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segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Empresário surpreende e vai disputar segundo turno no Equador

 A esquerdista Luisa González, do movimento correísta Revolução Cidadã, liderado pelo ex-presidente Rafael Correa (2007-17), e o empresário Daniel Noboa, da Aliança Democrática Nacional (ADN), devem disputar o segundo turno da eleição presidencial extraordinária no Equador em 15 de outubro.

Com 74% das urnas apuradas, González lidera com 33,17% dos votos contra 24,12% para Noboa, a grande surpresa desta eleição. Em terceiro lugar, com 16,33%, está Christian Zurita, do Movimento Constrói. Ele substituiu o ex-deputado Fernando Villavicencio, assassinado em 9 de agosto por máfias do tráfico de drogas. Logo atrás, vem o ex-militar e empresário Jan Topic, com 14,6%.

Daniel Noboa, de 35 anos, filho do magnata Álvaro Noboa, que disputou a Presidência do Equador cinco vezes sem sucesso, não estava no segundo turno em nenhuma pesquisa. Seu sucesso é atribuído ao desempenho no único debate, realizado em 13 de agosto

Desde já, Noboa é o favorito como candidato anticorreísta. Assim, deve receber o apoio do partido de Villavicencio, que combatia o narcotráfico e a corrupção de Correa, que vive no México depois de ser condenado em escândalo envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, e também de Topic.

Luisa González, de 45 anos, agradeceu ao eleitorado feminino, destacou que é a primeira mulher a receber uma grande votação em eleição presidencial no Equador, pediu a união dos equatorianos e atacou Noboa como candidato da elite econômica: "Temos de votar bem. Não podemos ter um Lasso 2.0."

Quem vencer vai governar por apenas um ano e meio, até maio de 2025 para completar o mandato do presidente Guillermo Lasso (2021-23), que dissolveu a Assembleia Nacional e encurtou seu próprio governo, em 17 de maio, ao apelar para um dispositivo constitucional conhecido como "morte cruzada" para escapar de um processo de impeachment.

O Equador foi às urnas em meio a uma crise econômica e onda de violência, com extorsões, sequestros e assassinatos cometidos principalmente por gangues do tráfico de drogas. A morte de Villavicencio é atribuída a um grupo chamado Los Choneros, braço equatoriano do Cartel de Sinaloa, o maior do México. 

Nos últimos cinco anos, a taxa de homicídios cresceu de 5,8 para 25,9 para cada 100 mil habitantes. Em 2023, deve ser ainda maior. Já foram registrados 4,3 mil assassinatos, mais do que no ano passado. 

Assim, o maior desafio do novo governo é combater a violência. Na campanha, o candidato Jan Topic, da Aliança País sem Medio, defendeu a adoção dos métodos do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, acusado de violar os direitos humanos na luta contra as gangues que assolavam o país.

Em plebiscito realizado junto com a eleição, 59% dos equatorianos votaram contra a exploração de petróleo no parque nacional de Yasuní, na região amazônica do país.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Candidato à Presidência do Equador é assassinado em Quito

 O candidato à eleição presidencial de 20 de agosto no Equador Fernando Villavicencio, de centro-direita, foi morto num atentado nesta quarta-feira em Quito às 18h20 pela horal local (20h20 em Brasília). Outras nove pessoas saíram feridas. O suposto atirador também morreu.

Ao sair de um evento de campanha, quando entrava no banco detrás de um carro, ouviram-se pelo menos 12 tiros. Galo Valencia, tio do candidato, falou em 40 disparos. Villavicencio levou três tiros na cabeça. A principal suspeita recai sobre o crime organizado.


A morte foi confirmada pelo presidente Guillermo Lasso e pelo ministro do interior, Juan Zapata. "Indignado e consternado pelo assassinato do candidato presidencial Fernando Villavicencio. Minha solidariedade e minhas condolências a sua esposa e suas filhas. Pela sua memória e por sua luta, asseguro que esse crime não ficará impune", escreveu Lasso no X, o antigo Twitter. A Folha de São Paulo publicou tuítes com a gravação do atentado.

De madrugada, o presidente Lasso decretou estado de emergência por dois meses e convocou o Exército para garantir a segurança das eleições. O Conselho Nacional Eleitoral confirmou a realização das eleições em 20 de agosto. Seis pessoas foram presas. 

Em mensagem na Internet, um grupo de homens armados e mascarados reivindicou a autoria do atentado para a máfia do tráfico Los Lobos, mas suspeita-se que tenha sido forjada. Los Lobos são ligados ao Cartel de Jalisco Nova Geração, do México. O candidato alertou que estava sendo ameaçado pela gangue Los Choneros, a maior do Equador, ligada ao Cartel de Sinaloa, o maior do México. 

Villavicencio, do Movimento Constrói, tinha 59 anos. Era jornalista e crítico dos governos de  Rafael Correa (2007-17) e Guillermo Lasso (2021-23). Denunciou a corrupção no setor de petróleo, inclusive o escândalo da Odebrecht no Equador. Condenado por corrupção, Correa vive no Equador.

Como deputado, Villavicencio presidia a Comissão de Fiscalização da Assembleia Nacional, dissolvida por Lasso em 17 de maio deste ano numa manobra conhecida como "morte cruzada", que encurtou seu próprio mandato. O candidato morto entrou na campanha com a proposta de combater a violência associada ao tráfico de drogas e ao crime organizado, inclusive a mineração e o desmatamento, que pretendia incluir na lei antiterrorismo.

"Hoje o Equador está tomado pelos cartéis de Sinaloa e Jalisco Nova Geração – os dois mexicanos – e pela máfia albanesa. Fica claro para a América Latina o mesmo que aconteceu na Colômbia e no México, que não é possível que o narcotráfico se instale numa sociedade e a submeta sem o conluio e a conivência do poder político", declarou Villavicencio em entrevista à TV CNN en Español em maio passado.

Em 4 de agosto, sua campanha declarou que ele continuaria viajando pelo Equador, apesar das ameaças de morte. Ele declarou: "Seguiremos adiante na luta dos equatorianos valentes que queremos resgatar a pátria das mãos das máfias políticas e do narcotráfico." É um país espremido entre os dois maiores produtores de cocaína do mundo, Colômbia e Peru.

"O Equador se converteu num Estado falido", desabafou o ex-presidente Rafael Correa, eleito na onda de vitórias da esquerda na América Latina no início do século, ao saber da morte de Villavicencio. 

A candidata do movimento correísta Revolução Cidadã, Luisa González, é a favorita com 23% a 30,5% das preferências nas pesquisas. O líder indígena Yakú Pérez e o ex-vice-presidente Otto Sonnenholzner disputam o segundo lugar com 12% a 14%. Villavicencio era o quarto, com 6,8% a 12%.

Se nenhum dos oito candidatos conseguir mais da metade dos votos ou mais de 40% e uma vantagem de pelo menos 10 pontos percentuais sobre o segundo colocado, haverá segundo turno em 15 de outubro de 2023. O presidente eleito vai governar por apenas um ano e meio, até maio de 2025, para completar o mandato de Lasso.