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domingo, 25 de outubro de 2020

Leopoldo López foge da Venezuela e chega à Espanha

Um dos principais líderes da oposição na Venezuela, Leopoldo López, chegou hoje à Espanha depois de sair ontem da residência do embaixador espanhol em Caracas, onde estava refugiado há um ano e meio, e atravessar por terra a fronteira com a Colômbia. 

Principal líder do partido Vontade Popular, López foi preso e condenado a 13 anos, 9 meses, 7 dias e 12 horas por incitar à violência durante uma onda de protestos em que 43 pessoas morreram e mais de 4 mil foram presas, de fevereiro a maio de 2014. Era considerado preso político pelas Nações Unidas, a Anistia Internacional e o Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos). 

O procurador que o denunciou, Franklin Nieves, fugiu para os EUA e afirmou ter sido pressionado pela ditadura de Nicolas Maduro a condená-lo.

Mesmo preso, López chegou a liderar, em setembro de 2016, uma pesquisa para ser o candidato presidencial da oposição. É o chefe político do presidente da Assembleia Nacional, deputado Juan Guaidó, declarado presidente pela maioria oposicionista no parlamento em janeiro de 2019. 

Depois de anos na prisão militar de Ramo Verde, em 8 de julho de 2017, foi para prisão domiciliar. Em 30 de abril do ano passado, López foi libertado durante uma tentativa de sublevar a Força Armada Nacional Bolivarista contra o ditador Nicolás Maduro. Com o fracasso da revolta, refugiou-se na residência do embaixador da Espanha, de onde fugiu no sábado. O governo venezuelana acusa a diplomacia espanhola de facilitar a fuga.

"Venezuelanos, esta decisão não foi fácil, mas tenham a certeza de que podem contar com este servidor para lutar em qualquer lugar", tuitou López ao chegar a Madri, onde se reuniu com a mulher, Lilian Tintori, e os três filhos. "Não vamos descansar e continuaremos trabalhando dia e noite para conquistar a liberdade que todos os venezuelanos merecem."

Economista e político, Leopoldo Eduardo López Mendoza, de 49 anos, foi de 2000 a 2008 prefeito de Chacao, uma cidade rica da Grande Caracas, e a apoiou o golpe contra o presidente Hugo Chávez em 11 de abril de 2002, tornando-se um dos líderes da oposição.

Em 2008, López não pôde concorrer à Prefeitura de Caracas pela Controladoria-Geral da República por irregularidades quando era prefeito de Chacao. A Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, decidiu a seu favor por unanimidade, mas o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela não reconheceu o tribunal internacional.

Quando foi formada a Mesa da Unidade Democrática (MUD), a coalizão oposicionista contra o chavismo, Henrique Capriles, que concorreu à Presidência contra Chávez e Maduro, era o mais moderado; López, o mais radical. Hoje, ambos estão proibidos de concorrer.

As três manobras para tentar desestabilizar o regime, nas quais López certamente estava envolvido, a proclamação de Guaidó como presidente interino, uma grande "ajuda humanitária" articulada pelos Estados Unidos e a tentativa de sublevar os quartéis, fracassaram. 

Apesar da crise econômica, agravada pela pandemia, Maduro se mantém no poder e prepara eleições sob encomenda em dezembro para acabar com a maioria oposicionista na Assembleia Nacional, formada nas últimas eleições democráticas na Venezuela, em 6 de dezembro de 2015. Vamos ver qual será o próximo lance de López em Madri.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Justiça chavista manda prender líder da oposição na Venezuela

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela, leal ao regime chavista, ordenou hoje a prisão de Leopoldo López, o líder da oposição que fugiu da prisão domiciliar na segunda-feira à noite e se refugiou na residência do embaixador da Espanha diante do fracasso do levante para derrubar o ditador Nicolás Maduro. O governo espanhol se nega a entregá-lo.

Em comunicado oficial, o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez declarou que López é hóspede da embaixada e que a Espanha acredita que as autoridades venezuelanas vão respeitar a imunidade diplomática da residência do embaixador.

A Venezuela é signatária de duas convenções internacionais que garantem a imunidade das representações diplomáticas, seus funcionários e seus veículos. Violar estas regras causaria forte reação internacional.

Em entrevista na porta da residência do embaixador, López afirmou ter negociado com oficiais e dissidentes do chavismo: "Em 30 de abril, um grande número de militares deu um passo importante. Falei com muitos generais. (...) Nada do que temos peito foi de improviso. Virão mais rupturas no Exército. Esta ditadura vai acabar."

O TSJ quer que López volte para a prisão militar de Ramo Verde, em Caracas, para cumprir o restante de sua pena pela acusação de incitar à violência durante manifestações de protestos em fevereiro de 2014. Pelo menos 42 pessoas foram mortas na época. O regime chavista responsabilizou o líder oposicionista.

Ontem e hoje, pelo menos quatro manifestantes foram mortos pelas forças de segurança. Maduro desfilou da madrugada ao lado de 4,5 mil soldados para reafirmar que tem o apoio das Forças Armadas.

A oposição promete manter a pressão nas ruas até a queda do ditador, mas a expectativa de que conseguiria isso rapidamente se dissipou.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Líder da oposição na Venezuela se refugia em embaixadas

Num sinal de que a rebelião em curso não deve derrubar a ditadura de Nicolás Maduro de imediato, o líder da oposição Leopoldo López entrou na Embaixada do Chile em Caracas. 

Preso desde 2014 e em prisão domiciliar desde 2017, López foi libertado ontem à noite por seus carcereiros como parte do movimento. Mais tarde, ele e a família foram para a representação diplomática da Espanha, país de que têm cidadania.

López é o principal líder do partido Vontade Popular, do presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó. É o homem por trás de Guaidó.

De madrugada, López foi à base aérea de La Carlota, a maior da capital venezuelana. Estava ao lado de Guaidó quando este convocou o povo e as Forças Armadas a se rebelar contra o regime chavista.

Mais tarde, os dois foram a uma manifestação na Praça França e lideraram uma marcha de protesto no Oeste de Caracas, enquanto as forças de segurança leais a Maduro dispersaram uma concentração oposicionista em Chacaito.

O ditador convocou os coletivos, as milícias populares criadas pelo regime, que teriam hoje 2 milhões de membros. Mas, de acordo com o jornal venezuelano El Nacional, poucos saíram para defender Maduro.

Guaidó convoca rebelião e há luta nas ruas de Caracas

O presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido por 52 países, inclusive o Brasil, convocou hoje o povo e as Forças Armadas a uma rebelião contra a ditadura de Nicolás Maduro. 

Algumas unidades militares aderiram à revolta, mas o ministro da Defesa, general Padrino López, fez pronunciamento em apoio a Maduro, ameaçando usar a força para controlar a rebelião.

Na madrugada, Guaidó fez um pronunciamento diante da base aérea de La Carlota, perto do aeroporto de Caracas, ao lado de soldados da Guarda Nacional Bolivariana que o apoiam e de Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular e padrinho de Guaidó. Em seguida, os dois foram a um comício na  Praça da França.

Guaidó pediu à população para sair às ruas para derrubar o "usurpador Nicolás Maduro". O regime chavista acusou a oposição de golpe. Maduro convocou os coletivos, as milícias populares criadas para defender o regime, que teriam hoje 2 milhões de membros.

Em Chacao, uma parte rica da capital onde López foi prefeito, as milícias abriram fogo contra um grupo de manifestantes. Perto dali, em Chacaito, a polícia não conseguiu controlar os manifestantes.

Os Estados Unidos prometeram o fim das sanções aos membros do regime que aderirem a Guaidó. O secretário de Estado, Mike Pompeo, afirmou que havia um avião pronto para levar Maduro para o exílio em Cuba, mas a Rússia o mandou ficar. E o assessor para Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, declarou que o governo Donald Trump espera uma transição pacífica na Venezuela.

Trump, por sua vez, ameaçou aumentar as sanções econômicas a Cuba se o regime comunista cubano continuar apoiando Maduro.

O Brasil também reiterou o apoio a Guaidó, enquanto Rússia, Cuba, Bolívia, Nicarágua e Turquia repudiaram o que descreveram como uma "tentativa de golpe".

A oposição venezuelana alega que Maduro é um "usurpador", um presidente ilegítimo porque foi eleito de modo fraudulento.

Se a rebelião tiver sucesso, a Venezuela terá um governo mais liberal que terá a tarefa hercúlea de reconstruir a economia do país, arrasada pelas políticas fracassadas que o finado caudilho Hugo Chávez chamava de "socialismo do século 21".

Se a rebelião fracassar, deve haver um endurecimento do regime, com repressão mais rigorosa aos dissidentes e aumento da participação de aliados externos como a Rússia na segurança do que resta do chavismo.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Venezuela convoca eleição presidencial para 22 de abril

Depois de mais um fracasso no diálogo com a oposição, a ditadura de Nicolás Maduro marcou ontem para 22 de abril a eleição presidencial deste ano na Venezuela. Com a principal aliança oposicionista e os principais líderes da oposição proibidos de participar, a expectativa é de reeleição do ditador, apesar do colapso da economia do país.

A maioria dos países da América Latina, os Estados Unidos e a União Europeia já avisaram que não vão reconhecer o resultado da farsa eleitoral de Maduro, um dos piores governantes do mundo hoje, que levou ao colapso uma economia moderna e relativamente rica por ter as maiores reservas mundiais de petróleo.

O Conselho Nacional Eleitoral marcou a data cinco dias depois que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) anunciou a candidatura de Maduro, que adotou um tom triunfalista num comício: "O povo já decidiu. Nicolás Maduro será o presidente da República de 1919 a 2025", proclamou o ditador.

Hoje o Parlamento Europeu defendeu o aumento das sanções econômicas contra a ditadura venezuelana. O Chile abandonou a posição de observador no diálogo entre governo e oposição realizado na República Dominica. E a procuradoria do Tribunal Penal Internacional (TPI) abriu inquérito sobre crimes cometidos durante a repressão às manifestações realizadas de abril a junho de 2017, em que 125 pessoas foram mortas.

Entre as manobras recentes, o regime chavista vetou a participação da aliança oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD) e dos principais líderes da oposição, o ex-candidato a presidente Henrique Capriles e o ex-prefeito Leopoldo López. López está preso e condenado sob a acusação de incitar à violência durante as manifestações de protesto de fevereiro de 2014, quando pelo menos 43 pessoas foram mortas.

Maduro está no poder desde a morte de seu padrinho político Hugo Chávez, em 5 de março de 2013. Começou a governar meses antes, com o afastamento do caudilho por causa de um câncer. Eleito presidente em abril daquele ano, o ex-sindicalista e ex-motorista de ônibus preside a um dos maiores colapsos econômicos da história moderna.

Em cinco anos, o produto interno bruto da Venezuela caiu à metade. A inflação deve chegar a 13.000% neste ano. O desabastecimento de produtos básicos, especialmente alimentos e medicamentos, passa de 80%. Os venezuelanos passam fome. Estão emagrecendo por falta de comida.

Com a deterioração da economia, a oposição obteve sua primeira vitória eleitoral desde a ascensão de Chávez ao poder, em 1998. Em dezembro de 2015, conquistou uma maioria de dois terços na Assembleia Nacional, o que lhe permitiria alterar a Constituição.

O regime reagiu impugnando as eleições de alguns deputados, com o apoio do Poder Judiciário, totalmente subserviente ao Executivo. Quando o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) ,tentou cassar os poderes do parlamento, em abril do ano passado, a oposição saiu às ruas numa onda de protestos.

A saída do regime foi convocar uma Assembleia Nacional Constituinte eleita em bases territoriais, um deputado por cidade e dois por capital estadual, além de uma parte eleita por entidades pelegas ligadas ao regime. Ao dar todo o poder à Constituinte, anulando a Assembleia Nacional eleita democraticamente, o regime chavista virou uma ditadura escancarada.

Sob a orientação da ditadura comunista de Cuba, Maduro endurece o regime, mas mantém os controles de preços e do câmbio que levaram à ruína econômica da Venezuela. O dólar está sendo cotado hoje no câmbio negro a 235.402,45 bolívares e mais de 241 mil em Cúcuta, cidade colombiana situada junto à fronteira entre os dois países, informou o boletim de notícias Dolar Today.

A cada dia, mais venezuelanos emigram para a Colômbia e para o Brasil, entrando pelo estado de Roraima, que enfrenta dificuldades para lidar com a onda de refugiados.

É difícil imaginar o fim da crise terminal da Venezuela sem derramamento de sangue. Como as Forças Armadas são a base de sustentação do regime, só uma divisão interna e uma revolta armada parecem capaz de mudar a situação.

Ao matar o piloto rebelde Óscar Pérez, que no ano passado havia atacado de helicóptero o Ministério do Interior e o TSJ, Maduro e sua gangue deixaram claro que não vão tolerar nenhuma dissidência. Sabem que só a força armada pode derrubá-los e que, com a oposição desarmada, a rebelião terá de nascer dentro do regime.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Oposição e presos políticos da Venezuela ganham prêmio da UE

O Parlamento Europeu deu hoje o Prêmio Andrei Sákharov à oposição e aos presos políticos da ditadura chavista na Venezuela por sua coragem na luta contra o regime repressivo de Caracas. É o prêmio de direitos humanos mais importante da União Europeia, uma homenagem a um dos mais famosos dissidentes da União Soviética, dado a quem combate tiranias.

A homenagem é à Assembleia Nacional, dominada pela oposição, que teve os poderes usurpados pela Assembleia Nacional Constituinte fraudulenta convocada pelo ditador Nicolás Maduro para anular o resultado das urnas, e às centenas de presos políticos, especialmente os ex-prefeitos Antonio Ledezma e Leopoldo López.

"Este prêmio apoia a luta das forças democráticas pela democracia na Venezuela", declarou o eurodeputado e ex-primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt, da bancada liberal do Parlamento Europeu. Ele fez um apelo "à comunidade internacional a se juntar à luta pela liberdade do povo venezuelano."

Em 2016, foram agraciadas duas mulheres da minoria étnica yazidi que fugiram da escravidão sexual imposta pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

O prêmio foi criado em 1988 em homenagem ao físico e dissidente soviético Andrei Sákharov, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 1975. Ele foi o maior adversário interno da ditadura comunista soviética em sua penúltima fase, antes da abertura promovida por Mikhail Gorbachev.

No passado, ganharam o líder negro sul-africano Nelson Mandela, vários dissidentes chineses e cubanos, o jornalista liberal saudita Raif Badawi, e as organizações não governamentais Mães da Praça de Maio e Repórteres sem Fronteiras (RsF).

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Dólar sobe mais 7,7% com prisão de oposicionistas na Venezuela

Com a prisão dos líderes oposicionistas Antonio Ledezma e Leopoldo López e o agravamento da crise política na Venezuela, a cotação do dólar no mercado paralelo chegou hoje a 11.185,95 bolívares. O euro vale 13.087,54.

Ontem, depois das eleições de uma Assembleia Nacional Constituinte convocada para usurpar o poder da Assembleia Nacional eleita democraticamente, onde a oposição tem maioria de dois terços, e consolidar o poder do ditador Nicolás Maduro, a moeda americana valia 10.389,79 bolívares e o euro, 12.156,05 bolívares.

A Venezuela vive a pior crise econômica de sua história, com queda de 30% do produto interno bruto desde 2013 e 82% da população caindo na probreza. O desabastecimento é generalizado e a inflação deve chegar a 1.200% ao ano em 2017.

Venezuela bota na cadeia dois líderes da oposição

Dois líderes da oposição na Venezuela, os ex-prefeitos Antonio Ledezma e Leopoldo López, que estavam em prisão domiciliar, foram presos na madrugada de hoje pelo Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin), o serviço secreto do regime chavista, denunciaram parentes e oposicionistas.

As prisões acontecem dois dias depois das eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte convocada sob medida pelo ditador Nicolás Maduro para usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, hoje dominada pela oposição.

"Acabam de levar Leopoldo de casa", escreveu no Twitter Lilian Tintori, a mulher de López. "Não sabemos onde está nem para onde o levaram. Maduro é responsável se algo lhe acontecer."

As famílias divulgaram na Internet vídeos do momento das prisões. López, líder do partido direitista Vontade Popular, foi preso em 2014 sob a acusação de fomentar a violência em manifestações de rua nas quais 43 pessoas morreram. Em 2015, ele foi condenado a 13 anos e nove meses de prisão.

Ledezma, da Aliança Bravo Povo (ABP) foi preso em fevereiro de 2015 so a acusação de conspiração e formação de quadrilha. Depois de ficar dois meses na prisão militar de Ramo Verde, por motivos de saúde, foi mandado para prisão domiciliar.

Na semana passada, ambos divulgaram mensagens pedindo ao eleitorado venezuelano que não votasse na Constituinte e participasse dos protestos de rua, e à sociedade internacional para que não reconheça a manobra ditatorial de Maduro.

sábado, 29 de julho de 2017

Dólar passa de 10 mil bolívares com crise na Venezuela

Com o agravamento da crise política na véspera de eleições para escolher uma Assembleia Constituinte servil ao ditador Nicolás Maduro, a cotação do dólar no mercado paralelo da Venezuela chegou hoje a 10.389,79 bolívares e o euro a 12.156,05 bolívares, noticiou o boletim Dolar Today.

Os principais líderes da oposição, Henrique Capriles e Leopoldo López, convocaram a população a sair às ruas e tentar bloquear a votação. Pela Constituição da República Bolivarista da Venezuela, do governo Hugo Chávez, é necessário um plebiscito para o eleitorado autorizar a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Sob pressão da Assembleia Nacional, onde a oposição tem maioria de dois terços desde 5 de janeiro de 2016, Maduro usa a Constituinte para desautorizar o atual Legislativo e governar com o apoio de entidades pelegas subservientes ao regime chavista. É a consolidação da ditadura. O Executivo controla o Judiciário e passará a dominar também o Legislativo, anulando a vitória eleitoral da oposição.

Dos 545 deputados da Constituinte de Maduro, 364 serão eleitos territorialmente, um em cada município e dois para as capitais de estado. Os demais 181 constituintes serão eleitos por setor, por entidades dominadas pelo chavismo, 79 trabalhadores, 28 aposentados, 8 camponeses e pescadores, 8 indígenas, 5 empresários e 4 deficientes.

Cerca de 20 mil candidatos se inscreveram para as eleições territoriais e 35 mil para as eleições setoriais, revelou o Conselho Nacional Eleitoral, controlado pelo regime.

A Venezuela vive a pior crise econômica de sua história independente, com queda de 30% do produto interno bruto desde 2013, ano da morte de Hugo Chávez, o que caracteriza uma depressão econômica. Isso jogou 82% da população na miséria.

Desde a ascensão de Chávez ao poder, em 1999, a Venezuela exportou US$ 1 trilhão em petróleo, mas não tem dinheiro para importar papel higiênico. A inflação deve chegar a 1.200% neste ano e o desabastecimento de produtos básicos é generalizado. Três quartos dos venezuelanos perderam peso por falta de comida.

Para agravar ainda mais a situação, pelo menos 117 pessoas foram mortas na repressão governamental contra as manifestações de protestos que tomam as ruas da Venezuela todos os dias desde o início de abril.

sábado, 8 de julho de 2017

Venezuela tira da cadeia o líder oposicionista Leopoldo López

Por motivo de saúde, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela decidiu tirar da cadeia na madrugada de hoje o líder oposicionista Leopoldo López, do partido direitista Vontade Popular. Ele estava preso há mais de três anos no quartel de Ramo Verde, acusado pela onda de protestos iniciada em fevereiro de 2014, que resultou em 42 mortes. Vai agora para prisão domiciliar.

Vários líderes oposicionistas manifestaram apoio a López, inclusive o governador Henrique Capriles, derrotado nas duas últimas eleições presidenciais. Ele exigiu liberdade total para López. O país tem cerca de 300 presos políticos.

No momento, amigos, líderes políticos e da sociedade civil se concentram diante da casa de López, onde o líder oposicionista chegou às 4h (5h em Brasília). Agentes do Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin) que cercavam a casa mais cedo foram embora.

"Saudamos a libertação de Leopoldo López, oportunidade de reconciliação nacional e saída democrática da crise", declarou o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, ex-ministro do Exterior do Uruguai, descrevendo-a como um "primeiro passo".

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Condenação de López é fim da democracia na Venezuela, diz chefe da OEA

A confirmação de sentença condenatória ao líder da oposição Leopoldo López é o "marco" do fim da democracia e do Estado de Direito na Venezuela, afirmou ontem o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior do Uruguai Luis Almagro.

Em carta aberta a López, preso desde fevereiro de 2014 sob a acusação de incitar à violência, Almagro o chama de "amigo" e descreve o regime chavista venezuelano como uma "tirania":

"Nenhum foro regional ou sub-regional pode ignorar que hoje na Venezuela não há democracia nem Estado de Direito", acusa o ex-chanceler uruguaio. "Estou convencido de que não existem razões jurídicas, políticas, morais ou éticas para não se pronunciar e não condenar um governo que desqualificou a si próprio."

Na sua visão, o governo do presidente Nicolás Maduro "tem presos políticos que são torturados", "ignora a separação de poderes", "sofre uma profunda crise humanitária e ética" e "desconhece o direito constitucional de revogar o mandato do presidente".

Sob Maduro, acrescentou Almagro, "impera a intimidação política". Ele citou como exemplos as prisões de López e do ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, a cassação do mandato da deputada María Corina Machado e a agressão ao deputado Julio Borges.

Tudo isso acontece sob a pior crise econômica da história recente da Venezuela, com queda prevista de 8% do produto interno bruto em 2016 depois de baixa de 10% no ano passado, desabastecimento de 80% dos produtos normalmente encontrados em supermercados e uma inflação que deve chegar a 720% neste ano. O país tem ainda um dos maiores índices de homicídios do mundo fora de zonas em guerra.

Desde que assumiu a Secretaria Geral da OEA, em maio do ano passado, Almagro é um dos maiores críticos do regime chavista. O ex-chanceler uruguaio no governo José Mujica denunciou o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff como um golpe parlamentar, mas não pediu o afastamento do Brasil da OEA.

Em maio, o secretário-geral acusou a Venezuela de violar a cláusula democrática, que permite suspender um país temporariamente das atividades da organização regional.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

"Querem me matar", diz mulher de oposicionista preso na Venezuela

Um dia depois do assassinato de um líder municipal do partido de oposição Ação Democrática (AD) que estava a seu lado num comício, Lilian Tintori acusou o regime chavista da Venezuela de tentar matá-la, noticiou hoje o jornal espanhol El País.

"Querem me matar", afirmou Lilian, mulher de Leopoldo López, condenado a 14 anos de prisão sob a falsa acusação de incitar à violência durante uma onda de protestos em fevereiro de 2014. "O sangue espirrou em mim."

Lilian Tintori participava de um ato da campanha para as eleições parlamentares de 6 de dezembro, quando o regime deve perder a maioria na Assembleia Nacional pela primeira vez desde a ascensão de Hugo Chávez.

"Ainda estávamos no palanque. Rummi [Olivo, um cantor popular] ia começar a cantar e, naquele momento, se escutou muito de perto uma rajada de metralhadora de dez tiros. Nós nos atiramos no chão e eu fiquei me tocando porque sentia que eram contra mim. Querem me matar", insistiu Lilian.

No ataque, morreu o secretário-geral do diretório municipal da AD em Altagracia de Orituco, Luis Manuel Díaz, e outra pessoa saiu ferida. O secretário-geral nacional do partido, Henrt Ramos Allup, declarou que os tiros partiram de um carro de militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

Em discurso, o presidente Nicolás Maduro definiu o assassinato de um político no palanque como crime comum: "O Ministério do Interior já tem elementos que mostram um acerto de contas entre quadrilhas rivais."

A conselho de Ramos Allup, Tintori passou a noite no estado de Guárico.

Para o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior uruguaio Luis Almagro, o assassinato foi "uma ferida mortal na democracia" e não é um caso isolado: "Acontece de forma conjunta com ataques a outros dirigentes de oposição em uma estratégia para amedrontá-los. É hora de pôr fim ao medo. Cada morte na Venezuela hoje dói em toda a América."

Maduro ficou furioso. Chamou Almagro, ex-chanceler do governo esquerdista de José Mujica, de "lixo", acusando-se de agir "contra a Venezuela, contra o povo e contra a revolução bolivarista".

Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado americano, John Kirby, considerou o assassinato a maior violência de uma campanha eleitoral marcada por ataques e intimidações - e pediu proteção aos candidatos. Em Madri, o ministro do Exterior da Espanha, José Luis García, pediu uma investigação independente e garantias de que as eleições serão livres e limpas.

O Parlamento Europeu aprovou o envio de comissão para supervisionar as eleições. A missão de "acompanhamento" da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) condenou a morte e cobrou uma "investigação profunda".

Líder municipal da oposição é morto na Venezuela

Com a proximidade das eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015 e a determinação do presidente Nicolás Maduro de ganhar "seja como for", aumenta a violência política na Venezuela.  O secretário-geral do partido de oposição Ação Democrática no município de Altagracia de Orituco, Luis Manuel Díaz, foi morto ontem durante um comício.

Díaz foi baleado quando estava ao lado de Lilian Tintori, mulher de Leopoldo López, o principal líder da oposição preso e condenado pelo regime chavista num processo político, supostamente por incitar à violência durante manifestações de protesto contra o governo em fevereiro de 2014. Na época, 43 pessoas morreram em choques entre oposicionistas polícia bolivarista.

"Hoje sofri dois ataques", declarou ontem Lilian Tintori. Horas antes, participantes do comício foram alvo de pedradas. Ela denuncia estar sendo perseguida todo o tempo pelo Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin), o serviço secreto chavista.

O secretário-geral nacional da AD, Henry Ramos Allup, afirmou que o tiro partiu de um carro com militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do presidente Maduro. "Onde está a missão da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que até agora não disse nada?", protestou o deputado Leomagno Flores.

Depois do veto do governo Maduro ao ex-ministro da Justiça e da Defesa e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim, a chefia da missão de "acompanhamento" da Unasul das eleições venezuelanas foi entregue ao ex-presidente da República Dominicana Leonel Fernández, admirador confesso do finado caudilho Hugo Chávez.

Sob pressão, a missão da Unasul apelou "às autoridades para que conduzam uma investigação profunda sobre este fato condenável a fim de excluir toda impunidade".

A dez dias das eleições, a oposição denuncia uma série de ataques ao longo da campanha, especialmente depois do discurso de Maduro em 22 de outubro defender a vitória a qualquer preço. Isso aumentou a atividade das milícias chavistas conhecidas como coletivos e os protestos da aliança oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD).

No domingo, militantes mascarados atiraram para o ar para impedir a passagem de uma carreata do candidato oposicionista Miguel Pizarro num bairro popular da capital.

Na semana passada, Lilian Tintori foi perseguida quando ia a um ato público no centro de Caracas. Há duas semanas, o ex-candidato presidente Henrique Capriles foi alvo de tiros que atribuiu ao prefeito chavista de Yare, Saúl Yáñez, e seus capangas.

O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, que disputa a liderança do chavismo com Maduro, desprezou as denúncias como "armações".

Na pior crise econômica de sua história moderna, com recessão de 10%, inflação de 200% e desabastecimento generalizado por causa da queda nos preços do petróleo e do fracasso do "socialismo do século 21", todas as pesquisas apontam uma ampla vitória das oposições, que teriam maioria na Assembleia Nacional pela primeira vez desde a ascensão de Hugo Chávez.

Se as pesquisas forem confirmadas, a oposição poderá convocar um referendo para revogar o mandato do presidente Maduro e tirar o chavismo do poder com uma de suas próprias armas. Como o regime não mostra nenhum sinal de que pretenda ceder o poder democraticamente, a tendência é de aumento da violência política.

Na primeira entrevista como presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, ameaçou aplicar a cláusula democrática do Mercosul para suspender a Venezuela do bloco por causa da "perseguição a oposicionistas" e da "falta de liberdade de expressão". Com essa declaração pressionou o governo Dilma Rousseff, aliado do chavismo, a tomar uma posição clara.

As eleições de 6 de dezembro serão um teste definitivo para Maduro, para a política externa de Dilma e para o compromisso do Mercosul com a democracia. Quatro dias depois, Macri toma posse. Em 21 de dezembro, o Mercosul faz sua reunião de cúpula.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Maduro convoca eleições parlamentares para dezembro

Sob grande pressão interna e externa, o presidente Nicolás Maduro finalmente convocou ontem eleições parlamentares para 6 de dezembro de 2015 na Venezuela. A maioria absoluta do regime chavista no Parlamento está ameaçada e Maduro insinuou que pode rejeitar o resultado.

"Se a direita ganhar, serei o primeiro a me lançar às ruas", declarou o sucessor e herdeiro político de Hugo Chávez. "Se a direita tomar a Assembleia Nacional, sucederiam coisas muito graves neste país, haveria um processo de confrontação nas ruas."

A convocação das eleições parlamentares era uma das exigências do líder oposicionista Leopoldo López, preso há mais de um ano sem culpa formada, para encerrar uma greve de fome de 29 dias. Vários membros do seu partido, Vontade Popular, aderiram à greve, que está mantida. Outra reivindicação é a libertação de todos os presos políticos venezuelanos.

Hoje, o governo tem o apoio de 99 dos 165 deputados da Assembleia Nacional e uma popularidade em queda. Maduro foi eleito presidente em abril de 2013, 40 dias depois da morte de Chávez, com 50,6% dos votos.

Com a queda nos preços internacionais do petróleo, a inflação em 100% ao ano, desabastecimento de produtos básicos e dólar a 465 bolívares o mercado negro - até pouco tempo atrás a cotação oficial era 6,30 -, as chances de vitória da oposição são enormes.

Se a oposição conquistar maioria na Assembleia Nacional, o próximo passo será recolher assinatura para exigir a realização de um referendo revogatório para abreviar o mandato do atual presidente. É um instituto introduzido por Chávez na Constituição da República Bolivarista da Venezuela, o nome oficial do país, rebatizado pelo caudilho.

Como o regime chavista não parece disposto a entregar o poder, os próximos meses serão grande agitação política na Venezuela. A campanha começa oficialmente em 13 de novembro, mas este é um governo que nunca desceu do palanque em conflito com uma oposição que precisa desesperadamente de um.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Maduro faz o que nem Pinochet fez

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acaba de fazer o que nem o general Augusto Pinochet fez durante a ditadura militar do Chile (1973-90), quando o então primeiro-ministro espanhol Felipe González (1982-96) pôde visitar presos políticos no país.

González deixou Caracas hoje depois de uma visita de dois dias à Venezuela em que não conseguiu acesso ao principal preso político do país, o ex-prefeito de Chacao Leopoldo López. Também não pôde colaborar com a defesa do prefeito da região metropolitana da capital, Antonio Ledezma, que está em prisão domiciliar, noticiou o jornal espanhol El País.

A resposta do regime chavista foi declarar o antigo líder socialista da Espanha persona non grata na Venezuela. Pelo Twitter, Maduro acusou González: "O eixo Bogotá-Madri-Miami age em desespero, enviam personagens para legitimar sua guerra contra a Venezuela, querem pôr a mão na pátria."

O ex-chefe de governo da Espanha não teve autorização para entrar na prisão militar de Ramo Verde nem para assistir à audiência do processo contra López, preso há mais de um ano por causa da onda de protestos iniciada em 12 de fevereiro de 2014, em que pelo menos 42 pessoas foram mortas.

Depois de se reunir com os advogados de defesa dos presos políticos na casa da família López, González declarou que a Venezuela "precisa de muito diálogo" e que seria "um bom gesto" a convocação das eleições parlamentares previstas para este ano.

Na segunda-feira, ele se reuniu com a aliança oposicionista Mesa da Unidade Democrática para analisar a situação política venezuelana. Também foi à casa do ex-guerrilheiro Teodoro Petkoff, editor do semanário Tal Cual, que está proibido de sair da Venezuela pelo regime chavista, para lhe entregar o Prêmio Ortega y Gasset

"Gostaria de encontrar um país onde não houvesse bons e maus", resumiu o ex-primeiro-ministro espanhol ao deixar Caracas rumo à Colômbia.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Venezuela faz o que Chile de Pinochet não fez

O ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González "não será bem-vindo" à Venezuela em sua missão para defender os principais líderes da oposição presos pelo regime chavista, Leopoldo López e Antonio Ledezma, advertiu o Ministério das Relações Exteriores em mensagem à Embaixada da Espanha em Caracas.

Nem o general Augusto Pinochet, maior símbolo dos ditadores de direita da América Latina durante a Guerra Fria, chegou a tanto. Quando era primeiro-ministro, González foi ao Chile e conseguiu ver presos políticos da ditadura pinochetista.

González chega segunda-feira a Caracas e pretende ver López e Ledezma. A julgar carta do governo Nicolás Maduro, não vai conseguir. Ele é acusado pelo regime fascistoide da Venezuela de "se caracterizar por tornar públicas suas posições antivenezuelanas e antibolivaristas, e assumiu a tarefa de se juntar à campanha contra a terra onde nasceram os libertadores que lutaram pela independência contra o colonialismo espanhol."

Por este motivo, "o governo da República Bolivarista da Venezuela não o considera bem-vindo e não lhe dará qualquer apoio, deixando qualquer ação que possa tomar sob sua inteira responsabilidade", diz o comunicado, citado pelo jornal Latin American Herald Tribune.

A ditadura chavista vai além, "sugere ao cidadão Felipe González que, se estiver interessado na defesa dos direitos humanos, que na Venezuela são amplamente garantidos, que se ocupe da defesa dos 500 mil espanhóis que foram despejados e expulsos de suas casas" na Espanha.

Durante visita ao Brasil em defesa de seus maridos, as mulheres de López e Ledezma tentaram ser recebidas em audiência pela presidente Dilma Rousseff, mas não conseguiram. O governo brasileiro continua apoiando a ditadura chavista na Venezuela.

Entre as últimas arbitrariedades do regime, donos de jornais estão impedidos de sair do país por reproduzirem notícia do jornal espanhol ABC em que um ex-agente venezuelano acusou o presidente da Assembleia Nacional e número dois do regime, Diosdado Cabello, de colaborar com o tráfico internacional de drogas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Governo chavista prende prefeito oposicionista de Caracas

Sem mandado judicial, agentes do Serviço Bolivarista de Inteligência (Sebin) prenderam hoje o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, revelou o jornal El Universal. De acordo com sua mulher, ele foi levado para a sede central do Sebin, na Praça Venezuela, na capital do país.

Em pronunciamento na televisão, o presidente Nicolás Maduro acusou Ledezma de tentar "há anos promover um golpe de Estado". A prova da conspiração apresentada por Maduro foi um documento propondo a criação de um governo de união nacional para superar a crise, já que o presidente se mostra totalmente incapaz.

Lilian Tintori, mulher do líder do partido Vontade Popular, Leopoldo López, preso há um ano por articular manifestações de protesto contra o governo, disse no Twitter que a Guarda Nacional está tentando transferi-lo da prisão de Ramo Verde. Ele foi espancado na prisão. Teme-se que seja morto.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Chavismo se apoia nas Forças Armadas

Apesar dos protestos diários nas ruas de Caracas e outras cidades da Venezuela, é improvável uma queda imediata do presidente Nicolás Maduro, ao contrário do que aconteceu na Ucrânia. Nem na tragédia a América Latina é competitiva, lamenta o comentarista político venezuelano Moisés Naím, em artigo no jornal El Nacional.

Nas ruas de Kiev, houve uma batalha sobre as fronteiras da Europa, a segurança energética do continente, o domínio da Rússia sobre as ex-repúblicas soviéticas e o futuro do autoritarismo de Vladimir Putin dentro e fora de seu país. Na Venezuela, está em jogo apenas o chavismo e seu mal definido "socialismo do século 21".

Hugo Chávez Frías era aquele tipo de caudilho maior do que o mundo, lúcido e inteligente, mas arrogante e boquirroto. Estabeleceu uma relação direta das massas que lhe permitiu atropelar constantemente as instituições de sua própria revolução bolivarista.

Seu sucessor, Nicolás Maduro, não tem nem de longe nem a inteligência nem o carisma do comandante morto prematuramente por um câncer que tentou esconder da opinião pública.

Desde que Chávez se afastou para fazer tratamento em Cuba, em dezembro de 2012, a Venezuela é governada por um colegiado. Maduro é a face mais visível do regime. Por trás dele, há outras figuras, com destaque para o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, companheiro de armas de Chávez no fracassado golpe de 4 de fevereiro de 1992 contra o presidente Carlos Andrés Pérez.

Foi Cabello quem escoltou o líder oposicionista Leopoldo López até um tribunal militar. É Cabello que tem maior trânsito entre os militares, que são a base de sustentação do chavismo, especialmente depois da cubanização do regime em 2003, em reação ao golpe contra Chávez de 11 de abril de 2002.

Com uma ajuda anual de US$ 5 bilhões em petróleo, equivalente à que Cuba recebia da extinta União Soviética, o chavismo se tornou o principal sustentáculo da ditadura dos irmãos Castro, grandes interessados portanto em manter o regime venezuelano.

Quando era ministro do Exterior sob Chávez, Maduro era a face moderada, diplomática e conciliadora do chavismo, um homem de diálogo. No poder, talvez inseguro por ganhar a eleição de 14 de abril de 2013 por apenas 1,4% dos votos, ele adotou o estilo confrontacionista de Chávez sem ter a mesma eloquência. Quando fala em "burguesia parasitária" ou "oposição nazifascista", soa como uma retórica vazia.

Para o analista político Omar Noria, citado pelo jornal venezuelano El Nacional, é "alguém que não tem luz própria, um personagem que funciona dentro de uma administração caótica e que frente a essas fraquezas apelou para aumentar a repressão e a intolerância". Neste cenário de violência, Noria acredita que o poder de fato esteja com Cabello.

A incompetência de Maduro fica evidente em medidas como a criação de 111 vice-ministérios, inclusive da Suprema Felicidade, que se somam aos 32 ministérios para formar um formidável aparato democrático de duvidosa eficiência administrativa.

Com a onda de protestos iniciada em 12 de fevereiro de 2014, ressurgiu a liderança de López, ex-prefeito de Chacao, na região metropolitana da capital. Líder do partido Vontade Popular, ele rompeu com a estratégia de diálogo adotada pelo governador Henrique Capriles, candidato derrotado nas duas últimas eleições presidenciais, e convocou a população a sair às ruas, sendo logo atendido por estudantes insatisfeitos com a crise econômica.

Antes do golpe de 2002, Chávez criou as Células Bolivaristas, milícias populares para defender sua revolução. Depois da tentativa de derrubá-lo, cercou-se de assessores militares e de segurança cubanos, promoveu expurgos nas Forças Armadas, fortaleceu e ampliou as milícias e os "coletivos", equivalentes aos comitês de defesa da revolução em Cuba.

Maduro aprendeu com Chávez que os militares são ao mesmo tempo a maior garantia e a maior ameaça à revolução bolivarista. "No atual cenário de efervescência social, as Forças Armadas são o principal sustentáculo do governo Maduro. É um governo militarista e pretoriano, que se apoia nos militares, apesar de ser civil."

Nos primeiros nove meses de governo, Maduro nomeou 368 militares para cargos públicos, inclusive oito ministros e 11 governadores. Os ministros da Economia, do Interior, da Defesa e dos Transportes, e o intendente nacional de preços justos são militares.

Além do aumento de 60% nos soldos, Maduro apoiou a criação de um canal de televisão, um banco, uma construtora e uma processadora de alimentos das Forças Armadas. Há um certo descontentamento com a excessiva influência de Cuba, mas qualquer dissidência ideológica é punida com expurgo.

Se na Argentina uma derrota do kirchnerismo nas eleições de 2015 mudará as condições de governabilidade do país, na Venezuela, a militarização do regime chavista torna qualquer mudança muito mais difícil. As milícias e os coletivos podem reagir em defesa da revolução que desaba sob o peso de uma crise econômica gerada por seus próprios erros e a tentativa de ressuscitar o marxismo no século 21.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Venezuela reduz acusações a líder da oposição preso

Durante a audiência de apresentação à Justiça da Venezuela do líder oposicionista Leopoldo López, as acusações de terrorismo e assassinato foram retiradas, informou hoje seu advogado. O ex-prefeito de Chacao será denunciado por incêndio criminoso e incitação à violência.

López rompeu nos últimos dias com a estratégia de dialogar com o governo chavista adotada pelo candidato derrotado nas duas últimas duas eleições presidenciais, Henrique Capriles.

A Venezuela vive uma crise econômica sem precedentes para um país riquíssimo em petróleo, com inflação de 56% ao ano, desabastecimento de um quarto dos produtos normalmente encontrados em supermercados, inclusive açúcar, carne, leite e papel higiênico, e um dos maiores índices de homicídios do mundo.

Com as mortes de mais duas mulheres, subiu para seis o total de mortos no conflito nas ruas da Venezuela. Ontem, a Miss Turismo do estado de Carabobo, Génesis Carmona, foi baleada por milicianos chavistas que passaram de moto e atiraram contra um protesto da oposição na cidade de Valência. Outra mulher morreu quando a ambulância que a socorria ficou parada no meio de uma manifestação contra o governo.

O maior problema do regime é que Hugo Chávez foi um caudilho tão dominante e avassalador que nenhuma outra liderança floresceu sob seu comando. Nicolás Maduro, o sucessor indicado por Chávez e Fidel Castro, não tem o carisma nem a inteligência nem o talento político do comandante.

Desde o afastamento de Chávez, em dezembro de 2012, e sua morte em 5 de março de 2013, a Venezuela é governada por um colegiado. A rivalidade entre Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, companheiro da Chávez no fracasso golpe militar de 1992, é cada vez mais evidente.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Guarda Nacional Bolivariana ataca oposição venezuelana

Com uma crise econômica sem precedentes e manifestações concorrentes contra e a favor do governo disputando espaço nas ruas diariamente, a Guarda Nacional Bolivariana ataca, espanca, prende e tortura adversários políticos do regime chavista da Venezuela.

As imagens são eloquentes. Um policial dá um chute na cabeça de um oposicionista caído no chão.

O que acontece atrás das câmeras é ainda pior. O jornalista Teodoro Petkoff, do jornal Tal Cual, denuncia abusos sexuais cometidos contra oposicionistas presos como tortura enfiando o cano de um fuzil no ânus de um jovem na cidade de Valência.

Antes de se entregar ontem, o líder oposicionista Leopoldo López gravou um vídeo pedindo que o movimento não recue diante da onda repressiva cada vez mais violenta. Ele deve ser apresentado hoje à Justiça. A oposição convocou uma marcha até o tribunal.

O governo o acusa por terrorismo, homicídio e incêndios criminosos. Mas até onde se sabe, até agora, a violência partiu principalmente do governo e das seis milícias aliadas ao chavismo, que atiram contra multidões de oposicionistas desarmados. Pelo menos quatro pessoas morreram.
A revolta popular acontece em meio a uma profunda crise econômica gerada pelas políticas desastradas do "socialismo do século 21" propalado pelo falecido caudilho Hugo Chávez, que desgovernou a Venezuela de 1999 até a morte, em 5 de março de 2013. Nas ruas, a oposição diz que luta contra um cadáver, o fantasma de Chávez, que continuaria governando a Venezuela.

Sem o mesmo carisma, seu sucessor, Nicolás Maduro, venceu a eleição presidencial de 14 de abril de 2013 por pouco mais de 1% dos votos, apesar do uso maciço da máquina estatal. O candidato oposicionista derrotado, Henrique Capriles, recorreu, mas a Justiça chavista confirmou o resultado oficial.

Desde então, Capriles adotou uma estratégia de diálogo com o governo, rejeitada por oposicionistas mais radicais como López diante da gravidade da crise.

A inflação chegou a 56% ao ano. O dólar vale 13 vezes mais no mercado paralelo. Cerca de 26% dos produtos normalmente encontrados em supermercados estão em falta, inclusive carne, leite e papel higiênico. Há escassez de energia, apagões e falta de dólares num dos países com as maiores jazidas de petróleo do mundo.

E o que fazem o Brasil e seus aliados no Mercosul? Apoiam o regime chavista, ignorando a cláusula democrática que deveria ser respeitada por todos os países-membros do bloco.

Enquanto o governo brasileiro ignora a matança de mais de 130 mil pessoas na guerra civil da Síria, ficando ao lado da China e da Rússia no bloqueio a qualquer tentativa de interferir no conflito em nome do princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros países, não tem o menor pudor de tomar partido na Venezuela.

Quem é o responsável: a presidente Dilma Rousseff, o Itamaraty ou o assessor especial Marco Aurélio Garcia, fã incondicional dos regimes bolivaristas que nada tem a ver com o libertador Simón Bolívar, que não era de esquerda?