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quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Líderes das FARC anunciam volta à luta armada

Três líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) denunciaram o acordo de paz assinado em 2016 com o presidente Juan Manuel Santos e anunciaram a volta à luta armada. 

Luciano Marín Aragón, que usa o nome de guerra de Iván Márquez, o principal negociador das FARC; o ex-deputado Seuxis Pausias Hernández, de nome de guerra Jesús Santrich; e o ex-comandante Hernán Darío Velázquez Saldarriaga, mais conhecido como El Paisa; divulgaram vídeo protestando contra o rumo que o processo de paz tomou no atual governo, do presidente conservador Iván Duque Márquez, aliado do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, um dos maiores adversários do acordo.

O presidente Iván Duque ordenou a prisão dos três e ofereceu uma recompensa de 3 milhões de pesos colombianos, pouco mais de 3 mil e 500 reais, por informações sobre o paradeiro dos rebeldes. Meu comentário:

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Líder das FARC lamenta ter entregue as armas

Um dos principais negociadores das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Iván Márquez, considera ter sido um erro entregar as armas antes de obter garantias de que o governo iria cumprir todos os pontos do acordo de paz assinado em 2016, noticiou hoje o jornal El Colombiano, de Medellín.

Este tipo de declaração pode levar centenas ou até milhares de ex-guerrilheiros a abandonar o processo de paz e aderir a organizações criminosas.

No ano passado, foi eleito presidente Iván Duque, um linha-dura apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe. Ambos discordam de vários aspectos do acordo de paz, como a anistia aos ex-guerrilheiros, o tribunal especial e a integração de ex-rebeldes à vida política. No poder, Duque está desacelerando o processo de paz.

Com as negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN), que era o segundo maior grupo guerrilheiro do país, estagnadas, aumenta o risco de que ex-rebeldes das FARC abandonem o acordo de paz e entrem para o ELN.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Líderes das FARC fogem para a Venezuela

Sob ameaça de prisão por envolvimento em atividades criminosas, dois líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), fugiram para a vizinha Venezuela. As autoridades colombianas procuram descobrir qual a rota de fuga, noticiou hoje a Rádio Caracol.

Na semana passada, soube-se da iminência da prisão de três líderes do antigo grupo guerrilheiro envolvidos em crimes comuns. É comum em processos de paz que guerrilheiros veteranos, que passaram anos na clandestinidade, não consigam se reintegrar à vida civil e entrem para organizações criminosas.

Se mais líderes das FARC forem presos, o histórico acordo de paz assinado em 24 de novembro de 2016 estará ameaçado. É provável que os ex-guerrilheiros presos recentemente tenham dado informações à polícia capazes de incriminar outros companheiros.

Desde a campanha eleitoral, o novo presidente, o conservador Iván Duque, empossado em 7 de agosto deste ano, promete revisar o acordo, especialmente as cláusulas que dão anistia a rebeldes que cometeram crimes de sangue e garantem 5% de vagas no Congresso para ex-guerrilheiros. A pressão sobre as FARC tende a aumentar.

Duque é afilhado político do ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe (2002-10), um linha-dura que golpeou duramente a guerrilha, reduzindo significativamente sua ameaça. Seu ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, se tornou presidente e negociou o acordo, rejeitado por Uribe.

Uribe é investigado por ligações com grupos paramilitares de direita conhecidos como Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que chegou a comparar com as vigilâncias de bairro nos Estados Unidos. Ganhou a guerra, mas não soube fazer a paz.

É muito difícil, praticamente impossível, a volta da guerra civil. Mas há rebeldes que renegaram o acordo e mataram jornalistas equatorianos, em abril de 2018, e outros envolvidos com o crime organizado.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Colômbia deve prender três líderes das FARC

O Exército colombiano está tentando prender três líderes da Força Alternativa Revolucionária do Comum, o partido político formado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) depois do acordo de paz com o governo anterior do país, denunciaram membros do antigo grupo guerrilheiro comunista, citados pelo jornal El Heraldo, de Barranquilla. Eles são acusados de violar o acordo.

A prisão de líderes das FARC indica que parte dos militantes do grupo continua envolvida com o tráfico de drogas ou outras atividades ilícitas, fenômeno comum em processos de paz, quando ex-guerrilheiros têm dificuldades em voltar à vida civil.

O acordo de paz assinado em 2016, depois de quatro anos de negociação, acabou com uma guerra civil de 52 anos contra as FARC, que tinha origens no período conhecido na história da Colômbia como La Violencia, que se seguiu ao assassinato do candidato liberal à Presidência Jorge Eliécer Gaitán, em 9 de abril de 1948.

Mas forças conservadoras lideradas pelo ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe se opõem à anistia dada a guerrilheiros que cometeram crimes de sangue e à garantia de vagas na Câmara e no Senado para ex-guerrilheiros.

Com a vitória do uribista Iván Duque na eleição presidencial deste ano, a expectativa é de uma revisão do acordo. As prisões podem ser um primeiro sinal. Se mais líderes forem presos, aumenta o risco de ruptura do acordo e de volta de guerrilheiros à clandestinidade, desta vez como crime organizado. A luta armada perdeu o sentido.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Novo presidente conservador toma posse na Colômbia

O conservador Iván Duque tomou posse hoje como presidente da Colômbia com uma agenda de reformas que inclui a redução dos impostos para empresas, a negociação de acordos de livre comércio e mudanças no acordo de paz assinado por seu antecessor, Juan Manuel Santos, com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Com o apoio do ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe, Duque bateu no segundo turno o candidato esquerdista Gustavo Petro, ex-prefeito de Bogotá. Para atingir seus objetivos, vai precisar de um apoio de outros partidos políticos no Congresso, especialmente para alterar o acordo com as FARC para acabar com  uma guerra civil de mais de 50 anos.

Em pelo menos 30 cidades, as oposições se manifestaram para defender o acordo com as FARC e a proteção de seus militantes. Desde a assinatura do acordo histórico, em 2016, pelo menos 330 foram mortos.

Os conservadores liderados por Uribe e por Duque rejeitam a anistia para guerrilheiros que cometeram crimes de sangue e a reserva de 5% das cadeiras na Câmara e no Senado para o partido das FARC, que acabou sendo muito mais do que conquistariam nas urnas.

De qualquer maneira, o novo presidente vai adotar uma posição mais dura nas negociações com o Exército Nacional de Libertação (ELN), o segundo maior grupo guerrilheiro de esquerda da Colômbia, que violou a trégua acertada com o governo anterior.

No plano externo, a Colômbia negocia acordos de liberalização comercial com a Austrália, a Nova Zelândia, o Japão e a Turquia. Por causa da oposição dos setores agrícola e industrial, Duque pode retardar as negociações com o Japão e a Turquia.

Mesmo que forme uma ampla aliança, o novo governo vai depender da coesão interna dos partidos. Até 7 de setembro, os partidos precisam decidir se fazem aliança com o governo, ficam na oposição ou se serão independentes.

O Partido do Centro Democrático, de Duque, enfrenta as acusações de fraude e corrupção contra seu líder, o ex-presidente Uribe. As divisões internas do Partido Liberal também enfraquecem o apoio ao governo.

sábado, 16 de junho de 2018

Duque lidera com 51% e deve ser eleito presidente da Colômbia

O candidato conservador Iván Duque, apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, é o favorito em todas as pesquisas, com uma média de 51%, e deve ser eleito neste domingo presidente da Colômbia. Seu rival, Gustavo Petro, ex-guerrilheiro e ex-prefeito verde de Bogotá, tem 37% das preferências. Os outros 12% pretendem votar em branco, anular o voto ou não votar.

No primeiro turno, Duque, do Centro Democrático, teve 39% dos votos contra 25% para Petro, da aliança Colômbia Humana. A boa votação de outros candidatos de esquerda não se transferiu para o ex-prefeito da capital colombiana.

Ontem, Antanas Mockus e Claudia López, do partido Aliança Verde, que apoiou Sergio Fajardo no primeiro turno, anunciaram o voto em Petro. A ex-senadora e ex-candidata a presidente Íngrid Betancour, sequestrada pelas FARC de 2002 a 2008, veio da França para manifestar seu apoio.

Uma projeção das pesquisas feita pelo jornal espanhol El País deu a Duque 80% de chance de vitória contra 20% para Petro. Como as pesquisas de opinião na Colômbia costumam apresentar erros, o esquerdista ainda tem alguma chance.

A margem de erro pode chegar a 9% para mais ou para menos. Se a margem de erro foi igual à do primeiro turno, de 3,3 pontos percentuais em média, Duque tem 90% de chances

Esta é a primeira eleição presidencial depois da assinatura do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), em 24 de novembro de 2016. O Exército de Libertação Nacional, que negocia a paz, declarou uma trégua no primeiro e no segundo turnos.

O candidato do governo Juan Manuel Santos, o grande negociador da paz, ficou fora do segundo turno. Duque e seu patrono Uribe são grandes críticos do acordo, especialmente da anistia aos guerrilheiros que cometeram crimes de sangue. Pode mexer na anistia, mas não vai revogar o acordo nem deve abandonar o diálogo com o ELN.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Colômbia e FARC assinam acordo de paz revisado

O presidente Juan Manuel Santos e o líder máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Rodrigo Londoño, assinaram há pouco no Teatro Colón, em Bogotá, um acordo de paz revisado, depois que o primeiro texto foi rejeitado num referendo realizado em 2 de outubro de 2016.

A paz põe fim a um conflito de 52 anos, que tem sua origem na década de violência deflagrada pelo assassinato, em 9 de abril de 1948, do advogado Jorge Eliécer Gaitán, candidato do Partido Liberal à presidência.

Desta vez, o acordo deverá ser ratificado pelo Congresso, onde o governo Santos tem maioria, sem nova consulta popular. O grande adversário do acordo, o ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe, insiste na convocação de novo referendo.

Uribe rejeita a cláusula do acordo que garante 5% das vagas na Câmara e no Senado nas duas próximas eleições independentemente do resulado nas urnas.

Santos ganhou o Prêmio Nobel da Paz, apesar da rejeição do acordo inicial no referendo. O comitê norueguês do Nobel declarou que seria mais um incentivo à paz. Pelo menos 220 mil pessoas morreram no conflito entre o governo e as FARC, maior grupo guerrilheiro de esquerda da Colômbia.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Presidente da Colômbia ganha Nobel da Paz por acordo com as FARC

Apesar da rejeição do acordo negociado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em referendo no domingo passado, ou talvez por isso mesmo, o presidente Juan Manuel Santos ganhou hoje o Prêmio Nobel da Paz.

Ao justificar a premiação, o comitê norueguês do Prêmio Nobel declarou hoje de manhã em Oslo que, apesar da derrota no referendo, o processo de paz não está morto. Emocionado, Santos dedicou o prêmio ao povo colombiano e declarou que o prêmio é "um compromisso para continuar tentar trazer a paz a meu país".

Entre mortos e desaparecidos, quase 300 mil pessoas morreram em 52 anos de guerra entre as FARC, que nasceram como braço armado do Partido Comunista Colombiano.

O acordo de paz, negociado durante quatro anos em Cuba, previa reforma agrária, o fim da luta armada, o desarmamento dos 7 mil guerrilheiros restantes, uma anistia parcial e um tribunal especial para julgar crimes contra a humanidade cometido pelos dois lados.

A derrota por margem escassa foi atribuída ao alto índice de abstenção (62%) e especialmente à oposição dos ex-presidentes Álvaro Uribe e Andrés Pastrana, insatisfeitos com as concessões feitas ao grupo guerrilheiro como anistia parcial e a garantia de dez cadeiras no Congresso nas duas próximas eleições.

No dia seguinte, tanto as FARC quanto o governo e os ex-presidentes concordaram que a guerra acabou. Ninguém quer voltar ao passado, mas será necessária uma renegociação delicada.

Vitorioso, o agora senador Uribe, de quem Santos foi ministro da Defesa, pediu que não sejam revistas as sentenças dos guerrilheiros já condenados, "alívio judicial" para soldados e policiais, e proteção aos rebeldes enquanto o acordo é revisto.

Em entrevista à televisão pública britânica BBC, a ex-senadora e ex-candidata a presidente Ingrid Betancur, sequestrada pelas FARC durante seis anos, entende que o acordo não garante a impunidade dos guerrilheiros.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Santos e as FARC prometem renegociar o acordo de paz

Apesar da derrota do acordo de paz negociado pelo governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) por pequena margem no referendo de ontem, o país hoje está mais perto da paz. Ninguém pensa em recomeçar a guerra civil.

No dia seguinte, o presidente Juan Manuel Santos reafirmou o compromisso do governo com o cessar-fogo permanente e a paz. As FARC fizeram o mesmo, insistindo que também estão comprometidas com o processo de paz.

O líder da campanha do não, o ex-presidente e agora senador Álvaro Uribe (2002-10), apresentou hoje suas condições para a paz: anistia aos guerrilheiros não condenados e "alívio judicial" para soldados e policias das Forças Armadas que tenham cometido crimes de guerra, informa o jornal El Espectador.

"Pedimos que não haja violência, proteção para as FARC e que cessem todos os delitos", declarou Uribe no calor da vitória.

Uribe, seu aliado e senador Iván Duque, o ex-presidente conservador Andrés Pastrana e o ex-procurador Alejando Ordóñez foram os grandes vencedores.

sábado, 24 de setembro de 2016

Conferência das FARC aprova acordo de paz com governo

A 10ª Conferência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) aprovou ontem à noite o acordo de paz negociado nos últimos quatro anos com o governo colombiano para pôr fim a mais de 50 anos de guerra civil.

A decisão unânime foi tomada no fim da conferência convocada para preparar os guerrilheiros das FARC para entregar as armas e se reintegrar à vida civil como um partido político de esquerda com uma anistia parcial que levará alguns a tribunais especiais e à prisão. O encontro foi realizado na planície de Yari, um dos redutos dos guerrilheiros no Sul da Colômbia.

O acordo de paz será assinado em 26 de setembro de 2016 na cidade histórica de Cartagena pelo presidente Juan Manuel Santos e o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelo nomes de guerra de Timoleón Jiménez e Timochenko.

Em 2 de outubro, o acordo será submetido a um referendo popular. O governo Santos e a oposição de esquerda apoiam o voto sim, enquanto a oposição conservadora linha-dura liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe defende a rejeição ao acordo, alegando que faz concessões demais aos guerrilheiros.

As pesquisas dão mais de 60% para o sim. Se o não ganhar, o governo adverte que o conflito armado pode se arrastar por mais uma década.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Comandante das FARC ordena cessar-fogo definitivo a partir de hoje

Daqui a uma hora e meia, à meia-noite deste domingo pelo horário colombiano, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) iniciam um cessar-fogo definitivo ordenado por seu comandante supremo, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelos nomes de guerra Timoleón Jiménez ou Timochenko. 

"Ordeno a todos os nossos comandos, a todas as unidades, a todos e a cada um de nossos e nossas combatentes a cessar fogo e as hostilidades de maneira definitiva contra o Estado colombiano a partir das 24 horas da noite de hoje", declarou Timochenko a jornalistas em Havana.

Depois de quatro anos de negociações em Cuba, um acordo foi anunciado na semana passada para pôr fim a 52 anos de luta armada para tentar impor um regime comunista. O acordo de paz deve ser assinado dentro de um mês na Colômbia por Timochenko e o presidente Juan Manuel Santos.

Em 2 de outubro, o acordo com as FARC será submetido a um referendo para obter a aprovação popular. Cerca de 60% dos colombianos são a favor do acordo, mas o resultado pode ser apertado porque o ex-presidente Álvaro Uribe, de quem Santos era ministro da Defesa, é contra a anistia parcial aos guerrilheiros.

O pai de Uribe foi sequestrado e morto. Durante o governo Uribe, as Forças Armadas da Colômbia obtiveram grandes vitórias na guerra contra as FARC, levando o grupo a negociar com Santos numa posição de clara inferioridade no campo de batalha depois de tentativas fracassadas nos governos Ernesto Samper e Andrés Pastrana.

Com as centenas de milhões de dólares que ganhavam com o tráfico de drogas, os guerrilheiros não viam razão para abandonar as armas e se integrar à sociedade. Ainda havia o precedente da União Patriótica, fundada em 1985 por ex-guerrilheiros, que teve mais de mil candidatos assassinados, inclusive à Presidência da Colômbia.

A paz com as FARC praticamente encerra uma guerra civil iniciada com o assassinato, em 9 de abril de 1948, do candidato liberal à Presidência da Colômbia, Jorge Eliécer Gaitán, que deflagrou uma explosão de violência, o Bogotaço. Mais de 2 mil pessoas foram mortas em 24 horas.

Era o início de um período de uma década na história da Colômbia conhecido como La Violencia, em que 200 a 300 mil. Naquela época, as oposições liberal e de esquerda foram para a clandestinidade. Nesta clima de violência política histórica, sem espaço para uma oposição de esquerda, as FARC nasceram em 1964 como braço armado do Partido Comunista Colombiano, de orientação soviética.

Com o declínio do comunismo como ideologia do financiamento da União Soviética, extinta em 1991, as FARC se reinventaram como um grupo narcoguerrilheiro, passando a traficar drogas para se financiar como historicamente faziam os grupos paramilitares de direita que combatiam os guerrilheiros de esquerda nas zonas rurais.

Mais 220 mil pessoas foram mortas e outras 90 mil desapareceram na guerra civil deflagrada pelas FARC. Cerca de 6,9 milhões fugiram de casa. Ao todo, desde 1948, o total de mortos na guerra civil colombiana é estimado entre 500 e 600 mil pessoas.

Resta ainda o Exército de Libertação Nacional (ELN), um grupo guerrilheiro marxista cristão, que resiste, mas não tem alternativa. Ao anunciar seu acordo de paz, as FARC aconselharam o ELN a fazer o mesmo. O governo teme que o grupo tente recrutar guerrilheiros e ocupar áreas que estavam em poder das FARC.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

FARC suspendem trégua unilateral na Colômbia

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia anunciaram hoje em Havana o fim do cessar-fogo unilateral iniciado em 20 de dezembro de 2014 como um gesto de conciliação dentro das negociações de paz com o governo colombiano para pôr fim a uma guerra civil que já dura mais de 50 anos.

O fim da trégua foi uma decisão tomada depois de um ataque aéreo que matou ontem 26 guerrilheiros da 29ª Frente das FARC, em Guapi, no Departamento de Cauca, que fica num dos dois vales centrais da Colômbia. 

Com a morte de 11 soldados colombianos na localidade de Buenos Aires, em Cauca, numa emboscada da guerra, o presidente Juan Manuel Santos autorizou em 15 de abril o reinício dos bombardeios às FARC, que estavam suspensos desde 10 de março de 2015.

Se as FARC vão mesmo romper a trégua e retomar as operações militares ainda é uma incógnita. Além das forças de segurança, seus principais alvos devem ser oleodutos situados nas regiões produtoras de petróleo da Colômbia, nos departamentos de Arauca, Nariño, Putumayo e Santander.

Apesar de ataques esporádicos contra soldados e policiais, a violência política diminuiu muito. De 20 de dezembro de 2014 a 20 de maio de 2015, houve apenas 22 ações das FARC, 85% menos do que no mesmo período no ano passado.

Mesmo que a guerrilha esquerdista retome a luta armada, é improvável que isso venha a acabar com as negociações de paz realizadas na capital cubana. Há questões difíceis como anistia ampla, geral e irrestrita ou se os rebeldes serão processados por abusos e violações.

O líder do segundo maior grupo guerrilheiro colombiano, o Exército de Libertação Nacional (ELN), Nicolás Rodríguez Bautista, declarou que não faz sentido abandonar a luta e ser processado por isso.

A decisão de acabar com o cessar-fogo é mais uma jogada no xadrez político do processo de paz. Desde a ascensão do presidente Álvaro Uribe, em 2002, a guerrilha sofreu perdas pesadas que a levaram à mesa de negociações.

A paz permitiria ao governo colombiano concentrar esforços na luta contra a criminalidade.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Colômbia bombardeia acampamentos das FARC

Depois de um ataque com granadas que matou 11 militares e feriu outros 17 ontem na zona rural do município de Buenos Aires, no departamento de Cauca, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ordenou ao Exército e à Força Aérea o reinício dos bombardeios contra acampamentos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), noticiou hoje o jornal El Espectador.

O governo colombiano atribuiu a ação guerrilheira à Coluna Miller Perdomo, uma unidade operacional da Frente Ocidental Alfonso Cano das FARC. Ao condenar o ataque, o comandante do Exército Nacional, general Jaime Lasprilla, acusou a guerrilha de "atentar contra todos os colombianos" e defraudar a confiança no processo de paz por romper um cessar-fogo unilateral anunciado em dezembro de 2014.

"Quando se fala em cessação das hostilidades, significa que deve cessar toda ação criminosa relacionada ao tráfico de drogas, à extorsão, à mineração ilegal e ao recrutamento de menores. Este fato que aconteceu ontem foi uma violação desses compromissos diante da mão estendida do senhor presidente e do povo colombiano", acrescentou o comandante militar.

Um dos maiores críticos da estratégia de seu sucessor para acabar com a longa guerra civil colombiana, o ex-presidente Álvaro Uribe pediu a Santos "uma pausa" nas negociações de paz de Havana, em Cuba, iniciadas há pouco mais de três anos.

As FARC "sempre mentiram ao país e é grave que o governo leve os colombianos a acreditar nessas mentiras", declarou o ex-presidente, hoje senador. "O que o grupo terrorista quer é justificar sua exigência de que o governo paralise as atividades das Forças Armadas."

Os bombardeios haviam sido suspensos por um mês pelo presidente em 10 de março de 2015. Em 10 de abril, Santos tinha prorrogado a trégua por mais um mês.

Em Havana, o negociador das FARC de nome de guerra Pablo Catatumbo pediu "sensatez e cabeça fria", alegando que a guerrilha estava uma situação "complicada" e de "assédio" em sua trégua unilateral, o que teria provocado o enfrentamento com uma emboscada aos soldados do Exército.

"Se este situação persistir, vai haver mais enfrentamentos e isso vai voltar a se repetir", advertiu Catatumbo. "A solução não é reiniciar os bombardeios. A Colômbia está nos bombardeando desde que começou a guerra. Para que serviu isso? Só para aumentar o número de mortos."

O ataque é um sinal de estagnação no proceso de paz. Falta definir como serão os processos e as punições por crimes de sangue cometidos durante a longa guerra civil colombiano e como dar garantias aos guerrilheiros na sua reintegração à vida civil.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

FARC libertam general e outros reféns na Colômbia

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) libertaram ontem o general Rubén Darío Alzate, o cabo Jorge Rodríguez e a advogada Gloria Urrego. Um helicóptero com mediadores de Cuba e da Noruega resgataram os reféns numa localidade não revelada do Rio Atratro, no departamento de Choco, no Oeste do país.

O sequestro do general pela 34ª Frente das FARC, em 16 de novembro de 2014, levou à paralisação das negociações de paz entre a guerrilha e o governo colombiano realizadas em Havana, a capital de Cuba.

Essa ação inesperada provocou suspeitas de divisão interna na guerrilha, onde um grupo rejeitaria qualquer acordo com o governo. Aconteceu num momento crítico em que os negociadores discutem que crimes podem ser considerados estritamente político e portanto estar sujeitos a anistia.

Como precondição para serem aceitas na mesa de negociações, as FARC tiverem de desescalar suas atividades militares. O sequestro foi visto como uma forma de aumentar o poder de barganha para voltar a exigir um cessar-fogo e a libertação dos rebeldes que a guerrilha considera presos políticos.

A libertação dos reféns foi anunciada em 25 de novembro pela 10ª Frente das FARC como um "gesto de boa vontade". O sequestro foi um teste de resistência para as negociações, irritando o eleitorado, que terá de aprovar qualquer acordo definitivo em referendo. O ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe trabalha ativamente contra qualquer concessão às FARC.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Colômbia retoma negociações de paz com as FARC

O governo colombiano reiniciou hoje em Havana, a capital de Cuba, as negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) para acabar com uma guerra civil em que cerca 300 mil pessoas foram mortas nos últimos 50 anos.

A guerra civil na Colômbia começa com o assassinato em 9 de abril de 1948 de Jorge Eliecer Gaitán, franco favorito para a próxima eleição presidencial. Sua morte provoca uma explosão de violência na capital conhecida como Bogotaço, com 2 mil mortes em dois dias. O conflito se alastra por uma década sangrenta conhecida na história da Colômbia como o período de La Violencia, com total de mortes estimado em 300 mil.

Durante aquele período, liberais e esquerdistas foram para a clandestinidade e formaram grupos guerrilheiros. As FARC, braço armado do Partido Comunista Colombiano, entram em ação em 1964. Com o declínio da ideologia comunista e o fim da União Soviética, sob pressão dos grupos paramilitares de direita conhecidos como autodefesas da Colômbia, nos anos 1990s, as FARC se aliaram a máfias do tráfico de drogas. Isso lhes deu uma sobrevida, mas tirou legitimidade.

Quando a guerrilha controlava 20% do território colombiano, depois de duas tentativas fracassadas de negociar a paz por seus antecessores Andrés Pastrana e Ernesto Samper, em 2002, Álvaro Uribe foi eleito presidente com a promessa de derrotar as FARC militarmente.

Oito anos depois, tendo reduzido significativamente a capacidade de luta das FARC com o apoio dos Estados Unidos, Uribe foi sucedido por seu ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, que reiniciou as negociações e passou a ser atacado pelo ex-presidente por causa disso.

No mês passado, o candidato de Uribe, Óscar Zuluaga, ficou em primeiro lugar no primeiro turno da eleição presidencial com 29% dos votos prometendo não negociar com a guerrilha se ela não parar com todos os ataques. Santos, que disputa a reeleição, ficou com 25%. Já recebeu o apoio de vários partidos moderados.

As negociações são, portanto, o grande tema da campanha. O segundo turno será realizado em 15 de junho. A retomada indica que Santos confia na bandeira da paz para ser reeleito.

domingo, 25 de maio de 2014

Santos e Zuluaga disputam segundo turno na Colômbia

O candidato contrário às negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Óscar Zuluaga, apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, ficou em primeiro lugar no primeiro turno da eleição presidencial do país, disputado hoje, com 29,26% dos votos, seguido pelo presidente Juan Manual Santos, com 25,68%.

Ao comentar o resultado, Santos prometeu: "Vamos ganhar com a paz." Zuluaga declarou que, "em junho, saberemos se há uma nova Colômbia ou é mais do mesmo." Como Zuluaga é um fantoche de Uribe, será mais do mesmo de qualquer maneira.

O segundo turno será realizado em 15 de junho.