Durante reuniões para preparar a primeira visita do presidente Donald Trump a Israel, o assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Herbert McMaster, afirmou duas vezes que "o Muro das Lamentações não fica em território israelense". O governo Trump negou que seja sua posição oficial.
"Os comentários sobre o Muro Ocidental não foram autorizados e não representam a posição dos EUA nem, com certeza, do presidente", declarou um alto funcionário americano citado pelo jornal conservador israelense The Times of Israel.
Ao acertar detalhes da viagem a ser realizada em 22 e 23 de maio, McMaster teria rejeitado um pedido do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu para acompanhar o presidente na visita ao Muro das Lamentações, alegando que o Muro Ocidental "não fica em seu território. É parte da Cisjordânia.
O Muro Ocidental ou Muro das Lamentações é só o que resta do Templo de Jerusalém, destruído por uma invasão romana no ano 70 depois de Cristo. Por isso, é chamado de Muro das Lamentações, onde os judeus rezam e lamentam a destruição do templo.
Hoje o muro fica junto à Esplanada das Mesquitas. Os israelenses chamam de Monte do Tempo e os árabes de Santuário Nobre, de onde o profeta Maomé teria ascendido ao céu depois da morte. Está situado no setor oriental (árabe) de Jerusalém, ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Como a direita israelense e os judeus ortodoxos sonham em reconstruir o templo, os muçulmanos temem que pretendam derrubar as mesquitas para fazer isso. Uma visita ao muro do então líder da oposição em Israel, Ariel Sharon, em 28 de setembro de 2000, deflagrou a Segunda Intifada (revolta das pedras) e acabou com uma iniciativa do presidente americano Bill Clinton de promover um acordo de paz definitivo entre palestinos e israelenses.
Até hoje, nenhum presidente dos EUA visitou o Muro das Lamentações no exercício do mandato porque a situação de Jerusalém precisa ser resolvida nas negociações de paz. A maioria dos países mantém suas embaixadas em Telavive por rejeitar a anexação do setor oriental de Jerusalém em Israel.
Na campanha para a Casa Branca, Trump prometeu mudar a embaixada dos EUA para Jerusalém. Havia expectativa de um anúncio no primeiro dia de governo. Em encontro dias atrás com Netanyahu para preparar a visita de Trump, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, explicou que a medida não foi tomada para não prejudicar as negociações.
O primeiro-ministro respondeu que a transferência "ajudaria o processo de paz" ao "acabar com o sonho palestino de que Jerusalém não é a capital de Israel". Netanyahu lidera um governo de ultradireita que depende do apoio de colonos instalados ilegalmente na Cisjordânia ocupada. Vários ministros, como Naftali Bennett, do partido Casa Judaica, falam simplesmente em anexar o território.
Historicamente, a direita israelense sempre foi contra a devolução dos territórios ocupados em 1967. Enquanto negocia para ganhar tempo, amplia a colonização para criar uma política de fato consumado. Em 2005, depois de dar uma guinada para o centro em busca da paz, o primeiro-ministro linha-dura Ariel Sharon, retirou as forças israelenses da Faixa de Gaza.
Dois anos depois, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), um grupo extremista muçulmano assumiu o controle da Faixa de Gaza depois de derrotar a Fatah (Luta) numa guerra civil palestina. Desde então, usa o território para atacar Israel, que contra-atacou em três guerras contra o Hamas.
As guerras em Gaza são citadas como exemplo pela direita israelense do risco que o país correria se os palestinos controlassem a Cisjordânia.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 16 de maio de 2017
Assessor de Trump diz que Muro das Lamentações não fica em Israel
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quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Israel mata palestino e fecha acesso à Esplanada das Mesquitas
Um esquadrão antiterrorista de Israel matou hoje o palestino Moataz Hejazi, suspeito de atirar no rabino Yehuda Glick, um ativista que luta para que os judeus tenham amplo acesso ao lugar sagrado que chamam de Monte do Templo, enquanto os muçulmanos o conhecem como Esplanada das Mesquistas, parte da Cidade Antiga de Jerusalém. É o lugar mais sagrado do judaísmo e o terceiro lugar mais sagrado para o Islã, de onde o profeta Maomé teria subido aos céus.
Pela primeira vez desde o ano 2000, Israel limitou o acesso ao local, onde os muçulmanos costumam ir em massa nas sextas-feiras, sua folga semana religiosa. Promete reabri-lo amanhã.
"Esta perigosa escalada israelense é uma declaração de guerra ao povo palestino e a lugares sagrados para a nação árabe e o Islã", reagiu Naibul Abu Rudeineh, porta-voz da Autoridade Nacional Palestina.
A polícia israelense encontrou uma pistola e uma motocicleta na casa do suspeito, que havia passado 11 anos em prisões israelenses, onde entrou para a milícia Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina. Hejazi prometeu ser "um espinho para os sionistas".
Glick está hospitalizado em estado grave mas estável. Ele fazia campanha por maior acesso dos judeus ao Monte do Templo. Por causa das mesquitas, a área é administada por autoridades muçulmanas. Com base num acordo feito há décadas, os judeus não podem rezar no alto do monte, só no Muro das Lamentações, a parede oriental do antigo Tempo de Jerusalém.
O monte tornou-se um pomo da discórdia entre os dois povos e as duas religiões. Os fundamentalistas judeus sonham em reconstruir o templo. Isso exigiria a destruição das mesquitas.
Uma visita do então líder da oposição em Israel, o notório linha-dura Ariel Sharon, ao local sagrado, em 28 de setembro de 2000, deflarou a Segunda Intifada (revolta árabe), enterrando a tentativa do então presidente americano Bill Clinton de negociar a paz entre israelenses e palestinos. O último fechamento do local tinha sido para a visita de Sharon.
Nesta quinta-feira, a Suécia tornou-se o primeiro país da União Europeia a reconhecer oficialmente a Palestina como um país independente, o que o Brasil já fez. Em protesto, Israel retirou seu embaixador em Estocolmo.
Pela primeira vez desde o ano 2000, Israel limitou o acesso ao local, onde os muçulmanos costumam ir em massa nas sextas-feiras, sua folga semana religiosa. Promete reabri-lo amanhã.
"Esta perigosa escalada israelense é uma declaração de guerra ao povo palestino e a lugares sagrados para a nação árabe e o Islã", reagiu Naibul Abu Rudeineh, porta-voz da Autoridade Nacional Palestina.
A polícia israelense encontrou uma pistola e uma motocicleta na casa do suspeito, que havia passado 11 anos em prisões israelenses, onde entrou para a milícia Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina. Hejazi prometeu ser "um espinho para os sionistas".
Glick está hospitalizado em estado grave mas estável. Ele fazia campanha por maior acesso dos judeus ao Monte do Templo. Por causa das mesquitas, a área é administada por autoridades muçulmanas. Com base num acordo feito há décadas, os judeus não podem rezar no alto do monte, só no Muro das Lamentações, a parede oriental do antigo Tempo de Jerusalém.
O monte tornou-se um pomo da discórdia entre os dois povos e as duas religiões. Os fundamentalistas judeus sonham em reconstruir o templo. Isso exigiria a destruição das mesquitas.
Uma visita do então líder da oposição em Israel, o notório linha-dura Ariel Sharon, ao local sagrado, em 28 de setembro de 2000, deflarou a Segunda Intifada (revolta árabe), enterrando a tentativa do então presidente americano Bill Clinton de negociar a paz entre israelenses e palestinos. O último fechamento do local tinha sido para a visita de Sharon.
Nesta quinta-feira, a Suécia tornou-se o primeiro país da União Europeia a reconhecer oficialmente a Palestina como um país independente, o que o Brasil já fez. Em protesto, Israel retirou seu embaixador em Estocolmo.
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sábado, 6 de março de 2010
Confronto em Jerusalém deixa 75 feridos
Pelo menos 15 policiais israelenses e 60 palestinos saíram feridos de um violento conflito na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém. Os choques se intensificaram desde que Israel anunciou a intenção de declarar como patrimônio histórico dois lugares sagrados que ficam na Cisjordânia ocupada.
Na saída da oração da sexta-feira, a folga religiosa semanal dos muçulmanos, na Mesquita de Al-Acsa, jovens palestinos atacaram a polícia de Israel com pedradas. A polícia israelense chegou a se refugiar nas reulas da Cidade Antiga de Jerusalém para contra-atacar com bombas de gás por cima dos prédios.
O ministro do Interior de Israel acusou os palestinos de quererem incendiar os lugares sagrados de Jerusalém.
A Esplanada de Mesquitas, conhecida pelos israelenses como Monte do Templo, é o lugar de onde o profeta Maomé teria subido as céus, terceiro lugar sagrado mais importante do Islã, depois das cidades de Meca e Medina.
No Monte do Templo, fica o Muro das Lamentações, a única parte que restou do templo histórico de Jerusalém. É o principal local sagrado do judaísmo.
Em seguida, vem a Tumba dos Patriarcas e a Tumba de Raquel, os dois monumentos que o governo israelenses admitiu tombar.
Também houve conflito hoje em Hebron, onde fica a Tumba dos Patriarcas. Em Bilin, dois manifestantes se fantasiaram dos líderes pacifistas Mohandas Gandhi, o herói da independência da Índia, e Martin Luther King Jr., o grande herói do movimento negro nos Estados Unidos.
Com eles, centenas de palestinos marcharam até a cerca construída por Israel para isolar partes da Cisjordânia, onde enfrentaram os soldados que guardavam a cerca.
Na saída da oração da sexta-feira, a folga religiosa semanal dos muçulmanos, na Mesquita de Al-Acsa, jovens palestinos atacaram a polícia de Israel com pedradas. A polícia israelense chegou a se refugiar nas reulas da Cidade Antiga de Jerusalém para contra-atacar com bombas de gás por cima dos prédios.
O ministro do Interior de Israel acusou os palestinos de quererem incendiar os lugares sagrados de Jerusalém.
A Esplanada de Mesquitas, conhecida pelos israelenses como Monte do Templo, é o lugar de onde o profeta Maomé teria subido as céus, terceiro lugar sagrado mais importante do Islã, depois das cidades de Meca e Medina.
No Monte do Templo, fica o Muro das Lamentações, a única parte que restou do templo histórico de Jerusalém. É o principal local sagrado do judaísmo.
Em seguida, vem a Tumba dos Patriarcas e a Tumba de Raquel, os dois monumentos que o governo israelenses admitiu tombar.
Também houve conflito hoje em Hebron, onde fica a Tumba dos Patriarcas. Em Bilin, dois manifestantes se fantasiaram dos líderes pacifistas Mohandas Gandhi, o herói da independência da Índia, e Martin Luther King Jr., o grande herói do movimento negro nos Estados Unidos.
Com eles, centenas de palestinos marcharam até a cerca construída por Israel para isolar partes da Cisjordânia, onde enfrentaram os soldados que guardavam a cerca.
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