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domingo, 13 de abril de 2025

Daniel Noboa é reeleito presidente do Equadoor

 O presidente conservador Daniel Noboa foi reeleito neste domingo em segundo turno no Equador. Com mais de 90% dos votos apurados, o presidente tem uma vantagem de mais de um milhão de votos e 12 pontos percentuais (56% a 42%) sobre a candidata de esquerda, Luisa González, que não reconheceu a derrota e pediu recontagem dos votos.

"Recuso-me a acreditar que o povo preferiria mentiras em vez da verdade, violência em vez da paz e da unidade", declarou González, do partido Revolução Cidadã, liderado pelo ex-presidente Rafael Correa, exilado na Bélgica depois de ser condenado por corrupção. "Vamos exigir uma recontagem e que abram as urnas."

Tanto a Organização dos Estados Americanos (OEA) quanto a União Europeia, que enviaram missões observadora, consideraram a eleição limpa e justa. Na véspera da eleição, Noboa decretou estado de emergência em sete estados em que González era favorita, levantando suspeitas de intimidação do eleitorado. O presidente afirmou que a medida era para conter a violência.

A campanha foi marcada pelo maior problema enfrentado pelo Equador hoje, a violência das máfias do tráfico de drogas, com a penetração no país dos cartéis do México. Para combater essas gangues, Noboa militarizou a polícia e as prisões. 

Os dois candidatos que chegaram ao segundo turno terminaram o primeiro praticamente empatados com pouco mais de 44% dos votos cada um. De acordo com a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Diana Atameint, 84% dos eleitores inscritos votaram no segundo turno.

Daniel Noboa é filho de Álvaro Noboa, o homem mais rico do país, magnata das bananas, que tentou ser presidente do Equadir cinco vezes, sem sucesso. Ele foi eleito em 15 de outubro de 2023 para concluir o mandato do presidente Guillermo Lasso, que vai até maio. Agora, terá a chance de governar por um mandato inteiro de 4 anos.

Na campanha, Noboa se apresentou como o candidato da lei, da ordem e da segurança pública, mas até aqui teve pouco sucesso no combate aos maiores problemas do Equador: a violência dos traficantes de drogas e o desemprego.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Presidente e candidata de Correa disputam segundo turno no Equador

O presidente conservador Daniel Noboa e a candidata esquerdista Luisa González vão disputar em 13 de abril o segundo turno da eleição presidencial no Equador. Uma pesquisa de boca de urna chegou a dar maioria absoluta para o presidente, mas o resultado final do primeiro turno foi apertado: 44.43% para Noboa e 44,17% para González.

Os dois disputaram o segundo turno da eleição presidencial de 2023, quando Noboa, da Ação Democrática Nacional (ADN), foi a grande surpresa. Não se esperava que chegasse ao segundo turno, quando teve 51,83% dos votos contra 48,17% para González, da Revolução Cidadã (RC), liderada pelo ex-presidente Rafael Correa. 

O ex-presidente está exilado na Bélgica para escapar de uma pena de 8 anos de prisão por corrupção por receber propina de empresas, inclusive da construtora brasileira Odebrecht, com provas obtidas na Operação Lava Jato.

A eleição de 2023 foi realizada sob estado de exceção, sob o impacto do assassinato do candidato Fernando Villavicencio pela máfia do tráfico de drogas Los Lobos, ligada ao Cartel de Jalisco Nova Geração, do México. 

Espremido entre os maiores produtores de cocaína do mundo, Colômbia e Peru, o Equador tem poucos recursos para enfrentar os traficantes. Isto levou o país a ter a maior taxa da homicídios da América do Sul e a sétima do mundo em 2022: 27 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Em 2023, 8 mil pessoas foram mortas na guerra do tráfico.

Assim, a segurança foi o tema central da campanha em 2023 e de novo agora, à frente da crise econômica, do desemprego e do custo de vida. 

As eleições foram próximas porque a anterior foi para um mandato-tampão para concluir o período do presidente Guillermo Lasso, que dissolveu a Assembleia Nacional em 17 de maio de 2023 para escapar de um processo de impeachment, numa manobra conhecida como "morte cruzada", que força a realização de novas eleições presidencial e legislativas – e decidiu não concorrer.

No domingo, pouco mais de 11 milhões dos 13,7 milhões de eleitores equatorianos votaram para presidente, vice-presidente e os 100 deputados da Assembleia Nacional. Todos cumprem mandatos de quatro anos. Nenhum partido deve ter maioria absoluta no novo parlamento.

Daniel Noboa é filho de Álvaro Noboa, magnata do setor bananeiro e homem mais rico do Equador, que disputou a Presidência sem sucesso cinco vezes. Personalista, o atual presidente promete manter o "conflito armado interno". Concentrou a campanha nas redes sociais para atrair o eleitorado jovem de 18 a 30 anos. 

Noboa acusou os governos anteriores, de Lasso e Correa, de corrupção e ligação com o narcotráfico. Fala num "novo Equador". Encerrou sua participação no debate na televisão com a frase: "A velha política ao lixo."

Luisa González atacou as violações dos direitos humanos cometidas pelo governo na luta contra o narcotráfico. Em oposição ao personalismo de Noboa, na linha de seu padrinho político Correa, ela aposta na democracia participativa reconstituindo as assembleias comunitárias e na democratização do acesso à saúde e educação. 

Seu plano para a segurança pública tem foco na ação social para combater o crime, na reinserção social dos criminosos e na defesa dos direitos humanos. Ela também defende a geração de empregos através de "obras públicas comunitárias" e na transição energética para uma economia pós-petróleo. O Equador era membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Saiu em 2020.

Em política externa, González defende a integração regional através de organismos como a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), o que a aproxima do governo Lula.

Ela teve cerca de 4,1 milhões de votos no primeiro turno. De acordo com os analistas políticos da consultoria Celegdata, precisa de 4,7 milhões para vencer no segundo turno. Os outros candidatos de oposição a Noboa somaram 467 mil votos. Se González conquistar 90% desses eleitores, será a primeira mulher a presidir o Equador. 

O voto indígena será decisivo. Nos 10 anos antes da eleição de Correa, o Equador teve sete presidentes. Três foram derrubados pelo movimento indígena. Os índios são 13% da população e os mestiços 71%. Leónidas Iza, do Movimento Pachakutik, partido ligado à Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), teve 5,26% dos votos no primeiro turno. O movimento ainda não definiu sua posição para o segundo turno

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou apoio a ela. Os dois países romperam relações depois que a polícia equatoriana violou a imunidade diplomática e invadiu a embaixada mexicana em Quito para prender o ex-vice-presidente Jorge Glas, em 5 de abril do ano passado. Glas foi condenado duas vezes, a 6 e 8 anos de prisão, inclusive com provas colhidas pela Operação Lava Jato. Sheinbaum quer reatar as relações.

Com 18,2 milhões de habitantes, o Equador é um dos dois únicos países da América do Sul, ao lado do Chile, sem fronteira com o Brasil. É um dos 17 países megadiversos do mundo, com a maior diversidade biológica por metro quatro. As Ilhas Galápagos têm uma fauna única que influenciou o desenvolvimento da Teoria da Evolução das Espécies pelo naturalista britânico Charles Darwin. É o único país do mundo com uma Constituição que garante os direitos da natureza.

domingo, 15 de outubro de 2023

Magnata vence eleição presidencial no Equador

 O candidato liberal Daniel Noboa realizou o sonho do pai, Álvaro Noboa, cinco vezes candidato sem sucesso, e se tornou o mais jovem presidente da história do Equador.

 Com mais de 90% dos votos apurados, Noboa, da Ação Democrática Nacional (ADN) vence no segundo turno por 52,3% a 47,7% Luisa González, do Movimento Revolução Cidadã (MRC), liderado pelo ex-presidente Rafael Correa, (2007-17) que foi condenado por corrupção e está exilado na Bélgica.

A eleição equatoriana foi perturbada pelo assassinato do candidato Fernando Villavicencio, que fazia campanha contra as máfias do tráfico de drogas e foi morto por uma delas em 9 de agosto, 11 dias antes do primeiro turno.

Aos 35 anos, Noboa será o mais jovem presidente do Equador, mas seu mandato será de apenas um ano e e cinco meses, de dezembro deste ano a maio de 2025. Ele vai completar o período do presidente Guillermo Lasso. 

Para escapar de um processo de impeachment, Lasso dissolveu a Assembleia Nacional em 17 de maio numa manobra conhecida como morte cruzada, que acabou ao mesmo tempo com seu governo. Desde já, Noboa é candidato à reeleição.

A família Noboa é dona de um império empresarial que começou com a exportação de bananas. O pai enfrentou resistência e não conseguiu ser presidente porque era visto como representante da elite econômica.

Daniel Noboa Azin não era considerado um candidato forte. No primeiro turno, nenhuma pesquisa o colocava no segundo turno. Para se diferenciar do pai, ele fez campanha abraçando algumas causas progressistas como ênfase na educação e apoio à comunidade LBGTQIAP+. No debate final na televisão, ele se apresentou como alternativa ao correísmo e mostrou mais conhecimento de temas essenciais do que os favoritos.

Seu programa tem dois pontos centrais: o combate à violência e ao crime organizado e a geração de empregos para os jovens com incentivos fiscais para empresas que contratarem jovens. Sem maioria numa Assembleia Nacional fragmentada onde a oposição correísta terá a maior bancada, Noboa não terá vida fácil com o Poder Legislativo.

Sob o impacto da ação de máfias ligadas aos cartéis do tráfico de drogas do México, o Equador enfrenta a maior crise de segurança de sua história, com 4,3 mil assassinatos nos primeiros sete meses de 2023. Ele propõe instalar prisões em barcaças para deixar criminosos perigosos longe da costa, sem condições de administrar seus negócios criminosos de dentro do cárcere.

A proposta gerou críticas porque o tempo é curto e o código penal equatoriano não prevê o isolamento como pena.

A morte de Villavicencio não foi totalmente esclarecida. Os seis colombianos presos foram assassinados na cadeia.

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Empresário surpreende e vai disputar segundo turno no Equador

 A esquerdista Luisa González, do movimento correísta Revolução Cidadã, liderado pelo ex-presidente Rafael Correa (2007-17), e o empresário Daniel Noboa, da Aliança Democrática Nacional (ADN), devem disputar o segundo turno da eleição presidencial extraordinária no Equador em 15 de outubro.

Com 74% das urnas apuradas, González lidera com 33,17% dos votos contra 24,12% para Noboa, a grande surpresa desta eleição. Em terceiro lugar, com 16,33%, está Christian Zurita, do Movimento Constrói. Ele substituiu o ex-deputado Fernando Villavicencio, assassinado em 9 de agosto por máfias do tráfico de drogas. Logo atrás, vem o ex-militar e empresário Jan Topic, com 14,6%.

Daniel Noboa, de 35 anos, filho do magnata Álvaro Noboa, que disputou a Presidência do Equador cinco vezes sem sucesso, não estava no segundo turno em nenhuma pesquisa. Seu sucesso é atribuído ao desempenho no único debate, realizado em 13 de agosto

Desde já, Noboa é o favorito como candidato anticorreísta. Assim, deve receber o apoio do partido de Villavicencio, que combatia o narcotráfico e a corrupção de Correa, que vive no México depois de ser condenado em escândalo envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, e também de Topic.

Luisa González, de 45 anos, agradeceu ao eleitorado feminino, destacou que é a primeira mulher a receber uma grande votação em eleição presidencial no Equador, pediu a união dos equatorianos e atacou Noboa como candidato da elite econômica: "Temos de votar bem. Não podemos ter um Lasso 2.0."

Quem vencer vai governar por apenas um ano e meio, até maio de 2025 para completar o mandato do presidente Guillermo Lasso (2021-23), que dissolveu a Assembleia Nacional e encurtou seu próprio governo, em 17 de maio, ao apelar para um dispositivo constitucional conhecido como "morte cruzada" para escapar de um processo de impeachment.

O Equador foi às urnas em meio a uma crise econômica e onda de violência, com extorsões, sequestros e assassinatos cometidos principalmente por gangues do tráfico de drogas. A morte de Villavicencio é atribuída a um grupo chamado Los Choneros, braço equatoriano do Cartel de Sinaloa, o maior do México. 

Nos últimos cinco anos, a taxa de homicídios cresceu de 5,8 para 25,9 para cada 100 mil habitantes. Em 2023, deve ser ainda maior. Já foram registrados 4,3 mil assassinatos, mais do que no ano passado. 

Assim, o maior desafio do novo governo é combater a violência. Na campanha, o candidato Jan Topic, da Aliança País sem Medio, defendeu a adoção dos métodos do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, acusado de violar os direitos humanos na luta contra as gangues que assolavam o país.

Em plebiscito realizado junto com a eleição, 59% dos equatorianos votaram contra a exploração de petróleo no parque nacional de Yasuní, na região amazônica do país.