A polícia do México prendeu o inimigo público número um do país. Servando La Tuta Gómez era o chefão do poderoso cartel dos Cavaleiros Templários e o traficante mais caçado pelas autoridades, noticiou hoje a agência Reuters.
Gómez foi preso em casa na cidade de Morélia, no estado de Michoacán, sem que nenhum tiro tenha sido disparado, contou a televisão americana CNN en Español. Ele era o principal alvo do governo mexicano na luta para retomar o controle sobre Michocán, cenário de uma verdadeira guerra entre os templários, as autoridades e várias milícias armadas formadas para defender populações locais dos traficantes.
O presidente Enrique Peña Nieto tentou desescalar a guerra contra as drogas lançada por seu antecessor, Felipe Calderón, que já causou mais de 60 mil mortes, tratando o problema como policial.
Essa política sofreu um duro golpe em 26 de setembro de 2014 com o desaparecimento de 43 estudantes de uma escola para professores. Eles foram sequestrados e mortos pelas gangues do tráfico por ordem de um político aliado, o prefeito de Iguala, no estado de Guerrero, onde fica a famosa praia de Acapulco.
Quatro estados pobres da "periferia sudoeste" - Chiapas, Guerrero, Michoacán e Oaxaca - desafiam historicamente o controle do governo central. A maior ameaça hoje é o tráfico.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Ex-prefeito é preso no México por desaparecimento de estudantes
O ex-prefeito de Iguala José Luis Abarca e sua mulher, conhecidos como o casal real, foram presos ontem de manhã na Cidade do México depois de fugir desde setembro, informou hoje a agência de notícias Associated Press citando como fontes funcionários dos serviços de segurança mexicanos.
Eles são acusados pela morte de seis estudantes e o desaparecimento de outros 43 da Escola Normal de Ayotzinapa, em Iguala, no estado de Guerrero. Outras 56 pessoas, inclusive policiais e guardas de segurança, foram detidos no caso. O ex-chefe de polícia de Iguala também está sendo procurado.
Os estudantes eram normalistas. Faziam o curso para se tornarem professores num tipo de escola radical de tendência esquerdista e marxista criado na Revolução Mexicana (1910-20). Acredita-se que tenham sido sequestrados e provavelmente mortos numa aliança de traficantes de drogas com policiais e políticos corruptos.
A tragédia atingiu em cheio o governo do presidente Enrique Peña Nieto, que preferiu se concentrar em reformas econômicas e abandonar a Guerra contra as Drogas deflagrada por seu antecessor, Felipe Calderón, ignorando a impunidade dos responsáveis por 70 mil mortes.
Eles são acusados pela morte de seis estudantes e o desaparecimento de outros 43 da Escola Normal de Ayotzinapa, em Iguala, no estado de Guerrero. Outras 56 pessoas, inclusive policiais e guardas de segurança, foram detidos no caso. O ex-chefe de polícia de Iguala também está sendo procurado.
Os estudantes eram normalistas. Faziam o curso para se tornarem professores num tipo de escola radical de tendência esquerdista e marxista criado na Revolução Mexicana (1910-20). Acredita-se que tenham sido sequestrados e provavelmente mortos numa aliança de traficantes de drogas com policiais e políticos corruptos.
A tragédia atingiu em cheio o governo do presidente Enrique Peña Nieto, que preferiu se concentrar em reformas econômicas e abandonar a Guerra contra as Drogas deflagrada por seu antecessor, Felipe Calderón, ignorando a impunidade dos responsáveis por 70 mil mortes.
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sexta-feira, 31 de agosto de 2012
"Calderón não prendeu nenhum político ligado ao tráfico"
Na sua guerra contra as drogas, morreram mais de 50 mil pessoas, mas o presidente Felipe Calderón não prendeu nenhum político ligado ao tráfico, acusa o ex-ministro do Exterior do México Jorge Castañeda, defensor de uma liberalização do uso de drogas, e de usar a polícia e não o Exército para combater o problema.
"A três meses de terminar o mandato de seis anos do presidente Calderón, nenhum político - nem governador, senador, nem deputado, nem prefeito, nem secretário - foi preso por cumplicidade com o narcotráfico", observa o ex-chanceler. "Então, ou não há nenhum ou o presidente Calderón, como seus predecessores, preferiu priorizar a política em vez do castigo nos casos que conhece."
Um dos maiores intelectuais e cientistas políticos da América Latina, Castañeda se define como esquerdista, mas, em entrevista à imprensa da República Dominicana, ressalva: "Se ser de esquerda é apoiar incondicionalmente a ditadura castrista, não sou".
O ex-chanceler mexicano critica Andrés Manuel López Obrador, o candidato de esquerda que não aceitou o resultado da eleição presidencial de 1º de julho, vencida por Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), apesar da confirmação do resultado pela Suprema Corte.
"Essa é uma luta perdida", analisa Castañeda. "A esquerda não conseguiu prova nenhuma de suas alegações de fraude". López Obrador continua se negando a reconhecer a vitória de Peña Nieto.
"A três meses de terminar o mandato de seis anos do presidente Calderón, nenhum político - nem governador, senador, nem deputado, nem prefeito, nem secretário - foi preso por cumplicidade com o narcotráfico", observa o ex-chanceler. "Então, ou não há nenhum ou o presidente Calderón, como seus predecessores, preferiu priorizar a política em vez do castigo nos casos que conhece."
Um dos maiores intelectuais e cientistas políticos da América Latina, Castañeda se define como esquerdista, mas, em entrevista à imprensa da República Dominicana, ressalva: "Se ser de esquerda é apoiar incondicionalmente a ditadura castrista, não sou".
O ex-chanceler mexicano critica Andrés Manuel López Obrador, o candidato de esquerda que não aceitou o resultado da eleição presidencial de 1º de julho, vencida por Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), apesar da confirmação do resultado pela Suprema Corte.
"Essa é uma luta perdida", analisa Castañeda. "A esquerda não conseguiu prova nenhuma de suas alegações de fraude". López Obrador continua se negando a reconhecer a vitória de Peña Nieto.
domingo, 1 de julho de 2012
Partido da ditadura deve voltar ao poder no México
O Partido Revolucionário Institucional deve reconquistar hoje a Presidência do México, que ocupou de 1929 a 2000, na longa ditadura civil que se seguiu à Revolução Mexicana (1910-20). Os mexicanos votam hoje numa eleição presidencial de turno único com favoritismo de Enrique Peña Nieto, do PRI, seguido de perto pelo esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD).
Desde sua fundação até 1989, o PRI ganhou todas as eleições majoritárias. Para o escritor liberal peruano Mario Vargas Llosa, o PRI criou a "ditadura perfeita". Naquele ano, perdeu os primeiros governos estaduais. Só entregou o poder federal ao ex-diretor da Coca-Cola Vicente Fox, do conservador Partido de Ação Nacional (PAN), em 2000.
Há seis anos, o PAN elegeu Felipe Calderón, numa eleição apertada e contestada pelo ex-prefeito da Cidade do México López Obrador, que denunciou fraude e demorou a reconhecer a legitimidade da vitória do atual presidente.
Calderón declarou guerra às máfias do tráfico de drogas, que ganham bilhões contrabandeando-as para os Estados Unidos e compram armas com facilidade no mercado americano.
Mais de 50 mil pessoas morreram na guerra das drogas, cada vez mais violenta, marcada por massacres, degolas e assassinatos de jornalistas. Foi um dos temas centrais da campanha e prejudicou a candidata do PAN, a ex-ministra da Educação Josefina Vázquez Mota.
Por ser mulher, ela se apresentou na campanha como a grande novidade. Mas o desgaste do governo com a violência do tráfico e o renitente machismo latino-americano a derrotaram.
Desde sua fundação até 1989, o PRI ganhou todas as eleições majoritárias. Para o escritor liberal peruano Mario Vargas Llosa, o PRI criou a "ditadura perfeita". Naquele ano, perdeu os primeiros governos estaduais. Só entregou o poder federal ao ex-diretor da Coca-Cola Vicente Fox, do conservador Partido de Ação Nacional (PAN), em 2000.
Há seis anos, o PAN elegeu Felipe Calderón, numa eleição apertada e contestada pelo ex-prefeito da Cidade do México López Obrador, que denunciou fraude e demorou a reconhecer a legitimidade da vitória do atual presidente.
Calderón declarou guerra às máfias do tráfico de drogas, que ganham bilhões contrabandeando-as para os Estados Unidos e compram armas com facilidade no mercado americano.
Mais de 50 mil pessoas morreram na guerra das drogas, cada vez mais violenta, marcada por massacres, degolas e assassinatos de jornalistas. Foi um dos temas centrais da campanha e prejudicou a candidata do PAN, a ex-ministra da Educação Josefina Vázquez Mota.
Por ser mulher, ela se apresentou na campanha como a grande novidade. Mas o desgaste do governo com a violência do tráfico e o renitente machismo latino-americano a derrotaram.
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segunda-feira, 25 de junho de 2012
Agente dos EUA mata em ação antidrogas em Honduras
Num sinal de crescimento envolvimento na guerra contra as drogas na América Latina, um policial da Agência de Repressão às Drogas dos Estados Unidos (DEA, do inglês) matou no sábado um hondurenho supostamente ligado ao tráfico de entorpecentes, admitiu ontem a Embaixada Americana em Tegucigalpa.
Nos últimos 15 meses, comandos de elite da DEA participaram de inúmeras operações realizadas em conjunto com as forças de segurança de vários países da América Central.
Por causa da violenta repressão no México, onde mais de 50 mil pessoas morreram desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra ao tráfico há cinco anos e meio, várias máfias se refugiaram na região. O primeiro tiroteio com americanos no meio foi em março de 2011.
O incidente fatal começou quando um avião-espião detectou a presença de um grupo de cerca de 40 pessoas retirando a carga de um avião na localidade de Bras Laguna. Quatro helicópteros do Departamento de Estado com policiais hondurenhos e um comando de elite da DEA foram para o local interceptar o descarregamento.
Durante a ação, cinco suspeitos foram intimados a se render. Quatro fizeram isso, mas um quinto fez movimentos como se estivesse procurando uma arma. Neste momento, foi baleado, supostamente num ato de legítima defesa do agente americano.
Cerca de 360 quilos de cocaína e várias armas foram apreendidas, informa o jornal The New York Times.
Nos últimos 15 meses, comandos de elite da DEA participaram de inúmeras operações realizadas em conjunto com as forças de segurança de vários países da América Central.
Por causa da violenta repressão no México, onde mais de 50 mil pessoas morreram desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra ao tráfico há cinco anos e meio, várias máfias se refugiaram na região. O primeiro tiroteio com americanos no meio foi em março de 2011.
O incidente fatal começou quando um avião-espião detectou a presença de um grupo de cerca de 40 pessoas retirando a carga de um avião na localidade de Bras Laguna. Quatro helicópteros do Departamento de Estado com policiais hondurenhos e um comando de elite da DEA foram para o local interceptar o descarregamento.
Durante a ação, cinco suspeitos foram intimados a se render. Quatro fizeram isso, mas um quinto fez movimentos como se estivesse procurando uma arma. Neste momento, foi baleado, supostamente num ato de legítima defesa do agente americano.
Cerca de 360 quilos de cocaína e várias armas foram apreendidas, informa o jornal The New York Times.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Guerra do tráfico deixa 49 corpos em estrada no México
A polícia estadual de Nuevo León encontrou ontem 49 cadáveres mutilados em uma estrada, perto de Monterrey, a terceira maior cidade do México, informa o jornal The New York Times.
O massacre foi atribuído à máfia do tráfico de drogas conhecida como Las Zetas (As Setas), formada por ex-militares e ex-policiais que entraram na guerra contra o tráfico ao lado do governo.
Mais de 50 mil pessoas morreram desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra às máfias que exploram o tráfico de drogas para os Estados Unidos, em dezembro de 2006. Como essas gangues ganham bilhões de dólares e têm acesso ao mercado de armas dos EUA, a tragédia se repete e se realimenta a um nível assustador.
Sob a ameaça de gangues de traficantes, vários jornais e outros meios de comunicação pararam de cobrir a guerra contra as drogas. A violência ligada ao tráfico é um dos principais temas da campanha para a eleição presidencial de 1º de julho de 2012.
O massacre foi atribuído à máfia do tráfico de drogas conhecida como Las Zetas (As Setas), formada por ex-militares e ex-policiais que entraram na guerra contra o tráfico ao lado do governo.
Mais de 50 mil pessoas morreram desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra às máfias que exploram o tráfico de drogas para os Estados Unidos, em dezembro de 2006. Como essas gangues ganham bilhões de dólares e têm acesso ao mercado de armas dos EUA, a tragédia se repete e se realimenta a um nível assustador.
Sob a ameaça de gangues de traficantes, vários jornais e outros meios de comunicação pararam de cobrir a guerra contra as drogas. A violência ligada ao tráfico é um dos principais temas da campanha para a eleição presidencial de 1º de julho de 2012.
sábado, 12 de novembro de 2011
Queda de helicóptero mata ministro no México
O presidente Felipe Calderón prometeu nesta noite uma investigação rigorosa sobre a queda de helicóptero que matou o ministro do Interior, José Francisco Blake More, líder da guerra declarada pelo governo contra as máfias do tráfico de drogas no México.
Oito pessoas morreram na queda do aparelho numa zona rural da periferia da Cidade do México, informa a rede de televisão americana CNN.
Ao todo, estima-se que 50 mil pessoas tenham sido mortas desde que Calderón iniciou sua guerra às drogas logo após tomar posse, há cinco anos.
Oito pessoas morreram na queda do aparelho numa zona rural da periferia da Cidade do México, informa a rede de televisão americana CNN.
Ao todo, estima-se que 50 mil pessoas tenham sido mortas desde que Calderón iniciou sua guerra às drogas logo após tomar posse, há cinco anos.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Guerra às drogas já matou 50 mil mexicanos
Mais de 50 mil mexicanos foram mortos desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra aos traficantes de drogas e colocou o Exército do México, lamentou ontem o ex-presidente Vicente Fox, que junto com os ex-presidentes brasileiro Fernando Henrique Cardoso e colombiano Cesar Gaviria, defende a descriminalização como tentativa de reduzir a violência.
Os gangues aproveitaram a facilidade de comprar armas nos Estados Unidos e investiram parte do lucro obtido no mercado americano para lutar por seus feudos. Até membros de tropas de elite formaram um cartel, Los Zetas, responsável por algumas das piores atrocidades desta guerra suja.
A fronteira também está tomada pelos cartéis, que agora controlam a imigração ilegal. Mesmo assim, a mortalidade por arma de fogo no Brasil é maior do que no México.
Os gangues aproveitaram a facilidade de comprar armas nos Estados Unidos e investiram parte do lucro obtido no mercado americano para lutar por seus feudos. Até membros de tropas de elite formaram um cartel, Los Zetas, responsável por algumas das piores atrocidades desta guerra suja.
A fronteira também está tomada pelos cartéis, que agora controlam a imigração ilegal. Mesmo assim, a mortalidade por arma de fogo no Brasil é maior do que no México.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Guerra das drogas mata mais 52 no México
O presidente Felipe Calderón considerou um “ato terrorista” o ataque de traficantes contra um cassino que matou 52 pessoas em Monterrey, uma das cidades mais importantes do México, informa hoje o jornal The Washington Post.
Mais de dez homens atacaram o cassino com bombas incendiárias e trancaram suas portas para evitar a fuga. Eles fugiram dois minutos e meio depois, revelam as câmeras de segurança.
O Casino Royale não teria pago a “taxa de proteção” cobrada pelos mafiosos do tráfico de drogas que dominam a região.
Para o presidente Calderón, são “verdadeiros terroristas que não têm limites”. Ele não apontou nenhum grupo como responsável pela tragédia.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Traficante do México recebia cocaína da Colômbia
Um dos traficantes mais procurados do México, Edgar Valdez Villareal, mais conhecido pelo apelido de Barbie, preso nesta semana, confessou que recebia três toneladas de cocaína por mês da Colômbia. O governo colombiano tentou ligá-lo às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Hoje, o presidente Felipe Calderón defendeu sua política de guerra contra os traficantes de drogas, lançada em dezembro de 2006 sob pressão dos Estados Unidos. Em pronunciamento pela televisão Calderón admitiu que a violência está aumentando, mas atribuiu isso à pressão do governo sobre as gangues do crime organizado.
Mas um de seus maiores críticos, o ex-ministro do Exterior mexicano Jorge Castañeda afirmou que nesses últimos quatro anos US$ 10 bilhões foram gastos e 28 mil mexicanos morreram, sem que a quantidade de drogas contrabandeada para os EUA tenha diminuído.
Hoje, o presidente Felipe Calderón defendeu sua política de guerra contra os traficantes de drogas, lançada em dezembro de 2006 sob pressão dos Estados Unidos. Em pronunciamento pela televisão Calderón admitiu que a violência está aumentando, mas atribuiu isso à pressão do governo sobre as gangues do crime organizado.
Mas um de seus maiores críticos, o ex-ministro do Exterior mexicano Jorge Castañeda afirmou que nesses últimos quatro anos US$ 10 bilhões foram gastos e 28 mil mexicanos morreram, sem que a quantidade de drogas contrabandeada para os EUA tenha diminuído.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Calderón acusa EUA de não cooperar
O presidente do México, Felipe Calderón promete ganhar a guerra que declarou há quatro anos contra os traficantes de drogas, mas lamenta a falta de cooperação dos EUA, especialmente no controle da venda de armas.
domingo, 18 de julho de 2010
Guerra do tráfico mata mais 57 no México
Pelo menos mais 57 pessoas foram mortas por gangues de traficantes neste fim de semana no México: 53 foram mortas no Norte do país e quatro policiais perto de Acapulco, no Sul, elevando para quase 25 mil o total de mortes desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra às drogas, em dezembro de 2006
Na madrugada de hoje, pistoleiros mataram 17 jovens que participavam de uma festa na cidade de Torreón, no estado de Coahuila, no Norte do México.
A polícia declarou que um sobrevivente contou que os pistoleiros chegaram atirando aos gritos de "Matem todos!"
Na madrugada de hoje, pistoleiros mataram 17 jovens que participavam de uma festa na cidade de Torreón, no estado de Coahuila, no Norte do México.
A polícia declarou que um sobrevivente contou que os pistoleiros chegaram atirando aos gritos de "Matem todos!"
domingo, 26 de abril de 2009
EUA e México decretam emergência na saúde
Os Estados Unidos e o México decretaram estado de emergência na saúde publica para combater a epidemia de gripe suína. Mas de 100 pessoas morreram no México e outras 350 estão contaminadas.
Nos EUA, há pelo menos 20 casos, mas todos os doentes estão em recuperação. Também foram registrados casos no Canadá.
A Cidade do México, uma das maiores metrópolis do mundo, com cerca de 20 milhões de habitantes, mais parecia uma cidade-fantasma neste domingo.
Ao suspender as aulas em todas as escolas públicas e privadas até 6 de maio, o prefeito da capital, Marcelo Ebrard, fez um apelo às empresas para que reduzam ao máximo suas atividades. Ele quer diminuir a movimentação de pessoas para evitar a contaminação.
O presidente Felipe Calderón decretou estado de emergência. Isso lhe dá poderes para isolar doentes, ordenar a inspeção de casas e suspender eventos públicos.
Para o diretor interino do Centro de Controle de Doenças dos EUA, a boa notícia é que todos os americanos doentes foram curados ou estão em recuperação.
Pelo menos mais nove casos foram confirmados nos EUA, agora em Nova York, além dos anteriores, na Califórnia, no Texas e em Kansas, sinal de que o vírus se espalhou.
Em Tijuana, no México, quem cruza a fronteira em qualquer dos dois sentidos é alertado para os riscos de contaminação.
A Espanha examina oito casos suspeitos de doentes que estiveram no México. Na França, há quatro casos suspeitos. A Alemanha toma medidas para aumentar a vigilância sanitária. No Reino Unido, a Escócia examina dois suspeitos. Todos estiveram no México. Na Nova Zelândia 25 estudantes e professores que chegaram do México estão em quarentena para evitar o contágio.
Nos EUA, há pelo menos 20 casos, mas todos os doentes estão em recuperação. Também foram registrados casos no Canadá.
A Cidade do México, uma das maiores metrópolis do mundo, com cerca de 20 milhões de habitantes, mais parecia uma cidade-fantasma neste domingo.
Ao suspender as aulas em todas as escolas públicas e privadas até 6 de maio, o prefeito da capital, Marcelo Ebrard, fez um apelo às empresas para que reduzam ao máximo suas atividades. Ele quer diminuir a movimentação de pessoas para evitar a contaminação.
O presidente Felipe Calderón decretou estado de emergência. Isso lhe dá poderes para isolar doentes, ordenar a inspeção de casas e suspender eventos públicos.
Para o diretor interino do Centro de Controle de Doenças dos EUA, a boa notícia é que todos os americanos doentes foram curados ou estão em recuperação.
Pelo menos mais nove casos foram confirmados nos EUA, agora em Nova York, além dos anteriores, na Califórnia, no Texas e em Kansas, sinal de que o vírus se espalhou.
Em Tijuana, no México, quem cruza a fronteira em qualquer dos dois sentidos é alertado para os riscos de contaminação.
A Espanha examina oito casos suspeitos de doentes que estiveram no México. Na França, há quatro casos suspeitos. A Alemanha toma medidas para aumentar a vigilância sanitária. No Reino Unido, a Escócia examina dois suspeitos. Todos estiveram no México. Na Nova Zelândia 25 estudantes e professores que chegaram do México estão em quarentena para evitar o contágio.
domingo, 2 de julho de 2006
México escolhe presidente em eleição indefinida
O México escolhe hoje um novo presidente em eleições disputadíssimas.
As pesquisas de opinião indicam um equilíbrio entre o ex-prefeito da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), de esquerda, e o ex-ministro Felipe Calderón, do Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Vicente Fox.
Ambos estão com cerca de 36% das preferências, bem à frente de Roberto Madrazo, candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que teve o monopólio de poder no México de 1929 a 2000.
Como a eleição presidencial mexicana é realizada num só turno, ganha o mais votado, mesmo que não obtenha mais da metade dos votos válidos.
Para o jornal The Wall St. Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova Iorque, será um referendo entre os defensores de reformas econômicas liberalizantes, representados por Calderón, e a nova tendência esquerdista na América Latina, que reivindica um papel mais ativo para o Estado no desenvolvimento econômico e social, encarnada por López Obrador.
Como a maior parte da América Latina, o México está radicalmente dividido em torno dos resultados de duas décadas de liberalização econômica, privatização e investimento estrangeiro.
O país vive seu mais longo período de estabilidade econômica desde os anos 60 e a expansão do comércio exterior depois que aderiu ao Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, da sigla em inglês), em 1994, o transformou numa das 10 maiores economias do mundo. Mas este desenvolvimento recente agravou as tensões sociais criando uma nova casta de milionários enquanto a maioria dos mexicanos não se beneficiou deste progresso.
No domingo passado, num comício em Cuernavaca, o candidato esquerdista López Obrador prometeu governar para os deserdados pela globalização: “Tudo que a globalização tem feito é nos tornar mais pobres”. Ele disse que pretende lançar um programa de renda mínima para idosos a partir de 70 anos.
A mensagem de Calderón no Estádio Azteca, na Cidade do México, era oposta. O candidato da direita pedia a 100 mil pessoas que lembrassem o “filme de horror” do passado, quando o excesso de gastos públicos levou ao endividamento, inflação e colapso financeiro. Seu argumento é simples: o México precisa de empregos e isto exige investimentos nacionais e estrangeiros.
Assim a eleição mexicana se transforma em mais uma batalha em torno do papel do Estado na promoção do desenvolvimento e da redução da pobreza na América Latina. O Peru acaba de eleger o moderado Alan García, rejeitando o candidato ultranacionalista Ollanta Humala, apoiado pelo caudilho que preside a Venezuela, Hugo Chávez.
Enquanto Brasil, Chile e Colômbia têm governos moderados que procuram se beneficiar das oportunidades oferecidas pelo processo de globalização econômica, raciocina o Journal, Venezuela, Bolívia e Argentina adotaram políticas populistas e de controles de preços.
A eleição é de especial interesse nos EUA não só porque os dois países são aliados no Nafta. Cerca de 400 mil mexicanos entram ilegalmente nos EUA todos os anos em busca de uma vida melhor.
DA REVOLUÇÃO À LIBERALIZAÇÃO
O México moderno é produto da Revolução de 1910-17, liderada por heróis nacionais como Emiliano Zapata e Pancho Villa, que redistribuiu a terra, protegeu a indústria nacional e criou uma mentalidade paternalista em que o governo é visto como principal fonte de favores e riqueza.
Em 1929, o presidente Lázaro Cárdenas institucionalizou a revolução criando o PRI, que teria o monopólio do poder até 2000. O mesmo Cárdenas nacionalizou o petróleo em 1938.
No pós-guerra, o México cresceu rapidamente até a metade dos anos 70. Foi o primeiro país a quebrar na crise das dívidas externas da América Latina dos anos 80. A partir de 1986, iniciou um processo de liberalização de sua economia. Quando o Muro de Berlim caiu, o México era uma das economias emergentes que mais recebiam investimentos externos diretos.
A adesão ao Nafta em 1994 consolidava a abertura econômica e a reinserção internacional do país. Mas a concorrência dos países asiáticos, sobretudo da China, a burocracia, a corrupção e o baixo nível educacional pesaram. Desde 2000, no governo Fox, a economia cresceu em média apenas 1,8% ao ano, caindo do oitavo para o 14º lugares entre os países mais ricos do mundo.
Quando o banco de investimentos fala nas potências econômicas emergentes que estarão ao lado dos EUA, da Europa e do Japão lá pelo ano 2050, usa a expressão BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). O México está fora.
Uma das grandes arenas do debate ideológico no México é o petróleo. Embora seja o quinto maior produtor mundial, atrás da Arábia Saudita, da Rússia, dos EUA e do Irã, o México não produz gasolina ou gás natural em quantidades suficientes para atender ao consumo interno. Sem investimentos privados, teme-se que a produção decline na próxima década.
Calderón, que foi ministro da Energia, defende maior presença do setor privado, enquanto López Obrador resiste a qualquer tentativa de privatização. Promete administrar melhor a estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) para economizar US$ 1 bilhão. Isto ajudaria a financiar os subsídios de US$ 2,4 bilhões por ano para gasolina, eletricidade e gás natural. Mas rejeita o capital estrangeiro: “Não vamos trair a nação”.
López Obrador, de 52 anos, conquistou popularidade organizando protestos de massa nos anos 80 e como prefeito da capital (1996-2005). Calderón, de 43 anos, filho de uma família católica conservadora, estudou na Universidade de Harvard, a mais prestigiada dos EUA.
Quem quer que seja eleito enfrentará a mesma dificuldade do atual presidente Vicente Fox. Não terá maioria no Congresso, que continuará sob o domínio do PRI, embora seu candidato a presidente não tenha a menor chance. Fox não conseguiu aprovar seus projetos e as reformas se estagnaram.
Calderón promete passar por cima das diferenças partidárias. López Obrador confia na mobilização popular para pressionar deputados e senadores.
As pesquisas de opinião indicam um equilíbrio entre o ex-prefeito da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), de esquerda, e o ex-ministro Felipe Calderón, do Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Vicente Fox.
Ambos estão com cerca de 36% das preferências, bem à frente de Roberto Madrazo, candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que teve o monopólio de poder no México de 1929 a 2000.
Como a eleição presidencial mexicana é realizada num só turno, ganha o mais votado, mesmo que não obtenha mais da metade dos votos válidos.
Para o jornal The Wall St. Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova Iorque, será um referendo entre os defensores de reformas econômicas liberalizantes, representados por Calderón, e a nova tendência esquerdista na América Latina, que reivindica um papel mais ativo para o Estado no desenvolvimento econômico e social, encarnada por López Obrador.
Como a maior parte da América Latina, o México está radicalmente dividido em torno dos resultados de duas décadas de liberalização econômica, privatização e investimento estrangeiro.
O país vive seu mais longo período de estabilidade econômica desde os anos 60 e a expansão do comércio exterior depois que aderiu ao Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, da sigla em inglês), em 1994, o transformou numa das 10 maiores economias do mundo. Mas este desenvolvimento recente agravou as tensões sociais criando uma nova casta de milionários enquanto a maioria dos mexicanos não se beneficiou deste progresso.
No domingo passado, num comício em Cuernavaca, o candidato esquerdista López Obrador prometeu governar para os deserdados pela globalização: “Tudo que a globalização tem feito é nos tornar mais pobres”. Ele disse que pretende lançar um programa de renda mínima para idosos a partir de 70 anos.
A mensagem de Calderón no Estádio Azteca, na Cidade do México, era oposta. O candidato da direita pedia a 100 mil pessoas que lembrassem o “filme de horror” do passado, quando o excesso de gastos públicos levou ao endividamento, inflação e colapso financeiro. Seu argumento é simples: o México precisa de empregos e isto exige investimentos nacionais e estrangeiros.
Assim a eleição mexicana se transforma em mais uma batalha em torno do papel do Estado na promoção do desenvolvimento e da redução da pobreza na América Latina. O Peru acaba de eleger o moderado Alan García, rejeitando o candidato ultranacionalista Ollanta Humala, apoiado pelo caudilho que preside a Venezuela, Hugo Chávez.
Enquanto Brasil, Chile e Colômbia têm governos moderados que procuram se beneficiar das oportunidades oferecidas pelo processo de globalização econômica, raciocina o Journal, Venezuela, Bolívia e Argentina adotaram políticas populistas e de controles de preços.
A eleição é de especial interesse nos EUA não só porque os dois países são aliados no Nafta. Cerca de 400 mil mexicanos entram ilegalmente nos EUA todos os anos em busca de uma vida melhor.
DA REVOLUÇÃO À LIBERALIZAÇÃO
O México moderno é produto da Revolução de 1910-17, liderada por heróis nacionais como Emiliano Zapata e Pancho Villa, que redistribuiu a terra, protegeu a indústria nacional e criou uma mentalidade paternalista em que o governo é visto como principal fonte de favores e riqueza.
Em 1929, o presidente Lázaro Cárdenas institucionalizou a revolução criando o PRI, que teria o monopólio do poder até 2000. O mesmo Cárdenas nacionalizou o petróleo em 1938.
No pós-guerra, o México cresceu rapidamente até a metade dos anos 70. Foi o primeiro país a quebrar na crise das dívidas externas da América Latina dos anos 80. A partir de 1986, iniciou um processo de liberalização de sua economia. Quando o Muro de Berlim caiu, o México era uma das economias emergentes que mais recebiam investimentos externos diretos.
A adesão ao Nafta em 1994 consolidava a abertura econômica e a reinserção internacional do país. Mas a concorrência dos países asiáticos, sobretudo da China, a burocracia, a corrupção e o baixo nível educacional pesaram. Desde 2000, no governo Fox, a economia cresceu em média apenas 1,8% ao ano, caindo do oitavo para o 14º lugares entre os países mais ricos do mundo.
Quando o banco de investimentos fala nas potências econômicas emergentes que estarão ao lado dos EUA, da Europa e do Japão lá pelo ano 2050, usa a expressão BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). O México está fora.
Uma das grandes arenas do debate ideológico no México é o petróleo. Embora seja o quinto maior produtor mundial, atrás da Arábia Saudita, da Rússia, dos EUA e do Irã, o México não produz gasolina ou gás natural em quantidades suficientes para atender ao consumo interno. Sem investimentos privados, teme-se que a produção decline na próxima década.
Calderón, que foi ministro da Energia, defende maior presença do setor privado, enquanto López Obrador resiste a qualquer tentativa de privatização. Promete administrar melhor a estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) para economizar US$ 1 bilhão. Isto ajudaria a financiar os subsídios de US$ 2,4 bilhões por ano para gasolina, eletricidade e gás natural. Mas rejeita o capital estrangeiro: “Não vamos trair a nação”.
López Obrador, de 52 anos, conquistou popularidade organizando protestos de massa nos anos 80 e como prefeito da capital (1996-2005). Calderón, de 43 anos, filho de uma família católica conservadora, estudou na Universidade de Harvard, a mais prestigiada dos EUA.
Quem quer que seja eleito enfrentará a mesma dificuldade do atual presidente Vicente Fox. Não terá maioria no Congresso, que continuará sob o domínio do PRI, embora seu candidato a presidente não tenha a menor chance. Fox não conseguiu aprovar seus projetos e as reformas se estagnaram.
Calderón promete passar por cima das diferenças partidárias. López Obrador confia na mobilização popular para pressionar deputados e senadores.
sexta-feira, 7 de abril de 2006
López Obrador não será chavista
Se o ex-prefeito esquerdista da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador for eleito presidente em 6 de julho, não adotará políticas radicais na linha do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A previsão foi feita pela embaixadora mexicana no Brasil, Cecilia Soto González, em palestra proferida ontem no Centro Brasileiro de Relações Internacionais, no Rio de Janeiro.
Com um partido fraco e sem maioria no Congresso e amarrado por compromissos internacionais como o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, da sigla em inglês), ele não terá margem de manobra para ousar muito.
López Obrador lidera as pesquisas há dois anos mas sua vitória não está garantida. Uma pesquisa recente deu a vitória ao jovem candidato Felipe Calderón, do Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Vicente Fox.
Numa boa notícia para a democracia, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que dominou totalmente a política mexicana durante 71 anos (1929-2000), controlando os três poderes, as empresas estatais e os sindicatos, deve ficar em terceiro lugar. É o fim de um monopólio de poder que tornou o México numa ditadura civil durante a maior parte do século 20, criando, nas palavras da embaixadora, “uma confusão entre partido e Estado”. E uma prova da maturidade da democracia mexicana
O PRI chegou a inspirar a ditadura militar brasileira, que sonhava com a mexicanização da política brasileira, transformando seu partido, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), num PRI.
Com um candidato como Roberto Madrazzo, “visto como representante do velho PRI autoritário” que atropelou a ala jovem e reformista do partido, “é provável que o PRI fique em último lugar entre os grandes partidos, completando a transição democrática”.
Numa pesquisa realizada no início do mês passado, López Obrador tinha 37,5% das preferências contra 30,6% de Calderón e 28,8% de Madrazo. Outra pesquisa, realizada entre 18 e 21 de março, deu 36% para Calderón, um empate técnico com López Obrador (34%), com Madrazo ficando com 28% das intenções de voto.
Como a eleição presidencial mexicana é realizada num turno único, ganha o mais votado.
CONFUSÃO PARTIDO-ESTADO
No antigo sistema político mexicano, com o monopólio do PRI, havia uma confusão entre partido e Estado, o controle total do Congresso e da maioria dos governos estaduais pelo partido oficial, e uma economia fechada que reforçada o autoritatismo. Como o governo tinha o monopólio da importação de papel para a imprensa, controlava os jornais e revistas.
A cada eleição presidencial havia uma crise gerada pelo manipulação da economia para favorecer o candidato do PRI. O presidente assumia declarando: “A revolução continua, a partir do palácio presidencial”, como se isto não fosse uma contradição total.
O candidato favorito, López Obrador,é do Partido da Revolução Democrática (PRD), formado por uma aliança entre dissidentes da ala esquerdista do PRI, liderados por Cuautémoc Cárdenas, filho do presidente Lázaro Cárdenas, fundador do PRI em 1929, e do antigo partido comunista.
López Obrador formou a Coalizão para o Bem de Todos com o Partido do Trabalho e a Convergência Democrática. Ele se beneficiou com a desilusão com as eleições de 2000 e o governo Fox. Sua campanha "baseia-se na frustração com a mudança, prometendo mais crescimento, emprego e segurança", comentou e embaixadora.
Numa manobra inteligente, quando era prefeito da capital, dava entrevistas coletivas todos os dias às 6h, ditando a agenda política do país.
Mas sua candidatura decolou porque "o governo tentou barrá-la seguindo a lei ao pé da letra, cassando seus direitos políticos", comentou Cecilia Soto. "Mas o povo mexicano sempre fica do lado das vítimas".
Sem maioria no Congresso, Fox não conseguiu aplicar seu programa. A contrapartida positiva é que pela primeira vez na História do México, o parlamento se afirmou como um poder independente. Mas a maioria do PRI não permitiu uma reforma profunda.
O governo Fox ainda foi prejudicado pela recessão nos EUA depois do estouro da bolha especulativa das ações de empresas de Internet, em maio de 2000. Com o Nafta, o comércio exterior mexicano cresceu muito, chegando a US$ 400 bilhões, mas 85% dos negócios são com os EUA. Esta dependência implica que crises americanas sempre atinjam o México.
“Parecia que o PRI voltaria ao poder”, comentou a embaixadora. “Nas eleições intermediárias, manteve a maioria no Congresso e elegeu 17 governadores” nos 31 estados mexicanos. Surgiu uma nova geração priísta. Mas sua derrota para Madrazo na escolha do candidato presidencial é um retrocesso para a modernização do partido. O candidato faz uma campanha para mudar sua imagem mas tem o mais alto índice de rejeição, 45%. "Madrazo é um desastre para o PRI", afirma Cecilia Soto.
Dentro do PAN, Fox apoiava outro candidato. Teve de engolir Calderón. Mas apesar da desiluão com seu governo, o presidente é muito popular. Tem hoje 63% de aprovação. "Ele perdeu os formadores de opinião mas é muito popular por causa de sua fala simples e de sua proximidade com o povo", nota Cecilia Soto. "Neste ano, estão amadurecendo programas econômicos. Serão construídas 800 mil casas populares. Os programas de saúde estão começando a apresentar resultados e o Quadro Negro Eletrônico, de informatização das escolas, é um sucesso".
O presidente beneficiou-se ainda das acusações do presidente de Cuba, Fidel Castro, e mais recentemente do venezuelano Hugo Chávez, que o acusou na conferência de Cúpula das Américas em Mar del Plata, na Argentina, no final do ano passado, de fazer o jogo dos EUA. López Obrador pegou carona na crítica de Chávez e perdeu pontos. Tinha 40% das preferências.
O ex-prefeito da Cidade do México também negou-se a participar de dois debates e perdeu prestígio com isso. Nega-se a ir a foros empresariais, alegando não querer chegar ao poder comprometido com empresários.
Tudo isto favorece o candidato do PAN.
Como ninguém acreditava na máquina do Estado, totalmente submetida ao PRI no século passado, para democratizar o México foi criado um Instituto Eleitoral independente. A tinta que marca os dedos para evitar que os eleitores votem duas vezes foi patenteada pela NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA).
O financiamento das campanhas é feito com dinheiro público. Só 10% vêem de empresas privadas. Nesta eleição, os partidos terão US$ 1,2 bilhão de fundos públicos. A embaixadora admite que houve uso de recursos de caixa dois (dinheiro sonegado do imposto de renda) em 2000 mas garante que a corrupção eleitoral está diminuindo.
Derrotar o PRI em 2000 não foi fácil para Fox. Em janeiro daquele ano, ele estava 20 pontos percentuais atrás do candidato oficial. Em maio, perdia por 12 pontos. A poucas semanas da votação, 19 pesquisas davam a vitória ao PRI e apenas cinco ao PAN.
Do ponto de vista econômico, López Obrador aposta num neokeynesianismo, ou seja, no uso do Estado e do investimento público como motor pelo menos auxiliar do desenvolvimento. Quer uma política fiscal que garanta a estabilidade macroeconômica sem frear o crescimento. Não pretende fazer novas reformas liberalizantes e muito menos mexer no regime da empresa estatal Petroleos de México (Pemex), responsável por um terço da arrecadação do governo.
López Obrador lidera as pesquisas há dois anos mas sua vitória não está garantida. Uma pesquisa recente deu a vitória ao jovem candidato Felipe Calderón, do Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Vicente Fox.
Numa boa notícia para a democracia, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que dominou totalmente a política mexicana durante 71 anos (1929-2000), controlando os três poderes, as empresas estatais e os sindicatos, deve ficar em terceiro lugar. É o fim de um monopólio de poder que tornou o México numa ditadura civil durante a maior parte do século 20, criando, nas palavras da embaixadora, “uma confusão entre partido e Estado”. E uma prova da maturidade da democracia mexicana
O PRI chegou a inspirar a ditadura militar brasileira, que sonhava com a mexicanização da política brasileira, transformando seu partido, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), num PRI.
Com um candidato como Roberto Madrazzo, “visto como representante do velho PRI autoritário” que atropelou a ala jovem e reformista do partido, “é provável que o PRI fique em último lugar entre os grandes partidos, completando a transição democrática”.
Numa pesquisa realizada no início do mês passado, López Obrador tinha 37,5% das preferências contra 30,6% de Calderón e 28,8% de Madrazo. Outra pesquisa, realizada entre 18 e 21 de março, deu 36% para Calderón, um empate técnico com López Obrador (34%), com Madrazo ficando com 28% das intenções de voto.
Como a eleição presidencial mexicana é realizada num turno único, ganha o mais votado.
CONFUSÃO PARTIDO-ESTADO
No antigo sistema político mexicano, com o monopólio do PRI, havia uma confusão entre partido e Estado, o controle total do Congresso e da maioria dos governos estaduais pelo partido oficial, e uma economia fechada que reforçada o autoritatismo. Como o governo tinha o monopólio da importação de papel para a imprensa, controlava os jornais e revistas.
A cada eleição presidencial havia uma crise gerada pelo manipulação da economia para favorecer o candidato do PRI. O presidente assumia declarando: “A revolução continua, a partir do palácio presidencial”, como se isto não fosse uma contradição total.
O candidato favorito, López Obrador,é do Partido da Revolução Democrática (PRD), formado por uma aliança entre dissidentes da ala esquerdista do PRI, liderados por Cuautémoc Cárdenas, filho do presidente Lázaro Cárdenas, fundador do PRI em 1929, e do antigo partido comunista.
López Obrador formou a Coalizão para o Bem de Todos com o Partido do Trabalho e a Convergência Democrática. Ele se beneficiou com a desilusão com as eleições de 2000 e o governo Fox. Sua campanha "baseia-se na frustração com a mudança, prometendo mais crescimento, emprego e segurança", comentou e embaixadora.
Numa manobra inteligente, quando era prefeito da capital, dava entrevistas coletivas todos os dias às 6h, ditando a agenda política do país.
Mas sua candidatura decolou porque "o governo tentou barrá-la seguindo a lei ao pé da letra, cassando seus direitos políticos", comentou Cecilia Soto. "Mas o povo mexicano sempre fica do lado das vítimas".
Sem maioria no Congresso, Fox não conseguiu aplicar seu programa. A contrapartida positiva é que pela primeira vez na História do México, o parlamento se afirmou como um poder independente. Mas a maioria do PRI não permitiu uma reforma profunda.
O governo Fox ainda foi prejudicado pela recessão nos EUA depois do estouro da bolha especulativa das ações de empresas de Internet, em maio de 2000. Com o Nafta, o comércio exterior mexicano cresceu muito, chegando a US$ 400 bilhões, mas 85% dos negócios são com os EUA. Esta dependência implica que crises americanas sempre atinjam o México.
“Parecia que o PRI voltaria ao poder”, comentou a embaixadora. “Nas eleições intermediárias, manteve a maioria no Congresso e elegeu 17 governadores” nos 31 estados mexicanos. Surgiu uma nova geração priísta. Mas sua derrota para Madrazo na escolha do candidato presidencial é um retrocesso para a modernização do partido. O candidato faz uma campanha para mudar sua imagem mas tem o mais alto índice de rejeição, 45%. "Madrazo é um desastre para o PRI", afirma Cecilia Soto.
Dentro do PAN, Fox apoiava outro candidato. Teve de engolir Calderón. Mas apesar da desiluão com seu governo, o presidente é muito popular. Tem hoje 63% de aprovação. "Ele perdeu os formadores de opinião mas é muito popular por causa de sua fala simples e de sua proximidade com o povo", nota Cecilia Soto. "Neste ano, estão amadurecendo programas econômicos. Serão construídas 800 mil casas populares. Os programas de saúde estão começando a apresentar resultados e o Quadro Negro Eletrônico, de informatização das escolas, é um sucesso".
O presidente beneficiou-se ainda das acusações do presidente de Cuba, Fidel Castro, e mais recentemente do venezuelano Hugo Chávez, que o acusou na conferência de Cúpula das Américas em Mar del Plata, na Argentina, no final do ano passado, de fazer o jogo dos EUA. López Obrador pegou carona na crítica de Chávez e perdeu pontos. Tinha 40% das preferências.
O ex-prefeito da Cidade do México também negou-se a participar de dois debates e perdeu prestígio com isso. Nega-se a ir a foros empresariais, alegando não querer chegar ao poder comprometido com empresários.
Tudo isto favorece o candidato do PAN.
Como ninguém acreditava na máquina do Estado, totalmente submetida ao PRI no século passado, para democratizar o México foi criado um Instituto Eleitoral independente. A tinta que marca os dedos para evitar que os eleitores votem duas vezes foi patenteada pela NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA).
O financiamento das campanhas é feito com dinheiro público. Só 10% vêem de empresas privadas. Nesta eleição, os partidos terão US$ 1,2 bilhão de fundos públicos. A embaixadora admite que houve uso de recursos de caixa dois (dinheiro sonegado do imposto de renda) em 2000 mas garante que a corrupção eleitoral está diminuindo.
Derrotar o PRI em 2000 não foi fácil para Fox. Em janeiro daquele ano, ele estava 20 pontos percentuais atrás do candidato oficial. Em maio, perdia por 12 pontos. A poucas semanas da votação, 19 pesquisas davam a vitória ao PRI e apenas cinco ao PAN.
Do ponto de vista econômico, López Obrador aposta num neokeynesianismo, ou seja, no uso do Estado e do investimento público como motor pelo menos auxiliar do desenvolvimento. Quer uma política fiscal que garanta a estabilidade macroeconômica sem frear o crescimento. Não pretende fazer novas reformas liberalizantes e muito menos mexer no regime da empresa estatal Petroleos de México (Pemex), responsável por um terço da arrecadação do governo.
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