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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

PetroChina suspende importação de petróleo da Venezuela

Para escapar da sanções impostas pelos Estados Unidos, a companhia estatal PetroChina parou de comprar petróleo da Venezuela, noticiou hoje a agência de notícias Bloomberg.

A China é a maior importadora de petróleo bruto da Venezuela, junto com a Índia. Em junho, comprou cerca de 275 mil barris por dia.

A decisão reduz o risco da PetroChina ser afetada pelas sanções cruzadas, embora possa tentar fazer isso indiretamente, através de outras empresas.

O presidente Donald Trump aumentou as sanções contra a ditadura de Nicolás Maduro e a companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA), com o objetivo de aumentar a pressão para derrubar o regime chavista.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Racionar gasolina na Venezuela é como racionar areia no deserto


Havia uma piada na extinta União Soviética que dizia o seguinte: “Se o Partido Comunista tomar o poder no Deserto do Saara, em dois anos, vai começar a faltar areia.” O editor-chefe do jornal francês Libération, Laurent Joffrin, lembrou essa história para comparar com a crise atual na Venezuela.

O país com as maiores reservas de petróleo do mundo vendeu mais de um trilhão de dólares em petróleo. Há algum tempo, não tem dinheiro nem para importar papel higiênico.

Nos últimos anos, os venezuelanos que moram perto das fronteiras com o Brasil e a Colômbia se acostumaram a comprar tudo nos países vizinhos, menos combustíveis, enquanto brasileiros e colombianos enchiam o tanque do lado da Venezuela.

A distorção é tanta que no ano passado, quando o governo aumentou os preços em 6 mil por cento, um dólar comprava 3 milhões e meio de litros. No início do ano, custava seis bolívares. Com a virtual destruição do valor da moeda venezuelana, o preço médio no resto do mundo era equivalente a 15 mil bolívares.

Agora, o impossível aconteceu. A gasolina na Venezuela está racionada. Os motoristas formam longas filas sem a garantia de que haverá combustível quando chegar a sua vez. Meu comentário:



Como de costume, o ditador Nicolás Maduro acusa os Estados Unidos. No início do ano, o governo Donald Trump impôs um boicote à empresa estatal Petróleos de Venezuela, a PdVSA, que agora inclui até as substâncias necessárias para refinar o petróleo venezuelano, que é pesado.

Mas a queda na produção vem desde a greve de 2002, quando o então presidente Hugo Chávez demitiu boa parte dos técnicos e especialistas.

No pico, em 1998, ano da primeira eleição de Chávez, a Venezuela produzia 3 milhões de barris de petróleo por dia. Com o sucateamento da empresa, a produção da maior riqueza do país caiu para 500 mil barris diários. Até o fim de 2020, pode baixar para 375 mil barris por dia.

Nos anos 1970s, a Venezuela tinha a maior renda per capita da América Latina. Quando Chávez assumiu o poder, em 1999, era a segunda maior, abaixo apenas da Argentina.

Com o virtual colapso da economia, o produto interno bruto caiu pela metade desde que Maduro sucedeu a Chávez, que morreu de câncer em 2013. A inflação de 2019 está estimada em 10 milhões por cento e o desabastecimento é generalizado, inclusive de remédios e alimentos.

Cada venezuelano perdeu em média oito quilos por falta de comida. A escassez de remédios aumenta a mortalidade e traz de volta doenças praticamente erradicadas como varíola e sarampo.

Diante da pior crise de uma economia relativamente desenvolvida na era moderna, mais de 4 milhões de venezuelanos fugiram do país nos últimos anos, informam as Nações Unidas. As universidades e centros de pesquisas venezuelanos já trabalhavam com este número meses atrás.

Em janeiro, quando Maduro tomou posse para um segundo mandato, depois de uma reeleição fraudulenta em maio do ano passado, o presidente da Assembleia Nacional dominada pela oposição, Juan Guaidó, acusou Maduro de usurpador e foi proclamado presidente interino.

Desde então, Guaidó tentou encurralar o regime chavista, primeiro se declarando presidente, depois com uma operação de ajuda humanitária liderada pelos Estados Unidos que o governo rejeitou e também convocando militares e a população em geral para uma rebelião contra a ditadura. Fracassou nas três tentativas.

Por iniciativa da Noruega, do México e do Uruguai, governo e oposição iniciaram um diálogo em Oslo onde a renúncia de Maduro chegou a ser cogitada. Não houve avanço na negociação. A oposição suspeita que seja apenas uma manobra diversionista para ganhar tempo.

Com o agravamento diário das condições de vida, a corrupção generalizada e uma violência descontrolada, com índice de homicídios inferior apenas ao de El Salvador, só as Forças Armadas sustentam o regime de Maduro.

A Venezuela tem mais de 2 mil generais. O alto oficialato tem mordomias que permitem driblar a crise ou até lucrar com ela através do contrabando e do tráfico de drogas. A oposição já ofereceu anistia para quem não cometeu crimes graves, mas a cumplicidade generalizada impede a queda da ditadura. Por enquanto.

Como os Estados Unidos não vão enviar soldados para morrer e atrapalhar a reeleição de Trump, e o Brasil e a Venezuela não vão fazer o trabalho pesado de uma operação terrestre, a ditadura de Maduro só vai cair quando houver uma divisão interna e um golpe dentro do regime. Já está na hora.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Ditadura de Maduro proíbe saída da Venezuela do autoproclamado presidente

A Corte Suprema da Venezuela proibiu hoje o presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino do país, deputado Juan Guaidó, de sair do país, congelou suas contas bancárias e abriu um processo por "usarpar" as funções presidenciais. Ele tem ser preso, o que agravaria ainda mais a crise política do país, que tem hoje dois governos paralelos.

A decisão foi tomada a pedido do procurador-geral Tarek William Saab horas depois de um anúncio dos Estados Unidos de novas sanções à companha estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) e de que transferiu as contas bancárias da Venezuela nos EUA para o governo paralelo da oposição.

Se empresas americanas importarem petróleo venezuelano, o pagamento irá para contas congeladas e só poderá ser movimentado pelo governo paralelo.

"Há um cidadão que liberou toda esta ação contra a Constituição venezuelana e tomamos medidas cautelares em caráter preliminar", justificou o procurador-geral.

Este tipo de acusação, de liderar ou convocar manifestações que terminem em distúrbios violentos e mortos, levaram à prisão e condenação de Leopoldo López, líder do partido direitista Vontade Popular e chefe político de Guaidó.

Saab foi nomeado chefe da Defensoria Pública em 2014 por indicação do número dois do regime, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, o parlamento-fantoche criado em 2017 pelo ditador Nicolás Maduro para usurpar o poder da Assembleia Nacional eleita democraticamente em dezembro de 2015, nas últimas eleições democráticas na Venezuela, quando a oposição obteve maioria de dois terços.

Em 2017, quando a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz rompeu com Maduro e fugiu do país, Saab foi nomeado para o cargo. Leal ao ditador, o procurador-geral chegou a dizer que o vereador Fernando Albán, morto em 2018, se suicidou quando estava preso pelo Serviço Boliviariano de Inteligência (Sebin).

Na Europa, a Alemanha, a Espanha, a França e o Reino Unido deram oito dias a partir do sábado passado para Maduro convocar novas eleições. Caso contrário, ameaçam reconhecer o governo Guaidó.

Desde 21 de janeiro, pelo menos 40 venezuelanos morreram em choques com as forças de segurança. Mais de 850 foram presos.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Fundos de investimento exigem pagamento de bônus da Venezuela

Cinco fundos de investimentos estão cobrando o pagamento do principal e dos juros de bônus de US$ 1,5 bilhão caloteados pela ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela, noticiou ontem a agência Reuters. 

Esses fundos detêm títulos da dívida pública venezuelana no valor de US$ 380 milhões. A dívida vencida é de US$ 140 milhões.

É o primeiro esforço coordenado de credores para recuperar o valor perdido com o calote da Venezuela. O exemplo deve levar mais credores a exigirem o pagamento e a pedirem o bloqueio de ativos venezuelanos, afetando diretamente as exportações de petróleo e as finanças públicas.

As empresas e os investidores devem apelar a tribunais do exterior para arrestar carregamentos de petróleo e as atividades da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA), reduzindo ainda mais suas exportações e o fluxo de moedas fortes para o país.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Rússia vai investir US$ 6 bilhões em petróleo e minas na Venezuela, diz Maduro

Sob pressão de uma crise econômica sem precedentes, que empobrece e arruína a Venezuela, o ditador Nicolás Maduro anunciou ontem que a Rússia vai investir US$ 6 bilhões para aumentar a produção de petróleo e na mineração.

Maduro chegou a Moscou em 5 de dezembro em busca de ajuda e esteve com o ditador Vladimir Putin. Um investimento de US$ 5 bilhões deve ser feito através de uma associação já existente da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) com a empresa russa Rosneft. O resto seria aplicado na mineração de ouro e diamantes.

Com a queda na produção de petróleo no desgoverno de Maduro, a mineração é uma alternativa para manter as redes de patronagem que sustentam o falido regime chavista. Os Estados Unidos proibiram empresas sujeitas à sua jurisdição de investir na Venezuela. As companhias russas que tenham negócios com empresas americanas ou operem em dólares estão sujeitas a sanções.

Desde o ano passado, a produção de petróleo da Venezuela, que tem as maiores reservas mundiais, caiu pela metade. Em setembro, estava em 1,4 milhão de barris por dia. Sem recursos, a ditadura venezuelana recorre à mineração e a transações ilícitas para obter moedas fortes e tentar se manter no poder a qualquer custo até que um golpe militar de dentro do regime derrube Maduro.

A Rússia não confirmou. Em declarações ao jornal inglês Financial Times, funcionários da Rosneft duvidaram da veracidade das informações, mas Putin enviou aviões e navios de guerra com capacidade nuclear para participar de manobras militares conjuntas com a Venezuela.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Maduro chega hoje à Rússia atrás de ajuda financeira

Depois de ficar ainda mais isolado por não pagar empréstimos à China, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, chega hoje a Moscou, onde será recebido pelo ditador Vladimir Putin, noticiou ontem a agência Tass.

Como os encontros bilaterais entre os dois são raros, a suspeita é que Maduro tente renegociar o pagamento das dívidas com petróleo bruto. A dúvida é se a Rússia, segunda maior produtora mundial em 2017, logo abaixo dos Estados Unidos, vai aceitar a proposta.

Se a Rússia suspender a ajuda à Venezuela, o regime chavista terá ainda mais dificuldades para obter financiamentos internacionais, enquanto vê sua produção de petróleo declinar, apesar de ter as maiores reservas mundiais.

Em setembro, a produção venezuelana caiu para 1,434 milhão de barris por dia. É a menor em 50 anos. De 1973 ao início da 2018, a média era de 2,4 milhões de barris diários. Com a crise econômica devastadora por que passa o país, a tendência é de uma redução maior.

Nos últimos anos, a Rússia emprestou bilhões de dólares à Venezuela como parte de sua estratégia de fustigar os EUA em todos os setores possíveis. A empresa estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA) está pagando os empréstimos com cerca de 177 mil barris por dia. Isso é apenas 40% do que foi acertado.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Ex-vice-presidente Elías Jaua critica ditador Maduro na Venezuela

Em mais um sinal de divisão interna no regime chavista, o ex-vice-presidente e ex-ministro do Exterior Elías Jaua criticou o ditador Nicolás Maduro e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) pelo tratamento dos funcionários públicos e outras questões internas, noticiou o boletim de notícias Aporrea, defensor do chavismo.

Com o colapso da produção de petróleo e o agravamento da pior crise de uma economia moderna, vai haver menos dinheiro para garantir a lealdade de funcionários públicos e do PSUV à ditadura de Maduro.

As críticas de Jaua são um sinal evidente da fratura do regime, depois da prisão nos últimos meses de vários militares ligados ao caudilho Hugo Chávez quando ele chegou ao poder na eleição de 1998. Jaua era ministro da Educação e caiu em setembro.

Ao inaugurar a Feira Internacional de Livro da Venezuela, em Caracas, Maduro responsabilizou o boicote econômico parcial dos Estados Unidos pela falta de medicamentos e alimentos: "Não podemos comprar remédios, saibam os embaixadores, não podemos comprar medicamentos e alimentos complementares para a dieta dos venezuelanos em dólares porque está proibido."

Desde 2015, há uma grande escassez de remédios e alimentos na Venezuela. O governo Donald Trump impôs em agosto de 2017 uma série de medidas para proibir transações em dólares do governo venezuelano e da companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA).

Em março deste ano, os EUA proibiram qualquer transação com criptomoedas venezuelanas. Para tentar contornar a crise financeiro, o desgoverno Maduro lançou em 9 de janeiro de 2016 uma moeda digital, o petro.

A partir de 1º de novembro, o governo Trump bloqueou os bens e ativos de qualquer pessoa que opere no setor de ouro ou qualquer outro setor "cúmplice da corrupção governamental".

Como o regime chavista cooptou as Forças Armadas, prendeu militares rebeldes e fuzilou um policial rebelde que sequestrou um helicóptero e atirou contra a sede do Ministério do Interior, deixando claro que vai matar dissidentes, o fim do regime terá de vir de dentro do próprio sistema.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Venezuela quer criar outra estatal do petróleo para enterrar dívidas

A ditadura chavista da Venezuela está cogitando a possibilidade de criar uma nova empresa de petróleo e gás para substituir a estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) e desenvolver projetos de energia com sócios estrangeiros, noticiou a empresa Argus, especializada em informações no mercado de energia.

O projeto é uma clara tentativa do governo Nicolás Maduro e da PdVSA de enganar os credores internacionais e os pedidos de arbitragem. Se for levado adiante, vai deflagrar uma onda de ações judiciais em múltiplas frentes. Os credores não vão deixar barato.

Até o fim de 2019, a Venezuela e a PdVSA precisam fazer pagamentos de US$ 3 bilhões, inclusive US$ 500 milhões de um acordo de arbitragem feito com a companhia americana ConocoPhillips, que teve seus negócios no país encampados no governo Hugo Chávez. Se não cumprir o acordo, pode ter propriedades e outros ativos na região do Mar do Caribe arrestados para pagar a dívida.

Pelo acordo, a PdVSA deve indenizar a ConocoPhillips em US$ 2 bilhões. A Venezuela e a PdVSA já deram calote em dívidas de US$ 6,4 bilhões.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

China vai parar de financiar estatal de petróleo da Venezuela

A companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) vai cortar as exportações para a China que estavam sendo usadas para pagar financiamentos anteriores e mandar mais petróleo para os Estados Unidos e a Índia, que pagam a vista, noticiou a Argus Media, empresa especializada em informações do setor de energia. Com o calote, a PdVSA deve parar de receber dinheiro chinês para aumentar a produção.

Redirecionar as exportações de petróleo para quem paga a vista é uma solução emergencial de curto prazo para ganhar dinheiro para pagar dívidas, acordos de arbitragem e indenizações judiciais a empresas estrangeiras que tiveram seus negócios na Venezuela estatizados no governo Hugo Chávez (1999-2013).

Até 30 de outubro, a PdVSA tem de pagar US$ 500 milhões de um acordo feito com a ConocoPhillips. Se não cumprir o acordo de arbitragem, corre o risco de ter bens e ativos na região do Mar do Caribe arrestados.

O governo Nicolás Maduro e a PdVSA já deram calotes no valor de US$ 6,4 bilhões em pagamentos devidos no exterior.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Advogados da Venezuela concordam em pagar dívida da PdVSA

A empresa estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) aceitou ontem pagar US$ 2 bilhões à companhia petrolífera americana ConocoPhillips para que a Justiça de Curaçao, uma colônia da Holanda, levante a hipoteca sobre seus bens e ativos.

No início do mês, tribunais holandeses nas ilhas de Bonaire, Curaçao e Santo Eustáquio determinaram a indisponibilidade de bens da PdVSA, inclusive petróleo bruto, uma refinaria e terminais de exportações de petróleo.

Em abril, um painel de arbitragem da Câmara de Comércio Internacional decidiu que a PdVSA deve pagar US$ 2 bilhões de compensação à ConocoPhillips pela nacionalização da filial da empresa na Venezuela em 2007, durante o governo Hugo Chávez.

Sob o "socialismo do século 21" do chavismo, a Venezuela engendrou a pior crise econômica da história da América, superando a Grande Depressão (1929-39) nos Estados Unidos. Duas décadas de incompetência gerencial, clientelismo e corrupção e a forte queda nos preços do petróleo desde junho de 2014 deixaram na miséria 81% dos habitantes do país com as maiores reservas mundiais de petróleo.

Agora, quando o preço do petróleo volta a superar os US$ 70 por barril, a PdVSA está totalmente sucateada, com a produção reduzida à metade para cerca de 1,4 milhão de barris por dia.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Chevron tira executivos da Venezuela após prisão de funcionários

A companhia de petróleo americana Chevron retirou seus executivos da Venezuela depois que dois funcionários foram presos numa disputa contratual com a empresa estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA), noticiou a agência Reuters. A Chevron explora petróleo na Venezuela em associação com a PdVSA e declarou que não pretende deixar o país.

Foi a primeira batida policial em companhias de petróleo estrangeiras desde um expurgo da ditadura de Nicolás Maduro em que mais de 80 executivos da PdVSA e empresários associados foram presos sob acusação de corrupção desde o ano passado.

Os escritórios da Chevron na cidade de Puerto la Cruz, onde trabalham cerca de 150 empregados, foram revistados. Uns 30 executivos foram retirados da Venezuela.

Os dois funcionários da Chevron detidos podem ser acusados de traição por se negar a assinar um contrato de fornecimento de peças de uma fornalha preparado por executivos da PdVSA. Eles alegam que não houve concorrência e que os preços eram muito altos.

Em entrevista na sede das Nações Unidas em Nova York, o ministro do Exterior da Venezuela, Jorge Arreaza, atribuiu as prisões à luta contra a corrupção: "Na nossa indústria do petróleo e nas suas relações com outros países, havia corrupção. As decisões da procuradoria são baseadas em investigações sérias de combate à corrupção. Estas duas pessoas envolvidas têm o direito de se defender no devido processo legal."

A retirada dos executivos é um sinal evidente de que a Chevron não acredita na lisura do processo numa ditadura como a Venezuela, onde a Justiça não é independente, está sob o controle do Poder Executivo. "A decisão lógica seria se entregar às autoridades e provar sua inocência e não fugir", ironizou o chanceler venezuelano.

Em nota, a Chevron declarou seguir "um código de ética empresarial que inclui o total respeito pelas leis dos Estados Unidos e da Venezuela". A empresa não pretende sair do país. Já enfrentou prisão de executivos na Indonésia, em 2013. Aguarda a estabilização da Venezuela, país com as maiores reservas de petróleo comprovadas do mundo.

Diante do colapso da economia da Venezuela sob Maduro, as empresas estrangeiras têm cada vez mais dificuldade para manter funcionários no país à espera de dias melhores e um governo menos catastrófico. Além dos contratos suspeitos, há hiperinflação e desabastecimento generalizados.

Com faturamento de US$ 135 bilhões em 2017, a Chevron é a sétima maior empresa privada de petróleo do mundo. Na Venezuela, é sócia minoritária da PdVSA em cinco projetos. O lucro caiu 18% no ano passado para US$ 329 milhões.

No momento, a opção das empresas estrangeiras é vender seus ativos muito abaixo do valor normal ou continuar tendo prejuízos operacionais e agora ainda correr o risco de ter funcionários presos.

A PdVSA não escapa da crise venezuelana. Sua produção caiu 33% num ano para 1,51 milhão de barris por dia. É a menor em 33 anos. O combate à corrupção começou com a nomeação do general Manuel Quevedo como ministro do Petróleo e presidente da PdVSA, em 26 de novembro de 2017.

A empresa espanhola Repsol deu baixa em US$ 1 bilhão de seus ativos na Venezuela. A italiana ENI tem uma dívida não paga de 500 milhões de euros (US$ 615 milhões) com a PdVSA. A Schlumberger deu baixa de US$ 938 milhões em seus ativos venezuelanos, enquanto a Halliburton chegou a US$ 959 milhões em dois anos.

sábado, 4 de novembro de 2017

Fitch rebaixa nota de crédito da dívida pública da Venezuela

Diante do pedido de renegociação feito na quinta-feira pelo ditador Nicolás Maduro, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou ontem a nota de crédito da dívida soberana da Venezuela de CC para C, por considerar alta a possibilidade de um calote, noticiou hoje o jornal The Latin American Herald Tribune.

O regime chavista da Venezuela pagou em 2 de novembro US$ 1,121 bilhão a investidores que compraram bônus da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA), mas está devendo mais de US$ 800 milhões de juros.

Em meio à pior crise econômica de sua história, resultado das políticas desastrosas do "socialismo do século 21" e da queda nos preços do petróleo, a Venezuela está falida, com inflação que pode chegar a 1.200% ao ano, queda de quase 20% no produto interno bruto nos últimos dois anos, desabastecimento generalizado e dólar subindo todo o dia no mercado paralelo

Até agora, Maduro vinha honrando os compromissos com o mercado financeiro internacional, mas o calote anunciado chegou. Por incrível que pareça, no país com as maiores reservas mundiais de petróleo, as reservas cambiais em moedas fortes caíram em novembro para US$ 10 bilhões. As dívidas venezuelanas são estimadas entre US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões.

Uma das maiores credoras da Venezuela, a China, manifestou a confiança de que o país honre suas obrigações financeiras depois de reestruturar a dívida. A China e a Rússia sustentam a ditadura de Maduro em face das sanções impostas pelos Estados Unidos.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Venezuela anuncia calote e pede renegociação da dívida

Com o país falido pelas políticas desastrosas do "socialismo do século 21", o presidente Nicolás Maduro anunciou hoje à noite na televisão que a Venezuela vai honrar o pagamento de US$ 1,1 bilhão a investidores em bônus da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) com vencimento hoje. Mas daqui para a frente pretende renegociar a dívida venezuelana.

Numa economia com inflação de 1.200% ao ano e queda de 15% a 20% no produto interno bruto nos últimos anos, o calote era esperando. A dúvida era quando. O país não tem dinheiro para importar papel higiênico, remédios e alimentos, mas Maduro continuava pagando as dívidas no mercado internacional.

O regime chavista pagou o principal, mas os juros atrasados já somam US$ 826 milhões, de acordo com uma estimativa da corretora Nomura Securities International citada pelo jornal americano The Wall Street Journal.

Sem declarar moratória, o ditador venezuelano avisou que buscar uma "reestruturação voluntária" da dívida do país, estimada em US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões, o que o coloca em conflito direto com os credores num momento em que a Venezuela enfrenta sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos em agosto para a emissão novos títulos que teriam de substituir os atuais.

Maduro nomeou como principal negociador o vice-presidente Tareck El-Aissami. Desde fevereiro, ele está numa lista de pessoas atingidas por sanções, no seu caso, por supostas ligações com o tráfico internacional de drogas.

O presidente da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, deputado Julio Borges, declarou no Twitter ser impossível renegociar a dívida porque "ninguém confia no governo".

Borges culpou o ditador e foi citado pelo jornal venezuelano El Nacional: "Maduro é um traidor que endividou a Venezuela e estamos morrendo de fome. Devemos US$ 120 bilhões aproximadamente. Onde está esse dinheiro? Alguém viu? O que se vê é fome, miséria, morte e destruição da indústria nacional."

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Venezuela culpa Trump pela escassez de alimentos e medicamentos

A presidente da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima da Venezuela, a ex-chanceler Delcy Rodríguez, declarou no domingo que o regime chavista não tem dinheiro para pagar por alimentos e medicamentos que estariam em navios próximos do litoral do país por causa das sanções econômicas impostas na semana passada pelos Estados Unidos.

"Tendo barcos na costa carregados com medicamentos e alimentos, a Venezuela não tem como pagar por esses bens essenciais para a sociedade venezuelana. Por quê? Porque há um bloqueio financeiro contra o país", afirmou Delcy Rodríguez diante da Comissão da Verdade da Constituinte, que investiga as mortes ocorridas em protestos contra a ditadura de Nicolás Maduro.

Para o regime chavista, a culpa é sempre dos EUA, como se o país não tivesse importado petróleo num valor total estimado em US$ 300 bilhões desde a ascensão de Hugo Chávez ao poder, em 1999, 30% de um total estimado em US$ 1 trilhão. E o país não tem dinheiro para comprar papel higiênico.

Nas palavras da presidente da Constituinte de Maduro, que usurpou os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, "se acaba de formalizar o bloqueio financeiro contra a Venezuela" para levar o país a "cessar pagamentos internacionais e agudizar a agressão econômica contra o povo venezuelano".

O governo Donald Trump proibiu na sexta-feira a compra e a negociações de novos bônus da dívida pública da Venezuela de 30 ou mais dias e de novos bônus da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) de 90 ou mais dias. Os títulos já emitidos, que estão em negociação no mercado secundário, não serão afetados.

A escassez de alimentos é muito anterior às sanções de Trump. É resultado das políticas econômicas equivocadas do "socialismo do século 21" proposto por Chávez e destruído por Maduro, sobretudo dos controles de preços e câmbio.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

EUA impõem novas sanções à ditadura de Maduro na Venezuela

Para pressionar a ditadura de Nicolás Maduro, os Estados Unidos anunciaram hoje a adoção de sanções que proíbem a compra de novos bônus lançados pelo governo da Venezuela e pela companhia estatal Petroleos de Venezuela (PdVSA). As medidas não atingem o setor de petróleo nem os títulos já emitidos que estão em negociação no mercado.

Com as sanções, cai drasticamente a capacidade da Venezuela e da PdVSA de captar recursos no mercado para refinanciar suas dívidas, aumentando o risco de calote. Até agora, apesar da crise econômica brutal, com queda de 30% no produto interno bruto, inflação prevista para 1.200% neste ano, desabastecimento de mais de 80% dos produtos básicos e 81% vivendo na pobreza, o governo não caloteou suas dívidas.

São as primeiras medidas contra a economia da Venezuela. Desde o início do ano, 30 altos funcionários venezuelanos foram alvo de sanções. Agora, ficaram fora das sanções os bônus de menos de 30 dias da dívida pública e os de menos de 90 dias da PdVSA, que assim poderá comercializar seus produtos.

"Estas medidas são cuidadosamente calibradas para negar à ditadura de Maduro uma fonte crítica de financiamento para manter o poder ilegítimo, proteger o sistema financeiro dos EUA de cumplicidade com a corrupção e o empobrecimento do povo venezuelano e permitir a assistência humanitária", declarou a Casa Branca.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Venezuela de Maduro deixa OEA e se isola ainda mais

Por orientação do presidente Nicolás Maduro, cada vez mais acuado e isolado, a Venezuela vai deixar a Organização dos Estados Americanos (OEA) para evitar qualquer tipo de "intervencionismo", anunciou ontem a ministra do Exterior, Delcy Rodríguez, noticiou o jornal El Nacional. O processo deve durar 24 meses.

A chanceler venezuelana citou o exemplo de Cuba, excluída por causa da natureza antidemocrática do regime comunista, que descreveu como "revolucionário", e acusou uma "coalizão intervencionista" de agir para desestabilizar a Venezuela.

Com inflação de 800%, queda do produto interno bruto estimada em 19% no ano passado e desabastecimento generalizado, a Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história recente.

Enquanto paga bilhões de dólares em juros de bônus da estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) e dos títulos da dívida pública do país para evitar o calote, o governo Maduro não é capaz de garantir o suprimento de produtos básicos. Faltam papel higiênico, medicamentos, alimentos básicos, farinha de trigo, óleo comestível. Os venezuelanos ficam horas em filas em busca de preços menores ou produtos escassos.

Pelo menos 30 pessoas morreram na atual onda de protestos iniciada em 6 de abril depois que o Tribunal Supremo de Justiça tentou dissolver a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, e usurpar seus poderes legislativos, impondo na prática uma ditadura de Maduro.

Sob pressão interna e externa, o presidente recuou, mas acusa a burguesia nacional de conspirar com potências estrangeiras, notadamente os Estados Unidos, para derrubar o regime chavista. Entre as medidas de "resistência", prometeu ampliar os chamados "coletivos", as milícias da revolução bolivarista, responsáveis por várias mortes nos últimos dias.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Produção de petróleo da Venezuela cai ao menor nível em 40 anos

A produção de petróleo da Venezuela caiu mais uma vez, ficando um pouco acima de 2 milhões de barris por dia, agravando ainda mais a crise política e econômica do país.

Dona das maiores reservas de petróleo do planeta, estimadas em 297 bilhões de barris, "petróleo para os próximos 300 anos", como gabava o finado caudilho Hugo Chávez, a Venezuela extrai hoje 20% menos óleo cru do que dois anos atrás.

Em julho, a produção ficou na média de 2,095 milhões de barris por dia, revelou o Relatório Mensal do Mercado de Petróleo divulgado neste mês de agosto pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). É a menor desde que o setor foi estatizado pelo presidente Carlos Andrés Pérez, em 1976.

O governo venezuelano não divulgou números oficiais sobre o mês passado. O cálculo foi feito pela própria OPEP com base em dados sobre transporte marítimo, relatórios de empresas, serviços de notícias, sindicatos, meios de comunicação e analistas de mercado.

Quando Chávez chegou ao poder, em 1999, a Venezuela produzia 3,2 milhões de barris por dia. Depois de uma greve de protesto contra a interferência do governo na empresa, de dezembro de 2002 a fevereiro de 2003, o caudilho promoveu um grande expurgo na empresa estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA). Afastou técnicos competentes, substituindo-os por apadrinhados políticos, e reduziu o investimento.

Com os preços recordes de 2004 a 2014, a PdVSA conseguiu mascarar sua incompetência e a decadência do setor na Venezuela.

"Na Venezuela, mais de 50% da arrecadação do governo deriva da produção de petróleo. Portanto, o governo é o dono de fato da riqueza do petróleo, o que resulta na dependência dos cidadãos", observa um relatório recente do Instituto Fraser, um centro de pesquisas defensor do liberalismo econômico.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Venezuela paga US$ 1,5 bilhão de juros da dívida

O governo da Venezuela pagou ontem na íntegra os juros devidos para os credores de sua dívida pública, no valor de US$ 1,5 bilhão, noticiou a agência Reuters, mas não dissipou as dúvidas do mercado sobre pagamentos maiores devidos pela empresa estatal Petroleos de Venezuela (PdVSA) no fim do ano.

Como o país enfrenta uma recessão de 8% neste ano depois de contração de 10% no ano passado, com inflação prevista pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 720% em 2016 e desabastecimento generalizado, o governo tentou renegociar os termos da dívida e vendeu reservas em ouro.

As duas iniciativas inquietam o mercado, que já considera o calote inevitável.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Venezuela deixa PdVSA vender dólar a 50 bolívares

O Banco Central da Venezuela autorizou a companhia estatal Petroleos de Venezuela S. A. a vender dólares no mercado local por 50 bolívares, uma das três cotações oficiais da moeda venezuelana. No mercado paralelo, a moeda americana está hoje a 97,48 bolívares.

A insistência do desgoverno chavista de Nicolás Maduro em manter o câmbio oficial em 6,30 bolívares por dólar provocou um desabastecimento generalizado na Venezuela, onde a inflação em 12 meses está em 63,4% pelas estatísticas oficiais.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Maduro muda ministério para não mudar políticas

Sob pressão de uma crise econômica com desabastecimento e inflação superior a 60% ao ano, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta semana uma reforma ministerial para "fazer os ajustes necessários" para lançar "cinco revoluções: econômica, do conhecimento, das missões socialistas, da política estatal e do socialismo territorial". Na prática, apontam os críticos, muda para não alterar as linhas básicas da "revolução bolivarista" pregada pelo falecido caudilho Hugo Chávez.

O fato mais notável dessa "mudança cosmética", nas palavras do jornal francês Le Monde, foi a substituição de Rafael Ramírez, vice-presidente para questões econômicas, ministro da Energia e presidente da companhia estatal Petroleos de Venezuela S. A. (PdVSA), onde ele estava há uma década, pelo tecnocrata Eulogio del Pino.

O poderoso Ministério do Petróleo e da Mineração foi entregue a Asdrubal Chávez, sobrinho do presidente morto por um câncer há um ano e meio. Um tecnocrata assumiu a direção da PdVSA.

Para o jornal americano The Wall St. Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York, isso indica que Maduro "não rompeu com o núcleo mais radical no seio do partido no poder". Ramírez era considerado "menos dogmático".

Sua substituição não alimenta esperanças de mudança numa administração tão desastrosa e incompetente que a Venezuela, país com maiores reservas mundiais de petróleo, está prestes a se tornar importador, observa o comentarista Andrés Oppenheimer no jornal Miami Herald.

Enquanto a oposição ensaia uma retomada das manifestações de protesto e o governo não divulga índices de inflação desde maio, quando chegou a 60% ao ano, Maduro insiste em levar a revolução chavista até o fim.

O delírio é tanto na Venezuela que foi feita uma versão do Pai Nosso para canonizar Chávez, durante um encontro do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV): "Chávez nosso que estás no céu, na terra, no mar e em nós, delegados, santificado seja o vosso nome. Venha a nós o teu legado para levá-lo aos povos daqui e de lá. Dai-nos hoje a tua luz para que nos guie a cada dia e não nos deixeis cair na tentação do capitalismo, mas livrai-nos da maldade da oligarquia, do crime e do contrabando. Porque nossa é a pátria por séculos e séculos. Amém. Viva Chávez!"