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sábado, 13 de janeiro de 2024

Equador declara guerra aos cartéis do tráfico de drogas

O jovem e inexperiente presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou guerra às máfias do tráfico de drogas e decretou estado de emergência por 60 dias e botou o Exército nas ruas em meio a uma onda de motins em prisões, com a fuga do maior traficante do país, José Adolfo Macías Villamar, o Fito. Em menos de uma década, o Equador, que era considerado um oásis de paz, se transformou num narcoestado.

Vizinho dos maiores produtores de cocaína do mundo, a Colômbia e o Peru, com uma economia dolarizada, o que facilita a lavagem de dinheiro, o Equador se tornou a principal porta de saída da droga para os grandes mercados consumidores da Europa e dos Estados Unidos.

Um alerta soou na campanha eleitoral do ano passado, quando o jornalista e ex-deputado Fernando Villavicencio, que defendia um combate mais duro ao narcotráfico e à corrupção foi assassinado.

Sem poder financeiro nem de fogo para enfrentar máfias ligadas aos grandes cartéis do tráfico mexicanos, o Equador deve seguir o modelo do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que suspendeu as garantias constitucionais e democráticas para combater as gangues e se apresenta como "o ditador mais legal do mundo".

NOTA: Não falei na gravação, mas lembrei depois. Em 10 de maio de 2022, o procurador-geral do Paraguai Marcelo Pecci foi assassinado quando estava em lua de mel numa praia da Colômbia. Entre os principais suspeitos, estava o PCC. O Paraguai é outro país pequeno e relativamente pobre, sem força suficiente para enfrentar as máfias do crime organizado.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Petro reata com Venezuela e anuncia cessar-fogo na Colômbia

 O novo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou sábado, durante visita ao Departamento de Antióquia, uma trégua multilateral com os grupos guerrilheiros em atividade no país, noticiou hoje o jornal El Tiempo.

Em curto prazo, o esforço para pacificar o país vai aumentar a segurança e reduzir o risco de ataques nas zonais rurais. Mas não há garantia de sucesso. Qualquer acordo de paz vai depender da aprovação do Congresso e da adesão dos guerrilheiros.

Primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, Petro prometeu na campanha a “paz total”, o fim de uma guerra civil que matou cerca de 500 mil pessoas desde 1948. 

O Exército de Libertação Nacional (ELN), hoje o maior grupo armado do país, enviou uma delegação de alto nível para Havana, a capital de Cuba, sede das negociações, e libertou dois grupos de reféns. O governo suspendeu as ordens de prisão dos líderes da guerrilha para que possam entrar contato com sua organização.

A bancada do Pacto Histórico, a coalizão de governo, apresentou ao Congresso um projeto para encaminhar as negociações. A proposta prevê a suspensão dos mandados de prisão e extradição dos comandantes de grupos armados que negociem a paz, inclusive dos chefões dos cartéis do tráfico de drogas. Autoriza governadores e prefeitos a participar de diálogos regionais com os rebeldes. E tenta assegurar que futuros governo mantenham as negociações.

O governo Juan Manuel Santos (2010-18) negociou a paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que abandonaram a luta armada em 2017, mas seu sucessor, Iván Duque, sabotou o processo de paz. Cerca de um terço dos guerrilheiros das FARC voltou à guerra.

Nesta segunda-feira, o embaixador colombiano Armando Benedetti apresentou credencias ao ministro do Exterior da Venezuela, Carlos Farías, e foi recebido pelo ditador Nicolás Maduro no Palácio de Miraflores, em Caracas, selando o reatamento entre os dois países, rompidos desde 23 de fevereiro de 2019, outra promessa de Petro.

Durante, a campanha, Petro, que foi ativista político do grupo guerrilheiro M-19, foi acusado de querer impor um regime como o venezuelano. Ele era amigo e admirador de Hugo Chávez, mas se tornou um crítico do regime chavista. Afirmou que “um pequeno grupo de pessoas se locupletando da renda do petróleo não pode-se chamar de revolução”. Petro é ecologista.

O restabelecimento de relações com a Venezuela ajuda o processo de paz colombiano porque os grupos armados costumam se refugiar no país vizinho.

sábado, 31 de agosto de 2019

Venezuela acusa presidente da Colômbia pela volta das FARC

O ministro do Exterior do regime chavista da Venezuela, Jorge Arreaza, declarou ontem que o presidente Iván Duque Márquez tem exclusiva responsabilidade pelo anúncio de três líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) de que pretendem voltar à luta armada.

"É inacreditável que Iván Duque tenha a audácia de tentar atribuir a terceiros países e terceiras pessoas sua exclusiva responsabilidade por desmantelar o processo de paz e não cumprir os compromissos assumidos pelo Estado colombiano", protestou o chanceler da ditadura de Nicolás Maduro.

Em vídeo divulgado há dois dias, o subcomandante e principal negociar das agora desmobilizadas FARC, Iván Márquez, defendeu o retorno à luta armada citando como razão os assassinatos de mais de 500 ativistas de causas sociais e 150 ex-guerrilheiros.

A onda de assassinatos lembra o que aconteceu com a União Patriótica, um partido fundado em 1985 em meio a outro processo de paz que teve 4 mil militantes mortos, inclusive dois candidatos à Presidência da Colômbia.

O presidente colombiano atribuiu a volta da guerrilha ao apoio que os grupos rebeldes, as FARC e o Exército de Libertação Nacional (ELN), recebem do regime chavista: "Nós, colombianos, devemos ser claros. Não estamos vendo o nascimento de um novo movimento guerrilheiro, mas ameaças de um banco de narcoterroristas que aproveitam a hospitalidade da ditadura de Nicolás Maduro."

"Lamentamos profundamente o que está acontecendo na Colômbia... uma espiral de violência de décadas. Não foi a Venezuela que começou. Começou porque a oligarquia colombiana matou Jorge Eliécer Gaitán [em 1948]. Foi como iniciou. O que a Venezuela tem a ver com isso? Nada", afirmou o vice-presidente Diosdado Cabello, o número dois do regime chavista.

A ruptura do acordo de paz foi parcial. O principal líder político das FARC, Rodrigo Londoño, vulgo Timochenko, manteve o compromisso com o acordo de paz firmado em 2016. O ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos, que assinou o acordo, declarou que "ninguém detém o trem da paz."

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Líderes das FARC anunciam volta à luta armada

Três líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) denunciaram o acordo de paz assinado em 2016 com o presidente Juan Manuel Santos e anunciaram a volta à luta armada. 

Luciano Marín Aragón, que usa o nome de guerra de Iván Márquez, o principal negociador das FARC; o ex-deputado Seuxis Pausias Hernández, de nome de guerra Jesús Santrich; e o ex-comandante Hernán Darío Velázquez Saldarriaga, mais conhecido como El Paisa; divulgaram vídeo protestando contra o rumo que o processo de paz tomou no atual governo, do presidente conservador Iván Duque Márquez, aliado do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, um dos maiores adversários do acordo.

O presidente Iván Duque ordenou a prisão dos três e ofereceu uma recompensa de 3 milhões de pesos colombianos, pouco mais de 3 mil e 500 reais, por informações sobre o paradeiro dos rebeldes. Meu comentário:

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Líder das FARC lamenta ter entregue as armas

Um dos principais negociadores das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Iván Márquez, considera ter sido um erro entregar as armas antes de obter garantias de que o governo iria cumprir todos os pontos do acordo de paz assinado em 2016, noticiou hoje o jornal El Colombiano, de Medellín.

Este tipo de declaração pode levar centenas ou até milhares de ex-guerrilheiros a abandonar o processo de paz e aderir a organizações criminosas.

No ano passado, foi eleito presidente Iván Duque, um linha-dura apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe. Ambos discordam de vários aspectos do acordo de paz, como a anistia aos ex-guerrilheiros, o tribunal especial e a integração de ex-rebeldes à vida política. No poder, Duque está desacelerando o processo de paz.

Com as negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN), que era o segundo maior grupo guerrilheiro do país, estagnadas, aumenta o risco de que ex-rebeldes das FARC abandonem o acordo de paz e entrem para o ELN.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Guerrilha colombiana faz mineração ilegal de ouro na Venezuela

O Exército de Libertação Nacional (ELN), maior grupo guerrilheiro colombiano desde o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), está minerando ouro ilegalmente no Leste da Venezuela, a centenas de quilômetros da fronteira entre os dois países, noticiou ontem o jornal britânico The Guardian.

Em meio ao caos da economia venezuelana, o ELN, engrossado por ex-rebeldes das FARC, e outros grupos armados clandestinos aproveitam a oportunidade para ganhos ilícitos, provocando conflitos entre colombianos e venezuelanos que causaram a morte de pelo menos sete mineiros.

As minas clandestinas ficam em Tumerero, no estado de Bolívar, perto da fronteira da Venezuela com a Guiana. O pior confronto durou três dias, de 14 a 17 de outubro. Nos últimos dois anos, pelo menos 107 pessoas foram mortas em massacres em Bolívar

Com a pior crise de uma economia desenvolvida da história, um quilo de carne custa mais do que o salário médio de uma semana de trabalho. Mais de 80% dos venezuelanos caíram na miséria e mais de 4 milhões fugiram do país.

Quem ficou luta desesperadamente para conseguir algum dinheiro. A mineração ilegal é uma das opções, apesar de todos os riscos. A ditadura de Nicolás Maduro nega a presença de guerrilheiros colombianos no país.

Como o regime chavista é de esquerda e acusa a Colômbia, aliada dos Estados Unidos, de interferir na política interna venezuelana, há muitos anos a Venezuela acolhe guerrilheiros colombianos.

Um analista do International Crisis Group. Bram Ebus, acredita que o ELN tem a intenção de dominar a região mineradora e ficar lá por um longo tempo. Américo de Grazia, da oposição venezuelana denuncia a conivência da ditadura de Maduro: "O silêncio é consentimento. Eles sabem que o ELN está em ação no estado de Bolívar."

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Líderes das FARC fogem para a Venezuela

Sob ameaça de prisão por envolvimento em atividades criminosas, dois líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), fugiram para a vizinha Venezuela. As autoridades colombianas procuram descobrir qual a rota de fuga, noticiou hoje a Rádio Caracol.

Na semana passada, soube-se da iminência da prisão de três líderes do antigo grupo guerrilheiro envolvidos em crimes comuns. É comum em processos de paz que guerrilheiros veteranos, que passaram anos na clandestinidade, não consigam se reintegrar à vida civil e entrem para organizações criminosas.

Se mais líderes das FARC forem presos, o histórico acordo de paz assinado em 24 de novembro de 2016 estará ameaçado. É provável que os ex-guerrilheiros presos recentemente tenham dado informações à polícia capazes de incriminar outros companheiros.

Desde a campanha eleitoral, o novo presidente, o conservador Iván Duque, empossado em 7 de agosto deste ano, promete revisar o acordo, especialmente as cláusulas que dão anistia a rebeldes que cometeram crimes de sangue e garantem 5% de vagas no Congresso para ex-guerrilheiros. A pressão sobre as FARC tende a aumentar.

Duque é afilhado político do ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe (2002-10), um linha-dura que golpeou duramente a guerrilha, reduzindo significativamente sua ameaça. Seu ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, se tornou presidente e negociou o acordo, rejeitado por Uribe.

Uribe é investigado por ligações com grupos paramilitares de direita conhecidos como Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que chegou a comparar com as vigilâncias de bairro nos Estados Unidos. Ganhou a guerra, mas não soube fazer a paz.

É muito difícil, praticamente impossível, a volta da guerra civil. Mas há rebeldes que renegaram o acordo e mataram jornalistas equatorianos, em abril de 2018, e outros envolvidos com o crime organizado.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Colômbia deve prender três líderes das FARC

O Exército colombiano está tentando prender três líderes da Força Alternativa Revolucionária do Comum, o partido político formado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) depois do acordo de paz com o governo anterior do país, denunciaram membros do antigo grupo guerrilheiro comunista, citados pelo jornal El Heraldo, de Barranquilla. Eles são acusados de violar o acordo.

A prisão de líderes das FARC indica que parte dos militantes do grupo continua envolvida com o tráfico de drogas ou outras atividades ilícitas, fenômeno comum em processos de paz, quando ex-guerrilheiros têm dificuldades em voltar à vida civil.

O acordo de paz assinado em 2016, depois de quatro anos de negociação, acabou com uma guerra civil de 52 anos contra as FARC, que tinha origens no período conhecido na história da Colômbia como La Violencia, que se seguiu ao assassinato do candidato liberal à Presidência Jorge Eliécer Gaitán, em 9 de abril de 1948.

Mas forças conservadoras lideradas pelo ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe se opõem à anistia dada a guerrilheiros que cometeram crimes de sangue e à garantia de vagas na Câmara e no Senado para ex-guerrilheiros.

Com a vitória do uribista Iván Duque na eleição presidencial deste ano, a expectativa é de uma revisão do acordo. As prisões podem ser um primeiro sinal. Se mais líderes forem presos, aumenta o risco de ruptura do acordo e de volta de guerrilheiros à clandestinidade, desta vez como crime organizado. A luta armada perdeu o sentido.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Novo presidente conservador toma posse na Colômbia

O conservador Iván Duque tomou posse hoje como presidente da Colômbia com uma agenda de reformas que inclui a redução dos impostos para empresas, a negociação de acordos de livre comércio e mudanças no acordo de paz assinado por seu antecessor, Juan Manuel Santos, com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Com o apoio do ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe, Duque bateu no segundo turno o candidato esquerdista Gustavo Petro, ex-prefeito de Bogotá. Para atingir seus objetivos, vai precisar de um apoio de outros partidos políticos no Congresso, especialmente para alterar o acordo com as FARC para acabar com  uma guerra civil de mais de 50 anos.

Em pelo menos 30 cidades, as oposições se manifestaram para defender o acordo com as FARC e a proteção de seus militantes. Desde a assinatura do acordo histórico, em 2016, pelo menos 330 foram mortos.

Os conservadores liderados por Uribe e por Duque rejeitam a anistia para guerrilheiros que cometeram crimes de sangue e a reserva de 5% das cadeiras na Câmara e no Senado para o partido das FARC, que acabou sendo muito mais do que conquistariam nas urnas.

De qualquer maneira, o novo presidente vai adotar uma posição mais dura nas negociações com o Exército Nacional de Libertação (ELN), o segundo maior grupo guerrilheiro de esquerda da Colômbia, que violou a trégua acertada com o governo anterior.

No plano externo, a Colômbia negocia acordos de liberalização comercial com a Austrália, a Nova Zelândia, o Japão e a Turquia. Por causa da oposição dos setores agrícola e industrial, Duque pode retardar as negociações com o Japão e a Turquia.

Mesmo que forme uma ampla aliança, o novo governo vai depender da coesão interna dos partidos. Até 7 de setembro, os partidos precisam decidir se fazem aliança com o governo, ficam na oposição ou se serão independentes.

O Partido do Centro Democrático, de Duque, enfrenta as acusações de fraude e corrupção contra seu líder, o ex-presidente Uribe. As divisões internas do Partido Liberal também enfraquecem o apoio ao governo.

sábado, 16 de junho de 2018

Duque lidera com 51% e deve ser eleito presidente da Colômbia

O candidato conservador Iván Duque, apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, é o favorito em todas as pesquisas, com uma média de 51%, e deve ser eleito neste domingo presidente da Colômbia. Seu rival, Gustavo Petro, ex-guerrilheiro e ex-prefeito verde de Bogotá, tem 37% das preferências. Os outros 12% pretendem votar em branco, anular o voto ou não votar.

No primeiro turno, Duque, do Centro Democrático, teve 39% dos votos contra 25% para Petro, da aliança Colômbia Humana. A boa votação de outros candidatos de esquerda não se transferiu para o ex-prefeito da capital colombiana.

Ontem, Antanas Mockus e Claudia López, do partido Aliança Verde, que apoiou Sergio Fajardo no primeiro turno, anunciaram o voto em Petro. A ex-senadora e ex-candidata a presidente Íngrid Betancour, sequestrada pelas FARC de 2002 a 2008, veio da França para manifestar seu apoio.

Uma projeção das pesquisas feita pelo jornal espanhol El País deu a Duque 80% de chance de vitória contra 20% para Petro. Como as pesquisas de opinião na Colômbia costumam apresentar erros, o esquerdista ainda tem alguma chance.

A margem de erro pode chegar a 9% para mais ou para menos. Se a margem de erro foi igual à do primeiro turno, de 3,3 pontos percentuais em média, Duque tem 90% de chances

Esta é a primeira eleição presidencial depois da assinatura do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), em 24 de novembro de 2016. O Exército de Libertação Nacional, que negocia a paz, declarou uma trégua no primeiro e no segundo turnos.

O candidato do governo Juan Manuel Santos, o grande negociador da paz, ficou fora do segundo turno. Duque e seu patrono Uribe são grandes críticos do acordo, especialmente da anistia aos guerrilheiros que cometeram crimes de sangue. Pode mexer na anistia, mas não vai revogar o acordo nem deve abandonar o diálogo com o ELN.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Dissidentes das FARC formam novo grupo guerrilheiro na Colômbia

Guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que não aceitaram o acordo de paz com o governo colombiano anunciaram em vídeo a formação de um novo grupo rebelde, a Força Unida do Pacífico (FUP).

As autoridades suspeitam que o novo grupo seja responsável pela morte de três jornalistas equatorianos sequestrados em março na fronteira entre os dois países. AFUP pode ganhar novos adeptos e mais força dependendo do resultado do segundo turno da eleição presidencial na Colômbia, a ser realizado em 17 de junho.

O candidato mais votado no primeiro turno, o direitista Iván Duque, apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, é crítico de alguns aspectos do acordo, como a anistia a guerrilheiros que cometeram crimes de sangue.

Depois de cinco anos de negociações, a Colômbia está mais perto de acabar com uma guerra civil em que 500 mil pessoas morreram nos últimos 70 anos. As negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN), segundo maior grupo guerrilheiro, depois das FARC, estão em andamento, mas o surgimento deste novo grupo e o envolvimento de antigos membros das FARC com o crime organizado, especialmente o tráfico de drogas, complicam a pacificação.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Colômbia espera negociar cessar-fogo com ELN em 27 de maio

O governo da Colômbia pretende negociar em 27 de maio uma trégua com o Exército de Libertação Nacional (ELN), maior grupo guerrilheiro do país depois do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), noticiou ontem o jornal colombiano El Heraldo. No mesmo dia, será realizado o primeiro turno da eleição presidencial.

A primeira rodada da nova fase de negociações começou nesta semana em Cuba, depois de uma suspensão porque o ELN voltou a atacar e o Equador deixou o papel de mediador.

O governo Juan Manuel Santos iniciou o diálogo direto com o ELN em 7 de fevereiro de 2017, em Quito, e rompeu as negociações em 29 de janeiro de 2018, depois de ataques da guerrilha em que sete policiais foram mortos.

Em fevereiro deste ano, o ELN declarou uma trégua eleitoral nas primeiras eleições em que as FARC participaram como partido político, indicando a vontade de retomar as negociações. O governo quer agora uma medida concreta, um cessar-fogo de longo prazo para permitir negociações sem a ameaça de ações armadas.

quarta-feira, 21 de março de 2018

FARC tem 1,2 mil dissidentes que não abandonaram a luta armada

Cerca de 1,2 mil guerrilheiros das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que se transformaram em partido político depois de um acordo de paz com o governo colombiano, não abandonaram a luta armada, declarou hoje o comandante do Exército, general Alberto Mejia. A agora Força Alternativa Revolucionária do Comum admitiu a deserção de 500 dissidentes.

Os rebeldes tentam financiar a luta armada com o tráfico de drogas e se aliar ao Exército de Libertação Nacional (ELN), que retomou as negociações de paz depois de violar a trégua e matar policiais em ataques a delegacias, ou ao Clã do Golfo, que reúne paramilitares de extrema direita desmobilizados durante o governo Álvaro Uribe (2002-10).

Desde a assinatura do acordo, em novembro de 2016, pelo menos 248 dissidentes das FARC foram mortos, presos ou entregues às autoridades, revelou o comandante do Exército. O novo partido colabora com o governo no combate à violência política e à erradicação das plantações de coca.

Com o fim da Guerra Fria e da União Soviética, em 1991, o tráfico de drogas passou a ser a principal fonte de financiamento das guerrilhas esquerdistas da Colômbia, prolongando a guerra civil iniciada em 9 de abril de 1948, com o assassinado do líder liberal e candidato a presidente Jorge Eliécer Gaitán.

O ELN teria hoje cerca de 1,5 mil homens em armas. A nova FARC teve um desempenho eleitoral medíocre. Seus candidatos ao Senado obtiveram apenas 52 mil votos, 0,34% do total.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

ELN anuncia trégua eleitoral na Colômbia

O Exército de Libertação Nacional tenta retomar as negociações de paz com o governo da Colômbia. Depois de romper a trégua e matar sete policiais, o grupo guerrilheiro de esquerda anunciou ontem um cessar-fogo durante as eleições parlamentares do próximo mês e propôs o reinício do diálogo.

"Quando nos aproximamos das eleições de 11 de março, mesmo que não endossemos este processo falho, em sinal de respeito aos homens e mulheres da Colômbia que irão votar, o ELN vai cessar suas operações militares ofensivas entre 9 e 13 de março", declarou o grupo em nota publicada na Internet.

Nestas eleições para a Câmara e o Senado, pela primeira vez, os ex-guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) vão participar do processo político como Forças Alternativas Revolucionárias do Comum (FARC), depois de um acordo negociado durante quatro anos, em Cuba. O partido preserva a marca registrada do que era o maior grupo guerrilheiro de esquerda colombiano.

As negociações com as FARC são o modelo para o ELN, que tem muito menos poder de barganha. As FARC, enfraquecidas pela guerra deflagrada pelo presidente Álvaro Uribe (2002-10), tinham 8 mil homens em armas quando o governo Juan Manuel Santos o diálogo pela paz, em 2012. O ELN tem entre 1,5 e 2 mil guerrilheiros desgastados por uma guerra sem sentido.

Na declaração de cessar-fogo, o ELN pede a Santos que "marque uma data para o início da quinta rodada de negociações e envie uma delegação para o diálogo em Quito. Naquela data, todos os nossos delegados também irão à capital do Equador."

O diálogo entre o governo Santos e o ELN começou em 7 de fevereiro de 2017, em Quito. Foi suspenso pelo presidente colombiano em 29 de janeiro de 2018 depois de vários ataques da guerrilha que resultaram na morte de sete policiais. Uma unidade de guerrilha urbana do ELN reivindicou um ataque a Barranquilla em que cinco policiais morreram e 41 saíram feridos.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

ELN reivindica autoria de ataque a bomba contra delegacia na Colômbia

A Frente de Guerrilha Urbana do Exército de Libertação Nacional da Colômbia (ELN) assumiu a responsabilidade por um atentado a bomba contra uma delegacia de polícia da cidade de Barranquilla em que cinco agentes foram mortos e outros 41 saíram feridos.

"O ELN, no exercício do direito legítimo de rebelião, realizou uma ação militar", declarou um comunicado atribuído ao grupo. "A as forças policiais da delegacia de São José, no Sul de Barranquilla, foram atacadas."

Ao justificar o ataque, o ELN acusou o governo de "se recusa a dar respostas às necessidades do povo, está inventando desculpas para não garantir seus direitos e usa as forças públicas para reprimir o povo."

Um homem de 31 anos identificado como Cristian Camilo Bellon Galindo foi preso sob a acusação de colaborar com o ataque no litoral caribenho da Colômbia. Será denunciado por cinco acusações de terrorismo e 42 de tentativa de assassinato, terrorismo agravado e uso de explosivos.

Depois do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o maior grupo guerrilheiro em atividade no país, o governo colombiano iniciou no ano passado negociações com o ELN, o segundo maior grupo.

O diálogo foi suspenso em 10 de janeiro de 2018 em meio a uma onda de ataques do ELN depois do fim de um cessar-fogo bilateral de 100 dias. Houve um atentado na cidade de Soledade, na região metropolitana de Barranquilla e outro contra uma delegacia de polícia em Santa Rosa, na província de Bolívar.

Enquanto o ELN volta a uma luta armada que não faz mais sentido, o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, de nome de guerra Timochenko, vai disputar a eleição presidencial deste ano na Colômbia.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Colômbia apreende mais de 12 toneladas de cocaína

Foi a maior apreensão de drogas no país mais ligado ao tráfico da América. Mais de 12 toneladas de cocaína foram confiscadas pela polícia da Colômbia perto da fronteira com o Panamá. O presidente Juan Manuel Santos estimou o valor da carga em US$ 360 milhões (US$ 1,172 bilhão).

A cocaína estava enterrada em quatro fazendas do departamento de Antioquia, no Noroeste da Colômbia. Santos responsabilizou o Clã do Golfo, considerado o grupo armado mais perigoso do país desde o acordo de paz e a desmobilização das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Os Estados Unidos, maiores aliados da Colômbia no combate ao tráfico de drogas e às guerrilhas de esquerda, estão pressionando o governo Santos por causa do aumento da área cultivada com coca. O presidente prometeu enviar 80 mil soldados às áreas antes ocupadas pelas FARC para evitar que sejam controladas por máfias do tráfico de drogas.

Desde o início do ano, as autoridades colombianas apreenderam 362 toneladas de cocaína, superando o total de 2016. A Agência de Repressão às Drogas (DEA) dos EUA estima que o país produza 910 toneladas de cocaína por ano.

Com mais de 2 mil membros, o Clã do Golfo é hoje a maior organização criminosa da Colômbia, superando o Exército de Libertação Nacional (ELN), o maior grupo guerriheiro marxista remanescente depois da paz com as FARC.

Seu líder é Dairo Antonio Úsuga David, mais conhecido pelo nome de guerra, Otoniel. Os EUA oferecem US$ 5 milhões por sua captura vivo ou morto.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

FARC se registram como partido para disputar eleições de 2018

Altos dirigentes das agora desmobilizadas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) registraram o grupo oficialmente ontem no Conselho Nacional Eleitoral, em Bogotá, como partido político, um dos pontos centrais do acordo de paz para acabar com quase 70 anos de guerra civil no país. O novo partido, as Forças Alternativas Revolucionárias do Comum, mantém a sigla FARC.

"Entregamos toda a documentação, inclusive o certificado de entrega das armas do Mecanismo de Monitoramento das Nações Unidas e os outros documentos exigidos pela legislação", declarou o dirigente Jairo Estrada.

Os ex-guerrilheiros preparam agora lista de candidatos do partido à Câmara e ao Senado. Ainda não decidiram se lançam candidato à Presidência. O subcomandante Iván Márquez, principal negociador das FARC, disse que o grupo está pronto a trabalhar com outros partidos para "superar a ordem social antiga e injusta".

Mais de 500 mil pessoas morreram desde que o assassinato do candidato liberal à Presidência da Colômbia Jorge Eliécer Gaitán foi morto em Bogotá, em 9 de abril de 1948. Mais de 2 mil pessoas foram mortas nos dias seguintes, no chamado Bogotazo, e entra 200 e 300 mil na década seguinte, conhecida na Colômbia como o período de La Violencia.

Naquela época, as oposições liberais e de esquerda foram para a clandestinidade para lutar contra o conservadorismo colombiano. No meio da guerra civil, em 1964, nasceram as FARC, como braço armado do Partido Comunista Colombiano, alinhado à União Soviética.

Com o declínio do comunismo como ideologia e o fim da URSS, em 1991, as FARC acabaram se aliando a máfias do tráfico de drogas para financiar a luta armada. Isso permitiu sua sobrevivência muito além dos outros grupos guerrilheiros de esquerda que tentaram tomar o poder na América Latina.

sábado, 30 de setembro de 2017

Líder do ELN ordena cessar-fogo a partir da meia-noite

Todos os guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN), segundo maior grupo rebelde da Colômbia, receberam ordens de cessar fogo a partir da meia-noite deste sábado pela hora local, 2h da madrugada de domingo em Brasília.

A mensagem foi transmitida diretamente pelo comandante Nicolás Rodríguez Bautista, mais conhecido como Gabino, na sexta-feira à noite, através de uma das rádios rebeldes do grupo. É consequência de uma trégua anunciada em 4 de setembro por negociadores do governo colombiano e do ELN. Deve durar de 1º de outubro de 2017 a 12 de janeiro de 2018.

 "Não tenho dúvida da nossa lealdade ao cumprir este compromisso", declarou Gabino, ressaltando que todo o alto comando do ELN apoia o acordo bilateral de cessar-fogo com o governo Juan Manuel Santos. A trégua, acrescentou, trará "um alívio humanitário significativo para a população colombiana, especialmente para os pobres e moradores de zonas de conflito."

Depois do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que está na fase de desmobilização dos guerrilheiros e desarmamento, o presidente Santos negocia a paz com o segundo maior grupo armado colombiano dentro de sua estratégia de pacificação.

A guerrilha já entendeu que a luta armada não faz mais sentido. Resta acertar os termos de sua integração à sociedade civil como partido político. As FARC tinham 7 mil homens em armas. O ELN tem cerca de 1,5 mil.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Colômbia volta a negociar paz com ELN em janeiro

Ao mesmo tempo em que o Congresso ratificava o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o governo colombiano anunciou ontem o reinício, em janeiro de 2017, do diálogo com o Exército de Libertação Nacional (ELN), noticiou o jornal Latin American Herald Tribune.

Em declaração divulgada em Quito, a capital do Equador, onde será realizada a primeira rodada de negociações com o ELN, os representantes do governo manifestaram a esperança de que até lá seja libertado o ex-deputado Odín Sánchez, sequestrado pelo grupo.

O início de negociações de paz entre o governo e o segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia foi anunciado em 27 de outubro, em Quito. Por causa do sequestro de Sánchez, o presidente Juan Manuel Santos não viajou ao Equador.

Em 7 de novembro, o comandante supremo do ELN, Nicolás Rodríguez Bautista, de nome de guerra Gabino, perdão para dois rebeldes capturados pelo governo para soltar o ex-deputado. O governo colombiano respondeu que qualquer perdão "deve cumprir a lei em vigor".

A Colômbia agradeceu à colaboração do Equador e ao apoio de Brasil, Chile, Cuba, Noruega e Venezuela às negociações de paz com o ELN.

Com a ratificação pelo Congresso do acordo de paz com as FARC, os cerca de 7 mil homens em armas devem se concentrar em 20 áreas determinadas e entregar as armas sob a supervisão das Nações Unidas nos próximos seis meses. Mas a guerrilha advertiu que só vai depor as armas depois da aprovação de uma anistia para 2 mil guerrilheiros presos. É a próxima batalha legislativa do presidente Santos.

A oposição ao acordo, liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, considera uma rendição a garantia de vagas no Congresso para as FARC nas duas próximas eleições, independentemente do resultado das urnas.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Congresso aprova novo acordo de paz com as FARC

O Congresso da Colômbia aprovou hoje uma versão revisada do acordo de paz negociado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). A versão original foi rejeitada por pequena margem em referendo realizado em 2 de outubro de 2016.

O acordo de paz foi ratificado ontem no Senado e hoje na Câmara, onde o presidente Juan Manuel Santos tem maioria, sem necessidade de nova consulta popular. Santos ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2016 mesmo com a derrota no referendo.

Apesar de algumas mudanças, os adversários do acordo, liderados pelo ex-presidente Álvaro Uribe, denunciam uma suposta impunidade para os guerrilheiros que durante 52 anos tentaram derrubar o governo colombiano.