O Parlamento Europeu deu hoje o Prêmio Andrei Sákharov à oposição e aos presos políticos da ditadura chavista na Venezuela por sua coragem na luta contra o regime repressivo de Caracas. É o prêmio de direitos humanos mais importante da União Europeia, uma homenagem a um dos mais famosos dissidentes da União Soviética, dado a quem combate tiranias.
A homenagem é à Assembleia Nacional, dominada pela oposição, que teve os poderes usurpados pela Assembleia Nacional Constituinte fraudulenta convocada pelo ditador Nicolás Maduro para anular o resultado das urnas, e às centenas de presos políticos, especialmente os ex-prefeitos Antonio Ledezma e Leopoldo López.
"Este prêmio apoia a luta das forças democráticas pela democracia na Venezuela", declarou o eurodeputado e ex-primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt, da bancada liberal do Parlamento Europeu. Ele fez um apelo "à comunidade internacional a se juntar à luta pela liberdade do povo venezuelano."
Em 2016, foram agraciadas duas mulheres da minoria étnica yazidi que fugiram da escravidão sexual imposta pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
O prêmio foi criado em 1988 em homenagem ao físico e dissidente soviético Andrei Sákharov, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 1975. Ele foi o maior adversário interno da ditadura comunista soviética em sua penúltima fase, antes da abertura promovida por Mikhail Gorbachev.
No passado, ganharam o líder negro sul-africano Nelson Mandela, vários dissidentes chineses e cubanos, o jornalista liberal saudita Raif Badawi, e as organizações não governamentais Mães da Praça de Maio e Repórteres sem Fronteiras (RsF).
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 26 de outubro de 2017
domingo, 1 de outubro de 2017
Só 42,3% votaram no plebiscito sobre independência da Catalunha
O governador regional da Catalunha, Carles Puigdemont, proclamou hoje que a região "conquistou o direito de ter um Estado independente". Ele deve declarar a independência nos próximos dias.
Apesar da repressão do governo central da Espanha, 90% dos eleitores votaram a favor da separação. Mas a participação de apenas 42,3% do eleitorado mina a legitimidade da consulta popular.
Pelos dados do governo catalão, 2,26 milhões de pessoas votaram e 2,02 milhões disseram disseram sim à independência da Catalunha. Como o eleitorado total da região é de cerca de 5,34 milhões de pessoas, um pouco menos de 38% aprovaram a independência.
"Neste dia de esperança e sofrimento, os cidadãos catalães conquistaram o direito de ter um Estado independente sob a forma de uma república", declarou Puigdemont em pronunciamento na televisão. "Somos cidadãos europeus e sofremos atentados a nossos direitos e nossas liberdades", acrescentou, pedindo uma resposta rápida da União Europeia.
Ao todo, 844 pessoas saíram feridas de confrontos com a polícia de choque, orientada pelo governo central de Madri a usar a força para impedir a realização do referendo, denunciou o governo catalão. No fim do dia, o primeiro-ministro conservador espanhol, Mariano Rajoy, afirmou que o plebiscito foi uma farsa e não aconteceu.
"Fizemos o que tínhamos de fazer, agindo de acordo com a lei e somente com a lei", justificou-se Rajoy. O partido radical de esquerda Podemos pediu a queda do primeiro-ministro e convocou o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) a apoiar um voto de censura contra o governo minoritário de Rajoy
A UE apoiou o governo espanhol para não estimular movimentos pela independência e não se manifestou oficialmente sobre a violência policial, deplorada pelos primeiros-ministros da Bélgica, Charles Michel, e da Eslovênia, Miro Cerar. O eurodeputado e ex-primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt condenou os dois lados, pediu o fim da violência e a retomada do diálogo na Espanha.
Quando as negociações políticas forem retomadas, o governo central pode oferecer uma reforma do estatuto de autonomia, dando, por exemplo, autonomia fiscal para a Catalunha, a região mais rica da Espanha.
Com 16% da população, a Catalunha é responsável por 19% do produto interno bruto da Espanha. Durante a crise econômica, os catalães protestaram contra a austeridade fiscal imposta por Madri, alegando que sua situação fiscal é diferente do resto da Espanha.
Pela Constituição do país, toda a população deve votar em plebiscitos sobre independência e não apenas a região interessada.
Apesar da repressão do governo central da Espanha, 90% dos eleitores votaram a favor da separação. Mas a participação de apenas 42,3% do eleitorado mina a legitimidade da consulta popular.
Pelos dados do governo catalão, 2,26 milhões de pessoas votaram e 2,02 milhões disseram disseram sim à independência da Catalunha. Como o eleitorado total da região é de cerca de 5,34 milhões de pessoas, um pouco menos de 38% aprovaram a independência.
"Neste dia de esperança e sofrimento, os cidadãos catalães conquistaram o direito de ter um Estado independente sob a forma de uma república", declarou Puigdemont em pronunciamento na televisão. "Somos cidadãos europeus e sofremos atentados a nossos direitos e nossas liberdades", acrescentou, pedindo uma resposta rápida da União Europeia.
Ao todo, 844 pessoas saíram feridas de confrontos com a polícia de choque, orientada pelo governo central de Madri a usar a força para impedir a realização do referendo, denunciou o governo catalão. No fim do dia, o primeiro-ministro conservador espanhol, Mariano Rajoy, afirmou que o plebiscito foi uma farsa e não aconteceu.
"Fizemos o que tínhamos de fazer, agindo de acordo com a lei e somente com a lei", justificou-se Rajoy. O partido radical de esquerda Podemos pediu a queda do primeiro-ministro e convocou o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) a apoiar um voto de censura contra o governo minoritário de Rajoy
A UE apoiou o governo espanhol para não estimular movimentos pela independência e não se manifestou oficialmente sobre a violência policial, deplorada pelos primeiros-ministros da Bélgica, Charles Michel, e da Eslovênia, Miro Cerar. O eurodeputado e ex-primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt condenou os dois lados, pediu o fim da violência e a retomada do diálogo na Espanha.
Quando as negociações políticas forem retomadas, o governo central pode oferecer uma reforma do estatuto de autonomia, dando, por exemplo, autonomia fiscal para a Catalunha, a região mais rica da Espanha.
Com 16% da população, a Catalunha é responsável por 19% do produto interno bruto da Espanha. Durante a crise econômica, os catalães protestaram contra a austeridade fiscal imposta por Madri, alegando que sua situação fiscal é diferente do resto da Espanha.
Pela Constituição do país, toda a população deve votar em plebiscitos sobre independência e não apenas a região interessada.
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