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sábado, 15 de dezembro de 2018

Secretário do Interior dos EUA cai sob pressão de vários inquéritos

Alvo de pelo menos 15 investigações, o secretário do Interior dos Estados Unidos, Rian Zinke, deixa o cargo no fim do ano, anunciou hoje o presidente Donald Trump. Sua conduta pessoal e decisões administrativas causaram uma série de escândalos.

O caso mais grave, encaminhado pelo inspetor-geral do Departamento do Interior ao Departamento da Justiça, examina se o secretário usou o cargo para ganho pessoal num negócio de terras em Whitefish, no estado de Montana, com o presidente da companhia Halliburton e outros investidores.

Trump elogiou o secretário: "Ryan realizou muito durante" quase dois anos "e eu gostaria de agradecê-lo pelos serviços prestados à nação." Mas a Casa Branca o pressionou a sair. No mês passado, ele foi avisado que seria demitido se não pedisse demissão até o fim do ano.

É o quarto alto funcionário do governo Trump forçado a sair por razões éticas, depois do secretário da Saúde, Tom Price; do secretário para Veteranos de Guerra, David Shulkin; e do chefe da Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt. Todos tiveram de dar explicações sobre o uso de verbas públicas para benefício pessoal, por exemplo, em viagens particulares.

Entre outras medidas polêmicos, Zinke autorizou a exploração de petróleo em terras e águas protegidas por leis e regras ambientais do governo Barack Obama, a pretexto de garantir o "domínio dos EUA" no setor de energia.

A presidente da Comissão de Energia e Recursos Naturais do Senado, Lisa Murkowski, que conseguiu reabrir a Reserva Nacional de Vida Silvestre do Ártico à exploração de petróleo, ficou "desapontada".

"Ryan Zinke foi o secretário mais antipreservação ambiental da história da nação"afirmou Jenniffer Rokala, do Centro para Prioridades do Oeste. "Ao se cercar de lobistas, logo ficou claro que Ryan Zinke era um peão da indústria de petróleo e gás. Podemos esperar o mesmo do secretário interino, David Bernhardt, mas sem a ridícula comparação dom Ted Roosevelt."

Por gostar de caçar, pescar e andar a cavalo, Zinke gosta de se comparar com o presidente Theodore Roosevelt.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Melania pede a cabeça de uma assessora de Segurança Nacional

Em mais uma confusão entre o público e o privado na presidência imperial de Donald Trump, a primeira-dama, Melania Trump, pediu a demissão da assessora assistente de Segurança Nacional Mira Ricardel por causa de uma briga por assento numa viagem ao exterior.

"É a posição do Escritório da Primeira Dama que [Ricardel] não merece mais a honra de servir nesta Casa Branca", declarou em nota a diretora de comunicações de Melania, Stephanie Grisham.

O problema aconteceu durante a visita de Melania à África por causa de um lugar no avião e do uso dos recursos do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, contaram pessoas presentes. Como Melania não foi eleita, não deveria se envolver em política.

A primeira-dama já copiou literalmente um texto da ex-primeira-dama Michelle Obama, usou uma camiseta dizendo "eu não me importo", numa mensagem aparentemente dirigida ao marido. Se Hillary Clinton ou Michelle Obama pedissem a demissão de um assessor do governo, o Partido Republicano as atacariam com violência.

No primeiro governo Bill Clinton, Hillary tentou formular uma proposta de reforma da saúde para garantir cobertura a todos os americanos. Foi totalmente repudiada por não ter sido eleita.

Neste governo, as únicas pessoas seguras nos seus cargos são da família Trump. Desde a posse, 41 altos funcionários foram demitidos e atacados de forma desmoralizante. Com a maioria conquistada pelo Partido Democrata nas eleições de 6 de novembro, o presidente está se sentindo acuado.

Os democratas querem investigar os negócios do presidente para ver se há conflitos de interesse. Trump faliu várias vezes, então tinha dificuldades para conseguir empréstimos em bancos de Nova York. Tomou empréstimo com o Deutsche Bank e pode ter conseguido dinheiro na Rússia, onde produzia o concurso de Miss Universo.

As relações com a Rússia também serão alvo das investigações da nova Câmara dos Representantes, assim como os negócios de seus hotéis, que recebem delegações estrangeiras que vão aos EUA negociar com governos.

Na opinião da colunista Anne Applebaum, do jornal The Washington Post, quando Trump tenta mobilizar seu eleitorado com temas como a imigração ilegal, está preparando sua defesa para salvar sua presidência e seus negócios.

Como não teria defesa jurídica para tantos escândalos, argumenta Applebaum, Trump terá de desmoralizar as instituições para se apresentar como vítima de perseguição. Para isso, vai precisar de sua base radicalizada, capaz de acreditar nas suas mentiras.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Rei da Espanha abdica em favor do príncipe Felipe

Depois de 39 anos no trono, o rei Juan Carlos I anunciou hoje que vai abdicar em favor do filho mais velho, o príncipe Felipe, citando razões de idade: "É hora de passar o cetro à nova geração para que faça as reformas necessárias."

Juan Carlos ascendeu ao trono em 22 de novembro de 1975, dois dias depois da morte do generalíssimo Francisco Franco, ditador desde sua vitória na Guerra Civil Espanhola (1936-39). A Constituição democrática de 1978 o reconheceu oficialmente como rei da Espanha e herdeiro da dinastia Bourbon.

O apoio à transição democrática e a resistência à tentativa de golpe do tenente-coronel Antonio Tejero Molina, em 23 de fevereiro de 1981, lhe deram legitimidade. Foi descrito pela revista americana Time como "um dos heróis mais improváveis e inspiradores da liberdade no século 20.

Em 2007, durante uma discussão entre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o então primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, numa reunião de cúpula ibero-americana realizada no Chile, Juan Carlos interpelou o caudilho venezuelano: "Por que não te calas?"

Chávez interrompera Rodríguez Zapatero para acusar o ex-primeiro-ministro José María Aznar de apoiar o golpe de 11 de abril de 2002 na Venezuela, mas desrespeitou o protocolo ao não esperar sua vez de falar.

Nos últimos, vários escândalos atingiram a família real espanhola. Em 12 de dezembro de 2011, os jornais espanhóis acusaram Iñaki Urdangarin, duque consorte de Palma de Mallorca, casado com a princesa Cristina, de fraude, malversação de fundos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Em 14 de abril de 2012, durante a pior crise econômica na era pós-Franco, com mais de um quarto dos trabalhadores espanhóis desempregados, dias de pedir "rigor" e "sacrifícios" à nação, o rei sofreu um acidente e fraturou a bacia quando caçava elefantes em Botsuana, na África.

Ao sair do hospital, Juan Carlos pediu desculpas, mas sua imagem estava arranhada definitivamente.