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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Presidente do México liberaliza leis sobre maconha

O presidente Enrique Peña Nieto propôs hoje a legalização de medicamentos baseados em maconha e o aumento da quantidade que os usuários da droga podem portar legalmente no México. Condenados por pequenos crimes de porte e uso de maconha serão libertados, informa a agência Reuters, citada pelo jornal digital The Huffington Post.

Desde que o presidente Felipe Calderón (2006-12), do direitista Partido de Ação Nacional (PAN) declarou guerra às máfias do tráfico de drogas para os Estados Unidos, mais 165 mil pessoas foram mortas.

Enquanto alguns estados americanos (Alasca, Colorado, Oregon, Washington e Distrito de Colúmbia) legalizavam o uso recreativo da maconha, os mexicanos continuam se matando para traficar drogas para os EUA.

Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI) era contra a liberalização das drogas. Cedeu à realidade.

"Nosso país sofreu os efeitos danosos do crime organizado ligado às drogas. Afortunadamente, um novo consenso global ganha força gradualmente para uma reforma no regime internacional de drogas", declarou o presidente na Cidade do México. "Em vez de incriminar os consumidores, vamos oferecer alternativas e oportunidades."

Em novembro de 2015, por 4 a 1, o Supremo Tribunal Federal do México decidiu que os cidadãos mexicanos têm o direito de cultivar e transportar maconha para uso pessoal e recreativo. A quantidade permitida era 5 gramas por adulto. Agora, o limite sobe para uma onça de 28 gramas.

A deputada Cristina Díaz, do PRI, apresentou um projeto de lei autorizando a importação de produtos medicinais a base de maconha. Deve ser aprovado em maio.

O Partido da Revolução Democrática (PRD), de esquerda, é a favor da legalização imediata do uso recreativo. O PRI e a coligação esquerdista Morena defenderam a convocação de um plebiscito, enquanto o PAN se limitou a propor um debate sobre o assunto.

Se a maconha for legalizada, a corretora de investimentos privados Privateer Holdings estima que o mercado mexicano movimentará US$ 1,7 bilhão por ano entre os usos medicinal e recreativo.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Partido do governo obtém vitória apertada no México

O Partido Revolucionário Institucional (PRI), do presidente Enrique Peña Nieto, que governou o México durante 71 anos do século 20, conquistou uma pequena maioria na Câmara dos Deputados nas eleições realizadas ontem.

Com mais de 90% dos votos apurados, o PRI vence com 29,1%. Deve eleger cerca de 200 deputados, menos do que os 207 das eleições de 2012. Em segundo lugar, com 20,9%, ficou o Partido de Ação Nacional (PAN), que quebrou o monopólio do PRI em 2000 e governou o país por dois mandatos de seis anos cada. Sua bancada deve ter cerca de 110 deputados.

O Partido da Revolução Democrática (PRD), uma dissidência de esquerda do PRI, foi o quarto mais votado, com 10,8% e 55 deputados, seguido pelo Movimento de Renovação Nacional (Morena), do ex-prefeito da capital e ex-candidato a presidente Andrés Manuel López Obrador, com 8,4%, o Partido Verde (7,1%), o Movimento Cidadão (6%) e a Nova Aliança (3,7%).

Em aliança com o Partido Verde e a Nova Aliança, o PRI deve manter uma pequena maioria na Câmara. A popularidade foi abalada pela criminalidade, a ação de gangues ligadas ao tráfico de drogas e as denúncias de corrupção, que incluem a compra de uma casa de US$ 7 milhões pela mulher do presidente.

Apesar das promessas de conter a violência, sete candidatos e nove militantes partidários foram assassinados durante a campanha. Em Oaxaca, professores em greve atacaram várias zonas eleitorais. Ao todo, dezenas de urnas foram incendiadas em regiões rebeladas do pobre Sudoeste do México. Cerca de 120 pessoas foram presas. No resto do país, as eleições foram relativamente calmas.

terça-feira, 3 de julho de 2012

López Obrador quer recontagem manual no México

O candidato da esquerda à Presidência do México, Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD) denuncia irregularidades em três quartos das urnas e exige uma recontagem manual dos votos, negando legitimidade à vitória do conservador Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Internacional.

Depois de governar do México de 1929 a 2000 numa "ditadura perfeita" com base na corrupção e em fraudes eleitorais, o PRI volta ao poder, ressuscitando os fantasma desse passado politicamente sombrio.

López Obrador se esforça em dizer que este é o mesmo velho PRI, canalha e corrupto, travestido com o rosto jovem de Peña Nieto.

Em 2006, depois de perder por apenas meio ponto percentual para Calderón, López Obrador liderou uma revolta popular contra o resultado oficial, denunciando ser vítima de uma fraude. Agora, repete a dose.

O Instituto Federal Eleitoral aceitou a reclamação de que houve irregularidades em várias zonas eleitorais. Está fazendo uma recontagem de mais da metade dos votos.

domingo, 1 de julho de 2012

Enrique Peña Nieto é eleito presidente do México

O ex-governador Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), venceu a eleição presidencial realizada hoje no México com 39% a 42%, indicam pesquisas de boca de urna divulgada assim que foi encerrada a votação.

Em segundo lugar, ficou o ex-prefeito esquerdista da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), com 30% a 34%, bem distante de Peña Nieto, muito além da margem de erro das pesquisas.

A candidata do governo, a ex-ministra da Educação Josefina Vázquez Mota, do Partido de Ação Nacional (PAN), ficou em terceiro, com 18% a 22%. Ela sofreu com o desgaste do governo com a crise econômica internacional e a guerra contra as drogas declarada pelo presidente Felipe Calderón, que levou à morte de mais de 50 mil pessoas.

Como observa o jornal The New York Times, os mexicanos votaram com um olho no passado, na era do PRI.

Partido da ditadura deve voltar ao poder no México

O Partido Revolucionário Institucional deve reconquistar hoje a Presidência do México, que ocupou de 1929 a 2000, na longa ditadura civil que se seguiu à Revolução Mexicana (1910-20). Os mexicanos votam hoje numa eleição presidencial de turno único com favoritismo de Enrique Peña Nieto, do PRI, seguido de perto pelo esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD).

Desde sua fundação até 1989, o PRI ganhou todas as eleições majoritárias. Para o escritor liberal peruano Mario Vargas Llosa, o PRI criou a "ditadura perfeita". Naquele ano, perdeu os primeiros governos estaduais. Só entregou o poder federal ao ex-diretor da Coca-Cola Vicente Fox, do conservador Partido de Ação Nacional (PAN), em 2000.

Há seis anos, o PAN elegeu Felipe Calderón, numa eleição apertada e contestada pelo ex-prefeito da Cidade do México López Obrador, que denunciou fraude e demorou a reconhecer a legitimidade da vitória do atual presidente.

Calderón declarou guerra às máfias do tráfico de drogas, que ganham bilhões contrabandeando-as para os Estados Unidos e compram armas com facilidade no mercado americano.

Mais de 50 mil pessoas morreram na guerra das drogas, cada vez mais violenta, marcada por massacres, degolas e assassinatos de jornalistas. Foi um dos temas centrais da campanha e prejudicou a candidata do PAN, a ex-ministra da Educação Josefina Vázquez Mota.

Por ser mulher, ela se apresentou na campanha como a grande novidade. Mas o desgaste do governo com a violência do tráfico e o renitente machismo latino-americano a derrotaram.

domingo, 2 de julho de 2006

México escolhe presidente em eleição indefinida

O México escolhe hoje um novo presidente em eleições disputadíssimas.

As pesquisas de opinião indicam um equilíbrio entre o ex-prefeito da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), de esquerda, e o ex-ministro Felipe Calderón, do Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Vicente Fox. 

Ambos estão com cerca de 36% das preferências, bem à frente de Roberto Madrazo, candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que teve o monopólio de poder no México de 1929 a 2000.

Como a eleição presidencial mexicana é realizada num só turno, ganha o mais votado, mesmo que não obtenha mais da metade dos votos válidos.

Para o jornal The Wall St. Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova Iorque, será um referendo entre os defensores de reformas econômicas liberalizantes, representados por Calderón, e a nova tendência esquerdista na América Latina, que reivindica um papel mais ativo para o Estado no desenvolvimento econômico e social, encarnada por López Obrador.

Como a maior parte da América Latina, o México está radicalmente dividido em torno dos resultados de duas décadas de liberalização econômica, privatização e investimento estrangeiro.

O país vive seu mais longo período de estabilidade econômica desde os anos 60 e a expansão do comércio exterior depois que aderiu ao Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, da sigla em inglês), em 1994, o transformou numa das 10 maiores economias do mundo. Mas este desenvolvimento recente agravou as tensões sociais criando uma nova casta de milionários enquanto a maioria dos mexicanos não se beneficiou deste progresso.

No domingo passado, num comício em Cuernavaca, o candidato esquerdista López Obrador prometeu governar para os deserdados pela globalização: “Tudo que a globalização tem feito é nos tornar mais pobres”. Ele disse que pretende lançar um programa de renda mínima para idosos a partir de 70 anos.

A mensagem de Calderón no Estádio Azteca, na Cidade do México, era oposta. O candidato da direita pedia a 100 mil pessoas que lembrassem o “filme de horror” do passado, quando o excesso de gastos públicos levou ao endividamento, inflação e colapso financeiro. Seu argumento é simples: o México precisa de empregos e isto exige investimentos nacionais e estrangeiros.

Assim a eleição mexicana se transforma em mais uma batalha em torno do papel do Estado na promoção do desenvolvimento e da redução da pobreza na América Latina. O Peru acaba de eleger o moderado Alan García, rejeitando o candidato ultranacionalista Ollanta Humala, apoiado pelo caudilho que preside a Venezuela, Hugo Chávez.

Enquanto Brasil, Chile e Colômbia têm governos moderados que procuram se beneficiar das oportunidades oferecidas pelo processo de globalização econômica, raciocina o Journal, Venezuela, Bolívia e Argentina adotaram políticas populistas e de controles de preços.

A eleição é de especial interesse nos EUA não só porque os dois países são aliados no Nafta. Cerca de 400 mil mexicanos entram ilegalmente nos EUA todos os anos em busca de uma vida melhor.

DA REVOLUÇÃO À LIBERALIZAÇÃO
O México moderno é produto da Revolução de 1910-17, liderada por heróis nacionais como Emiliano Zapata e Pancho Villa, que redistribuiu a terra, protegeu a indústria nacional e criou uma mentalidade paternalista em que o governo é visto como principal fonte de favores e riqueza.

Em 1929, o presidente Lázaro Cárdenas institucionalizou a revolução criando o PRI, que teria o monopólio do poder até 2000. O mesmo Cárdenas nacionalizou o petróleo em 1938.

No pós-guerra, o México cresceu rapidamente até a metade dos anos 70. Foi o primeiro país a quebrar na crise das dívidas externas da América Latina dos anos 80. A partir de 1986, iniciou um processo de liberalização de sua economia. Quando o Muro de Berlim caiu, o México era uma das economias emergentes que mais recebiam investimentos externos diretos.

A adesão ao Nafta em 1994 consolidava a abertura econômica e a reinserção internacional do país. Mas a concorrência dos países asiáticos, sobretudo da China, a burocracia, a corrupção e o baixo nível educacional pesaram. Desde 2000, no governo Fox, a economia cresceu em média apenas 1,8% ao ano, caindo do oitavo para o 14º lugares entre os países mais ricos do mundo.

Quando o banco de investimentos fala nas potências econômicas emergentes que estarão ao lado dos EUA, da Europa e do Japão lá pelo ano 2050, usa a expressão BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). O México está fora.

Uma das grandes arenas do debate ideológico no México é o petróleo. Embora seja o quinto maior produtor mundial, atrás da Arábia Saudita, da Rússia, dos EUA e do Irã, o México não produz gasolina ou gás natural em quantidades suficientes para atender ao consumo interno. Sem investimentos privados, teme-se que a produção decline na próxima década.

Calderón, que foi ministro da Energia, defende maior presença do setor privado, enquanto López Obrador resiste a qualquer tentativa de privatização. Promete administrar melhor a estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) para economizar US$ 1 bilhão. Isto ajudaria a financiar os subsídios de US$ 2,4 bilhões por ano para gasolina, eletricidade e gás natural. Mas rejeita o capital estrangeiro: “Não vamos trair a nação”.

López Obrador, de 52 anos, conquistou popularidade organizando protestos de massa nos anos 80 e como prefeito da capital (1996-2005). Calderón, de 43 anos, filho de uma família católica conservadora, estudou na Universidade de Harvard, a mais prestigiada dos EUA.

Quem quer que seja eleito enfrentará a mesma dificuldade do atual presidente Vicente Fox. Não terá maioria no Congresso, que continuará sob o domínio do PRI, embora seu candidato a presidente não tenha a menor chance. Fox não conseguiu aprovar seus projetos e as reformas se estagnaram.

Calderón promete passar por cima das diferenças partidárias. López Obrador confia na mobilização popular para pressionar deputados e senadores.