Mostrando postagens com marcador Dólar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dólar. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Milei perde eleições na província de Buenos Aires

 Com 47% dos votos, a aliança Força Pátria, liderada pelo governador Axel Kicillof, obteve uma ampla vitória nas eleições de domingo na Província de Buenos Aires, a maior e mais importante da Argentina. O coligação entre A Liberdade Avança, do presidente Javier Milei, e a Proposta Republicana (Pro), do ex-presidente Mauricio Macri, ficou num segundo lugar distante, com pouco menos de 34% da votação.

Um ano e meio depois de chegar à Casa Rosada com uma promessa radical de acabar com a inflação com cortes drásticos nos gastos públicos e grande liberdade para os mercados, Milei enfrenta os mesmos problemas que desmoralizaram o peronismo em sua versão mais recente, o kirchnerismo: a inflação e a corrupção.

O resultado das urnas foi inesperado. Esperava-se uma vitória apertada do peronismo, que tem sua grande base eleitoral na Província de Buenos Aires, onde vivem 14,38 dos 35,4 eleitores argentinos, mais de 40% do total. Kicillof desponta como principal candidato da oposição à Presidência em 2027.

Em consequência, o Índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires, caiu 13%. O dólar subiu 7% de manhã depois de se estabilizar com uma alta de 4,25% no dia, num momento em que o governo intervém no mercado de câmbio para conter a inflação, que voltou a subir. Ficou em 1,9% ao mês em julho. As previsões para agosto apontam 2% a 2,1%.

Milei recebe Goldfajn na Casa Rosada

Sob ameaça de uma nova disparada do dólar, Milei e o ministro da Economia, Luis Caputo, fizeram uma reunião de emergência na sede do governo com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central do Brasil (foto), que prometeu apoiar o programa de recuperação da economia argentina.

Talvez o que mais tenha pesado na decisão dos eleitores foi um escândalo de corrupção envolvendo a irmã do presidente, Karina Milei (foto), secretária-geral da Presidência, considerada hoje a pessoa mais poderosa do país, logo abaixo do irmão. Karina chefiou a campanha de Javier Milei, que a chama de "o chefe".

Em 19 de agosto, gravações de som atribuídas a Diego Spagnuolo, ex-diretor da Agência Nacional para Deficientes (Andis), denunciaram um esquema de propinas na compra de medicamentos. Os laboratórios interessados em contratos estatais deveriam pagar até 8% a mais para uma drogaria chamada Suizo Argentina; 3% iriam para Karina Milei. O desvio de dinheiro público seria de 500 a 800 mil dólares por mês.

A Justiça ordenou investigação e busca na Andis e em propriedades da Suizo Argentina. Mais de US$ 266 mil em espécie foram encontrados na casa de um dos donos da drogaria suspeita.

O mileísmo sofre assim dos mesmos males que derrotaram o kirchnerismo: inflação e corrupção. No seu pior momento, terá de enfrentar em 26 de outubro as eleições parlamentares de meio de mandato. Serão renovadas a metade da Câmara e um terço do Senado.


sábado, 15 de abril de 2023

EUA denunciam militar pelo vazamento de segredos do Pentágono

 Um aviador e técnico em informática da Guarda Nacional Aérea do estado de Massachusetts preso na quinta-feira foi denunciado ontem por roubar e divulgar documentos ultrassecretos do Departamento da Defesa dos Estados Unidos e pode pegar muitos anos de cadeia por espionagem. 

Jack Douglas Teixeira, de 21 anos, gosta de armas de fogo, equipamentos militares, memes racistas e antissemitas, videogames e Deus, informa o jornal The New York Times. Ao que tudo indica, não é agente russo.

Como a principal conclusão dos vazamentos é que a Guerra da Ucrânia caminha para um longo impasse sangrento, analistas militares norte-americanos alertam que é preciso passar do campo de batalha para a mesa de negociações.

As declarações do presidente da França, Emmanuel Macron, durante visita à China, de que a Europa precisa de autonomia estratégica para não ser vassalo dos EUA abalaram tanto a União Europeia quanto a aliança ocidental. Macron conseguiu uma vitória na reforma da previdência, mas se queimou politicamente dentro da França e agora no mundo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou uma visita a Beijim em que consolidou a parceria econômica entre Brasil e China. A proposta de criar um "clube da paz" não prosperou. Nem Rússia, nem Ucrânia e nem a China parecem interessadas em negociações. Mas os 25 anos do acordo de paz que acabou com a guerra civil na Irlanda do Norte mostram que vale a pena iniciar o diálogo mesmo quando parece impossível. Meu comentário:

quarta-feira, 13 de julho de 2022

UE sofre mais do que EUA e Sri Lanka entra em colapso com guerra

O dólar teve uma cotação um pouco acima do euro nesta quarta-feira. Foi a primeira vez em 20 anos. Em um ano, a moeda comum europeia caiu 16%. Só neste ano, foram 12%. E o Sri Lanka, o antigo é o primeiro país a entrar em colapso por causa da guerra na Ucrânia.

A alta do dólar tem duas razões: os juros mais altos nos Estados Unidos e o impacto econômico da guerra, maior na Europa e mais ainda em países pobres. O Sri Lanka é um exemplo do que pode acontecer em muitos países. Mais detalhes no meu canal no YouTube.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

França e Alemanha anunciam reconfinamento

 O mundo registrou um novo recorde de casos novos da doença do coronavírus de 2019. Foram 516 mil na terça-feira. A Europa voltou a ser o centro da pandemia, com 44% dos novos contágios e 40% mais mortes do que na semana anterior. A França é o Reino Unido anunciaram recordes de mortes na segunda onda de contaminação que assola o continente.

Na França, o presidente Emmanuel Macron anunciou um novo confinamento geral do país a partir de sexta-feira até 1º de dezembro. As creches e escolas vão continuar funcionando. 

Depois de um recorde de quase 15 mil casos novos nesta quarta-feira, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel impôs um confinamento parcial na Alemanha por um mês.

A média diária de casos novos dos últimos sete dias nos Estados Unidos está em 71 mil. É a maior desde o início da pandemia. As mortes estão em torno de 800 por dia. A seis dias da eleição presidencial, o contágio aumento na maioria dos estados e não está em queda em nenhum deles.

No Brasil, mais 499 mortes e 28.852 casos novos foram notificados nesta quarta-feira. O total está em 158.480 e o de casos confirmados supera 4,9 milhões. A média diária de mortes dos últimos sete dias ficou em 432. Meu comentário:

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Teste de vacina com bons resultados anima mercado

Mais de 100 grupos de pesquisa estão desenvolvendo vacinas para neutralizar o novo coronavírus. Os primeiros testes realizados pela empresa de biotecnologia americana Moderna apresentaram resultados promissores. Oito pessoas receberam duas doses experimentais, anunciou hoje a companhia.

As ações de Moderna subiram 25 por cento na Bolsa de Valores de Nova York. Junto com as declarações do presidente do Conselho da Reserva Federal, o banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, prometendo fazer o necessário para sustentar a economia, o Índice Dow Jones subiu 3,85 por cento. Foi a maior alta diária em seis semanas.

No Brasil, a Bolsa de São Paulo subiu 4,69% e o dólar comercial caiu. Com 255 mil casos confirmados, o país é o terceiro na lista da Universidade Johns Hopkins, dos EUA, em número de infectados. O total de mortes está em 16.853


Mais de 140 líderes mundiais, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, assinaram uma carta aberta enviada à Assembleia Mundial da Saúde, pedindo que todos os governos se unam para encontrar uma vacina contra o novo coronavírus a ser distribuída gratuitamente. 

Todos os tratamentos e testes para a covid-19 devem ser isentos de patentes, produzidos em massa e distribuídos a todos os países, diz a carta. A Assembleia Mundial da Saúde é a reunião anual da Organização Mundial da Saúde, que tem hoje 194 países-membros. Meu comentário:

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Trump é um aliado inconfiável para o Brasil e o resto do mundo

Sob pressão de um processo de impeachment com inquérito em andamento na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e de baixa cotação nas pesquisas de opinião sobre a eleição presidencial de 2020, o presidente Donald Trump aumenta a agressividade do discurso e atira para vários lados, abrindo novas frentes em suas guerras comerciais. Mais uma vez, despreza aliados e aprofunda o protecionismo e o isolacionismo de uma superpotência em declínio.

Desde a campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro revelou a intenção de adotar uma política externa de alinhamento automático não com os EUA, mas com o governo Donald Trump.

O Brasil acabou com a exigência de visto para americanos e cidadãos de outros países ricos e abriu mão das preferências comerciais que tinha na Organização Mundial do Comércio, a OMC, como país em desenvolvimento.

Em troca, esperava o apoio dos Estados Unidos para ingressar na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, a OCDE, um clube de países ricos e em desenvolvimento. Mas, em agosto, os Estados Unidos apoiaram a entrada da Argentina e da Romênia.

O Brasil também autorizou o uso da base espacial de Alcântara pelos americanos para lançamento de foguetes e satélites. Em setembro, o Brasil aumentou a cota de importação de álcool combustível dos Estados Unidos sem cobrar a tarifa de importação de 20 por cento. Em troca, queria que os americanos comprassem mais açúcar brasileiro, mas a contrapartida não aconteceu. Meu comentário:

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Vitória do kirchnerismo leva pânico ao mercado financeiro na Argentina

O peronismo mostrou sua força e é franco favorito para vencer as eleições de 27 de outubro na Argentina. Hoje foi um dia de pânico no mercado financeiro argentino. O peso caiu a 60 por dólar, recorde histórico de baixa, e o Índice Merval, da Bolsa de Valores da Buenos Aires, desabou em 38%. 

O Banco Central vendeu US$ 100 milhões de dólares e aumentou a taxa básica de juros de 64% para 74% ao ano, a maior do mundo, para defender a moeda, subiu para 53 pesos por dólar para grandes negócios e 58 para o público.

Tudo por causa da fragorosa derrota sofrida pelo presidente Mauricio Macri nas eleições prévias realizadas ontem. A chapa da peronista Frente para Todos, formada pelo ex-chefe da Casa Civil Alberto Fernández e pela ex-presidente Cristina Kirchner, ganhou com mais de 47% dos votos contra 32% para Macri. 

Todas as pesquisas de opinião erraram. Elas previam a vitória do kirchnerismo, mas com vantagens muito menores, de meio a oito pontos percentuais. Isso daria uma chance a Macri de vitória no segundo turno.

Pela lei argentina, bastam 45% mais um voto válido para ganhar no primeiro turno, ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. Como as intenções de voto não devem se alterar muito em dois meses e meio, até o primeiro turno, em 27 de outubro, a vitória de Alberto Fernández e Cristina Kirchner é dada como praticamente certa, o que explica o pânico no mercado.

A derrota do macrismo foi total. A governadora da província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, que era tida como muito popular, também teve apenas 32% dos votos, enquanto o ex-ministro da Economia de Cristina Kirchner, Axel Kicillof, chegou perto dos 50%. Meu comentário:
O presidente Macri atribuiu o pânico à falta de credibilidade do kirchnerismo no mercado financeiro internacional e prometeu lutar para dar a volta por cima em 27 de outubro para chegar ao segundo turno em 24 de novembro.

domingo, 4 de agosto de 2019

Moeda da China cai à menor cotação em 11 anos

Sob pressão da guerra comercial deflagrada pelos Estados Unidos, a cotação do yuan chinês ficou abaixo de sete por dólar, rompendo a meta abaixo da qual o Banco Popular da China, banco central do país, intervinha no mercado de câmbio para contar a queda. 

É a primeira vez que isto acontece desde maio de 2008 e um sinal de que o governo chinês pode apelar para a desvalorização competitiva para baixar os preços internacionais de seus produtos e assim reduzir o impacto dos tarifaços do presidente Donald Trump.

O banco central chinês controla a flutuação da moeda e aceita uma variação de no máximo 2% para mais ou para menos. Na sexta-feira, depois do anúncio do novo tarifaço de Trump de 10% sobre produtos importados da China no valor de US$ 300 bilhões anuais, a moeda chinesa caiu 0,9%, com a venda de ações e fuga para títulos da dívida pública

Nesta segunda-feira, o yuan ou iuane perdeu 1,3% na abertura do mercado na Ásia. Foi cotado a 7,0297 por dólar.

No momento, a China está numa lista de países que têm grandes saldos comerciais com os EUA e estão sendo observados por possível manipulação cambial. Se a guerra comercial de Trump levar a uma guerra cambial, o risco para a economia mundial será muitíssimo maior.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Europa cria mecanismo para escapar das sanções dos EUA ao Irã

A Alemanha, a França e o Reino Unido anunciaram ontem a criação de um mecanismo para fazer negócios com o Irã, apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos. O sistema de pagamentos será chamado de instrumento de apoio a trocas comerciais (Instex). Vai permitir às empresas negociar com o Irã fora do mercado do dólar.

O Instex será uma entidade estatal, com sede na França, sob a gerência de um alemão e a direção superior de um conselho com sede no Reino Unido, tudo sob a supervisão da União Europeia. Países de fora do bloco, como China, Índia e Rússia, podem aderir, se quiserem.

Pelo sistema, as empresas iranianas poderão vender seus produtos na Europa e obter crédito para importar produtos europeus. O foco inicial será em remédios e alimentos, que estão excluídos das sanções impostas pelo presidente Donald Trump ao se retirar do acordo negociado pelo governo Barack Obama para desarmar o programa nuclear iraniano.

Agora, o Irã tem de fazer sua parte, criar um sistema para se conectar ao Instex. Isso pode levar meses.

Em depoimento nesta semana ao Congresso, os diretores dos serviços de inteligência dos EUA fizeram uma análise de riscos diferente de posições do presidente Trump, especialmente em relação ao Irã e à Coreia do Norte.

Enquanto a ditadura comunista da Coreia do Norte tem todo o interesse em preservar sua capacidade nuclear já adquirida, o Irã estaria cumprindo o acordo assinado em 2015 com as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha.

O interesse da Europa está em manter o acordo. Também manda um recado aos EUA de Trump: está pronta para agir por conta própria, a exercer sua "autonomia estratégica" e independência em relação a Washington, uma posição defendida pela França.

Ao transformar o dólar em mais uma arma de sua política externa, Trump, com sua visão de mundo ultranacionalista, abala a posição do dólar como moeda dominante do sistema financeiro internacional. É um alerta a outros grandes atores da economia internacional, como a Europa, a China, o Japão e a Índia. Devem se preparar para a era pós-dólar.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

EUA geram 201 mil novos empregos

Os Estados Unidos abriram 201 mil vagas de emprego a mais do que fecharam em agosto, superando a média das expectativas dos economistas, que era de 191 mil. Os salários registraram alta de 2,9% num ano, o maior aumento desde junho de 2009, revelou hoje o relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho.

A taxa de desemprego, medida em outra pesquisa, ficou estável em 3,9%. O índice amplo, que inclui quem trabalha em meio expediente ou sem contrato de trabalho, está em 7,4%. Há um ano, estava em 8,6%.

Cerca de 37% das pequenas empresas reclamaram em julho ter oferecido vagas de emprego que não foram preenchidas, um recorde, indica uma pesquisa divulgada hoje pela Federação Nacional de Empresas Independentes.

O saldo de vagas de julho foi revisado para baixo, de 157 para 147 mil postos de trabalho. O resultado de agosto superou a média dos últimos três meses, 185 mil vagas.

Com este ritmo forte de contratações e a alta nos salários, é provável que o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central americano, aumente a taxa básica de juros, hoje numa faixa de 1,75%-2% ao ano, duas vezes em 2018 e três em 2019. A primeira alta seria neste mês, na reunião de 25 e 26 de setembro.

O bom desempenho do mercado de trabalho nos EUA fortaleceu o dólar, que subiu 0,3% assim que o relatório foi divulgado. A pressão sobre economias em desenvolvimento com problemas, como Argentina e Turquia, não diminuiu.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

"Europa deve criar sistema de pagamentos independente dos EUA"

Para salvar o acordo nuclear com o Irã, a União Europeia deveria criar um sistema de pagamentos alternativo aos Estados Unidos e ao dólar, afirmou hoje o ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Mass, noticiou a agência de notícias Reuters.

O papel hegemônico dos EUA no sistema financeiro internacional torna difícil para a UE e o Irã manterem o acordo. Ao criar seu próprio sistema de pagamentos com base no euro, a Europa diminuiria o impacto das sanções unilaterais impostas pelo governo Donald Trump, mas não eliminaria.

Em 8 de maio, Trump retirou os EUA do acordo negociado no governo Barack Obama entre as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e o Irã para congelar por pelo menos dez anos o programa nuclear militar iraniano.

A partir de 5 de novembro, os EUA vão aplicar sanções contra o Irã e as empresas que negociarem com a ditadura teocrática iraniana. Quase todas as empresas transnacionais devem optar por fazer negócios em dólar e manter o acesso ao mercado americano.

De qualquer forma, a declaração do ministro do Exterior alemão indica uma preocupação da UE de ter uma alternativa própria diante da imprevisibilidade dos EUA de Trump.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Trump anuncia tarifaço e moeda da Turquia desaba

Numa escalada do conflito entre os dois países, o presidente Donald Trump anunciou hoje um aumento nas tarifas de importação pelos Estados Unidos de alumínio e de aço da Turquia. Trump está irritado com a prisão de um pastor protestante pelo regime autoritário do presidente Recep Tayyip Erdogan.

"Acabei de autorizar que dobrem as tarifas sobre aço e alumínio importados da Turquia, enquanto sua moeda, a lira turca, resvala rapidamente para baixo diante de nosso dólar forte! No alumínio, serão 20% e, no aço, 50%. Nossas relações com a Turquia não são boas neste momento", afirmou Trump no Twitter.

Só hoje a moeda turca caiu 14,3%. Desde o início do ano, a queda passa de 40%. O impacto deste novo salvo nas guerras comerciais de Trump atingiu o rand sul-africano, o peso argentino, o rublo russo e o real, que fechou em R$ 3,86 aqui no Brasil. Os investidores fugiram de ativos de risco e mercados emergentes.

"Dobrar as tarifas de importação sobre aço e alumínio da Turquia vai reduzir ainda mais as importações que o Departamento do Comércio considera uma ameaça à segurança nacional", declarou o secretário Wilbur Ross.

Erdogan rejeita a pressão da União Europeia para recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e promete enfrentar o que chama de "guerra econômica".

O pastor evangélico americano Andrew Brunson foi detido na Turquia em outubro de 2016 dentro das prisões em massa determinadas por Erdogan em consequência do fracasso golpe de Estado de 15 de julho daquele ano.

Depois de quase dois anos de cadeia, na semana passada, a Justiça decidiu transferi-lo para prisão domiciliar por razões de saúde, mas manteve o processo por espionagem e terrorismo. Isso enfureceu Trump, que ameaçou impor "sanções em grande escala" se Brunson não for solto imediatamente.

As sanções de Trump exploram a fragilidade econômica da Turquia, uma aliada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O atrito entre os dois países começou quando os EUA se aliaram aos curdos para combater a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante dentro da guerra civil da Síria.

Os curdos, maior povo do mundo sem um Estado nacional, estão divididos entre Turquia, Síria, Irã e Iraque. A maioria vive na Turquia. Os curdos do Iraque, que têm autonomia regional, tentaram realizar um plebiscito sobre a independência.

Erdogan teme que eles se unam aos curdos da Síria para proclamar a independência do Curdistão, que inevitavelmente reivindicaria a soberania sobre o Sudeste da Turquia, onde os curdos são maioria.

Com o fracassado golpe militar de 15 de julho de 2016, em que sua própria vida estava em risco, Erdogan aproveitou para perseguir todos os seus adversários políticos. Mais de 50 mil pessoas foram presas e mais de 160 mil demitidas.

O líder turco acusou o clérigo muçulmano turco exilado nos EUA Fethullah Gülen, seu antigo aliado. A Justiça dos EUA rejeitou o pedido de extradição por falta de indícios e provas do envolvimento de Gülen no golpe, apesar da participação do movimento gulenista.

Diante do conflito com os EUA, Erdogan se aproximou do ditador da Rússia, Vladimir Putin, com quem falou no telefone depois das ameaças de Trump. O presidente turco é um líder autoritário e não quer dar a impressão de ceder diante da pressão dos EUA.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Maduro triplica salário mínimo para menos de um dólar

Para combater o que chama de "guerra econômica" da oposição e do empresariado, o ditador Nicolás Maduro anunciou na semana passada que vai aumentar em três vezes o salário mínimo da Venezuela, que passará a valer 3 milhões de bolívares, menos do que o valor de um dólar, que chegou hoje a 3,3 milhões de bolívares no mercado paralelo.

A Venezuela vive a pior crise econômica de sua história, com queda à quase metade do produto interno bruto desde que Maduro substituiu o finado caudilho Hugo Chávez, em 2013, e hiperinflação que pode chegar a 13.000% ao ano em 2018, depois de ficar em 2.700% no ano passado. Em dois anos, pode chegar a 1.800.000%.

"Os primeiros elementos do programa econômico incluem a proteção ao ingresso, por isso vou decretar um aumento do salário mínimo para 3 milhões de bolívares", revelou Maduro num comício na quarta-feira passada.

Em março, o regime chavista anunciou um corte de três zeros na moeda nacional. No câmbio oficial, um dólar vale 80 mil bolívares.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Índice de desemprego nos EUA cai para 3,8%

O mercado de trabalho dos Estados Unidos superou a expectativa em maio, gerando 223 mil postos de trabalho a mais do que fechou, acima da expectativa média dos economistas, que era de 188 mil vagas, revelou hoje o relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho. 

A taxa de desemprego, medida em outra pesquisa, caiu para 3,8%. É a menor desde abril de 2000, mês anterior ao estouro da bolha de empresas da Internet. Com a perspectiva de alta dos juros, o dólar se fortaleceu ainda mais. No Brasil, subiu 0,76% para 3,76.

Sob pressão de uma oferta de mão de obra escassa, o salário médio subiu em ritmo de 2,7% ao mundo, em comparação com 2,6% em abril. O saldo de novos empregos em abril foi revisado para baixo, de 164 para 159 mil. Em maio, houve uma forte aceleração do mercado de trabalho, com 63 mil vagas.

O ritmo de contratações caiu abaixo da expectativa dos analistas em março e abril, depois de um fevereiro excepcional, com aumento de 324 mil postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, a maior economia do mundo criou 190 mil empregos por mês.

Entre as mulheres, o índice de desemprego está em 3,6%, o menor desde 1953, quando a participação da mulher no mercado de trabalho era muito menor. A taxa para trabalhadores de mais de 24 anos sem segundo grau completo está em 5,4%.

O índice de desemprego amplo, que inclui subempregados que trabalham em meio expediente sem contrato de trabalho e quem desistiu de procurar emprego, caiu de 7,6% para 6,9% em maio.

Diante destes números, os economistas preveem um crescimento maior no segundo trimestre, num ritmo anual de 4,1%, depois de um aumento do produto interno bruto numa taxa anual de 2,2% no primeiro trimestre de 2018.

Neste cenário, a expectativa é de alta na taxa básica de juros de curto prazo na próxima reunião Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, em 12 e 13 de junho, e ao menos mais duas vezes até o fim do ano.

Pouco mais de uma hora antes do anúncio oficial, o presidente Donald Trump quebrou mais uma vez o protocolo ao festejar o relatório, que tem forte impacto sobre o mercado financeiro e por isso deve ser despolitizado.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Argentina volta ao FMI em busca de US$ 30 bilhões

Em meio à pior crise em dois anos e meio de governo, o presidente Mauricio Macri anunciou hoje um pedido de empréstimo de US$ 30 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para conter a desvalorização do peso e evitar problemas de financiamento. O ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, viajou para Washington para discutir as condições e o valor da linha de crédito.

O dólar passava de 23 pesos quando o presidente revelou o acordo de "financiamento preventivo" acertado hoje de manhã num telefonema de Dujovne e Macri à diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, ex-ministra das Finanças da França.

"Isto vai nos permitir avançar neste plano de crescimento e desenvolvimento, dando-nos apoio para enfrentar este cenário global e evitar a crise", declarou Macri na Casa Rosada.

Na noite anterior, diante de nova queda do peso, o ministro das Finanças, Luis Caputo, alertara para a dificuldade de obter financiamento externo neste momento difícil. Com o FMI, pode tomar empréstimo a juros de 4% ao ano, observou a deputada governista Elisa Carrió.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Banco Central da Argentina eleva taxa básica de juros para 40%

O Banco Central da Argentina surpreendeu hoje o mercado financeiro, elevando a taxa básica de juros pela terceira vez em uma semana para 40% ao ano para tentar conter a desvalorização do peso. 

Sob o impacto da medida, a moeda argentina subiu 5% para 21,238 pesos por dólar, mas depois caiu 2,3% e chegou a 22,25 por dólar. A moeda americana terminou o dia valendo 22,17 pesos em Buenos Aires.

Várias economias em desenvolvimento estão sob pressão com a alta do dólar diante da expectativa de mais três altas na taxa básica de juros neste ano nos Estados Unidos: Argentina, Brasil, México, Polônia e Turquia, entre outras. Como aqui, o BC argentino entrou no mercado vendendo US$ 5 bilhões das reservas cambiais do país.

Desde o início do ano, o peso perdeu 15% do valor, o real 13% e a lira turca também caiu mais de 10%. Para o jornal inglês Financial Times, é o primeiro grande teste do mercado à política de reformas do presidente Mauricio Macri, eleito há dois anos e meio com a promessa de tornar a Argentina num país normal depois de 12 anos de governos de Néstor e Cristina Kirchner.

Néstor Kirchner (2003-7) chegou ao poder em meio a uma depressão econômica, depois do fim da dolarização da era Carlos Menem (1989-99), de uma megadesvalorização do peso e de todos os ativos e de um calote de US$ 100 bilhões na dívida do país.

A crise sem precedentes numa economia razoavelmente desenvolvida, superada agora pelo colapso econômico da Venezuela, jogou 58% dos argentinos para baixa da linha de pobreza e levou Kirchner a adotar uma série de subsídios a alimentos, transportes e energia.

Quando veio a Grande Recessão de 2008-9, no início do governo Cristina Kirchner (2007-15), com a escassez de dólares, a saída foi sobretaxar as exportações agrícolas, o que provocou uma greve de produtores rurais. A greve do campo esvaziou as prateleiras dos supermercados e afetou o comércio exterior de uma grande potência agrícola mundial.

Sem o apoio dos ruralistas, Cristina deu uma guinada à esquerda e manteve os subsídios para garantir o apoio de sua base política, sindicalista e peronista, aumentando com isso o déficit orçamentário e a dívida pública.

Hoje o ministro da Economia, Nicolás Dujovne, anunciou uma redução do superávit primário de 3,2% para 2,7% do produto interno bruto e defendeu a alta nos juros: "A convergência para o equilíbrio fiscal não é negociável", declarou, prometendo resistir às "pressões populistas".

Com a redução do superávit primário (saldo nas contas públicas sem computar o pagamento de juros), o governo da Argentina deixará de tomar emprestado US$ 3 bilhões e já garantiu os recursos para 80% de sua necessidade de financiamento em 2018.

Apesar dos problemas econômicos, Macri ainda tem o apoio de mais de 50% dos argentinos.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Maduro pede a emigrantes que voltem para a Venezuela

Um dia depois de negar que haja uma fuga em massa de venezuelanos, em pronunciamento no Palácio de Miraflores, em Caracas, o ditador Nicolás Maduro pediu ontem aos emigrantes que voltem à Venezuela para aproveitar as "conquistas da revolução".

Maduro se dirigiu expressamente a venezuelanos que vivem no Chile e na Espanha, descrevendo a educação gratuita e a seguridade social como razões para morar na Venezuela. A educação pública gratuita é atribuída a Antonio Guzmán Blanco, em 1870, e a previdência social foi criada por Eleazar López Contreras, em 1940.

Mais de 1,4 milhão de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos para escapar da pior crise econômica da história. Cerca de 30% estão tirando documentos para fazer o mesmo.

Com o dólar a 236.201,87 bolívares no câmbio negro e o salário mínimo a 248.510 bolívares, o aluguel de um apartamento em Caracas custa de US$ 120 a US$ 1,2 mil, de 114 a 1.140 salários mínimos, noticia hoje o jornal El Nacional.

Por falta de matérias-primas, a produção de medicamentos caiu ao menos 60% nos últimos quatro anos, afirmou o presidente da Câmara da Indústria Farmacêutica, Tito López: "Se não contarmos com moeda estrangeira para comprar insumos, evidentemente a produção vai diminuir. Atualmente as fábricas operam entre 30% e 40% [da capacidade instalada] e neste momento têm estoques [de insumos] para dois meses."

Um dado impressionante: 98% dos insumos são importados.

Na madrugada de sexta-feira, seis bebês que estavam numa unidade de terapia intensiva neonatal morreram por falta de energia elétrica por mais de 24 horas num hospital de cidade de San Félix, no estado de Bolívar, denunciou o deputado oposicionista José Manuel Olivares.

sábado, 5 de agosto de 2017

Cotação do dólar dá novo salto na Venezuela

O dólar foi cotado a 18.982,93 bolívares e o euro a 22.589,69 bolívares no mercado paralelo na Venezuela ontem, quando o regime chavista deu posse a uma Assembleia Nacional Constituinte não reconhecida internacionalmente, numa manobra do ditador Nicolás Maduro para ter poderes absolutos, informou o boletim de notícias Dolar Today. 

No domingo, dia da eleição da Constituinte de Maduro, a moeda americana valia 10.389,79 bolívares e a europeia, 12.156,05. A oposição boicotou as eleições manipuladas pelo regime chavista, que assim tem controle total sobre a Constituinte, eleita para usurpar os poderes da Assembleia Nacional, onde a oposição conquistou maioria de dois terços nas eleições de 6 de dezembro de 2015.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Dólar sobe mais 7,7% com prisão de oposicionistas na Venezuela

Com a prisão dos líderes oposicionistas Antonio Ledezma e Leopoldo López e o agravamento da crise política na Venezuela, a cotação do dólar no mercado paralelo chegou hoje a 11.185,95 bolívares. O euro vale 13.087,54.

Ontem, depois das eleições de uma Assembleia Nacional Constituinte convocada para usurpar o poder da Assembleia Nacional eleita democraticamente, onde a oposição tem maioria de dois terços, e consolidar o poder do ditador Nicolás Maduro, a moeda americana valia 10.389,79 bolívares e o euro, 12.156,05 bolívares.

A Venezuela vive a pior crise econômica de sua história, com queda de 30% do produto interno bruto desde 2013 e 82% da população caindo na probreza. O desabastecimento é generalizado e a inflação deve chegar a 1.200% ao ano em 2017.

sábado, 29 de julho de 2017

Dólar passa de 10 mil bolívares com crise na Venezuela

Com o agravamento da crise política na véspera de eleições para escolher uma Assembleia Constituinte servil ao ditador Nicolás Maduro, a cotação do dólar no mercado paralelo da Venezuela chegou hoje a 10.389,79 bolívares e o euro a 12.156,05 bolívares, noticiou o boletim Dolar Today.

Os principais líderes da oposição, Henrique Capriles e Leopoldo López, convocaram a população a sair às ruas e tentar bloquear a votação. Pela Constituição da República Bolivarista da Venezuela, do governo Hugo Chávez, é necessário um plebiscito para o eleitorado autorizar a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Sob pressão da Assembleia Nacional, onde a oposição tem maioria de dois terços desde 5 de janeiro de 2016, Maduro usa a Constituinte para desautorizar o atual Legislativo e governar com o apoio de entidades pelegas subservientes ao regime chavista. É a consolidação da ditadura. O Executivo controla o Judiciário e passará a dominar também o Legislativo, anulando a vitória eleitoral da oposição.

Dos 545 deputados da Constituinte de Maduro, 364 serão eleitos territorialmente, um em cada município e dois para as capitais de estado. Os demais 181 constituintes serão eleitos por setor, por entidades dominadas pelo chavismo, 79 trabalhadores, 28 aposentados, 8 camponeses e pescadores, 8 indígenas, 5 empresários e 4 deficientes.

Cerca de 20 mil candidatos se inscreveram para as eleições territoriais e 35 mil para as eleições setoriais, revelou o Conselho Nacional Eleitoral, controlado pelo regime.

A Venezuela vive a pior crise econômica de sua história independente, com queda de 30% do produto interno bruto desde 2013, ano da morte de Hugo Chávez, o que caracteriza uma depressão econômica. Isso jogou 82% da população na miséria.

Desde a ascensão de Chávez ao poder, em 1999, a Venezuela exportou US$ 1 trilhão em petróleo, mas não tem dinheiro para importar papel higiênico. A inflação deve chegar a 1.200% neste ano e o desabastecimento de produtos básicos é generalizado. Três quartos dos venezuelanos perderam peso por falta de comida.

Para agravar ainda mais a situação, pelo menos 117 pessoas foram mortas na repressão governamental contra as manifestações de protestos que tomam as ruas da Venezuela todos os dias desde o início de abril.