O primeiro presidente da era dos reality shows monta um governo de comentaristas de televisão, observa hoje o boletim The Daily 202, do jornal The Washington Post. Donald Trump, um presidente com fama de não ler nem o informe de inteligência preparado diariamente pelos serviços secretos dos Estados Unidos, se informa pela TV e nela recruta seus ministros.
No Departamento de Estado, Rex Tillerson, foi substituído pelo diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), Mike Pompeo, sempre pronto a defender o presidente nos programas de entrevistas. Trump não confirma, mas deve substituir o assessor de Segurança Nacional, general Herbert McMaster. O mais cotado é o ex-embaixador na ONU John Bolton, comentarista do canal direitista Fox News.
Como principal conselheiro econômico da Casa Branca, sai Gary Cohn, ex-diretor do banco de investimentos Goldman Sachs, e entra Larry Kudlow, analista do canal de notícias CNBC. Para assumir a Secretaria dos Veteranos, o favorito é Pete Hagseth, apresentador do programa Fox and Friends Weekend.
Heather Nauert, ex-apresentadora do programa Fox and Friends, foi promovida de porta-voz do Departamento de Estado a subsecretária de Estado para Diplomacia Pública. Substitui Steve Goldstein, demitido por contradizer publicamente a Casa Branca ao questionar a demissão do secretário Rex Tillerson.
Como de costume, Trump desvaloriza o conhecimento e os verdadeiros especialistas, e opta por celebridades. Durante a transição entre a eleição e a posse, o presidente manifestou o interesse de levar Bolton, Hegseth e Kudlow para o governo. Foi convencido de que eles não eram qualificados para o cargo.
Cada vez mais Trump forma um governo com sua cara e suas ideias.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 16 de março de 2018
terça-feira, 13 de março de 2018
Trump demite secretário de Estado e indica chefe da CIA para o cargo
Em mais uma decisão inesperada, o presidente Donald Trump demitiu hoje o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, alegando os dois têm "mentalidades diferentes" e discordavam em questões importantes como o acordo nuclear com o Irã.
O novo chefe da diplomacia dos Estados Unidos será o atual diretor de Agência Central de Inteligência (CIA), Mike Pompeo, que será substituído por Gina Haspel. Ela é acusada de participar de tortura de suspeitos de terrorismo na Tailândia, em 2002, e de destruir gravações que poderiam ser provas, em 2005.
Depois de um ano e dois meses no cargo, Tillerson soube da demissão pelo Twitter, pouco depois do jornal The Washington Post dar a notícia em primeira mão. Ele agradeceu a quem trabalhou com ele nos departamento de Estado e da Defesa, mas não ao presidente.
Trump e Tillerson tiveram várias desavenças em público. Na audiência de confirmação no Senado, em fevereiro do ano passado, o secretário adotou uma posição muito mais dura em relação à Rússia do que o discurso do presidente, suspeito de conluio com o Kremlin durante a campanha.
Tillerson propôs em abril um corte de 2,3 mil empregos e de 26% do orçamento do Departamento de Estado para poupar recursos a serem investidos pelo Departamento de Defesa dentro da política de Trump de dar mais valor ao poderio militar do que à diplomacia, como se o sucesso de um não dependesse do outro.
Internamente, isso foi visto como um enfraquecimento da diplomacia americana. Muitos diplomatas pediram demissão ou se aposentaram. Subsecretários como o da América Latina não foram nomeados.
O presidente rejeitou, em maio, o nome sugerido por Tillerson para subsecretário de Estado, Elliott Abrams, um linha dura da era Ronald Reagan (1981-89), por tê-lo criticado durante a campanha.
Apesar dos apelos de Tillerson, do secretário da Defesa, James Mattis, e dos generais do Pentágono, em 2 de junho, Trump anunciou a retirada dos EUA do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima.
Quando a Arábia Saudita, o Egito e outras monarquias petroleiras do Golfo Pérsico decidiram boicotar e isolar o Catar sob a acusação de ser próximo do Irã, Trump apoiou a iniciativa do novo príncipe herdeiro saudita, Mohamed ben Salman. Tillerson pediu união no combate ao terrorismo.
Em outubro do ano passado, a imprensa americana revelou que o secretário chamou o presidente de idiota. Trump respondeu via Twitter que é mais inteligente e tem um quociente intelectual (QI) maior.
No mesmo mês, o presidente desprezou o esforço do secretário para negociar com a Coreia do Norte no Twitter: "Poupe sua energia, Rex! Vamos fazer o que tiver de ser feito", como quem diz que não valeria a pena o esforço de negociar, numa ameaça de uso da força.
Na semana passada, convidado pelo ditador Kim Jong Un para ir a Pyongyang, Trump aceitou imediatamente, enquanto o secretário observava que seriam necessários meses para preparar tal encontro.
Quanto ao Irã, Tillerson é a favor da manutenção do acordo nuclear negociado com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Sob pressão da direita republicana e de Israel, Trump é contra. Não acredita que o modelo iraniano sirva para negociar com a Coreia do Norte.
A esperada reunião de cúpula com o ditador norte-coreano será organizada por Pompeo, um linha-dura que se negou a condenar a tortura, fez várias declarações preconceituosas sobre muçulmanos, é contra o acordo nuclear com o Irã e não acredita que Kim cogite abrir mão de suas armas atômicas.
O novo chefe da diplomacia dos Estados Unidos será o atual diretor de Agência Central de Inteligência (CIA), Mike Pompeo, que será substituído por Gina Haspel. Ela é acusada de participar de tortura de suspeitos de terrorismo na Tailândia, em 2002, e de destruir gravações que poderiam ser provas, em 2005.
Depois de um ano e dois meses no cargo, Tillerson soube da demissão pelo Twitter, pouco depois do jornal The Washington Post dar a notícia em primeira mão. Ele agradeceu a quem trabalhou com ele nos departamento de Estado e da Defesa, mas não ao presidente.
Trump e Tillerson tiveram várias desavenças em público. Na audiência de confirmação no Senado, em fevereiro do ano passado, o secretário adotou uma posição muito mais dura em relação à Rússia do que o discurso do presidente, suspeito de conluio com o Kremlin durante a campanha.
Tillerson propôs em abril um corte de 2,3 mil empregos e de 26% do orçamento do Departamento de Estado para poupar recursos a serem investidos pelo Departamento de Defesa dentro da política de Trump de dar mais valor ao poderio militar do que à diplomacia, como se o sucesso de um não dependesse do outro.
Internamente, isso foi visto como um enfraquecimento da diplomacia americana. Muitos diplomatas pediram demissão ou se aposentaram. Subsecretários como o da América Latina não foram nomeados.
O presidente rejeitou, em maio, o nome sugerido por Tillerson para subsecretário de Estado, Elliott Abrams, um linha dura da era Ronald Reagan (1981-89), por tê-lo criticado durante a campanha.
Apesar dos apelos de Tillerson, do secretário da Defesa, James Mattis, e dos generais do Pentágono, em 2 de junho, Trump anunciou a retirada dos EUA do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima.
Quando a Arábia Saudita, o Egito e outras monarquias petroleiras do Golfo Pérsico decidiram boicotar e isolar o Catar sob a acusação de ser próximo do Irã, Trump apoiou a iniciativa do novo príncipe herdeiro saudita, Mohamed ben Salman. Tillerson pediu união no combate ao terrorismo.
Em outubro do ano passado, a imprensa americana revelou que o secretário chamou o presidente de idiota. Trump respondeu via Twitter que é mais inteligente e tem um quociente intelectual (QI) maior.
No mesmo mês, o presidente desprezou o esforço do secretário para negociar com a Coreia do Norte no Twitter: "Poupe sua energia, Rex! Vamos fazer o que tiver de ser feito", como quem diz que não valeria a pena o esforço de negociar, numa ameaça de uso da força.
Na semana passada, convidado pelo ditador Kim Jong Un para ir a Pyongyang, Trump aceitou imediatamente, enquanto o secretário observava que seriam necessários meses para preparar tal encontro.
Quanto ao Irã, Tillerson é a favor da manutenção do acordo nuclear negociado com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Sob pressão da direita republicana e de Israel, Trump é contra. Não acredita que o modelo iraniano sirva para negociar com a Coreia do Norte.
A esperada reunião de cúpula com o ditador norte-coreano será organizada por Pompeo, um linha-dura que se negou a condenar a tortura, fez várias declarações preconceituosas sobre muçulmanos, é contra o acordo nuclear com o Irã e não acredita que Kim cogite abrir mão de suas armas atômicas.
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Papéis do Paraíso revelam riqueza escondida da elite mundial
Mais de 13 milhões de documentos mostram como parte da elite mundial escondeu US$ 350 bilhões em 19 paraísos fiscais, inclusive a rainha da Inglaterra, grandes empresas, um ministro e assessores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Os documentos foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e examinados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e estão sendo divulgados por 95 meios de comunicação, entre eles o jornal britânico The Guardian e o francês Le Monde.
A rainha tem o equivalente a US$ 13 milhões investidos nas Ilhas Cayman. Hoje de manhã, o Palácio de Buckingham se apressou em esclarecer que o dinheiro de Sua Majestade é administrado pelo Ducado de Lancaster e negou que Elizabeth II seja beneficiária de evasão fiscal.
Durante a campanha eleitoral de 2016, Trump prometeu "trazer de volta trilhões de dólares que as empresas americanas mantêm no exterior". Um ano depois de sua vitória, revela-se que vários dos milionários de sua assessoria guardam parte de suas fortunas no exterior ou ajudam seus clientes e empresas a fazer depósitos em paraísos fiscais.
A descoberta mais grave é a sociedade de uma empresa de transporte marítimo chamada Navigator, do secretário do Tesouro, Wilbur Ross, que em 2014 recebeu US$ 68 milhões da companhia de gás russa Sibur. Ross não revelou essa ligação com a Rússia como teria obrigação de fazer.
Um dos proprietários da Sibur empresa é Kiril Chamalov, casado com Katherina Tikhonova, filha do presidente Vladimir Putin, acusado de apoiar a candidatura Donald Trump com uma guerra cibernética contra a candidatura Hillary Clinton.
Apesar das sanções impostas pelos EUA e a União Europeia à Rússia em 2014 por causa da anexação da Península da Crimeia, a Navigator ampliou sua relações com a Sibur. O Congresso e o procurador especial Robert Mueller investigam um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin para derrotar Hillary.
Duas instituições estatais russas ligadas a Putin usaram um sócio de Jared Kushner, genro de Trump, para investir US$ 1,2 bilhão no Facebook e no Twitter, onde os serviços secretos russos criaram 470 contas com identidades falsas e publicaram 3 mil mensagens para manipular as eleições nos EUA.
O chefe da assessoria econômica da Casa Branca, Gary Cohn, principal responsável pela proposta de cortes de impostos que favorece sobretudo os ricos e as grandes empresas, foi presidente ou vice-presidente de 22 empresas offshore situadas nas ilhas Bermudas durante 2002 e 2006, quando era executivo do banco de investimentos Goldman Sachs.
As empresas, especializadas em mercado imobiliário tinham sede na ilha e um endereço em Nova York, 85 Broad Street, onde até 2009 era o quartel-general do Goldman Sachs.
O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, dirigiu a Marib Upstream Services Company, uma empresa ligada à transnacional americana ExxonMobil criada nas ilhas Bermudas em 1997 para explorar gás e petróleo no Iêmen, antes de virar diretor-presidente da Exxon.
Em relatório publicado no ano passado, o grupo de ativistas Cidadãos por Justiça Fiscal denunciou que a ExxonMobil tem pelo menos 35 subsidiárias em paraísos fiscais como as Bahamas, Bermudas e Cayman. Elas tinham pelo menos US$ 51 bilhões quando Tillerson chefiava a empresa.
Como banqueiro na Wall Street, o centro financeiro de Nova York, o agora secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, criou esquemas financeiros para permitir que clientes ricos comprassem jatinhos de luxo sem pagar impostos.
Um documento vazado em outubro de 2015 revela que o CIT Bank usou uma companhia da Ilha do Homem, um paraíso fiscal nas Ilhas Britânicas, para pagar uma prestação de US$ 431 mil pela compra de um avião Dassault Falcon 2000EX de US$ 30 milhões.
O dono da empresa é Shaher Abdulhak Besher, aliado do ex-ditador iemenita Ali Abdullah Saleh, um dos principais responsáveis pela guerra civil no país mais pobre do Oriente Médio. Seu filho, Farouk Abdulhak, é suspeito de estuprar e matar uma jovem de 23 anos em Londres.
Já o novo embaixador americano em Moscou, o ex-governador de Utah Jon Huntsman é apontado como diretor da HICI International Sales Corporation, fundada em 1969 em Barbados para realizar vendas internacionais para a Huntsman ICI, a indústria química da Huntsman Corporation. Em 2000, esta empresa faturou US$ 4,4 bilhões e lucrou US$ 151 milhões.
Até o primeiro-ministro liberal do Canadá, Justin Trudeau, uma das jovens promessas de liderança internacional, ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, foi atingido. Seu principal arrecadador de campanha, Stephen Bronfman, herdeiro da destilaria Seagram, operava uma rede de empresas que circulava milhões de dólares entre os EUA, Israel e as Ilhas Cayman para não pagar impostos.
No Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem um truste nas Bermudas, mas está declarado à Receita Federal. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, grande pecuarista, é sócio de uma empresa nas Ilhas Cayman para pagar menos impostos sobre suas exportações.
Os documentos foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e examinados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e estão sendo divulgados por 95 meios de comunicação, entre eles o jornal britânico The Guardian e o francês Le Monde.
A rainha tem o equivalente a US$ 13 milhões investidos nas Ilhas Cayman. Hoje de manhã, o Palácio de Buckingham se apressou em esclarecer que o dinheiro de Sua Majestade é administrado pelo Ducado de Lancaster e negou que Elizabeth II seja beneficiária de evasão fiscal.
Durante a campanha eleitoral de 2016, Trump prometeu "trazer de volta trilhões de dólares que as empresas americanas mantêm no exterior". Um ano depois de sua vitória, revela-se que vários dos milionários de sua assessoria guardam parte de suas fortunas no exterior ou ajudam seus clientes e empresas a fazer depósitos em paraísos fiscais.
A descoberta mais grave é a sociedade de uma empresa de transporte marítimo chamada Navigator, do secretário do Tesouro, Wilbur Ross, que em 2014 recebeu US$ 68 milhões da companhia de gás russa Sibur. Ross não revelou essa ligação com a Rússia como teria obrigação de fazer.
Um dos proprietários da Sibur empresa é Kiril Chamalov, casado com Katherina Tikhonova, filha do presidente Vladimir Putin, acusado de apoiar a candidatura Donald Trump com uma guerra cibernética contra a candidatura Hillary Clinton.
Apesar das sanções impostas pelos EUA e a União Europeia à Rússia em 2014 por causa da anexação da Península da Crimeia, a Navigator ampliou sua relações com a Sibur. O Congresso e o procurador especial Robert Mueller investigam um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin para derrotar Hillary.
Duas instituições estatais russas ligadas a Putin usaram um sócio de Jared Kushner, genro de Trump, para investir US$ 1,2 bilhão no Facebook e no Twitter, onde os serviços secretos russos criaram 470 contas com identidades falsas e publicaram 3 mil mensagens para manipular as eleições nos EUA.
O chefe da assessoria econômica da Casa Branca, Gary Cohn, principal responsável pela proposta de cortes de impostos que favorece sobretudo os ricos e as grandes empresas, foi presidente ou vice-presidente de 22 empresas offshore situadas nas ilhas Bermudas durante 2002 e 2006, quando era executivo do banco de investimentos Goldman Sachs.
As empresas, especializadas em mercado imobiliário tinham sede na ilha e um endereço em Nova York, 85 Broad Street, onde até 2009 era o quartel-general do Goldman Sachs.
O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, dirigiu a Marib Upstream Services Company, uma empresa ligada à transnacional americana ExxonMobil criada nas ilhas Bermudas em 1997 para explorar gás e petróleo no Iêmen, antes de virar diretor-presidente da Exxon.
Em relatório publicado no ano passado, o grupo de ativistas Cidadãos por Justiça Fiscal denunciou que a ExxonMobil tem pelo menos 35 subsidiárias em paraísos fiscais como as Bahamas, Bermudas e Cayman. Elas tinham pelo menos US$ 51 bilhões quando Tillerson chefiava a empresa.
Como banqueiro na Wall Street, o centro financeiro de Nova York, o agora secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, criou esquemas financeiros para permitir que clientes ricos comprassem jatinhos de luxo sem pagar impostos.
Um documento vazado em outubro de 2015 revela que o CIT Bank usou uma companhia da Ilha do Homem, um paraíso fiscal nas Ilhas Britânicas, para pagar uma prestação de US$ 431 mil pela compra de um avião Dassault Falcon 2000EX de US$ 30 milhões.
O dono da empresa é Shaher Abdulhak Besher, aliado do ex-ditador iemenita Ali Abdullah Saleh, um dos principais responsáveis pela guerra civil no país mais pobre do Oriente Médio. Seu filho, Farouk Abdulhak, é suspeito de estuprar e matar uma jovem de 23 anos em Londres.
Já o novo embaixador americano em Moscou, o ex-governador de Utah Jon Huntsman é apontado como diretor da HICI International Sales Corporation, fundada em 1969 em Barbados para realizar vendas internacionais para a Huntsman ICI, a indústria química da Huntsman Corporation. Em 2000, esta empresa faturou US$ 4,4 bilhões e lucrou US$ 151 milhões.
Até o primeiro-ministro liberal do Canadá, Justin Trudeau, uma das jovens promessas de liderança internacional, ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, foi atingido. Seu principal arrecadador de campanha, Stephen Bronfman, herdeiro da destilaria Seagram, operava uma rede de empresas que circulava milhões de dólares entre os EUA, Israel e as Ilhas Cayman para não pagar impostos.
No Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem um truste nas Bermudas, mas está declarado à Receita Federal. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, grande pecuarista, é sócio de uma empresa nas Ilhas Cayman para pagar menos impostos sobre suas exportações.
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domingo, 15 de outubro de 2017
Tillerson: negociação com Coreia do Norte vai "até primeira bomba"
Por orientação do presidente Donald Trump, os esforços diplomáticos para neutralizar o programa nuclear da Coreia do Norte vão continuar "até cair a primeira bomba", afirmou neste domingo em entrevista à televisão americana CNN, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson.
O secretário não deu importância a uma declaração de Trump dias atrás no Twitter aconselhando Tillerson a não perder tempo com o "pequeno fogueteiro", expressão derrogatória que usa para falar do ditador norte-coreano, Kim Jong Un.
Tillerson insistiu em que "o presidente deixou claro que é preciso continuar meus esforços diplomáticos". Ele estava na China, onde anunciou ter estabelecido canais de comunicação com o regime stalinista de Pionguiangue e foi desautorizado por Trump. Mesmo assim, ele acredita que "a China não está confusa com a posição dos EUA".
A ditadura comunista da Coreia do Norte fez seis testes nucleares e, só neste ano, 16 testes de mísseis. Nos dois últimos disparou mísseis que sobrevoaram o Japão.
O secretário não deu importância a uma declaração de Trump dias atrás no Twitter aconselhando Tillerson a não perder tempo com o "pequeno fogueteiro", expressão derrogatória que usa para falar do ditador norte-coreano, Kim Jong Un.
Tillerson insistiu em que "o presidente deixou claro que é preciso continuar meus esforços diplomáticos". Ele estava na China, onde anunciou ter estabelecido canais de comunicação com o regime stalinista de Pionguiangue e foi desautorizado por Trump. Mesmo assim, ele acredita que "a China não está confusa com a posição dos EUA".
A ditadura comunista da Coreia do Norte fez seis testes nucleares e, só neste ano, 16 testes de mísseis. Nos dois últimos disparou mísseis que sobrevoaram o Japão.
terça-feira, 10 de outubro de 2017
Trump volta a insultar o secretário de Estado
Em mais uma declaração ultrajante, o presidente Donald Trump afirmou ser mais inteligente do que o secretário de Estado, Rex Tillerson, que o teria chamado de "idiota" e pensado seriamente em abandonar o cargo.
Do alto de sua arrogância, depois de dizer várias vezes que era uma notícia falsa, o presidente sem limites decidiu responder assim mesmo, em entrevista à revista Forbes: "Penso que é uma notícia falsa, mas, se ele disse isso, temos de comparar os testes de quociente intelectual. E posso dizer quem vai ganhar."
Com a habitual autossuficiência, Trump anunciou para breve "um projeto de lei de desenvolvimento econômico que eu acredito que será fantástico que ninguém sabe a respeito, que você está ouvindo falar pela primeira vez."
A fórmula mágica: "São incentivos de desenvolvimento econômico para empresas, incentivos para as empresas ficarem aqui" e "punições severas" para as que deixarem os Estados Unidos. "É um incentivo para que fiquem. Mas talvez seja mais do que isso - se você sair, será muito difícil vender seus produtos no país."
O primeiro presidente vindo diretamente do setor empresarial, representante de um partido que durante décadas defendeu o capitalismo e o livre comércio, quer punir ou recompensar empresas com base no local onde instalam suas fábricas, comenta a Forbes com surpresa.
Trump é um reciprocitário simplista: "Se alguém está cobrando 50%, você tem de cobrar 50%", uma lógica rejeitada por defensores do liberalismo econômico.
Do alto de sua arrogância, depois de dizer várias vezes que era uma notícia falsa, o presidente sem limites decidiu responder assim mesmo, em entrevista à revista Forbes: "Penso que é uma notícia falsa, mas, se ele disse isso, temos de comparar os testes de quociente intelectual. E posso dizer quem vai ganhar."
Com a habitual autossuficiência, Trump anunciou para breve "um projeto de lei de desenvolvimento econômico que eu acredito que será fantástico que ninguém sabe a respeito, que você está ouvindo falar pela primeira vez."
A fórmula mágica: "São incentivos de desenvolvimento econômico para empresas, incentivos para as empresas ficarem aqui" e "punições severas" para as que deixarem os Estados Unidos. "É um incentivo para que fiquem. Mas talvez seja mais do que isso - se você sair, será muito difícil vender seus produtos no país."
O primeiro presidente vindo diretamente do setor empresarial, representante de um partido que durante décadas defendeu o capitalismo e o livre comércio, quer punir ou recompensar empresas com base no local onde instalam suas fábricas, comenta a Forbes com surpresa.
Trump é um reciprocitário simplista: "Se alguém está cobrando 50%, você tem de cobrar 50%", uma lógica rejeitada por defensores do liberalismo econômico.
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Secretário de Estado de Trump nega ter pensado em pedir demissão
Ao desmentir uma notícia da rede de televisão NBC, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, negou ter pensado em deixar o cargo durante o verão no Hemisfério Norte, diante do esvaziamento do Departamento de Estado no governo Donald Trump e de seu desapontamento com o presidente, que teria chamado de "idiota" após uma reunião ministerial em 20 de julho, noticiou o jornal The New York Times.
O vice-presidente Mike Pence teria convencido o secretário de Estado a ficar no cargo. Furioso, o presidente dos Estados Unidos comentou que era "uma notícia totalmente falsa".
"Nunca pensei em deixar este cargo", declarou Tillerson numa entrevista coletiva na manhã de hoje em que elogiou a política externa de Trump, dizendo fazer parte da equipe para "tornar a América grande de novo", o principal slogan da campanha eleitoral do presidente.
Tillerson se recusou a comentar a alegação de que teria chamado Trump de idiota. "O secretário não usa este tipo de linguagem para falar do presidente dos EUA", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert. "Ele não disse isso", insistiu.
Há apenas três dias, Trump desautorizou seu próprio secretário de Estado. Durante visita à China, Tillerson anunciou haver aberto canais de comunicação direta com o regime comunista da Coreia do Norte.
Pelo Twitter, Trump chamou de "perda de tempo" e voltou a ameaçar o ditador Kim Jong Un com o uso da força. Todos os assessores militares do presidente sabem que uma guerra seria arrasadora para as duas Coreias, com centenas de milhares, talvez milhões, de mortos.
Além de minar a ação do secretário no problema de segurança internacional mais grave de seu governo, Trump cercou-se de generais, como o chefe da Casa Civil, John Kelly; o secretário da Defesa, James Mattis; e o conselheiro de Segurança Nacional, Herbert McMaster. É o chamado "núcleo racional" da Casa Branca.
O secretário de Estado teve várias desavenças com o presidente. Tillerson pediu a Trump que certifique que o Irã está cumprindo o acordo nuclear assinado em 2015 entre as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e a República Islâmica para desarmar o programa nuclear iraniano. Trump flerta com o primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, a favor de um repúdio dos EUA ao acordo.
Tillerson tenta usar o contrato de venda de armas à Arábia Saudita, de US$ 110 bilhões, para acabar com o boicote das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico ao Catar, adotado por orientação saudita por causa da hostilidade de Trump ao Irã, com quem o Catar mantém boas relações.
A paciência do secretário se esgotou depois de uma reunião ultrassecreta no Departamento da Defesa em que Trump ameaçou demitir o alto comando militar americano na Guerra do Afeganistão e comparou a estimativa da quantidade de soldados necessários à reforma de um restaurante de alto luxo em Nova York. Aí teria sido chamado de "idiota".
Em agosto, Tillerson voltou a ter problemas quando se afastou das declarações de Trump a respeito das manifestações neonazistas em Charlottesville: "O presidente fala por si mesmo", comentou o secretário no programa jornalístico dominical Fox News Sunday. Trump não gostou.
Numa reunião no dia seguinte, Trump elogiou o assessor de Segurança Interna, Tom Bossert, que havia defendido no domingo a decisão de dar indulto ao xerife Joe Arpaio, condenado por discriminação contra latino-americanos e imigrantes ilegais no estado do Arizona.
Só depois de rever duas vezes a gravação, Trump concordou com o argumento de Tillerson de que cabe ao presidente defender suas próprias ideias.
Ao mesmo tempo, o presidente esvaziou o Departamento de Estado, que vê como um feudo de sua adversária, a ex-secretária Hillary Clinton. Afastou vários diplomatas e não nomeou subsecretários e funcionários do segundo e terceiro escalões.
Na prática, Trump paralisou a atividade da diplomacia americana, levada à frente, no caso norte-coreano, com forte empenho pessoal do secretário de Estado. Kelly e Mattis foram decisivos para a permanência de Tillerson no governo evitando uma situação ainda mais caótica em Washington. Eles entendem a importância da diplomacia e do Departamento de Estado.
O vice-presidente Mike Pence teria convencido o secretário de Estado a ficar no cargo. Furioso, o presidente dos Estados Unidos comentou que era "uma notícia totalmente falsa".
"Nunca pensei em deixar este cargo", declarou Tillerson numa entrevista coletiva na manhã de hoje em que elogiou a política externa de Trump, dizendo fazer parte da equipe para "tornar a América grande de novo", o principal slogan da campanha eleitoral do presidente.
Tillerson se recusou a comentar a alegação de que teria chamado Trump de idiota. "O secretário não usa este tipo de linguagem para falar do presidente dos EUA", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert. "Ele não disse isso", insistiu.
Há apenas três dias, Trump desautorizou seu próprio secretário de Estado. Durante visita à China, Tillerson anunciou haver aberto canais de comunicação direta com o regime comunista da Coreia do Norte.
Pelo Twitter, Trump chamou de "perda de tempo" e voltou a ameaçar o ditador Kim Jong Un com o uso da força. Todos os assessores militares do presidente sabem que uma guerra seria arrasadora para as duas Coreias, com centenas de milhares, talvez milhões, de mortos.
Além de minar a ação do secretário no problema de segurança internacional mais grave de seu governo, Trump cercou-se de generais, como o chefe da Casa Civil, John Kelly; o secretário da Defesa, James Mattis; e o conselheiro de Segurança Nacional, Herbert McMaster. É o chamado "núcleo racional" da Casa Branca.
O secretário de Estado teve várias desavenças com o presidente. Tillerson pediu a Trump que certifique que o Irã está cumprindo o acordo nuclear assinado em 2015 entre as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e a República Islâmica para desarmar o programa nuclear iraniano. Trump flerta com o primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, a favor de um repúdio dos EUA ao acordo.
Tillerson tenta usar o contrato de venda de armas à Arábia Saudita, de US$ 110 bilhões, para acabar com o boicote das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico ao Catar, adotado por orientação saudita por causa da hostilidade de Trump ao Irã, com quem o Catar mantém boas relações.
A paciência do secretário se esgotou depois de uma reunião ultrassecreta no Departamento da Defesa em que Trump ameaçou demitir o alto comando militar americano na Guerra do Afeganistão e comparou a estimativa da quantidade de soldados necessários à reforma de um restaurante de alto luxo em Nova York. Aí teria sido chamado de "idiota".
Em agosto, Tillerson voltou a ter problemas quando se afastou das declarações de Trump a respeito das manifestações neonazistas em Charlottesville: "O presidente fala por si mesmo", comentou o secretário no programa jornalístico dominical Fox News Sunday. Trump não gostou.
Numa reunião no dia seguinte, Trump elogiou o assessor de Segurança Interna, Tom Bossert, que havia defendido no domingo a decisão de dar indulto ao xerife Joe Arpaio, condenado por discriminação contra latino-americanos e imigrantes ilegais no estado do Arizona.
Só depois de rever duas vezes a gravação, Trump concordou com o argumento de Tillerson de que cabe ao presidente defender suas próprias ideias.
Ao mesmo tempo, o presidente esvaziou o Departamento de Estado, que vê como um feudo de sua adversária, a ex-secretária Hillary Clinton. Afastou vários diplomatas e não nomeou subsecretários e funcionários do segundo e terceiro escalões.
Na prática, Trump paralisou a atividade da diplomacia americana, levada à frente, no caso norte-coreano, com forte empenho pessoal do secretário de Estado. Kelly e Mattis foram decisivos para a permanência de Tillerson no governo evitando uma situação ainda mais caótica em Washington. Eles entendem a importância da diplomacia e do Departamento de Estado.
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Gen. Herbert McMaster,
Gen. James Mattis,
Gen. John Kelly,
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domingo, 1 de outubro de 2017
Trump desautoriza secretário de Estado sobre Coreia do Norte
Com sua arma predileta, o Twitter, o presidente Donald Trump atacou hoje o secretário de Estado, Rex Tillerson, desautorizando como inúteis seus contatos com o regime comunista da Coreia do Norte para resolver a questão nuclear.
Durante visita ao Leste da Ásia, Tillerson revelou ontem em Beijim que os Estados Unidos abriram "canais de comunicação" com a ditadura stalinista de Pionguiangue. Em nota, o próprio Departamento de Estado esclareceu que "os oficiais norte-coreanos não mostraram nenhum interesse de conversar sobre a desnuclearização".
No Twitter, Trump considerou os contatos com a Coreia do Norte "uma perda de tempo", prometendo agir quando necessário, numa ameaça implícita de uso da força para neutralizar a ameaça das armas nucleares e dos mísseis norte-coreanos.
"Poupe sua energia, Rex", escreveu o presidente. "Faremos o que tiver de ser feito."
Durante visita ao Leste da Ásia, Tillerson revelou ontem em Beijim que os Estados Unidos abriram "canais de comunicação" com a ditadura stalinista de Pionguiangue. Em nota, o próprio Departamento de Estado esclareceu que "os oficiais norte-coreanos não mostraram nenhum interesse de conversar sobre a desnuclearização".
No Twitter, Trump considerou os contatos com a Coreia do Norte "uma perda de tempo", prometendo agir quando necessário, numa ameaça implícita de uso da força para neutralizar a ameaça das armas nucleares e dos mísseis norte-coreanos.
"Poupe sua energia, Rex", escreveu o presidente. "Faremos o que tiver de ser feito."
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quarta-feira, 31 de maio de 2017
Trump deve anunciar saída dos EUA do acordo do clima de Paris
Depois de uma grande luta interna entre as facções da Casa Branca, o presidente Donald Trump anuncia amanhã às 15 horas (16h em Brasília) a posição de seu governo sobre o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, de 2015. A expectativa é que retire os Estados Unidos do processo de combate ao aquecimento global, adiantou o jornal britânico Financial Times.
É uma promessa de campanha de Trump que agrada sua base eleitoral. A maioria do Partido Republicano rejeita a conclusão de mais de 90% dos cientistas de que a atividade industrial humana é responsável pelo aumento da temperatura média do planeta.
A decisão coloca os EUA na contramão da história e de um acordo histórico assinado por 195 países e ratificado por 147, o primeiro em que todos os países se comprometeram a tomar medidas (voluntárias) para conter a emissão de gases que agravam o efeito estufa e causam a mudança do clima.
Dentro do governo, o principal estrategista de Trump, Steve Bannon, e o diretor da Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt, defenderam a retirada dos EUA do acordo do clima. O genro e assessor especial Jared Kushner, a filha e assessora Ivanka Trump e o secretário de Estado, Rex Tillerson, ex-diretor-presidente da companhia de petróleo Exxon, são contra.
Na semana passada, Trump foi pressionado pelos países do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá) a não rejeitar o acordo. Sem sucesso. Durante comício no fim de semana, a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, desabafou, dizendo que a Europa não pode mais contar com o apoio dos EUA e do Reino Unido e deve "tomar seu destino em suas próprias mãos".
A União Europeia já entrou em contato com a China, maior poluidora mundial, para manter o combate ao aquecimento global. A posição dos EUA, segundo maior poluidor, reduz o estímulo para que grandes países em desenvolvimento como a Índia e a Indonésia se empenham decisivamente na luta contra a mudança do clima.
O objetivo do Acordo de Paris é conter o aumento da temperatura média do planeta em 2 graus centígrados em relação à era pré-industrial. Se nada for feito, as emissões de gases de efeito estufa deve chegar a 69 gigatoneladas, 69 bilhões de toneladas por ano até 2030.
A elevação da temperatura poderia ser de até 4 graus até o fim do século, com fortes consequência sobre secas, enchentes, a produção de alimentos e a vida marinha. Com o Acordo de Paris, a meta seria limitar as emissões a 56 gigatons.
É uma promessa de campanha de Trump que agrada sua base eleitoral. A maioria do Partido Republicano rejeita a conclusão de mais de 90% dos cientistas de que a atividade industrial humana é responsável pelo aumento da temperatura média do planeta.
A decisão coloca os EUA na contramão da história e de um acordo histórico assinado por 195 países e ratificado por 147, o primeiro em que todos os países se comprometeram a tomar medidas (voluntárias) para conter a emissão de gases que agravam o efeito estufa e causam a mudança do clima.
Dentro do governo, o principal estrategista de Trump, Steve Bannon, e o diretor da Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt, defenderam a retirada dos EUA do acordo do clima. O genro e assessor especial Jared Kushner, a filha e assessora Ivanka Trump e o secretário de Estado, Rex Tillerson, ex-diretor-presidente da companhia de petróleo Exxon, são contra.
Na semana passada, Trump foi pressionado pelos países do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá) a não rejeitar o acordo. Sem sucesso. Durante comício no fim de semana, a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, desabafou, dizendo que a Europa não pode mais contar com o apoio dos EUA e do Reino Unido e deve "tomar seu destino em suas próprias mãos".
A União Europeia já entrou em contato com a China, maior poluidora mundial, para manter o combate ao aquecimento global. A posição dos EUA, segundo maior poluidor, reduz o estímulo para que grandes países em desenvolvimento como a Índia e a Indonésia se empenham decisivamente na luta contra a mudança do clima.
O objetivo do Acordo de Paris é conter o aumento da temperatura média do planeta em 2 graus centígrados em relação à era pré-industrial. Se nada for feito, as emissões de gases de efeito estufa deve chegar a 69 gigatoneladas, 69 bilhões de toneladas por ano até 2030.
A elevação da temperatura poderia ser de até 4 graus até o fim do século, com fortes consequência sobre secas, enchentes, a produção de alimentos e a vida marinha. Com o Acordo de Paris, a meta seria limitar as emissões a 56 gigatons.
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terça-feira, 16 de maio de 2017
Assessor de Trump diz que Muro das Lamentações não fica em Israel
Durante reuniões para preparar a primeira visita do presidente Donald Trump a Israel, o assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Herbert McMaster, afirmou duas vezes que "o Muro das Lamentações não fica em território israelense". O governo Trump negou que seja sua posição oficial.
"Os comentários sobre o Muro Ocidental não foram autorizados e não representam a posição dos EUA nem, com certeza, do presidente", declarou um alto funcionário americano citado pelo jornal conservador israelense The Times of Israel.
Ao acertar detalhes da viagem a ser realizada em 22 e 23 de maio, McMaster teria rejeitado um pedido do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu para acompanhar o presidente na visita ao Muro das Lamentações, alegando que o Muro Ocidental "não fica em seu território. É parte da Cisjordânia.
O Muro Ocidental ou Muro das Lamentações é só o que resta do Templo de Jerusalém, destruído por uma invasão romana no ano 70 depois de Cristo. Por isso, é chamado de Muro das Lamentações, onde os judeus rezam e lamentam a destruição do templo.
Hoje o muro fica junto à Esplanada das Mesquitas. Os israelenses chamam de Monte do Tempo e os árabes de Santuário Nobre, de onde o profeta Maomé teria ascendido ao céu depois da morte. Está situado no setor oriental (árabe) de Jerusalém, ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Como a direita israelense e os judeus ortodoxos sonham em reconstruir o templo, os muçulmanos temem que pretendam derrubar as mesquitas para fazer isso. Uma visita ao muro do então líder da oposição em Israel, Ariel Sharon, em 28 de setembro de 2000, deflagrou a Segunda Intifada (revolta das pedras) e acabou com uma iniciativa do presidente americano Bill Clinton de promover um acordo de paz definitivo entre palestinos e israelenses.
Até hoje, nenhum presidente dos EUA visitou o Muro das Lamentações no exercício do mandato porque a situação de Jerusalém precisa ser resolvida nas negociações de paz. A maioria dos países mantém suas embaixadas em Telavive por rejeitar a anexação do setor oriental de Jerusalém em Israel.
Na campanha para a Casa Branca, Trump prometeu mudar a embaixada dos EUA para Jerusalém. Havia expectativa de um anúncio no primeiro dia de governo. Em encontro dias atrás com Netanyahu para preparar a visita de Trump, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, explicou que a medida não foi tomada para não prejudicar as negociações.
O primeiro-ministro respondeu que a transferência "ajudaria o processo de paz" ao "acabar com o sonho palestino de que Jerusalém não é a capital de Israel". Netanyahu lidera um governo de ultradireita que depende do apoio de colonos instalados ilegalmente na Cisjordânia ocupada. Vários ministros, como Naftali Bennett, do partido Casa Judaica, falam simplesmente em anexar o território.
Historicamente, a direita israelense sempre foi contra a devolução dos territórios ocupados em 1967. Enquanto negocia para ganhar tempo, amplia a colonização para criar uma política de fato consumado. Em 2005, depois de dar uma guinada para o centro em busca da paz, o primeiro-ministro linha-dura Ariel Sharon, retirou as forças israelenses da Faixa de Gaza.
Dois anos depois, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), um grupo extremista muçulmano assumiu o controle da Faixa de Gaza depois de derrotar a Fatah (Luta) numa guerra civil palestina. Desde então, usa o território para atacar Israel, que contra-atacou em três guerras contra o Hamas.
As guerras em Gaza são citadas como exemplo pela direita israelense do risco que o país correria se os palestinos controlassem a Cisjordânia.
"Os comentários sobre o Muro Ocidental não foram autorizados e não representam a posição dos EUA nem, com certeza, do presidente", declarou um alto funcionário americano citado pelo jornal conservador israelense The Times of Israel.
Ao acertar detalhes da viagem a ser realizada em 22 e 23 de maio, McMaster teria rejeitado um pedido do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu para acompanhar o presidente na visita ao Muro das Lamentações, alegando que o Muro Ocidental "não fica em seu território. É parte da Cisjordânia.
O Muro Ocidental ou Muro das Lamentações é só o que resta do Templo de Jerusalém, destruído por uma invasão romana no ano 70 depois de Cristo. Por isso, é chamado de Muro das Lamentações, onde os judeus rezam e lamentam a destruição do templo.
Hoje o muro fica junto à Esplanada das Mesquitas. Os israelenses chamam de Monte do Tempo e os árabes de Santuário Nobre, de onde o profeta Maomé teria ascendido ao céu depois da morte. Está situado no setor oriental (árabe) de Jerusalém, ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Como a direita israelense e os judeus ortodoxos sonham em reconstruir o templo, os muçulmanos temem que pretendam derrubar as mesquitas para fazer isso. Uma visita ao muro do então líder da oposição em Israel, Ariel Sharon, em 28 de setembro de 2000, deflagrou a Segunda Intifada (revolta das pedras) e acabou com uma iniciativa do presidente americano Bill Clinton de promover um acordo de paz definitivo entre palestinos e israelenses.
Até hoje, nenhum presidente dos EUA visitou o Muro das Lamentações no exercício do mandato porque a situação de Jerusalém precisa ser resolvida nas negociações de paz. A maioria dos países mantém suas embaixadas em Telavive por rejeitar a anexação do setor oriental de Jerusalém em Israel.
Na campanha para a Casa Branca, Trump prometeu mudar a embaixada dos EUA para Jerusalém. Havia expectativa de um anúncio no primeiro dia de governo. Em encontro dias atrás com Netanyahu para preparar a visita de Trump, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, explicou que a medida não foi tomada para não prejudicar as negociações.
O primeiro-ministro respondeu que a transferência "ajudaria o processo de paz" ao "acabar com o sonho palestino de que Jerusalém não é a capital de Israel". Netanyahu lidera um governo de ultradireita que depende do apoio de colonos instalados ilegalmente na Cisjordânia ocupada. Vários ministros, como Naftali Bennett, do partido Casa Judaica, falam simplesmente em anexar o território.
Historicamente, a direita israelense sempre foi contra a devolução dos territórios ocupados em 1967. Enquanto negocia para ganhar tempo, amplia a colonização para criar uma política de fato consumado. Em 2005, depois de dar uma guinada para o centro em busca da paz, o primeiro-ministro linha-dura Ariel Sharon, retirou as forças israelenses da Faixa de Gaza.
Dois anos depois, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), um grupo extremista muçulmano assumiu o controle da Faixa de Gaza depois de derrotar a Fatah (Luta) numa guerra civil palestina. Desde então, usa o território para atacar Israel, que contra-atacou em três guerras contra o Hamas.
As guerras em Gaza são citadas como exemplo pela direita israelense do risco que o país correria se os palestinos controlassem a Cisjordânia.
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domingo, 14 de maio de 2017
Netanyahu pede transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém
Ao receber o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a transferência da embaixada dos Estados Unidos em Israel para Jerusalém vai ajudar o esforço pela paz com os palestinos, em vez de prejudicá-lo.
A maioria dos países do mundo não reconhece Jerusalém como capital de Israel e mantém suas embaixadas em Telavive por causa da ocupação do setor árabe (oriental) da cidade desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Durante a campanha eleitoral, Donald Trump prometeu levar a embaixada americana para Jerusalém como gesto para agradar Israel e a direita religiosa, afastando-se das suspeitas de simpatia por grupos supremacistas brancos neonazistas. Havia uma expectativa de que fosse uma das primeiras medidas anunciadas depois da posse.
Vários governos árabes advertiram que mexer na questão acirraria os ânimos num momento de estagnação do processo de paz em que jovens palestinos têm atacado, especialmente com facas. Trump então recuou.
Na visita a Israel, Tillerson explicou ao primeiro-ministro linha-dura que o governo dos EUA teme que uma mudança da embaixada inflame os ânimos, reacendendo o conflito israelo-palestino. Imediatamente, Netanyahu declarou que a transferência contribuiria para o processo de paz, mesmo que a maioria dos observadores políticos discorde.
"Realocar a Embaixada Americana não vai prejudicar o processo de paz", declarou em nota o escritório do primeiro-ministro de Israel, "vai ajudar ao corrigir uma injustiça histórica e acabar com a fantasia palestina de que Jerusalém não é a capital de Israel."
Para os muçulmanos, Jerusalém também é uma cidade sagrada. O movimento nacional palestino pretende instalar a capital da Palestina independente no setor oriental de Jerusalém. A direita israelense considera isso inaceitável.
O futuro de Jerusalém é uma das questões que impedem a paz entre palestinos e israelenses. Os outros são: a criação de um Estado Nacional palestino, as fronteiras deste novo país, a situação dos territórios árabes ocupados e o direito de retorno dos refugiados palestinos expulsos de suas casas desde a fundação de Israel, em 1948.
A maioria dos países do mundo não reconhece Jerusalém como capital de Israel e mantém suas embaixadas em Telavive por causa da ocupação do setor árabe (oriental) da cidade desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Durante a campanha eleitoral, Donald Trump prometeu levar a embaixada americana para Jerusalém como gesto para agradar Israel e a direita religiosa, afastando-se das suspeitas de simpatia por grupos supremacistas brancos neonazistas. Havia uma expectativa de que fosse uma das primeiras medidas anunciadas depois da posse.
Vários governos árabes advertiram que mexer na questão acirraria os ânimos num momento de estagnação do processo de paz em que jovens palestinos têm atacado, especialmente com facas. Trump então recuou.
Na visita a Israel, Tillerson explicou ao primeiro-ministro linha-dura que o governo dos EUA teme que uma mudança da embaixada inflame os ânimos, reacendendo o conflito israelo-palestino. Imediatamente, Netanyahu declarou que a transferência contribuiria para o processo de paz, mesmo que a maioria dos observadores políticos discorde.
"Realocar a Embaixada Americana não vai prejudicar o processo de paz", declarou em nota o escritório do primeiro-ministro de Israel, "vai ajudar ao corrigir uma injustiça histórica e acabar com a fantasia palestina de que Jerusalém não é a capital de Israel."
Para os muçulmanos, Jerusalém também é uma cidade sagrada. O movimento nacional palestino pretende instalar a capital da Palestina independente no setor oriental de Jerusalém. A direita israelense considera isso inaceitável.
O futuro de Jerusalém é uma das questões que impedem a paz entre palestinos e israelenses. Os outros são: a criação de um Estado Nacional palestino, as fronteiras deste novo país, a situação dos territórios árabes ocupados e o direito de retorno dos refugiados palestinos expulsos de suas casas desde a fundação de Israel, em 1948.
terça-feira, 11 de abril de 2017
Rússia tem de optar entre Irã e Síria ou EUA, diz secretário de Estado
O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, chegou hoje a Moscou com uma mensagem clara ao presidente Vladimir Putin: a Rússia terá de escolher entre os Estados Unidos ou a Síria, o Irã e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).
Num ultimato a Putin, o chefe da diplomacia americana declarou em Lucca, na Itália, onde ontem participou de uma reunião do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) antes de seguir para Moscou: "Queremos aliviar o sofrimento do povo sírio. A Rússia pode ser parte deste futuro e ter um papel importante. Ou a Rússia pode manter sua aliança com este grupo, que acreditamos que não vá servir os interesses russos a longo prazo."
Tillerson conheceu Putin quando era presidente da companhia de petróleo Exxon. Agora, questiona o compromisso real da Rússia com o desarmamento químico da Síria, decidido em 2013 depois que o então presidente americano, Barack Obama, resolveu não bombardear o regime sírio depois do uso de um ataque químico que mais 1.421 pessoas em Guta, na periferia de Damasco.
Na sua opinião, não está claro se a Rússia foi incompetente ou agiu de má fé, mas para os mortos "não faz muita diferença": "A Rússia falhou ao não manter os acordos feitos com base em múltiplas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Essas acordos estipulavam que a Rússia garantiria que a Síria não teria mais armas químicas."
A Rússia insiste em que a ditadura de Bachar Assad é o governo legítimo da Síria. Em linha com o regime, acusa todos os seus inimigos de "terroristas" e não aceita a exigência dos EUA e da Europa de que o ditador seja afastado em qualquer processo de paz. Putin não abre mão de manter o aliado Assad no poder em Damasco.
Quando assumiu, o presidente Donald Trump estava disposto a melhorar as relações com o Kremlin. Tillerson chegou a dizer que "o futuro de Assad será decidido pelos sírios". Depois do bombardeio químico da semana passada, voltou à posição de Obama, que exigia a remoção do ditador.
"Está claro para todos nós que o reino da família Assad está chegando ao fim", afirmou o secretário de Estado. "A questão é como vai terminar e como será a transição tendo em vista a durabilidade e a estabilidade de uma Síria unida."
Para aumentar ainda mais a tensão entre as superpotências da Guerra Fria, altos funcionários dos EUA acusaram a Rússia de saber do bombardeio químico, ou seja, de cumplicidade com o crime de guerra da Síria.
Num ultimato a Putin, o chefe da diplomacia americana declarou em Lucca, na Itália, onde ontem participou de uma reunião do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) antes de seguir para Moscou: "Queremos aliviar o sofrimento do povo sírio. A Rússia pode ser parte deste futuro e ter um papel importante. Ou a Rússia pode manter sua aliança com este grupo, que acreditamos que não vá servir os interesses russos a longo prazo."
Tillerson conheceu Putin quando era presidente da companhia de petróleo Exxon. Agora, questiona o compromisso real da Rússia com o desarmamento químico da Síria, decidido em 2013 depois que o então presidente americano, Barack Obama, resolveu não bombardear o regime sírio depois do uso de um ataque químico que mais 1.421 pessoas em Guta, na periferia de Damasco.
Na sua opinião, não está claro se a Rússia foi incompetente ou agiu de má fé, mas para os mortos "não faz muita diferença": "A Rússia falhou ao não manter os acordos feitos com base em múltiplas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Essas acordos estipulavam que a Rússia garantiria que a Síria não teria mais armas químicas."
A Rússia insiste em que a ditadura de Bachar Assad é o governo legítimo da Síria. Em linha com o regime, acusa todos os seus inimigos de "terroristas" e não aceita a exigência dos EUA e da Europa de que o ditador seja afastado em qualquer processo de paz. Putin não abre mão de manter o aliado Assad no poder em Damasco.
Quando assumiu, o presidente Donald Trump estava disposto a melhorar as relações com o Kremlin. Tillerson chegou a dizer que "o futuro de Assad será decidido pelos sírios". Depois do bombardeio químico da semana passada, voltou à posição de Obama, que exigia a remoção do ditador.
"Está claro para todos nós que o reino da família Assad está chegando ao fim", afirmou o secretário de Estado. "A questão é como vai terminar e como será a transição tendo em vista a durabilidade e a estabilidade de uma Síria unida."
Para aumentar ainda mais a tensão entre as superpotências da Guerra Fria, altos funcionários dos EUA acusaram a Rússia de saber do bombardeio químico, ou seja, de cumplicidade com o crime de guerra da Síria.
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quinta-feira, 6 de abril de 2017
EUA avisaram à Rússia sobre bombardeio à base aérea da Síria
Os Estados Unidos entraram em contato com a Rússia várias vezes para alertar que iam atacar a base aérea de onde partiu o bombardeio químico que matou pelo menos 86 pessoas em Khan Cheikhun, no Noroeste da Síria, noticiou a televisão americana CNN. Como havia militares russos na base nos últimos dias, o alerta serviu para retirá-los. Até agora, não há informações sobre feridos.
Dois contratorpedeiros americanos baseados no Leste do Mar Mediterrâneo dispararam hoje à noite 59 mísseis de cruzeiro Tomahawk contra a base de Al-Chairate, perto da cidade de Homs, na Síria. Os EUA têm imagens de satélite e radar dos aviões e das explosões do ataque químico.
Em declaração a jornalistas durante o encontro de cúpula dos presidentes Donald Trump e Xi Jinping, da China, em Mar-a-Lago, na Flórida, o secretário de Estado, Rex Tillerson, declarou que "claramente a Rússia não cumpriu o compromisso assumido em 2013", quando negociou com os EUA o desarmamento total do arsenal de armas químicas do regime de Assad.
Trump, em breve pronunciamento, afirmou se tratar de um ataque "limitado" e pediu uma união das "nações civilizadas" para acabar com a guerra civil da Síria e o terrorismo internacional.
Essa ação limitada lembra o ataque ordenado pelo presidente Donald Trump contra os palácios do ditador Muamar Kadafi, em abril de 1986, em retaliação a um atentado terrorista numa boate frequentada por soldados dos EUA na Alemanha. Foi uma punição.
O presidente americano assumiu uma superioridade moral. Acusou Assad de violar a Convenção para Proscrição Total de Armas Químicas e de cometer um crime de guerra: "Anos de tentativas de mudar o comportamento de Assad fracassaram", disparou Trump.
Depois do bombardeio químico, Trump voltou a adotar a política de Obama de afastar Assad num futuro acordo de paz mesmo que o regime seja a parte mais forte na negociação. Dias atrás, o secretário Tillerson falou que "o futuro de Assad será decidido pelos sírios".
Agora, o secretário insiste que a política dos EUA não mudou. Vai tentar afastar Assad pela via diplomática nas negociações de paz conduzidas pelas Nações Unidas em Genebra, na Suíça.
A mensagem é clara: os EUA não vão tolerar ataques com armas químicas. A Rússia, o Irã, a China e a Coreia do Norte ficam avisados de que há um novo presidente na Casa Branca disposto a usar a força.
Ao mesmo tempo, Trump pune Assad, adverte os possíveis inimigos externos, consolida sua base de poder no Partido Republicano, sempre favorável ao uso da força, e desvia a atenção dos problemas internos, inclusive a investigação sobre conluio com a Rússia durante a campanha eleitoral. Tudo isso somado aumenta sua popularidade, que era a menor de um presidente no início de mandato, em torno de 35%.
Dois contratorpedeiros americanos baseados no Leste do Mar Mediterrâneo dispararam hoje à noite 59 mísseis de cruzeiro Tomahawk contra a base de Al-Chairate, perto da cidade de Homs, na Síria. Os EUA têm imagens de satélite e radar dos aviões e das explosões do ataque químico.
Em declaração a jornalistas durante o encontro de cúpula dos presidentes Donald Trump e Xi Jinping, da China, em Mar-a-Lago, na Flórida, o secretário de Estado, Rex Tillerson, declarou que "claramente a Rússia não cumpriu o compromisso assumido em 2013", quando negociou com os EUA o desarmamento total do arsenal de armas químicas do regime de Assad.
Trump, em breve pronunciamento, afirmou se tratar de um ataque "limitado" e pediu uma união das "nações civilizadas" para acabar com a guerra civil da Síria e o terrorismo internacional.
Essa ação limitada lembra o ataque ordenado pelo presidente Donald Trump contra os palácios do ditador Muamar Kadafi, em abril de 1986, em retaliação a um atentado terrorista numa boate frequentada por soldados dos EUA na Alemanha. Foi uma punição.
O presidente americano assumiu uma superioridade moral. Acusou Assad de violar a Convenção para Proscrição Total de Armas Químicas e de cometer um crime de guerra: "Anos de tentativas de mudar o comportamento de Assad fracassaram", disparou Trump.
Depois do bombardeio químico, Trump voltou a adotar a política de Obama de afastar Assad num futuro acordo de paz mesmo que o regime seja a parte mais forte na negociação. Dias atrás, o secretário Tillerson falou que "o futuro de Assad será decidido pelos sírios".
Agora, o secretário insiste que a política dos EUA não mudou. Vai tentar afastar Assad pela via diplomática nas negociações de paz conduzidas pelas Nações Unidas em Genebra, na Suíça.
A mensagem é clara: os EUA não vão tolerar ataques com armas químicas. A Rússia, o Irã, a China e a Coreia do Norte ficam avisados de que há um novo presidente na Casa Branca disposto a usar a força.
Ao mesmo tempo, Trump pune Assad, adverte os possíveis inimigos externos, consolida sua base de poder no Partido Republicano, sempre favorável ao uso da força, e desvia a atenção dos problemas internos, inclusive a investigação sobre conluio com a Rússia durante a campanha eleitoral. Tudo isso somado aumenta sua popularidade, que era a menor de um presidente no início de mandato, em torno de 35%.
sexta-feira, 17 de março de 2017
EUA ameaçam Coreia do Norte com ataque preventivo
Durante visita à Coreia do Sul, o secretário de Estado americana, Rex Tillerson, descartou a possibilidade de negociar com a Coreia do Norte antes de desnuclearização do país. Ele advertiu que os Estados Unidos podem lançar um ataque preventivo se a ameaça nuclear norte-coreana atingir "níveis inaceitáveis".
A "paciência estratégica" do governo Barack Obama acabou, alertou o chefe da diplomacia do presidente Donald Trump. Mesmo rejeitando negociações diretas, os EUA devem continuar trabalhando pela via diplomática. A alternativa é a guerra.
Tillerson vai amanhã à China para pressionar a maior aliada do regime comunista de Pionguiangue a adotar uma posição mais dura. A China anunciou a suspensão das importações de carvão norte-coreano, mas o regime comunista chinês teme a desestabilização do país, vizinho, já descrito por autoridades chinesas como "a nossa Alemanha Oriental".
Com a queda do comunismo como ideologia e do fim da União Soviética, em 1991, o regime stalinista norte-coreana passou a fazer uma chantagem atômica, barganhando ajuda em alimentos e energia para sua economia falida.
Desde outubro de 2006, a Coreia do Norte realizou pelo menos quatro explosões nucleares experimentais e outros testes para desenvolver tecnologia de mísseis. Em reação, os EUA começaram a instalar um sistema de defesa antimísseis na Coreia do Sul, o Terminal de Defesa Aérea a Grande Altitude.
A China não aceita a instalação do sistema, alegando que dará uma vantagem estratégica aos EUA num possível conflito futuro entre as superpotências, mas ainda não parece pronta para enquadrar o ditador norte-coreano, Kim Jong Un, recentemente acusado de mandar matar o meio-irmão Kim Jong Nam no aerporto de Kuala Lumpur, na Malásia.
O assassinato político ultrajou os aliados chineses, mas não o suficiente para alinhar Beijim com Washington. A China usa a questão norte-coreana como uma carta na manga para negociar com os EUA e tem outros pontos de conflito, como suas ambições territoriais sobre 90% do Mar do Sul da China, rejeitadas em tribunal internacional.
A "paciência estratégica" do governo Barack Obama acabou, alertou o chefe da diplomacia do presidente Donald Trump. Mesmo rejeitando negociações diretas, os EUA devem continuar trabalhando pela via diplomática. A alternativa é a guerra.
Tillerson vai amanhã à China para pressionar a maior aliada do regime comunista de Pionguiangue a adotar uma posição mais dura. A China anunciou a suspensão das importações de carvão norte-coreano, mas o regime comunista chinês teme a desestabilização do país, vizinho, já descrito por autoridades chinesas como "a nossa Alemanha Oriental".
Com a queda do comunismo como ideologia e do fim da União Soviética, em 1991, o regime stalinista norte-coreana passou a fazer uma chantagem atômica, barganhando ajuda em alimentos e energia para sua economia falida.
Desde outubro de 2006, a Coreia do Norte realizou pelo menos quatro explosões nucleares experimentais e outros testes para desenvolver tecnologia de mísseis. Em reação, os EUA começaram a instalar um sistema de defesa antimísseis na Coreia do Sul, o Terminal de Defesa Aérea a Grande Altitude.
A China não aceita a instalação do sistema, alegando que dará uma vantagem estratégica aos EUA num possível conflito futuro entre as superpotências, mas ainda não parece pronta para enquadrar o ditador norte-coreano, Kim Jong Un, recentemente acusado de mandar matar o meio-irmão Kim Jong Nam no aerporto de Kuala Lumpur, na Malásia.
O assassinato político ultrajou os aliados chineses, mas não o suficiente para alinhar Beijim com Washington. A China usa a questão norte-coreana como uma carta na manga para negociar com os EUA e tem outros pontos de conflito, como suas ambições territoriais sobre 90% do Mar do Sul da China, rejeitadas em tribunal internacional.
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
Imprevisibilidade de Trump gera incógnita sobre futuro dos EUA
Nem mesmo o Partido Republicano esperava a vitória do magnata imobiliário e bufão Donald Trump na eleição presidencial nos Estados Unidos com seu festival de mentiras e agressões a adversários, tratados como inimigos dentro do próprio partido.
Quais serão suas reais prioridades e como ele vai governar, agora que se cercou de bilionários e militares?, perguntam Matthew Goodman e Daniel Remler, Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Mentiroso contumaz e patológico, Trump parece ter recuado de promessas radicais da campanha como a construção de um muro na fronteira com o México, acabar com o programa de saúde pública do governo Barack Obama e abandonar o Acordo de Paris para tentar conter o aquecimento global.
Com sua convicção de que o déficit comercial dos EUA é resultado de negociações mal feitas, Trump deve abandonar a Parceria Transpacífica, diminuindo a influência americana na Ásia no momento de ascensão da China, exatamente a preocupação de Obama, e renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).
Ao acusar a China de manipular o câmbio, Trump sugere que preferiria um dólar fraco para equilibrar a balança comercial dos EUA, deficitária em mais de US$ 500 bilhões em 2015 (e não US$ 800 bilhões, como diz o presidente eleito). Mas o dólar atingiu nesta semana a maior cotação em 14 anos, com a expectativa de que Trump lance um grande programa de obras de infraestrutura, cortes de impostos e desregulamentação.
Diante da expectativa de aumento nos gastos públicos e na inflação, a Reserva Federal (Fed), o banco central americano, acenou com a probabilidade de elevar os juros três vezes em 2017. Isso fortaleceria ainda mais o dólar.
Se Trump quiser fazer um microgerenciamento como no caso da fábrica de ar condicionado que pressionou a não se transferir para o México e governar pelo Twitter, sua imprevisibilidade e seu estilo agressivo de negociar minando o oponente trarão incerteza e não apenas nos EUA.
Apesar das promessas de ser a voz do trabalhador branco sem curso superior, maior vítima do processo de globalização econômica, a equipe econômica será dominada por três executivos da Wall Street, o centro financeiro de Nova York, Steve Mnuchin no Departamento do Tesouro, Wilbur Ross no Departamento do Comércio e Gary Cohn no Conselho Econômico Nacional. O megainvestigor Carl Icahn será o assessor especial para regulamentação. Nada indica que vão priorizar os interesses dos trabalhadores.
No setor de segurança e defesa, a dúvida é se James Cachorro Louco Mattis no Departamento de Defesa, o ex-presidente da Exxon Rex Tillerson no Departamento de Estado, o assessor de Segurança Nacional Michael Flynn, que não considera o Islã uma religião mas uma ideologia assassina, e o senador Mike Pompeo, futuro diretor da Agência Central de Inteligência, conseguirão se entender.
Tillerson foi condecorado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, com quem Trump promete superar os problemas bilaterais. Mattis considera a Rússia a maior ameaça aos EUA.
Quais serão suas reais prioridades e como ele vai governar, agora que se cercou de bilionários e militares?, perguntam Matthew Goodman e Daniel Remler, Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Mentiroso contumaz e patológico, Trump parece ter recuado de promessas radicais da campanha como a construção de um muro na fronteira com o México, acabar com o programa de saúde pública do governo Barack Obama e abandonar o Acordo de Paris para tentar conter o aquecimento global.
Com sua convicção de que o déficit comercial dos EUA é resultado de negociações mal feitas, Trump deve abandonar a Parceria Transpacífica, diminuindo a influência americana na Ásia no momento de ascensão da China, exatamente a preocupação de Obama, e renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).
Ao acusar a China de manipular o câmbio, Trump sugere que preferiria um dólar fraco para equilibrar a balança comercial dos EUA, deficitária em mais de US$ 500 bilhões em 2015 (e não US$ 800 bilhões, como diz o presidente eleito). Mas o dólar atingiu nesta semana a maior cotação em 14 anos, com a expectativa de que Trump lance um grande programa de obras de infraestrutura, cortes de impostos e desregulamentação.
Diante da expectativa de aumento nos gastos públicos e na inflação, a Reserva Federal (Fed), o banco central americano, acenou com a probabilidade de elevar os juros três vezes em 2017. Isso fortaleceria ainda mais o dólar.
Se Trump quiser fazer um microgerenciamento como no caso da fábrica de ar condicionado que pressionou a não se transferir para o México e governar pelo Twitter, sua imprevisibilidade e seu estilo agressivo de negociar minando o oponente trarão incerteza e não apenas nos EUA.
Apesar das promessas de ser a voz do trabalhador branco sem curso superior, maior vítima do processo de globalização econômica, a equipe econômica será dominada por três executivos da Wall Street, o centro financeiro de Nova York, Steve Mnuchin no Departamento do Tesouro, Wilbur Ross no Departamento do Comércio e Gary Cohn no Conselho Econômico Nacional. O megainvestigor Carl Icahn será o assessor especial para regulamentação. Nada indica que vão priorizar os interesses dos trabalhadores.
No setor de segurança e defesa, a dúvida é se James Cachorro Louco Mattis no Departamento de Defesa, o ex-presidente da Exxon Rex Tillerson no Departamento de Estado, o assessor de Segurança Nacional Michael Flynn, que não considera o Islã uma religião mas uma ideologia assassina, e o senador Mike Pompeo, futuro diretor da Agência Central de Inteligência, conseguirão se entender.
Tillerson foi condecorado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, com quem Trump promete superar os problemas bilaterais. Mattis considera a Rússia a maior ameaça aos EUA.
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