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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Colômbia alerta para risco de ataques das FARC

O comando militar da Colômbia advertiu hoje que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) podem atacar em 70 cidades do país, noticiou o jornal El Espectador.

A Polícia e o Exército reforçaram a segurança, especialmente nos departamentos de Cauca e Nariño. De acordo com serviços secretos militares, dois batalhões das FARC planejam realizar atentados nos departamentos de Caquetá e Putumayo.

Esse aumento da tensão reflete uma crise nas negociações de paz em andamento há dois anos em Havana, a capital cubana. As FARC romperam uma trégua unilateral declarada em dezembro e o presidente Juan Manuel Santos voltou a autorizar bombardeios aéreos a posições da guerrilha, que mataram na semana passada um comandante rebelde.

As negociações estão estagnadas na questão referente a anistia ou julgamento dos guerrilheiros que cometeram crimes de sangue. Os rebeldes entendem que não faz sentido entregar as armas para se integrar ao processo político e ser preso e processado por isso.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

FARC suspendem trégua unilateral na Colômbia

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia anunciaram hoje em Havana o fim do cessar-fogo unilateral iniciado em 20 de dezembro de 2014 como um gesto de conciliação dentro das negociações de paz com o governo colombiano para pôr fim a uma guerra civil que já dura mais de 50 anos.

O fim da trégua foi uma decisão tomada depois de um ataque aéreo que matou ontem 26 guerrilheiros da 29ª Frente das FARC, em Guapi, no Departamento de Cauca, que fica num dos dois vales centrais da Colômbia. 

Com a morte de 11 soldados colombianos na localidade de Buenos Aires, em Cauca, numa emboscada da guerra, o presidente Juan Manuel Santos autorizou em 15 de abril o reinício dos bombardeios às FARC, que estavam suspensos desde 10 de março de 2015.

Se as FARC vão mesmo romper a trégua e retomar as operações militares ainda é uma incógnita. Além das forças de segurança, seus principais alvos devem ser oleodutos situados nas regiões produtoras de petróleo da Colômbia, nos departamentos de Arauca, Nariño, Putumayo e Santander.

Apesar de ataques esporádicos contra soldados e policiais, a violência política diminuiu muito. De 20 de dezembro de 2014 a 20 de maio de 2015, houve apenas 22 ações das FARC, 85% menos do que no mesmo período no ano passado.

Mesmo que a guerrilha esquerdista retome a luta armada, é improvável que isso venha a acabar com as negociações de paz realizadas na capital cubana. Há questões difíceis como anistia ampla, geral e irrestrita ou se os rebeldes serão processados por abusos e violações.

O líder do segundo maior grupo guerrilheiro colombiano, o Exército de Libertação Nacional (ELN), Nicolás Rodríguez Bautista, declarou que não faz sentido abandonar a luta e ser processado por isso.

A decisão de acabar com o cessar-fogo é mais uma jogada no xadrez político do processo de paz. Desde a ascensão do presidente Álvaro Uribe, em 2002, a guerrilha sofreu perdas pesadas que a levaram à mesa de negociações.

A paz permitiria ao governo colombiano concentrar esforços na luta contra a criminalidade.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Colômbia bombardeia acampamentos das FARC

Depois de um ataque com granadas que matou 11 militares e feriu outros 17 ontem na zona rural do município de Buenos Aires, no departamento de Cauca, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ordenou ao Exército e à Força Aérea o reinício dos bombardeios contra acampamentos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), noticiou hoje o jornal El Espectador.

O governo colombiano atribuiu a ação guerrilheira à Coluna Miller Perdomo, uma unidade operacional da Frente Ocidental Alfonso Cano das FARC. Ao condenar o ataque, o comandante do Exército Nacional, general Jaime Lasprilla, acusou a guerrilha de "atentar contra todos os colombianos" e defraudar a confiança no processo de paz por romper um cessar-fogo unilateral anunciado em dezembro de 2014.

"Quando se fala em cessação das hostilidades, significa que deve cessar toda ação criminosa relacionada ao tráfico de drogas, à extorsão, à mineração ilegal e ao recrutamento de menores. Este fato que aconteceu ontem foi uma violação desses compromissos diante da mão estendida do senhor presidente e do povo colombiano", acrescentou o comandante militar.

Um dos maiores críticos da estratégia de seu sucessor para acabar com a longa guerra civil colombiana, o ex-presidente Álvaro Uribe pediu a Santos "uma pausa" nas negociações de paz de Havana, em Cuba, iniciadas há pouco mais de três anos.

As FARC "sempre mentiram ao país e é grave que o governo leve os colombianos a acreditar nessas mentiras", declarou o ex-presidente, hoje senador. "O que o grupo terrorista quer é justificar sua exigência de que o governo paralise as atividades das Forças Armadas."

Os bombardeios haviam sido suspensos por um mês pelo presidente em 10 de março de 2015. Em 10 de abril, Santos tinha prorrogado a trégua por mais um mês.

Em Havana, o negociador das FARC de nome de guerra Pablo Catatumbo pediu "sensatez e cabeça fria", alegando que a guerrilha estava uma situação "complicada" e de "assédio" em sua trégua unilateral, o que teria provocado o enfrentamento com uma emboscada aos soldados do Exército.

"Se este situação persistir, vai haver mais enfrentamentos e isso vai voltar a se repetir", advertiu Catatumbo. "A solução não é reiniciar os bombardeios. A Colômbia está nos bombardeando desde que começou a guerra. Para que serviu isso? Só para aumentar o número de mortos."

O ataque é um sinal de estagnação no proceso de paz. Falta definir como serão os processos e as punições por crimes de sangue cometidos durante a longa guerra civil colombiano e como dar garantias aos guerrilheiros na sua reintegração à vida civil.

sábado, 5 de novembro de 2011

Colômbia anuncia morte do comandante das FARC

O governo colombiano acaba de anunciar que o comandante supremo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Alfonso Cano, foi morto numa operação do Exército nas montanhas da Cordilheira Central no Departamento de Cauca, no Sul do país. Seu corpo foi levado para a cidade de Popayán.

Cano tinha 66 anos e era sociólogo. Durante duas décadas, foi o ideólogo da guerrilha colombiana, antes de suceder, em 2008, ao líder histórico das FARC, Manuel Marulanda, o Tiro Certeiro, que morreu do coração.

"O terrorismo não tem como sobreviver", declarou o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, em entrevista coletiva. "A morte de Cano é o golpe mais importante de sua História".

Foi uma grande vitória para o presidente Juan Manuel Santos, que foi ministro da Defesa do governo anterior, de Álvaro Uribe: "Desmobilizem-se", advertiu Santos depois da morte de Cano, "ou terminarão na prisão ou no cemitério".

Confira no jornal colombiano El Tiempo.

As FARC nasceram em 1964 como braço armado do Partido Comunista durante um período conhecido como La Vioência, iniciado em 9 de abril de 1948 com o assassinato do candidato liberal à Presidência da Colômbia, Jorge Eliecer Gaitán.

Cerca de 300 mil pessoas foram mortas nas duas décadas seguintes, levando muitos liberais e os esquerdistas a entrar para a clandestinidade e formar grupos guerrilheiros. Com o fim da Guerra Fria, sem recursos, a guerrilha abandonou o purismo revolucionário e passou a ganhar dinheiro com o tráfico de drogas.

Por força de seu poder econômico, as negociações tentadas pelos presidentes Ernesto Samper e Andrés Pastrana fracassaram. Em 2002, Álvaro Uribe se elegeu com a proposta de implantar uma política de "segurança democrática". Negava legitimidade política à guerrilha e apostava numa solução militar do conflito.

Desde então, com a ajuda americana de US$ 7 bilhões do Plano Colômbia, o país mudou. Os sequestros e atentados terroristas nos grandes centros urbanos praticamente desapareceram. As Forças Armadas recuperaram quase todo o território do país, tanto que o subcomandante Raúl Reyes estava refugiado no Equador quando foi morto, em 1º de março de 2008.

Depois disso, vários comandantes importantes foram presos ou mortos. Marulanda, o Tiro Certeiro, líder histórico das FARC, morreu do coração em 2008.

Uribe sempre rejeitou a possibilidade de negociar com Marulanda, "um cara que passou os últimos 40 anos escondido, dando tiros no meio da selva". A morte de seu sucessor como comandante supremo deve apressar a desintegração da guerrilha colombiana.