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sábado, 15 de dezembro de 2018

Secretário do Interior dos EUA cai sob pressão de vários inquéritos

Alvo de pelo menos 15 investigações, o secretário do Interior dos Estados Unidos, Rian Zinke, deixa o cargo no fim do ano, anunciou hoje o presidente Donald Trump. Sua conduta pessoal e decisões administrativas causaram uma série de escândalos.

O caso mais grave, encaminhado pelo inspetor-geral do Departamento do Interior ao Departamento da Justiça, examina se o secretário usou o cargo para ganho pessoal num negócio de terras em Whitefish, no estado de Montana, com o presidente da companhia Halliburton e outros investidores.

Trump elogiou o secretário: "Ryan realizou muito durante" quase dois anos "e eu gostaria de agradecê-lo pelos serviços prestados à nação." Mas a Casa Branca o pressionou a sair. No mês passado, ele foi avisado que seria demitido se não pedisse demissão até o fim do ano.

É o quarto alto funcionário do governo Trump forçado a sair por razões éticas, depois do secretário da Saúde, Tom Price; do secretário para Veteranos de Guerra, David Shulkin; e do chefe da Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt. Todos tiveram de dar explicações sobre o uso de verbas públicas para benefício pessoal, por exemplo, em viagens particulares.

Entre outras medidas polêmicos, Zinke autorizou a exploração de petróleo em terras e águas protegidas por leis e regras ambientais do governo Barack Obama, a pretexto de garantir o "domínio dos EUA" no setor de energia.

A presidente da Comissão de Energia e Recursos Naturais do Senado, Lisa Murkowski, que conseguiu reabrir a Reserva Nacional de Vida Silvestre do Ártico à exploração de petróleo, ficou "desapontada".

"Ryan Zinke foi o secretário mais antipreservação ambiental da história da nação"afirmou Jenniffer Rokala, do Centro para Prioridades do Oeste. "Ao se cercar de lobistas, logo ficou claro que Ryan Zinke era um peão da indústria de petróleo e gás. Podemos esperar o mesmo do secretário interino, David Bernhardt, mas sem a ridícula comparação dom Ted Roosevelt."

Por gostar de caçar, pescar e andar a cavalo, Zinke gosta de se comparar com o presidente Theodore Roosevelt.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Arábia Saudita corta produção de petróleo para conter queda de preços

A Arábia Saudita vai reduzir a produção de petróleo em 1 milhão de barris por dia, voltando ao nível de outubro, para evitar a queda nos preços internacionais do produto, anunciou hoje o ministro da Energia, Khaled al-Falih, noticiou a agência Reuters. 

Na Bolsa Mercantil de Nova York, o barril do petróleo tipo West Texas Intermediate, padrão do mercado americano, está cotado em US$ 60,96, com alta de 1,28%.

Os sauditas aumentaram a produção a pedido dos Estados Unidos para compensar a queda nas exportações do Irã, alvo de sanções do governo Donald Trump desde 5 de novembro.

Enquanto as isenções que os EUA deram a oito países devem manter as exportações iranianas em mais de 1 milhão de barris por dia, a produção do Iraque se aproxima de 5 milhões de barris, a Líbia está produzindo mais de 1 milhão de barris e aumentou a produção de óleo de xisto nos EUA.

Agora, o mercado aguarda a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em dezembro, em Viena, para ver se a Rússia, outra grande produtora e exportadora, vai reduzir a produção.

Com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, o consumo deve aumentar no fim do ano.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Ex-vice-presidente Elías Jaua critica ditador Maduro na Venezuela

Em mais um sinal de divisão interna no regime chavista, o ex-vice-presidente e ex-ministro do Exterior Elías Jaua criticou o ditador Nicolás Maduro e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) pelo tratamento dos funcionários públicos e outras questões internas, noticiou o boletim de notícias Aporrea, defensor do chavismo.

Com o colapso da produção de petróleo e o agravamento da pior crise de uma economia moderna, vai haver menos dinheiro para garantir a lealdade de funcionários públicos e do PSUV à ditadura de Maduro.

As críticas de Jaua são um sinal evidente da fratura do regime, depois da prisão nos últimos meses de vários militares ligados ao caudilho Hugo Chávez quando ele chegou ao poder na eleição de 1998. Jaua era ministro da Educação e caiu em setembro.

Ao inaugurar a Feira Internacional de Livro da Venezuela, em Caracas, Maduro responsabilizou o boicote econômico parcial dos Estados Unidos pela falta de medicamentos e alimentos: "Não podemos comprar remédios, saibam os embaixadores, não podemos comprar medicamentos e alimentos complementares para a dieta dos venezuelanos em dólares porque está proibido."

Desde 2015, há uma grande escassez de remédios e alimentos na Venezuela. O governo Donald Trump impôs em agosto de 2017 uma série de medidas para proibir transações em dólares do governo venezuelano e da companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA).

Em março deste ano, os EUA proibiram qualquer transação com criptomoedas venezuelanas. Para tentar contornar a crise financeiro, o desgoverno Maduro lançou em 9 de janeiro de 2016 uma moeda digital, o petro.

A partir de 1º de novembro, o governo Trump bloqueou os bens e ativos de qualquer pessoa que opere no setor de ouro ou qualquer outro setor "cúmplice da corrupção governamental".

Como o regime chavista cooptou as Forças Armadas, prendeu militares rebeldes e fuzilou um policial rebelde que sequestrou um helicóptero e atirou contra a sede do Ministério do Interior, deixando claro que vai matar dissidentes, o fim do regime terá de vir de dentro do próprio sistema.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

México rejeita dinheiro dos EUA para repatriar centro-americanos

O presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, não vai aceitar a ajuda de US$ 20 milhões feita pelos Estados Unidos para mandar de volta os emigrantes da América Central, declarou hoje a futura ministra do Interior, Olga Sánchez Cordero.

A questão pode se tornar um ponto de atrito entre os Governos Donald Trump e López Obrador, que assume em 1º de dezembro. Eleito com mais da metade dos votos com uma plataforma de esquerda, AMLO, como é mais conhecido, colaborou com os Estados Unidos na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

É improvável que López Obrador suspenda os programas de controle da imigração ilegal da Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua. Em carta a Trump, defendeu o aumento da ajuda ao desenvolvimento desses países da América Central para meio de conter a imigração.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Economia dos EUA cresceu acima do estimado no 2º trimestre

A economia dos Estados Unidos voltou a surpreender positivamente. Na segunda estimativa do crescimento no segundo trimestre de 2018, divulgada hoje pelo Departamento do Comércio, a taxa de crescimento subiu de 4,1% para 4,2%. A média das expectativas dos economistas era 4%. É o maior índice desde o terceiro trimestre de 2014.

Neste ritmo, o mercado considera praticamente certa uma alta na taxa básica de juros na reunião do Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central americano. Mas espera uma redução neste ritmo de crescimento, considerado insustentável.

O consumo pessoal avançou em 1,9% em 12 meses, levemente acima do 1,8% do primeiro trimestre. A taxa básica de juros está numa faixa de 1,75% a 2% ao ano. A expectativa é de mais dois aumentos neste ano e três em 2019. Os juros devem subir 0,25 ponto percentual na reunião de setembro do comitê de política monetária do Fed.

A maior economia do mundo cresce desde o terceiro trimestre de 2009. Com o corte da alíquota do  imposto de renda para empresas de 35% para 21% aprovado pelo governo Donald Trump, ganhou um impulso forte, embora temporário.

A longo prazo, os cortes de impostos podem aumentar o déficit orçamentário e a dívida pública. Os títulos da dívida externa dos EUA com 10 anos de prazo passaram a pagar juros de 3% ao ano. Antes, pagavam 2%.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Crescimento dos EUA no primeiro trimestre é revisado para baixo

A maior economia do mundo cresceu nos primeiros três meses de 2018 num ritmo inferior ao estimado anteriormente, de 2% ao ano, com redução nos números sobre consumo pessoal e acumulação de estoques, anunciou hoje o Departamento do Comércio dos Estados Unidos. As leituras anteriores foram de 2,3% e 2,2% ao ano.

De qualquer jeito, houve uma desaceleração do crescimento, que foi de 2,9% ao ano no último trimestre de 2017, para o ritmo mais fraco em um ano.

"A desaceleração no crescimento real do produto interno bruto no primeiro trimestre reflete desacelerações no consumo pessoal, nas exportações, nos investimentos em imóveis residenciais e nos gastos públicos dos governos municipais, estaduais e federal

O principal motivo da queda no crescimento foi uma baixa no avanço do consumo pessoal de 4% ao ano no fim do ano passado para 0,9% ao ano entre janeiro e março. A acumulação de estoques caiu de US$ 20,2 bilhões na estimativa anterior para US$ 13,9 bilhões.

Apesar do mau resultado, a expectativa é de uma expansão maior no segundo trimestre, de até 4%, em função do aumento do consumo pessoal e da queda no déficit comercial por causa das políticas protecionistas do governo Donald Trump. A longo prazo, a previsão é de um impacto negativo do protecionismo sobre o crescimento americano, com risco de recessão.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

EUA voltam a ameaçar a China com imposição de tarifas de importação

Depois de uma breve trégua de pouco mais de uma semana, os Estados Unidos voltaram a pressionar a China, ameaçando impor tarifas de importação sobre produtos chineses na tentativa de reduzir o déficit no comércio bilateral, que no ano passado chegou a US$ 375 bilhões.

Até meados de junho, os EUA vão apresentar uma lista de produtos importados no valor de US$ 50 bilhões por ano a serem taxados em 25%, sob a alegação de que a China leva vantagem sobre em propriedade intelectual e transferência de tecnologia. E vão continuar processando a China na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os EUA também vão restringir investimentos e exportações de setores de alta tecnologia para tentar retardar o desenvolvimento chinês num setor essencial para a manutenção da superioridade militar americana. O alvo principal é o programa Made in China 2025.

"Há muitos anos, a China usa práticas industriais e comerciais injustas - inclusive dumping, barreiras discriminatórias, transferência forçada de tecnologia, excesso de capacidade e subsídios à indústria - que favorecem firmas chinesas e tornam impossível a competição de empresas americanas no mesmo nível", declarou em nota a Casa Branca.

"Os custos destas políticas para a indústria americana continuam crescendo", acrescentou a nota:

  • O roubo de propriedade intelectual pela China custa bilhões de dólares a cada ano aos inovadores americanos.
  • A China é responsável por 87% dos produtos falsificados apreendidos ao tentar entrar nos EUA.
  • Beijim proibiu as importações de carne de aves, tirando de seu mercado os agricultores e fazendeiros americanos.
  • Os EUA cobram tarifa de 2,5% sobre carros importados da China, enquanto a China mantém uma tarifa de 25% sobre carros americanos.

A resposta chinesa será dada diretamente ao secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross, que visita à China de 2 a 4 de junho.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Trump forma um ministério de comentaristas de televisão

O primeiro presidente da era dos reality shows monta um governo de comentaristas de televisão, observa hoje o boletim The Daily 202, do jornal The Washington Post. Donald Trump, um presidente com fama de não ler nem o informe de inteligência preparado diariamente pelos serviços secretos dos Estados Unidos, se informa pela TV e nela recruta seus ministros.

No Departamento de Estado, Rex Tillerson, foi substituído pelo diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), Mike Pompeo, sempre pronto a defender o presidente nos programas de entrevistas. Trump não confirma, mas deve substituir o assessor de Segurança Nacional, general Herbert McMaster. O mais cotado é o ex-embaixador na ONU John Bolton, comentarista do canal direitista Fox News.

Como principal conselheiro econômico da Casa Branca, sai Gary Cohn, ex-diretor do banco de investimentos Goldman Sachs, e entra Larry Kudlow, analista do canal de notícias CNBC. Para assumir a Secretaria dos Veteranos, o favorito é Pete Hagseth, apresentador do programa Fox and Friends Weekend.

Heather Nauert, ex-apresentadora do programa Fox and Friends, foi promovida de porta-voz do Departamento de Estado a subsecretária de Estado para Diplomacia Pública. Substitui Steve Goldstein, demitido por contradizer publicamente a Casa Branca ao questionar a demissão do secretário Rex Tillerson.

Como de costume, Trump desvaloriza o conhecimento e os verdadeiros especialistas, e opta por celebridades. Durante a transição entre a eleição e a posse, o presidente manifestou o interesse de levar Bolton, Hegseth e Kudlow para o governo. Foi convencido de que eles não eram qualificados para o cargo.

Cada vez mais Trump forma um governo com sua cara e suas ideias.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Trump tem pior avaliação de um presidente no primeiro ano de mandato

Com apenas 39% de aprovação, Donald Trump é o presidente dos Estados Unidos com a pior avaliação no fim do primeiro ano de governo, 10 pontos percentuais abaixo de Bill Clinton. O ano foi marcado pelas mentiras de Trump e declarações intempestivas e agressivas que não se esperam de um presidente dos EUA e exacerbaram as divisões no país.

Depois de Trump chamar El Salvador, o Haiti e países da África de "buracos de merda", até a sanidade mental do presidente foi questionada. Ontem, um médico da Casa Branca declarou que Trump está bem de saúde e "não tem problemas cognitivos".

No livro Fogo e Fúria, o jornalista Michael Wolff descreveu uma Casa Branca caótica cheia de incompetentes e ególatras que ficam brigando entre si e não teriam capacidade, assim como Trump, de governar o país mais poderoso da Terra.

Cerca de 57% dos americanos reprovam o governo Trump; 37% acreditam que ele está ajudando a economia. A maior apoio vem do eleitorado republicano (83%). Ele tomou posse em 20 de janeiro de 2017.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Governo Trump acaba com neutralidade da Internet

Por 3 a 2, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos revogou uma regra básica de operação da rede mundial de computadores que obrigava os provedores de serviços a tratar todo o tráfego de dados via Internet da mesma maneira, sem dar prioridade, por exemplo, a quem estiver disposto a pagar mais. A partir de agora, poderão acelerar, retardar ou bloquear o tráfego.

É mais uma regulamentação do governo Barack Obama (2009-17) eliminada sob o presidente Donald Trump. Os republicanos afirmam que a medida vai revitalizar a economia da banda larga, beneficiando os consumidores ao oferecer mais opções e preços menores.

A votação seguiu a orientação partidária dos membros da comissão. Para o presidente da CFC, Ajit Pai, idealizador da nova regulamentação, a chave do sucesso será "a transparência - a ideia de que os consumidores saibam exatamente o que estão pagando."

Do lado de fora, ativistas que veem numa Internet neutra e aberta um instrumento poderoso da democracia e da igualdade de oportunidades protestaram. Eles alegam que a nova regulamentação tende a aumentar os preços e balcanizar a rede, criando nichos que não se comunicam.

Os grandes vencedores são empresa como AT&T, Comcast e Verizon, que poderão cobrar mais caro de usuários e empresas de maior poder aquisitivo para acelerar suas mensagens. Perdem companhias como o Google, a Amazon, o Netflix e o Facebook. Temem que os provedores cobrem tarifas elevadas ou deem prioridade a seu próprio conteúdo.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Papéis do Paraíso revelam riqueza escondida da elite mundial

Mais de 13 milhões de documentos mostram como parte da elite mundial escondeu US$ 350 bilhões em 19 paraísos fiscais, inclusive a rainha da Inglaterra, grandes empresas, um ministro e assessores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

Os documentos foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e examinados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e estão sendo divulgados por 95 meios de comunicação, entre eles o jornal britânico The Guardian e o francês Le Monde.

A rainha tem o equivalente a US$ 13 milhões investidos nas Ilhas Cayman. Hoje de manhã, o Palácio de Buckingham se apressou em esclarecer que o dinheiro de Sua Majestade é administrado pelo Ducado de Lancaster e negou que Elizabeth II seja beneficiária de evasão fiscal.

Durante a campanha eleitoral de 2016, Trump prometeu "trazer de volta trilhões de dólares que as empresas americanas mantêm no exterior". Um ano depois de sua vitória, revela-se que vários dos milionários de sua assessoria guardam parte de suas fortunas no exterior ou ajudam seus clientes e empresas a fazer depósitos em paraísos fiscais.

A descoberta mais grave é a sociedade de uma empresa de transporte marítimo chamada Navigator, do secretário do Tesouro, Wilbur Ross, que em 2014 recebeu US$ 68 milhões da companhia de gás russa Sibur. Ross não revelou essa ligação com a Rússia como teria obrigação de fazer.

Um dos proprietários da Sibur empresa é Kiril Chamalov, casado com Katherina Tikhonova, filha do presidente Vladimir Putin, acusado de apoiar a candidatura Donald Trump com uma guerra cibernética contra a candidatura Hillary Clinton.

Apesar das sanções impostas pelos EUA e a União Europeia à Rússia em 2014 por causa da anexação da Península da Crimeia, a Navigator ampliou sua relações com a Sibur. O Congresso e o procurador especial Robert Mueller investigam um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin para derrotar Hillary.

Duas instituições estatais russas ligadas a Putin usaram um sócio de Jared Kushner, genro de Trump, para investir US$ 1,2 bilhão no Facebook e no Twitter, onde os serviços secretos russos criaram 470 contas com identidades falsas e publicaram 3 mil mensagens para manipular as eleições nos EUA.

O chefe da assessoria econômica da Casa Branca, Gary Cohn, principal responsável pela proposta de cortes de impostos que favorece sobretudo os ricos e as grandes empresas, foi presidente ou vice-presidente de 22 empresas offshore situadas nas ilhas Bermudas durante 2002 e 2006, quando era executivo do banco de investimentos Goldman Sachs.

As empresas, especializadas em mercado imobiliário tinham sede na ilha e um endereço em Nova York, 85 Broad Street, onde até 2009 era o quartel-general do Goldman Sachs.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, dirigiu a Marib Upstream Services Company, uma empresa ligada à transnacional americana ExxonMobil criada nas ilhas Bermudas em 1997 para explorar gás e petróleo no Iêmen, antes de virar diretor-presidente da Exxon.

Em relatório publicado no ano passado, o grupo de ativistas Cidadãos por Justiça Fiscal denunciou que a ExxonMobil tem pelo menos 35 subsidiárias em paraísos fiscais como as Bahamas, Bermudas e Cayman. Elas tinham pelo menos US$ 51 bilhões quando Tillerson chefiava a empresa.

Como banqueiro na Wall Street, o centro financeiro de Nova York, o agora secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, criou esquemas financeiros para permitir que clientes ricos comprassem jatinhos de luxo sem pagar impostos.

Um documento vazado em outubro de 2015 revela que o CIT Bank usou uma companhia da Ilha do Homem, um paraíso fiscal nas Ilhas Britânicas, para pagar uma prestação de US$ 431 mil pela compra de um avião Dassault Falcon 2000EX de US$ 30 milhões.

O dono da empresa é Shaher Abdulhak Besher, aliado do ex-ditador iemenita Ali Abdullah Saleh, um dos principais responsáveis pela guerra civil no país mais pobre do Oriente Médio. Seu filho, Farouk Abdulhak, é suspeito de estuprar e matar uma jovem de 23 anos em Londres.

Já o novo embaixador americano em Moscou, o ex-governador de Utah Jon Huntsman é apontado como diretor da HICI International Sales Corporation, fundada em 1969 em Barbados para realizar vendas internacionais para a Huntsman ICI, a indústria química da Huntsman Corporation. Em 2000, esta empresa faturou US$ 4,4 bilhões e lucrou US$ 151 milhões.

Até o primeiro-ministro liberal do Canadá, Justin Trudeau, uma das jovens promessas de liderança internacional, ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, foi atingido. Seu principal arrecadador de campanha, Stephen Bronfman, herdeiro da destilaria Seagram, operava uma rede de empresas que circulava milhões de dólares entre os EUA, Israel e as Ilhas Cayman para não pagar impostos.

No Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem um truste nas Bermudas, mas está declarado à Receita Federal. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, grande pecuarista, é sócio de uma empresa nas Ilhas Cayman para pagar menos impostos sobre suas exportações.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

EUA geram mais 261 mil empregos e desemprego cai a 4,1%

O mercado de trabalho dos Estados Unidos teve uma forte recuperação em outubro, com o fim do impacto econômico da temporada de furacões no Mar do Caribe e dos incêndios florestais na Califórnia. Gerou 261 mil postos de trabalho a mais do que fechou, anunciou hoje o Departamento do Trabalho. 

A taxa de desemprego, medida em outra pesquisa, caiu para 4,1%. É a menor desde agosto de 2001, antes dos atentados de 11 de setembro.

Mesmo assim, os economistas esperavam ainda mais, um saldo positivo de 315 mil vagas de emprego. O resultado de setembro, que seria a primeira queda no emprego desde 2010, foi revisado para 18 mil vagas abertas a mais do que fechadas. Agosto também foi revisado para cima, de 169 mil para 208 mil empregos.

O setor de bares e restaurantes foi o mais atingido pelos furacões Harvey e Irma. Criou 89 mil vagas em outubro, depois de fechar 98 mil em setembro.

"Sob a superfície de altas e baixas no número mensal de contratações, a economia dos EUA vai indo muito bem pela maioria das medidas", comentou Mark Hamrick, analista econômico sênior na consultoria Bankrate.com. "Há uma boa chance de termos três trimestres seguidos com crescimento em ritmo de 3% ao ano, inclusive neste último trimestre do ano."

Nos últimos três meses, a média de geração de empregos ficou em 162 mil, levemente abaixo dos 168 mil da média desde o início de 2017.

Os salários desapontaram. Cresceram apenas 2,4% nos últimos 12 meses.

Ao mesmo tempo, "a taxa de desemprego caiu por causa há menos pessoas na força de trabalho", observou o economista Gus Faucher, do banco virtual PNC. A participação no mercado de trabalho, a força de trabalho, caiu 0,4 ponto percentual em outubro para 62,7% do total de pessoas aptas em idade de trabalhar.

O índice de desemprego é estimado pela pesquisa nacional por amostra de domicílios. Mede o número de americanos empregados e não o número de vagas de emprego. Em outubro, havia 484 mil pessoas empregadas, depois de uma alta de 906 mil em setembro.

A maior economia do mundo vive um momento de euforia, com recordes batidos com frequência pelo Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, graças à desregulamentação e aos cortes de impostos anunciados pelo governo Donald Trump. Uma pesquisa da entidade empresarial Conference Board revela que a confiança dos americanos está no nível mais alto em 17 anos.

A maior dúvida é se Trump vai conseguir manter o equilíbrio fiscal a longo prazo ao cortar, por exemplo, a alíquota do imposto de renda das empresas de 35% para 20%. O objetivo é repatriar o capital de grandes empresas americanas ganho no exterior e guardado fora do país para evitar a taxação.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

EUA expulsam 15 diplomatas cubanos

O governo Donald Trump ordenou hoje a expulsão de 15 diplomatas, mais da metade da delegação de Cuba nos Estados Unidos. É uma reação a um suposto ataque sônico que teria atingido mais de 20 diplomatas americanos e seus parentes quando serviam em Havana.

A lista com os 15 diplomatas expulsos foi entregue pelo Departamento de Estado do embaixador cubano em Washington, José Cabañas. Eles têm sete dias para deixar os EUA.

Na semana passada, os EUA retiraram todo o pessoal não essencial da embaixada em Havana. Decidiram expulsar os cubanos por uma questão de reciprocidade. "A decisão sobre as expulsões foi tomada devido à inabilidade de Cuba de proteger nossos diplomatas em Havana", declarou um porta-voz do Departamento de Estado.

"É uma decisão política e uma medida retaliatória", protestou em Havana o ministro do Exterior cubano, Bruno Rodríguez, alegando que não tomada com base em fatos. "Cuba jamais perpetrou ou perpetraria ataques de qualquer tipo contra diplomatas e suas famílias, sem exceção." Também afirmou que não cederia seu território para uma ação desta natureza.

Alguns diplomatas americanos e seus familiares tiveram problemas de saúde como náusea, confusão mental, perda de audição e de memória. O governo Trump atribui isso a supostos ataques mudos e silenciosos com ondas de ultrassom ou infrassom, imperceptíveis pelo ouvido humano.

O senador democrata Patrick Leahy discordou: "Antes de retaliar outros países e expulsar seus diplomatas, deveríamos ter provas de que eles, e não outro país ou terceiros, fizeram mal a nossos cidadãos. Não sabemos quem fez isso e por quê, e estamos punindo os cubanos por não impedi-lo."

Quando anunciaram a decisão de retirar parte de seus diplomatas em Cuba, os EUA também desaconselharam os americanos a viajar à ilha.

As relações diplomáticas entre os EUA e Cuba foram reatadas após um anúncio do presidente Barack Obama e do ditador Raúl Castro em dezembro de 2014. O reatamento foi concretizado pela reabertura das embaixadas dos dois países, anunciada em 1º de julho de 2015.

Obama era a favor do fim do embargo econômico imposto pelos EUA em fevereiro de 1962, em retaliação à revolução comunista liderada por Fidel Castro e à estatização de propriedades de americanos em Cuba. Desde 1992, o embargo é lei aprovada pelo Congresso. Só o Congresso pode acabar com ele. A lei atual exige a realização de eleições livres e democráticas na ilha.

Desde a eleição de Trump, a reaproximação entre os dois países foi esfriada e agora entrou claramente em retrocesso.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Diretor da comunicações da Casa Branca cai após 10 dias no cargo

Durou apenas 10 dias o reinado do magnata financeiro Anthony Scaramucci como diretor de comunicações da Presidência dos Estados Unidos. Ele caiu hoje depois de atacar violentamente com palavrões o chefe da Casa Civil da Casa Branca, Reince Priebus, que pediu demissão.

Scaramucci tinha a missão de acabar com o vazamento de informações na Casa Branca. Quando seus dados financeiros foram revelados pelo boletim Politico, o financista reagiu furiosamente e atacou Priebus em entrevista à revista The New Yorker, chamando-o de "esquizofrênico paranoide fudido, um paranoico". As informações haviam sido obtidas de fontes públicas.

Priebus saiu sem responder diretamente a Scaramucci, alegando não querer chafurdar na lama. Foi substituído pelo general reformado John Kelly, do Corpo de Fuzileiros Navais, encarregado de pôr ordem no caos em que se transformou a Presidência dos EUA no governo Donald Trump.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Trump demite chefe da Casa Civil da Casa Branca

O presidente Donald Trump demitiu hoje Reince Priebus da chefia da Casa Civil da Presidência dos Estados Unidos e anunciou no Twitter sua substituição pelo até agora secretário da Segurança Interna, general John Kelly, da reserva do Corpo de Fuzileiros Navais.

Priebus havia sido violentamente atacado pelo novo diretor de comunicações da Casa Branca, Anthony Scaramucci. Em telefonema ao correspondente em Washington da revista The New Yorker, Ryan Lizza, Scaramucci chamou Preibus de "esquizofrênico paranoide fudido, um paranoico" e acusou-o pelo vazamento de notícias para os meios de comunicação.

Quando Trump não reagiu desautorizando seu diretor de comunicações, ficou evidente que os dias de Preibus estavam contados. Foi o não interino que ficou menos tempo no cargo.

O ex-ministro-chefe da Casa Civil era presidência do comitê executivo nacional do Partido Republicano. Foi uma indicação que veio do partido e não do círculo íntimo dos favoritos de Trump.

"Tenho prazer em informou que acabei de nome o secretário e general John Kelly para chefe da Casa Civil da Casa Branca. Ele é um grande americano e um grande líder", anunciou Trump no Twitter no início da tarde.

Em discurso fascistou em que avalizou a violência policial diante de policiais dos estados de Nova Jérsei e Nova York e culpou os imigrantes pela criminalidade e a violência nos EUA, Trump elogiou seu secretário da Segurança Interna dizendo que Kelly reduziu sensivelmente a entrada de imigrantes ilegais.

O novo desafio do ex-fuzileiro naval é pôr ordem na caótica Casa Branca do governo Trump, que claramente prefere militares a políticos.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

EUA têm menor crescimento no primeiro trimestre em três anos

Numa derrota para as promessas do presidente Donald Trump de acelerar o crescimento para 4% ao ano, a economia dos Estados Unidos teve no primeiro trimestre de 2017 o menor crescimento em três anos. O produto interno bruto avançou em ritmo de apenas 0,7% ao ano, rewvelou hoje o Departamento do Comércio, citado pelo jornal The Wall Street Journal.

Sem nenhuma grande realização nos primeiros cem dias de governo, completados amanhã, Trump se vê diante de um consumo doméstico fraco, com o menor crescimento desde 2009, e do menor índice de crescimento trimestral desde o início de 2014.

Nos últimos 12 meses, a maior economia do mundo avançou 1,9%. A previsão da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, é de uma alta de 2,1% do PIB em 2017. No último trimestre do ano passado, a expansão foi de 2,1% ao ano.

Com a incerteza econômica causada pelas políticas erráticas e a imprevisibilidade de Trump, caiu a confiança do consumidor, que comprou menos bens duráveis como automóveis e gastou menos com energia durante um inverno menos rigoroso no Hemisfério Norte.

O núcleo do índice de preços ao consumidor, excluídos os preços mais voláteis de energia e alimentos, subiu para 2,4% ao ano, acima da meta de inflação seguida informalmente pelo Fed, de 2% ao ano. A inflação em alta ajudou a reduzir o poder de compra dos consumidores.

Do lado positivo, o investimento das empresas aumentou em 9,4% num ano e as exportações cresceram num ritmo anual de 5,8%. A maioria dos economistas espera que a queda no crescimento seja temporária e que o crescimento fique em 3% a 4% ao ano no segundo trimestre.

sábado, 22 de abril de 2017

Trump não autoriza Exxon a explorar petróleo na Rússia

O governo Donald Trump negou autorização para a companhia de petróleo Exxon Mobil a perfurar poços atrás de petróleo na Rússia, anunciou ontem o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, depois de consultar o presidente.

A Exxon Mobil tinha pedido uma isenção das sanções impostas pelos EUA e a União Europeia à Rússia depois da intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia e da anexação da Crimeia, em 2014. Queria retomar uma parceria com a empresa estatal russa Rosneft.

Com a crise na Ucrânia, as relações entre a Rússia e o Ocidente sofreram a maior deterioração desde o fim da Guerra Fria e do desaparecimento da União Soviética, em 1991. Durante a campanha, Trump prometeu melhorar as relações e fazer uma aliança no combate ao terrorismo dos muçulmanos jihadistas. Foi acusado de conluio com a Rússia, que pirateou e divulgou informações negativas sobre a candidata democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

O ataque dos EUA à Síria, maior aliada de Moscou no Oriente Médio, em retaliação ao uso de armas químicas, minou esta tentativa de reaproximação. Ao não deixar a Exxon procurar petróleo na Rússia, Trump avaliza as sanções aplicadas pelo governo Barack Obama (2009-17).

Em sociedade com a Rosneft, a Exxon Mobil poderia explorar petróleo no Mar Negro e no Mar Kara, na Sibéria. Os campos de petróleo do Mar Kara são considerados os mais promissores da Rússia no Oceano Ártico.