A ditadura chavista da Venezuela está cogitando a possibilidade de criar uma nova empresa de petróleo e gás para substituir a estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) e desenvolver projetos de energia com sócios estrangeiros, noticiou a empresa Argus, especializada em informações no mercado de energia.
O projeto é uma clara tentativa do governo Nicolás Maduro e da PdVSA de enganar os credores internacionais e os pedidos de arbitragem. Se for levado adiante, vai deflagrar uma onda de ações judiciais em múltiplas frentes. Os credores não vão deixar barato.
Até o fim de 2019, a Venezuela e a PdVSA precisam fazer pagamentos de US$ 3 bilhões, inclusive US$ 500 milhões de um acordo de arbitragem feito com a companhia americana ConocoPhillips, que teve seus negócios no país encampados no governo Hugo Chávez. Se não cumprir o acordo, pode ter propriedades e outros ativos na região do Mar do Caribe arrestados para pagar a dívida.
Pelo acordo, a PdVSA deve indenizar a ConocoPhillips em US$ 2 bilhões. A Venezuela e a PdVSA já deram calote em dívidas de US$ 6,4 bilhões.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 24 de outubro de 2018
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
Venezuela paga US$ 2 bilhões de compensação à ConocoPhillips
A companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA) concordou hoje em pagar US$ 2 bilhões de compensação à empresa americana ConocoPhillips pela expropriação de seus negócios no país, em 2007, pelo então presidente Hugo Chávez, acabando com uma ação judicial que ameaçava suas exportações.
O valor é o mesmo arbitrado pelo tribunal da Câmara Internacional de Comércio em abril deste ano. A pressão sobre a estatal venezuelana aumentou em maio, quando a Conoco obteve autorização da Justiça da Holanda para assumir o controle de ativos da PdVSA em Curaçao, Bonaire, Santo Estácio e Aruba, ilhas do Mar do Caribe.
Como o petróleo da Venezuela é pesado, o país precisa importar outros tipos de petróleo para o refino. Por isso e porque o país tem as maiores reservas mundiais, a PdVSA tem plataformas e refinarias nas ilhas caribenhas.
Em troca do fim de todas as ações judiciais, a PdVSA prometeu pagar US$ 500 milhões dentro de 90 dias o resto, US$ 1,5 bilhão, com juros, em parcelas trimestrais nos próximos quatro anos e meio. A Conoco afirma que o acordo "atende a todas as exigências regulatórias dos Estados Unidos, inclusive quaisquer sanções impostas pelos EUA à Venezuela."
A Conoco move outra ação contra a Venezuela no Centro de Resolução de Conflitos sobre Investimentos do Banco Mundial. O tribunal condenou a Venezuela por estatizar as propriedades da Conoco, mas ainda não estipulou o valor da indenização.
No início do mês, a empresa canadense Crystallex avançou na luta por uma indenização de US$ 1,4 bilhão pela expropriação de um projeto de exploração de ouro na Venezuela. Um juiz federal do estado de Delaware aceitou uma petição argumentando que a Crystallex tem o direito de tomar bens e ativos da PdVSA nos EUA.
Hoje o ditador Nicolás Maduro anunciou o novo plano econômico para acabar com uma inflação prevista para atingir 1.000.000% em 2018 e 1.800.000% em dois anos, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Uma reforma monetária cortou cinco zeros e mudou o nome da moeda nacional para "bolívar soberano".
Pela cotação de hoje, um real compra 62.629 bolívares soberanos. A moeda será lastreada pelo petro, uma criptomoeda criada pelo regime chavista para escapar das sanções impostas pelos EUA. No discurso de Maduro, um petro vale US$ 60. A maioria dos economistas considera uma ficção.
Ao mesmo tempo, Maduro decretou um aumento de 3.500% no salário mínimo a partir de setembro e anunciou a intenção de aumentar o preço da gasolina venezuelana, a mais barata do mundo. O resultado foi uma corrida aos postos, aos bancos e aos supermercados.
Ninguém com um mínimo conhecimento de economia acredita no sucesso do plano, descrito pelo ditador patético como "mágico" e "revolucionário": "Nesta segunda-feira, a Venezuela começa um enorme processo de recuperação econômica. Estamos vivendo dias históricos, de uma mudança necessária e definitiva."
Nem o empresariado nem os economistas acreditam que as medidas anunciadas reduzam a inflação e o desabastecimento. Ao contrário. A corrida às compras indica que o mercado, dos pequenos consumidores aos grandes empresários, espera o agravamento da crise.
Nos últimos anos, 4 milhões de venezuelanos deixaram o a país, 63% por causa da situação econômica, conclui uma pesquisa divulgada pelo jornal La Patilla.
É a pior crise migratória da história da América Latina. Neste ritmo, pode superar a Síria, de onde fugiram 6 milhões de pessoas desde o início da guerra civil, em 2011. A explosão de violência em Pacaraima, na fronteira norte do Brasil, foi um alerta. A fuga em massa tende a aumentar.
A agonia do chavismo se arrasta sob Maduro rumo ao colapso ou a um golpe de Estado para acabar com um dos governos mais desastrosos da história. Até quando?
O valor é o mesmo arbitrado pelo tribunal da Câmara Internacional de Comércio em abril deste ano. A pressão sobre a estatal venezuelana aumentou em maio, quando a Conoco obteve autorização da Justiça da Holanda para assumir o controle de ativos da PdVSA em Curaçao, Bonaire, Santo Estácio e Aruba, ilhas do Mar do Caribe.
Como o petróleo da Venezuela é pesado, o país precisa importar outros tipos de petróleo para o refino. Por isso e porque o país tem as maiores reservas mundiais, a PdVSA tem plataformas e refinarias nas ilhas caribenhas.
Em troca do fim de todas as ações judiciais, a PdVSA prometeu pagar US$ 500 milhões dentro de 90 dias o resto, US$ 1,5 bilhão, com juros, em parcelas trimestrais nos próximos quatro anos e meio. A Conoco afirma que o acordo "atende a todas as exigências regulatórias dos Estados Unidos, inclusive quaisquer sanções impostas pelos EUA à Venezuela."
A Conoco move outra ação contra a Venezuela no Centro de Resolução de Conflitos sobre Investimentos do Banco Mundial. O tribunal condenou a Venezuela por estatizar as propriedades da Conoco, mas ainda não estipulou o valor da indenização.
No início do mês, a empresa canadense Crystallex avançou na luta por uma indenização de US$ 1,4 bilhão pela expropriação de um projeto de exploração de ouro na Venezuela. Um juiz federal do estado de Delaware aceitou uma petição argumentando que a Crystallex tem o direito de tomar bens e ativos da PdVSA nos EUA.
Hoje o ditador Nicolás Maduro anunciou o novo plano econômico para acabar com uma inflação prevista para atingir 1.000.000% em 2018 e 1.800.000% em dois anos, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Uma reforma monetária cortou cinco zeros e mudou o nome da moeda nacional para "bolívar soberano".
Pela cotação de hoje, um real compra 62.629 bolívares soberanos. A moeda será lastreada pelo petro, uma criptomoeda criada pelo regime chavista para escapar das sanções impostas pelos EUA. No discurso de Maduro, um petro vale US$ 60. A maioria dos economistas considera uma ficção.
Ao mesmo tempo, Maduro decretou um aumento de 3.500% no salário mínimo a partir de setembro e anunciou a intenção de aumentar o preço da gasolina venezuelana, a mais barata do mundo. O resultado foi uma corrida aos postos, aos bancos e aos supermercados.
Ninguém com um mínimo conhecimento de economia acredita no sucesso do plano, descrito pelo ditador patético como "mágico" e "revolucionário": "Nesta segunda-feira, a Venezuela começa um enorme processo de recuperação econômica. Estamos vivendo dias históricos, de uma mudança necessária e definitiva."
Nem o empresariado nem os economistas acreditam que as medidas anunciadas reduzam a inflação e o desabastecimento. Ao contrário. A corrida às compras indica que o mercado, dos pequenos consumidores aos grandes empresários, espera o agravamento da crise.
Nos últimos anos, 4 milhões de venezuelanos deixaram o a país, 63% por causa da situação econômica, conclui uma pesquisa divulgada pelo jornal La Patilla.
É a pior crise migratória da história da América Latina. Neste ritmo, pode superar a Síria, de onde fugiram 6 milhões de pessoas desde o início da guerra civil, em 2011. A explosão de violência em Pacaraima, na fronteira norte do Brasil, foi um alerta. A fuga em massa tende a aumentar.
A agonia do chavismo se arrasta sob Maduro rumo ao colapso ou a um golpe de Estado para acabar com um dos governos mais desastrosos da história. Até quando?
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terça-feira, 22 de maio de 2018
Advogados da Venezuela concordam em pagar dívida da PdVSA
A empresa estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) aceitou ontem pagar US$ 2 bilhões à companhia petrolífera americana ConocoPhillips para que a Justiça de Curaçao, uma colônia da Holanda, levante a hipoteca sobre seus bens e ativos.
No início do mês, tribunais holandeses nas ilhas de Bonaire, Curaçao e Santo Eustáquio determinaram a indisponibilidade de bens da PdVSA, inclusive petróleo bruto, uma refinaria e terminais de exportações de petróleo.
Em abril, um painel de arbitragem da Câmara de Comércio Internacional decidiu que a PdVSA deve pagar US$ 2 bilhões de compensação à ConocoPhillips pela nacionalização da filial da empresa na Venezuela em 2007, durante o governo Hugo Chávez.
Sob o "socialismo do século 21" do chavismo, a Venezuela engendrou a pior crise econômica da história da América, superando a Grande Depressão (1929-39) nos Estados Unidos. Duas décadas de incompetência gerencial, clientelismo e corrupção e a forte queda nos preços do petróleo desde junho de 2014 deixaram na miséria 81% dos habitantes do país com as maiores reservas mundiais de petróleo.
Agora, quando o preço do petróleo volta a superar os US$ 70 por barril, a PdVSA está totalmente sucateada, com a produção reduzida à metade para cerca de 1,4 milhão de barris por dia.
No início do mês, tribunais holandeses nas ilhas de Bonaire, Curaçao e Santo Eustáquio determinaram a indisponibilidade de bens da PdVSA, inclusive petróleo bruto, uma refinaria e terminais de exportações de petróleo.
Em abril, um painel de arbitragem da Câmara de Comércio Internacional decidiu que a PdVSA deve pagar US$ 2 bilhões de compensação à ConocoPhillips pela nacionalização da filial da empresa na Venezuela em 2007, durante o governo Hugo Chávez.
Sob o "socialismo do século 21" do chavismo, a Venezuela engendrou a pior crise econômica da história da América, superando a Grande Depressão (1929-39) nos Estados Unidos. Duas décadas de incompetência gerencial, clientelismo e corrupção e a forte queda nos preços do petróleo desde junho de 2014 deixaram na miséria 81% dos habitantes do país com as maiores reservas mundiais de petróleo.
Agora, quando o preço do petróleo volta a superar os US$ 70 por barril, a PdVSA está totalmente sucateada, com a produção reduzida à metade para cerca de 1,4 milhão de barris por dia.
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