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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Agosto

PRISÃO DE SEGURANÇA MÁXIMA 

    Em 1934, o primeiro grupo de prisioneiros perigosos chega à Ilha de Alcatraz, na Baía de São Francisco, na Califórnia, convertida de prisão militar em prisão federal de segurança máxima dos Estados Unidos.

Os primeiros seres humanos chegam à Baía de São Francisco entre 20 e 10 mil anos antes de Cristo. Quando os europeus a descobrem, há cerca de 10 mil indígenas entre Point Sur, hoje um parque nacional perto de Carmel, e a Baía de São Francisco.

Alcatraz é um lugar de isolamento e ostracismo para quem viola as leis de tribo. É também um local de pesca e coleta de frutos do mar e ovos de aves. Também é refúgio para indígenas que não se submetem ao sistema de missões do início da colonização da Califórnia.

Quando a Califórnia pertence ao México, a ilha é cedida a John Workman para a construção de um farol. Com a Guerra Mexicano-Americana (1846-48) e a conquista de cerca de 40% do território mexicano pelos EUA, há uma preocupação em defender a Baía de São Francisco, especialmente porque em 24 de janeiro de 1848 começa a Corrida do Ouro na Califórnia.

Em 1853, Alcatraz é fortificada por uma guarnição para 200 soldados. A partir de 1868, as instalações passam a ser usadas como prisão para bandoleiros e indígenas rebeldes. Durante as guerras indígenas, muitos índios são confinados na ilha. No século 20, Alcatraz recebe uma quantidade expressiva de presos. É ampliada.

Durante a Grande Depressão (1929-39), uma crise econômica brutal que é a principal causa econômica da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a criminalidade aumenta nos EUA. Aquela pequena ilha rochosa de 8,9 quilômetros quadrados que fica a 2,4 km da cidade de São Francisco é um bom lugar para assustar qualquer bandido.

De 1934 a 1963, Alcatraz é uma das prisões mais seguras do planeta. Por lá, passam Robert Stroud, James Whitey Bulger e o mais famoso dos mafiosos, Al Capone.

JACKSON POLLOCK MORRE EM ACIDENTE

    Em 1956, morre aos 44 anos em acidente de automóvel em Springs, no estado de Nova York, quando dirigia alcoolizado, o pintor Jackson Pollock, um expoente do expressionismo abstrato, um movimento caracterizado pela livre associação de gestos num método conhecido como "pintura em ação". Ele andava sobre as telas salpicando-as com gotas de tinta.

Paul Jackson Pollock nasce em Cody, no estado de Wyoming, nos Estados Unidos, em 28 de janeiro de 1912. É o mais novo de cinco filhos de Stella May McClure, de origem escocesa, e de LeRoy Pollock, de origem escocesa e irlandesa. O sobrenome original do pai era McCoy, antes de ser adotado por em 1890 pela família Pollock depois da morte de seus pais.

Quando ele tem 11 meses, a família sai de Cody e passa 18 anos na Califórnia e no Arizona. Em 1928, eles vão para Los Angeles, onde Pollock se matricula na Escola Secundária de Artes Manuais e sofre influência de Frederick John de St. Vrain Schwankovsky, um pintor e ilustrador membro da Sociedade Teosófica, uma seita que promove a espiritualidade oculta e metafísica.

Schwankovsky ensina desenho e pintura a Pollock, e o apresenta aos movimentos da arte moderna da Europa e à literatura teosófica. Esta experiência o prepara para seguir a teoria do psicanalista suíço Carl Jung e a explora as imagens do inconsciente na pintura.

Em 1930, Jackson Pollock segue o irmão Charles e vai para Nova York, onde entra para a Liga dos Estudantes de Arte. Depois de alguns anos na miséria durante a Grande Depressão (1929-39), ele consegue um emprego no Projeto de Arte Federal. Isto lhe dá segurança e oportunidade para desenvolver sua arte.

Com problema de alcoolismo, Pollock começa um tratamento psiquiátrico em 1937. No ano seguinte, tem uma crise de saúde mental. É hospitalizado durante quatro meses. Depois deste problema, sua arte se torna semiabstrata e mostra influência dos pintores espanhóis Pablo Picasso e Joan Miró e do muralista mexicano José Clemente Orozco.

Depois do fim do Projeto de Arte Federal, Peggy Guggenheim o contrata em julho de 1943 para sua galeria Arte deste Século, em Nova York, onde ele desenvolve seu estilo totalmente pessoal. Ele pinta Mural para a entrada da casa de Guggenheim. Por sugestão do amigo Marcel Duchamp, Pollock pinta uma tela para ser portátil. O crítico Clement Greenberg observa: "Isto é uma arte extraordinária. Pollock é o maior pintor que este país já produziu."

Em 1947, Pollock usa pela primeira vez a técnica de gotejamento sobre a tela criada por Max Ernst. Coloca a tela no chão e não usa pincéis. 

É descrito por seus contemporâneos como gentil e contemplativo cquando sóbrio e violento quando bebia. A morte vem num acidente quando Pollock dirigia embriagado. Seu conversível sai da estrada, fere uma passageira, Ruth Kligman, com quem tem um caso, e mata sua amiga Edith Metzger.

INDEPENDÊNCIA DO CHADE

    Em 1960, o Chade se torna independente da França sob a liderança de François Tombalbaye, primeiro presidente, mas não consegue paz e estabilidade, e enfrenta cerca de 40 anos de guerra civil e violência, além de um conflito com a vizinha Líbia de 1978 a 1987.


O Chade vira uma república autônoma dentro da Comunidade Francesa em novembro de 1958 e consegue a independência total em agosto de 1960. É um dos países mais pobres do mundo até se tornar um grande produtor de petróleo, em 2003.

É também o berço da humanidade. O primeiro hominídeo, o Sahelanthropus tchadensis, surgiu lá há 7 milhões de anos.

REIS DO IÊ IÊ IÊ

    Em 1964, o primeiro filme dos Beatles, A Hard Day's Night (Os Reis do Iê Iê Iê), tem avant-première em Nova York no auge da Beatlemania.

É uma comédia musical em que John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr enfrentam produtores nervosos, fãs histéricas e parentes problemáticos tentando equilibrar os compromissos profissionais e se divertir com sua arte.

O filme é um dos musicais mais influentes de todos os tempos, um precursor dos videoclipes feito com orçamento baixo.

REVOLTA EM LOS ANGELES

    Em 1965, a tensão racial explode no bairro de maioria negra Watts, em Los Angeles, quando dois policiais brancos lutam para submeter e prender um motorista negro suspeito de dirigir bêbado.

Uma multidão se reúne na esquina do Avalon Boulevard com a Rua 116 para ver o que acontece e se revolta. Vê a cena como mais um abuso de poder de caráter racista.

A rebelião se espalha por uma área de 130 quilômetros quadrados no Centro-Sul da segunda maior cidade dos Estados Unidos em população e a maior em área, com saques de lojas, incêndio de prédios e tiroteios com a polícia. Com a intervenção da Guarda Nacional, a violência é controlada em 16 de agosto.

Em cinco dias, 34 pessoas são mortas, 1.032 feridas e cerca de 4 mil presas. O prejuízo material é de US$ 40 milhões.

RETIRADA DO VIETNÃ

    Em 1972, a última unidade de combate terrestre dos Estados Unidos, que defendia a base de Da Nang, deixa o Vietnã do Sul, como parte do acordo de paz com o regime comunista do Vietnã do Norte. 

A Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75) começa quando os EUA suspendem as eleições para unificar o país, dividido depois da derrota da potência colonial, a França, na Primeira Guerra da Indochina (1946-54), porque os comunistas do Vietnã do Norte liderados por Ho Chi Minh são favoritos.

Os EUA começam a enviar assessores militares ao Vietnã do Sul nos governos Harry Truman (1945-53) e Dwight Eisenhower (1953-61). No fim do governo John Kennedy (1961-63), são mais de 2,8 mil. Alguns atuam em combate.

Depois de forjar o Incidente do Golfo de Tonkin, um ataque falso a navios contratorpedeiros norte-americanos, em 4 de agosto de 1964, o presidente Lyndon Johnson declara guerra ao Vietnã do Norte. Em 1968, os EUA tem 548 mil soldados na Guerra do Vietnã e mais de 30 mil perdas.

Impopular por causa da guerra, Johnson desiste da reeleição em 1968. O presidente Richard Nixon, do Partido Republicano, se elege prometendo acabar com a guerra e ameaça usar armas nucleares. Depois de visitar a China e a União Soviética em 1972, na chamada détente, um período de degelo na Guerra Fria nos anos 1970, a Guerra do Vietnã, com forte oposição interna, perde o sentido para os EUA. Ao todo, mais de 58,2 mil soldados norte-americanos morrem no Vietnã.

Ainda ficam no país 43,5 mil assessores militares, aviadores e tropas de apoio dos EUA. Este número não inclui os marinheiros da 7ª Frota estacionados no Mar do Sul da China nem o pessoal das bases aéreas na Tailândia e na ilha de Guam.

A Guerra do Vietnã termina em 30 de abril de 1975, quando o Vietnã do Norte toma Saigon, a capital do Vietnã do Sul, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e reunifica o país sob um regime comunista no poder até hoje. 

Mais de 3 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã (1955-75). Desde 1986, o Vietnã introduz reformas econômicas no modelo chinês, Doi Moi, que significa Renovação. Em 1995, estabelece relações diplomáticas com os EUA.

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terça-feira, 28 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 28 de Julho

SAN MARTÍN PROCLAMA INDEPENDÊNCIA DO PERU

    Em 1821, o general argentino José de San Martín, um dos libertadores da América, declara a independência do Peru, o último país da América do Sul a se libertar do domínio da Espanha.

A maioria dos países da América Espanhola se torna independente no início do século 19, quando a França de Napoleão Bonaparte invade a Península Ibérica e ocupa Portugal e Espanha. Conservador, o Peru mantém a lealdade à monarquia espanhola.

A Expedição Libertadora do Exército dos Andes, sob o comando de San Martín, sai do Chile e desembarca no Peru em 1820. Com a fuga da elite monarquista de Lima, San Martín proclama a independência, se torna presidente e convoca o Congresso Constituinte.

Sem chegar a um acordo com o outro grande libertador, o venezuelano Simón Bolívar, que queria criar a Confederação da América Latina, San Martín deixa Lima. A independência peruana é conquistada com a derrota da Espanha nas batalhas de Junín e Ayacucho, em 6 de agosto e 9 de dezembro de 1824.

EUA GARANTEM "PROTEÇÃO IGUAL PERANTE A LEI"

    Em 1868, termina a ratificação da 14ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que dá cidadania a todas as pessoas nascidas no país ou naturalizadas, inclusive ex-escravos, e garante "proteção igual perante a lei".

É uma das três emendas aprovadas durante a Reconstrução, depois da Guerra da Secessão, para consolidar a abolição da escravatura.

Com base no direito à privacidade garantido pela emenda, a Suprema Corte reconhece em 1973 o direito ao aborto, revogado em decisão de 2022.

Ao voltar a Casa Branca, em 20 de janeiro de 2025, o presidente Donald Trump tenta ignorar esta emenda para negar cidadania a filhos de imigrantes ilegais. A Suprema Corte considerou ilegal o decreto de Trump. 

COMEÇA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

    Em 1914, o Império Austro-Húngaro declara guerra à Sérvia, dando início à Primeira Guerra Mundial (1914-18), um mês depois do assassinato em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, do herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, arquiduque Francisco Ferdinando, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip.

 

No dia seguinte, a Rússia, aliada da Sérvia, ordena uma mobilização geral das Forças Armadas. A Alemanha, aliada da Áustria-Hungria, se mobiliza em 30 de julho para aplicar o Plano Schlieffen, que prevê uma rápida invasão maciça da França para neutralizar o Exército francês, seguida de um ataque à Rússia na frente oriental.

O governo francês resiste à pressão dos militares. Só entra em prontidão máxima em 2 de agosto, quando a Alemanha invade a Bélgica e declara guerra à Rússia. O Reino Unido, aliado da França, da Rússia e da Sérvia, declara guerra à Alemanha em 4 de agosto.

Quando a Grande Guerra, como era chamada na época, começa, a expectativa é de um conflito rápido de meses. A Primeira Guerra Mundial dura quatro anos. É o conflito que molda o século 20. Quatro impérios derrotados – Alemão, Austro-Húngaro, Otomano (turco) e Russo – desaparecem. Os aliados da Rússia vencem, mas este país é derrotado pela Alemanha e faz um acordo de paz separado.

Com as revoluções de 1917 na Rússia, que derrubam o regime czarista e implantam o comunismo, e a entrada dos Estados Unidos na guerra no mesmo ano, entram na cena mundial as duas superpotências que dominam a política internacional na segunda metade do século 20.

Entre as consequências nefastas da Conferência de Versalhes, a "paz para acabar com todas as bases", estão a humilhação da Alemanha e o revanchismo que alimenta o nazifascismo.

NASCE JACKIE KENNEDY 

    Em 1929, nasce Jacqueline Bouvier, futura mulher do presidente John Kennedy, provavelmente a primeira-dama mais charmosa e mais famosa da história.

Depois de se formar na Universidade George Washington, em 1951, Jackie viaja para a Europa com a irmã. Na volta, arruma um emprego como jornalista do Washington Times-Herald's, onde entrevista cidadãos comuns nas ruas da capital dos Estados Unidos.

Naquela época, conhece o jovem senador John Kennedy. Eles se casam em 12 de setembro de 1953, depois de dois anos de namoro.

Quando Kennedy se torna presidente, em 1961, o jovem casal conquista enorme popularidade, a ponto de Kennedy dizer, durante visita à França no mesmo ano, que "sou o homem que acompanha Jacqueline Kennedy em Paris". 

Com as conquistas amorosas do presidente, que teve um caso com a atriz Marylin Monroe, o casamento é abalado, mas a lealdade de Jackie é inquebrantável. A imagem mais dramática da vida dela é a tentativa segurar a cabeça de Kennedy quando ele é baleado mortalmente em Dallas, no Texas, em 22 de novembro de 1963.

Horas depois, Jackie usa o mesmo vestido cor-de-rosa manchado de sangue durante o juramento do vice-presidente Lyndon Johnson como novo presidente dos EUA.

Depois do assassinato do senador Robert Kennedy, irmão de JFK, durante a campanha eleitoral de 1968, Jackie deixa os EUA e se casa com o milionário armador grego Aristóteles Onassis.

HILLARY É PRIMEIRA MULHER CANDIDATA À CASA BRANCA

    Em 2016, a ex-primeira-dama, ex-senadora e ex-secretária de Estado Hillary Clinton aceita a indicação do Partido Democrata e se torna a primeira mulher a disputar a Presidência dos Estados Unidos por um grande partido.


Hillary vence Donald Trump por 2,8 milhões no voto popular, mas perde no Colégio Eleitoral, numa das grandes zebras da história política dos EUA, contrariando as pesquisas de opinião. O jornal The New York Times chega a dar a notícia da primeira mulher presidente, logo desmentida.

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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Julho

CATARINA A GRANDE, CZARINA DA RÚSSIA

    Em 1762, Catarina II, a Grande, se torna czarina depois de dar um golpe contra o marido, Pedro III. Ela governa até a morte, em 17 de novembro de 1796, num despotismo iluminado, um reinado inspirado pelo Iluminismo, de expansão do império e renascimento da cultura, da ciência e das artes.

A princesa Sophie Friederike Auguste von Anhalt Zerbst Dornburg nasce em 2 de maio de 1729 em Stettin, na Província da Pomerânia, no Reino da Prússia, parte do Sacro Império Romano-Germânico. Dois primos, Gustavo III e Carlos XIII se tornam reis da Suécia.

Ela adota o nome de Catarina quando se converte à Igreja Cristã Ortodoxa Russa, em 28 de junho de 1744. No ano seguinte, em 21 de agosto de 1745, Catarina se casa com o príncipe Pedro. O casamento leva anos a se consumar. Isto a faz se aproximar de nobres e grupos políticos que não gostam de seu marido.

Leitora ávida de livros, especialmente em francês, Catarina conhece as ideias do filósofo liberal francês Voltaire, uma de suas grandes influências, futuro conselheiro da Imperatriz de Todas as Rússias. Nos Anais, do historiador romano Tácito, ela aprende que o poder não se exerce por idealismo, mas por "motivos e interesses secretos".

Catarina confessa em suas memórias que perde a virgindade com Serguei Saltikov e diz que seu filho é dele, mas na versão final, para evitar problemas na sucessão, afirma que o futuro czar Paulo I, é filho de Pedro III. Ela tem casos amorosos escandalosos com vários nobres da corte: Stanislaus Augustus Toniakowski, Grigory Orlov, Alexander Vasilchikov, Grigory Potenkim e Ivan Korsakov, entre outros.

Com a morte da imperatriz Elizabeth, em 5 de janeiro de 1762, seu marido ascende ao trono como Pedro III. Apesar da má reputação, em seu curto reinado de seis meses, o czar faz reformas importantes: instaura a liberdade religiosa, incentiva a educação, tenta reformar o Exército, abole a polícia secreta, conhecida por sua violência extrema, e proíbe os proprietários de terras de matar servos sem julgamento.

A mulher o considera "bêbado" e "idiota". Diz que "não há nada pior do que ter um marido infantil". Diante da ameaça de golpe, ele tenta fugir, mas é preso e forçado a abdicar em 9 de julho de 1762, depois que o Exército, a Marinha e o Senado declaram apoio a Catarina. Peter III morre, provavelmente assassinado, mas não se conhecem os detalhes de sua morte.

O czar Pedro I, o Grande, considerado o fundador do Império Russo, chega até o Mar Negro, com as campanhas de Azov (1695-96), durante a Guerra Russo-Turca (1686-1700). A Rússia se torna a potência dominante nos Bálcãs em outra Guerra Russo-Turca (1768-74), quando o país se torna "protetor do cristãos ortodoxos" no Império Otomano.

No fim desta guerra, estoura a Guerra Camponesa, Rebelião dos Cossacos ou Rebelião de Pugachev (1773-75), liderada por Yemelian Pugachev, que anuncia a formação de um governo paralelo em nome do czar Pedro III e proclama o fim da servidão. Depois de uma reação inicial fraca, a revolta é esmagada no fim de 1774. Pugachev é preso e executado em 21 de janeiro de 1775 em Moscou.

Outra marca do reinado de Catarina II é a divisão da Polônia, que acontece em três etapas, em 1774, 1792, quando a Comunidade Polaco-Lituana é dividida entre Rússia e Prússia, e em 1795, quando o país é dividido entre Áustria, Rússia e Prússia. A Polônia e a Lituânia deixam de existir como países independentes por 123 anos, até o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Fã da ciência e do Iluminismo, a imperatriz se vacina contra a varíola para dar o exemplo a seus súditos. A retrógrada rainha portuguesa Dona Maria I, a Louca, não faz isso e perde o primogênito para a doença.

Duante o reinado de Catarina a Grande, o Império Russo conquista 520 mil quilômetros quadrados, inclusive a Crimeia, a Nova Rússia (nome que o ditador Vladimir Putin usa para falar da Ucrânia), a Rússia Branca, a Lituânia e a Curlândia, e funda cidades como Odessa, Sebastopol e Kherson. A colonização do Alasca, vendido aos Estados Unidos em 30 de março de 1867, começa sob Catarina II.

INDEPENDÊNCIA DA ARGENTINA

      Em 1816, o Congresso Geral Constituinte, reunido em San Miguel de Tucumán, proclama a independência da Argentina. A declaração não define um sistema de governo, se será uma monarquia ou república.

A América Latina se torna independente em consequência da invasão de Napoleão Bonaparte à Península Ibérica, sob a inspiração da independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa, mas o Congresso de Viena (1815) restaura as monarquias europeias depois do fim das guerras napoleônicas. Então, há dúvidas.

As vitórias da resistência crioula às invasões britânicas de 1806 e 1807 acendem a chama da independência nos países do Rio do Prata. As invasões napoleônicas acabam com o poder imperial da Espanha e seu representante, o vice-rei em Buenos Aires. 

Em 13 de maio de 1810, chega a Buenos Aires a notícia de que Sevilha caíra em poder de Napoleão. Era o último bastião da monarquia espanhola. A Revolução de Maio vai de 18 a 25 de maio. É a primeira revolta bem-sucedida na independência da América do Sul. O movimento pela independência convoca o Cabildo Aberto, destitui o vice-rei em 22 de maio e cria uma junta de governo sob a presidência de Cornelio Saavedra.

Quando o Congresso se reúne em Tucumán, as Províncias Unidas do Prata estão divididas por causa da posição hegemônica assumida por Buenos Aires desde a Revolução de Maio, com resistência de outras províncias, especialmente de José Artigas, o grande herói do Uruguai, que quer criar uma federação platina.

Além do risco de guerra civil, há a ameaça de uma invasão da Espanha, que recupera a soberania com o fim da Guerra Peninsular (1808-14) contra Napoleão Bonaparte. É preciso organizar o país e o apresentar ao mundo como uma sociedade civilizada. Declarar a independência e redigir uma Constituição são fundamentais.

PRIMEIRO TORNEIO DE WIMBLEDON

    Em 1877, começa em Londres o primeiro Campeonato de Wimbledon, o mais tradicional torneio de tênis do mundo. 

A primeira edição tem 21 tenistas amadores que disputam o título de campeão masculino de simples, a única categoria em disputa. Na final, Spencer Gore vence William Marshall por 3-0 (6-1, 6-2, 6-4) com um jogo forte na rede. No ano seguinte, perde para Frank Hadow, especialista numa nova técnica: o lobe.

O tênis tem origem num jogo francês do século 13, jeu de paume, o jogo da palma, que evolui para um esporte de bolinha e raquete disputado em quadra fechada, o tênis real. Por fim, se transforma no tênis na grama.

O All England Croquet and Lawn Tennis Club, fundado em 1868, organiza o torneio desde 1877. A grama sagrada de Wimbledon é sede do único torneio importante disputado hoje na grama.

CEM METROS NADO LIVRE EM MENOS DE UM MINUTO

    Em 1922, o norte-americano Johnny Weissmüller nada 100 metros em menos de um minuto. O tempo de 58,6 segundos é o novo recorde mundial.

Janus Peter Weissmüller nasce em Szabadfalva, hoje parte da Romênia, no então Império Austro-Húngaro, em 2 de junho de 1904. No ano seguinte, seu pai e sua mãe emigram para os Estados Unidos. A família chega ao Nova York, vai para Windbar, na Pensilvânia, e depois para Chicago. Na praia de Fullerton, no Lago Michigan, Johnny recebe as primeiras aulas de natação.

Além de recordes, conquista cinco medalhes de ouro. Ganha os 100 metros nado livre e o revezamento 4 x 200 m nas olimpíadas de Paris, em 1924, e Amsterdã, em 1928. Em Paris, também ganha o ouro nos 400 m nado livre e uma medalha de bronze no polo aquático.

Depois da carreira de nadador, Johnny Weissmüller entra para o cinema. Seu grande papel foi como Tarzan – o homem macaco, no primeiro filme de uma série em que um super-herói branco faz proezas na África, personagem criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs. 

Na mesmo linha, de um super-herói branco mais forte, mais inteligente e mais eficiente do que os nativos e não europeus (há indianos), estrela mais tarde o seriado de televisão Jim das Selvas.

FIM DO GRATEFUL DEAD

    Em 1995, a banda de rock psicodélico Grateful Dead, nascida na comunidade hippie de Haight-Ashbury, em São Francisco da Califórnia, faz em Chicago seu último show. O cantor, compositor, guitarrista e líder da banda, Jerry Garcia, o Capitão Barato, morre no mês seguinte.

O Grateful Dead toma este nome no fim de 1965. A formação original tem Jerry Garcia, Bob Weir (guitarra e voz), Ron Pigpen McKernan (teclados), Phil Lesh (baixo) e Bill Kreutzmann (bateria). Depois, entram Mickey Hart (bateria), Tom Constanten (teclado), Keith Godchaux (teclado), Donna Godchaux (voz) e Brent Mydland (teclado e voz).

Uma das grandes bandas do rock ácido de São Francisco, ao lado do Jefferson Airplane, o Grateful Dead mistura rock, jazz, bluegrass, blues e folk music – e se torna uma das bandas de maior sucesso da história apresentações ao vivo. De 24 a 31 de dezembro, o Dead faz concertos grátis em São Francisco. Suas turnês de verão nos Estados Unidos faturam em média mais de US$ 500 mil por show.

Como uma banda contracultural, o Dead sempre autoriza e estimula seus fãs, inclusive uma legião de seguidores fanáticos, a gravar seus concertos. Seus discos de estúdio nunca tiveram o mesmo sucesso dos shows. "Não há nada como um concerto do Grateful Dead", afirmam os fãs.

Tive a oportunidade assistir a um show memorável de quatro horas do Grateful Dead no Ventura County Fairgrounds, perto de Los Angeles, em julho de 1982, que terminou com It's All Over Now, de Bob Dylan.

UNIÃO AFRICANA

   Em 2002, nasce a União Africana (UA), sucessora da Organização de Unidade Africana (OUA), numa conferência em Durban, na África do Sul, com o objetivo é promover a cooperação, a integração e o desenvolvimento econômico dos 55 países do continente.

A OUA é fundada em 25 de maio de 1963, em Adis Abeba, na Etiópia, pelo imperador Hailé Salassié. Na época, os 32 países fundadores decidem não discutir as fronteiras traçadas pelo imperialismo por duas razões: seria motivo para guerras sem fim e o objetivo maior era integrar o continente.

Em quase 40 anos, a OUA não consegue cumprir seus objetivos, como evitar guerra, porque opera por consenso, o que gera uma paralisia. A UA é criada numa conferência realizada em Adis Abeba, em 26 de maio de 2001.

O modelo da UA é a União Europeia, para criar "uma África integrada, próspera e pacífica". Em 2018, 45 dos 55 países-membros assinam o Acordo de Livre Comércio Continental Africano. A área de livre comércio começa a funcionar em 1º de janeiro de 2021.

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sábado, 4 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Julho

INDEPENDÊNCIA DOS EUA

      Em 1776, 442 dias depois do início da guerra contra o Império Britânico, o Congresso Continental aprova na Filadélfia a Declaração de Independência dos Estados Unidos.

Assim como a Revolução Francesa de 1789, a independência dos EUA têm raízes na Guerra dos Sete Anos (1756-63), travada na América do Norte, na África, na Ásia e na Europa entre a França, a Áustria, a Rússia, a Saxônia e a Suécia, de um lado; e o Reino Unido, Portugal, a Prússia e o reino de Hanôver, do outro. 

Na França, enfraquece a monarquia. No Império Britânico, leva a aumentos de impostos nas colônias norte-americanas com a Lei do Selo de 1765. 

Os colonos norte-americanos sustentam o esforço de guerra do Império Britânico com sangue, suor, vidas e impostos. Dão sua cota de sacrifício. Protestam contra o aumento de impostos com o lema: "Não à taxação sem representação". Se não tinham voto no Parlamento Britânico, não queriam pagar mais impostos aprovados em Londres. Além de boicote a produtos britânicos, há ataques a alfândegas e coletores de impostos.

A Lei do Chá, de 1773, feita sob medida para salvar a Companhia das Índias Orientais, dá à empresa vantagens fiscais e o monopólio do comércio do chá na América. Em protesto, em 16 de dezembro de 1773, milhares de pessoas tomam o porto de Boston e cerca de 70, vestidas de índios, invadem um navio e jogam a carga de chá no mar. O episódio é conhecido como a Festa do Chá de Boston, que inspirou movimento de direita contra o governo Barack Obama (2009-17).

Em resposta, o Parlamento Britânico aprova a Lei Coercitiva e instala um governo militar britânico na colônia de Massachusetts em 1774.  Dá imunidade aos funcionários britânicos. Para dar unidade à luta contra o Império Britânico. os colonos americanos convocam então o Congresso Continental, que se reúne pela primeira vez em 5 de setembro 1774.

A Guerra da Independência (1775-83) começa em abril de 1775, quando o governador britânico de Massachusetts manda atacar um arsenal dos rebeldes americanos em Concord. Em 19 de abril, soldados britânicos se defrontam com uma milícia rebelde e os dois lados dão os primeiros tiros da guerra.

No início, o conflito é uma espécie de guerra civil dentro do Império Britânico. Para o rei George III, apenas mais uma revolta colonial. Já os colonos lutam por direitos iguais como cidadãos britânicos. Mas o Parlamento de Westminster se nega a negociar com os rebeldes e contrata mercenários alemães para lutar ao lado das forças imperiais.

Em janeiro de 1776, o grande herói revolucionário inglês Thomas Paine, que mais tarde lutaria pela Revolução Francesa e seria eleito deputado da Assembleia Nacional da França, lança o livro Senso Comum, em que defende a independência dos EUA. O livro vende 500 mil cópias em meses. Paine é o primeiro a falar em Revolução Americana, em 1795.

Na primavera daquele ano no Hemisfério Norte, a independência conquista o apoio das colônias. Começa a redação da Declaração de Independência. O texto é principalmente obra de Thomas Jefferson. Ao justificar a independência, ele recorre ao filósofo liberal inglês John Locke e suas ideias de direitos naturais e que os governos devem ter o consentimento dos governados.

Um dos trechos mais famosos diz: "Nós acreditamos que estas verdades são autoevidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados por seu Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade."

Em 2 de julho de 1776, o Congresso Continental aprova uma moção da Virgínia pela independência. Dois dias depois, as outras 12 colônias aderem e a independência dos EUA é proclamada.

MORTE DE PAIS DA PÁTRIA 

   Em 1826, morrem os ex-presidentes John Adams (dir.) e Thomas Jefferson, os dois últimos sobreviventes dos pais da pátria que fundaram os Estados Unidos.


De aliados na luta pela independência, eles viram inimigos políticos. Adams (1797-1801) é o segundo presidente dos EUA. Precede Jefferson (1801-9), que é seu vice-presidente e o vence, impedindo a reeleição. 

O rompimento ocorre no governo Adams, favorável a um governo central forte, enquanto Jefferson quer dar mais poder aos estados. Eles só reatam as as relações em 1812 e aí trocam correspondências até o fim da vida.

FOLHAS DE WALT WHITMAN

    Em 1855, sai a primeira edição de Folhas das Folhas da Relva, de Walt Whitman, o maior clássico de um dos maiores poetas da literatura norte-americana. Ele revisa o livro várias vezes, acrescentando algo ou reescrevendo seus poemas.

Whitman nasce em Long Island e é criado no Brooklyn, em Nova York. Aos 14 anos, deixa a escola. Para sobreviver como autor, é professor, jornalista, editor e carpinteiro. 

Durante a Guerra da Secessão (1861-65), o irmão dele é ferido. Whitman vai cuidar do irmão e passa o resto da guerra confortando soldados do Norte e do Sul. Depois da guerra, trabalha em vários departamentos do governo dos EUA.

FERAS DO PUNK ROCK

    Em 1976, a banda de rock britânica The Clash, uma das melhores do punk, faz sua primeira apresentação num pub em Sheffield, na Inglaterra, ao fazer o show de abertura para os Sex Pistols.

The Clash, formado por Joe Strummer, Mike Jones, Paul Simonon, Terry Chimes e Nick Headon, é uma das muitas bandas que surgiram sob a inspiração dos Sex Pistols. Ao contrário dos Pistols, que são anarquistas e niilistas, e querem destruir o rock e tudo o mais, The Clash quer salvar o rock com letras politizadas de esquerda, inclusive com um álbum triplo chamado Sandinista, homenagem aos revolucionários que tomam o poder na Nicarágua em 1979.

Depois de alguns LPs sem muito sucesso, The Clash se dissolve em 1986. Quando uma de suas músicas, Should Stay or Should I go, chega tardiamente ao primeiro lugar nas paradas de sucesso no Reino Unido, em 1991, a banda recebe proposta para voltar a tocar junta. Ao contrário dos Sex Pistols, rejeita.

O grupo, considerado por muitos a melhor banda punk, entra para o Rock and Roll Hall of Fame em 2003.

MISSÃO DE PESQUISA EM MARTE

    Em 1997, depois de percorrer 192 milhões de quilômetros em sete meses, o Pathfinder é a primeira nave espacial americana a pousar em Marte em mais de duas décadas. A espaçonave usa um sistema de paraquedas para suavizar a descida e o pouso.

No dia seguinte, sai da nave o Soujourn, um equipamento controlado por controle remoto para passear pela superfície da marte, tirar 10 mil fotos e recolher amostras para descobrir quais os elementos químicos das rochas e do solo do Planeta Vermelho.

A missão de US$ 150 milhões é considerada um sucesso.

BÓSON DE HIGGS

    Em 2012, cientistas do Grande Colisor de Hádrons do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares anunciam haver detectado sinais do bóson de Higgs, uma partícula subatômica descrita na teoria chamada de "partícula de Deus" por ser essencial para formação de massa.

O bóson de Higgs é perseguido pela ciência desde que foi descrito na teoria pelo cientista escocês Peter Higgs, em 1964. Seu descobrimento no mundo real só é possível graças ao Grande Colisor de Hádrons, o maior acelerador de partículas do mundo.

O laboratório fica num túnel de 27 quilômetros de circunferência situado a 175 metros de profundidade na fronteira entre a França e a Suíça, perto da cidade suíça de Genebra.

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sábado, 18 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Abril

BASÍLICA DE SÃO PEDRO

    Em 1506, o Papa Júlio II lança a pedra fundamental da Basílica de São Pedro, na Cidade do Vaticano, um enclave em Roma. A obra é concluída em 1615, no papado de Paulo V.

A Basílica de São Pedro é uma das mais importantes obras de arquitetura do Renascimento e muitos elementos do barroco, o estilo arquitetônico da Contrarreforma, que busca afirmar a superioridade da Igreja Católica sobre as correntes protestantes. De 1546 até sua morte em 1564, Michelangelo Buonarotti é o principal arquiteto.

Ao lado da Basílica de São João Latrão, a Basília de Santa Maria Maior e a Basílica de São Paulo Extramuros, todas em Roma, a Basílica de São Pedro é uma das quatro grandes basílicas. É a maior igreja cristã do mundo até a inauguração da Basílica de Yasmousoukro, na Costa do Marfim.

CAVALGADA NOTURNA DE PAUL REVERE

    Em 1775, o ourives Paul Revere entra para a história por sair a cavalo à noite para alertar os moradores da região de Boston para um ataque das forças do Império Britânico no início da Guerra da Independência dos EUA.

"Às armas! Às armas! Os casacas vermelhas vêm aí", brada Revere, advertindo os rebeldes norte-americanos.

Paul Revere nasce em Boston em 1º de janeiro de 1735. Seu pai é um refugiado huguenote que chega a Boston como criança e aprende o ofício da ouriversaria, que passa para o filho. Paul se torna um dos grandes artistas da produção de artigos de prata.

Entusiasta da luta pela independência, doa trajes indígenas e participa da Festa do Chá de Boston, em 16 de dezembro de 1773m quando manifestantes fantasiados de indígenas jogam no mar uma carga de chá da Companhia das Índias Orientais para protestar contra os impostos cobrados pela coroa britânica.

Na noite de 16 para 17 de abril, Revere vai a cavalo até Concord para mobilizar os patriotas enquanto as forças imperiais avançam na busca de líderes revolucionários como John Hancock e Samuel Adams. Graças à cavalgada de Paul Revere, os minutemen estão prontos para a histórica Batalha de Lexington, no início da Guerra da Independência dos EUA, tem o apoio da França, da Espanha e da Holanda, rivais do Império Britânico.

Os EUA proclamam a independência em 4 de julho de 1776 e obtém reconhecimento da França e do Reino Unido no Tratado de Paris, em 1783.

GRANDE TERREMOTO DE SÃO FRANCISCO

    Em 1906, às 5h13, um tremor de terra de 7,9 graus na escala aberta de Richter ao longo de 440 quilômetros da Falha de Santo André com 45 a 60 segundos de duração sentido do Sul do estado do Oregon até Los Angeles abala São Francisco, na Califórnia, provoca uma série de incêndios, mata cerca de 3 mil pessoas e destrói 80% da cidade.

Como a rede de encanamentos se rompe, falta água para combater o fogo, que arde até o dia 20. Entre 227 e 300 mil pessoas da cidade de 410 mil habitantes na época ficam ao relento. A metade da população é retirada para as cidades de Berkeley e Oakland, do outro lado da Baía de São Francisco. O Golden Gate Park e o Panhandle viram acampamentos que duram mais de dois anos.

São Francisco se reconstrói rapidamente, mas parte da população, do comércio e da indústria migram para Los Angeles, que se torna a maior cidade da Califórnia e a segunda maior dos EUA no século 20. São Francisco renasce com a revolução da tecnologia da informação como parte do Vale do Silício, que concentra as principais empresas do setor.

INDEPENDÊNCIA DO ZIMBÁBUE

    Em 1980, o Zimbábue, antiga Rodésia do Sul e Rodésia, conquista a independência do Reino Unido depois de um longo período colonial sob o Império Britânico e 15 anos de dominação pela minoria branca num regime segregacionista semelhante ao apartheid da África do Sul.

A colonização é uma iniciativa de Cecil Rhodes, o empresário do imperialismo, que recebe em 1889 autorização para construir uma estrada de ferro da África do Sul até o Rio Zambeze, estimular a imigração e a colonização, promover o comércio e garantir direitos de exploração mineral. No ano seguinte, a Companhia Britânica da África do Sul, de Rhodes, demarca o território.

Em 1895, a região antes conhecida como Zambézia passa a ser chamada de Rodésia. A ferrovia chega às Cataratas de Vitória em 1904 e com ela os colonos, que no ano seguinte são 12,5 mil. Em 1909, as exportações de ouro somam 2,5 milhões de libras.

A Rodésia do Norte e a Rodésia do Sul viram colônias britânicas autônomas em 1923. Em 1953, as duas se juntam à Niassalândia, hoje Maláui, na Federação da Rodésia e Niassalândia, que dura até 1963. Em 24 de outubro de 1964, a Rodésia do Norte se torna independente com o nome de Zâmbia.

A Rodésia do Sul passa a se chamar de Rodésia. Em 1965, o governo da minoria branca declara independência unilateralmente com o apoio da África do Sul. Sofre isolamento internacional e enfrenta durante 15 anos movimentos guerrilheiros da maioria negra que conquistam a independência em 1980.

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quinta-feira, 26 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

LEI DO ASSASSINATO

     Em 1752, entra em vigor no Reino Unido a Lei do Assassinato, que impõe penas rigorosas para condenados por homicídio, inclusive o uso de seus cadáveres para dissecação.

Os legisladores esperam que isto ajude a atender à necessidade de cadáveres para estudo e treinamento de cirurgiões. Na época, ladrões roubavam corpos para vender.

A Lei do Assassinato fracassa e é substituída em 1832 pela Lei da Anatomia,

VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

Depois, o dr. Albert Sabin cria a vacina oral contra a poliomielite e campanhas de vacinação erradicam a doença em praticamente todo o mundo. Os únicos países onde há focos importantes da doença são o Afeganistão e o Paquistão, onde os Estados Unidos usaram campanhas de vacinação para descobrir o esconderijo do terrorista Ossama ben Laden.

Com as campanhas antivacinas, hoje há um sério risco de volta da doença.

INDEPENDÊNCIA DE BANGLADESH

    Em 1971, a Liga Awami forma um governo no exílio em Calcutá, hoje Kolkota, na Índia, e proclama a independência de Bangladesh, na época conhecido como Paquistão Oriental.

O futuro país passa a fazer parte do Império Britânico em 1858, quando este assume o controle da Índia. Quando a Índia e o Paquistão conquistam a independência, em 1947, vira o Paquistão Oriental. 

A declaração de independência marca o início de uma guerra civil de nove meses em que recebe o apoio da Índia, inimiga histórica do Paquistão, o que deflagra a Guerra Indo-Paquistanesa de 1971. A vitória vem em 16 de dezembro, depois de 3 milhões de mortes, da fuga de 8 a 10 milhões de pessoas para a Índia e do estupro de 200 mil mulheres.

A guerra leva à fome de grande parte da população de um dos países mais pobres do mundo, levando o ex-beatle George Harrison a organizar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para as vítimas da guerra.

Com cerca de 171,5 milhões de habitantes, Bangladesh é o oitavo maior país do mundo em população e o quarto com maior número de muçulmanos depois da Indonésia, do Paquistão e da Índia.

ACORDOS DE CAMP DAVID

    Em 1979, o presidente do Egito, Anuar Sadat, e o primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin, assinam os Acordos de Camp David, mediados pelo presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.

Quando as Nações Unidas aprovam a criação do Estado de Israel, em 29 de novembro de 1947, e o país é fundado, em 14 de maio de 1948, os países árabes não aceitam. A Guerra da Independência de Israel vai até 10 março de 1949.

A derrota árabe humilhante causa a Revolução dos Coronéis e a queda do rei Faruk no Egito. Ascende ao poder no Cairo o coronel Gamal Abdel Nasser, que se torna o grande líder do nacionalismo pan-árabe ao enfrentar as potências coloniais europeias e nacionalizar o Canal de Suez.

Com o apoio da França e do Reino Unido, em 19 de outubro de 1956, Israel declara guerra ao Egito. Em plena crise internacional porque a União Soviética ataca a Hungria para acabar com uma revolta contra o regime stalinista, os Estados Unidos suspendem o apoio do Fundo Monetário Internacional às economias britânica e francesa, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os invasores se retiram. O Egito fica com o Canal de Suez e Nasser sai fortalecido.

Em 1967, Nasser fecha o Estreito de Tiran aos navios israelenses. Quando manda a força de paz da ONU sair da Península do Sinai, Israel vê o risco de uma guerra iminente e ataca as forças aéreas do Egito, da Jordânia e da Síria em terra, deflagrando a Guerra dos Seis Dias.

De 5 a 10 de junho de 1967, Israel obtém uma vitória esmagadora e ocupa a Faixa de Gaza e a Península o Sinai, que pertenciam ao Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, que eram parte da Jordânia.

Para tentar retomar os territórios ocupados, a Guerra do Yom Kippur começa, em 6 de outubro de 1973, com a maior empreitada militar árabe da era moderna. Mais de 100 mil soldados egípcios cruzam o Canal de Suez para entrar no Sinai.

Na época, Israel tem o apoio incondicional dos EUA, que fazem a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22,325 mil toneladas de equpamento militar, armas e munições a Israel diretamente no campo de batalha.

Quando Israel cerca o 3º Exército do Egito no Sinai e está prestes a destruí-lo, a URSS ameaça entrar na guerra e entra em alerta nuclear.

Mesmo assim, a conselho do secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, para recuperar o Sinai, Sadat abandona a aliança com a URSS, que deixa de ser uma grande potência no Oriente Médio. O líder egípcio se aproxima dos EUA e faz uma visita de surpresa a Israel de 19 a 21 de novembro da 1977, a primeira de um líder árabe, e discursa no Parlamento para promover a paz.

Os acordos de paz são negociados em Camp David, na casa de campo da Presidência dos EUA, de 5 a 17 de setembro de 1978. O tratado de paz entre Israel e o Egito é assinado formalmente em Washington em 26 de março de 1979.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidentes do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegam a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temem que a Hidrelétrica de Itaipu esgote o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe em cinco anos de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

Em julho de 2024, a Bolívia passa a ser membro pleno. Tem um prazo de quatro anos para se adequar à legislação do Mercosul.

MIKE TYSON SENTENCIADO

    Em 1992, o boxeador peso-pesado Mike Tyson é sentenciado a seis anos de prisão após ser condenado por crime de estupro em Indianápolis, no estado de Indiana.

Tyson nasce no Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966, e desde muito cedo passa a fazer parte de gangues de rua. Em 1978, com 12 anos, 80 quilos e uma musculatura formidável, é enviado para o reformatório, onde o aficcionado de boxe Bobby Stewart vê potencial para uma carreira no boxe. 

Aos 20 anos, em 22 de novembro de 1986, ele se torna o mais jovem campeão mundial da categoria peso-pesado com um estilo extremamente agressivo em que avança em linha reta e tenta demolir o adversário no primeiro assalto.

Em 1988, Tyson casa com a atriz Robin Givens. Ela o acusa de abuso e o casal se divorcia no ano seguinte. Uma série de acusações de assédio e violência sexual é apresentada contra o boxeador.

Contra todas as expectativas, em 11 de fevereiro de 1990, ele perde o título mundial para James Buster Douglas. Em 1991, Tyson é acusado de estuprar uma candidata a miss. É condenado e preso em 1992.

Três anos depois, Tyson sai da prisão e recupera dois títulos de campeão mundial com vitórias fáceis sobre Frank Bruno e Bruce Seldon. Em 9 de novembro de 1996, sofre sua segunda derrota, desta vez para Evander Holyfield, duas vezes campeão mundial, por nocaute técnico no 11º assalto. 

Na revanche, em 28 de junho de 1997, Tyson é desclassificado depois de morder duas vezes a orelha  de Holyfield e perde a licença para boxear. Ele volta a lutar e a vencer em 16 de janeiro de 1999. Em 7 de fevereiro do mesmo ano, é condenado a um ano de prisão, dois de liberdade condicional, 200 horas de serviço comunitário e multa de US$ 2,5 mil por agredir dois idosos depois de um acidente de automóvel em 1998.

Sua última vitória como lutador profissional acontece em 2003 em apenas 49 segundos. No fim daquele ano, Tyson declara falência com dívidas de US$ 34 milhões depois de ganhar US$ 400 milhões na carreira.

PUTIN ELEITO PRESIDENTE

    Em 2000, Vladimir Putin é eleito presidente da Rússia pela primeira vez, depois de se tornar primeiro-ministro de Boris Yeltsin em 9 de agosto de 1999 e de substituir Yeltsin, que renuncia em 31 de dezembro do mesmo ano.

Putin nasce em Leningrado, hoje São Petersburgo, em 7 de outubro de 1952. Ele estuda direito na Universidade de Leningrado e trabalha durante 15 anos como agente da polícia política soviética KGB (Comitê de Defesa do Estado). Serve 6 anos em Dresden, na Alemanha Oriental.

Quando as revoluções democráticas acabam com o comunismo na Europa Oriental, a sede do escritório em Dresden é cercada. Putin ameaça atirar nos manifestantes e pede ajuda ao governo alemão-oriental, que responde: "Só podemos agir com autorização de Moscou, e Moscou está em silêncio."

Mais tarde, no poder, faz questão de que Moscou nunca fique em silêncio.

Essa frase marca sua vida política. De volta a Leningrado, Putin trabalha com Anatoly Sobchak, prefeito de São Petersburgo. Em 1994, numa conferência internacional, declara que o fim da União Soviética é "a maior tragédia geopolítica da segunda metade do século 20."

Quando Sobchak perde a reeleição, em 1996, Putin profere outra de suas máximas: "Não se deve realizar uma eleição sem antes saber o resultado."

Putin vai então para Moscou e trabalha com Anatoli Chubais, vice-primeiro-ministro responsável pelas privatizações. De 25 de julho de 1998 a 29 de março de 1999, dirige o Serviço Federal de Segurança, herdeiro do KGB, seu último trampolim para o poder.

Assim que ascende ao poder, ainda como primeiro-ministro, depois de ações de extremistas muçulmanos na república russa do Daguestão e de atentados terroristas mal esclarecidos atribuídos a rebeldes chechenos. Putin inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009) para consolidar o poder.

O presidente russo começa a se afastar do Ocidente na Conferência de Segurança de Munique, em 2007. No ano seguinte, invade a ex-república soviética da Geórgia e assume o controle das regiões da Abecásia e da Ossétia do Sul, anexações não reconhecidas internacionalmente.

Depois de ser primeiro-ministro de Dimitri Medvedev (2008-12), Putin volta à Presidência com a convicção de que as revoluções coloridas na antiga URSS e a Primavera Árabe são conspirações do Ocidente das quais pode ser o próximo alvo.

Quando o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, cai numa revolta popular contra o rompimento de negociações com a União Europeia, em fevereiro de 2014, a Rússia ocupa a Península da Crimeia, anexada ilegalmente no mês seguinte.

Em 6 de abril de 2014, começa uma revolta fomentada pelo Kremlin no Leste da Ucrânia. Após anos de impasse, em 24 de fevereiro de 2022, Putin inicia uma guerra total contra a Ucrânia que espera ganhar em uma semana e já tem mais de 4 anos. A estimativa é que 1,8 milhão de pessoas tenham sido mortas ou feridas nesta guerra.

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