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terça-feira, 24 de março de 2009

EUA reforçam patrulhamento da fronteira sul

Os Estados Unidos aumentaram hoje em US$ 189 milhões o orçamento para o patrulhamento da fronteira sul, que já tinha US$ 700 milhões destinados ao combate ao contrabando de drogas, armas e dinheiro através da fronteira com o México, onde o governo trava uma guerra contra gangues.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, chega amanhã ao México e na quinta-feira vai a Monterrey, a terceira maior cidade do país, que fica próxima à fronteira, na região em que se trava a guerra contra as drogas.

Desde que assumiu o poder, em dezembro de 2006, depois de uma eleição contestada pelo candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador, o presidente Felipe Calderón decidiu militarizar o combate às drogas

Ao mesmo tempo, adotou a estratégia americana de guerra contra as drogas e reconheceu a incapacidade da corrupta polícia mexicana de enfrentar o desafio. Esta guerra movida pelo Estado também gerou uma guerra de quadrilhas em disputas pelos pontos e rotas do tráfico.

Depois de quase 6 mil mortes no ano passado e pelo menos 1,5 mil este ano, a guerra do governo mexicano contra as máfias do tráfico de drogas atinge os EUA, onde está o mercado consumidor de drogas que gera a renda do tráfico.

Com os dólares da venda de drogas, as gangues compram armas nos EUA. Então o patrulhamento da fronteira será feito agora do lado americano, em busca das armas e do dinheiro do tráfico.

As gangues mexicanas já atuam até no Alaska, são extremamente violentas e recrutam soldados do tráfico na população carente americana.

O governo Barack Obama e a secretária da Segurança Interna, Janet Napolitano, estão respondendo a um pedido do presidente do México, Felipe Calderón, que arca com o maior ônus nesta guerra contra as drogas estimulada pelos EUA. As armas dos inimigos do governo mexicano na guerra contra as drogas são compradas legalmente no mercado americano.

domingo, 7 de outubro de 2007

EUA lançarão Plano México de US$ 1 bilhão

Os Estados Unidos pretendem dar uma ajuda adicional de US$ 1 bilhão ao México para a luta contra o tráfico de drogas, revela hoje o jornal inglês Financial Times. Por causa da semelhança com o Plano Colômbia, pelo qual os EUA deram cerca de US$ 5 bilhões ao governo colombiano desde 2000, o programa já está sendo chamado de Plano México.

Mas o subsecretário mexicano para a América do Norte, Carlos Rico, rejeita a comparação, alegando que nenhum soldado americano será autorizado a atuar em território do México: "Temos capacidade operacional para fazermos nós mesmos".

O programa, chamado de Estratégia Conjunta de Combate ao Crime Organizado, precisa ser aprovado pelo Congresso dos EUA antes de ser colocado em prática, no próximo ano. Será uma vitória do novo presidente do México, Felipe Calderón, que desde sua posse, no final do ano passado, vem dando ênfase especial ao combate ao tráfico de drogas.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Vitória de Chávez encerra ciclo de eleições dominadas pela esquerda na América Latina

Com a reeleição de Hugo Chávez Frías para um terceiro mandato como presidente da Venezuela em 3 de dezembro de 2006, encerra-se um ciclo de 13 meses em que houve 12 eleições presidenciais e eleições legislativas em 13 países da América Latina.

Apurados 78% dos votos, Chávez tinha 61% contra 38% do principal candidato de oposição, Manuel Rosales, ex-governador do estado de Zúlia, o mais rico da Venezuela. É a nona vitória nas urnas do ex-coronel de pára-quedistas que liderou uma tentativa de golpe em 1992 e que já fala em se reeleger indefinidamente.

Rosales, por sua vez, apoiou o fracassado golpe contra Chávez de 12 de abril de 2002. Então, na origem, os dois lados são golpistas. Mas talvez a melhor novidade desta eleição venezuelana seja o ressurgimento de uma oposição forte, do retorno da política, depois das eleições legislativas do ano passado, boicotadas pela oposição, em que a abstenção superou 75% e foi eleita uma Assembléia Nacional 100% chavista.

Duas constatações imediatas sobre este ciclo de eleições: a democracia está se consolidando no continente, e a voz dos pobres e excluídos cobrando políticas sociais mais ativas começa a ser ouvida nas urnas.

A esquerda não ganhou em todos os países; perdeu no México, na Colômbia e no Peru. E nem todas as esquerdas são iguais.

Há uma esquerda que fez a transição do socialismo revolucionário e da luta armada para uma postura mais pragmática e moderada, social-democrata, que aceita a economia de mercado e dá ênfase às políticas sociais, numa espécie de terceira via. Neste grupo, estariam os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva; Tabaré Vázquez, do Uruguai; e Michelle Bachelet, do Chile.

No Chile, que adotou uma política econômica liberal desde Pinochet, pela primeira vez o Partido Socialista é maioria dentro da Concertación, a ampla aliança que derrubou a ditadura, a pressiona por maior ação social.

Do outro lado, estão líderes que estavam fora do sistema político, os chamados outsiders, que vêm para revolucionar, convocando Assembléias Constituinte para refundar o Estado, como os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela; Evo Morales, da Bolívia; os candidatos derrotados no Peru, Ollanta Humala; e no México, Andrés Manuel López Obrador; e o presidente eleito do Equador, Rafael Correa.

Entre os dois grupos, estaria o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, que faz superávit primário para controlar a dívida pública mas impõe controles de preços e outras medidas não-ortodoxas, numa tentativa de governar politicamente a economia de mercado.

De modo geral, mesmo onde presidentes foram derrubados, como na Bolívia e no Equador, a eleição é vista como única forma legítima de acesso ao poder, o que é positivo para a América Latina, sempre ameaçada pelo autoritarismo e pelo caudilhismo.

Só no México López Obrador recusou-se a aceitar o resultado oficial, a vitória do conservador Felipe Calderón, denunciando fraude e declarando-se o presidente legítimo.

Chávez tentou interferir em todas as eleições. Perdeu com Humala, no Peru, mas ganhou na Bolívia, com Morales; na Nicarágua, com a volta de Daniel Ortega; e em 26 de novembro, no Equador, com Correa.

Ortega ainda é uma incógnita. Pelos acordos que fez com partidos de direita e com a Igreja, tudo indica que governará mais como Lula do que como Chávez.

Leia a íntegra em minha coluna de política internacional em www.baguete.com.br