Mostrando postagens com marcador Los Lobos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Los Lobos. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de janeiro de 2024

Equador declara guerra aos cartéis do tráfico de drogas

O jovem e inexperiente presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou guerra às máfias do tráfico de drogas e decretou estado de emergência por 60 dias e botou o Exército nas ruas em meio a uma onda de motins em prisões, com a fuga do maior traficante do país, José Adolfo Macías Villamar, o Fito. Em menos de uma década, o Equador, que era considerado um oásis de paz, se transformou num narcoestado.

Vizinho dos maiores produtores de cocaína do mundo, a Colômbia e o Peru, com uma economia dolarizada, o que facilita a lavagem de dinheiro, o Equador se tornou a principal porta de saída da droga para os grandes mercados consumidores da Europa e dos Estados Unidos.

Um alerta soou na campanha eleitoral do ano passado, quando o jornalista e ex-deputado Fernando Villavicencio, que defendia um combate mais duro ao narcotráfico e à corrupção foi assassinado.

Sem poder financeiro nem de fogo para enfrentar máfias ligadas aos grandes cartéis do tráfico mexicanos, o Equador deve seguir o modelo do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que suspendeu as garantias constitucionais e democráticas para combater as gangues e se apresenta como "o ditador mais legal do mundo".

NOTA: Não falei na gravação, mas lembrei depois. Em 10 de maio de 2022, o procurador-geral do Paraguai Marcelo Pecci foi assassinado quando estava em lua de mel numa praia da Colômbia. Entre os principais suspeitos, estava o PCC. O Paraguai é outro país pequeno e relativamente pobre, sem força suficiente para enfrentar as máfias do crime organizado.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Candidato à Presidência do Equador é assassinado em Quito

 O candidato à eleição presidencial de 20 de agosto no Equador Fernando Villavicencio, de centro-direita, foi morto num atentado nesta quarta-feira em Quito às 18h20 pela horal local (20h20 em Brasília). Outras nove pessoas saíram feridas. O suposto atirador também morreu.

Ao sair de um evento de campanha, quando entrava no banco detrás de um carro, ouviram-se pelo menos 12 tiros. Galo Valencia, tio do candidato, falou em 40 disparos. Villavicencio levou três tiros na cabeça. A principal suspeita recai sobre o crime organizado.


A morte foi confirmada pelo presidente Guillermo Lasso e pelo ministro do interior, Juan Zapata. "Indignado e consternado pelo assassinato do candidato presidencial Fernando Villavicencio. Minha solidariedade e minhas condolências a sua esposa e suas filhas. Pela sua memória e por sua luta, asseguro que esse crime não ficará impune", escreveu Lasso no X, o antigo Twitter. A Folha de São Paulo publicou tuítes com a gravação do atentado.

De madrugada, o presidente Lasso decretou estado de emergência por dois meses e convocou o Exército para garantir a segurança das eleições. O Conselho Nacional Eleitoral confirmou a realização das eleições em 20 de agosto. Seis pessoas foram presas. 

Em mensagem na Internet, um grupo de homens armados e mascarados reivindicou a autoria do atentado para a máfia do tráfico Los Lobos, mas suspeita-se que tenha sido forjada. Los Lobos são ligados ao Cartel de Jalisco Nova Geração, do México. O candidato alertou que estava sendo ameaçado pela gangue Los Choneros, a maior do Equador, ligada ao Cartel de Sinaloa, o maior do México. 

Villavicencio, do Movimento Constrói, tinha 59 anos. Era jornalista e crítico dos governos de  Rafael Correa (2007-17) e Guillermo Lasso (2021-23). Denunciou a corrupção no setor de petróleo, inclusive o escândalo da Odebrecht no Equador. Condenado por corrupção, Correa vive no Equador.

Como deputado, Villavicencio presidia a Comissão de Fiscalização da Assembleia Nacional, dissolvida por Lasso em 17 de maio deste ano numa manobra conhecida como "morte cruzada", que encurtou seu próprio mandato. O candidato morto entrou na campanha com a proposta de combater a violência associada ao tráfico de drogas e ao crime organizado, inclusive a mineração e o desmatamento, que pretendia incluir na lei antiterrorismo.

"Hoje o Equador está tomado pelos cartéis de Sinaloa e Jalisco Nova Geração – os dois mexicanos – e pela máfia albanesa. Fica claro para a América Latina o mesmo que aconteceu na Colômbia e no México, que não é possível que o narcotráfico se instale numa sociedade e a submeta sem o conluio e a conivência do poder político", declarou Villavicencio em entrevista à TV CNN en Español em maio passado.

Em 4 de agosto, sua campanha declarou que ele continuaria viajando pelo Equador, apesar das ameaças de morte. Ele declarou: "Seguiremos adiante na luta dos equatorianos valentes que queremos resgatar a pátria das mãos das máfias políticas e do narcotráfico." É um país espremido entre os dois maiores produtores de cocaína do mundo, Colômbia e Peru.

"O Equador se converteu num Estado falido", desabafou o ex-presidente Rafael Correa, eleito na onda de vitórias da esquerda na América Latina no início do século, ao saber da morte de Villavicencio. 

A candidata do movimento correísta Revolução Cidadã, Luisa González, é a favorita com 23% a 30,5% das preferências nas pesquisas. O líder indígena Yakú Pérez e o ex-vice-presidente Otto Sonnenholzner disputam o segundo lugar com 12% a 14%. Villavicencio era o quarto, com 6,8% a 12%.

Se nenhum dos oito candidatos conseguir mais da metade dos votos ou mais de 40% e uma vantagem de pelo menos 10 pontos percentuais sobre o segundo colocado, haverá segundo turno em 15 de outubro de 2023. O presidente eleito vai governar por apenas um ano e meio, até maio de 2025, para completar o mandato de Lasso.