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terça-feira, 23 de março de 2010

Bolívia festeja o Dia do Oceano

 A Bolívia comemorou hoje o Dia do Oceano com uma homenagem a Eduardo Abaroa, o grande herói boliviano da Guerra do Pacífico (1789-83), quando o país perdeu sua saída para o Oceano Pacífico para o Chile, que também tomou a ponta Sul do Peru.

Durante a cerimônia, o presidente Evo Morales prometeu continuar a luta da Bolívia de 130 anos por uma saída para o mar. Ele disse ter discutido o assunto com a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet e também com o novo presidente, Sebastián Piñera.

"Saudamos o presidente Piñera, seu governo e o povo chileno", declarou Morales. "Vamos trabalhar juntos para encontrar soluções como vizinhos e amigos."

quarta-feira, 3 de março de 2010

Total de mortos no Chile sobe para 795

O total de mortos pelo terremoto que abalou o centro-sul do Chile no sábado chegou ontem a 795 pessoas.

No quarto dia depois do grande tremor, a presidente Michelle Bachelet recebeu a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e estendeu o toque de recolher em Concepción até o meio-dia de hoje.

Lá, aconteceu a maioria dos saques depois do terremoto. É também onde se concentra a busca por soterrados.

Moradores de vilarejos do litoral chileno arrasado pelo maremoto, pelas ondas gigantes provocadas pelo terremoto, fogem para a cidade de Talca, que também foi muito atingida.

Hillary Clinton doou 25 telefones de satélite e prometeu mais equipamentos para emergência: geradores de eletricidade, máquinas para hemodiálise e pontes. A chefe da diplomacia dos Estados Unidos também esteve com o presidente eleito, Sebastián Piñera, que toma posse em 11 de março de 2010.

O prejuízo total do terremoto no Chile está estimado até agora em R$ 26 bilhões. Apesar da tragédia e de seu impacto econômico, Piñera promete manter a meta de crescimento para 2010 em 6%.

sábado, 14 de novembro de 2009

Espionagem abala relação entre Peru e Chile

O presidente do Peru, Alan García, suspendeu um encontro que teria com colega chilensa, Michelle Bachelet, durante a reunião do fórum Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC) e voltou para Lima, diante de denúncia de que um suboficial da Força Aérea Peruana que servia na embaixada em Santiago fez espionagem para o Chile, num ato considerado “pouco amistoso e ofensivo”.

Os dois países são inimigos históricos desde a Guerra do Pacífico (1879-83), quando a Bolívia perdeu a saída para o mar.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Bachelet recebe Zelaya como presidente

A presidente Michelle Bachelet recebeu hoje em Santiago o líder hondurenho deposto e declarou que José Manuel Zelaya é "o presidente democraticamente eleito de Honduras.

Zelaya está visitando diversos países latino-americanos em busca de apoio. Já esteve no México e ontem se encontrou com o presidente Lula em Brasília.

Em Santiago do Chile, vários manifestantes esperavam Zelaya diante do palácio. Ele parou rapidamente diante da estátua do presidente Salvador Allende, deposto e assassinado no golpe militar de 11 de setembro de 1973.

Ao presidente Lula, Zelaya pediu que aumente a pressão sobre o presidente Barack Obama para que os Estados Unidos adotem uma posição mais firme contra os golpistas. Como 70% da economia hondurenha dependem dos EUA, seria a maneira de asfixiar o governo ilegítimo.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Morales teria pedido ajuda à Unasul

O próprio presidente da Bolívia, Evo Morales, teria pedido à presidente do Chile, Michelle Bachelet, a convocação de uma reunião de cúpula de emergência da União das Nações da América do Sul (Unasul), diante do temor de um golpe de Estado na sexta-feira à noite.

Naquele dia, o comandante do Exército, general Luis Trigo, advertiu que as Forças Armadas não iriam tolerar uma intervenção estrangeira, rechaçando o apoio militar do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O general ameaçou intervir no conflito interno para manter a ordem, acabar com a violência política, e proteger prédios públicos e instalações de gás e petróleo.

Pelo menos 30 pessoas morreram na Bolívia nos confrontos de rua dos últimos dias entre partidários do Movimento ao Socialismo, do presidente Morales, e da oposição que luta por autonomia regional em cinco dos nove departamentos do país.

O presidente Lula estaria insatisfeito com a polarização provocada pela crise interna boliviana e a expulsão dos embaixados dos Estados Unidos da Bolívia e da Venezuela, e pela rejeição de Morales da oferta de mediação brasileira. Vai ao encontro, mas há uma preocupação de que Chávez e Morales tentem incluir referências aos EUA que não interessam à maioria dos outros países do subcontinente. A exceção é Rafael Correa, do Equador, aliado de Chávez e Morales.

sábado, 24 de maio de 2008

Brasil cria União das Nações da América do Sul

Uma reunião de cúpula realizada em Brasília fundou ontem a União das Nações da América do Sul (Unasul). Na sexta-feira o tratado que constitui a Unasul foi assinado pelos chefes de Estado. O presidente da Bolívia, Evo Morales, passou a presidência rotativa da nova organização internacional para a presidente do Chile, Michelle Bachelet, por um período de dois anos.

"Posso dizer à Bachelet que, da parte do Brasil, você terá 100% de dedicação, apoio, em qualquer momento, para que possa consagrar ainda mais a integração sul-americana que acabamos de assinar", disse o presidente Lula.

A presidente do Chile destacou o fato de que o subcontinente tem hoje um presidente sindicalista (Lula), outro indígena (Morales) e duas mulheres (a própria Bachelet e a presidente argentina, Cristina Kirchner).

Morales, por sua vez, representando a pobre Bolívia, espera que a meta da Unasul seja a "igualdade dos povos sul-americanos. A única meta é buscar a igualdade dos povos, chegar rapidamente à justiça social. Sigo pensando que a América do Sul é grande esperança não só para sul-americanos, mas para todo o mundo".

Bachelet também fez seu discurso colocando a justiça social como a questão mais importante numa região marcada pela concentração da riqueza: "A América do Sul e também países do Caribe e América Latina podem ser atores globais para tomar decisões. Um dos objetivos fundamentais da integração é dar melhores condições de vida ao nosso povo. A integração econômica não é o mais importante, mas o instrumento para alcançarmos melhores condições de vida para o nosso povo."

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Bachelet muda cinco ministros no Chile

Com a popularidade em baixa, apesar da boa situação econômica do Chile, a presidente Michelle Bachelet fez uma ampla reforma ministerial, mudando cinco ministros para revigorar seu governo.

De uma só tacada, trocou os ministros da Economia, das Minas, de Obras Públicas, Agricultura e Planejamento. Também nomeou um novo ministro do Interior, depois que o anterior pediu demissão inesperadamente na semana passada.

O novo ministro do Interior, Eduardo Pérez Yoma, foi ministro da Defesa de Eduardo Frei (1994-2000). É considerado um dos responsáveis pela reconciliação entre civis e militares depois do fim da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90).

Hugo Lavados, ex-diretor da agência oficial de promoção de exportações, é o novo ministro da Economia.

Para Agricultura, Obras Públicas e Planejamento, foram indicados Sergio Bitar, Marigen Hornkohl e Paula Quintana.

Com uma profunda crise dentro da coalizão governista, agravada com a saída de cinco deputados da Democracia Cristã para se tornarem independente, a bancada de Bachelet na Câmara caiu de 62 para 57 deputados, apenas quatro a mais do que a direitista Aliança pelo Chile.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Chávez tentou fraudar plebiscito

Nas seis horas entre o fim da apuração pela Comissão Nacional Eleitoral e a admissão da derrota, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tentou transformar sua derrota em vitória, afirma o cientista político e ex-ministro do Exterior do México Jorge Castañeda em artigo na revista Newsweek.

Sob uma intensa pressão militar que para Castañeda quase equivale a um golpe de Estado, Chávez finalmente cedeu e ainda posou como democrata.

No fim da noite de domingo, 2 de dezembro, um telefonema de seu antigo aliado no movimento nacionalista bolivarista e na resistência ao golpe de abril de 2002, general Raúl Baduel, foi decisivo. Em troca, Chávez teria barganhado um resultado oficial com uma derrota por pequena margem.

Foi estranho mesmo que, com um resultado tão apertado, o caudilho não tenha exigido uma recontagem dos votos do plebiscito constitucional que lhe daria poderes ditatoriais.

Chávez acabou sendo cumprimentado por seus colegas latino-americanos por respeitar a voz das urnas. Além de seus aliados, os presidentes Evo Morales, da Bolívia; Rafael Correa, do Equador; e Daniel Ortega, da Nicarágua; Castañeda entende que os outros líderes, inclusive o presidente Lula, elogiaram o caudilho venezuelano com medo das quintas-colunas chavistas espalhadas por todo o continente.

Esta esquerda radical, adverte Castañeda, pode atrapalhar a vida desde presidentes liberais, como o mexicano Felipe Calderón, até social-democratas, como Lula e Michelle Bachelet, do Chile.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Venezuela rejeitou "socialismo do século 21"

A derrota da reforma constitucional proposta pelo presidente Hugo Chávez é uma vitória não só para a Venezuela mas para a democracia em toda a América Latina.

Os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Equador, Rafael Correa, que convocaram Assembléias Constituintes, assim como os petistas que sonham com um terceiro mandato para Lula, receberam um recado claro.

Até mesmo Chávez será beneficiado. Ele levou seis horas para admitir publicamente a derrota, sinal de que pensou antes de acatar o resultado das urnas. Optou pela democracia. Com a limitação de seus poderes, pode se tornar mais realista.

Acima de tudo, na minha opinião, os venezuelanos votaram contra o “socialismo do século 21”.

Com 4.504.354 votos válidos (50,70%), o Não superou o Sim, que obteve 4.379.392 (49,29%). A abstenção foi de 44,11%. Talvez explique a primeira derrota do caudilho nas urnas depois de nove vitórias desde que foi eleito presidente da Venezuela em 1998.

Chávez recebeu 3 milhões de votos a menos do que na eleição presidencial de dezembro do ano passado. A explicação mais provável é uma dissidência dentro do chavismo.

Há outros problemas, como violência, desemprego, corrupção, inflação alta, chegando a 4% ao mês, e desabastecimento. Podem ter desestimulado parte do eleitorado chavista. Mas a proposta socialista e os poderes ditatoriais que a reforma daria ao caudilho devem ter pesado mais.

Como disse o general Raúl Baduel, antigo companheiro de Chávez que o ajudou a resistir ao golpe de abril de 2002 mas deixou o cargo de ministro da Defesa em julho passado, as constituições existem para proteger os direitos dos cidadãos e limitar o poder dos governantes

A reforma de 69 artigos da Constituição Bolivarista de 1999, inspirada por Chávez, lhe dava poderes ditadoriais, ao permitir:
• a reeleição indefinida do presidente, que manifestou intenção de ficar no poder até 2031;
• a decretação de estado de emergência e a criação de zonas de emergência sem a aprovação da Assembléia Nacional e a revisão do Supremo Tribunal de Justiça;
• a suspensão da liberdade de imprensa durante o estado de emergência;
• a criação de instâncias do poder popular, conselhos aprovados pelo presidente, acima de representantes eleitos democraticamente, como governadores de departamento, prefeitos, deputados departamentais e vereadores;
• o fim da independência do banco central, o que deixaria as finanças públicas totalmente nas mãos de Chávez, num regime sem transparência nem mecanismos de prestação de contas; e
• a mudança no regime de propriedade, em que a propriedade privada ocupa o fim de uma longa.

Há amplo apoio na Venezuela para o nacionalismo energético de Chávez e os maciços investimentos da renda do petróleo em programas sociais para resgatar a dignidade da maioria da população excluída das benesses de uma economia com abundância do ouro negro. Mas os venezuelanos rejeitaram a implantação de uma espécie de socialismo inspirada no modelo cubano.

Como a derrota foi apertada, é óbvio que Chávez não vai desistir. Afinal, seu mandato vai até 2012.

Para que a situação mude, será necessário que a oposição venezuelana se articule e proponha uma política alternativa que contemple as necessidades dos pobres e marginalizados. É altamente improvável que eles sejam seduzidos por uma elite branca que historicamente os ignorou. Foi Chávez que lhes deu voz e os tornou agentes politicos.

Talvez a principal lição do referendo venezuelano para a América Latina seja a rejeição do terceiro mandato. Como observa o jornal esquerdista alemão Berliner Zeitung, um mandato de quatro a seis anos pode ser insuficiente para promover reformas radicais. Mas, depois de oito, 10 ou 12 anos, é difícil realizar o que não foi possível nesse período.

Outro aspecto importante para a região é que Chávez não gastou os bilhões de dólares da receita fácil do petróleo só em programas sociais.

Também rearmou as Forças Armadas. Trouxe o risco de uma corrida armamentista na América do Sul. Criou uma milícia. Financiou candidatos e governos amigos na América Latina, a começar pelo falido capitalismo tropical de Cuba. Ajudou a eleger Morales na Bolívia, Correa no Equador, e a reeleger Daniel Ortega na Nicarágua. Fracassou ao apoiar Ollanta Humala no Peru.

A maioria dos venezuelanos reprova esse desperdício de recursos para ingerência externa. É uma espécie de subimperalismo insuflado pelo pan-latino-americano de Simón Bolívar, o libertador de vários países da América do Sul.

Enquanto isso, apesar dos formidáveis recursos do petróleo, que rendem mais de US$ 100 milhões por dia à Venezuela, quase todo o resto é importado. Não há um projeto de desenvolvimento industrial. O controle de preços provoca inflação e desabastecimentos. E surgiu a chamada boliburguesia, uma elite econômica de aliados do governo suspeitos de negócios excusos.

Se o socialismo chavista não consegue gerar empregos, renda e serviços essenciais na Venezuela que nada em petróleo, que chance tem na Bolívia, no Equador e na Nicarágua, muito mais pobres?

Com a derrota no plebiscito, as Constituições da Bolívia e do Equador serão menos autoritárias, e a influência chavista vai diminuir. Em vez do “socialismo do século 21”, fortalece-se a social-democracia ou a economia social de mercado dos presidentes Lula, do Brasil; Michelle Bachelet, do Chile; e Tabaré Vázquez, do Uruguai.

O “socialismo do século 21” segue o mesmo destino das utopias marxistas do século passado.

sábado, 10 de novembro de 2007

Rei da Espanha manda Chávez calar a boca

O rei Juan Carlos, da Espanha, mandou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, calar a boca no encerramento da 17ª Conferência de Cúpula Ibero-Americana, em Santiago do Chile.

Na última sessão plenária da reunião de cúpula, Chávez chamou o ex-primeiro-ministro conservador espanhol José María Aznar de fascista. Visivelmente irritado, o atual o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, declarou que Aznar fora eleito democraticamente duas vezes para governar a Espanha.

Em seu pronunciamento, Chávez contou o diálogo travado com Aznar quando ele visitou a Venezuela em 2002, e concluiu: "Uma serpente é mais humana do que um fascista ou um racista; un tigre é mais humano do que um fascista ou um racista".

Ao responder, Rodríguez Zapatero exigiu respeito: "Pode-se estar em lados opostos de uma posição ideológica, e não serei eu que estarei perto das idéias de Aznar, mas foi eleito pelos espanhóis e exijo respeito".

Mesmo com o microfone fechado, o caudilho venezuelano continuou atacando Aznar, que não estava presente, provocando a ira real. Juan Carlos reagiu: "Por que não te calas?"

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, interveio, pedindo que não houvesse discussões bilaterais.

Pouco depois, foi a vez do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, aliado de Chávez, de acusar o embaixador da Espanha e empresas espanholas de lutarem contra sua candidatura. Para manifestar seu desagrado, o rei se retirou da sessão, mas depois voltou.

Mais tarde, o vice-presidente de Cuba, Carlos Lage, apoiou o direito de Chávez de "se defender", alegando que Aznar atacou "a dignidade da Venezuela" em diversas ocasiões. Na sua opinião, não se deve interpretar "o direito da Venezuela de se defender como um ataque ao rei, ao governo da Espanha ou ao povo espanhol".

Depois da reunião, o primeiro-ministro espanhol considerou inaceitável o comportamento do presidente venezuelano: "Espero que seja a última vez; espero que seja a última vez, porque construir un diálogo democrático é, antes de tudo, construir o respeito".

Aznar telefonou ao rei e a Rodríguez Zapatero para agradecer por suas intervenções. Mas o coordenador-geral da Esquerda Unida, Gaspar Llamazares, lembrou que o ex-primeiro-ministro apoiou o golpe de abril de 2002 contra Chávez. Foi o único líder internacional, além de seu aliado, o presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, a reconhecer o governo golpista liderado pelo dirigente empresarial Pedro Carmona.

Confira aqui o bate-boca entre o rei e o caudilho.

sábado, 22 de setembro de 2007

Chile extradita Fujimori para o Peru

Numa decisão histórica e sem precedentes, o Supremo Tribunal de Justiça do Chile decidiu extraditar para o Peru o ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), que abandonou o cargo durante uma visita ao Japão e só agora volta ao país. Ele é acusado de sete crimes, um de violação dos direitos pela matança de 25 pessoas em Barrios Altos e La Cantuta, e outros seis escândalos de corrupção, inclusive compra de votos e apoio de deputados.

Assim que souberam da decisão os presidentes Alan García, do Peru, e Michelle Bachelet, do Chile, se reuniram com seus ministros para providenciar a ida imediata de Fujimori para o Peru.

Fujimori chegou de surpresa ao Chile em novembro de 2005, com a intenção velada de se candidatar à Presidência do Peru na eleição de 2006. Deve ficar na mesma prisão naval em Callao, o porto de Lima, onde estão o homem-forte e chefe do serviço secreto de seu governo, Vladimiro Montesinos, e líderes guerrilheiros presos naquela época, como Victor Polay Campos, do Movimento Revolucionário Tupac Amarú (MRTA), e Abimael Guzmán, o Presidente Gonzalo, do Sendero Luminoso.

Em 1991, um comando de elite do Grupo Colina invadiu uma festa em Barrios Altos e matou 15 pessoas. Em 1992, comandos do mesmo grupo seqüestraram e mataram nove professores e um estudante da Universidad de La Cantuta.

O governo Fujimori controlou a hiperinflação e derrotou o Sendero e o MRTA. Fez isso a ferro e fogo, atropelando os direitos humanos. Quando guerrilheiros tomaram a embaixada do Japão no Peru, seqüestrando 300 diplomatas, empresários e políticos numa festa de final de ano, em dezembro de 1996, as forças de segurança peruanas mataram todos os 14 rebeldes.

Só um refém foi morto, o que sugere uma luta desigual com execução sumária dos guerrilheiros. Fujimori declarou que eles haviam "resistido à prisão". Esse era seu estilo de governar, autoritário e implacável.

Em 1992, Fujimori deu um golpe fechando o Congresso e o Supremo Tribunal do Peru. Depois convocou eleições parlamentares para criar uma bancada para seu movimento Cambio 90. Populista, sempre tentou governar além e acima dos partidos.

Era um estranho na política quando partiu de trás nas pesquisas para derrotar, no segundo turno, o escritor Mario Vargas Llosa, um dos peruanos mais ilustres. Com sua comunicação direta com as massas, tentava escapar das negociações e barganhas políticas da oligarquia peruana.

terça-feira, 6 de março de 2007

Popularidade de Bachelet cai

A menos de uma semana de completar um ano como presidente do Chile, a médica Michelle Bachelet enfrenta uma forte queda de popularidade. Hoje ela conta com o apoio de 47,6% dos chilenos, 17,8 pontos abaixo da aprovação que tinha ao tomar posse, indica pesquisa publicada no jornal chileno El Mercurio.

Para o jornal, a principal causa da queda foi o caos gerado pelo novo sistema de transporte público iniciado há três semanas, que colocou 5 mil ônibus em circulação.

Em outra pesquisa, do jornal La Tercera, metade dos chilenos aprovou o governo Bachelet mas 64% a consideram uma presidente sem autoridade, que não inspira confiança para resolver uma crise séria: 87% acreditam que a coligação de governo não colabora com ela.

A queda de popularidade de Bachelet contrasta com a ascensão de seu antecessor, o também socialista Ricardo Lagos, no mesmo período de governo. Na opinião do senador democrata-cristão Jorge Pizarro, há falta de liderança e incapacidade da grande coalizão de governo, a Concertação, a mesma que derrotou pela primeira vez o general Pinochet em 1988, de chegar a um acordo para fazer um programa comum,

Além dos atuais problemas com os transportes públicos, Michelle Bachelet enfrentou no primeiro trimestre de governo grandes manifestações de protesto de estudantes secundários que exigiram e conseguiram maiores recursos públicos para a educação. Também houve greves de funcionários da saúde, promotores de Justiça e professores, todos lutando por melhores salários.

A situação piorou em outubro e novembro, quando estourou o escândalo da Chiledeportes, entidade estatal que financia atividades esportivas. Depois, houve denúncias de que o dinheiro público foi usado para criar empregos de emergência em apoio a campanhas eleitorais de deputados governistas.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Vitória de Chávez encerra ciclo de eleições dominadas pela esquerda na América Latina

Com a reeleição de Hugo Chávez Frías para um terceiro mandato como presidente da Venezuela em 3 de dezembro de 2006, encerra-se um ciclo de 13 meses em que houve 12 eleições presidenciais e eleições legislativas em 13 países da América Latina.

Apurados 78% dos votos, Chávez tinha 61% contra 38% do principal candidato de oposição, Manuel Rosales, ex-governador do estado de Zúlia, o mais rico da Venezuela. É a nona vitória nas urnas do ex-coronel de pára-quedistas que liderou uma tentativa de golpe em 1992 e que já fala em se reeleger indefinidamente.

Rosales, por sua vez, apoiou o fracassado golpe contra Chávez de 12 de abril de 2002. Então, na origem, os dois lados são golpistas. Mas talvez a melhor novidade desta eleição venezuelana seja o ressurgimento de uma oposição forte, do retorno da política, depois das eleições legislativas do ano passado, boicotadas pela oposição, em que a abstenção superou 75% e foi eleita uma Assembléia Nacional 100% chavista.

Duas constatações imediatas sobre este ciclo de eleições: a democracia está se consolidando no continente, e a voz dos pobres e excluídos cobrando políticas sociais mais ativas começa a ser ouvida nas urnas.

A esquerda não ganhou em todos os países; perdeu no México, na Colômbia e no Peru. E nem todas as esquerdas são iguais.

Há uma esquerda que fez a transição do socialismo revolucionário e da luta armada para uma postura mais pragmática e moderada, social-democrata, que aceita a economia de mercado e dá ênfase às políticas sociais, numa espécie de terceira via. Neste grupo, estariam os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva; Tabaré Vázquez, do Uruguai; e Michelle Bachelet, do Chile.

No Chile, que adotou uma política econômica liberal desde Pinochet, pela primeira vez o Partido Socialista é maioria dentro da Concertación, a ampla aliança que derrubou a ditadura, a pressiona por maior ação social.

Do outro lado, estão líderes que estavam fora do sistema político, os chamados outsiders, que vêm para revolucionar, convocando Assembléias Constituinte para refundar o Estado, como os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela; Evo Morales, da Bolívia; os candidatos derrotados no Peru, Ollanta Humala; e no México, Andrés Manuel López Obrador; e o presidente eleito do Equador, Rafael Correa.

Entre os dois grupos, estaria o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, que faz superávit primário para controlar a dívida pública mas impõe controles de preços e outras medidas não-ortodoxas, numa tentativa de governar politicamente a economia de mercado.

De modo geral, mesmo onde presidentes foram derrubados, como na Bolívia e no Equador, a eleição é vista como única forma legítima de acesso ao poder, o que é positivo para a América Latina, sempre ameaçada pelo autoritarismo e pelo caudilhismo.

Só no México López Obrador recusou-se a aceitar o resultado oficial, a vitória do conservador Felipe Calderón, denunciando fraude e declarando-se o presidente legítimo.

Chávez tentou interferir em todas as eleições. Perdeu com Humala, no Peru, mas ganhou na Bolívia, com Morales; na Nicarágua, com a volta de Daniel Ortega; e em 26 de novembro, no Equador, com Correa.

Ortega ainda é uma incógnita. Pelos acordos que fez com partidos de direita e com a Igreja, tudo indica que governará mais como Lula do que como Chávez.

Leia a íntegra em minha coluna de política internacional em www.baguete.com.br