A companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA) concordou hoje em pagar US$ 2 bilhões de compensação à empresa americana ConocoPhillips pela expropriação de seus negócios no país, em 2007, pelo então presidente Hugo Chávez, acabando com uma ação judicial que ameaçava suas exportações.
O valor é o mesmo arbitrado pelo tribunal da Câmara Internacional de Comércio em abril deste ano. A pressão sobre a estatal venezuelana aumentou em maio, quando a Conoco obteve autorização da Justiça da Holanda para assumir o controle de ativos da PdVSA em Curaçao, Bonaire, Santo Estácio e Aruba, ilhas do Mar do Caribe.
Como o petróleo da Venezuela é pesado, o país precisa importar outros tipos de petróleo para o refino. Por isso e porque o país tem as maiores reservas mundiais, a PdVSA tem plataformas e refinarias nas ilhas caribenhas.
Em troca do fim de todas as ações judiciais, a PdVSA prometeu pagar US$ 500 milhões dentro de 90 dias o resto, US$ 1,5 bilhão, com juros, em parcelas trimestrais nos próximos quatro anos e meio. A Conoco afirma que o acordo "atende a todas as exigências regulatórias dos Estados Unidos, inclusive quaisquer sanções impostas pelos EUA à Venezuela."
A Conoco move outra ação contra a Venezuela no Centro de Resolução de Conflitos sobre Investimentos do Banco Mundial. O tribunal condenou a Venezuela por estatizar as propriedades da Conoco, mas ainda não estipulou o valor da indenização.
No início do mês, a empresa canadense Crystallex avançou na luta por uma indenização de US$ 1,4 bilhão pela expropriação de um projeto de exploração de ouro na Venezuela. Um juiz federal do estado de Delaware aceitou uma petição argumentando que a Crystallex tem o direito de tomar bens e ativos da PdVSA nos EUA.
Hoje o ditador Nicolás Maduro anunciou o novo plano econômico para acabar com uma inflação prevista para atingir 1.000.000% em 2018 e 1.800.000% em dois anos, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Uma reforma monetária cortou cinco zeros e mudou o nome da moeda nacional para "bolívar soberano".
Pela cotação de hoje, um real compra 62.629 bolívares soberanos. A moeda será lastreada pelo petro, uma criptomoeda criada pelo regime chavista para escapar das sanções impostas pelos EUA. No discurso de Maduro, um petro vale US$ 60. A maioria dos economistas considera uma ficção.
Ao mesmo tempo, Maduro decretou um aumento de 3.500% no salário mínimo a partir de setembro e anunciou a intenção de aumentar o preço da gasolina venezuelana, a mais barata do mundo. O resultado foi uma corrida aos postos, aos bancos e aos supermercados.
Ninguém com um mínimo conhecimento de economia acredita no sucesso do plano, descrito pelo ditador patético como "mágico" e "revolucionário": "Nesta segunda-feira, a Venezuela começa um enorme processo de recuperação econômica. Estamos vivendo dias históricos, de uma mudança necessária e definitiva."
Nem o empresariado nem os economistas acreditam que as medidas anunciadas reduzam a inflação e o desabastecimento. Ao contrário. A corrida às compras indica que o mercado, dos pequenos consumidores aos grandes empresários, espera o agravamento da crise.
Nos últimos anos, 4 milhões de venezuelanos deixaram o a país, 63% por causa da situação econômica, conclui uma pesquisa divulgada pelo jornal La Patilla.
É a pior crise migratória da história da América Latina. Neste ritmo, pode superar a Síria, de onde fugiram 6 milhões de pessoas desde o início da guerra civil, em 2011. A explosão de violência em Pacaraima, na fronteira norte do Brasil, foi um alerta. A fuga em massa tende a aumentar.
A agonia do chavismo se arrasta sob Maduro rumo ao colapso ou a um golpe de Estado para acabar com um dos governos mais desastrosos da história. Até quando?
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador bolívar soberano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bolívar soberano. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
Assinar:
Postagens (Atom)