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terça-feira, 3 de julho de 2018

López Obrador deve ter maioria absoluta no Congresso do México

A coalizão Juntos Faremos História, liderada pelo presidente eleito, Andrés Manuel López Obrador, encaminha-se para ter maioria no Congresso do México, indicam boletins divulgados hoje pelo Conselho Nacional Eleitoral. AMLO teria o apoio de 69 dos 128 senadores e de 309 dos 500 deputados.

O Movimento de Regeneração Nacional (Morena), de esquerda, liderado por López Obrador, é aliado do Partido do Trabalho, de esquerda, e do Encontro Social, um partido evangélico de centro-direita. A coalizão recebeu 54% dos votos para o Senado e 70% para a Câmara.

Com maioria absoluta, AMLO não precisaria do apoio dos partidos tradicionais de centro-direita, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) e o Partido de Ação Nacional (PAN). Isso facilitaria a implantação das reformas radicais que propõe.

Entre as mudanças, AMLO promete combater a corrupção, a violência e a miséria, e revogar as reformas dos setores de educação e energia feitas pelo atual presidente, Enrique Peña Nieto, do PRI, que governou o México de 1929 a 2000 e voltou com Peña Nieto em 2012.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Governo do México promete medidas para conter alta de preços

O México estuda meios para o impacto da inflação nos preços ao consumidor, revelou o presidente Enrique Peña Nieto, citado pela agência de notícias Forbes. As medidas concretas ainda não foram anunciadas. Têm pouca chance com a expectativa de alta do dólar e de políticas hostis do futuro presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que toma posse em 20 de janeiro de 2017.

Uma proposta em discussão é dar algum tipo de subsídio a produtos da cesta básica, especialmente alimentos. No passado, o México impôs controles de preços. Como no caso brasileiro e de outros países da América Latina, eles foram insuficientes para conter a inflação.

Sob pressão de Trump, que ameaça sobretaxar produtos de empresas americanas fabricados no exterior, o peso mexicano está em queda em relação ao dólar. A tendência é de uma depreciação ainda maior até o fim do ano.

Com o peso no seu menor nível histórico, a 22 por dólar em tendência de queda, é improvável que os controles de preços funcionem. A margem de lucro dos agricultores mexicanos seria espremida, reduzindo a atividade numa economia com expectativa de desaceleração em 2017.

As altas de preços, a começar pelos combustíveis, apesar do país ser um grande produtor de petróleo, já deflagraram uma onda de manifestações. O gasolinaço elevou os preços em 20%. Pelo menos seis pessoas morreram nos protestos e mais de mil foram presas.

Com a esperada hostilidade de Trump e suas promessas de renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) e de construir um muro na fronteira entre os dois países, crescem as chances do ex-prefeito da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador, um populista de esquerda, nas eleições presidenciais de 2018.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

"Calderón não prendeu nenhum político ligado ao tráfico"

Na sua guerra contra as drogas, morreram mais de 50 mil pessoas, mas o presidente Felipe Calderón não prendeu nenhum político ligado ao tráfico, acusa o ex-ministro do Exterior do México Jorge Castañeda, defensor de uma liberalização do uso de drogas, e de usar a polícia e não o Exército para combater o problema.

"A três meses de terminar o mandato de seis anos do presidente Calderón, nenhum político - nem governador, senador, nem deputado, nem prefeito, nem secretário - foi preso por cumplicidade com o narcotráfico", observa o ex-chanceler. "Então, ou não há nenhum ou o presidente Calderón, como seus predecessores, preferiu priorizar a política em vez do castigo nos casos que conhece."

Um dos maiores intelectuais e cientistas políticos da América Latina, Castañeda se define como esquerdista, mas, em entrevista à imprensa da República Dominicana, ressalva: "Se ser de esquerda é apoiar incondicionalmente a ditadura castrista, não sou".

O ex-chanceler mexicano critica Andrés Manuel López Obrador, o candidato de esquerda que não aceitou o resultado da eleição presidencial de 1º de julho, vencida por Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), apesar da confirmação do resultado pela Suprema Corte.

"Essa é uma luta perdida", analisa Castañeda. "A esquerda não conseguiu prova nenhuma de suas alegações de fraude". López Obrador continua se negando a reconhecer a vitória de Peña Nieto.

terça-feira, 3 de julho de 2012

López Obrador quer recontagem manual no México

O candidato da esquerda à Presidência do México, Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD) denuncia irregularidades em três quartos das urnas e exige uma recontagem manual dos votos, negando legitimidade à vitória do conservador Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Internacional.

Depois de governar do México de 1929 a 2000 numa "ditadura perfeita" com base na corrupção e em fraudes eleitorais, o PRI volta ao poder, ressuscitando os fantasma desse passado politicamente sombrio.

López Obrador se esforça em dizer que este é o mesmo velho PRI, canalha e corrupto, travestido com o rosto jovem de Peña Nieto.

Em 2006, depois de perder por apenas meio ponto percentual para Calderón, López Obrador liderou uma revolta popular contra o resultado oficial, denunciando ser vítima de uma fraude. Agora, repete a dose.

O Instituto Federal Eleitoral aceitou a reclamação de que houve irregularidades em várias zonas eleitorais. Está fazendo uma recontagem de mais da metade dos votos.

domingo, 1 de julho de 2012

Enrique Peña Nieto é eleito presidente do México

O ex-governador Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), venceu a eleição presidencial realizada hoje no México com 39% a 42%, indicam pesquisas de boca de urna divulgada assim que foi encerrada a votação.

Em segundo lugar, ficou o ex-prefeito esquerdista da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), com 30% a 34%, bem distante de Peña Nieto, muito além da margem de erro das pesquisas.

A candidata do governo, a ex-ministra da Educação Josefina Vázquez Mota, do Partido de Ação Nacional (PAN), ficou em terceiro, com 18% a 22%. Ela sofreu com o desgaste do governo com a crise econômica internacional e a guerra contra as drogas declarada pelo presidente Felipe Calderón, que levou à morte de mais de 50 mil pessoas.

Como observa o jornal The New York Times, os mexicanos votaram com um olho no passado, na era do PRI.

Partido da ditadura deve voltar ao poder no México

O Partido Revolucionário Institucional deve reconquistar hoje a Presidência do México, que ocupou de 1929 a 2000, na longa ditadura civil que se seguiu à Revolução Mexicana (1910-20). Os mexicanos votam hoje numa eleição presidencial de turno único com favoritismo de Enrique Peña Nieto, do PRI, seguido de perto pelo esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD).

Desde sua fundação até 1989, o PRI ganhou todas as eleições majoritárias. Para o escritor liberal peruano Mario Vargas Llosa, o PRI criou a "ditadura perfeita". Naquele ano, perdeu os primeiros governos estaduais. Só entregou o poder federal ao ex-diretor da Coca-Cola Vicente Fox, do conservador Partido de Ação Nacional (PAN), em 2000.

Há seis anos, o PAN elegeu Felipe Calderón, numa eleição apertada e contestada pelo ex-prefeito da Cidade do México López Obrador, que denunciou fraude e demorou a reconhecer a legitimidade da vitória do atual presidente.

Calderón declarou guerra às máfias do tráfico de drogas, que ganham bilhões contrabandeando-as para os Estados Unidos e compram armas com facilidade no mercado americano.

Mais de 50 mil pessoas morreram na guerra das drogas, cada vez mais violenta, marcada por massacres, degolas e assassinatos de jornalistas. Foi um dos temas centrais da campanha e prejudicou a candidata do PAN, a ex-ministra da Educação Josefina Vázquez Mota.

Por ser mulher, ela se apresentou na campanha como a grande novidade. Mas o desgaste do governo com a violência do tráfico e o renitente machismo latino-americano a derrotaram.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Decote rouba a cena em debate eleitoral no México

Julia Orayen virou febre em redes sociais
Os quatro candidatos à Presidência do México deveriam debater na televisão as duas questões que mais preocupam o país: a economia e a violência ligada ao tráfico de drogas. Mas, quando Julia Orayen entrou no estúdio para distribuir cartões aos debatedores, desviou o foco das atenções.

Foram necessários apenas segundos de exposição. Logo o generoso decote da produtora virou febre nas redes sociais, informa a TV Sky News.

Sob críticas de minar a seriedade do debate, o Instituto Eleitoral Mexicano pediu desculpas, lamentando o "erro da produção relativo à roupa de uma assistente". Tarde demais.  A jovem, que pousou nua para a revista Playboy em 2008, ofuscou os candidatos e virou estrela.

Numa pesquisa de opinião sobre o debate, 45% dos entrevistados deram a vitória a Josefina Vázquez Mota, do governante Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Felipe Calderón, seguida do esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), com 33%; de Gabriel Quadri, do Partido Nova Aliança (PNA), com 20%; e do até então favorito, Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o país de 1929 a 2000.

Uma pesquisa feita depois do debate indicou um empate técnico entre Josefina, López Obrador e Peña Nieto. Cada um teve cerca de um terço das preferências e Quadri apenas 2%.

A eleição presidencial mexicana será realizada em 1º de julho de 2012 em turno único.

terça-feira, 24 de março de 2009

EUA reforçam patrulhamento da fronteira sul

Os Estados Unidos aumentaram hoje em US$ 189 milhões o orçamento para o patrulhamento da fronteira sul, que já tinha US$ 700 milhões destinados ao combate ao contrabando de drogas, armas e dinheiro através da fronteira com o México, onde o governo trava uma guerra contra gangues.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, chega amanhã ao México e na quinta-feira vai a Monterrey, a terceira maior cidade do país, que fica próxima à fronteira, na região em que se trava a guerra contra as drogas.

Desde que assumiu o poder, em dezembro de 2006, depois de uma eleição contestada pelo candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador, o presidente Felipe Calderón decidiu militarizar o combate às drogas

Ao mesmo tempo, adotou a estratégia americana de guerra contra as drogas e reconheceu a incapacidade da corrupta polícia mexicana de enfrentar o desafio. Esta guerra movida pelo Estado também gerou uma guerra de quadrilhas em disputas pelos pontos e rotas do tráfico.

Depois de quase 6 mil mortes no ano passado e pelo menos 1,5 mil este ano, a guerra do governo mexicano contra as máfias do tráfico de drogas atinge os EUA, onde está o mercado consumidor de drogas que gera a renda do tráfico.

Com os dólares da venda de drogas, as gangues compram armas nos EUA. Então o patrulhamento da fronteira será feito agora do lado americano, em busca das armas e do dinheiro do tráfico.

As gangues mexicanas já atuam até no Alaska, são extremamente violentas e recrutam soldados do tráfico na população carente americana.

O governo Barack Obama e a secretária da Segurança Interna, Janet Napolitano, estão respondendo a um pedido do presidente do México, Felipe Calderón, que arca com o maior ônus nesta guerra contra as drogas estimulada pelos EUA. As armas dos inimigos do governo mexicano na guerra contra as drogas são compradas legalmente no mercado americano.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Vitória de Chávez encerra ciclo de eleições dominadas pela esquerda na América Latina

Com a reeleição de Hugo Chávez Frías para um terceiro mandato como presidente da Venezuela em 3 de dezembro de 2006, encerra-se um ciclo de 13 meses em que houve 12 eleições presidenciais e eleições legislativas em 13 países da América Latina.

Apurados 78% dos votos, Chávez tinha 61% contra 38% do principal candidato de oposição, Manuel Rosales, ex-governador do estado de Zúlia, o mais rico da Venezuela. É a nona vitória nas urnas do ex-coronel de pára-quedistas que liderou uma tentativa de golpe em 1992 e que já fala em se reeleger indefinidamente.

Rosales, por sua vez, apoiou o fracassado golpe contra Chávez de 12 de abril de 2002. Então, na origem, os dois lados são golpistas. Mas talvez a melhor novidade desta eleição venezuelana seja o ressurgimento de uma oposição forte, do retorno da política, depois das eleições legislativas do ano passado, boicotadas pela oposição, em que a abstenção superou 75% e foi eleita uma Assembléia Nacional 100% chavista.

Duas constatações imediatas sobre este ciclo de eleições: a democracia está se consolidando no continente, e a voz dos pobres e excluídos cobrando políticas sociais mais ativas começa a ser ouvida nas urnas.

A esquerda não ganhou em todos os países; perdeu no México, na Colômbia e no Peru. E nem todas as esquerdas são iguais.

Há uma esquerda que fez a transição do socialismo revolucionário e da luta armada para uma postura mais pragmática e moderada, social-democrata, que aceita a economia de mercado e dá ênfase às políticas sociais, numa espécie de terceira via. Neste grupo, estariam os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva; Tabaré Vázquez, do Uruguai; e Michelle Bachelet, do Chile.

No Chile, que adotou uma política econômica liberal desde Pinochet, pela primeira vez o Partido Socialista é maioria dentro da Concertación, a ampla aliança que derrubou a ditadura, a pressiona por maior ação social.

Do outro lado, estão líderes que estavam fora do sistema político, os chamados outsiders, que vêm para revolucionar, convocando Assembléias Constituinte para refundar o Estado, como os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela; Evo Morales, da Bolívia; os candidatos derrotados no Peru, Ollanta Humala; e no México, Andrés Manuel López Obrador; e o presidente eleito do Equador, Rafael Correa.

Entre os dois grupos, estaria o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, que faz superávit primário para controlar a dívida pública mas impõe controles de preços e outras medidas não-ortodoxas, numa tentativa de governar politicamente a economia de mercado.

De modo geral, mesmo onde presidentes foram derrubados, como na Bolívia e no Equador, a eleição é vista como única forma legítima de acesso ao poder, o que é positivo para a América Latina, sempre ameaçada pelo autoritarismo e pelo caudilhismo.

Só no México López Obrador recusou-se a aceitar o resultado oficial, a vitória do conservador Felipe Calderón, denunciando fraude e declarando-se o presidente legítimo.

Chávez tentou interferir em todas as eleições. Perdeu com Humala, no Peru, mas ganhou na Bolívia, com Morales; na Nicarágua, com a volta de Daniel Ortega; e em 26 de novembro, no Equador, com Correa.

Ortega ainda é uma incógnita. Pelos acordos que fez com partidos de direita e com a Igreja, tudo indica que governará mais como Lula do que como Chávez.

Leia a íntegra em minha coluna de política internacional em www.baguete.com.br