Depois de 39 anos no trono, o rei Juan Carlos I anunciou hoje que vai abdicar em favor do filho mais velho, o príncipe Felipe, citando razões de idade: "É hora de passar o cetro à nova geração para que faça as reformas necessárias."
Juan Carlos ascendeu ao trono em 22 de novembro de 1975, dois dias depois da morte do generalíssimo Francisco Franco, ditador desde sua vitória na Guerra Civil Espanhola (1936-39). A Constituição democrática de 1978 o reconheceu oficialmente como rei da Espanha e herdeiro da dinastia Bourbon.
O apoio à transição democrática e a resistência à tentativa de golpe do tenente-coronel Antonio Tejero Molina, em 23 de fevereiro de 1981, lhe deram legitimidade. Foi descrito pela revista americana Time como "um dos heróis mais improváveis e inspiradores da liberdade no século 20.
Em 2007, durante uma discussão entre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o então primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, numa reunião de cúpula ibero-americana realizada no Chile, Juan Carlos interpelou o caudilho venezuelano: "Por que não te calas?"
Chávez interrompera Rodríguez Zapatero para acusar o ex-primeiro-ministro José María Aznar de apoiar o golpe de 11 de abril de 2002 na Venezuela, mas desrespeitou o protocolo ao não esperar sua vez de falar.
Nos últimos, vários escândalos atingiram a família real espanhola. Em 12 de dezembro de 2011, os jornais espanhóis acusaram Iñaki Urdangarin, duque consorte de Palma de Mallorca, casado com a princesa Cristina, de fraude, malversação de fundos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Em 14 de abril de 2012, durante a pior crise econômica na era pós-Franco, com mais de um quarto dos trabalhadores espanhóis desempregados, dias de pedir "rigor" e "sacrifícios" à nação, o rei sofreu um acidente e fraturou a bacia quando caçava elefantes em Botsuana, na África.
Ao sair do hospital, Juan Carlos pediu desculpas, mas sua imagem estava arranhada definitivamente.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 2 de junho de 2014
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Chávez congela relações com a Espanha
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reavivou seu conflito com o rei Juan Carlos de Bourbon ao insistir em "congelar as relações com a Espanha" exigindo que o rei peça desculpas por tê-lo mandado calar a boca no encerramento da Conferência de Cúpula Ibero-Americana realizada há duas semanas em Santiago, no Chile.
"Até que o rei da Espanha se desculpe, eu congelo as relações, porque aqui há dignidade", declarou o caudilho, em plena campanha pela aprovação, em referendo marcado para 2 de dezembro, de uma reforma constitucional que lhe dará poderes ditatoriais para implantar o "socialismo do século 21".
"Até que o rei da Espanha se desculpe, eu congelo as relações, porque aqui há dignidade", declarou o caudilho, em plena campanha pela aprovação, em referendo marcado para 2 de dezembro, de uma reforma constitucional que lhe dará poderes ditatoriais para implantar o "socialismo do século 21".
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Chávez ameaça empresas da Espanha

Depois de pedir, sem sucesso, um pedido formal de desculpas, em uma tentativa de tirar proveito político da reprimenda que levou do rei Juan Carlos I, o presidente-quase-ditador da Venezuela, Hugo Chávez Frías, ameaçou hoje fazer uma "profunda revisão" de suas relações "diplomáticas, políticas e econômicas" com a Espanha. Prometeu ficar de olho nas atividades das empresas espanholas em seu país.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Chávez insinua que rei sabia do golpe

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou a alfinetar ontem o rei Juan Carlos, da Espanha, que o mandou calar a boca no encerramento da 17ª Conferência de Cúpula Ibero-Americana, em Santiago do Chile, no sábado.
"Senhor rei, responda: você sabia do golpe de Estado contra a Venezuela, contra o governo democrático e legítimo da Venezuela em 2002?", cutucou Chávez, em entrevista antes de deixar o Chile.
Em seguida, acusou-o diretamente: "É muito difícil pensar que o embaixador espanhol estivesse no palácio [presidencial venezuelano] apoiando os golpistas sem a autorização de Sua Majestade, que é quem dirige a política exterior".
Juan Carlos mandou o caudilho venezuelano calar a boca quando este chamou de fascista o ex-primeiro-ministro espanhol José María Aznar, que apoiou o golpe contra Chávez.
domingo, 11 de novembro de 2007
Chávez: "O rei é rei mas não pode me calar"
Ao falar no encerramento da Cúpula dos Povos, paralela à 17ª Cúpula Ibero-Americana, em Santiago do Chile, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, respondeu ao rei Juan Carlos, da Espanha, que o mandara calar a boca quando o caudilho chamou o ex-primeiro-ministro espanhol José María Aznar de fascista.
"O rei é rei mas não pode me calar", afirmou Chávez. "Exijo respeito porque também sou chefe de Estado, e eleito democraticamente. Ele é tão chefe de Estado quanto eu, com a diferença de que fui eleito três vezes. O rei Juan Carlos de Bourbon é tão chefe de Estado quanto o índio Evo Morales".
Também participaram do encerramento da cúpula paralela organizada pela Universidade de Artes e Ciências Sociais os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Nicarágua, Daniel Ortega, e o vice-presidente de Cuba, Carlos Lage.
Chávez recebeu o título de doutor honoris causa e discursou durante uma hora e 45 minutos.
"O rei é rei mas não pode me calar", afirmou Chávez. "Exijo respeito porque também sou chefe de Estado, e eleito democraticamente. Ele é tão chefe de Estado quanto eu, com a diferença de que fui eleito três vezes. O rei Juan Carlos de Bourbon é tão chefe de Estado quanto o índio Evo Morales".
Também participaram do encerramento da cúpula paralela organizada pela Universidade de Artes e Ciências Sociais os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Nicarágua, Daniel Ortega, e o vice-presidente de Cuba, Carlos Lage.
Chávez recebeu o título de doutor honoris causa e discursou durante uma hora e 45 minutos.
Início de operações da Botnia aumenta tensão entre Argentina e Uruguai na 'guerra das papeleiras'

O início das operações da fábrica de papel e celulose da companhia finlandesa Botnia (foto) em Fray Bentos, no Uruguai, no sábado, levou ao momento de maior tensão o conflito entre Argentina e Uruguai chamado de 'guerra das papeleiras', que já dura três anos.
A decisão do presidente uruguaio, Tabaré Vázques, de autorizar o funcionamento da fábrica sem consultar a Argentina e a Espanha, causou um enorme mal-estar.
Em Santiago, no Chile, no final da Conferência de Cúpula Ibero-Americana, o presidente argentino, Néstor Kirchner, agradeceu à mediação do rei Juan Carlos, da Espanha, num sinal de que as negociações com o Uruguai estão encerradas: “Sua Majestade, realmente quero lhe pedir desculpas porque fui um dos que lhe pediram que mediasse este problema que temos com a república irmã do Uruguai. Você faz um esforço tremendo, mas houve incompreensão de alguns".
O presidente uruguaio respondeu reclamando do bloqueio das pontes sobre o Rio Uruguai que ligam os dois países, bloqueadas diversas vezes por manifestantes argentinos: "O bloqueio de pontes nos causa um dano enorme. Já temos na região a experiencia do que causam os bloqueios que sofre Cuba há 40 anos".
Antes de saber que o Uruguai fechara a passagem de Gualeguaychú para Fray Bentos e do espaço aéreo sobre a fábrica, o chefe da Casa Civil do governo argentino, Alberto Fernández, declarou que "as relações estão muito danificadas".
Kirchner ficou especialmente irritado porque Vázquez o abraçara na noite anterior, sem fazer qualquer referência ao início das operações da Botnia.
A delegação uruguaia alegou que Vázquez tomou a decisão ao saber que Kirchner recebera um grupo de representantes da Assembléia dos Moradores de Gualeguaychú que fora a Santiago protestar dizendo-lhes: "Sempre estarei com a causa".
Surpreso, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, declarou: "Vamos ver qual é a explicação do Uruguai".
Pouco depois, Tabaré Vázquez disse ao rei Juan Carlos: "Considerei encerrado o compasso de espera quando o governo argentino deu apoio aos que bloqueiam estradas".
Para o Uruguai, o conflito virou uma questão de soberania nacional; para a Argentina, a fábrica representa uma ameaça ao meio ambiente, violando o Estatuto do Rio Uruguai, de 1975, um tratado bilateral sobre o uso compartilhado do rio que marca a fronteira entre os dois países.
A Argentina recorreu à Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, em Haia, na Holanda, denunciando a violação do tratado. O tribunal deve tomar sua decisão dentro de um ano.
"Somos racionais, pacíficos e estamos abertos ao diálogo", comentou um alto funcionário argentino. "Buscamos uma solução do século 21, não do século 16".
Com a fábrica funcionando, o governo argentino vai monitorar as condições ambientais na busca de provas da poluição que reforcem sua causa na Corte de Haia.
Outra empresa, a espanhola Ence, abandonou seu projeto original e estuda a relocalização de sua fábrica.
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sábado, 10 de novembro de 2007
Rei da Espanha manda Chávez calar a boca
O rei Juan Carlos, da Espanha, mandou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, calar a boca no encerramento da 17ª Conferência de Cúpula Ibero-Americana, em Santiago do Chile.
Na última sessão plenária da reunião de cúpula, Chávez chamou o ex-primeiro-ministro conservador espanhol José María Aznar de fascista. Visivelmente irritado, o atual o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, declarou que Aznar fora eleito democraticamente duas vezes para governar a Espanha.
Em seu pronunciamento, Chávez contou o diálogo travado com Aznar quando ele visitou a Venezuela em 2002, e concluiu: "Uma serpente é mais humana do que um fascista ou um racista; un tigre é mais humano do que um fascista ou um racista".
Ao responder, Rodríguez Zapatero exigiu respeito: "Pode-se estar em lados opostos de uma posição ideológica, e não serei eu que estarei perto das idéias de Aznar, mas foi eleito pelos espanhóis e exijo respeito".
Mesmo com o microfone fechado, o caudilho venezuelano continuou atacando Aznar, que não estava presente, provocando a ira real. Juan Carlos reagiu: "Por que não te calas?"
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, interveio, pedindo que não houvesse discussões bilaterais.
Pouco depois, foi a vez do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, aliado de Chávez, de acusar o embaixador da Espanha e empresas espanholas de lutarem contra sua candidatura. Para manifestar seu desagrado, o rei se retirou da sessão, mas depois voltou.
Mais tarde, o vice-presidente de Cuba, Carlos Lage, apoiou o direito de Chávez de "se defender", alegando que Aznar atacou "a dignidade da Venezuela" em diversas ocasiões. Na sua opinião, não se deve interpretar "o direito da Venezuela de se defender como um ataque ao rei, ao governo da Espanha ou ao povo espanhol".
Depois da reunião, o primeiro-ministro espanhol considerou inaceitável o comportamento do presidente venezuelano: "Espero que seja a última vez; espero que seja a última vez, porque construir un diálogo democrático é, antes de tudo, construir o respeito".
Aznar telefonou ao rei e a Rodríguez Zapatero para agradecer por suas intervenções. Mas o coordenador-geral da Esquerda Unida, Gaspar Llamazares, lembrou que o ex-primeiro-ministro apoiou o golpe de abril de 2002 contra Chávez. Foi o único líder internacional, além de seu aliado, o presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, a reconhecer o governo golpista liderado pelo dirigente empresarial Pedro Carmona.
Confira aqui o bate-boca entre o rei e o caudilho.
Na última sessão plenária da reunião de cúpula, Chávez chamou o ex-primeiro-ministro conservador espanhol José María Aznar de fascista. Visivelmente irritado, o atual o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, declarou que Aznar fora eleito democraticamente duas vezes para governar a Espanha.
Em seu pronunciamento, Chávez contou o diálogo travado com Aznar quando ele visitou a Venezuela em 2002, e concluiu: "Uma serpente é mais humana do que um fascista ou um racista; un tigre é mais humano do que um fascista ou um racista".
Ao responder, Rodríguez Zapatero exigiu respeito: "Pode-se estar em lados opostos de uma posição ideológica, e não serei eu que estarei perto das idéias de Aznar, mas foi eleito pelos espanhóis e exijo respeito".
Mesmo com o microfone fechado, o caudilho venezuelano continuou atacando Aznar, que não estava presente, provocando a ira real. Juan Carlos reagiu: "Por que não te calas?"
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, interveio, pedindo que não houvesse discussões bilaterais.
Pouco depois, foi a vez do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, aliado de Chávez, de acusar o embaixador da Espanha e empresas espanholas de lutarem contra sua candidatura. Para manifestar seu desagrado, o rei se retirou da sessão, mas depois voltou.
Mais tarde, o vice-presidente de Cuba, Carlos Lage, apoiou o direito de Chávez de "se defender", alegando que Aznar atacou "a dignidade da Venezuela" em diversas ocasiões. Na sua opinião, não se deve interpretar "o direito da Venezuela de se defender como um ataque ao rei, ao governo da Espanha ou ao povo espanhol".
Depois da reunião, o primeiro-ministro espanhol considerou inaceitável o comportamento do presidente venezuelano: "Espero que seja a última vez; espero que seja a última vez, porque construir un diálogo democrático é, antes de tudo, construir o respeito".
Aznar telefonou ao rei e a Rodríguez Zapatero para agradecer por suas intervenções. Mas o coordenador-geral da Esquerda Unida, Gaspar Llamazares, lembrou que o ex-primeiro-ministro apoiou o golpe de abril de 2002 contra Chávez. Foi o único líder internacional, além de seu aliado, o presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, a reconhecer o governo golpista liderado pelo dirigente empresarial Pedro Carmona.
Confira aqui o bate-boca entre o rei e o caudilho.
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