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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Coreia do Norte deve ameaçar de novo sair das negociações com os EUA

O Partido dos Trabalhadores da Coreia, que chefia a ditadura comunista da Coreia do Norte, fará uma sessão plenária no fim de dezembro para definir seu programa político para 2020, inclusive a política externa. Deve fazer nova ameaça de abandonar as negociações de paz com os Estados Unidos, se não houver avanços significativos.

Será a primeira reunião do partido desde abril, quando o ditador Kim Jong Un estabeleceu o fim de 2019 como prazo-limite para obter avanços nas negociações.

A Coreia do Norte quer a suspensão pelo menos parcial das sanções impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. O governo Trump exige a criação de um cronograma de desarmamento para entrega de 60% a 70% do arsenal nuclear norte-coreano dentro de seis a nove meses. Só admite levantar as sanções depois disso. Kim rejeita o "desarmamento unilateral".

Assim, a expectativa é de uma declaração oficial do regime stalinista de Pyongyang suspendendo os contatos com os EUA, se não houver progressos significativos até o fim do ano, o que é altamente improvável.

Depois de três encontros de cúpula com Trump que elevaram seu status internacional, Kim parece decidido a entrar numa fase de contestação e desafio, de enfrentamento.

Desde que perdeu o patrocínio com o fim da União Soviética, em 1991, o regime comunista da Coreia do Norte faz uma chantagem atômica, ameaçando fabricar armas nucleares. Usava isso para barganhar ajuda internacional em energia e alimentos para sua economia falida.

Kim Jong Un chegou ao poder em dezembro de 2011, com a morte do pai, meses depois da queda e morte do ditador Muamar Kadafi, que fizera um acordo com as potências ocidentais para entregar suas armas de destruição em massa e foi derrubado por uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com a autorização do Conselho de Segurança da ONU.

De instrumento de barganha, as armas nucleares se tornaram na garantia de sobrevivência da ditadura norte-coreana. Ninguém acredita que o último regime stalinista do planeta, ao lado de Cuba, pretenda entregar todo o arsenal nuclear desenvolvido a um custo altíssimo.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Mais uma negociação internacional de Trump fracassa

O presidente Donald Trump rompeu as negociações de paz com a milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã sob o argumento de que mais um soldado americano foi morto, mas a verdadeira razão é outra: a milícia exige a retirada total das forças estrangeiras do Afeganistão e os Estados Unidos pretendem manter uma força antiterrorista de 8,6 mil homens no país.

Depois de um ano de negociações de paz e do quinto encontro em Doha, no Catar, representantes do governo americano e da milícia fundamentalista sunita que governou o Afeganistão como um emirado islâmico de 1996 a 2001 estavam perto de um acordo. 

Uma reunião secreta estava marcada para sábado na casa de campo da Presidência dos Estados Unidos em Camp David entre Trump, o presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, e delegados dos Talebã. 

O objetivo é acabar com a guerra que já dura quase 18 anos e é a mais longa da história dos Estados Unidos. Começou em 7 de outubro de 2001 em resposta aos atentados terroristas de 11 de setembro daquele ano nos Estados Unidos. 

O regime fundamentalista dos Talebã dava refúgio à rede terrorista Al Caeda, responsável pelo pior atentado terrorista da história dos Estados Unidos. Meu comentário:

domingo, 8 de setembro de 2019

Trump suspende encontro com Talebã e é criticado pelo convite inicial

O presidente Donald Trump está sendo duramente criticado por ter convidado terroristas para negociações de paz que seriam realizadas neste domingo na casa de campo da Presidência dos Estados Unidos, em Camp David. Trump cancelou o encontro até então secreto sob a alegação que a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) matou um soldado americano no Afeganistão.

Em uma série de mensagens pelo Twitter no sábado à noite, o presidente americano anunciou que não haveria o encontro porque os Talebã assumiram a responsabilidade por atentado com carro-bomba em Cabul com 12 mortos, inclusive um soldado americano, na quinta-feira.

Foi o 16º militar americano morto neste ano na Guerra do Afeganistão, que completa 18 anos em outubro e é a mais longa da história dos EUA. As outras 15 mortes não mereceram a mesma reação.

"Que tipo de gente mata tantos para, aparentemente, fortalecer seu poder de barbanha?", indagou Trump. "Se não podem concordar com um cessar-fogo durante negociações tão importantes, e até mesmo matam 12 pessoas inocentes, então provavelmente nem tenham poder para negociar um acordo significativo."

A Milícia dos Talebã lamentou o cancelamento da reunião, que também incluiria o presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, dias depois que o enviado especial dos EUA, o embaixador americano Zalmy Khalilzad, ter anunciado que chegou a um esboço de acordo de paz. O encontro em Camp David serviria para Trump aprovar o acordo.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, defendeu o convite ao grupo terrorista sob o argumento de que "temos a obrigação de fazer tudo o que pudermos", mas afirmou que as negociações estão paralisadas "no momento".

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Estado Islâmico reivindica autoria de atentado com 63 mortes em Cabul

Um terrorista suicida se denotou no sábado às 11h da noite no meio de uma festa de casamento com mil convidados em Cabul, a capital do Afeganistão. Pelo menos 63 pessoas morreram e outras 180 saíram feridas. A organização terrorista Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo ataque.

O pior atentado terrorista do ano acontece no momento em que os Estados Unidos negociam a paz com a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes), que governou o país como um emirado islâmico totalitário de 1996 até outubro de 2001, quando uma intervenção americana atacou as bases da rede terrorista Al Caeda e derrubou o regime fundamentalista muçulmano que a acolhia.

Ao reagir ao ataque, o principal negociador americano, Zalmay Khalilzad, defendeu a "aceleração do processo de paz afegão, inclusive das negociações intra-afegãs. O sucesso vai colocar os afegãos numa posição muito mais forte para enfrentar o Estado Islâmico."

Os Talebã condenaram o "ataque brutal", mas fazem ações semelhantes. Meses atrás, explodiu um carro-bomba que deixou 45 mortos e outros 145 feridos.

A Guerra do Afeganistão é a mais longa da história dos EUA. Os dois governos eleitos com o apoio de Washington não conseguiram vencer a guerra nem com a ajuda militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA, a OTAN aplicou pela primeira vez a cláusula do Tratado de Washington que estabelece que um ataque contra qualquer país-membro é um ataque contra todos e participou da guerra no Afeganistão.

Este país está em guerra desde a invasão soviética de 1979, um dos marcos do início da Segunda Guerra Fria. Os EUA, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão financiam, armam e treinam a revolta muçulmana contra o invador para fazer do Afeganistão o Vietnã da União Soviética.

Os chamados árabes afegãos, liderados por Ossama ben Laden, fundaram em 1988 a rede terrorista Al Caeda, que depois da vitória sobre a URSS decidiu atacar também os EUA, em parte pela presença de tropas americanas no solo sagrado para os muçulmanos da Arábia Saudita depois da invasão do Kuwait pelo Iraque de Saddam Hussein, em 2 de agosto de 1990.

Ben Laden ofereceu seus homens para proteger o reino de um possível ataque de Saddam, mas o sultão preferiu pedir ajuda militar aos EUA. Os jihadistas nunca aceitaram a presença militar americana.

O Estado Islâmico nasceu como Al Caeda no Iraque, mas depois rompeu com a rede terrorista e tentou criar seu próprio império do terror durante a guerra civil na Síria.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Trump reconhece oficialmente soberania de Israel sobre Colinas do Golã

Ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o presidente Donald Trump deu hoje uma grande ajuda à reeleição, em 9 de abril, do líder israelense, denunciado por corrupção. Os Estados Unidos reconheceram oficialmente a soberania de Israel sobre as Colinas do Golã, ocupadas na Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, e anexadas à revelia do direito internacional em 1981.

Trump rompeu com uma política americana de décadas. Descreveu sua decisão como uma "ação histórica", alegando o Irã e grupos terroristas "continuam a fazer das Colinas do Golã um local para lançar ataques contra Israel".

O presidente americano citou como exemplo do que quer evitar um ataque de foguete do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) feito hoje da Faixa de Gaza que feriu sete pessoas perto de Telavive: "Isto deveria ter sido feito há décadas. Não queremos ver outro ataque como o da manhã de hoje."

Netanyahu agradeceu elogiando Trump como o maior amigo de Israel entre todos os presidentes dos EUA, reconhecendo o apoio dos anteriores. O primeiro-ministro citou a rejeição pelo atual presidente do "desastroso acordo nuclear com o Irã" negociado pelo governo Barack Obama e a transferência da embaixada americana de Telavive para Jerusalém.

"Israel nunca teve um amigo melhor do que você", declarou Netanyahu, que voltou imediatamente para o Oriente Médio por causa do ataque de foguetes, capaz de deflagrar uma nova guerra contra o Hamas em Gaza.

As Colinas do Golã foram tomadas por Israel na Guerra de 1967, quando tinham grande importância estratégica como base para lançamento de ataques contra o Estado judaico. Com o desenvolvimento da tecnologia de mísseis, perderam importância.

Até agora, a política oficial dos EUA e do resto do mundo era que o futuro do território árabe ocupado deveria ser acertado em negociações de paz entre Israel e a Síria. Trump anunciou a mudança via Twitter na quinta-feira passada.

A anexação cria um precedente para outros territórios ocupados em guerras, como a Cisjordânia, cada vez mais tomada por colonos israelenses.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Putin oferece retirada do Irã da Síria em troca de fim das sanções

O presidente Vladimir Putin ofereceu garantias de uma retirada total das forças do Irã da Síria em troca do fim das sanções econômicas dos Estados Unidos à Rússia, informou hoje o Canal 10 da televisão israelense.

Ao falar em nome do Irã, Putin muda sua posição negociadora. A proposta não foi confirmada, mas é improvável que os EUA aceitem, tendo em vista os inúmeros desentendimentos tanto com a Rússia como com o Irã.

Os EUA e seus aliados no Oriente Médio, especialmente a Arábia Saudita, pressionam o Irã a limitar suas intervenções no Bahrein, no Iêmen, no Iraque, no Líbano e na Síria. Ao romper o acordo nuclear assinado em 2015 pelo governo Barack Obama, as outras potências com direito de veto nas Nações Unidas e a Alemanha, o presidente Donald Trump deixou claro que exige o fim do desenvolvimento de mísseis de médio e longo alcances e a interferência em outros países da região.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Egito pressiona ANP a aceitar ajuda à Faixa de Gaza

O chefe do serviço secreto do Egito, Abbas Kamel, está pressionando o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, a aceitar um pacote de ajuda do Catar à Faixa de Gaza, sob pena de ficar isolado em futuras negociações, noticiou hoje o jornal liberal israelense Haaretz.

Desde o acordo de paz de Camp David, em 1979, o Egito é um mediador dos conflitos entre Israel e as diferentes facções palestinas, e colabora com o governo israelense no patrulhamento de sua fronteira com Gaza. Mas não consegue negociar a paz entre a ANP, que controla parte da Cisjordânia ocupada, e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que domina Gaza.

Esta divisão entre os principais grupos enfraquece o movimento nacional palestino e as chances de um acordo de paz com Israel que crie uma pátria para o povo palestino.

As Nações Unidas intermediaram uma trégua humanitária no mês passado para tentar evitar uma escalada de violência ou mesmo uma nova guerra entre Israel e o Hamas. O acordo foi feito sem a participação da ANP, minando a autoridade de Abbas.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Trump confirma reunião com Kim em 12 de junho em Cingapura

Depois de receber na Casa Branca o vice-presidente do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia do Norte e principal negociador nuclear do país, Kim Yong Chol, o presidente Donald Trump confirmou a realização de um encontro de cúpula com o ditador Kim Jong Un em 12 de junho, em Cingapura. 

Trump havia cancelado a reunião oito dias atrás, depois de duras críticas do regime norte-coreano ao vice-presidente Mike Pence e ao assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton. No fim de semana passado, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae In, teve um encontro inesperado com Kim para recolocar o processo de paz em andamento.

É hora de esquecer as acusações e o tiroteio verbal, declarou o presidente americano em tom otimista: "Nós superamos aquilo, superamos totalmente, e agora vamos negociar e realmente começar um processo". Ele esclareceu que os EUA não vão suspender as sanções antes de obter a total desnuclearização da Coreia do Norte.

Em várias ocasiões, Kim acenou com a possibilidade de uma "desnuclearização", mas a própria CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço da espionagem dos EUA, não acredita que o regime comunista de Pyongyang entregue todas as armas atômicas que levou tantos anos para desenvolver.

Quando comparada à Líbia ou ao Irã, a Coreia do Norte coloca-se imediatamente na posição de potência nuclear. Na troca de acusações que Trump chamou de "hostilidade aberta", o regime stalinista norte-coreano deixou claro que não aceita um desarmamento unilateral sem contrapartida, como ponto de partida das negociações.

terça-feira, 27 de março de 2018

Kim Jong Un vai à China antes do encontro com Trump

Em sua primeira viagem ao exterior desde que virou ditador da Coreia do Norte, em 2011, Kim Jong Un foi ontem a Beijim, deixando claro que a China terá um peso importante nas negociações de sua aliada com os Estados Unidos. Kim deve receber o presidente Donald Trump até o fim de maio.

A presença de um trem blindado norte-coreano na estação central da capital da China suscitou especulações ontem. O regime comunista chinês confirmou a visita de Estado de dois dias, parte da preparação para a reunião de cúpula EUA-Coreia do Norte. Pelo esquema de segurança, Kim deve ter se encontrado com o ditador chinês, Xi Jinping.

Os dois países são antigos aliados. Durante a Guerra da Coreia (1950-53), quando a aliança liderada pelos EUA cruzou o paralelo 38º Norte na linha que divide as duas Coreias, a China entrou no conflito. Queria e conseguiu impedir a reunificação da Península Coreana sob o controle dos EUA, que ocupavam militarmente o Sul desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Dentro da Guerra da Coreia, houve uma guerra particular entre a China e os EUA - e a China ganhou. Conquistou o objetivo estratégico de empurrar os americanos e aliados para baixo do paralelo 38º N, restaurando a situação anterior à guerra. Nunca mais os EUA e a China estiveram em guerra.

Depois dos testes nucleares e de mísseis da Coreia do Norte, que aumentaram o risco de guerra, a China concordou com as sanções propostas pelos EUA dentro do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Maior parceira comercial de Pyongyang, a China é decisiva para a aplicação das sanções.

Sob pressão das sanções e das ameaças de guerra de Trump, no discurso de Ano Novo, Kim abandonou o discurso belicista, enviou uma delegação à Olimpíada de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul, marcou um encontro de cúpula com o presidente sul-coreano, Moon Jae In, e finalmente convidou Trump a ir à Coreia do Norte.

Ao mesmo tempo em que pressiona a China a enquadrar Kim, Trump anunciou a imposição de tarifas de US$ 60 bilhões sobre os produtos chineses. As duas maiores potências econômicas do planeta já estão negociando em sigilo, mas a ameaça de guerra comercial deteriorou as relações EUA-China.

Kim pode usar o encontro com Trump para alegar que está pronto para negociar a paz e assim pedir à China para aliviar as sanções. Na carta-convite, ele acenou com a possibilidade de abandonar as armas nucleares em troca de garantias de segurança.

Se Kim exigir a retirada das forças dos EUA da Coreia do Sul, hoje cerca de 28 mil soldados, a resposta certamente será não. Durante a Guerra Fria, as forças americanas estavam no Leste da Ásia para proteger seus aliados do Japão e da Coreia do Norte. Hoje, fazem parte da estratégia para conter a China. Uma retirada dos EUA deixaria o controle estratégico da região nas mãos da China.

"A visita de Kim a Beijim mostra a todos os países interessados que a China é um ator central na geopolítica do Nordeste da Ásia e que qualquer solução sobre a Coreia do Norte vai precisar da aprovação chinesa", declarou Dennis Wilder, ex-assessor do governo George W. Bush (2001-9) para a Ásia.

Há muito tempo, a China defende negociações diretas entre os EUA e a Coreia do Sul. Quando a hora chegou, não quer ficar de fora. "A China quer voltar ao jogo. Beijim não gosta a ideia de ficar nas laterais", comentou Paul Haenle, diretor do Centro Carnegie-Tsinghua para a Política Global, com sede em Beijim.

"Os chineses devem andar aliviados porque, pelo menos por enquanto, o governo Trump não numa ação militar contra a Coreia do Norte e a diplomacia está de volta", observou Bonnie Glaser, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington. "Por outro lado, entendem que não podem proteger seus interesses se não estiverem envolvidos."

Beijim viu um Kim sorridente, mais autoconfiante com suas armas nucleares e sua nova estratégia diplomática.

De outra parte, o novo assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o linha-dura John Bolton, ex-embaixador do governo George W. Bush na ONU, deixou claro seu conselho ao presidente Trump sobre o encontro com Kim: "Vamos entrar e perguntar a ele se está realmente disposto a abrir mão das armas nucleares. Em cinco minutos, o problema estará resolvido ou a reunião será encerrada."

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

ELN anuncia trégua eleitoral na Colômbia

O Exército de Libertação Nacional tenta retomar as negociações de paz com o governo da Colômbia. Depois de romper a trégua e matar sete policiais, o grupo guerrilheiro de esquerda anunciou ontem um cessar-fogo durante as eleições parlamentares do próximo mês e propôs o reinício do diálogo.

"Quando nos aproximamos das eleições de 11 de março, mesmo que não endossemos este processo falho, em sinal de respeito aos homens e mulheres da Colômbia que irão votar, o ELN vai cessar suas operações militares ofensivas entre 9 e 13 de março", declarou o grupo em nota publicada na Internet.

Nestas eleições para a Câmara e o Senado, pela primeira vez, os ex-guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) vão participar do processo político como Forças Alternativas Revolucionárias do Comum (FARC), depois de um acordo negociado durante quatro anos, em Cuba. O partido preserva a marca registrada do que era o maior grupo guerrilheiro de esquerda colombiano.

As negociações com as FARC são o modelo para o ELN, que tem muito menos poder de barganha. As FARC, enfraquecidas pela guerra deflagrada pelo presidente Álvaro Uribe (2002-10), tinham 8 mil homens em armas quando o governo Juan Manuel Santos o diálogo pela paz, em 2012. O ELN tem entre 1,5 e 2 mil guerrilheiros desgastados por uma guerra sem sentido.

Na declaração de cessar-fogo, o ELN pede a Santos que "marque uma data para o início da quinta rodada de negociações e envie uma delegação para o diálogo em Quito. Naquela data, todos os nossos delegados também irão à capital do Equador."

O diálogo entre o governo Santos e o ELN começou em 7 de fevereiro de 2017, em Quito. Foi suspenso pelo presidente colombiano em 29 de janeiro de 2018 depois de vários ataques da guerrilha que resultaram na morte de sete policiais. Uma unidade de guerrilha urbana do ELN reivindicou um ataque a Barranquilla em que cinco policiais morreram e 41 saíram feridos.

sábado, 30 de setembro de 2017

Líder do ELN ordena cessar-fogo a partir da meia-noite

Todos os guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN), segundo maior grupo rebelde da Colômbia, receberam ordens de cessar fogo a partir da meia-noite deste sábado pela hora local, 2h da madrugada de domingo em Brasília.

A mensagem foi transmitida diretamente pelo comandante Nicolás Rodríguez Bautista, mais conhecido como Gabino, na sexta-feira à noite, através de uma das rádios rebeldes do grupo. É consequência de uma trégua anunciada em 4 de setembro por negociadores do governo colombiano e do ELN. Deve durar de 1º de outubro de 2017 a 12 de janeiro de 2018.

 "Não tenho dúvida da nossa lealdade ao cumprir este compromisso", declarou Gabino, ressaltando que todo o alto comando do ELN apoia o acordo bilateral de cessar-fogo com o governo Juan Manuel Santos. A trégua, acrescentou, trará "um alívio humanitário significativo para a população colombiana, especialmente para os pobres e moradores de zonas de conflito."

Depois do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que está na fase de desmobilização dos guerrilheiros e desarmamento, o presidente Santos negocia a paz com o segundo maior grupo armado colombiano dentro de sua estratégia de pacificação.

A guerrilha já entendeu que a luta armada não faz mais sentido. Resta acertar os termos de sua integração à sociedade civil como partido político. As FARC tinham 7 mil homens em armas. O ELN tem cerca de 1,5 mil.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Assessor de Trump diz que Muro das Lamentações não fica em Israel

Durante reuniões para preparar a primeira visita do presidente Donald Trump a Israel, o assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Herbert McMaster, afirmou duas vezes que "o Muro das Lamentações não fica em território israelense". O governo Trump negou que seja sua posição oficial.

"Os comentários sobre o Muro Ocidental não foram autorizados e não representam a posição dos EUA nem, com certeza, do presidente", declarou um alto funcionário americano citado pelo jornal conservador israelense The Times of Israel.

Ao acertar detalhes da viagem a ser realizada em 22 e 23 de maio, McMaster teria rejeitado um pedido do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu para acompanhar o presidente na visita ao Muro das Lamentações, alegando que o Muro Ocidental "não fica em seu território. É parte da Cisjordânia.

O Muro Ocidental ou Muro das Lamentações é só o que resta do Templo de Jerusalém, destruído por uma invasão romana no ano 70 depois de Cristo. Por isso, é chamado de Muro das Lamentações, onde os judeus rezam e lamentam a destruição do templo.

Hoje o muro fica junto à Esplanada das Mesquitas. Os israelenses chamam de Monte do Tempo e os árabes de Santuário Nobre, de onde o profeta Maomé teria ascendido ao céu depois da morte. Está situado no setor oriental (árabe) de Jerusalém, ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Como a direita israelense e os judeus ortodoxos sonham em reconstruir o templo, os muçulmanos temem que pretendam derrubar as mesquitas para fazer isso. Uma visita ao muro do então líder da oposição em Israel, Ariel Sharon, em 28 de setembro de 2000, deflagrou a Segunda Intifada (revolta das pedras) e acabou com uma iniciativa do presidente americano Bill Clinton de promover um acordo de paz definitivo entre palestinos e israelenses.

Até hoje, nenhum presidente dos EUA visitou o Muro das Lamentações no exercício do mandato porque a situação de Jerusalém precisa ser resolvida nas negociações de paz. A maioria dos países mantém suas embaixadas em Telavive por rejeitar a anexação do setor oriental de Jerusalém em Israel.

Na campanha para a Casa Branca, Trump prometeu mudar a embaixada dos EUA para Jerusalém. Havia expectativa de um anúncio no primeiro dia de governo. Em encontro dias atrás com Netanyahu para preparar a visita de Trump, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, explicou que a medida não foi tomada para não prejudicar as negociações.

O primeiro-ministro respondeu que a transferência "ajudaria o processo de paz" ao "acabar com o sonho palestino de que Jerusalém não é a capital de Israel". Netanyahu lidera um governo de ultradireita que depende do apoio de colonos instalados ilegalmente na Cisjordânia ocupada. Vários ministros, como Naftali Bennett, do partido Casa Judaica, falam simplesmente em anexar o território.

Historicamente, a direita israelense sempre foi contra a devolução dos territórios ocupados em 1967. Enquanto negocia para ganhar tempo, amplia a colonização para criar uma política de fato consumado. Em 2005, depois de dar uma guinada para o centro em busca da paz, o primeiro-ministro linha-dura Ariel Sharon, retirou as forças israelenses da Faixa de Gaza.

Dois anos depois, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), um grupo extremista muçulmano assumiu o controle da Faixa de Gaza depois de derrotar a Fatah (Luta) numa guerra civil palestina. Desde então, usa o território para atacar Israel, que contra-atacou em três guerras contra o Hamas.

As guerras em Gaza são citadas como exemplo pela direita israelense do risco que o país correria se os palestinos controlassem a Cisjordânia.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

EUA acusam Síria de matar milhares e cremar cadáveres

A ditadura de Bachar Assad está enforcando 50 prisioneiros por dia na prisão militar de Saidnaia, a 45 quilômetros de Damasco, a capital da Síria, e queimando os corpos, denunciou hoje o Departamento de Estado americano.

Ao apresentar as fotos de alterações na prisão militar para instalar um crematório, o secretário de Estado adjunto para o Oriente Médio, Stu Jones, acusou Assad de "cair a um novo nível de depravação" com o apoio de seus maiores aliados, a Rússia e o Irã.

Os Estados Unidos colocam em dúvida a proposta de criação de zonas de segurança acertada pela Rússia, a Turquia e o Irã nas negociações de paz lideradas pelo Kremlin em Astana, a capital da ex-república soviética do Casaquistão. E até mesmo a intenção de Assad de fazer a paz.

No mês passado, o presidente Donald Trump ordenou o bombardeio de uma base aérea síria de onde saíram aviões responsáveis por um ataque com armas químicas, mas não tem uma estratégia nem uma proposta de paz para acabar com a guerra civi no país.

Dos 400 mil mortos em seis anos de guerra civil na Síria, pelo menos 60 mil morreram em prisões, estima o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental ligada à oposição, com sede em Londres, que monitora a guerra civil no país.

Um relatório da organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional denunciou que entre 2011 e 2015 ao menos 13 mil pessoas foram enforcadas na prisão militar de Saidnaia, descrita como um "matadouro".

Na entrevista coletiva desta segunda-feira na Casa Branca, o porta-voz de Trump, Sean Spicer, declarou que os EUA querem "trabalhar com a Rússia e o Irã para encontrar uma solução para a situação na Síria", se estes países "reconhecerem que o regime de Assad cometeu atrocidades e usarem sua influência para acabar com elas".

"A Síria nunca será segura e estável com Assad no poder", mas não confirmou se o governo Trump exige uma mudança de regime.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Colômbia volta a negociar paz com ELN em janeiro

Ao mesmo tempo em que o Congresso ratificava o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o governo colombiano anunciou ontem o reinício, em janeiro de 2017, do diálogo com o Exército de Libertação Nacional (ELN), noticiou o jornal Latin American Herald Tribune.

Em declaração divulgada em Quito, a capital do Equador, onde será realizada a primeira rodada de negociações com o ELN, os representantes do governo manifestaram a esperança de que até lá seja libertado o ex-deputado Odín Sánchez, sequestrado pelo grupo.

O início de negociações de paz entre o governo e o segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia foi anunciado em 27 de outubro, em Quito. Por causa do sequestro de Sánchez, o presidente Juan Manuel Santos não viajou ao Equador.

Em 7 de novembro, o comandante supremo do ELN, Nicolás Rodríguez Bautista, de nome de guerra Gabino, perdão para dois rebeldes capturados pelo governo para soltar o ex-deputado. O governo colombiano respondeu que qualquer perdão "deve cumprir a lei em vigor".

A Colômbia agradeceu à colaboração do Equador e ao apoio de Brasil, Chile, Cuba, Noruega e Venezuela às negociações de paz com o ELN.

Com a ratificação pelo Congresso do acordo de paz com as FARC, os cerca de 7 mil homens em armas devem se concentrar em 20 áreas determinadas e entregar as armas sob a supervisão das Nações Unidas nos próximos seis meses. Mas a guerrilha advertiu que só vai depor as armas depois da aprovação de uma anistia para 2 mil guerrilheiros presos. É a próxima batalha legislativa do presidente Santos.

A oposição ao acordo, liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, considera uma rendição a garantia de vagas no Congresso para as FARC nas duas próximas eleições, independentemente do resultado das urnas.

sábado, 1 de outubro de 2016

ELN liberta refém na Colômbia

O Exército de Libertação Nacional (ELN), segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia, libertou ontem um refém na zona rural do departamento de Arauca, noticiou a Rádio Santa Fé.

A libertação de todos os reféns e o fim dos sequestros são exigências do governo colombiano para o começo de negociações formais de paz com o ELN. As duas partes concordaram em iniciar um processo de paz em março. Os sequestros eram um obstáculo.

Agora, a expectativa é que as negociações, a serem realizadas no vizinho Equador, comecem em breve.

Neste domingo, o eleitorado colombiano decide em referendo se aceita o acordo de paz negociado entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Mesmo se as FARC e o ELN abandonarem a luta armada, a violência e a criminalidade devem persistir em algumas zonas rurais da Colômbia.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Segundo maior grupo rebelde da Colômbia quer negociar a paz

Três dias depois do acordo histórico entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o Exército de Libertação Nacional (ELN), segundo maior grupo guerrilheiro do país, declarou estar preparado para negociar a paz, informou hoje a televisão pública britânica BBC.

Em março de 2016, o governo e o ELN, outro grupo guerrilheiro marxista, anunciaram o início de negociações formais no Equador, mas os rebeldes não cumpriram uma exigência do presidente Juan Manuel Santos, acabar com os sequestros, usados pela guerrilha para financiar a luta armada.

A era da luta armada na América Latina acabou. O ELN foi fundado em 1964, sob a inspiração da Revolução Cubana de 1959, depois de um período conhecido na história da Colômbia como La Violencia em que cerca de 200 mil pessoas foram mortas.

Pela primeira vez desde o assassinato do candidato liberal Jorge Eliécer Gaitán, em 9 de abril de 1948, ou talvez pela primeira em sua história, a Colômbia tem uma expectativa de paz.

Mesmo assim, como aconteceu na América Central, há um sério risco de que ex-guerrilheiros endurecidos pela luta armada não se integrem plenamente à vida civil e entrem para o crime organizado, continuando vidas violentas.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Total de mortos na guerra civil da Síria passa de 300 mil, diz ONG

Mais de 300 mil pessoas foram mortas em cinco anos e meio de guerra civil na Síria, estimou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), uma organização não governamental com sede em Londres que monitora o conflito. O cessar-fogo em vigor desde o pôr-do-sol da ontem parece estar sendo respeitado.

A estimativa é conservadora e se baseia em notícias e informações coletadas no terreno. Em 23 de abril de 2016, o enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe para medir a paz na Síria, Staffan de Mistura, falou em 400 mil mortos.

Pelos dados do OSDH, cerca de 9 mil pessoas foram mortas desde 8 de agosto, quando o balanço estava em 292.817 mortes confirmadas. Em 12 de setembro, o total chegou a 301.781, sendo 86.692 civis, entre eles 15.099 crianças.

Entre os rebeldes, morreram 52.359 combatentes. Também foram mortos 52.031 jihadistas ligados às organizações terroristas Al Caeda e Estado Islâmico do Iraque e do Levante. A ditadura de Bachar Assad perdeu 107.054 homens, sendo 59.006 soldados. Outras 3.645 não foram identificados.

O cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos e a Rússia deve durar uma semana. Seu objetivo é permitir a ajuda humanitária e criar condições para o reinício das negociações de paz. O Estado Islâmico e a Frente de Luta do Levante (Jabhat Fatah al-Cham) estão excluídos da trégua.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Presidente filipino expulsa forças especiais dos EUA de Mindanao

Em mais um sinal de aproximação com a China, o presidente Rodrigo Duterte avisou os Estados Unidos que devem retirar suas forças especiais da ilha de Mindanao, no Sul das Filipinas, onde assessoram o Exército do país na luta contra separatistas muçulmanos, noticiou a Agência France Presse (AFP).

Duterte está empenhado em negociar a paz tanto com os rebeldes comunistas como com os muçulmanos que há décadas lutam contra o governo central das Filipinas. Um porta-voz da Presidência confirmou que a decisão reflete uma mudança na política externa e um afastamento dos EUA, a antiga potência colonial.

Na semana passada, Duterte chegou a chamar o presidente Barack Obama de "filho da puta" numa língua nativa de seu país, repudiando críticas às violações dos direitos humanos na sua guerra contra as drogas, que em dois meses matou mais de 2,4 mil pessoas.

As Filipinas têm uma disputa territorial com a China no Mar do Sul da China. Em 12 de julho, receberam uma decisão favorável da Corte Permanente de Arbitragem, um tribunal internacional com sede em Haia, na Holanda, que desconheceu os "direitos históricos" da China sobre 90% do Mar do Sul da China. A China ignorou o resultado do julgamento.

domingo, 11 de setembro de 2016

Bombardeios matam 90 pessoas antes da trégua na Síria

Pelo menos 90 pessoas foram mortas ontem e hoje em bombardeios aéreos das Forças Aéreas da Rússia e da Síria contra áreas dominadas por rebeldes, antes do início de um cessar-fogo na guerra civil síria previsto para começar ao pôr-do-sol desta segunda-feira.

Em Alepo, pelo menos 18 civis foram mortos. O maior ataque foi no sábado a um mercado público em Idlibe, uma cidade em poder dos rebeldes, onde mais de 60 pessoas morreram. Entre os mortos, há pelo menos 13 mulheres e 13 crianças.

O cessar-fogo de uma semana visa a permitir o acesso de ajuda humanitária a áreas sitiadas, facilitar o combate dos Estados Unidos e da Rússia, mediadores do acordo, às organizações terroristas Estado Islâmico do Iraque e do Levante e Frente de Luta no Levante, que estão excluídas da trégua, e preparar o ambiente para o reinício das negociações de paz.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

ELN rejeita acordo de paz das FARC

O líder do segundo maior grupo guerrilheiro colombiano, o Exército de Libertação Nacional (ELN), rejeitou os termos do acordo de paz anunciado entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Nicolás Rodríguez Bautista, mais conhecido pelo nome de guerra Gabino, não deu maiores detalhes. O acordo com as FARC enfraquece a posição do ELN, que reluta em iniciar negociações de paz para abandonar a luta armada e se integrar à vida civil.

O governo tem interesse em iniciar logo as negociações para evitar que guerrilheiros das FARC simplesmente entrem para o ELN, que estaria se preparando para ocupar algumas regiões hoje em poder das FARC.

É um dos poucos instrumentos de barganha da cúpula do ELN. O governo colombiano teme que o comando não seja capaz de impor suas decisões à base e pode passar a tratar o grupo como uma organização criminosa comum, negando legitimidade a suas ambições políticas.