos mais cotados. Ficou famoso por liderar uma greve nacional de professores em 2017. 

Conservador nos costumes, é contra a legalização do aborto, o casamento gay e o ensino da igualdade de gênero nas escolas. Na economia, Castillo tem uma plataforma radical de esquerda com propostas de convocar uma Assembleia Constituinte para superar a Constituição de 1993, do governo Alberto Fujimori, e renegociar os contratos com as mineradoras.

O duelo é visto como um sintoma das diferenças e desigualdades entre a capital, Lima, e o litoral, as regiões mais ricas, e o interior pobre do Peru, as regiões da Cordilheira dos Andes e da Floresta Amazônica.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Esquerdista surpreende e vai ao 2º turno no Peru com Keiko Fujimori

O professor e sindicalista Pedro Castillo, grande surpresa nestas eleições, deve disputar o segundo turno no Peru, em 6 de junho, provavelmente contra Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, condenado e preso por corrupção e violação dos direitos humanos.

Nas pesquisas de boca de urna, parecia que o adversário de Castillo seria Keiko ou o economista Hernando de Soto, que foi assessor do governo Alberto Fujimori (1990-2000) e defende um "capitalismo popular", dando títulos de propriedade para moradores de favela e pequenos agricultores.

As projeções do instituto Ipsos dão 18,1% para Castillo, 14,4% para Keiko, 12,4% para o ultradireitista Rafael López Aliaga, que rejeita comparação com o presidente Jair Bolsonaro, 10,8% para Hernando de Soto, 9,7 para Yohny Lescano e 7,9% para a deputado esquerdista Verónika Mendoza, que foi a surpresa em 2016, ficando em terceiro lugar com 18% dos votos.

Desta vez, ao que parece, Castillo, que foi votar a cavalo, é o candidato antissistema, do Centro e do Sul, do interior pobre, o azarão que veio de trás, atropelou e já é considerado favorito no segundo turno. Nas palavras do jornal espanhol El País, "é o Peru que não mora em Lima, que não está no Twitter e a quem ninguém prestou atenção durante a campanha eleitoral."

Esquerdista considerado radical, José Pedro Castillo Terrones liderou uma greve de professores em 2017 para exigir aumento salarial, pagamento da dívida social, revolução da Lei da Carreira Pública do Magistério e mais dinheiro para a educação.

Castillo promete anular todos os contratos com mineradoras, estatizar o setor e alterar a Constituição para permitir maior intervenção estatal na economia. Os setores empresarias temem uma chavistização do Peru, mas ele é mais comparado ao ex-presidente boliviano Evo Morales.

Cerca de 25 milhões de peruanos estavam aptos para votar a eleger um novo presidente, dois vice-presidentes, 130 deputados do Congresso Nacional, o parlamento unicameral, e cinco deputados do Parlamento da Comunidade Andina.

Na contagem oficial, apurados 37% dos votos, Castillo lidera com 15,9%, seguido por De Soto com 14%, López Aliaga com 13,1%, Keiko com 12,6% e Lescano com 9%.

Quem tomar posse em 28 de julho vai receber um Peru destroçado pela pandemia do coronavírus de 2019, com a segunda maior taxa de mortes por habitante, atrás do Brasil, e uma queda de 11% no produto interno bruto do ano passado, sem falar na crise política permanente e nos sucessivos escândalos de corrupção.

O Peru começou bem na pandemia, com um confinamento rigoroso imposto pelo então presidente Martín Vizcarra. Numa economia com 80% de informalidade, foi impossível manter o distanciamento físico e a situação saiu de controle. O Peru chegou a ser um dos países com um dos maiores números de mortes por habitante.

Dos presidentes do Peru no século 21, Fujimori está preso depois de renunciar e fugir para o Japão. Alejandro Toledo (2001-6) está refugiado nos Estados Unidos. Alan García (1985-90 e 2006-11) se matou para não ser preso. 

Ollanta Humala (2011-16) foi preso e hoje aguarda julgamento em prisão domiciliar. A procuradoria pediu 20 anos de cadeia para ele e 26 para sua mulher, Nadine Heredia, num escândalo de suborno recebido da Construtora Norberto Odebrecht revelado pela Operação Lava Jato. 

Pedro Pablo Kuczynski (2016-18) renunciou diante do segundo processo de impeachment por comprar votos no primeiro, quando era acusado de receber propina da Odebrecht. Está em prisão domiciliar desde abril de 2019, aguardando o julgamento.

Martín Vizcarra (2018-20) era o vice de Kuczynski. Governou até ser afastado em processo de impeachment por "incapacidade moral" em virtude de um escândalo de suborno quando era governador do Departamento de Moquegua. Foi substituído pelo presidente do Congresso, Manuel Merino, que durou cinco dias no cargo, de 10 a 15 de novembro de 2020. Assumiu, então, Francisco Sagasti, como presidente interino para completar o mandato até a posse de um novo presidente eleito pelo povo.

Keiko Fujimori, a provável desafiante de Castillo no segundo turno, também esteve presa por receber contribuições ilegais para a campanha da Odebrecht. Parece que o maior impacto da Lava Jato foi no Peru. Pegou todos os presidentes peruanos do século, menos Vizcarra.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Ex-presidente do Peru se mata para não ser preso por corrupção

O ex-presidente peruano Alan García Pérez se suicidou com um tiro na cabeça hoje para não ser preso por corrupção num desdobramento da Operação Lava Jato no país vizinho. 

Outros dois ex-presidentes do Peru, Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski, foram presos por receber suborno da construtora Odebrecht. Alejandro Toledo está refugiado nos Estados Unidos. 

Uma candidata derrotada, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por corrupção e violação dos direitos humanos, está em prisão preventiva por receber dinheiro sujo da Odebrecht para a campanha eleitoral de 2011.

Ao ser interpelado pela polícia em sua casa, no aristocrático bairro de Miraflores, em Lima, hoje de manhã, García pediu para ir até o quarto telefonar para seu advogado e se deu um tiro na cabeça, contou o ministro do Interior do Peru, Carlos Morán, citado pelo jornal La República.

García foi levado para o Hospital Casimiro Ulloa. Horas depois, a ministra da Saúde, Zulema Tomás Gonzáles, anunciou a morte depois de três paradas cardíacas.

A Odebrecht depositou o dinheiro sujo na conta de Miguel Atala e de lá foi para Chalán, apelido de Luis Nava, ex-secretário particular de García. O ex-presidente negava ter conhecimento do depósito e da ilegalidade das transações.

Alan García era da Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA), o principal partido populista da esquerda do Peru, fundado por Víctor Raúl Haya de la Torre. Do ponto de vista político e ideológico, era uma espécie de Leonel Brizola peruano.

García governou o Peru duas vezes. Na primeira, de 1985 a 1990, fez uma administração desastrosa, marcada pela hiperinflação de 7.694% em 1990 e a rebelião armada do grupo terrorista de esquerda Sendero Luminoso.

A crise profunda levou à eleição em 1990 de Alberto Fujimori, de origem japonesa, que deu um golpe de Estado em 1992, fechando o Congresso e a Corte Suprema. Mesmo assim, García, convertido à economia de mercado, foi reeleito em 2006 para um segundo mandato. Nessa campanha, teria recebido dinheiro ilícito da Odebrecht.

Seu ex-secretário Luis Nava e o ex-ministro Enrique Cornejo foram presos nas atuais diligências. Depois do Brasil, o Peru foi o país mais atingido pela Lava Jato. García tentou pedir asilo político ao Uruguai, mas foi rejeitado.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Guerra dos Fujimori e Odebrecht derrubam presidente do Peru

A três semanas da Cúpula das Américas, a que devem comparecer Donald Trump e Raúl Castro, o país-sede está sem presidente. Depois de um ano e oito meses no cargo, Pedro Pablo Kuczynski renunciou ontem à Presidência do Peru, em meio a uma guerra dos irmãos Fujimori. 

Kuczynski evitou uma segunda votação no Congresso para afastá-lo por envolvimento em escândalo com a construtora brasileira Norberto Odebrecht, de quem neste caso recebeu US$ 3 milhões quando era primeiro-ministro do presidente Alejando Toledo, em 2005-6, através da empresa Westfield Capital, noticiou o jornal peruano El Comercio. 

"Não quero ser um entulho para que nossa nação encontre o caminho da harmonia que tanto necessita e a mim negaram. Não quero que a pátria sofra. Trabalhei honestamente durante 60 anos da minha vida", declarou o presidente na televisão, pretextando inocência.

Ele será substituído pelo vice-presidente Martín Vizcarra, que era embaixador no Canadá e deve assumir o cargo na sexta-feira. Do exterior, Vizcarra declarou-se "indignado" e estar "pronto para servir o país". Sem maioria no Congresso, já sofre pressões para fazer apenas um governo de transição até uma eleição presidencial antecipada. O atual mandato vai até 2021.

No fim do ano passado, para escapar do primeiro processo de impeachment, Kuczynski deu um indulto ao ex-ditador Alberto Fujimori, que cumpria pena de 25 anos por violações dos direitos humanos durante seu governo.

Em troca, o deputado Kenji Fujimori conseguiu os 10 votos necessários para salvar PPK, como é conhecido popularmente, do primeiro processo de impeachment, por receber US$ 4 milhões da Odebrecht através de empresas de consultoria. Até poucos dias atrás, a mesma fórmula parecia prestes a dar nova sobrevida a PPK.

Traída pelo próprio irmão, a ex-deputada Keiko Fujimori, derrotada por Kuczynski no segundo turno da eleição presidencial peruana de 2016, divulgou agora um vídeo em que Kenji oferecia uma negociata com obras públicas numa compra de voto para salvar Kuczynski.

Foi o golpe final. Um ministro e dois deputados do PPK (Peruanos pelo Câmbio), partido criado para lançar a candidatura de Kuczynski à Presidência, pediram a renúncia: "A investidura presidencial vai muito além das pessoas. É necessário proteger as instituições. Por isso, com muito pesar, senhor presidente, lhe peço que dê um passo ao lado."

A Procuradoria-Geral da República pediu à Justiça que proíba a saída do país do ex-presidente.Três deputados e dois ministros também serão investigados por causa dos keikovídeos. Eles estão sendo comparados aos vladivídeos, em que o chefe do serviço secreto de Fujimori desmoraliza inimigos do regime depois do golpe de 1992.

O próprio papa Francisco ironizou, na última visita ao país: "O que há no Peru que todos os ex-presidentes são presos?"

Fujimori (1990-2000) recebeu indulto, mas a Justiça decidiu que o perdão de PPK não se aplica a outros casos. Toledo (2001-6) vive nos Estados Unidos, onde há um pedido de extradição. Alán García (2006-11) está sendo investigado. Ollanta Humala (2011-16) e sua mulher Nadine Heredia estão presos.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Tribunal do Peru autoriza julgamento de Fujimori por assassinato

O Tribunal Penal Nacional do Peru decidiu ontem que o ex-ditador Alberto Fujimori, de 79 anos, deve ser processado pela morte de seis agricultores porque não tem imunidade, apesar da recente indulto humanitário que lhe foi dado pelo atual presidente, Pedro Pablo Kuczynski.

A Justiça peruana entendeu que o perdão à sentença de 25 anos de cadeia que o ex-presidente cumpria por outros assassinatos políticos não se aplica a este caso. Fujimori e outros 23 réus foram denunciados pela ação de esquadrões da morte que massacraram seis agricultores no Caso Pativilca.

Seis camponeses foram sequestrados, presos e torturados até a morte em 29 de janeiro de 1992 pelo chamado grupo Colina, chefiado pelo chefe do serviço secreto do governo Fujimori, coronel Vladimiro Montesinos, co-réu no processo. O Ministério Público está pedindo 25 anos de prisão para Fujimori por sequestro agravado e homicídio qualificado - e a proibição de que saia do Peru.

Em 11 de janeiro, o advogado do ex-ditador, Miguel Pérez, pediu o arquivamento do processo por causa do indulto. Hoje, a Justiça do Peru decidiu o que indulto presidencial não se aplica ao Caso Pativilca.

O perdão deflagrou uma onda de protestos e manifestações de rua. Foi visto como fruto de um acordo espúrio de Kuczynski com o deputado Kenji Fujimori, filho do ex-presidente, para evitar o impeachment do atual presidente, acusado de receber propina da construtora brasileira Odebrecht.

Kuczynski derrotou a ex-deputada Keiko Fujimori na eleição presidencial de 2016 prometendo manter o ex-ditador na cadeia. Para se livrar do impeachment, alegou razões humanitárias. Fujimori saiu da cadeia para o hospital, mas o povo peruano interpretou como farsa.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos, relatores das Nações Unidas e organizações não governamentais de defesa dos direitos humanos condenaram o indulto presidencial como "um tapa na cara" das vítimas da brutal ditadura de Fujimori, que governou o Peru de 1990 ao ano 2000, quando fugiu para o Japão.

Fujimori ainda é popular porque, a ferro e fogo, conseguiu vencer a hiperinflação e o grupo terrorista Sendero Luminoso.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Fujimori recebe indulto em troca da absolvição do atual presidente do Peru

O ex-ditador Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de cadeia por corrupção e violações dos direitos humanos, recebeu indulto de Natal e saiu da prisão depois de cumprir apenas dez anos, informou o jornal peruano La República. 

A medida está sendo vista como moeda de troca do atual presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, que escapou de um processo de impeachment na semana passada por receber dinheiro da propina da construtora brasileira Odebrecht.

Em 16 de dezembro de 2016, a Unidade Anticorrupção da Procuradoria-Geral do Peru abriu investigação contra Kuczynski por ajudar a Odebrecht a ganhar uma concorrência em 2006, quando era primeiro-ministro do governo Alejandro Toledo (2001-6). Em dezembro de 2015, houve um depósito de US$ 4 milhões de dólares nas ilhas Cayman na conta de uma empresa cujo único funcionário é Kuczynski.

Na votação do impeachment, em 21 de dezembro, o presidente perdeu a votação por 78 a 9, mas eram necessários 87 votos para destituí-lo. PPK, como é conhecido no Peru, se safou graças ao apoio da bancada fujimorista. O deputado Kenji Fujimori, filho do ex-ditador, e outros nove deputados do grupo se abstiveram.

O partido Força Popular, liderado pela ex-deputada Keiko Fujimori, filha do ex-ditador, conquistou uma maioria de 73 deputados na Assembleia Nacional, de 130 cadeiras, nas eleições do ano passado.

Em nota oficial, a Presidência do Peru justificou o "indulto humanitário" sob a alegação de que Fujimori sofre de uma doença degenerativa incurável e que as condições do cárcere representavam um grande risco à sua saúde, sua integridade e sua vida.

Ao chegar ontem à clínica onde o pai estava internado, a ex-deputada Keiko Fujimori, derrotada no segundo turno nas duas últimas eleições presidenciais, agradeceu ao atual presidente e declarou que "fez-se justiça".

Já a organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos) chamou o acordo de "negociação vulgar": "Em vez de reafirmar que no Estado de Direito não cabe tratamento especial a ninguém, ficará para sempre a ideia de que sua libertação foi uma negociação política vulgar em troca da permanência de PPK no poder."

A líder do movimento Novo Peru, Verónika Mendoza, candidata de esquerda derrotada na eleição presidencial de 2018, acusou PPK de, "mais uma vez, agir como um vendilhão da pátria". A deputada Marisa Glave, da mesma aliança, acusou o ministro da Justiça de mentir ao país. Desde 18 de dezembro, o governo teria orientado o ministério a preparar o indulto do ex-ditador.

Alberto Fujimori foi eleito presidente do Peru em 1990, derrotando no segundo turno o escritor e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, que defendia uma plataforma liberal. Sem maioria no Parlamento, deu um autogolpe de Estado em 5 de abril de 1992, dissolvendo a Assembleia Nacional e fechando temporariamente o Supremo Tribunal.

No poder, ele conseguiu acabar com a hiperinflação herdada do governo Alan García (1985-90) e derrotar o grupo guerrilheiro de esquerda Sendero Luminoso, responsável por uma guerra civil com mais de 70 mil mortes, 54% atribuídas aos rebeldes. A campanha antiterrorista, liderada pelo chefe do serviço secreto, coronel Vladimiro Montesinos, foi marcada por massacres e uma violência brutal.

Depois de uma eleição fraudulenta no ano 2000, sob pressão interna e externa, diante de um escândalo revelando os esquemas de corrupção operados por Montesinos. Em 16 de setembro daquele ano, Fujimori extinguiu o Serviço de Inteligência Nacional (SIN) e anunciou a convocação de novas eleições gerais, inclusive para presidente.

Montesinos fugiu clandestinamente em 29 de outubro. Fujimori viajou em 13 de novembro para a reunião de cúpula anual do fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC), naquele ano realizada em Brunei, depois foi para Tóquio e se asilou no Japão. Em 19 de novembro, o presidente enviou uma carta renunciando ao cargo.

Como o Japão rejeitou os pedidos de extradição, Fujimori se refugiou na terra de seus antepassados. Só voltou à América Latina em 6 de novembro de 2005, entrando por Santiago do Chile. Detido a pedido do Peru, ele foi extraditado para o Chile em 22 de setembro de 2007 por decisão da Corte Suprema, depois de uma longa batalha judicial.

Em 2 de janeiro de 2010, ao fim de vários processos, a pena de 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos foi confirmada em decisão final. No ano passado, um pedido de nulidade foi rejeitado. Ontem, Kuczynski deu o perdão presidencial indevido e inesperado, resultado direto do processo de corrupção envolvendo a Odebrecht e o governo peruano.

O ex-presidente Ollanta Humala e sua mulher, Nadine Heredia, ambos detidos, receberam hoje os filhos na prisão no dia de Natal. Eles são acusados de receber US$ 3 milhões da Odebrecht.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Disputa na eleição presidencial do Peru se arrasta até os últimos votos

Com 99,561% das urnas escrutinadas, o segundo turno da eleição presidencial no Peru ainda está matematicamente indefinido, embora há 24 horas os analistas deem como certa a vitória do ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuzynski, da aliança Peruanos pela Mudança, sobre a ex-deputada Keiko Fujimori, da Força Popular. Faltando contar cerca de 64 mil votos, ele tem uma vantagem de 39 mil votos.

A diferença percentual permanece estável, depois de Keiko apertar na reta final da apuração, que se arrasta por conta as aldeias remotas da Cordilheira dos Andes, do "Peru profundo" onde ela esperava neutralizar a vantagem do adversário, e dos votos do exterior. Na última parcial, divulgada uma horas e meia atrás, Kuczynski tinha 50,11% dos votos válidos contra 49,89% para Keiko.

Liberal economicamente e conservador em política, PKK, de 77 anos, como é mais conhecido no Peru, será o presidente mais velho da história do país. Ele promete acelerar o crescimento econômico, que nos últimos dois anos caiu pela metade da média de 6% dos três anos anteriores.

Keiko é filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), que ainda tem grande popularidade por ter acabado com a hiperinflação e com o grupo terrorista Sendero Luminoso, um grupo guerrilheiro de orientação maoísta responsável por uma guerra civil que deixou mais de 70 mil mortos.

Alberto Fujimori deu um golpe, fechando o Congresso, intervindo no Judiciário e censurando a mídia, em 1992, e foi condenado a 25 anos de prisão por corrupção e violação dos direitos humanos. Mesmo assim, o fujimorismo ainda é a maior força política do Peru isoladamente. Todas as forças antifujimorismo se reuniram para dar esta vitória estreita a Kuczynski.

NOTA: horas depois, o Escritório Nacional de Processos Eleitorais anunciou o resultado final: 50,12% para PKK e 49,88% para Keiko, com uma diferença de 41 mil votos.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Emoção no segundo turno no Peru vai até último voto

Com 99,298% das urnas apuradas, o ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kucynski ainda não venceu matematicamente o segundo turno da eleição presidencial no Peru. Tem 50,11% dos votos válidos contra 49,89 para a ex-deputada Keiko Fujimori, uma diferença de apenas 38.195 votos num eleitorado de 23 milhões de peruanos.

Desde o meio-dia de ontem, os analistas peruanos consideram irreversível a vitória de Kuczynski, da aliança Peruanos pela Mudança, que no segundo turno reuniu todas as forças antifujimoristas. Mas esta é uma eleição disputada voto a voto até o final.

Será a segunda derrota consecutiva de Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, preso e condenado a 25 anos de cadeia por corrupção e violação dos direitos humanos. Como em 2011, ela venceu o primeiro turno mas perdeu no segundo, o que aliás é um padrão nas eleições presidenciais peruanas.

Ex-primeiro-ministro amplia vantagem no segundo turno no Peru

Com 99,115% dos votos apurados no segundo turno da eleição presidencial no Peru, o ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski ampliou um pouco sua pequena vantagem sobre a ex-deputada Keiko Fujimori, que passou para 0,34% ou 56.392 votos.

Matematicamente, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori ainda tem chance. Na prática, desde ontem ao meio-dia, analistas políticos peruanos consideram a vantagem de Kuczynski irreversível.

Keiko apostava nos votos de aldeias remotas do interior, especialmente da região dos Andes, do "Peru profundo", onde seu pai ainda é muito popular, que lhe permitiram diminuir a diferença. O pequeno aumento da vantagem de Kuczynski nas duas últimas parciais indicam a chegada dos votos do exterior, onde ele teria vencido.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Kuczynski está eleito presidente do Peru

Com 99% das urnas apuradas, o ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski está praticamente eleito presidente do Peru. Ele tem 50,164% dos votos contra 49,836% da ex-deputada Keiko Fujimori. A diferença aumentou em relação à parcial anterior.

Aos 77 anos, Kuczynski será o presidente mais velho da história peruana. É filho do médico judeu alemão Maxime Kuczynski, que fugiu com a ascensão do nazismo, com a professora de literatura franco-suíca Madeleine Godard, tia do cineasta Jean-Luc Godard. E casado com Nancy Ann Lange, prima da atriz Jessica Lange.

Conservador politicamente e liberal em economia, Kuczynski fez campanha prometendo acelerar o crescimento e defender a democracia contra uma suposta ameaça autoritária representada pela volta do fujimorismo. Teve o apoio do escritor Mario Vargas Llosa, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, derrotado por Alberto Fujimori, pai de Keiko, em 1990.

A economia do Peru foi a que mais cresceu nos últimos anos na América do Sul. Em 2008, chegou ao pico de 9,1%. Apesar da crise mundial, evitou a recessão em 2009, avançando 1% para se expandir 8,5% em 2010, 6,5% em 2011, 6% em 2012, 5,8% em 2013, 2,4% em 2014 e 3,3% em 2015.

Keiko Fujimori, de 41 anos, perde pela segunda vez. Em 2011, foi derrotada no segundo turno pelo atual presidente Ollanta Humala. É herdeira política do pai, que está preso e condenado a 25 anos de cadeia por corrupção e crimes contra os direitos humanos, inclusive sequestro, tortura e assassinatos políticos.

Como acabou com a hiperinflação e com o terrorismo do grupo guerrilheiro maoísta Sendero Luminoso, Alberto Fujimori ainda tem popularidade, especialmente nas aldeias indígenas do interior. Keiko confiava no "Peru profundo" para uma virada na reta final da contagem. O aumento da vantagem de Kuczynski indica que entraram os votos do exterior, onde o ex-primeiro-ministro teria ganho.

Analistas consideram irreversível vantagem de Kuczynski no Peru

Com 97,1% das urnas apuradas, o segundo turno da eleição presidencial do Peru permanece indefinido, mas analistas já consideram irreversível a vantagem do ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski sobre a ex-deputada Keiko Fujimori.

Na última contagem parcial do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Kuczynski, um economista liberal em economia e conservador politicamente, soma 50,14% dos votos válidos. A ex-deputada e filha do ex-ditador Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra os direitos humanos, tem 49,86%.

A vantagem caiu para apenas 0,28%. Na madrugada, com 95,86% das urnas escrutinadas, a diferença era de 0,36%. Mas analistas citados pelo jornal peruano La República consideram o resultado irreversível, como Jorge Nieto: "Teriam de haver coisas muito incomuns, e não estou falando de manipulação de votos, mas de mesas com 200 votos em que Keiko Fujimori tenha todos, e isso é muito improvável."

Keiko contava com os votos do interior, do "Peru profundo", para reverter a vantagem de Kuczynski. Não devem ser suficientes, raciocinou Nieto: "Faltam chegar os votos do exterior, que são os últimos que chegam e, pelo que se antecipou, a vitória de Kuczynski foi folgada. De modo que não vejo nenhum indício de que seja superado por Fujimori."

Na sua opinião, a esperança dos fujimoristas é "um ato de fé": "No horizonte da razão, a eleição já está definida."

O ex-vice-ministro da Interculturalidade, Iván Lanegra, também não vê possibilidade de mudança da tendência atual. A reação de Keiko seria resultado da entrada das atas eleitorais do Norte do Peru, onde ela ganhou. "Todo o Norte, onde a vantagem é maior, já está praticamente em 100%."

Em regiões onde o ex-primeiro-ministro ganha bem, como na província de Huancavelica, a contagem ainda está em 75%. "Também falta o voto do exterior, em que até onde sabemos Kuczynski tem uma pequena vantagem. Finalmente, Lima e Callao, que têm grandes bolsões de votos [fujimoristas], já estão em 100%", observou o ex-ministro.

Com tão poucos votos a contar, a vitória do líder da aliança Peruanos pela Mudança (PKK, as iniciais do candidato) estaria assegurada.

Kuczynski lidera no Peru por apenas 0,36%

Com 95,36% das urnas escrutinadas, a eleição presidencial do Peru ainda está indefinida. O ex-primeiro-ministro conservador Pedro Pablo Kucynski, de 77 anos, lidera com 50,18% dos votos válidos contra 49,82% para a ex-deputada Keiko Fujimori, de 41 anos, filha do ex-ditador Alberto Fujimori.

Filho do médico judeu Maxime Kuckynski, que fugiu da Alemanha, e da professora de literatura franco-suíça Madeleine Godard, tia do cineasta Jean-Luc Godard, o ex-primeiro-ministro tinha cidadania americana. É casado com a americana Nancy Lange, prima da atriz Jessica Lange.

Economista, Kuczynski fez campanha prometendo acelerar o crescimento, que caiu nos últimos anos de uma média de 6% ao ano para 3,3% no ano passado.

Keiko é a herdeira política do pai, Alberto Fujimori (1990-2000), um populista de direita que derrotou a hiperinflação e o grupo terrorista Sendero Luminoso, mas deu um golpe em 1992, fechou o Congresso e interveio no Poder Judiciário. Ainda é popular no interior, onde inaugurou escolas rurais e distribuía sapatos pessoalmente.

Por isso, Keiko conta com os votos do "Peru profundo" para virar o jogo na reta final. Sua campanha teve como tema central a segurança pública. Ela venceu o primeiro turno e liderava as pesquisas até uma semana antes da eleição, quando ficou em empate técnico. Foi prejudicada por um escândalo de corrupção envolvendo o deputado Joaquín Ramírez, ex-secretário-geral do partido Força Popular, de Keiko.

Sua derrota manteria o padrão de que o vencedor do primeiro turno perde no segundo turno nas eleições presidenciais peruanas.

Vantagem de ex-primeiro-ministro do Peru cai para 0,45%

Numa disputa apertadíssima, com 94,86% das urnas apuradas, o ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski lidera o segundo turno da eleição presidencial no Peru com 50,22% dos votos válidos contra 49,77% para a ex-deputada Keiko Fujimori. É uma diferença de 74.266 votos.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Keiko Fujimori aperta na reta final da apuração no Peru

Com 92,6% das urnas escrutinadas, a vantagem do ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski sobre a ex-deputada Keiko Fujimori caiu de 1,64% para 0,64% do total de votos válidos no segundo turno da eleição presidencial peruana, informou hoje o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). Keiko disse confiar nos votos do exterior e do "Peru profundo" para conquistar a vitória.

Pela contagem rápida do instituto GfK, baseada numa amostragem das atas eleitorais, Kuczynski ganhou com 50,8% contra 49,2% para Keiko. O instituto Ipsos dá 50,5% a 49,5% para o ex-primeiro-ministro. As contagens rápidas têm margem de erro de 1%.

Kuczynski, de 77 anos, é um economista e tecnocrata pouco carismático. No segundo turno, galvanizou as forças do antifujimorismo e apresentou a disputa como uma opção entre democracia e ditadura. O pai de Keiko, o ex-presidente Alberto Fujimori está preso e condenado a 25 anos de cadeia por corrupção e violações dos direitos humanos.

Depois de vencer o primeiro turno em abril, Keiko, de 41 anos, esteve à frente nas pesquisas com um discurso linha dura, prometendo combater a criminalidade.

Filho de um médico judeu que fugiu da Alemanha diante da ascensão do nazismo e de mãe suíça que era professora de literatura, o ex-primeiro-ministro nasceu em Lima em 3 de outubro de 1938.

Com bolsa de estudos, Kuczynski estudou economia, filosofia e política na Universidade de Oxford, na Inglaterra. Ele trabalhou no Banco Mundial e no Banco Central do Peru, e afirma que sua maior preocupação é com a desigualdade social.

Durante a campanha, prometeu um "governo transparente", capaz de fornecer água limpa à população e acelerar o crescimento econômico peruano, que caiu de uma média de 6% ao ano para cerca de metade disso nos últimos dois anos.

O resultado final pode só ser conhecido no fim da semana.

Kuczynski amplia um pouco a vantagem sobre Keiko Fujimori

Com 79,49% das urnas apuradas, o ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski ampliou levemente a vantagem sobre a ex-deputada Keiko Fujimori no segundo turno da eleição presidencial no Peru. 

Kuczynski, da aliança Peruanos pela Mudança, tem 50,82% contra 49,18% da filha do ex-presidente Alberto Fujimori, da Frente Popular.

Kuczynski mantém vantagem no Peru com metade dos votos apurados

Com 51,7% das urnas apuradas, o economista e ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuckynski mantém uma pequena vantagem sobre a ex-deputada Keiko Fujimori, de 50,58% a 49,41% dos votos válidos, no segundo turno da eleição presidencial no Peru.

Se este resultado for confirmado, mais uma vez o vencedor do primeiro turno perde o segundo turno da eleição presidencial peruana. Keiko perdeu para o atual presidente, Ollanta Humala, em 2011, que obteve 51,45% dos votos válidos no segundo turno.

Kuczynski passou a campanha do segundo turno afirmando que a decisão é entre democracia ou ditadura, lembrando o golpe que o presidente Fujimori deu em 1992, quando mandou o Exército fechar o Congresso e o Poder Judiciário.

domingo, 5 de junho de 2016

Ex-primeiro-ministro lidera no início da apuração no Peru

Com 36% dos votos apurados, o ex-primeiro-ministro conservador Pedro Pablo Kuczynski saiu na frente da contagem de votos no segundo turno da eleição presidencial no Peru. Ele tem 50,58% contra 49,42% para Keiko Fujimori, uma populista de direita filha do ex-presidente Alberto Fujimori, preso e condenado a 25 anos de cadeira por corrupção e violações dos direitos humanos.

Na pesquisa de boca de urna do instituto Ipsos, Kuczynski venceu por 50,4% a 49,6%, mas esse resultado equivale a um empate técnico porque a diferença entre os dois está dentro da margem de erro da pesquisa.

Cerca de 23 milhões de peruanos foram às urnas neste domingo. Não houve maiores incidentes. "Esperamos que a democracia, a unidade e o diálogo saiam vencedores hoje", declarou Kuczynski, que se apresentou o como o candidato do antifijimorismo,

"É um dia muito especial. Votem sem medo, pensando no país", pediu Keiko Fujimori depois de tomar café da manhã com a mãe, Susana Inoguchi.

Keiko chegou à última semana com uma vantagem de seis pontos percentuais, mas isso ajudou a mobilizar as forças do antifujimorismo. O ex-presidente ainda é muito popular entre as populações mais pobres do interior do Peru, onde criou muitas escolas rurais e distribuía sapatos pessoalmente.

Kuczynski é o candidato favorito da classe média urbana e dos setores beneficiados pelo crescimento econômico do Peru nos últimos anos, de 6,5% em 2011, 6% em 2012, 5,9% em 2013, desacelerando para 2,4% em 2014 e 3,3% em 2015.

O Peru tem 30 milhões de habitantes e um produto interno bruto de cerca de US$ 200 bilhões.

domingo, 10 de abril de 2016

Ex-primeiro-ministro deve disputar 2º turno com Keiko Fujimori no Peru

Pela contagem rápida da empresa de pesquisas GfK, o ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski, da coligação Peruanos pela Mudança, abriu uma vantagem de três pontos percentuais sobre a candidata da Frente Ampla, de esquerda, deputada Verónika Mendoza. Ele deve disputar a Presidência do Peru no segundo turno, em 5 de junho.

Com 77% dos votos computados, a ex-deputada Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de cadeia por corrupção e violação dos direitos humanos, venceu o primeiro turno da eleição presidencial peruana com 38,5% dos votos. Mas está longe de garantir a vitória.

Nas últimas eleições presidenciais no Peru, o segundo colocado no primeiro turno acabou se elegendo por causa da rejeição da maioria ao primeiro colocado. Desta vez, as pesquisas de boca de urna apontavam um empate entre Kuczynski e Mendoza. Pela contagem da GfK,  o ex-primeiro-ministro está com 21,7% contra 18,5% para a deputada esquerdista.