A Frente de Guerrilha Urbana do Exército de Libertação Nacional da Colômbia (ELN) assumiu a responsabilidade por um atentado a bomba contra uma delegacia de polícia da cidade de Barranquilla em que cinco agentes foram mortos e outros 41 saíram feridos.
"O ELN, no exercício do direito legítimo de rebelião, realizou uma ação militar", declarou um comunicado atribuído ao grupo. "A as forças policiais da delegacia de São José, no Sul de Barranquilla, foram atacadas."
Ao justificar o ataque, o ELN acusou o governo de "se recusa a dar respostas às necessidades do povo, está inventando desculpas para não garantir seus direitos e usa as forças públicas para reprimir o povo."
Um homem de 31 anos identificado como Cristian Camilo Bellon Galindo foi preso sob a acusação de colaborar com o ataque no litoral caribenho da Colômbia. Será denunciado por cinco acusações de terrorismo e 42 de tentativa de assassinato, terrorismo agravado e uso de explosivos.
Depois do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o maior grupo guerrilheiro em atividade no país, o governo colombiano iniciou no ano passado negociações com o ELN, o segundo maior grupo.
O diálogo foi suspenso em 10 de janeiro de 2018 em meio a uma onda de ataques do ELN depois do fim de um cessar-fogo bilateral de 100 dias. Houve um atentado na cidade de Soledade, na região metropolitana de Barranquilla e outro contra uma delegacia de polícia em Santa Rosa, na província de Bolívar.
Enquanto o ELN volta a uma luta armada que não faz mais sentido, o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, de nome de guerra Timochenko, vai disputar a eleição presidencial deste ano na Colômbia.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
ELN reivindica autoria de ataque a bomba contra delegacia na Colômbia
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segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Colômbia e FARC assinam acordo de paz histórico
Depois de 52 anos de guerra civil e quatro de negociações, o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) assinaram hoje à noite na cidade de Cartagena um acordo de paz histórico, pondo fim a um conflito que matou cerca de 300 mil pessoas.
"Sejam bem-vindos à democracia", declarou o presidente Juan Manuel Santos depois de assinar o acordo juntamente com o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelos nomes de guerra de Timoleón Jiménez ou Timochenko, diante de 15 presidentes latino-americanos e do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon.
O acordo precisa agora ser referendado nas urnas numa consulta popular convocada para o próximo domingo, 2 de outubro de 2016.
Bogotá está em festa. Pelo menos 13 mil pessoas se reuniram na Praça de Bolívar, no centro da capital colombiana, para acompanhar a assinatura do acordo de paz e festejar ao som de rock, rap, reggae e música caribenha.
O acordo prevê a concentração dos cerca de 8 mil guerrilheiros das FARC em zonas determinadas para entrega das armas, sua desmobilização e integração à vida civil. Quem cometeu crimes contra a humanidade não terá direito a anistia. Terá de responder a processo em tribunais especiais.
Para a Colômbia chegar à paz depois de décadas de guerra civil, falta agora o Exército de Libertação Nacional (ELN), outro grupo guerrilheiro marxista. Como o ELN reluta em negociar, há o temor de que alguns rebeldes das FARC simplesmente mudem para outro grupo.
A guerra civil colombiana começou em 9 de abril de 1948, com o assassinato do advogado Jorge Eliécer Gaitán, candidato do Partido Liberal à Presidência. Sua morte deflagrou uma explosão de violência, o Bogotaço. Mais de 2 mil pessoas foram mortas em 24 horas.
Era o início de um período de uma década conhecido na história da Colômbia como La Violencia, em que 200 mil pessoas foram mortas em conflitos políticos entre o Partido Conservador e o Partido Liberal que reviveram o conflito social histórico da Colômbia, que inclui a Guerra dos Mil Dias. Naquela década, liberais e esquerdistas foram para a clandestinidade.
As FARC nasceram em 1964 como braço armado do Partido Comunista Colombiano, de orientação soviética. Com o declínio do comunismo e o fim da União Soviética, a guerrilha passou a recorrer a sequestros, extorsão e tráfico de drogas para se financiar.
"Sejam bem-vindos à democracia", declarou o presidente Juan Manuel Santos depois de assinar o acordo juntamente com o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelos nomes de guerra de Timoleón Jiménez ou Timochenko, diante de 15 presidentes latino-americanos e do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon.
O acordo precisa agora ser referendado nas urnas numa consulta popular convocada para o próximo domingo, 2 de outubro de 2016.
Bogotá está em festa. Pelo menos 13 mil pessoas se reuniram na Praça de Bolívar, no centro da capital colombiana, para acompanhar a assinatura do acordo de paz e festejar ao som de rock, rap, reggae e música caribenha.
O acordo prevê a concentração dos cerca de 8 mil guerrilheiros das FARC em zonas determinadas para entrega das armas, sua desmobilização e integração à vida civil. Quem cometeu crimes contra a humanidade não terá direito a anistia. Terá de responder a processo em tribunais especiais.
Para a Colômbia chegar à paz depois de décadas de guerra civil, falta agora o Exército de Libertação Nacional (ELN), outro grupo guerrilheiro marxista. Como o ELN reluta em negociar, há o temor de que alguns rebeldes das FARC simplesmente mudem para outro grupo.
A guerra civil colombiana começou em 9 de abril de 1948, com o assassinato do advogado Jorge Eliécer Gaitán, candidato do Partido Liberal à Presidência. Sua morte deflagrou uma explosão de violência, o Bogotaço. Mais de 2 mil pessoas foram mortas em 24 horas.
Era o início de um período de uma década conhecido na história da Colômbia como La Violencia, em que 200 mil pessoas foram mortas em conflitos políticos entre o Partido Conservador e o Partido Liberal que reviveram o conflito social histórico da Colômbia, que inclui a Guerra dos Mil Dias. Naquela década, liberais e esquerdistas foram para a clandestinidade.
As FARC nasceram em 1964 como braço armado do Partido Comunista Colombiano, de orientação soviética. Com o declínio do comunismo e o fim da União Soviética, a guerrilha passou a recorrer a sequestros, extorsão e tráfico de drogas para se financiar.
sábado, 24 de setembro de 2016
Conferência das FARC aprova acordo de paz com governo
A 10ª Conferência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) aprovou ontem à noite o acordo de paz negociado nos últimos quatro anos com o governo colombiano para pôr fim a mais de 50 anos de guerra civil.
A decisão unânime foi tomada no fim da conferência convocada para preparar os guerrilheiros das FARC para entregar as armas e se reintegrar à vida civil como um partido político de esquerda com uma anistia parcial que levará alguns a tribunais especiais e à prisão. O encontro foi realizado na planície de Yari, um dos redutos dos guerrilheiros no Sul da Colômbia.
O acordo de paz será assinado em 26 de setembro de 2016 na cidade histórica de Cartagena pelo presidente Juan Manuel Santos e o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelo nomes de guerra de Timoleón Jiménez e Timochenko.
Em 2 de outubro, o acordo será submetido a um referendo popular. O governo Santos e a oposição de esquerda apoiam o voto sim, enquanto a oposição conservadora linha-dura liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe defende a rejeição ao acordo, alegando que faz concessões demais aos guerrilheiros.
As pesquisas dão mais de 60% para o sim. Se o não ganhar, o governo adverte que o conflito armado pode se arrastar por mais uma década.
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segunda-feira, 29 de agosto de 2016
Comandante das FARC ordena cessar-fogo definitivo a partir de hoje
Daqui a uma hora e meia, à meia-noite deste domingo pelo horário colombiano, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) iniciam um cessar-fogo definitivo ordenado por seu comandante supremo, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelos nomes de guerra Timoleón Jiménez ou Timochenko.
"Ordeno a todos os nossos comandos, a todas as unidades, a todos e a cada um de nossos e nossas combatentes a cessar fogo e as hostilidades de maneira definitiva contra o Estado colombiano a partir das 24 horas da noite de hoje", declarou Timochenko a jornalistas em Havana.
Depois de quatro anos de negociações em Cuba, um acordo foi anunciado na semana passada para pôr fim a 52 anos de luta armada para tentar impor um regime comunista. O acordo de paz deve ser assinado dentro de um mês na Colômbia por Timochenko e o presidente Juan Manuel Santos.
Em 2 de outubro, o acordo com as FARC será submetido a um referendo para obter a aprovação popular. Cerca de 60% dos colombianos são a favor do acordo, mas o resultado pode ser apertado porque o ex-presidente Álvaro Uribe, de quem Santos era ministro da Defesa, é contra a anistia parcial aos guerrilheiros.
O pai de Uribe foi sequestrado e morto. Durante o governo Uribe, as Forças Armadas da Colômbia obtiveram grandes vitórias na guerra contra as FARC, levando o grupo a negociar com Santos numa posição de clara inferioridade no campo de batalha depois de tentativas fracassadas nos governos Ernesto Samper e Andrés Pastrana.
Com as centenas de milhões de dólares que ganhavam com o tráfico de drogas, os guerrilheiros não viam razão para abandonar as armas e se integrar à sociedade. Ainda havia o precedente da União Patriótica, fundada em 1985 por ex-guerrilheiros, que teve mais de mil candidatos assassinados, inclusive à Presidência da Colômbia.
A paz com as FARC praticamente encerra uma guerra civil iniciada com o assassinato, em 9 de abril de 1948, do candidato liberal à Presidência da Colômbia, Jorge Eliécer Gaitán, que deflagrou uma explosão de violência, o Bogotaço. Mais de 2 mil pessoas foram mortas em 24 horas.
Era o início de um período de uma década na história da Colômbia conhecido como La Violencia, em que 200 a 300 mil. Naquela época, as oposições liberal e de esquerda foram para a clandestinidade. Nesta clima de violência política histórica, sem espaço para uma oposição de esquerda, as FARC nasceram em 1964 como braço armado do Partido Comunista Colombiano, de orientação soviética.
Com o declínio do comunismo como ideologia do financiamento da União Soviética, extinta em 1991, as FARC se reinventaram como um grupo narcoguerrilheiro, passando a traficar drogas para se financiar como historicamente faziam os grupos paramilitares de direita que combatiam os guerrilheiros de esquerda nas zonas rurais.
Mais 220 mil pessoas foram mortas e outras 90 mil desapareceram na guerra civil deflagrada pelas FARC. Cerca de 6,9 milhões fugiram de casa. Ao todo, desde 1948, o total de mortos na guerra civil colombiana é estimado entre 500 e 600 mil pessoas.
Resta ainda o Exército de Libertação Nacional (ELN), um grupo guerrilheiro marxista cristão, que resiste, mas não tem alternativa. Ao anunciar seu acordo de paz, as FARC aconselharam o ELN a fazer o mesmo. O governo teme que o grupo tente recrutar guerrilheiros e ocupar áreas que estavam em poder das FARC.
"Ordeno a todos os nossos comandos, a todas as unidades, a todos e a cada um de nossos e nossas combatentes a cessar fogo e as hostilidades de maneira definitiva contra o Estado colombiano a partir das 24 horas da noite de hoje", declarou Timochenko a jornalistas em Havana.
Depois de quatro anos de negociações em Cuba, um acordo foi anunciado na semana passada para pôr fim a 52 anos de luta armada para tentar impor um regime comunista. O acordo de paz deve ser assinado dentro de um mês na Colômbia por Timochenko e o presidente Juan Manuel Santos.
Em 2 de outubro, o acordo com as FARC será submetido a um referendo para obter a aprovação popular. Cerca de 60% dos colombianos são a favor do acordo, mas o resultado pode ser apertado porque o ex-presidente Álvaro Uribe, de quem Santos era ministro da Defesa, é contra a anistia parcial aos guerrilheiros.
O pai de Uribe foi sequestrado e morto. Durante o governo Uribe, as Forças Armadas da Colômbia obtiveram grandes vitórias na guerra contra as FARC, levando o grupo a negociar com Santos numa posição de clara inferioridade no campo de batalha depois de tentativas fracassadas nos governos Ernesto Samper e Andrés Pastrana.
Com as centenas de milhões de dólares que ganhavam com o tráfico de drogas, os guerrilheiros não viam razão para abandonar as armas e se integrar à sociedade. Ainda havia o precedente da União Patriótica, fundada em 1985 por ex-guerrilheiros, que teve mais de mil candidatos assassinados, inclusive à Presidência da Colômbia.
A paz com as FARC praticamente encerra uma guerra civil iniciada com o assassinato, em 9 de abril de 1948, do candidato liberal à Presidência da Colômbia, Jorge Eliécer Gaitán, que deflagrou uma explosão de violência, o Bogotaço. Mais de 2 mil pessoas foram mortas em 24 horas.
Era o início de um período de uma década na história da Colômbia conhecido como La Violencia, em que 200 a 300 mil. Naquela época, as oposições liberal e de esquerda foram para a clandestinidade. Nesta clima de violência política histórica, sem espaço para uma oposição de esquerda, as FARC nasceram em 1964 como braço armado do Partido Comunista Colombiano, de orientação soviética.
Com o declínio do comunismo como ideologia do financiamento da União Soviética, extinta em 1991, as FARC se reinventaram como um grupo narcoguerrilheiro, passando a traficar drogas para se financiar como historicamente faziam os grupos paramilitares de direita que combatiam os guerrilheiros de esquerda nas zonas rurais.
Mais 220 mil pessoas foram mortas e outras 90 mil desapareceram na guerra civil deflagrada pelas FARC. Cerca de 6,9 milhões fugiram de casa. Ao todo, desde 1948, o total de mortos na guerra civil colombiana é estimado entre 500 e 600 mil pessoas.
Resta ainda o Exército de Libertação Nacional (ELN), um grupo guerrilheiro marxista cristão, que resiste, mas não tem alternativa. Ao anunciar seu acordo de paz, as FARC aconselharam o ELN a fazer o mesmo. O governo teme que o grupo tente recrutar guerrilheiros e ocupar áreas que estavam em poder das FARC.
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quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Colômbia e FARC prometem paz definitiva em seis meses
O governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) divulgaram hoje comunicado conjunto em Havana anunciando um acordo provisório para pôr fim a 50 anos de guerra civil e prometeram a paz definitiva em seis meses. Se houver acordo, os guerrilheiros devem entregar as armas em 60 dias.
As negociações de paz iniciadas em 2012 estavam num impasse em torno do julgamento dos acusados de cometer crimes. Hoje o presidente Juan Manuel Santos foi pessoalmente a Cuba para fechar um acordo que prevê a criação de um tribunal especial de paz com duas câmaras, uma para os que aceitarem se submeter à Justiça e outra para investigar os demais casos.
Um triplo aperto de mãos entre o presidente da Colômbia, o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, de nome de guerra Timochenko, e o ditador de Cuba, Raúl Castro, selou o acordo de hoje. "Este é o caminho para uma paz sem impunidade", como exige a sociedade colombiana, declarou Santos.
Desde o assassinato do candidato liberal à Presidência Jorge Eliécer Gaitán, em 9 de abril de 1948, que deflagrou o Bogotazo, com a morte de 2 mil pessoas num dia na capital da Colômbia, e um período conhecido como La Violencia, o total de mortos na guerra civil colombiana passa de 500 mil.
As FARC, braço armado do Partido Comunista Colombiano, nasceram quando a esquerda estava na clandestinidade por causa de La Violencia. Lutavam desde 1964 para impor uma ditadura marxista-leninista num país oligárquico, com grande concentração da riqueza e da propriedade da terra. Outros grupos de esquerda, paramilitares de direita e cartéis do tráfico de drogas também participaram do conflito. Mais de 220 mil pessoas foram mortas nesta guerra das FARC.
Com base no acordo de hoje, podem ser processados não apenas os guerrilheiros, destacou o presidente colombiano, mas "todos os que participaram do conflito de maneira direta ou indireta, inclusive agentes do Estado e em particular os membros da força pública".
O governo colombiano promete dar a "anistia mais ampla possível" para questões políticas, mas deixará de fora crimes de lesa humanidade, genocídio e crimes de guerra graves, que serão examinados pelo tribunal especial.
Timochenko manifestou "satisfação" com o acordo sobre os tribunais: "Corresponde às partes agora multiplicar esforços para a construção de consensos que nos aproximem de um cessar-fogo bilateral, definições sobre a entrega das armas e a transformação das FARC num movimento político legal."
As negociações de paz iniciadas em 2012 estavam num impasse em torno do julgamento dos acusados de cometer crimes. Hoje o presidente Juan Manuel Santos foi pessoalmente a Cuba para fechar um acordo que prevê a criação de um tribunal especial de paz com duas câmaras, uma para os que aceitarem se submeter à Justiça e outra para investigar os demais casos.
Um triplo aperto de mãos entre o presidente da Colômbia, o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, de nome de guerra Timochenko, e o ditador de Cuba, Raúl Castro, selou o acordo de hoje. "Este é o caminho para uma paz sem impunidade", como exige a sociedade colombiana, declarou Santos.
Desde o assassinato do candidato liberal à Presidência Jorge Eliécer Gaitán, em 9 de abril de 1948, que deflagrou o Bogotazo, com a morte de 2 mil pessoas num dia na capital da Colômbia, e um período conhecido como La Violencia, o total de mortos na guerra civil colombiana passa de 500 mil.
As FARC, braço armado do Partido Comunista Colombiano, nasceram quando a esquerda estava na clandestinidade por causa de La Violencia. Lutavam desde 1964 para impor uma ditadura marxista-leninista num país oligárquico, com grande concentração da riqueza e da propriedade da terra. Outros grupos de esquerda, paramilitares de direita e cartéis do tráfico de drogas também participaram do conflito. Mais de 220 mil pessoas foram mortas nesta guerra das FARC.
Com base no acordo de hoje, podem ser processados não apenas os guerrilheiros, destacou o presidente colombiano, mas "todos os que participaram do conflito de maneira direta ou indireta, inclusive agentes do Estado e em particular os membros da força pública".
O governo colombiano promete dar a "anistia mais ampla possível" para questões políticas, mas deixará de fora crimes de lesa humanidade, genocídio e crimes de guerra graves, que serão examinados pelo tribunal especial.
Timochenko manifestou "satisfação" com o acordo sobre os tribunais: "Corresponde às partes agora multiplicar esforços para a construção de consensos que nos aproximem de um cessar-fogo bilateral, definições sobre a entrega das armas e a transformação das FARC num movimento político legal."
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