Um dia depois que a Comissão Nacional Eleitoral da Venezuela aceitou a primeira coleta de assinaturas para revogar seu mandato, o presidente Nicolás Maduro anunciou ontem à noite uma reforma ministerial. O general Néstor Reverol, denunciado na véspera por tráfico de drogas nos Estados Unidos, será o ministro do Interior e da Justiça.
O único ministro a favor da economia de mercado, Miguel Pérez Abad, foi demitido do Ministério da Indústria e do Comércio depois de declarar que algumas empresas desapropriadas e estatizadas devem ser devolvidas a seus donos. É um sinal de que o programa de reformas econômicas a ser proposto pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul) não terá muita chance.
Mais impressionante foi a nomeação do general Em pronunciamento na televisão, Maduro elogiou Reverol, de 51 anos, e o defendeu da acusação de tráfico de drogas. Dois sobrinhos da primeira-dama e ex-presidente da Assembleia Nacional, Cilia Flores, os narcossobrinhos, estão presos nos EUA, onde foram denunciados por um tribunal federal de Nova York por tráfico de drogas.
"Nomeei o general Néstor Reverol Torres para como ministro do Interior, da Justiça e da Paz" porque ele "quebrou recordes na prisão de traficantes de drogas", justificou Maduro.
De acordo com a denúncia, Reverol recebeu dinheiro de traficantes quando chefe do Escritório Nacional Antidrogas da Venezuela.
Apesar de ter as maiores reservas mundiais de petróleo, a Venezuela vive a pior crise econômica de sua história por causa das políticas desastrosas do chamado "socialismo do século 21" do falecido caudilho Hugo Chávez. O produto interno bruto pode cair 18% em dois anos, há desabastecimento de cerca de 80% dos produtos básicos e a inflação deste ano deve chegar a 720%, prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 4 de agosto de 2016
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Governo e oposição da Venezuela dialogam em 12 e 13 de julho
O regime chavista e a oposição da Venezuela vão se reunir para discutir a crise política do país nos próximos dias 12 e 13 de julho, anunciou ontem o secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, ex-presidente da Colômbia.
O presidente Nicolás Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, devem participar do diálogo. A oposição pediu também a mediação da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Vaticano.
Apesar de ter as maiores reservas mundiais de petróleo, a Venezuela enfrenta a pior crise econômica da sua história. A inflação deve chegar a 720% em 2016 e o desabastecimento atinge 80% dos produtos básicos.
No domingo, o governo Maduro abriu durante 12 horas a fronteira entre Santo Antônio do Táchira e a cidade colombiana de Cúcuta, fechada há 11 meses, permitindo aos venezuelanos fazer compras no país vizinho.
O presidente Nicolás Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, devem participar do diálogo. A oposição pediu também a mediação da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Vaticano.
Apesar de ter as maiores reservas mundiais de petróleo, a Venezuela enfrenta a pior crise econômica da sua história. A inflação deve chegar a 720% em 2016 e o desabastecimento atinge 80% dos produtos básicos.
No domingo, o governo Maduro abriu durante 12 horas a fronteira entre Santo Antônio do Táchira e a cidade colombiana de Cúcuta, fechada há 11 meses, permitindo aos venezuelanos fazer compras no país vizinho.
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
"Querem me matar", diz mulher de oposicionista preso na Venezuela
Um dia depois do assassinato de um líder municipal do partido de oposição Ação Democrática (AD) que estava a seu lado num comício, Lilian Tintori acusou o regime chavista da Venezuela de tentar matá-la, noticiou hoje o jornal espanhol El País.
"Querem me matar", afirmou Lilian, mulher de Leopoldo López, condenado a 14 anos de prisão sob a falsa acusação de incitar à violência durante uma onda de protestos em fevereiro de 2014. "O sangue espirrou em mim."
Lilian Tintori participava de um ato da campanha para as eleições parlamentares de 6 de dezembro, quando o regime deve perder a maioria na Assembleia Nacional pela primeira vez desde a ascensão de Hugo Chávez.
"Ainda estávamos no palanque. Rummi [Olivo, um cantor popular] ia começar a cantar e, naquele momento, se escutou muito de perto uma rajada de metralhadora de dez tiros. Nós nos atiramos no chão e eu fiquei me tocando porque sentia que eram contra mim. Querem me matar", insistiu Lilian.
No ataque, morreu o secretário-geral do diretório municipal da AD em Altagracia de Orituco, Luis Manuel Díaz, e outra pessoa saiu ferida. O secretário-geral nacional do partido, Henrt Ramos Allup, declarou que os tiros partiram de um carro de militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
Em discurso, o presidente Nicolás Maduro definiu o assassinato de um político no palanque como crime comum: "O Ministério do Interior já tem elementos que mostram um acerto de contas entre quadrilhas rivais."
A conselho de Ramos Allup, Tintori passou a noite no estado de Guárico.
Para o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior uruguaio Luis Almagro, o assassinato foi "uma ferida mortal na democracia" e não é um caso isolado: "Acontece de forma conjunta com ataques a outros dirigentes de oposição em uma estratégia para amedrontá-los. É hora de pôr fim ao medo. Cada morte na Venezuela hoje dói em toda a América."
Maduro ficou furioso. Chamou Almagro, ex-chanceler do governo esquerdista de José Mujica, de "lixo", acusando-se de agir "contra a Venezuela, contra o povo e contra a revolução bolivarista".
Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado americano, John Kirby, considerou o assassinato a maior violência de uma campanha eleitoral marcada por ataques e intimidações - e pediu proteção aos candidatos. Em Madri, o ministro do Exterior da Espanha, José Luis García, pediu uma investigação independente e garantias de que as eleições serão livres e limpas.
O Parlamento Europeu aprovou o envio de comissão para supervisionar as eleições. A missão de "acompanhamento" da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) condenou a morte e cobrou uma "investigação profunda".
"Querem me matar", afirmou Lilian, mulher de Leopoldo López, condenado a 14 anos de prisão sob a falsa acusação de incitar à violência durante uma onda de protestos em fevereiro de 2014. "O sangue espirrou em mim."
Lilian Tintori participava de um ato da campanha para as eleições parlamentares de 6 de dezembro, quando o regime deve perder a maioria na Assembleia Nacional pela primeira vez desde a ascensão de Hugo Chávez.
"Ainda estávamos no palanque. Rummi [Olivo, um cantor popular] ia começar a cantar e, naquele momento, se escutou muito de perto uma rajada de metralhadora de dez tiros. Nós nos atiramos no chão e eu fiquei me tocando porque sentia que eram contra mim. Querem me matar", insistiu Lilian.
No ataque, morreu o secretário-geral do diretório municipal da AD em Altagracia de Orituco, Luis Manuel Díaz, e outra pessoa saiu ferida. O secretário-geral nacional do partido, Henrt Ramos Allup, declarou que os tiros partiram de um carro de militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
Em discurso, o presidente Nicolás Maduro definiu o assassinato de um político no palanque como crime comum: "O Ministério do Interior já tem elementos que mostram um acerto de contas entre quadrilhas rivais."
A conselho de Ramos Allup, Tintori passou a noite no estado de Guárico.
Para o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior uruguaio Luis Almagro, o assassinato foi "uma ferida mortal na democracia" e não é um caso isolado: "Acontece de forma conjunta com ataques a outros dirigentes de oposição em uma estratégia para amedrontá-los. É hora de pôr fim ao medo. Cada morte na Venezuela hoje dói em toda a América."
Maduro ficou furioso. Chamou Almagro, ex-chanceler do governo esquerdista de José Mujica, de "lixo", acusando-se de agir "contra a Venezuela, contra o povo e contra a revolução bolivarista".
Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado americano, John Kirby, considerou o assassinato a maior violência de uma campanha eleitoral marcada por ataques e intimidações - e pediu proteção aos candidatos. Em Madri, o ministro do Exterior da Espanha, José Luis García, pediu uma investigação independente e garantias de que as eleições serão livres e limpas.
O Parlamento Europeu aprovou o envio de comissão para supervisionar as eleições. A missão de "acompanhamento" da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) condenou a morte e cobrou uma "investigação profunda".
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Maduro apela para o estado de emergência
Com a inflação de 2015 projetada em 180%, queda do produto interno bruto de 10% e desabastecimento de 75% dos produtos básicos, as pesquisas sobre as eleições parlamentares de 6 de dezembro dão uma vantagem de 23 pontos percentuais à oposição na Venezuela. O presidente Nicolás Maduro fechou a fronteira com a Colômbia e declarou estado de exceção na região de Cúcuta. Pode fazer o mesmo em outras regiões do país, dando um autogolpe para adiar ou anular as eleições.
Em pesquisa da empresa Datanalisis, 87% dos venezuelanos consideraram a situação do país "má ou muito má" e 70% reprovaram o governo Maduro.
Sem a menor chance de vencer eleições livres e honestas, o regime chavista está disposto a tudo para não entregar o poder. Se a oposição conquistar maioria na Assembleia Nacional, o próximo passo será convocar um referendo revogatório para acabar com o governo Maduro e o pesadelo chavista.
Por isso, o governo vetou as candidaturas dos principais líderes da oposição sob o argumento de que estão sendo processados, embora não haja culpa formada na maioria dos casos. Também se nega a aceitar a presença de observadores internacionais da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia.
O Centro Jimmy Carter, que fiscaliza eleições pelo mundo afora, saiu recentemente da Venezuela. Maduro só aceita a presença da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que em nenhum momento foi capaz de mediar a crise venezuelana. É submissa aos governos autoritários da Argentina, da Bolívia, do Equador e da Venezuela, todos aliados do chavismo, assim como o governo Dilma Rousseff.
Cabe ao Brasil, como eterno a candidato a líder de uma região sem rumo, devastada por crises políticas e econômicas, que está crescendo menos do que a África, assumir a responsabilidade e deixar o eleitorado venezuelano decidir os destinos do país.
Se não quiser uma guerra civil no vizinho do Norte, o governo brasileiro deveria agir logo. Mas sua calamitosa política externa e a conivência de setores de esquerda que ainda sonham com a revolução bolivarista, a começar pelo assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, apontam para o imobilismo e a incompetência. O compromisso com a democracia não vale para os aliados.
Desde que sucedeu o falecido caudilho Hugo Chávez, por falta de liderança e carisma, Maduro mais do que triplicou a indicação de militares para cargos civis como forma de comprar a lealdade das Forças Armadas. Há hoje mais de 900 militares em cargos da administração pública. É difícil que o fracassado regime chavista ceda o poder sem resistência.
Seu discurso vai no sentido contrário, afugentando investidores e não conversando com opositores. Maduro nada faz para pôr fim à crise. Prefere botar a culpa dos seus próprios erros em conspirações nacionais e internacionais.
A Venezuela tem hoje uma das mais altas taxas de mortalidade do mundo em países que não estão em guerra, atrás apenas de Honduras e El Salvador. A responsabilidade é do chavismo, que negligenciou a segurança pública. Mas o governo acusa a oposição de todo o crime violento.
"Crescem as suspeitas de que o governo quer criar um clima de caos como desculpa para anular as eleições", declarou a cientista política Maria Teresa Romero.
No início da semana, o governo apresentou um vídeo em que um suspeito de assassinar e esquartejar uma mulher, José Pérez Venta, acusa o senador americano Marco Rubio, o ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe, a atriz María Conchita Alonso e líderes da oposição de lhe pagar para desestabilizar a Venezuela.
Maduro decretou estado de emergência em Cúcuta em 22 de agosto e fechou a fronteira com a Colômbia, depois de um incidente em 19 de agosto, quando atiradores não identificados feriram três soldados, sob o pretexto de combater o contrabando e a infiltração de paramilitares colombianos pode ser estendido a outras regiões do país. Mais de mil colombianos foram expulsos da Venezuela.
Sob o estado de emergência, os manifestantes precisam pedir autorização para protestar com 15 dias de antecedência, o governo pode invadir residências e os militares assumem o controle de todas as atividades civis.
Como o estado de emergência não é a forma adequada para combater a criminalidade e o contrabando, que não são novidades, a suspeita é de preparação de um golpe de Estado contra as eleições. O governo examina a possibilidade de estender o estado de exceção aos estados de Mérida e Zulia. Em discurso na televisão há três, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, o número dois do regime, declarou que o Poder Legislativo está pronto para aprovar novos estados de emergência.
Em pesquisa da empresa Datanalisis, 87% dos venezuelanos consideraram a situação do país "má ou muito má" e 70% reprovaram o governo Maduro.
Sem a menor chance de vencer eleições livres e honestas, o regime chavista está disposto a tudo para não entregar o poder. Se a oposição conquistar maioria na Assembleia Nacional, o próximo passo será convocar um referendo revogatório para acabar com o governo Maduro e o pesadelo chavista.
Por isso, o governo vetou as candidaturas dos principais líderes da oposição sob o argumento de que estão sendo processados, embora não haja culpa formada na maioria dos casos. Também se nega a aceitar a presença de observadores internacionais da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia.
O Centro Jimmy Carter, que fiscaliza eleições pelo mundo afora, saiu recentemente da Venezuela. Maduro só aceita a presença da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que em nenhum momento foi capaz de mediar a crise venezuelana. É submissa aos governos autoritários da Argentina, da Bolívia, do Equador e da Venezuela, todos aliados do chavismo, assim como o governo Dilma Rousseff.
Cabe ao Brasil, como eterno a candidato a líder de uma região sem rumo, devastada por crises políticas e econômicas, que está crescendo menos do que a África, assumir a responsabilidade e deixar o eleitorado venezuelano decidir os destinos do país.
Se não quiser uma guerra civil no vizinho do Norte, o governo brasileiro deveria agir logo. Mas sua calamitosa política externa e a conivência de setores de esquerda que ainda sonham com a revolução bolivarista, a começar pelo assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, apontam para o imobilismo e a incompetência. O compromisso com a democracia não vale para os aliados.
Desde que sucedeu o falecido caudilho Hugo Chávez, por falta de liderança e carisma, Maduro mais do que triplicou a indicação de militares para cargos civis como forma de comprar a lealdade das Forças Armadas. Há hoje mais de 900 militares em cargos da administração pública. É difícil que o fracassado regime chavista ceda o poder sem resistência.
Seu discurso vai no sentido contrário, afugentando investidores e não conversando com opositores. Maduro nada faz para pôr fim à crise. Prefere botar a culpa dos seus próprios erros em conspirações nacionais e internacionais.
A Venezuela tem hoje uma das mais altas taxas de mortalidade do mundo em países que não estão em guerra, atrás apenas de Honduras e El Salvador. A responsabilidade é do chavismo, que negligenciou a segurança pública. Mas o governo acusa a oposição de todo o crime violento.
"Crescem as suspeitas de que o governo quer criar um clima de caos como desculpa para anular as eleições", declarou a cientista política Maria Teresa Romero.
No início da semana, o governo apresentou um vídeo em que um suspeito de assassinar e esquartejar uma mulher, José Pérez Venta, acusa o senador americano Marco Rubio, o ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe, a atriz María Conchita Alonso e líderes da oposição de lhe pagar para desestabilizar a Venezuela.
Maduro decretou estado de emergência em Cúcuta em 22 de agosto e fechou a fronteira com a Colômbia, depois de um incidente em 19 de agosto, quando atiradores não identificados feriram três soldados, sob o pretexto de combater o contrabando e a infiltração de paramilitares colombianos pode ser estendido a outras regiões do país. Mais de mil colombianos foram expulsos da Venezuela.
Sob o estado de emergência, os manifestantes precisam pedir autorização para protestar com 15 dias de antecedência, o governo pode invadir residências e os militares assumem o controle de todas as atividades civis.
Como o estado de emergência não é a forma adequada para combater a criminalidade e o contrabando, que não são novidades, a suspeita é de preparação de um golpe de Estado contra as eleições. O governo examina a possibilidade de estender o estado de exceção aos estados de Mérida e Zulia. Em discurso na televisão há três, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, o número dois do regime, declarou que o Poder Legislativo está pronto para aprovar novos estados de emergência.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Brasil deve aproveitar reatamento EUA-Cuba para crise na Venezuela
Com a morte de um adolescente que não participava de protestos ontem pela Guarda Nacional Bolivarista, a Venezuela dá mais um passo rumo à guerra civil sem que o presidente Nicolás Maduro e a cúpula do regime chavista façam qualquer sinal de ceder às demandas políticas e econômicas da oposição. Mas há uma oportunidade: os Estados Unidos entraram hoje nas negociações entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), realizadas em Cuba.
Se o ex-secretário de Estado adjunto para a América Latina no governo George H. W. Bush (1989-93), Bernard Aronson, pode contribuir para a paz entre a Colômbia e as FARC negociada em Havana, por que não colaborar com o diálogo entre o regime chavista e a oposição venezuelana?
O grupo de amigos da Venezuela formado dentro da União das Nações da América do Sul (Unasul) por Brasil, Colômbia e Equador para mediar a crise deve convidar Cuba, pela sua proximidade com o regime chavista, e os EUA, sempre apontado como fonte de todos os males por Maduro, para participarem de uma mediação efetiva em Caracas.
Desde que chegou ao poder, Maduro já denunciou 16 tentativas de golpe de Estado contra ele. A mais recente levou à prisão do prefeito da região metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma, acusado de conspiração por assinar um documento defendendo a organização de um governo de transição de união nacional.
Em troca do fim da repressão, da libertação dos presos políticos e de uma ampla reforma econômica que adote políticas compatíveis com uma economia capitalista, a oposição daria um fôlego para Maduro até a próxima eleição presidencial ou ao menos até o prazo legal para convocar um referendo revogatório do mandato presidencial, introduzido pelo presidente Hugo Chávez (1999-2013).
É uma chance. Para avisar aos chavistas que a revolução acabou, é preciso antes que Brasília se convença disso. Uma análise feita pelo então ministro das Relações Exteriores Antonio Patriota, no primeiro governo Dilma Rousseff, citada hoje na coluna de Eliane Cantanhece nO Estado de S. Paulo, mostra que o Itamaraty já se deu conta disso: recessão, inflação galopante, grave desabastecimento e crise até mesmo nos programas sociais, as missões de Chávez.
Falta convencer a presidente e seu assessor especial para política internacional, Marco Aurélio Garcia. A alternativa é aceitar o risco de uma guerra civil junto à fronteira norte num país-sócio do Mercosul.
Se o ex-secretário de Estado adjunto para a América Latina no governo George H. W. Bush (1989-93), Bernard Aronson, pode contribuir para a paz entre a Colômbia e as FARC negociada em Havana, por que não colaborar com o diálogo entre o regime chavista e a oposição venezuelana?
O grupo de amigos da Venezuela formado dentro da União das Nações da América do Sul (Unasul) por Brasil, Colômbia e Equador para mediar a crise deve convidar Cuba, pela sua proximidade com o regime chavista, e os EUA, sempre apontado como fonte de todos os males por Maduro, para participarem de uma mediação efetiva em Caracas.
Desde que chegou ao poder, Maduro já denunciou 16 tentativas de golpe de Estado contra ele. A mais recente levou à prisão do prefeito da região metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma, acusado de conspiração por assinar um documento defendendo a organização de um governo de transição de união nacional.
Em troca do fim da repressão, da libertação dos presos políticos e de uma ampla reforma econômica que adote políticas compatíveis com uma economia capitalista, a oposição daria um fôlego para Maduro até a próxima eleição presidencial ou ao menos até o prazo legal para convocar um referendo revogatório do mandato presidencial, introduzido pelo presidente Hugo Chávez (1999-2013).
É uma chance. Para avisar aos chavistas que a revolução acabou, é preciso antes que Brasília se convença disso. Uma análise feita pelo então ministro das Relações Exteriores Antonio Patriota, no primeiro governo Dilma Rousseff, citada hoje na coluna de Eliane Cantanhece nO Estado de S. Paulo, mostra que o Itamaraty já se deu conta disso: recessão, inflação galopante, grave desabastecimento e crise até mesmo nos programas sociais, as missões de Chávez.
Falta convencer a presidente e seu assessor especial para política internacional, Marco Aurélio Garcia. A alternativa é aceitar o risco de uma guerra civil junto à fronteira norte num país-sócio do Mercosul.
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sexta-feira, 30 de maio de 2014
Maduro acusa Maria Corina e EUA de tentar matá-lo
Em mais um gesto teatral, sem apresentar qualquer prova, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou a líder oposicionista María Corina Machado e o novo embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, Kevin Whitaker, de participar de uma conspiração para assassiná-lo. O Departamento de Estado considera as acusações "falsas e sem base".
A denúncia vazia coincide com a aprovação pela Câmara dos Representantes dos EUA de um projeto autorizando a Casa Branca a congelar os ativos no país de funcionários venezuelanos responsáveis por violações dos direitos humanos na repressão governamental contra os protestos populares que já duram mais de 100 dias.
O Senado americano ainda debate a conveniência de aprovar a lei temendo uma influência negativa sobre o diálogo entre o governo e a oposição da Venezuela promovido pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul).
Durante entrevista no Teatro Nacional, em Caracas, ao lado da primeira-dama Cilia Flores e do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, Jorge Rodríguez, porta-voz da cúpula do regime, apresentou apenas um email de María Corina elogiando os protestos antigovernamentais e dizendo que "Kevin Whitaker reconfirmou seu apoio e indicou novos passos". Não há nenhum indício de aprovação do uso da força
"O Departamento de Estado sabe que a ultradireita venezuelana, quando tenta realizar atos criminosos que violam a Constituição, a paz e a democracia, pede instruções e autorização a um funcionário do Departamento de Estado?", vociferou Rodríguez para tentar dar um ar de veracidade à sua teoria conspiratória. Mas não deu detalhes de quando e como seria o atentado, como foi descoberto, quem seriam os autores, quais suas ligações com os acusados, onde está o inquérito policial e quando será enviado à Justiça.
Maduro ganhou as eleições realizadas em 14 de abril de 2013, depois da morte do presidente Hugo Chávez, em 5 de março do mesmo ano com uma vantagem de apenas 1,5 ponto percentual, o que levantou suspeitas de fraude, já que o governo controla toda a máquina pública e eleitoral. Até hoje não conseguiu se legitimar.
A onda de protestos é consequência da inflação, que ronda 70% ao ano, do desabastecimento que chegou a 28% dos produtos encontrados em supermercados e do índice de homicídios, que está entre os mais altos do mundo. Com a crise do modelo chavista, o número de pobres, reduzido à metade pelas políticas sociais financiadas pelo petróleo venezuelano, volta a subir.
No país que se vangloria de ter as maiores reservas mundiais de petróleo, não podem faltar dólares nem dinheiro para importações. Sem profundas reformas econômicas que aposentem o "socialismo do século 21", não há saída nem haverá acordo com a oposição.
Se a missão de paz da Unasul fracassar, o futuro da Venezuela será sombrio.
A denúncia vazia coincide com a aprovação pela Câmara dos Representantes dos EUA de um projeto autorizando a Casa Branca a congelar os ativos no país de funcionários venezuelanos responsáveis por violações dos direitos humanos na repressão governamental contra os protestos populares que já duram mais de 100 dias.
O Senado americano ainda debate a conveniência de aprovar a lei temendo uma influência negativa sobre o diálogo entre o governo e a oposição da Venezuela promovido pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul).
Durante entrevista no Teatro Nacional, em Caracas, ao lado da primeira-dama Cilia Flores e do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, Jorge Rodríguez, porta-voz da cúpula do regime, apresentou apenas um email de María Corina elogiando os protestos antigovernamentais e dizendo que "Kevin Whitaker reconfirmou seu apoio e indicou novos passos". Não há nenhum indício de aprovação do uso da força
"O Departamento de Estado sabe que a ultradireita venezuelana, quando tenta realizar atos criminosos que violam a Constituição, a paz e a democracia, pede instruções e autorização a um funcionário do Departamento de Estado?", vociferou Rodríguez para tentar dar um ar de veracidade à sua teoria conspiratória. Mas não deu detalhes de quando e como seria o atentado, como foi descoberto, quem seriam os autores, quais suas ligações com os acusados, onde está o inquérito policial e quando será enviado à Justiça.
Maduro ganhou as eleições realizadas em 14 de abril de 2013, depois da morte do presidente Hugo Chávez, em 5 de março do mesmo ano com uma vantagem de apenas 1,5 ponto percentual, o que levantou suspeitas de fraude, já que o governo controla toda a máquina pública e eleitoral. Até hoje não conseguiu se legitimar.
A onda de protestos é consequência da inflação, que ronda 70% ao ano, do desabastecimento que chegou a 28% dos produtos encontrados em supermercados e do índice de homicídios, que está entre os mais altos do mundo. Com a crise do modelo chavista, o número de pobres, reduzido à metade pelas políticas sociais financiadas pelo petróleo venezuelano, volta a subir.
No país que se vangloria de ter as maiores reservas mundiais de petróleo, não podem faltar dólares nem dinheiro para importações. Sem profundas reformas econômicas que aposentem o "socialismo do século 21", não há saída nem haverá acordo com a oposição.
Se a missão de paz da Unasul fracassar, o futuro da Venezuela será sombrio.
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quinta-feira, 16 de maio de 2013
Crise na Venezuela derruba ministro do Exterior do Peru
O ministro do Exterior do Peru, Rafael Roncagliolo, caiu ontem, dias depois de pedir mais "tolerância" na Venezuela e a mediação da União das Nações da América do Sul (Unasul) na crise causada pela suspeita de fraude na eleição do presidente Nicolás Maduro, em 14 de abril de 2013. Oficialmente, o chanceler peruano pediu demissão "por motivo de saúde".
A ministra da Justiça, Eda Rivas, foi para o Ministério do Exterior e será substituída pelo secretário de Direitos Humanos, Daniel Figallo, informa a agência de notícias Reuters.
Maduro, que luta para se legitimar como sucessor do falecido Hugo Chávez em meio a denúncias de fraude da oposição, reclamou da interferência do ministro peruano nos problemas internos do país.
A Venezuela enfrenta problemas de inflação, desabastecimento, inclusive de energia, apesar de rica em petróleo, e violência. O índice de homicídios triplicou sob Chávez. Até papel higiênio o país é obrigado a importar.
O novo presidente teria prometido aos sócios da Unasul realizar a recontagem total dos votos exigida pelo candidato oposicionista Henrique Capriles, derrotado por uma vantagem de 1,5% dos votos válidos, para que os líderes do subcontinente prestigiassem sua posse. Desde então, afirma que houve uma auditoria em todas as urnas eletrônicas, o que dispensaria a recontagem.
A ministra da Justiça, Eda Rivas, foi para o Ministério do Exterior e será substituída pelo secretário de Direitos Humanos, Daniel Figallo, informa a agência de notícias Reuters.
Maduro, que luta para se legitimar como sucessor do falecido Hugo Chávez em meio a denúncias de fraude da oposição, reclamou da interferência do ministro peruano nos problemas internos do país.
A Venezuela enfrenta problemas de inflação, desabastecimento, inclusive de energia, apesar de rica em petróleo, e violência. O índice de homicídios triplicou sob Chávez. Até papel higiênio o país é obrigado a importar.
O novo presidente teria prometido aos sócios da Unasul realizar a recontagem total dos votos exigida pelo candidato oposicionista Henrique Capriles, derrotado por uma vantagem de 1,5% dos votos válidos, para que os líderes do subcontinente prestigiassem sua posse. Desde então, afirma que houve uma auditoria em todas as urnas eletrônicas, o que dispensaria a recontagem.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Missão de chanceleres defende presidente Lugo
Em nota divulgada agora há pouco, a missão de chanceleres da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) admite não ter obtido garantias dos diversos partidos políticos e das autoridades legislativas do Paraguai de que a ordem constitucional será mantida e de que o presidente Fernando Lugo terá pleno direito de defesa no processo de impeachment aberto ontem na Câmara dos Deputados do país.
"Os chanceleres reafirmaram que é imprescindível o pleno respeito às clásulas democráticas do Mercosul, da Unasul e da Celac", ameaçando excluir o Paraguai dessas organizações regionais se o golpe de Estado em marcha contra o presidente Lugo for concretizado. Seu julgamento no Senado estava marcado para hoje.
A missão da Unasul "reafirma sua total solidariedade ao povo paraguaio e o respaldo ao presidente constitucional Fernando Lugo".
"Os chanceleres reafirmaram que é imprescindível o pleno respeito às clásulas democráticas do Mercosul, da Unasul e da Celac", ameaçando excluir o Paraguai dessas organizações regionais se o golpe de Estado em marcha contra o presidente Lugo for concretizado. Seu julgamento no Senado estava marcado para hoje.
A missão da Unasul "reafirma sua total solidariedade ao povo paraguaio e o respaldo ao presidente constitucional Fernando Lugo".
terça-feira, 7 de junho de 2011
Humala promete não seguir modelo chavista
O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, reafirmou hoje que não vai seguir o modelo político do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, adotado, em larga medida, pelos presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Equador, Rafael Correa.
Em entrevista à agência de notícias Reuters, Humala apontou os Estados Unidos como “sócio importante e estratégico”, prometeu cooperar no combate ao tráfico de drogas, fortalecer a integração regional e manter os acordos comerciais firmados com EUA, China, União Europeia e Japão.
“Vamos consolidar a Comunidade Andina e fortalecer a Unasul” (União das Nações Sul-Americanas), disse o líder nacionalista de esquerda peruano. “Vamos respeitar todos os acordos internacionais assinados pelo Peru e defender os interesses nacionais.”
Em entrevista à Folha de S. Paulo, ele admitiu a possibilidade de entrar para o Mercosul e considerou o Brasil um sócio estratégico importante em "condições de igualdade e reciprocidade".
Uma de suas promessas de campanha, taxar os lucros das grandes mineradores, teria pesado na queda histórica da Bolsa de Lima. Humala disse que vai cobrar o imposto, mas não quer assustar os investidores que devem aplicar US$ 40 bilhões no Peru nesta década.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Venezuela rompe relações com a Colômbia
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, pediu calma depois que a Venezuela rompeu relações diplomáticas com a Colômbia e decretou estado de "alerta máximo" na fronteira entre os dois países.
Na semana passada, a Colômbia acusou a Venezuela de abrir guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN) e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Ficou de apresentar provas à OEA hoje, mas aparentemente não mostrou nada mais consistente.
Irritado, ao lado de Diego Maradona, que visitava Caracas, Chávez declarou publicamente o rompimento de todas as relações com a Colômbia e deu 72 horas para os diplomatas colombianos deixarem a Venezuela.
A ruptura é talvez a última salva de tiros do presidente Álvaro Uribe contra Chávez, que o acusa de ser ponta de lança dos interesses dos Estados Unidos na América do Sul por causa do apoio de Washington ao combate às guerrilhas de esquerda e ao tráfico de drogas na Colômbia.
Uribe acusou a Venezuela de acobertar guerrilheiros colombianos para reafirmar que há uma questão de fundo na crise entre os dois países. Quis dizer que não é uma questão pessoal entre ele e o caudilho venezuelano. Acabou deixando uma batata quente para seu sucessor, o presidente Juan Manuel Santos, que toma posse em 7 de agosto.
Como Santos terá de contornar o problema e não quer começar o governo com uma crise diplomática, é provável que adote uma atitude moderada, o que reforçaria a ideia de que o problema está em Uribe.
O atual presidente deixa o cargo com alta popularidade por ter combatido a guerrilha com eficiência, tendo Santos como ministro da Defesa. Desde 2002, Uribe nega legitimidade democrática à guerrilha para negociar com o governo.
Chávez, por sua vez, considera as FARC um movimento político legítimo. Já pediu seu reconhecimento como uma "força rebelde". Por causa da presença militar dos EUA em sete bases colombianas, impôs um embargo comercial a importações da Colômbia que beneficia o Brasil, mas é danoso às relações bilaterais.
Enquanto o presidente da Bolívia, Evo Morales, acusava a Colômbia de ser uma "colônia" dos EUA e de querer provocar uma guerra, o presidente do Equador, Rafael Correa, prometia convocar uma reunião de cúpula da União das Nações da América do Sul (Unasul) para discutir a crise.
O presidente Lula falou com Chávez e pediu uma solução negociada. Já o assessor especial da Presidência da República para relações internacionais, Marco Aurélio Garcia, falou como se o mais prudente fosse esfriar os ânimos e esperar a melhoria das relações entre Colômbia e Venezuela depois da posse de Santos.
Uribe tentou deixar claro que a briga não é entre ele e Chávez, deve-se a problemas de fundo das relações bilaterais como o apoio (pelo menos) político que o caudilho venezuelano dá à guerrilha colombiana.
Na semana passada, a Colômbia acusou a Venezuela de abrir guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN) e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Ficou de apresentar provas à OEA hoje, mas aparentemente não mostrou nada mais consistente.
Irritado, ao lado de Diego Maradona, que visitava Caracas, Chávez declarou publicamente o rompimento de todas as relações com a Colômbia e deu 72 horas para os diplomatas colombianos deixarem a Venezuela.
A ruptura é talvez a última salva de tiros do presidente Álvaro Uribe contra Chávez, que o acusa de ser ponta de lança dos interesses dos Estados Unidos na América do Sul por causa do apoio de Washington ao combate às guerrilhas de esquerda e ao tráfico de drogas na Colômbia.
Uribe acusou a Venezuela de acobertar guerrilheiros colombianos para reafirmar que há uma questão de fundo na crise entre os dois países. Quis dizer que não é uma questão pessoal entre ele e o caudilho venezuelano. Acabou deixando uma batata quente para seu sucessor, o presidente Juan Manuel Santos, que toma posse em 7 de agosto.
Como Santos terá de contornar o problema e não quer começar o governo com uma crise diplomática, é provável que adote uma atitude moderada, o que reforçaria a ideia de que o problema está em Uribe.
O atual presidente deixa o cargo com alta popularidade por ter combatido a guerrilha com eficiência, tendo Santos como ministro da Defesa. Desde 2002, Uribe nega legitimidade democrática à guerrilha para negociar com o governo.
Chávez, por sua vez, considera as FARC um movimento político legítimo. Já pediu seu reconhecimento como uma "força rebelde". Por causa da presença militar dos EUA em sete bases colombianas, impôs um embargo comercial a importações da Colômbia que beneficia o Brasil, mas é danoso às relações bilaterais.
Enquanto o presidente da Bolívia, Evo Morales, acusava a Colômbia de ser uma "colônia" dos EUA e de querer provocar uma guerra, o presidente do Equador, Rafael Correa, prometia convocar uma reunião de cúpula da União das Nações da América do Sul (Unasul) para discutir a crise.
O presidente Lula falou com Chávez e pediu uma solução negociada. Já o assessor especial da Presidência da República para relações internacionais, Marco Aurélio Garcia, falou como se o mais prudente fosse esfriar os ânimos e esperar a melhoria das relações entre Colômbia e Venezuela depois da posse de Santos.
Uribe tentou deixar claro que a briga não é entre ele e Chávez, deve-se a problemas de fundo das relações bilaterais como o apoio (pelo menos) político que o caudilho venezuelano dá à guerrilha colombiana.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Fala de Lula afasta Uribe de reunião da Unasul
Nem o presidente Álvaro Uribe, nem o ministro da Defesa, Jaime Bermúdez, nem o ministro do Exterior da Colômbia, Gabriel Silva, vai à reunião de cúpula da União das Nações da América do Sul (Unasul) na próxima semana em Quito, onde o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, promete pedir um plano de paz para a Colômbia não receber soldados dos Estados Unidos em seu território.
Desde que foi confirmado o acordo que abre sete bases militares colombianas para uso pelas Forças Armadas dos EUA, Chávez está em pé de guerra. Tem feito sucessivas provocações à Colômbia. Chegou a convocar o povo e as Forças Armadas venezuelanas a se preparar para uma "possível guerra contra a Colômbia".
Uribe não gostou quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva equiparou Uribe a Chávez, dizendo que eles precisam "entender que a guerra não é construtiva".
"Creio que o companheiro Chávez e o companheiro Uribe tem que entender que a guerra não é construtiva, que a disputa insana não é construtiva", disse o presidente Lula, citado hoje pelo jornal colombiano El Tiempo.
Para Uribe, a declaração não faz sentido porque ele entende que resiste a todas as provocações de Chávez, reagindo com tolerâncias às repetidas agressões verbais do caudilho venezuelano.
Assim, não haveria garantias para um diálogo com "respeito, objetividade e equilíbrio". Por isso, o governo colombiano vai mandar apenas equipes técnicas dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, sem peso político para tomar qualquer decisão importante.
Desde que foi confirmado o acordo que abre sete bases militares colombianas para uso pelas Forças Armadas dos EUA, Chávez está em pé de guerra. Tem feito sucessivas provocações à Colômbia. Chegou a convocar o povo e as Forças Armadas venezuelanas a se preparar para uma "possível guerra contra a Colômbia".
Uribe não gostou quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva equiparou Uribe a Chávez, dizendo que eles precisam "entender que a guerra não é construtiva".
"Creio que o companheiro Chávez e o companheiro Uribe tem que entender que a guerra não é construtiva, que a disputa insana não é construtiva", disse o presidente Lula, citado hoje pelo jornal colombiano El Tiempo.
Para Uribe, a declaração não faz sentido porque ele entende que resiste a todas as provocações de Chávez, reagindo com tolerâncias às repetidas agressões verbais do caudilho venezuelano.
Assim, não haveria garantias para um diálogo com "respeito, objetividade e equilíbrio". Por isso, o governo colombiano vai mandar apenas equipes técnicas dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, sem peso político para tomar qualquer decisão importante.
sábado, 21 de novembro de 2009
Venezuela vai pedir plano de paz para a Colômbia
Na sua obsessão de impedir o uso de sete bases militares colombianas pelos Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou que pretende usar a próxima reunião ministerial da União das Nações da América do Sul (Unasul) para "pedir um plano de paz à Colômbia".
"Vamos exigir que a América do Sul faça um plano de paz para a Colômbia para que se acabem os motivos e as causas pelas quais pretendem e vão instalar bases estadunidenses nesse país, declarou Maduro à Rádio Nacional da Venezuela.
"Também vamos discutir o narcotráfico", acrescentou o chanceler venezuelano. "A Colômbia é o maior produtor e exportador do continente
O governo Chávez vê na presença militar americana uma ameaça para sua "revolução bolivarista", que não vai bem.
Neste momento em que a maioria dos países está saindo da recessão mundial, o produto interno bruto da Venezuela encolheu 4,5% no terceiro trimestre. Depois de uma queda de 2,5% no segundo trimestre, o país está tecnicamente em recessão.
Indignado, Chávez quer mudar a fórmula de cálculo do PIB alegando que serviços de saúde gratuitos e outros benefícios de suas políticas não entram no cálculo.
Mas a realidade é que a economia da Venezuela encolheu com a queda nos preços do petróleo decorrente da crise internacional e por causa do socialismo à la carte de Chávez, que estatiza setores por impulsos do caudilho venezuelano e não tem regras estáveis, criando insegurança jurídica e espantando investimentos.
Numa reunião de 150 partidos esquerdistas de 40 países organizada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela, a senadora colombiana Piedad Córdoba defendeu a resistência chavista à instalação de bases militares em seu país.
"Vamos exigir que a América do Sul faça um plano de paz para a Colômbia para que se acabem os motivos e as causas pelas quais pretendem e vão instalar bases estadunidenses nesse país, declarou Maduro à Rádio Nacional da Venezuela.
"Também vamos discutir o narcotráfico", acrescentou o chanceler venezuelano. "A Colômbia é o maior produtor e exportador do continente
O governo Chávez vê na presença militar americana uma ameaça para sua "revolução bolivarista", que não vai bem.
Neste momento em que a maioria dos países está saindo da recessão mundial, o produto interno bruto da Venezuela encolheu 4,5% no terceiro trimestre. Depois de uma queda de 2,5% no segundo trimestre, o país está tecnicamente em recessão.
Indignado, Chávez quer mudar a fórmula de cálculo do PIB alegando que serviços de saúde gratuitos e outros benefícios de suas políticas não entram no cálculo.
Mas a realidade é que a economia da Venezuela encolheu com a queda nos preços do petróleo decorrente da crise internacional e por causa do socialismo à la carte de Chávez, que estatiza setores por impulsos do caudilho venezuelano e não tem regras estáveis, criando insegurança jurídica e espantando investimentos.
Numa reunião de 150 partidos esquerdistas de 40 países organizada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela, a senadora colombiana Piedad Córdoba defendeu a resistência chavista à instalação de bases militares em seu país.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Morales quer proibir bases estrangeiras
Ao receber em La Paz o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou a intenção de apresentar um projeto de resolução à União das Nações Sul-Americanas (Unasul) proibindo a instalação de bases militares estrangeiras no subcontinente.
Uribe viaja pela América do Sul para explicar a decisão de oferecer sete bases militares aos Estados Unidos. Morales, um aliado próximo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é um dos principais opositores à ampliação da presença militar americana no subcontinente.
O presidente colombiano já avisou que não vai à próxima reunião da Unasul.
Uribe viaja pela América do Sul para explicar a decisão de oferecer sete bases militares aos Estados Unidos. Morales, um aliado próximo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é um dos principais opositores à ampliação da presença militar americana no subcontinente.
O presidente colombiano já avisou que não vai à próxima reunião da Unasul.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Unasul tenta pacificar a Bolívia
A reunião de cúpula da União de Nações da América do Sul (Unasul) realizada nesta segunda-feira, 15 de setembro de 2008, em Santiago do Chile para discutir uma solução ao conflito político na Bolívia, terminou após seis horas de reunião com o apoio unânime ao governo constitucional boliviano, rejeitando qualquer tentativa de divisão do país.
Por conenso, os nove presidentes presentes em Santiago aprovaram a Declaração do Palácio de La Moneda. Uma comissão aberta a todos os países da Unasul será presidida pelo Chile, que ocupa a presidência rotativa do bloco. Vai acompanhar o processo de negociação iniciado em La Paz.
No texto, os líderes da região dão "seu mais pleno e decidido apoio ao governo constitucional do presidente Evo Morales, cujo mandato foi ratificado por ampla maioria".
O documento é assinado pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da Argentina, Cristina Kirchner; da Bolívia, Evo Morales; do Chile, Michelle Bachelet; da Colômbia, Álvaro Uribe; do Equador, Rafael Correa; do Paraguai, Fernando Lugo; do Uruguai, Tabaré Vázquez; e da Venezuela, Hugo Chávez; e pelo ministro das Relações Exteriores do Peru, que representou o presidente Alan García, único chefe de Estado ausente.
Por conenso, os nove presidentes presentes em Santiago aprovaram a Declaração do Palácio de La Moneda. Uma comissão aberta a todos os países da Unasul será presidida pelo Chile, que ocupa a presidência rotativa do bloco. Vai acompanhar o processo de negociação iniciado em La Paz.
No texto, os líderes da região dão "seu mais pleno e decidido apoio ao governo constitucional do presidente Evo Morales, cujo mandato foi ratificado por ampla maioria".
O documento é assinado pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da Argentina, Cristina Kirchner; da Bolívia, Evo Morales; do Chile, Michelle Bachelet; da Colômbia, Álvaro Uribe; do Equador, Rafael Correa; do Paraguai, Fernando Lugo; do Uruguai, Tabaré Vázquez; e da Venezuela, Hugo Chávez; e pelo ministro das Relações Exteriores do Peru, que representou o presidente Alan García, único chefe de Estado ausente.
Morales teria pedido ajuda à Unasul
O próprio presidente da Bolívia, Evo Morales, teria pedido à presidente do Chile, Michelle Bachelet, a convocação de uma reunião de cúpula de emergência da União das Nações da América do Sul (Unasul), diante do temor de um golpe de Estado na sexta-feira à noite.
Naquele dia, o comandante do Exército, general Luis Trigo, advertiu que as Forças Armadas não iriam tolerar uma intervenção estrangeira, rechaçando o apoio militar do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O general ameaçou intervir no conflito interno para manter a ordem, acabar com a violência política, e proteger prédios públicos e instalações de gás e petróleo.
Pelo menos 30 pessoas morreram na Bolívia nos confrontos de rua dos últimos dias entre partidários do Movimento ao Socialismo, do presidente Morales, e da oposição que luta por autonomia regional em cinco dos nove departamentos do país.
O presidente Lula estaria insatisfeito com a polarização provocada pela crise interna boliviana e a expulsão dos embaixados dos Estados Unidos da Bolívia e da Venezuela, e pela rejeição de Morales da oferta de mediação brasileira. Vai ao encontro, mas há uma preocupação de que Chávez e Morales tentem incluir referências aos EUA que não interessam à maioria dos outros países do subcontinente. A exceção é Rafael Correa, do Equador, aliado de Chávez e Morales.
Naquele dia, o comandante do Exército, general Luis Trigo, advertiu que as Forças Armadas não iriam tolerar uma intervenção estrangeira, rechaçando o apoio militar do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O general ameaçou intervir no conflito interno para manter a ordem, acabar com a violência política, e proteger prédios públicos e instalações de gás e petróleo.
Pelo menos 30 pessoas morreram na Bolívia nos confrontos de rua dos últimos dias entre partidários do Movimento ao Socialismo, do presidente Morales, e da oposição que luta por autonomia regional em cinco dos nove departamentos do país.
O presidente Lula estaria insatisfeito com a polarização provocada pela crise interna boliviana e a expulsão dos embaixados dos Estados Unidos da Bolívia e da Venezuela, e pela rejeição de Morales da oferta de mediação brasileira. Vai ao encontro, mas há uma preocupação de que Chávez e Morales tentem incluir referências aos EUA que não interessam à maioria dos outros países do subcontinente. A exceção é Rafael Correa, do Equador, aliado de Chávez e Morales.
domingo, 14 de setembro de 2008
Chile convoca Unasul para discutir crise boliviana
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, convocou uma reunião de emergência da União das Nações da América do Sul (Unasul) para discutir, na segunda-feira, a crise na Bolívia e oferecer ajuda ao país para solucionar o conflito entre o governo do presidente socialista Evo Morales e a oposição que luta por autonomia regional para os departamentos mais ricos do país.
sábado, 24 de maio de 2008
Brasil cria União das Nações da América do Sul
Uma reunião de cúpula realizada em Brasília fundou ontem a União das Nações da América do Sul (Unasul). Na sexta-feira o tratado que constitui a Unasul foi assinado pelos chefes de Estado. O presidente da Bolívia, Evo Morales, passou a presidência rotativa da nova organização internacional para a presidente do Chile, Michelle Bachelet, por um período de dois anos.
"Posso dizer à Bachelet que, da parte do Brasil, você terá 100% de dedicação, apoio, em qualquer momento, para que possa consagrar ainda mais a integração sul-americana que acabamos de assinar", disse o presidente Lula.
A presidente do Chile destacou o fato de que o subcontinente tem hoje um presidente sindicalista (Lula), outro indígena (Morales) e duas mulheres (a própria Bachelet e a presidente argentina, Cristina Kirchner).
Morales, por sua vez, representando a pobre Bolívia, espera que a meta da Unasul seja a "igualdade dos povos sul-americanos. A única meta é buscar a igualdade dos povos, chegar rapidamente à justiça social. Sigo pensando que a América do Sul é grande esperança não só para sul-americanos, mas para todo o mundo".
Bachelet também fez seu discurso colocando a justiça social como a questão mais importante numa região marcada pela concentração da riqueza: "A América do Sul e também países do Caribe e América Latina podem ser atores globais para tomar decisões. Um dos objetivos fundamentais da integração é dar melhores condições de vida ao nosso povo. A integração econômica não é o mais importante, mas o instrumento para alcançarmos melhores condições de vida para o nosso povo."
"Posso dizer à Bachelet que, da parte do Brasil, você terá 100% de dedicação, apoio, em qualquer momento, para que possa consagrar ainda mais a integração sul-americana que acabamos de assinar", disse o presidente Lula.
A presidente do Chile destacou o fato de que o subcontinente tem hoje um presidente sindicalista (Lula), outro indígena (Morales) e duas mulheres (a própria Bachelet e a presidente argentina, Cristina Kirchner).
Morales, por sua vez, representando a pobre Bolívia, espera que a meta da Unasul seja a "igualdade dos povos sul-americanos. A única meta é buscar a igualdade dos povos, chegar rapidamente à justiça social. Sigo pensando que a América do Sul é grande esperança não só para sul-americanos, mas para todo o mundo".
Bachelet também fez seu discurso colocando a justiça social como a questão mais importante numa região marcada pela concentração da riqueza: "A América do Sul e também países do Caribe e América Latina podem ser atores globais para tomar decisões. Um dos objetivos fundamentais da integração é dar melhores condições de vida ao nosso povo. A integração econômica não é o mais importante, mas o instrumento para alcançarmos melhores condições de vida para o nosso povo."
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