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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Trump e Rubio querem derrubar regimes da Venezuela e de Cuba

O presidente Donald Trump reuniu o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos nesta noite para discutir os próximos passos do que parece uma tentativa de derrubar o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e por tabela o regime comunista de Cuba.

Trump deu um ultimato em 21 de novembro. Pressionou Maduro a renunciar em uma semana. O ditador venezuelano aceitou, em princípio, a ideia de ir para o exílio, mas exigiu anistia para si, a familía e mais de 100 altos dirigentes venezuelanos.

Em agosto, os EUA começaram a enviar navios de guerra para perto da costa da Venezuela sob o pretexto de combater o tráfico de drogas. O maior navio de guerra do mundo, o porta-aviões Gerald Ford, chegou em novembro. Hoje, há 11 navios da Marinha com 15 mil soldados dos EUA a bordo.

É uma força-tarefa formidável. Indica que os objetivos de Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio, de origem cubana, vão muito além do narcotráfico. A Venezuela não é um dos países mais importantes no tráfico de drogas para os EUA. Mas é pouco provável uma invasão em larga escala, com uma operação terrestre. Morreriam muitos norte-americanos, o que provocaria uma forte reação interna nos EUA, inclusive dos partidários de Trump, que são isolacionistas. Não querem o país envolvido em guerras no exterior.

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domingo, 28 de julho de 2024

Dois lados se preparam para cantar a vitória na Venezuela

As pesquisas de boca de urna são proibidas na Venezuela, mas foram realizadas mesmo assim e apresentaram resultados totalmente divergentes por grandes margens antes da divulgação do resultado oficial. Tudo indica que a ditadura de Nicolás Maduro e a oposição, representada pelo diplomata Edmundo González Urrutia, devem reivindicar a vitória na eleição presidencial de hoje.

Às 18h pela hora local (19h em Brasília), a empresa Edison Research anunciou, depois de entrevistar 9.846 eleitores em 100 locais de votação, que 65% votaram em González e 31% em Maduro. 

Mais cedo, ao meio-dia, a agência Hinterlaces, ligada ao regime venezuelano, declarou que 61,5% dos eleitores havia votado, 54,6% no governo e 42,8% na oposição. O instituto de pesquisas Meganalisis contestou estes números, dizendo que às 11h só 41% haviam votado, 65,3% em González e só 13,1% em Maduro.

A oposição acusa a ditadura de negar acesso aos locais de votação e ao Conselho Nacional Eleitoral para poder fiscalizar a apuração. Um homem morreu e outras duas pessoas foram feridas quando encapuçados atacaram cidadãos que faziam vigília no centro de votação John Kennedy, em Guácimos, no estado de Táchira.

Os governos de direita e centro-direta Argentina, Uruguai, Equador, Paraguai, Peru, Panamá, Costa Rica e República Dominicana, e o governo de esquerda do Chile exigiram que os fiscais tenham acesso às atas de votação e que o resultado seja respeitado.

Maduro é herdeiro do caudilho Hugo Chávez, que ganhou a eleição de 1998, seis anos depois de liderar uma tentativa de golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 4 de fevereiro de 1992. Chávez foi reeleito em 2000, 2006 e 2012, e morreu de câncer em 5 de março de 2013, sendo sucedido por Maduro, seu vice-presidente.

O atual presidente foi eleito em 2013 e reeleito em 2018, numa eleição não reconhecida por 60 países. As últimas eleições democráticas na Venezuela foram realizadas em 6 de dezembro de 2015, quando a oposição conquistou maioria de dois terços na Assembleia Nacional, o quórum necessário para reformar a Constituição.

O regime recorreu à Corte Suprema, dominada pelo chavismo desde que Chávez aumentou o número de cadeiras e encheu-a com juízes aliados e submissos. As eleições de cinco deputados foram anuladas e a oposição perdeu a supermaioria.

Em 2017, Maduro convocou uma Assembleia Constituinte eleita por um sistema eleitoral especialmente fabricado em que cada cidade tinha direito a um voto e as grandes cidades a dois. A Constituinte nunca concluiu sua missão. Foi usada para usurpar o Poder Legislativo.

Como a reeleição de Maduro não foi reconhecida internacionalmente, a oposição declarou a vacância do cargo e elegeu seu presidente, Juan Guaidó, como presidente interino. Guaidó foi reconhecido por mais de 60 países, entre eles o Brasil, mas não conseguiu chegar ao poder porque as Forças Armadas Nacionais Bolivaristas (FANB) são cúmplices da ditadura de Maduro, que faz um governo desastroso.

De 2013 a 2018, o produto interno bruto da Venezuela caiu mais de 50%. A produção de petróleo, que era de 3,23 milhões de barris por dia em 2008, baixou para menos de 660 mil barris por dia em 2020. A inflação superou os 63.000% ao ano em 2019 e hoje é estimada em 150% ao ano. O regime chegou a criar uma nova de 1 milhão de bolívares. Para combater a inflação, apesar da rivalidade com os EUA, o governo deixou o dólar circular como moeda corrente.

Com a crise do petróleo e a alta nos preços em 1973, a Venezuela tinha a maior renda por habitante da América Latina. Quando Chávez foi eleito, em 1998, era a segunda, atrás apenas da Argentina. Hoje, está em 23º lugar, na frente apenas de Honduras, da Nicarágua e do Haiti.

De acordo com a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, de 2014 a 2013, o regime prendeu arbitrariamente 15,7 mil venezuelanos críticos de Maduro. As organizações não governamentais Provea e Foro Penal acusam o regime pela execução extrajudicial de cerca de 10 mil pessoas e pela tortura de 1.652 pessoas. A Venezuela tem hoje 305 presos políticos.

domingo, 25 de outubro de 2020

Leopoldo López foge da Venezuela e chega à Espanha

Um dos principais líderes da oposição na Venezuela, Leopoldo López, chegou hoje à Espanha depois de sair ontem da residência do embaixador espanhol em Caracas, onde estava refugiado há um ano e meio, e atravessar por terra a fronteira com a Colômbia. 

Principal líder do partido Vontade Popular, López foi preso e condenado a 13 anos, 9 meses, 7 dias e 12 horas por incitar à violência durante uma onda de protestos em que 43 pessoas morreram e mais de 4 mil foram presas, de fevereiro a maio de 2014. Era considerado preso político pelas Nações Unidas, a Anistia Internacional e o Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos). 

O procurador que o denunciou, Franklin Nieves, fugiu para os EUA e afirmou ter sido pressionado pela ditadura de Nicolas Maduro a condená-lo.

Mesmo preso, López chegou a liderar, em setembro de 2016, uma pesquisa para ser o candidato presidencial da oposição. É o chefe político do presidente da Assembleia Nacional, deputado Juan Guaidó, declarado presidente pela maioria oposicionista no parlamento em janeiro de 2019. 

Depois de anos na prisão militar de Ramo Verde, em 8 de julho de 2017, foi para prisão domiciliar. Em 30 de abril do ano passado, López foi libertado durante uma tentativa de sublevar a Força Armada Nacional Bolivarista contra o ditador Nicolás Maduro. Com o fracasso da revolta, refugiou-se na residência do embaixador da Espanha, de onde fugiu no sábado. O governo venezuelana acusa a diplomacia espanhola de facilitar a fuga.

"Venezuelanos, esta decisão não foi fácil, mas tenham a certeza de que podem contar com este servidor para lutar em qualquer lugar", tuitou López ao chegar a Madri, onde se reuniu com a mulher, Lilian Tintori, e os três filhos. "Não vamos descansar e continuaremos trabalhando dia e noite para conquistar a liberdade que todos os venezuelanos merecem."

Economista e político, Leopoldo Eduardo López Mendoza, de 49 anos, foi de 2000 a 2008 prefeito de Chacao, uma cidade rica da Grande Caracas, e a apoiou o golpe contra o presidente Hugo Chávez em 11 de abril de 2002, tornando-se um dos líderes da oposição.

Em 2008, López não pôde concorrer à Prefeitura de Caracas pela Controladoria-Geral da República por irregularidades quando era prefeito de Chacao. A Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, decidiu a seu favor por unanimidade, mas o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela não reconheceu o tribunal internacional.

Quando foi formada a Mesa da Unidade Democrática (MUD), a coalizão oposicionista contra o chavismo, Henrique Capriles, que concorreu à Presidência contra Chávez e Maduro, era o mais moderado; López, o mais radical. Hoje, ambos estão proibidos de concorrer.

As três manobras para tentar desestabilizar o regime, nas quais López certamente estava envolvido, a proclamação de Guaidó como presidente interino, uma grande "ajuda humanitária" articulada pelos Estados Unidos e a tentativa de sublevar os quartéis, fracassaram. 

Apesar da crise econômica, agravada pela pandemia, Maduro se mantém no poder e prepara eleições sob encomenda em dezembro para acabar com a maioria oposicionista na Assembleia Nacional, formada nas últimas eleições democráticas na Venezuela, em 6 de dezembro de 2015. Vamos ver qual será o próximo lance de López em Madri.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Movimento indígena exige queda do presidente do Equador

Ondas de manifestantes enfrentaram a polícia hoje nas ruas de Quito, no sétimo dia de protestos contra o fim do subsídio aos combustíveis, que subiram 120% em função de um acordo para obter um empréstimo de US$ 4 bilhões. 

Os protestos são liderados pelo movimento indígena, que derrubou três presidentes do Equador desde 1997 e agora exige a renúncia do presidente Lenín Moreno. Em uma semana, pelo menos cinco pessoas foram mortas e quase 800 foram presas.

A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), que se nega a negociar com o governo, liderou a marcha até o centro da capital, paralisada por uma greve geral. Foram seguidos por trabalhadores e estudantes. Estes jogaram pedras na polícia, que reagiu com bombas de gás lacrimogênio.

"Queremos que as medidas sejam revogadas para dar tranquilidade ao povo", declarou o líder indígena César García, de 52 anos, enquanto uma representante da comunidade de Zumbahua, na província de Cotopaxi, Diana Guanatuña, exigia que "o governo se vá porque teve tempo suficiente para mostrar o que pode fazer pelo povo e não fez nada."

A situação econômica do país se agravou nos últimos anos com a queda nos preços do petróleo. O presidente Moreno anunciou a intenção de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para escapar dos limites de produção impostos pelos grandes produtores.

Moreno era vice-presidente de Rafael Correa, um presidente de esquerda carismático e popular que seguia a linha do chavismo. No governo, adotou uma postura mais favorável ao mercado e aos empresários. Acusado de corrupção num escândalo envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, Correa fugiu para a Bélgica, país de sua mulher.

Na semana passada, Correa esteve em Caracas, onde se reuniu com o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. Moreno, que na segunda-feira transferiu o governo para Guaiaquil, a maior cidade e capital econômica do Equador, responsabiliza os dois pela explosão de violência no Equador. Hoje, voltou a Quito.

Os índios são 4,5 milhões, cerca de 25% da população equatoriana, de 17,7 milhões de habitantes, dos quais 37% vivem na miséria. Entre os indígenas, a pobreza chega a 73%. Eles tiveram participação decisiva em todos os movimentos de protesto. Provocaram a queda dos presidente Abdalá Bucaram, em 1997; Jamil Mahuad, em 2000; e Lucio Gutiérrez, em 2005.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Venezuela quer criar outra estatal do petróleo para enterrar dívidas

A ditadura chavista da Venezuela está cogitando a possibilidade de criar uma nova empresa de petróleo e gás para substituir a estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) e desenvolver projetos de energia com sócios estrangeiros, noticiou a empresa Argus, especializada em informações no mercado de energia.

O projeto é uma clara tentativa do governo Nicolás Maduro e da PdVSA de enganar os credores internacionais e os pedidos de arbitragem. Se for levado adiante, vai deflagrar uma onda de ações judiciais em múltiplas frentes. Os credores não vão deixar barato.

Até o fim de 2019, a Venezuela e a PdVSA precisam fazer pagamentos de US$ 3 bilhões, inclusive US$ 500 milhões de um acordo de arbitragem feito com a companhia americana ConocoPhillips, que teve seus negócios no país encampados no governo Hugo Chávez. Se não cumprir o acordo, pode ter propriedades e outros ativos na região do Mar do Caribe arrestados para pagar a dívida.

Pelo acordo, a PdVSA deve indenizar a ConocoPhillips em US$ 2 bilhões. A Venezuela e a PdVSA já deram calote em dívidas de US$ 6,4 bilhões.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Venezuela paga US$ 2 bilhões de compensação à ConocoPhillips

A companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA) concordou hoje em pagar US$ 2 bilhões de compensação à empresa americana ConocoPhillips pela expropriação de seus negócios no país, em 2007, pelo então presidente Hugo Chávez, acabando com uma ação judicial que ameaçava suas exportações.

O valor é o mesmo arbitrado pelo tribunal da Câmara Internacional de Comércio em abril deste ano. A pressão sobre a estatal venezuelana aumentou em maio, quando a Conoco obteve autorização da Justiça da Holanda para assumir o controle de ativos da PdVSA em Curaçao, Bonaire, Santo Estácio e Aruba, ilhas do Mar do Caribe.

Como o petróleo da Venezuela é pesado, o país precisa importar outros tipos de petróleo para o refino. Por isso e porque o país tem as maiores reservas mundiais, a PdVSA tem plataformas e refinarias nas ilhas caribenhas.

Em troca do fim de todas as ações judiciais, a PdVSA prometeu pagar US$ 500 milhões dentro de 90 dias o resto, US$ 1,5 bilhão, com juros, em parcelas trimestrais nos próximos quatro anos e meio. A Conoco afirma que o acordo "atende a todas as exigências regulatórias dos Estados Unidos, inclusive quaisquer sanções impostas pelos EUA à Venezuela."

A Conoco move outra ação contra a Venezuela no Centro de Resolução de Conflitos sobre Investimentos do Banco Mundial. O tribunal condenou a Venezuela por estatizar as propriedades da Conoco, mas ainda não estipulou o valor da indenização.

No início do mês, a empresa canadense Crystallex avançou na luta por uma indenização de US$ 1,4 bilhão pela expropriação de um projeto de exploração de ouro na Venezuela. Um juiz federal do estado de Delaware aceitou uma petição argumentando que a Crystallex tem o direito de tomar bens e ativos da PdVSA nos EUA.

Hoje o ditador Nicolás Maduro anunciou o novo plano econômico para acabar com uma inflação prevista para atingir 1.000.000% em 2018 e 1.800.000% em dois anos, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Uma reforma monetária cortou cinco zeros e mudou o nome da moeda nacional para "bolívar soberano".

Pela cotação de hoje, um real compra 62.629 bolívares soberanos. A moeda será lastreada pelo petro, uma criptomoeda criada pelo regime chavista para escapar das sanções impostas pelos EUA. No discurso de Maduro, um petro vale US$ 60. A maioria dos economistas considera uma ficção.

Ao mesmo tempo, Maduro decretou um aumento de 3.500% no salário mínimo a partir de setembro e anunciou a intenção de aumentar o preço da gasolina venezuelana, a mais barata do mundo. O resultado foi uma corrida aos postos, aos bancos e aos supermercados.

Ninguém com um mínimo conhecimento de economia acredita no sucesso do plano, descrito pelo ditador patético como "mágico" e "revolucionário": "Nesta segunda-feira, a Venezuela começa um enorme processo de recuperação econômica. Estamos vivendo dias históricos, de uma mudança necessária e definitiva."

Nem o empresariado nem os economistas acreditam que as medidas anunciadas reduzam a inflação e o desabastecimento. Ao contrário. A corrida às compras indica que o mercado, dos pequenos consumidores aos grandes empresários, espera o agravamento da crise.

Nos últimos anos, 4 milhões de venezuelanos deixaram o a país, 63% por causa da situação econômica, conclui uma pesquisa divulgada pelo jornal La Patilla.

É a pior crise migratória da história da América Latina. Neste ritmo, pode superar a Síria, de onde fugiram 6 milhões de pessoas desde o início da guerra civil, em 2011. A explosão de violência em Pacaraima, na fronteira norte do Brasil, foi um alerta. A fuga em massa tende a aumentar.

A agonia do chavismo se arrasta sob Maduro rumo ao colapso ou a um golpe de Estado para acabar com um dos governos mais desastrosos da história. Até quando?

domingo, 18 de março de 2018

Descontentamento militar aumenta ameaça de golpe contra Maduro

Com a economia em colapso, cresce a ameaça de um golpe militar contra o ditador Nicolás Maduro na Venezuela. Há um expurgo silencioso em andamento dos oficiais que participaram da tentativa de golpe liderada pelo coronel Hugo Chávez contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 4 de fevereiro de 1992.

Mais de cem militares foram presos desde o início do ano, inclusive comandantes de batalhão, sargentos, tenentes e até mesmo generais. Na quinta-feira, foi detido o general Alexis López Ramírez, ex-secretário do Conselho de Defesa da Nação (Codena). As autoridades não confirmaram a prisão e a família não sabe onde ele está.

As casas dos coronéis Erik Peña e Igber José Marín Chaparro, comandante do Batalhão de Infantaria Motorizada Juan Pablo Ayala, foram revistadas por agentes da Direção Geral de Contrainteligência Militar na mesma quinta-feira. Eles foram detidos em 2 de março sob a suspeita de pertencerem ao Movimento de Transição para a Dignidade do Povo, de oposição a Maduro.

Em 14 de fevereiro, foram presos o ex-ministro do Interior general da reserva Miguel Rodríguez Torres e 19 oficiais da ativa da Força Armada Nacional Bolivarista (FANB), entre eles comandantes de unidades com alto poder de fogo.

Antes de sua prisão, o general López Ramírez manifestou solidariedade ao companheiro: "Minha solidariedade ao companheiro RodTor, suas filhas e toda a sua família. Tudo passará e a Venezuela recuperará o caráter republicano que nos legou Bolívar e a democracia que tanto esforço, sofrimento e sangue nos custou no século passado. Viva Bolívar! Viva a Venezuela!"

Um mês antes da prisão de Rodríguez, em 15 de janeiro, o policial e piloto de helicóptero rebelde Óscar Pérez foi sumariamente fuzilado quando tentava se entregar ao ser encurralado, meses depois de atacar o Ministério do Interior no ano passado.

Ao liquidar o Rambo venezuelano, o policial era dublê de personagem do cinema e da televisão, Maduro mandou um recado claro: nenhuma dissidência militar será tolerada. Com a oposição desarmada, o ditador sabe que qualquer desafio à sua autoridade virá dos homens em armas. O fim da ditadura depende de uma cisão interna.

Agora, o próximo preso seria o general Clíver Alcalá Cordones.

"Não tenho dúvidas em assinalar que a Venezuela enfrenta a pior crise militar desde 1992. A de 2002 foi palaciana, daí a diferença", alertou a advogada venezuelana Rocío San Miguel, diretora da organização não governamental Controle Cidadão, comparando a situação atual com o golpe contra o então presidente Hugo Chávez 16 anos atrás.

"Pela primeira vez em seis anos, incluo o golpe de Estado entre minhas hipóteses, não com alta probabilidade, mas sim como uma variável em crescimento sustentado. E não necessariamente violento, mas como um produto de um acordo do chavismo militar dentro da FANB", acrescentou a advogada.

Com o colapso da economia, 40% menor do que em 2013, quando Chávez morreu, uma inflação de 13.000% ao ano, dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), e desabastecimento generalizado, os venezuelanos estão passando fome. Cada cidadão perdeu em média oito quilos nos últimos anos.

O governo Maduro distribui cestas básicas na periferia na campanha para a eleição presidencial de 20 de maio, mas policiais e militares de baixas patentes estão excluídos das mordomias do fracassado "socialismo do século 21". Suas famílias também passam fome e outras necessidades, como a falta de medicamentos básicos. A inquietação nos quartéis mina o regime. A fome tem um poder revolucionário.

Entre os presos, "não há militares oposicionistas", observa a analista Sebastiana Barráez. "Tinham comando e só aos mais testados dão poder de fogo." Ela entende que Maduro "pôs toda a FANB sob suspeita porque acabam de cair os 'incondicionais', os 'profundamente chavistas' e do componente mais determinante, o Exército. Está justificado o alarme."

O expurgo dos "profundamente chavistas", os aliados de primeira hora da tentativa de golpe de 1992, com a prisão do ex-ministro Rodríguez Torres, na opinião da advogada Rocío San Miguel, "é apenas uma mostra da ruptura em marcha entre o chavismo e o madurismo nas FANB. São previsíveis novas prisões nas próximas horas", previu, antes da detenção de López Ramírez.

"Aqui não pode haver golpe de Estado. Estamos no século 21", declarou à televisão estatal TeleSur o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, homem-forte do regime. Mas admitiu: "Agora, há tentativas e conspirações, e do império estão movimentando suas marionetes aqui na Venezuela, tentando fazer o que é impossível, usar a FANB com propósitos obscuros. A FANB está curada, tem maturidade política suficiente, tem integridade constitucional suficiente."

Por outro lado, a oposição formou a Frente Ampla Venezuela Livre para protestar contra a eleição presidencial antecipada por Maduro. Durante várias reuniões durante o fim de semana, uma nota foi lida na Universidade Andrés Bello: "Ratificamos a Assembleia Nacional como único órgão legislativo e desconhecemos a assembleia nacional constituinte que, sem tempo nem condições, convocou um evento presidencial, legislativo, regional e municipal que deveria ser feito de forma separada por ordem constitucional. Propomos uma ampla aliança em que esteja incorporada a FANB para dizer não à farsa eleitoral. Queremos votar, mas sem repressão, perseguição e inabilitação."

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

FMI prevê hiperinflação de 13.000% neste ano na Venezuela

Com um colapso sem precedentes num país relativamente rico e moderno, o índice de preços ao consumidor na Venezuela pode chegar a um recorde 13.000% no fim de 2018, previu o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A economia da Venezuela, o país com as maiores reservas mundiais de petróleo, deve encolher 15% neste ano. No fim de 2018, o produto interno bruto do país será a metade do que era em 2013, quando morreu o caudilho Hugo Chávez, substituído pelo ditador Nicolás Maduro.

Os preços dobram a cada duas semanas. Mais de 80% dos produtos básicos, inclusive medicamentos e alimentos, desapareceram de farmácias e supermercados. O regime chavista anunciou uma renegociação da dívida, mas é muito mais provável um calote.

A solução do governo Maduro foi criar uma criptomoeda, o petro, para substituir o bolívar forte, que perdeu 98% do valor diante do dólar em 2017 porque o governo não para de imprimir dinheiro. A base monetária cresceu 14 vezes em12 meses. Pouca gente aceita a nova nota de 100 mil bolívares por falta de troco.

No câmbio negro, um dólar vale hoje 233.531,14 bolívares, 80 vezes mais do que um ano atrás.

É o 57º caso de hiperinflação da história. A maioria estava relacionada a guerras, casos da Alemanha depois da Primeira Guerra Mundial (30.000% ao mês em novembro de 1923) e da Hungria pós-Segunda Guerra Mundial (41,9 quatrilhões por cento em julho de 1946).

A América Latina inventou a hiperinflação em tempos de paz, durante a crise da dívida dos anos 1980s. Na Bolívia, chegou a 60.000% ao ano em 1985. No Brasil, estava em 5.500% ao ano quando o então ministro da Fazenda e futuro presidente Fernando Henrique Cardoso lançou o Plano Real, em julho de 1994.

Candidato a reeleição em eleição antecipada para até 30 de abril, o ditador Maduro usa a distribuição de remédios e comida para garantir a vitória, além de ter vetado a maioria dos candidatos da oposição.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Equador acaba com reeleição presidencial sem limites

Num plebiscito para encerrar a carreira política do ex-presidente Rafael Correa, 64% dos votantes aprovaram ontem em referendo uma proposta para acabar com a reeleição indefinida do presidente do Equador, noticiou o jornal equatoriano El Comercio. 

A "morte civil" dos condenados por corrupção, que não poderão mais exercer funções públicas, teve o apoio de 74%, um pouco mais do que o fim da prescrição dos crimes sexuais contra crianças, aprovado por 73,73%.

O Conselho Nacional Eleitoral, que ainda deve divulgar o resultado oficial, anunciou a participação de 82% do eleitorado nos sete plebiscitos. Na prática, a consulta popular enterra a versão equatoriana do "socialismo do século 21" pregado pelo finado caudilho venezuelano Hugo Chávez.

Eleito com o apoio de Correa, o presidente Lenín Moreno rompeu com o padrinho e festejou o resultado: "Hoje é o tempo dos jovens líderes. Partidos políticos: renovem-se! O povo disse sim. Os políticos que ansiavam se eternizar no poder não voltarão nunca mais. O Equador disse sim", escreveu ele no Twitter.

O ex-presidente Correa, que se mudou para a Bélgica, depôs nesta segunda-feira em Quito num processo sobre negócios com a Petrochina para venda de petróleo à China e à Tailândia.

A ruptura entre Moreno e Correa foi marcada pela prisão e condenação do ex-vice-presidente Jorge Glas num escândalo de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Nova nota de 100 mil bolívares perde 33% do valor em 43 dias

Menos de um mês e meio depois da entrada em circulação, a nova nota de 100 mil bolívares perdeu mais de um terço do poder aquisitivo para a hiperinflação, afirmou o economista e deputado Ángel Alvarado, citado pelo boletim de notícias digital Dolar Today.

"A nota de 100 mil bolívares lançada em novembro vale agora 64.102,56, o que equivale a dizer que perdeu mais de um terço do valor em pouco mais de um mês", declarou o deputado oposicionista. Não compra mais nem um dólar, cotado hoje no câmbio negro a 115.734,62 bolívares.

De acordo com os dados levantados pela Assembleia Nacional, de maioria oposicionista, a inflação de novembro foi de 56,7% e o acumulado em 2017 chegou a 1.370%. A expectativa é que chegue a 2.000% ou 2.100%.

"O processo hiperinflacionário que estamos vivendo faz o venezuelano cada dia mais pobre e o bolívar cada dia mais fraco. O responsável é o governo, que tomou decisões muito ruins", acrescentou Alvarado.

Com o fracasso das políticas de controle dos preços e do câmbio, o "socialismo do século 21" apelou à impressão de mais e mais dinheiro. "Só em novembro, o Banco Central da Venezuela colocou em circulação 33 bilhões de bolívares, duplicando a base monetária", diagnosticou o deputado.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Delegado deixa cargo na Constituinte fraudulenta de Maduro

Depois de ler um texto denunciando o sectarismo do regime chavista, o jornalista Earle Herrera, delegado da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada pelo ditador Nicolás Maduro, decidiu abandonar a presidência da Comissão de Diversidade, informou o jornal Latin American Herald Tribune.

A Constituinte de Maduro só foi reconhecida pela Rússia, a Síria, a Bolívia e a Nicarágua. Foi repudiada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), os Estados Unidos, o Brasil e outros 40 países.

Chavista de primeira hora, Herrera tem um programa na televisão estatal, onde leu um texto do jornalista Eleazar Díaz Rangel sobre o sectarianismo em crises passadas na Venezuela e declarou: "Concordo plenamente", comentou Herrera.

É o segundo chavista importante que rompe com Maduro. A ex-procuradora-geral Luisa Ortega Díaz condenou a convocação da Constituinte por não ter sido submetida a um plebiscito, como prevê a Constituição da República Bolivarista da Venezuela, e assim desonrar a herança de Hugo Chávez. Ameaçada, ela saiu clandestinamente do país e denuncia o governo Maduro como ditatorial.

sábado, 8 de julho de 2017

Venezuela tira da cadeia o líder oposicionista Leopoldo López

Por motivo de saúde, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela decidiu tirar da cadeia na madrugada de hoje o líder oposicionista Leopoldo López, do partido direitista Vontade Popular. Ele estava preso há mais de três anos no quartel de Ramo Verde, acusado pela onda de protestos iniciada em fevereiro de 2014, que resultou em 42 mortes. Vai agora para prisão domiciliar.

Vários líderes oposicionistas manifestaram apoio a López, inclusive o governador Henrique Capriles, derrotado nas duas últimas eleições presidenciais. Ele exigiu liberdade total para López. O país tem cerca de 300 presos políticos.

No momento, amigos, líderes políticos e da sociedade civil se concentram diante da casa de López, onde o líder oposicionista chegou às 4h (5h em Brasília). Agentes do Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin) que cercavam a casa mais cedo foram embora.

"Saudamos a libertação de Leopoldo López, oportunidade de reconciliação nacional e saída democrática da crise", declarou o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, ex-ministro do Exterior do Uruguai, descrevendo-a como um "primeiro passo".

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Maduro ameaça usar a força para conseguir o que não puder pelo voto

Cada vez mais acuado, o ditador Nicolás Maduro ameaçou "ir às armas" para conseguir o que não puder conquistar "com os votos" na Venezuela, caso a revolução chavista seja ameaçada pelo movimento pela democracia, noticiou o boletim de notícias Dolar Today.

"Se a Venezuela naufragasse no caos e na violência, e a revolução bolivarista fosse destruída, nós iríamos para o combate, nós jamais nos renderíamos e o que não se pôde fazer pelo votos faríamos com armas, liberaríamos nossa pátria com armas", afirmou Maduro em discurso para militantes chavistas em Caracas.

Para o advogado constitucionalista José Vicente Haro, o chefe de Estado venezuelano cometeu três crimes previstos no Código Penal venezuelano: incitação à delinquência, apologia do delito e conspiração.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Supremo da Venezuela proíbe procuradora-geral de sair do país

Em mais uma medida autoritária e fascista da ditadura de Nicolás Maduro, o Tribunal Supremo de Justiça congelou as contas bancárias da procuradora-geral da República, Luisa Ortega Díaz, e a proibiu de deixar a Venezuela, informou o boletim de notícias Dolar Today.

O tribunal agiu a pedido do deputado chavista Pedro Carreño e marcou uma audiência com as partes para 4 de julho. Em nota, explicou a decisão: "As medidas cautelares tomadas pelo plenário para garantir o andamento do processo consistem no seguinte: proibição de saída do país da cidadã Luisa Ortega Díaz; proibição de alienar e gravar todos os seus bens; e congelar todas as suas contas bancárias.""

A procuradora-geral virou alvo de Maduro quando contestou a decisão do TSJ de assumir os poderes legislativos da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, e limitar a imunidade parlamentar, que considerou uma "ruptura da ordem constitucional".

Luisa Ortega também rejeitou a convocação por Maduro de uma Assembleia Nacional Constituinte eleita indiretamente por entidades, chamando-a de "traição à memória de Hugo Chávez" e de sua Constituição da República Bolivarista da Venezuela.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Maduro é atacado com garrafas e ovos na Venezuela

Com o aumento da revolta popular contra o governo por causa da crise econômica na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro foi xingado e alvejado com ovos e garrafas na terça-feira à noite em Caracas quando andava num jipe do Exército aberto. Cinco jovens de 15 a 20 anos foram presos como suspeitos do ataque.

Foi o segundo ataque contra Maduro em seis meses. Em setembro de 2016, a comitiva do presidente venezuelano foi atacada em Vila Rosa, na Ilha Margarita. Maduro foi obrigado a descer e fugir a pé cercado de gente que o xingava.

Dezenas de pessoas foram presas depois da revolta popular de Vila Rosa. Braulio Jatar, o primeiro jornalista a divulgar um vídeo do evento, está preso até hoje.

A ação direta contra Maduro acontece num momento de aumento da violência política na Venezuela. O país vive a pior crise econômica de sua história moderna, com inflação de 720% ao ano, queda de 17% do produto interno bruto nos últimos anos e desabastecimento generalizado.

Diante do fracasso do regime chavista e do "socialismo do século 21", a oposição obteve uma ampla vitória nas eleições parlamentares de 2015. Desde o início do ano passado, tem maioria na Assembleia Nacional.

Por orientação do regime, a Justiça impugnou a eleição de três deputados para tirar a maioria qualificada de dois terços, que daria direito de reformar a Constituição da República Bolivarista da Venezuela. Como os deputados foram empossados, o Tribunal Supremo tentou cassar os poderes constitucionais do Legislativo sob a acusação de desacato a uma decisão da Justiça.

Também na terça-feira, 11 de abril, aniversário do golpe contra o então presidente Hugo Chávez em 2002, um jovem de 14 anos, Brayan Principal, foi morto durante protesto contra Maduro em Barquisímetro, no estado de Lara.

Desde o início da atual onda de protestos, em 6 de abril, três pessoas morreram.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Maduro nomeia filho para fiscalizar obras da Odebrecht

Enquanto dez países da América Latina abrem inquéritos para investigar as denúncias de corrupção envolvendo a construtora Odebrecht reveladas pela Operação Lava Jato, a ditadura chavista da Venezuela trabalha ativamente para acobertar seus crimes. O presidente Nicolás Maduro nomeou seu filho Nicolás Ernesto Maduro Guerra para fiscalizar as obras da Odebrecht no país.

Desde 25 de janeiro de 2017, Nicolasito é diretor-geral da Direção Geral de Delegações e Instruções Presidenciais. Seu escritório fica dentro do Ministério dos Transportes, principal responsável pelos contratos firmados com a Odebrecht, maior empresa de construção civil do Brasil.

Durante a presidência do finado caudilho Hugo Chávez, a corrupção se alastrou na Venezuela, que faturou mais de US$ 1 trilhão em petróleo e hoje não tem dinheiro para importar papel higiênico. Chávez promovia eventos para celebrar cada um dos contratos celebrados com a Odebrecht. Tudo deveria ser investigado, mas não pelo filho do atual presidente.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Condenação de López é fim da democracia na Venezuela, diz chefe da OEA

A confirmação de sentença condenatória ao líder da oposição Leopoldo López é o "marco" do fim da democracia e do Estado de Direito na Venezuela, afirmou ontem o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior do Uruguai Luis Almagro.

Em carta aberta a López, preso desde fevereiro de 2014 sob a acusação de incitar à violência, Almagro o chama de "amigo" e descreve o regime chavista venezuelano como uma "tirania":

"Nenhum foro regional ou sub-regional pode ignorar que hoje na Venezuela não há democracia nem Estado de Direito", acusa o ex-chanceler uruguaio. "Estou convencido de que não existem razões jurídicas, políticas, morais ou éticas para não se pronunciar e não condenar um governo que desqualificou a si próprio."

Na sua visão, o governo do presidente Nicolás Maduro "tem presos políticos que são torturados", "ignora a separação de poderes", "sofre uma profunda crise humanitária e ética" e "desconhece o direito constitucional de revogar o mandato do presidente".

Sob Maduro, acrescentou Almagro, "impera a intimidação política". Ele citou como exemplos as prisões de López e do ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, a cassação do mandato da deputada María Corina Machado e a agressão ao deputado Julio Borges.

Tudo isso acontece sob a pior crise econômica da história recente da Venezuela, com queda prevista de 8% do produto interno bruto em 2016 depois de baixa de 10% no ano passado, desabastecimento de 80% dos produtos normalmente encontrados em supermercados e uma inflação que deve chegar a 720% neste ano. O país tem ainda um dos maiores índices de homicídios do mundo fora de zonas em guerra.

Desde que assumiu a Secretaria Geral da OEA, em maio do ano passado, Almagro é um dos maiores críticos do regime chavista. O ex-chanceler uruguaio no governo José Mujica denunciou o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff como um golpe parlamentar, mas não pediu o afastamento do Brasil da OEA.

Em maio, o secretário-geral acusou a Venezuela de violar a cláusula democrática, que permite suspender um país temporariamente das atividades da organização regional.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Igreja Católica propõe diálogo nacional na Venezuela

A Igreja Católica vai entrar em contato com os principais partidos políticos da Venezuela para promover um diálogo nacional para tentar acabar com o espaço político do país, informou hoje o jornal Panorama.

O virtual colapso da economia com as políticas antiliberais do "socialismo do século 21" do falecido caudilho Hugo Chávez e a queda nos preços do petróleo geraram uma crise política sem precedentes que ameaça o presidente Nicolás Maduro.

Uma possível visita do papa Francisco à Venezuela depende de um convite oficial do governo e do avanço do diálogo. O Vaticano defende uma transição para superar as crises do regime chavista.

Tanto o governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) quanto a coalizão oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD) têm boas relações com o papa. Estão avaliando a proposta.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Venezuela aumenta gasolina em mais de 6.000%

A partir de 19 de fevereiro, o preço do litro da gasolina na Venezuela vai passar de 0,097 para 6 bolívares, um aumento de 6.085%. A gasolina comum sobe de 7 centavos para 1 bolívar, anunciou ontem à tarde o presidente Nicolás Maduro.

Foi o primeiro aumento dos combustíveis do regime chavista. O último havia sido em 1997, no segundo governo Rafael Caldera, antes da primeira eleição de Hugo Chávez, em 1998.

Maduro declarou que o novo preço cobrirá os custos de produção e permitirá algum ganho para o Estado venezuelano, quebrado por causa da queda de 70% nos preços internacionais do petróleo desde junho de 2014. Ele também anunciou uma desvalorização de 37% na cotação oficial do bolívar, de 6,30 para 10 bolívares por dólar, que continua muito distante da realidade.

No mercado paralelo, o dólar foi cotado ontem a 1.045,90 bolívares e o euro a 1.164,93, informa o boletim de notícias Dolar Today. Acusados pelo presidente Maduro de liderar uma "guerra econômica" contra o país, os responsáveis alegaram: "Não imprimimos dinheiro nem somos responsáveis pela política monetária." E ironizaram: "Que revolução é essa que não resiste a um sítio de Internet?"

Com recessão de 10% no ano passado e 8% prevista para este, a maior inflação do mundo, que deve chegar a 720% em 2016 pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI), desabastecimento generalizado e a queda na arrecadação com petróleo, a Venezuela tem hoje o pior desempenho econômico do mundo. É uma economia à beira do colapso.

O último grande aumento da gasolina, em 1989, no governo Carlos Andrés Pérez, sob pressão do Fundo Monetário Internacional, provocou uma onda de protesto de rua conhecido como Caracaço em que pelo menos 276 foram mortas. A matança foi uma das razões que levou o então coronel Hugo Chávez à política. Em 1992, ele liderou um golpe fracassado contra Andrés Pérez. Anistiado pelo presidente Rafael Caldera, chegou à Presidência em 1998.

O governo venezuelano tem um pagamento de US$ 2,1 bilhões da dívida pública na próxima semana. Talvez o calote não venha agora, mas na visão do mercado é inevitável.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Dólar passa de mil bolívares no mercado paralelo na Venezuela

O dólar ultrapassou hoje a marca de mil bolívares no mercado paralelo da Venezuela, quase 160 vezes acima da cotação oficial de 6,30 bolívares, informa o boletim de notícias Dolar Today. 

Desde 2003, o regime chavista controla o câmbio. Assim, por incrível que pareça, o país com as maiores reservas mundiais de petróleo, que faturou mais de US$ 1 trilhão com o produto desde que Hugo Chávez chegou ao poder, em 1999, não tem dinheiro para pagar a importação de produtos básicos.

Com a queda nos preços internacionais, o barril de petróleo venezuelano vale hoje US$ 24,16. O dólar no mercado negro está em 1.003,23 bolívares. O euro vale 1.121,71 bolívares. As reservas do país em moedas fortes mal passam de US$ 15 bilhões.

Em artigo no jornal britânico Financial Times, o economista venezuelano Ricardo Hausmann, ex-diretor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), hoje diretor do Centro para o Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard, adverte que a Venezuela está à beira do abismo.

Hausman considera um calote inevitável e prevê uma crise como a da Argentina depois do fim da dolarização da era Menem: "A hipótese mais provável é de um colapso econômico iminente e uma crise humanitária. Internacionalmente, será o maior e mais confuso calote de dívida pública de mercados emergentes desde a crise argentina de 2001.

No artigo, o economista acusa o falecido caudilho Hugo Chávez de aumentar as despesas em vez de economizar quando a cotação do petróleo passava de US$ 100 por barril, quadruplicando a dívida externa, hoje em US$ 120 bilhões, enquanto destruía o setor privado da economia venezuelana com confiscos, desapropriações, controles de preços, do câmbio e das importações.

"O ano de 2015 foi um annus horribilis na Venezuela, com declínio de 10% no produto interno bruto, depois de uma queda de 4% em 2014. A inflação passou de 200%. O déficit público se inflou para 20% do PIB, financiado pela impressão" de dinheiro, analisou Hausmann. "No mercado livre, o bolívar perdeu 92% do valor em dois anos."

Nessas condições, apesar da propaganda oficial, do uso abusivo de dinheiro público, dos meios de comunicação e da máquina do Estado, a oposição venceu as eleições de 6 de dezembro de 2015 para a Assembleia Nacional. Com a ajuda de uma Justiça subserviente, o governo conseguiu impugnar os mandatos de alguns deputados para tirar a supermaioria de dois terços que daria à oposição o direito de reformar a Constituição.

"Por piores que sejam esses números, 2016 parece dramaticamente pior. As importações, que caíram 20% em 2015 para US$ 37 bilhões, teriam de cair mais 40%, mesmo se o país parar de pagar o serviço da dívida", adverte o ex-diretor do BID.

A inflação de fevereiro está em 11,5% e a acumulada no ano passa de 80%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que chegará a 720%.

Pelos cálculos de Hausmann, se os preços do petróleo se mantiverem nos níveis de janeiro, as exportações em 2016 ficarão abaixo de US$ 18 bilhões. Como os juros da dívida devem consumir US$ 10 bilhões, sobrariam US$ 8 bilhões para pagar pelas importações. Por causa das políticas do "socialismo do século 21", a Venezuela não consegue tomar empréstimos no mercado financeiro internacional.

Sem desmontar as políticas econômicas fracassadas da "revolução bolivarista" de Chávez, o governo denuncia uma "guerra econômica" movida pela burguesia nacional em aliança com o imperialismo dos Estados Unidos e da Europa. O ministro da Economia, o jovem sociólogo marxista radical Luis Salas, rejeita qualquer reforma para reintroduzir elementos de mercado.

O presidente Nicolás Maduro acenou com a possibilidade de aumentar o preço da gasolina mais barata do mundo. Com um dólar hoje, é possível comprar 10 mil litros de combustível na Venezuela.

Apesar da reiterada e renovada omissão dos países vizinhos, a começar pelo Brasil, sob o pretexto de não interferir nos assuntos internos de outro país, é a região que sofrerá o maior impacto de um colapso da que já foi a terceira maior economia da América do Sul, hoje ultrapassada pela Colômbia. As dívidas com empresas de países vizinhos somam bilhões de dólares.

A Colômbia já sofre com o fechamento parcial da fronteira ordenado por Maduro em setembro do ano passado para decretar estado de emergência durante a campanha eleitoral.

Em Caracas, sem condições de mudar por si só as desastrosas políticas econômicas do chavismo, a oposição se articula para tentar convocar um referendo para revogar o mandato de Maduro. Mas o regime, que se considera revolucionário, não vai ceder. A convulsão social é inevitável e o risco de uma guerra civil não pode ser afastado.